segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Repensar o mundo

A velha história é a história da separação. Precisamos de novas histórias, porque a velha história é mentira. Nós não estamos separados um dos outros, nem estamos separados das plantas, dos animais, da natureza, do cosmos. A nova história é, afinal, a mais antiga de todas, e os povos indígenas sabem disso: que estamos todos todos interligados, que somos feitos da mesma matéria uns e outros  e as estrelas! Inspire-se na palestra de Charles Eisenstein no Brasil, no vídeo abaixo.

E quanto ao novo ano que já bate à porta, faço minhas as palavras de Rogério Pereira no seu blogue Conversa Avinagrada:

«O tempo nunca resolveu nada
que os povos não tenham querido resolver.
Que cada um saiba o que de importante pode e deve fazer.
Que a sabedoria vos ilumine.»



«As nossas histórias nos governam. Elas sintetizam e dão sentido à caminhada humana. Muitas vezes, contudo, as histórias saem de sintonia com a realidade e passam a não mais orientar, mas a se fixar em padrões estabelecidos e desconectados. É possível imaginarmos uma matriz sociopolítica e econômica que faça sentido para os conhecimentos de que já dispomos? O que seria uma postura de vida que nutra um futuro desejável?

Charles Eisenstein é conferencista e escritor, voltado para os temas da civilização, consciência, dinheiro e evolução cultural humana. Em primeira visita ao Brasil, lança também seu primeiro livro em língua portuguesa, "O mundo mais bonito que os nossos corações sabem ser possível", pela Palas Athena Editora. Seus vídeos virais e textos online fizeram dele um filósofo social e um intelectual da contracultura, que não pode ser facilmente rotulado. Graduou-se em Matemática e Filosofia pela Universidade de Yale em 1989, e trabalhou nos dez anos seguintes como tradutor do chinês para o inglês. Autor de Sacred Economics (Economia Sagrada) e Ascent of Humanity (A Ascensão da Humanidade), ele hoje vive em Camp Hill, Pennsylvania.


Imagens e Edição por Pedro Céu  | Tradução por Denize Guedes»

Fonte: https://youtu.be/AOxsPC2NSXc

sábado, 29 de dezembro de 2018

"Somos o elefante na casa de porcelana" (Miguel B. Araújo)

Miguel Bastos Araújo, um investigador que se dedica-se há duas décadas ao estudo do efeito das alterações climáticas na biodiversidade, venceu o Prémio Pessoa 2018.  É um excelente sinal que um prémio destes se volte para alguém das ciências e sobretudo das ciências do ambiente. PARABÉNS!

Desde que navego pela blogosfera que tenho aprendido sobre temas ambientais com Miguel B. Araújo, com os seus textos ponderados e extremamente bem fundamentados, sobretudo no blogue AMBIO -blogue de Reflexão sobre Ambiente e Sociedade . Este blogue "Ambio",  foi provavelmente o primeiro blogue português dedicado ao Ambiente, e tudo indica ter sido o Miguel B. Araújo a criá-lo ainda no milénio passado ( em 1999), pois nos primeiros anos as publicações eram todas suas.  O blogue posteriormente teve novos contribuidores, e desde 2016 tem estado parado,  mas as suas publicações continuam na net, muitas ainda se mantém com grande atualidade.

Na sequência do Prémio Pessoa, o Expresso publicou na Revista uma interessante entrevista a Miguel B. Araújo, de 8 páginas na edição escrita (de 22/12/2018).

O texto que se segue é um extracto dessa entrevista "Trabalhar em ciência é como ser uma atleta de alta competição" (por Carla Tomás e Tiago Miranda) , que vale a pena ler na íntegra.  

«A última conferência mundial do clima [COP24] não correspondeu à urgência pedida pelos cientistas. Como vê este resultado?
Não olho para esta COP em particular. Como cientista, tenho de ter uma perspetiva mais a longa distância. O comboio está a andar e é imparável. António Guterres disse que não há plano B nem planeta B, e é verdade. Como tal, este é o caminho. Os sectores que dependem do consumo de carbono estão conscientes de que vão ter de mudar de vida, mas querem tempo para se adaptar. Os atrasos devem-se a essa estratégia de querer ganhar tempo.

...

Recusa o discurso catastrofista?
Estou consciente de que a crise é grave, mas um discurso catastrofista não serve de muito. Serve para fazer notícias, para que eventualmente algumas pessoas mudem comportamentos, mas também gera uma certa apatia se o discurso for repetido ano após ano. A catástrofe vem aí e é quase silenciosa quanto à extinção das espécies. Em todas as crises há vantagens e desvantagens, e as desvantagens são muito maiores do que as vantagens, mas não devemos pintar o cenário de branco ou de preto.

...
As alterações climáticas estão mais na agenda do que a proteção da biodiversidade. Porquê?
Porque apesar de ambas poderem afetar a nossa sobrevivência no planeta... a extinção das espécies é mais difícil de explicar.

E como a explicaria de forma simples?
Existe uma explicação utilitarista e outra não utilitarista. Quem aprecia a biodiversidade pensa na dimensão ética e moral e não na perspetiva utilitarista. A ética e a moral comandam a vida das civilizações, e não devemos esquecer essa dimensão. É considerado imoral que haja uns que têm muito dinheiro e outros que não têm nenhum. Criaram-se mecanismos de redistribuição de riqueza, inventou-se a social-democracia e o comunismo como formas de tentar desvanecer essas assimetrias sociais ou como mecanismo de solidariedade geracional. Brundtland acrescentou que essa solidariedade também tem de existir para os que hão de vir.

E em relação à biodiversidade?
Imagem de Jeremy Cohen obtida aqui
Em relação a biodiversidade, Wilson defende que nós, seres humanos, temos um instinto natural de amor pela vida que extravasa a nossa própria vida. Há muitas pessoas que valorizam a natureza e outras formas de vida sem verem nisso um valor económico ou de utilidade. Depois existe o discurso monetário. Quanto valem os serviços dos ecossistemas? Quanto valem os insetos que polinizam as plantas e nos permitem ter comida para comer? O que seria o mundo sem abelhas? Isso é fácil de comunicar. Se há quebras brutais de peixes nos oceanos que obrigam a limitar a pesca, é mau para nós e é mau para toda a cadeia trófica, que afeta o ciclo dos ecossistemas, nomeadamente o ciclo do carbono. Tenho estado a trabalhar ultimamente nestas cadeias tróficas. Alterar algumas peças deste puzzle pode ter efeitos dramáticos em toda a dinâmica do ecossistema. Afeta a capacidade de absorção do carbono e o grau de acidificação do oceano. São muitos elementos encadeados, e nós somos o elefante na casa de porcelana. Vamos partindo coisas e levando espécies à extinção e não nos apercebemos sequer das consequências que isso tem.

