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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Construir com fardos de palha

Casa em palha em construção na Quinta dos Melros
A construção em fardos de palha felizmente parece ganhar cada vez mais adeptos.  Não sendo uma técnica nova, as suas características de conforto térmico e acústico, aliadas à sustentabilidade dos materiais e custo abaixo da construção corrente, tornam-na uma opção muito atraente sobretudo para casas. 

Esperemos que as burocracias do licenciamento não se tornem uma barreira a este tipo de construção, que pode ser feita projetada e construída por empresas especializadas, mas que também pode ser realizada em auto-construção. Neste caso, será sempre aconselhável a orientação por técnicos especializados. 

Lanço aqui o desafio a quem já é especializado neste tipo de construção, que deixe, em comentário, o seu nome e contacto, e se se dedica ao projeto, construção ou acompanhamento de obra.

Em relação a este tema, neste blogue já  se falou antes na construção em palha e de uma casa de palha com 93 anos (em França). E no blogue irmão, EcoConstruir, também pode encontrar: 
- o caso de uma oficina de construção de casa em fardos de palha em Turtle Rock Farm (EUA)
- uma tradução do artigo  How to Build With Straw Balesque mais abaixo se reproduz. (Esta tradução pode ter algumas lacunas, pois para além de eventuais desconhecimentos da língua original, também não tenho, ainda, qualquer prática em construção em palha; por isso, agradeço a correção de eventuais lapsos). 

Já a seguir, um vídeo de Chris Ripley sobre a construção de uma casa com fardos de palha na Quinta dos Melros, Tábua, Portugal (a da imagem de cima). 




Como construir com fardos de palha


«Aqui estão instruções básicas para a montagem de uma parede de fardos de palha numa estrutura de pilares e vigas (postes e traves). Nada aqui deve impedir o uso das melhores práticas de construção.

Avaliando os fardos

A palha deve ser cortada à foice com enfardadeira de corte não rotativo,  de modo a que o fardo seja feito dobrando as palhas longas a meio. O fardo terá um lado cortado e um lado dobrado. Estes fardos serão facilmente  redimensionados . Fardos de duas cordas são 35-36 cm de altura por 45-46 cm de profundidade por 86-107 cm de comprimento.

Os fardos devem estar secos. Use um medidor de humidade para testar o seu teor. Idealmente os fardos serão executados na faixa de 9-14 % , mas até 18% é utilizável. Se ele tiver aparência de humidade, ver se há sinais de mofo (bolores), se for o caso, não usar em paredes.

Os fardos devem ser apertados o suficiente para que os dedos se sintam firmes e confortáveis entre o fio e a palha ao levantar o fardo. Ao levantar pegando por uma corda,  deve sentir-se o fardo seguro e não como que prestes a desmoronar-se. Os fardos não precisam de ser recém-cortados , mas estes serão menos empoeirados  do que os que foram armazenados por algum tempo.


Empilhamento de fardos

Os fardos são colocados num canteiro elevado de cascalho. A partir de um canto, colocar os fardos topo a topo em cada sentido. Coloque os fardos com o lado da corda para cima , esta é a forma estrutural para assentar os fardos. Na fiada seguinte comece de novo no canto colocando o fardo de modo que  ele se sobreponha a metade de dois fardos com a junta dos dois fardos inferiores mais ou menos a meio do fardo superior. Da mesma forma que se colocam tijolos ou blocos. Quando chegar ao fim de uma fiada, pode não ter espaço suficiente para um fardo inteiro. É quando ocorre o redimensionamento . Continue  a empilhar  as fiadas dessa maneira.

Trabalhe  a parede de forma a para mantê-la no prumo. Uma marreta de madeira grande pode ser usada para " persuadir " a parede a se manter na vertical.  Pode fazer paredes curvas com fardos de palha , as paredes não precisam ser retas, mas devem ser verticais (no prumo).