Já entrámos na sexta extinção em massa e estamos a carregar no acelerador?
Sim, mas é um processo geológico que vem de longe. Iniciou-se quando os humanos saíram de África, há cerca de 100 mil anos, e começaram a colonizar outros continentes com impactos brutais. Agora estamos na quarta etapa desta sexta extinção em massa, com a atividade humana a interferir com alterações globais e o planeta a enfrentar a extinção de espécies a um ritmo ainda mais sangrante. Estamos a alterar os ritmos bioquímicos do planeta a uma escala global.

O que dizem as projeções em que tem trabalhado?
As projeções são pessimistas. As zonas polares estão em vias de desaparecer e tudo o que é fauna polar, incluindo o urso polar, também. Não só porque desaparece o habitat mas também porque passam a ter de competir por esse habitat com uma fauna que vem de sul. A questão é saber quando se irão extinguir. E na realidade só conhecemos uma ínfima parte da biodiversidade do nosso planeta.
...

Vamos a tempo de travar as consequências das alterações climáticas e a extinção de espécies?
Não tenho uma bola de cristal. Se olharmos para o que fizemos no passado, o que estamos a fazer e o que projetamos para o futuro, vemos que não vamos a tempo. Eu procuro ter uma abordagem otimista, porque se não a tiver o melhor é arrumar as botas. Sou otimista no sentido em que acredito que a Humanidade, em algum momento, vai aperceber-se que tem de mudar de vida.
...

Os portugueses dizem estar preocupados com as alterações climáticas, mas não têm a mesma atitude em relação à conservação da biodiversidade. Porquê?
Diferentes culturas no planeta têm abordagens diferentes. A natureza no Mediterrâneo é muito agreste e trabalhosa e vista como algo utilitário. Já na Índia, onde há mais misticismo em relação à natureza, é muito o local onde estão os deuses. A natureza é por isso reverenciada.
...»
Fonte do texto transcrito e das fotos de Miguel B. Araújo: https://leitor.expresso.pt/semanario/semanario2408/html/revista-e/-e/Trabalhar-em-ciencia-e-como-ser-um-atleta-de-alta-competicao  (https://expresso.sapo.pt/Capas/2018-12-21-Miguel-Bastos-Araujo-na-Revista-E)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

OGM: 2 - As sementes transgénicas poderão chegar à agricultura familiar?



2º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«ESTÁ A ALIMENTAR AS SUAS GALINHAS COM MILHO OGM? E SABE O QUE É ISSO?

O milho à venda nos sacos de rações traz na embalagem a designação de Organismo Geneticamente Modificado, ou OGM. Mas não se lhe dá importância porque as pessoas desconhecem o que significa. Se o que alimenta os animais acaba por nos ir parar ao prato e condicionar a nossa saúde não valerá a pena estarmos informados e pensarmos se queremos mesmo comprar estes produtos?
Organismo geneticamente modificado é um ser vivo produzido em laboratório através de técnicas de engenharia genética. Este milho é diferente do que sempre se usou e portanto provocará efeitos diferentes, que se tornarão cada vez mais evidentes ao longo do tempo. Essa é uma das razões pelas quais a oposição às variedades OGM se iniciou no fim dos anos 90, e é cada vez maior. Uma coisa é fazer investigação em laboratório e outra, bem diferente, é comercializar produtos que não dão garantias inequívocas de serem inofensivos.

Mas as grandes empresas querem lucros rápidos e o poder politico não tem estabelecido limites éticos e jurídicos eficazes. Um dos segredos mais à vista de todos é que agora a investigação científica é financiada, sobretudo, com dinheiro privado corrompendo a independência dos cientistas. O resultado final é que os interesses das populações e do ambiente passaram para segundo plano e a prioridade passou a ser a promoção dos transgénicos e dos pesticidas, em particular o glifosato (Roundup).»

PARA SABER MAIS sobre transgénicos:    https://www.stopogm.net/sites/stopogm.net/files/webfm/plataforma/sabermais.pdf

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Florestas: A solução esquecida

Alec Baldwin e Dr. Jane Goodall explicam porque não se pode deixar que as florestas sejam a solução esquecida para prevenir as alterações climáticas.

«Vídeo criado por YEARS Project em parceria com o Instituto Jane Goodall. Agradecimentos especiais ao povo Mebêngôkre do Brasil apresentado neste vídeo. São uma tribo que trabalha para manter as suas florestas a salvo da destruição, mas, tal como outros grupos indígenas que protegem as florestas, as suas vidas e seus os meios de subsistência estão em perigo devido à agricultura ilegal e legal, extração de madeira e minas de ouro na Amazónia.»

#YEARSproject #theforgottensolution #WeCanSolveThis

«Sem florestas, não existem soluções para o clima. A cada segundo que passa, uma floresta é destruída, à velocidade de um campo de futebol por segundo. E num pestanejar de olhos, metade das florestas do planeta já desapareceram.»

sábado, 22 de dezembro de 2018

Meta: Desperdício Zero

"ANA, GO SLOWLY" é o blogue de Ana Milhazes Martins, onde disponibiliza o guia de iniciação ao Desperdício Zero, que nos convida, e dá as dicas, a adotarmos um estilo de vida mais ecológico, sustentável e feliz.

A seguir um documentário em  curta metragem de EPOCH onde Ana Milhazes conta um pouco da sua história e nos inspira a vivermos melhor com menos.



«Viver com menos, é viver com mais. É viver com mais tempo para o que é realmente importante, é viver com mais calma, é viver com mais foco, é viver com mais Amor. Viver com menos não é viver sem nada; é viver com o que realmente interessa, sem distracções ou bens que consomem espaço e energia.»  Ana Milhazes Martins

Ana é também embaixadora do movimento Lixo Zero Portugal:

«Projecto inspirado em Bea Johnson (Zero Waste Home), tendo como base um conjunto de práticas (5 Rs) que evitam o desperdício:

- Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse)
- Reduzir o que necessitamos (Reduce)
- Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse)
- Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle)
- Fazer compostagem (Rot)
Não é "reciclagem zero", é possível utilizar vidro, papel e algum plástico. Também não implica viver sem papel higiénico.  Enquanto seres humanos produzimos lixo, é inevitável, respiramos, comemos, fazemos as nossas necessidades.  Na realidade o "Desperdício Zero" é uma meta que dificilmente iremos alcançar, mas é isso que nos desafia e motiva!»