Redimensionamento de fardos

Os fardos podem ser redimensionados para criar um invólucro sólido a fiada. Se o espaço que precisa ser preenchido tem 23 cm ou menos, encha o espaço com camadas de palha em vez de tentar fazer um fardo que se adeqúe.  Os fardos são constituídos por uma série de camadas que se separam facilmente umas das outras. Depois da parede estar construída, camadas de palha  são também usadas para encher orifícios nas juntas entre fardos. Pode redimensionar sozinho, mas é melhor  fazê-lo com ajuda. Determine o comprimento do fardo que você precisa.

Marque o fardo e corte fio de enfardamento  suficiente para dar a volta ao fardo “novo” mais  23 cm. Faça dois fardos em simultâneo de modo a não perder a palha, pois provavelmente vai precisar de um fardo desse tamanho em alguma parte do edifício. Meça e corte uma corda que rodeie a outra metade do fardo , mais 23 cm. Vai precisar de substituir ambas as cordas do fardo, por isso corte um outro conjunto de cordas para coincidir com os fardos cortados e coloque-as de lado. Pegue as duas cordas e enfie a agulha de fardo com elas. Puxe as duas cordas na agulha para que o meio do cordel esteja no buraco da agulha . Ao inserir a agulha no fardo deve ter cuidado para não cruzar as cordas no interior do fardo . Faça isto mantendo as extremidades de cada corda em mãos separadas . Coloque a agulha junto à parte de dentro da corda existente, no comprimento que precisa.

Mantendo a agulha perpendicular ao fardo empurre-a através dele. Seu parceiro vai remover o fio da agulha, sabendo que corda veio de que buraco e para que lado vai dar a volta ao fardo. Virando o fardo de lado faça um nó e aperte bem, fazendo um fardo firme. Agora, " re-costure " a outra corda no fardo. Depois de ambos os lados redefinidos,  corte o fio original no nó e remova-o. Guarde a corda para futuros fardos redimensionados .


Fixação (pinning) (ver também: http://youtu.be/FKxZd5P2z_A

Após o empilhamento da palha, é reforçada lateralmente. Coloque duas estacas de bambu em ambos os lados da parede a cada 45-46 cm. Ligue-os uns aos outros utilizando a agulha de fardos e arame 16.

Insira a agulha enfiada com fio através do meio do fardo em cada fiada. Isso é chamado de fixação (pinning). Aperte o arame com um alicate para puxar as estacas de bambu contra os fardos submergindo-as ligeiramente na palha. Este aperto vai ajudar a endireitar a parede. Em seguida, empurre as extremidades dos fios bem para dentro da palha de modo a que não interfiram no reboco.

As estacas devem ligar a ambas as placas superior e inferior por aparafusamento, ou com uma cinta de 2 furos, ou com agrado de cerca.


Janelas e portas

Janelas e portas são pré- construídas . Coloque-as bem para mantê-las em prumo e esquadria. Peitoris fundos são criados quando as janelas são colocados na borda externa dos fardos (recomendado) . Na cozinha, janelas de balcão podem ser não operáveis, ou ser definidas no interior do fardo para facilitar a abertura. Se assim for, não se esqueça dos detalhes para uma boa drenagem do peitoril.

Canalizações e fios

Os fios são colocados sobre a superfície da palha. Ele pode ser colocado no tubo (recomendado ), ou simples. Pode usar um anel de gesso nas suas caixas , que permite que você defina a caixa, por isso deve ser nivelado com a última camada de gesso. Os canos mantemos fora das paredes de palha. Onde os canos sobem a partir do chão,  pode colocar instalações na parede de palha, mas onde o cano precisa vir através da parede de palha, coloque as instalações numa parede interior (não de palha).

Armários de montagem

Armários de cozinha pode ser montados em paredes de palha por aparafusamento 2 × 4 na parede usando pernos de 1/2 " (1,27 cm) enfiados  na parede de palha, prendendo  a um compensador de madeira de 30 cm (12”). Aperte as porcas novamente antes do reboco.


Revestimento / acabamentos

Uma casa saudável precisa "respirar" . O melhor revestimento para a palha é o reboco natural de argila e cal, aplicado dentro e por fora . Esta argamassa tem sido utilizada com sucesso em todo o mundo por milhares de anos . É não tóxico, fácil de misturar e aplicar,  e limpa-se com água . É feito com cal , argila e areia.  A cal dissuade roedores e insetos de entrar na casa.

Pulverizadores de estuque

Se você quiser aprender a estucar, ou deseja aplicar estuque ou argamassa numa parede ou fardos de palha , vai gostar deste pulverizador Stucco para rebocar com argamassas naturais  e misturas de gesso terra e cal.


Fardos de palha oferecem uma casa energeticamente eficiente usando um material que seria queimado libertando carbono e outros poluentes. Ao construir com fardos de palha o carbono sequestrado na palha permanece lá, e os fardos são classificados  um material resistente ao fogo classe A, fazendo uma casa segura, saudável e bela.»

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Uma casa em palha com 93 anos - Maison Feuillette

Construída em 1920, a Casa Feuillette (Montargis, França) é o primeiro edifício do mundo em fardos de palha com estrutura de madeira, e a mais antiga casa em palha da Europa. A prova da durabilidade das construções em palha.

O Centro Nacional de Construção em Palha em França (Centre National de la Construccion Paille) está na reta final (até 1/11/2013) de uma campanha de angariação de fundos para adquirir esta casa, cujo construtor foi o engenheiro Émile Feuillette, que lhe dá o nome.


«O fardo de palha é um material:
- Saudável,
- Altamente isolante,
- Abundante e renovável,
- De baixo custo energético
- Que promove as economias locais,
- Que valoriza o trabalho manual
- Padronizado através do desenvolvimento das regras profissionais de construção em palha (Règles professionnelles de Construction en Paille Règles CP 2012).

Os  fardos de palha permitem construções de qualidade, duráveis, económicas e ecológicas»




«

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Casa feita com materiais reutilizados e locais, na Trofa

"Paredes de pneus, terra e latas; recolha de águas pluviais para usos diários; aproveitamento da luz solar para aquecimento de águas e das habitações; uso de coberturas ajardinadas melhorando a climatização das habitações e aumentando a área de solo permeável; espaços exteriores com a reutilização de diversos materiais, entre outros."

Esta é a descrição que consta na página do Facebook da "Casa Ecofixe" (e donde foram retiradas as imagens), uma moradia que um jovem casal está a construir na na freguesia de Alvarelhos, concelho daTrofa.

As principais motivações para a escolha desta técnica construtiva foram o custo inferior ao da construção tradicional, a procura por um tipo de construção sustentável, através da aplicação de materiais reutilizados e reciclados, e do uso de materiais locais, disponíveis nas proximidades (num raio de poucos quilómetros), e também a eficiência energética, através da minimização dos gastos energéticos futuros e da maior autonomia.

Entre as dificuldades que apareceram, pois a ideia surgiu há já alguns anos, esteve a demora em  arranjar um construtor que abraçasse o projeto, mas acabou formando-se uma empresa de construção para o efeito.



O projeto é da autoria do arquiteto João Pereira e da arquiteta paisagista Graça Silva, e tem tido assessoria técnica na execução do    arquiteto Armindo Pereira de Magalhães, de V. N. Famalicão.

Ficam aqui registados os parabéns aos mentores e autores do projeto, assim como aos donos da obra, Marta Santos e Pedro Silva e a toda a equipa que está a levar a cabo esta obra, inclusive, claro está, ao meu amigo Armindo Magalhães.

Embora já existam vários casos de moradias em construção ecológica, espero que o destaque dado a este caso nos meios de comunicação sirva para que se comece a perceber que há muitas possibilidades de construção para além do betão e do cimento, e muitas delas são bem mais sustentáveis e económicas.