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Neste solstício, encontre a paz


Neste ano que está a chegar ao final, o solstício de inverno ocorre no dia 21 de dezembro às 22h 23 min, marcando o início desta estação no hemisfério norte, o dia mais curto do ano e a declinação mínima do sol (latitude ao equador: -23° 26′).



Neste dia especial, deixo um vídeo com bons conselhos. Ouça em sossego, com a mente aberta e o coração limpo. Deixe ajudar-se a encontrar a paz.


Tenha uma feliz época natalícia, e comece bem o novo ciclo solar e o novo ano.



Mensagem publicada em 21/12/2017 e republicada em 21/12/2018 com atualização da data e hora do solstício para 2018)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Ecologia Integral

Ecologia é uma ciência que estuda as relações dos seres vivos entre si e com o ambiente, e considerada um ramo da biologia.

Ecologia profunda é um conceito filosófico, que considera que a natureza possui valor intrínseco, independentemente da utilidade que tem para o ser humano.

Ecologia integral é um conceito que inclui, para além da ecologia ambiental, as componentes sociais, culturais e pessoais numa abordagem integrada, e que tem como documento exemplo a encíclica do Papa Francisco Laudato si' .



Sobre esta perspectiva, vejam  o "CADERNO DE VIAGEM - Itinerários pedagógicos para Educar para a Ecologia Integral pela Cidadania Global - propostas para educadores e educadoras. do qual transcrevo alguns parágrafos:

«A crise ambiental é um dos grandes desafios do nosso tempo, ponto de discussão e preocupação quer de líderes políticos, quer da sociedade civil. As alterações climáticas, a poluição atmosférica, do solo e da água, a perda rápida de biodiversidade, a desflorestação, os incêndios, a superabundância de resíduos produzidos em países industrializados e exportados para “países em desenvolvimento”, a falta de acesso a água potável... 

Tudo isto aponta num sentido único: a forma como a humanidade no seu todo vive, produz e consome, não só não é sustentável, como denuncia a existência de um abismo entre o ser humano e o planeta, enquanto casa da sua existência. A humanidade corre e orienta-se no sentido do crescimento e desenvolvimento económico e o planeta vai permanecendo como instrumento, cada vez mais gasto,
exausto e frágil, sem possibilidade de regeneração.

Mas esta crise ambiental é apenas uma das várias roupagens que concretizam o ponto onde a civilização moderna e industrializada nos conduziu. Se olharmos pela perspetiva social, não podemos esquecer as injustiças sociais, a pobreza de uma grande parte da população mundial e a exclusão contínua e permanente de alguns grupos que, pelo facto de por exemplo nascerem em determinados países, se veem expropriados dos seus recursos naturais, do acesso à terra, à alimentação e/ou à paz. 

Sabe-se, hoje, que a degradação ambiental tem influência direta nas situações de desigualdade e injustiça social à escala global. Ao contrário do que pensávamos há algumas décadas, o nosso paradigma de progresso atual não é sinónimo de bem-estar para todos e todas. Pelo contrário, a  tendência tem sido trazer bem-estar para uma minoria reduzida, à custa da extinção de recursos naturais e construindo uma lógica de poder na arena internacional que reforça desigualdades extremas.

Ambiente e sociedade estão unidos por outra crise: a cultural. A globalização da indiferença, como apelida o Papa Francisco1 , é um dos aspetos desta crise. 
Indiferença face a outros seres humanos, que tanto podem viver no prédio ao lado como do outro lado do planeta, e que não deixa tempo para o encontro e para vínculos profundos. 
Indiferença que acentua fronteiras entre um “nós” e um “eles”, distantes e não incluídos numa conjugação do verbo partilhar na 1.ª pessoa do plural. 
Indiferença face à injustiça, que é encarada como azar de alguns/algumas e não como responsabilidade de todos/as.
Indiferença que é potenciada pela cultura do imediato, do descartável, de competição, e que transforma cada relação num meio para um fim de curta duração - seja a relação que mantemos com as coisas, seja com as pessoas, seja com a natureza.
Do “sermos criados” em relação com outros seres humanos, que nos são iguais e com quem co-criamos a realidade, passámos para o “ter relações e fazer networking”.
Instrumentalizamos as pessoas que, nalguns casos tornam-se “descartáveis”, e passamos a assumir “o que posso consumir”, “o que posso ter e comprar”, como a finalidade última das nossas vidas


«Nunca é demais insistir que tudo está interligado. O tempo e o espaço não são independentes entre si; nem os próprios átomos ou as partículas subatómicas se podem considerar separadamente.»
Papa Francisco, 2015

Fonte:  https://fgs.org.pt/caderno-de-viagem-itinerarios-pedagogicos-para-educar-para-a-ecologia-integral-pela-cidadania-global/


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

"Estais a roubar-nos o futuro"



«O meu nome é Greta Thunberg, tenho 15 anos e sou da Suécia. Falo em nome da Climate Justice Now.

Muitas pessoas dizem que a Suécia é apenas um país pequeno e não importa o que fazemos. Mas aprendi que nunca somos pequenos demais para fazer a diferença. E se algumas crianças puderam obter manchetes em todo o mundo apenas por não irem à escola, imaginem o que todos nós poderíamos fazer juntos se realmente quiséssemos.

Mas para fazer isso, temos que falar claramente, não importa o quão desconfortável isso possa ser. Vós só falais de crescimento económico verde eterno porque estais com muito medo de ser impopulares. Vós só falais em seguir em frente com as mesmas más ideias que nos meteram nesta confusão, mesmo quando a única coisa sensata a fazer é puxar o travão de emergência. Vós não tendes maturidade suficiente para assumir como as coisas estão realmente. Até esse fardo vós deixais para nós, crianças.

Mas eu não me importo de ser popular ou não. Eu preocupo-me com a justiça climática e com o planeta vivo. A nossa civilização está a ser sacrificada para que um número muito reduzido de pessoas continuem a ganhar enormes quantias de dinheiro. A nossa biosfera está a ser sacrificada para que pessoas ricas em países como o meu possam viver em luxo. São os sofrimentos de muitos que pagam pelos luxos de poucos.

No ano de 2078, celebrarei meu 75º aniversário. Se eu tiver filhos, talvez eles passem esse dia comigo. Talvez eles me perguntem sobre vós. Talvez eles perguntem por que vós não fizestes nada enquanto ainda havia tempo para agir. Vós dizeis que amais vossos filhos acima de tudo, e mesmo assim estais a roubar o futuro deles diante de seus próprios olhos.

Até vós começardes a focar-vos no que precisa ser feito e não no que é politicamente possível, não há esperança. Não podemos resolver uma crise sem tratá-la como uma crise. Precisamos de manter os combustíveis fósseis no solo e precisamos de nos concentrar na equidade. E se as soluções dentro do sistema são impossíveis de encontrar, então talvez devêssemos mudar o sistema.

Nós não viemos aqui para pedir aos líderes mundiais que se importem. Vós ignoraste-nos no passado e voltareis a ignorar-nos. Já não há desculpas e estamos a ficar sem tempo. Nós viemos aqui para que fiqueis a saber que a mudança está a chegar, quer gosteis ou não. O poder real pertence ao povo.  Obrigada. »

Este foi o discurso lúcido e corajoso da jovem  Greta Thunberg na COP 24, em Katwice, Polónia, no dia 12 de dezembro de 2018.  (tradução livre)
Nada a acrescentar!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Estamos condenados?

Nunca a humanidade inteira enfrentou um problema da dimensão das alterações climáticas! Reconhecer a sua existência e a sua dimensão é o primeiro passo para que se possa fazer o necessário, de forma a mitigar os impactos e desacelerar o processo, que, para muitos, já será irreversível. Estaremos condenados como espécie ou como civilização?

As linhas e imagens que se seguem são extraídas do dossier do Expresso sobre Alterações Climáticas, que é elucidativo e fácil de ler e entender. Aconselho a lerem na íntegra.



O PRAZO PARA SALVAR A TERRA TERMINA EM 2030

Tique-taque tique-taque, o relógio está a contar.


A catástrofe climática parece inevitável e o mundo “está a falhar em travá-la”, como afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, na Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas (COP24) em Katowice, na Polónia.

Se não se tomarem medidas ambiciosas nos próximos 12 anos para limitar a subida média global da temperatura a não mais de 1,5° C até ao fim do século, os cenários que se anteveem revelam um planeta muito diferente daquele em que vivemos.


Para a maioria dos que leem estas linhas, a catástrofe pode parecer longínqua mas é já uma fatalidade para muitos. E como disse em 2016 o então secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon: “Não existe um plano B, porque não temos um planeta B”.


I. O MUNDO À BEIRA DA CATÁSTROFE

 

Olhe bem para o gráfico acima destas palavras. A linha amarela representa as alterações nas temperaturas globais em graus Celsius desde a época pré-industrial e não pára de ascender. Sobretudo nos últimos quatro anos, os termómetros do mundo atingiram recordes. Os glaciares estão a derreter a um ritmo mais acelerado do que se previa e as águas dos oceanos estão a subir e a roubar território. Perde-se biodiversidade a um ritmo nunca visto e os fenómenos extremos, como secas, ondas de calor, furacões e outras intempéries agravam-se.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os 20 anos mais quentes do último século registaram-se todos desde 1996 e as temperaturas médias globais já subiram cerca de 1˚C desde a era pré-industrial. Os cientistas temem que as temperaturas subam 1,5˚C já em 2040 e que esta subida mais que duplique até final do século.

...

II. AS COP E O DEBATE MUNDIAL SOBRE AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS



China, Estados Unidos da América, Europa, Médio Oriente e Índia são os maiores emissores de CO2 no mundo e o gráfico mostra que até 2030 as previsões nesta matéria são as piores possíveis. Em dezembro de 2018, a principal tarefa da COP 24 era a de estabelecer o “livro de regras” do Acordo de Paris, ratificado em 2015 e no qual 195 países se comprometeram a limitar o aquecimento da Terra a 2ºC até ao fim do século, mas a tarefa parece impossível de cumprir. Ao fim de uma semana de negociações em Katowice, na Polónia, os bloqueios fizeram-se sentir: EUA, Rússia, Arábia Saudita e Kuwait anunciaram apenas que iriam “tomar nota” do relatório do IPCC, sem reconhecer a sua importância para travar a catástrofe, reforçando a sua posição de força de bloqueio perante a urgência da ação pedida.

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III. QUAIS SÃO AS SOLUÇÕES?
Desde 1970 que 80% das fontes primárias de energia no mundo estão assentes no carvão, no petróleo e no gás natural e é preciso inverter isto. “A ciência é clara, agora os governos têm de agir mais rapidamente e com mais urgência na ambiciosa ação climática. Estamos a alimentar este fogo quando temos ao nosso alcance os meios para o extinguir”, sublinha Joyce Msuya, vice-diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Ambiente. Para impedir que o termómetro médio global ultrapasse esta linha vermelha, os países têm de acelerar os roteiros para a descarbonização.
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Não é demasiado tarde?

“Cair no desespero ou na desesperança é um perigo tão grande como cair na complacência”, avisa a presidente da convenção da ONU para as Alterações Cimáticas, Patricia Espinoza. Agora é preciso pôr o acordo de Paris em marcha, estabelecer-lhe regras e prazos e aumentar a ambição de cada país, o que depende dos governos e do comportamento daqueles que os elegem. A ONU apurou que 9000 cidades, 240 regiões ou Estados e cerca de 6 mil empresas de 128 países estão já a tomar medidas, o que deixa algum alento. »

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

OGM: 1 - Os transgénicos estarão condenados naturalmente?



1º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?”  , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes? Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal - CAP de Castelo Branco).

Em Portugal cultiva-se e consome-se milho transgénico na alimentação animal e humana mas não há informação que permita aos consumidores fazer escolhas informadas. Quase ninguém sabe o que são transgénicos e que riscos implicam. A sessão teve como objetivo contribuir para colmatar essa falha. Dirigida sobretudo aos agricultores da região, acabou por registar uma adesão heterogénea, com pessoas ligadas à agricultura, ao ambiente e ao ensino, incluindo alguns políticos locais do PSD e CDS. Esta sessão aponta para a urgência de fazer circular informação rigorosa e relevante que possa ultrapassar o clubismo instalado entre as bandeiras tradicionais da Direita e da Esquerda.

O planeta está em perigo e só pode ser salvo se todos nos unirmos na sua defesa. O conhecimento necessário está disponível mas não está acessível a todos.