Mais sobre a história desta casa em  O Notícias da Trofa, em Studio Roulette e em Público P3, e vídeos na TrofaTV e em RTP notícias

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Workshop de Revestimentos de Cal Aérea


Sítio está a organizar um workshop de Revestimentos de Cal Aérea com o Eng. Fernando Cartaxo e a Fradical, dias 3 e 4 de Dezembro de 2011, na Quinta de Darei, em Mangualde. 

"A história da Cal Aérea remonta ao amanhecer da história do próprio homem. Foi ainda na pré-história que o homem começou a produzir a cal, havendo vestígios da sua utilização com mais de 10 000 anos.
É utilizada há milénios, na construção, enquanto argamassa de assentamento de alvenaria e enquanto revestimento.

Hoje, utilizando receitas tradicionais e desenvolvendo novas investigações é possível obter resultados que superam largamente o desempenho do cimento e de outros materiais proporcionando soluções de grande qualidade estética, ambiental e construtiva. Estas características tornam a Cal Aérea num material com grande interesse estratégico na procura de soluções que promovam a capacidade de indivíduos e comunidades de gerirem o seu próprio espaço construído em harmonia com o ecossistema que habitamos.

O domínio deste material abre assim uma grande gama de possibilidades podendo ser aplicado na criação de emprego e relações económicas de nível local trabalhando de forma sustentável, resiliente e criativa.

Este workshop tem como objectivo a transmissão dos conhecimentos acerca da cal aérea e todas as suas possibilidades. Especial importância será dada às suas espantosas possibilidades enquanto solução de revestimento. Esta exploração inclui soluções de um revestimento totalmente hidrófugo. Haverá um constante equilíbrio entre as componentes teórica e prática. Em conjunto, estes dois tipos de aprendizagem permitirão que os alunos acabem o workshop com a capacidade de entender e aplicar este material.

O workshop terá três grandes momentos:
1- Transmissão teórica de conhecimentos relativos à Cal e à Pozolana.
2- Experimentação de várias soluções de revestimento (amostras)
3- Aplicação dos conhecimentos no trabalho de revestimento de um edifício de adobe construído num workshop anterior. Para saber mais sobre este edifício clique aqui.

Este workshop será orientado para todos aqueles (com ou sem formação na área da construção) que tenham curiosidade em compreender melhor este material e será ministrado em português com tradução simultânea para inglês.
  
Para inscrições e mais informações: www.sitiocoop.com

Sítio é uma cooperativa dedicada ao desenvolvimento de economias locais.
Tem como grande objectivo contribuir para a criação, organização e transmissão de soluções que contribuam para que os indivíduos e comunidades possam gerir, de forma resiliente, livre e abundante a realidade que habitam."

Fonte: Sítio

domingo, 7 de novembro de 2010

Casas em palha

Imagem de http://ecohomeresource.com/
Em termos construtivos, não há qualquer dúvida de que o século XX foi o século do betão, que alavancou a arquitectura  modernista e a pós-modernista. Mas estamos no século XXI, e o betão já provou ser um material pouco amigo do ambiente e de elevada pegada ecológica. A par do fim da construção desenfreada que se verificou nas últimas décadas, começam a reaparecer técnicas construtivas simultâneamente ancestrais e inovadoras, como construções em terra (taipa ou adobe) e mesmo em fardos de palha.

Na 2ª sessão, dedicada a  Materiais, nas Jornadas de Arquitectura Sustentável promovidas pela Quercus, o Arq. Vítor Varão apresentou técnicas construtivas com estes materiais. Como conhecia o uso da taipa e do adobe, a construção em fardos de palha foi uma agradável surpresa, pois as características destas construções são muito melhores do que poderia supor.

Começam pelo baixo custo e sustentabilidade do material de construção, pois além de a palha ser barata e de ser um material residual na produção de cereais, as casa em palha são passíveis de auto-construção, desde que com alguma investigação e ajuda de quem já tem prática.
As propriedades térmicas e acústicas são excelentes, não há necessidade de qualquer material de isolamento extra.
Desde que bem executada, a resistência ao fogo é superior à das construções em betão (surpresa!).
A durabilidade é também uma vantagem, desde que o revestimento (em argila ou cal) seja bem executado. Existem casas de palha com 70 anos, duração que é a previsível como esperança de vida das construções em betão.
A estrutura destas construções pode ser autoportante (os próprios fardos de palha suportam a cobertura) ou podem ser usadas estruturas em madeira ou outros materiais. 