Querendo promover a sua circulação a PTF criou 12 mini-episódios que registam as respostas às questões colocadas pelo público durante esta sessão.

Margarida Silva é doutorada em biologia molecular, professora da Universidade Católica no Porto, especialista em desenvolvimento sustentável, ativista e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Saiba mais na Plataforma Transgénicos Fora. https://www.stopogm.net/

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Alimentar o Futuro

 Aquilo que escolhemos comer influencia a nossa saúde, mas também um sistema económico que pode prejudicar mais ou menos o ambiente e as pessoas,  como já várias vezes se falou neste blogue.


Felizmente, a Associação Portuguesa de Nutrição tem também divulgado o papel da alimentação na saúde do planeta, com conferências e sessões de cinema sobre a sustentabilidade alimentar. Tem também com a disponibilizado informação sobre o tema, designadamente um e-book:


que muito aconselho a lerem (e do qual foram extraídas as imagens).



Também sobre o assunto, abaixo fica o trailer do documentário “SustainablEating”, que conta com a participação do Dr. Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para uma Alimentação Saudável.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Alterações climáticas e direitos humanos

Hoje faz 70 anos desde a Declaração dos Direitos Humanos, fica aqui uma reflexão, seguida de um  extracto de artigo do Washington Post sobre as emissões de CO2.

Os políticos que ignoram os avisos dos cientistas em relação às alterações climáticas,estão a promover graves violações do direitos humanos, ecocídios e mesmo genocídios. E deviam ser responsabilizados por isso. 

«As emissões globais de dióxido de carbono estão a atingir os níveis mais altos já registados, disseram os cientistas na quarta-feira, em relação às mais recentes evidências do abismo entre as metas internacionais de combate às alterações climáticas e o que os países estão a fazer.

Entre 2014 e 2016, as emissões permaneceram praticamente inalteradas, levando a esperanças de que o mundo estava a começar a mudar. Essas esperanças foram frustradas. Em 2017, as emissões globais cresceram 1,6% . O aumento em 2018 é projetado para ser de 2,7 %.

O aumento esperado, que leva as emissões de combustíveis fósseis e industriais a um recorde de 37,1 biliões de toneladas de dióxido de carbono por ano, está a ser impulsionado por uma taxa de crescimento das emissões de 5% na China e mais de 6% na Índia, juntamente com o crescimento em muitas outras nações. As emissões dos Estados Unidos cresceram 2,5%, enquanto as da União Europeia caíram apenas 1%.

Enquanto as nações continuam as conversações sobre o clima na Polónia, a mensagem do relatório de quarta-feira não foi ambígua: quando se trata de promessas para cortar nas emissões de gases com efeito estufa, o mundo está completamente fora do alvo.

"Estamos em apuros. Estamos em profundamente em apuros com as alterações climáticas", disse nesta semana o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, na abertura da 24ª conferência anual sobre o clima, em que os países lutarão com as metas ambiciosas que necessitam para reduzir drasticamente as emissões de carbono nos próximos anos.

"É difícil exagerar a urgência da nossa situação", disse ele. "Mesmo quando testemunhamos impactos climáticos devastadores pelo mundo, ainda não fazemos o suficiente, nem avançando com a velocidade que é preciso para evitar uma crise climática irreversível e catastrófica."
...» 
Fonte  (tradução livre) e artigo completo 

domingo, 9 de dezembro de 2018

O impacto das alterações climáticas na Europa


«O impacto das alterações climáticas já se sente  nos ecossistemas, setores económicos e na saúde e bem-estar das pessoas na Europa. Todas as regiões são afetadas, mas não da mesma maneira. »

Fonte e imagem original:
http://www.europarl.europa.eu/news/en/headlines/priorities/climate-change/20180905STO11945/infographic-how-climate-change-is-affecting-europe

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O que é o glifosato?

O herbicida químico denominado glifosato, mais conhecido pela marca comercial Roundup (entre muitas outras)  foi objeto de estudo pela IARC (Agência Internacional de Pesquisa do Cancro), apresentado em 2015.  As informações que se seguem são excertos traduzidos desse estudo, que pode ser consultado aqui.

Talvez os números nos ajudem a entender como há tanto interesse em manter o negócio num produto que contamina o ambiente (solo, água, plantas, animais,...) , e, consequentemente, as pessoas (ver aqui e aqui, e o vídeo mais abaixo).


«GLIFOSATO
...
1.2.1 Produção
a) Processos de fabrico
O glifosato foi sintetizado pela primeira vez em 1950 como um potencial composto farmacêutico, mas a sua atividade herbicida só foi descoberta quando foi re-sintetizado e testado em 1970.
...
b) Volume de produção
O glifosato é produzido por pelo menos 91 produtores em 20 países, incluindo 53 na China, 9 na Índia, 5 nos EUA e outros na Austrália, Canadá, Chipre, Egito, Alemanha, Guatemala, Hungria, Israel, Malásia, México, Singapura, Espanha, Taiwan (China), Tailândia, Turquia, Reino Unido e Venezuela.
O glifosato está registado para uso em mais de 130 países e é provavelmente o herbicida mais utilizado no mundo, com um volume de produção global anual estimado em aproximadamente 600.000 toneladas em 2008, aumentando para cerca de 650.000 toneladas em 2011, e para 720.000 toneladas em 2012.
...
1.2.2 Usos
O glifosato é um herbicida sistémico de amplo espetro, pós-emergente, não seletivo, que efetivamente mata ou suprime todos os tipos de plantas, incluindo gramíneas, plantas perenes, videiras, arbustos e árvores. Quando aplicado a taxas mais baixas, o glifosato é um regulador de crescimento vegetal e dessecante. Tem usos agrícolas e não agrícolas em todo o mundo.
a) Agricultura
O glifosato é eficaz contra mais de 100 espécies anuais de ervas daninhas e gramíneas de folhas largas, e mais de 60 espécies perenes de ervas daninhas. 
As taxas de aplicação são de cerca de 1,5 a 2 kg/ha para uso pré-colheita, pós-plantio e pré-emergência; cerca de 4,3 kg/ha como spray dirigido em videiras, pomares, pastagens, silvicultura e controle de plantas daninhas industriais; e cerca de 2 kg/ha como herbicida aquático.
Os métodos comuns de aplicação incluem aplicações de pulverização aérea de larga escala,  direcionada ou localizada.
...
b) Uso residencial
O glifosato é amplamente utilizado para controle de ervas daninhas em todo o mundo. Nos EUA, o glifosato foi consistentemente classificado como o segundo pesticida mais usado (após o 2,4-D) no setor de mercado de casa e jardim entre 2001 e 2007, com um uso anual de 2000–4000 toneladas.
c) Outros usos
O glifosato foi inicialmente usado para controlar ervas daninhas perenes em taludes e margens,  beiras de estrada e sob linhas de energia. Também é usado para controlar espécies invasoras em sistemas aquáticos ou alagados. Cerca de 1 a 2% do uso total de glifosato nos EUA destina-se à gestão florestal.
...
6. Avaliação
6.1 Cancro em humanos
Há evidências limitadas em humanos para a carcinogenicidade do glifosato. Uma associação positiva foi observada para o linfoma não-Hodgkin.
6.2 Cancro em animais experimentais
Há evidência suficiente em animais experimentais para a carcinogenicidade do glifosato.
6.3 Avaliação geral
O glifosato é provavelmente carcinogénico para humanos (Grupo 2A)»