 E não é só para pequenas casas que a palha é adequada: vejam o exemplo de um hotel de luxo na África do Sul, construído em palha - Didimala Game Lodge (imagem ao lado esquerdo).

Vejam também a reportagem da euronews "Rendidos às casas de palha".

Mais informações e vídeos sobre construção em fardos na rede ning criada por Christopher Ripley - Global Strawbale Community, no seu blogue Straw Bale House at Quinta dos Melro ou na página StrawBale.com

Parece que a história dos 3 porquinhos foi mal contada, vamos ter de a reformular!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Certificação Ambiental de Edifícios

Enquanto que a certificação energética dos edifícios é já obrigatória em Portugal, a certificação ambiental de edifícios, empreendimentos ou urbanizações é ainda de carácter opcional ou voluntário.

Existem já muitos sistemas de certificação ambiental do edificado (na ordem dos 200 no mundo), que de um modo geral utilizam muitos parâmetros em comum, mas que divergem em certos critérios, também fruto do país ou região de onde são oriundos. Uns são mais direccionados para o consumo energético, outros para o ciclo de vida, outros ainda para serem um suporte à concepção do edifício.

Em França, desde 2004 que a associação ambiental HQE procede à certificação ambiental de construções. Também em França, o sistema Qualitel, já em aplicação desde 1974, nasceu com o objectivo específico de melhorar o edificado existente destinado a habitação, tendo posteriormente alargado o seu espectro de actuação.
No Reino Unido, o sistema BREEAM (BRE Environmental Assessment Method), é já amplamente aplicado, mesmo a nível internacional.
Na América do Norte, o sistema LEED (Leadership in Energy and Environmente Design) , desenvolvido pelo U.S. Green Building Council, é também já uma referência a nível internacional em certificação ambiental de edifícios.
No Japão, há o CASBEE (Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency), na Austrália, o NABERS (National Australian Built Environment Rating System). E por aí fora.

O sistema internacional SBTool (antes denominada GBTool) está em desenvolvimento desde 1996 pelo iiSBE (International Initiative for a Sustainable Built Environment). Devido à elevada complexidade de parâmetros, de países, climas e modos de vida diferentes (mais de 20 países envolvidos, incluindo Portugal), ainda não se estabeleceu concretamente os parâmetros e critérios a serem aplicados.

Em Portugal, o sistema LiderA , desenvolvido pelo IST (Instituto Superior Técnico) e liderado pelo Eng. Manuel Duarte Pinheiro, certificou os primeiros edifícios em Outubro de 2007. O sistema encontra-se disponível para aplicação em edifícios, estando em consolidação os limiares de desempenho para algumas tipologias de empreendimentos, para além do residencial e turismo. Estão também em desenvolvimento versões para aplicação a infra-estruturas e a comunidades sustentáveis. No sistema Lider A, a construção corrente de hoje em dia é o nível E. Há pois um longo caminho a percorrer até à construção sustentável, nível A++.

Também da autoria do Eng. Manuel Duarte Pinheiro, está disponível na internet o livro "Ambiente e Construção Sustentável", muito interessante e com óptima informação para quem quer saber mais sobre a sustentabilidade na construção.

Apesar de existirem critérios diferentes, e uma grande quantidade de outros parâmetros a avaliar, todos estes sistemas de certificação ambiental abarcam a certificação energética, o uso de fontes de energia renováveis, a reciclagem e minimização de consumo de água, o impacto no ambiente e a impermeabilização do solo, o uso de materiais e técnicas sustentáveis, o reaproveitamento de materiais provenientes de demolição, bem como quaisquer outras iniciativas que contribuam para a sustentabilidade da construção.