Fonte: https://monographs.iarc.fr/wp-content/uploads/2018/06/mono112-10.pdf
Monografias da IARC "SOME ORGANOPHOSPHATE  INSECTICIDES AND HERBICIDES":
https://monographs.iarc.fr/wp-content/uploads/2018/07/mono112.pdf

Abaixo a reportagem Linha da Frente "Erva Daninha" sobre o glifosato (2016).



domingo, 25 de novembro de 2018

Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres

«Só quando a metade da nossa população representada por mulheres e meninas, puder viver livre do medo, da violência e da insegurança do dia a dia, é que poderemos dizer que vivemos em um mundo justo e igualitário.»
António Guterres, Secretário-Geral da ONU

No dia 25 de novembro, Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres , inicia-se uma campanha de ativismo #HearMeToo para acabar com a violência contra mulheres e meninas.

Esta campanha global da UN Women  decorre durante 16 dias até ao Dia dos Direitos Humanos em 10 de dezembro, e consiste na partilha  de histórias de sobreviventes ou mensagens de apoio - aqui.

Nas redes sociais, a campanha inclui também ou na partilha de fotos com a cor laranja usando as hashtags #HearMeToo   #orangetheworld e # 16days  (Facebook, Twitter e Instagram).

A seguir, alguns números alarmantes:

«Em todo o mundo, uma em cada três mulheres sofreu violência física ou sexual, principalmente por parte de um companheiro sentimental.

Apenas 52% das mulheres casadas ou que vivem com um parceiro decidem livremente sobre as relações sexuais, o uso de anticoncepcionais e sua saúde sexual.

Quase 750 milhões de mulheres e meninas que vivem hoje casaram-se antes de completarem 18 anos, e pelo menos 200 milhões delas foram submetidas a mutilação genital feminina.


A nível mundial, em 2012, em um de cada dois casos de mulheres assassinadas, o autor era seu parceiro ou um membro da família. No caso dos homens, essas circunstâncias só ocorreram em um em cada 20 homens assassinados.

71% das vítimas do tráfico em todo o mundo são mulheres e meninas, e 3 em cada 4 delas são usadas para exploração sexual.


Imagem obtida aqui
A violência contra as mulheres é uma causa de morte e incapacidade entre as mulheres em idade reprodutiva tão grave como o cancro, e é uma causa de acidentes de trânsito ruins e malária juntos uma maior saúde.

A violência contra as mulheres é uma causa de morte e incapacidade entre as mulheres em idade reprodutiva tão grave quanto o cancro, e uma causa de problemas de saúde maior do que os acidentes de trânsito e a malária combinados.»

Fonte:  Site da ONU (Nações Unidas)

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/324512111687460/

sábado, 24 de novembro de 2018

Óleo de palma no meu depósito? NÃO!

Infelizmente, o "barato" preço do óleo de palma, aliado às suas características físicas, que o tornam de fácil utilização na indústria, está a dizimar florestas, orangotangos, ecossistemas,...

Felizmente, já começam a haver campanhas para não utilizar óleo de palma na indústria alimentar, e muitas pessoas já começam a estar sensibilizadas para isso.

No entanto...

O que a maioria dos europeus não sabe é que a Europa subsidia a queima de óleo de palma incorporando-o como "biocombustível" no gasóleo!


Assine a petição #NotInMyTank:  

Imagem daqui

«A grande maioria dos europeus desconhece que abastece o depósito do seu veículo a gasóleo com óleo de palma incorporado na bomba de combustível, mas ao saber deste facto declaram a sua oposição (Sete em cada dez europeus são contra a queima de óleo de palma nos seus carros).


 Num inquérito europeu que envolveu 4.500 cidadãos em nove países, realizado pela consultora de mercado Ipsos, concluiu-se que 82% dos inquiridos não estavam conscientes do fato de que o gasóleo contém óleo de palma incorporado.

 Quando questionados se apoiariam medidas para acabar com o apoio político e os subsídios para a utilização de óleo de palma na produção de biodiesel na Europa, 69% são favoráveis, apenas 14% são contra e 16% não têm opinião sobre o assunto.

A expansão do óleo de palma para alimentar os veículos automóveis na Europa tem como consequências a desflorestação e a drenagem de turfeiras no sudeste da Ásia. 

O biodiesel produzido a partir do óleo de palma é três vezes pior para o clima do que o gasóleo fóssil.  No ano passado, 51% do óleo de palma usado na Europa acabou nos depósitos de carros e camiões. 

Os condutores europeus são os principais consumidores (embora não conscientes) de óleo de palma na Europa.

Uma coligação internacional de associações de defesa do ambiente provenientes de vários países, incluindo a ZERO em Portugal, lançou uma campanha para apelar à Comissão Europeia que concretize a eliminação progressiva do óleo de palma para produção de biodiesel até 1 de fevereiro de 2019.

Está definido na revisão da Diretiva das Energias Renováveis, a eliminação progressiva da utilização de óleo de palma para produção de biocombustíveis, mas esta exige por parte da Comissão a definição de um conjunto de critérios e calendarização. 

Como tal, a Comissão Europeia não deve apenas encarar esta definição de critérios como uma obrigação legal, mas também como uma oportunidade única para mostrar que a UE não está atenta à vontade da grande maioria de europeus, que são contra a utilização de óleo de palma nos carros.

Portugal utiliza uma quantidade limitada de óleo de palma no setor dos transportes, cerca de 2,4% da matéria-prima utilizada para a produção de biocombustíveis é óleo de palma. 

O país tem, portanto, uma excelente oportunidade de estar na linha da frente na eliminação total do uso insustentável deste combustível, aumentando a utilização de matérias residuais como por exemplo os Óleos Alimentares Usados, cuja recolha em Portugal está abaixo do desejável.   

A petição é apoiada pela plataforma SumOfUs. A petição da campanha #NotInMyTank em:  https://www.sumofus.org/not-in-my-tank  »

Fonte: email da ZERO.  Mais informação em:  SETE EM CADA DEZ EUROPEUS SÃO CONTRA A QUEIMA DE ÓLEO DE PALMA NOS SEUS CARROS – ZERO ASSOCIA-SE A CAMPANHA EUROPEIA

Assine a petição #NotInMyTank:   No meu depósito não! 


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

O dom é a dádiva (transição interior)

Em português, "dom" significa algo que se recebe, enquanto "dádiva" significa algo que se oferece.
Em inglês, ambas as palavras são traduzidas por uma única palavra "gift".


Charles Eisenstein, autor de vários livros, entre os quais, "Economia Sagrada", fala-nos do nosso "Gift" nestas duas mensagens, tentando que nós entendamos que o dom de cada um deve ser a sua dádiva aos outros. Com a ajuda da ecologia, ele explica que só se pode ser verdadeiramente feliz quando contribuímos para a felicidade dos outros, e que precisamos de ajudar os outros a encontrar o seu dom, a sua dádiva.

No primeiro vídeo, "The Importance of Expressing Your Gift",  Charles Eisenstein explica as razões por que acredita que estamos todos aqui para dar algo ao mundo, e como todos podemos nos ajudar mutuamente a expressar e a partilhar nossos dons!

No segundo vídeo, numa palestra TEDx de 2012, "The Gift of Hapiness", Charles fala sobre o dom da felicidade, explicando como a felicidade verdadeira não existe se nos considerarmos separados do mundo, da natureza e da humanidade  (as legendas em português traduzidas automaticamente estão aceitáveis).





domingo, 11 de novembro de 2018

Natal sem óleo de palma

Uma cadeia de supermercados britânica "Iceland Foods" adotou um vídeo da Greenpeace como publicidade nesta época natalícia, assumindo que estão a remover o óleo de palma de todos os produtos com a própria marca numa campanha #NoPalmOilChristmas. O anúncio, com a voz  da atriz britânica Emma Thomsom. não foi permitido na televisão inglesa por ser "demasiado político" (fonte: Público). Abaixo está o vídeo da Greenpeace Brasil, com legendas em português, mas pode ver aqui o referido anúncio da Iceland. 



«Rang-tan é a história de uma garotinha e sua amiga orangotango que foi forçada a deixar sua casa na floresta. As florestas tropicais da Indonésia são destruídas para o plantio de campos e mais campos de óleo de palma utilizado em produtos que consumimos diariamente. »  Greenpeace Brasil

O consumo excessivo do óleo de palma (espécie Elaeis guineensis) é a razão da extinção dos orangotangos e de muitas outras espécies, pois para a sua produção, são destruídas as florestas nativas e todo o seu ecossistema.

Se quer contribuir para acabar com esta destruição de florestas e orangotangos:


1 - Deixe de consumir óleo de palma na alimentação e na cosmética. 
Tenha atenção aos produtos que compra, verifique os rótulos e rejeite se lá tiver óleo de palma. Na verdade, este não é fácil de detetar, pois os nomes são muitos, como: óleo de palma, óleo de palmiste, gordura vegetal fracionada e hidrogenada de palmiste, estearina de palma, palmoleína ou oleína de palma, manteiga de palma, ... . 
Alguns produtos alimentares já aparecem a anunciar "sem óleo de palma".

2 - Esteja atento e seja interventivo em relação às políticas de combustíveis, pois na União Europeia mais metade do óleo de palma usado é para queimar como fonte de energia, com o descaramento de lhe chamar "renovável"! Veja aqui.

- Assine as petições:


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O regresso do fascismo

O termo fascismo deriva da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas, e que, acopladas a um machado, se tornou no símbolo do poder de castigar ou de matar.  

Imagem obtida aqui
Embora sem definição consensual, o fascismo tem como características, as ambições totalitárias, o militarismo, a mobilização em massa da população,  a crença num líder forte com poder absoluto, a educação para a obediência, o desencorajamento do pensamento crítico, o uso da violência para repressão política, o recurso a bodes expiatórios, o populismo e a demonização de grupos sociais, entre outros aspectos.

Os europeus conhecem bem o fascismo que grassou na Europa da primeira metade do século XX, e assumidamente assim designado por Mussolini na Itália (Partido Nacional Fascista) e com o nome de Nacional Socialismo na Alemanha, com  Hitler, que ficou conhecido como Partido Nazi ou Nazista (de Nationalsozialist).  Apesar de associado habitualmente à extrema direita, o fascismo também existe na extrema esquerda - como o foi o regime de Estaline.


Símbolo do fascismo (wikipedia)
«O fascismo nasceu dentro da sociedade. A ignorância da sociedade de massa é também uma ignorância dos valores espirituais e morais. O fascismo surge nesse contexto. Como afirmo em Para combatir esta era:  apesar do progresso científico e tecnológico e do enorme acesso à informação, a força dominante da nossa sociedade é a estupidez organizada. Mão se detém o fascismo através da economia, da tecnologia ou da ciência, nem mesmo através de através das instituições - porque elas dependem das pessoas que as compõem - mas apenas com uma mentalidade diferente.  

Mann, Camus, Sócrates e muitos outros pensadores alertaram que a "nobreza de espírito" é um dos ideais mais democráticos que existem. Para cultivá-lo, não é preciso dinheiro, ser  tecnologicamente avançado ou ter um diploma universitário. A nobreza de espírito é uma mentalidade, é saber o que é a dignidade humana.»
Fonte: Rob Riemen (em entrevista, daqui)


O pequeno livro O Eterno Retorno do Fascismo de Rob Riemen, resume em poucas páginas , como o fascismo é como um vírus que se encontra latente no seio da sociedade, e como o egoísmo e a falta de valores são o veículo que lhe permite desenvolver-se. Abaixo algumas transcrições:

"Albert Camus e Thomas Mann não foram decerto os únicos a compreender depressa, mas a guerra terminou, o que todos ansiamos esquecer: o bacilo fascista estará sempre presente no corpo da democracia de massas. negar este facto ou dar outro nome ao bacilo não nos tornará resistentes a ele. Pelo contrário.  Se queremos combatê-lo eficazmente, teremos de começar por admitir que está novamente prestes a contaminar a nossa sociedade, teremos de o chamar pelo seu nome: «fascismo». Além disso, o fascismo nunca é um desafio, é sempre um grave problema porque desemboca inevitavelmente no despotismo e na violência. E chamamos perigo a tudo o que provoque estas consequências. Negar a existência de um problema ou, pior ainda, de um perigo é praticar a política da avestruz. Quem não aprende com a história está condenado a vê-la repetir-se.
... ...
«Somos antifascistas!»
Em 2004, o eminente historiador americano e especialista em história do fascismo, Robert O. Paxton, publicou a sua notável obra The Anatomy of Fascism, onde sublinha que, no século XXI, nenhum fascista se designará a si próprio como tal. Os fascistas não são estúpidos e são mestres na arte da mentira. Os fascistas contemporâneos distinguem-se em parte pelo que dizem, ainda que seja igualmente importante o modo como actuam. À semelhança de Togliatti, Paxton afirma que o fascismo, devido á sua angustiante falta de ideias, e ausência de valores universais, assumirá sempre a forma e as cores do seu tempo e da sua cultura. Assim, o fascismo na América será religioso e contra os Negros, ao passo que na Europa Ocidental será laico e contra o islão, na Europa do leste, católico ou ortodoxo e anti-semita. A técnica usada é idêntica em toda a parte: um líder carismático populista, para mobilizar as massas; o seu próprio grupo é sempre vítima (das crises, da elite ou dos estrangeiros); e o ressentimento orienta-se todo para um «inimigo». O fascismo não precisa de um partido democrático cujos membros sejam individualmente responsáveis; necessita de um líder inspirador e autoritário ao qual se atribuem instintos superiores(as suas decisões não têm de ser justificadas), de um líder capaz de ser seguido e obedecido pelas massas. O contexto em que esta forma de política pode dominar é o de uma sociedade de massas afectada pela crise que ainda não aprendeu as lições do século XX."

Fonte: "O Eterno Retorno do Fascismo", Rob Riemen, 2010, edição portuguesa:  Bizâncio,  2012


O pensamento crítico e os valores universais, como a solidariedade, a justiça, a liberdade, a bondade, são fundamentais para o reconhecimento e luta contra o fascismo, pois é na ausência dos mesmos que ele consegue crescer.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Ser gentil faz bem à saúde

É raro ver televisão, mas hoje apanhei este pequeno vídeo no programa infantil Zig Zag da RTP2.
São quase dois minutos de bons conselhos para miúdos e graúdos.

domingo, 28 de outubro de 2018

The Girl Efect - campanha de doação de telemóveis antigos

Os telemóveis são hoje uma ferramenta que nos liga ao mundo em qualquer lugar. Infelizmente, a dependência de algumas pessoas é preocupante, sobretudo em faixas etárias muito jovens, tornando-se nefasto.

Mas em locais onde o acesso à educação e à igualdade entre géneros não é fácil, o telemóvel pode ser uma ferramenta que faz a diferença.

A Fundação Vodafone e a Girl Effect estabelecem parceria para conectar 7 milhões de meninas vulneráveis em 8 países.

Para colaborar neste projeto, entregue o seu telemóvel antigo numa loja Vodafone, durante 2019.

The Girl Efect é uma organização sem fins lucrativos independente  ativa em 66 países.

«As mulheres, principalmente dos países em desenvolvimento, necessitam de ser empoderadas, de se tornarem livres e independentes bastando para isso que lhes retirem os obstáculos associados ao género. 
Para quê? 
Para escaparem à pobreza, à violência, à desigualdade no acesso a educação, saúde e emprego. 
Para melhorarem a sua participação política e funcionarem como agentes de mudança da sociedade, já que são quase sempre os pilares da família.» 
Fonte: Delas

sábado, 20 de outubro de 2018

Os verdadeiros valores não têm preço

Infelizmente, a tendência que temos visto é que os mercados agora cheguem a todas as partes da vivência humana. Paga-se por barrigas de aluguer, compra-se o direito a poluir, o direito a não estar na fila, quase tudo se compra, quase tudo se vende.  As recompensas monetárias às crianças pelos bons comportamentos são provavelmente uma das maiores causas deste problema: uma geração que cresceu a achar que o dinheiro é o valor mais importante.  Para trás vão ficando os verdadeiros valores, como a solidariedade, respeito pelo outro, respeito pela natureza. 


A imagem / texto acima foram obtidos a partir do extrato  do livro O Que o Dinheiro Não Pode Comprar de Michael J. Sandel,  filósofo, escritor, professor universitário, ensaísta, conferencista e palestrante, e que enche auditórios e campos de jogos ao ar livre. A  seguir, fica o texto de apresentação do livro da Editorial da Presença : 

«Devemos recompensar monetariamente as crianças por lerem livros ou terem boas notas? Deveremos permitir que as empresas paguem para obterem o direito de poluírem a atmosfera? É ético aceitar ser pago para tatuar o nosso corpo com mensagens publicitárias?

Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido. Nas últimas décadas, os valores do mercado infiltraram-se em quase todos os aspetos da nossa vida - saúde, educação, justiça, governo e até família -, e deixámos de ter uma economia de mercado para passarmos a ter uma sociedade de mercado. Mas que preço pagamos por vivermos numa sociedade em que tudo está à venda?

Em O Que o Dinheiro Não Pode Comprar, o autor procura lançar o debate, de forma a repensar o papel e o alcance dos mercados nas nossas práticas sociais, nas relações humanas e na vida quotidiana. E, acima de tudo, Michael J. Sandel procura responder à questão fundamental: como podemos proteger aquilo que é verdadeiramente importante?»




«Para lidar com esta situação, não nos basta protestar contra a ganância; precisamos de repensar o papel que os mercados devem desempenhar na nossa sociedade. Necessitamos de um debate público sobre o que significa manter os mercados no seu devido lugar. E, para que isso aconteça, precisamos de refletir sobre os limites morais dos mercados. Precisamos de nos perguntar se há algumas coisas que o dinheiro não deve comprar. A invasão dos mercados, e do pensamento orientado para o mercado, em aspetos da vida tradicionalmente regidos por normas não mercantis é um dos desenvolvimentos mais significativos dos nossos tempos.»   Michael J. Sandel