É uma mais-valia para os promotores, para os construtores e para os compradores apostarem nos edifícios certificados ambientalmente, pois para além de contribuírem para a sustentabilidade das construções, o que lhes confere uma imagem apelativa, acabam também por contribuir para edifícios de mais baixo custo de manutenção.

E uma coisa é certa, embora possa haver em alguns casos um acréscimo de investimento para tornar um edifício certificado ambientalmente, não existe qualquer relação directa entre custo e sustentabilidade da construção. Sobretudo se a sustentabilidade foi pensada desde a raiz do projecto, não é necessário que um edifício seja mais caro para ser mais sustentável.

(Desenho ao cimo à esquerda: de Estudi Coma, no livro "El Rascacielos Ecológico", de Ken Yeang, Editora Gustavo Gili, 2002, Barcelona)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Certificação Energética dos Edifícios

Todos já nos habituámos a ver aquelas etiquetas da eficiência energética dos grandes electrodomésticos como frigoríficos, máquinas de lavar e secar, fornos, e a tê-las em conta quando os vamos comprar.

Sendo os edifícios responsáveis por cerca de 30 a 40 % do consumo energético e das emissões de gases de efeito de estufa, nada mais lógico que também eles serem objecto de tal classificação.

Na sequência de uma directiva europeia (2002/91/CE), e com base do Decreto-Lei 78/2006, desde 1 de Janeiro de 2009, todos os edifícios ou fracções destinados a habitação ou serviços (em que se inclui o comércio) que sejam construídos, transaccionados ou arrendados, têm de ter obrigatoriamente um certificado energético, que os classificará desde os mais eficientes (A ou A+) até aos menos eficientes (G).

Para os edifícios novos, aos quais a certificação energética se tem vindo a aplicar desde o projecto, e por fases desde Julho de 2007, o nível mais baixo de eficiência energética admissível é o B-.

A classificação e certificação energética dos edifícios é feita por peritos qualificados para o efeito, tem em conta quer as características energéticas passivas, como isolamento, orientação solar, sombreamento, quer as activas, como produção de água quente ou electricidade a partir de fontes renováveis de energia como solar, eólica, geotérmica ou biomassa. No caso de a eficiência energética ser baixa ou poder ser aumentada, é obrigação do perito propor medidas para melhoria da classificação energética do edifício ou fracção.

A certificação energética dos edifícios é um importante contributo para a sustentabilidade da construção, para que no futuro o edificado seja cada vez menos responsável pelo consumo de energias não renováveis e cada vez mais económico ao pagar a factura energética.

Em Portugal, a entidade gestora do Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar dos Edifícios (SCE) é a ADENE - Agência para a Energia, em cujo site pode obter vasta informação sobre o assunto.

A plataforma on-line Casa Certificada, com protocolo com a ADENE, facilita a relação entre a procura e a oferta de Certificados Energéticos. Caso pretenda certificar a sua casa e não conheça um perito qualificado, vários peritos estão já lá registados, por distritos e concelhos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

ECOLOGIA A SÉRIO

Pensamos já em tudo, ou quase tudo o que se possa fazer, para que o Planeta se torne um sítio sustentável. Muita coisa foi dita, mas aqui a fada, pensa que existe algo que passou despercebido.
Quando falamos em Sustentabilidade, falamos num abrangente leque de acções, que devem ser tomadas e a meu ver, o mais urgente possível.
Nesse leque tão vasto, quero aqui chamar a atenção para a construção sustentável.
Eu sei, eu sei, já se fartaram de pôr essa questão!...
O que ficou esquecido foi a "nova" forma de construir. Aqui a Sra Arquitecta, esqueceu-se de que se pode construir casas e edifícios em terra ou argila.
Material utilizado desde os primórdios da civilização e ainda utilizado em alguns Países, chamados de pobres.
Pois então, quero dar a conhecer, que voltou de novo à baila, dentro do novo contexto ecológico, esse tipo de construção nos Países desenvolvidos. Atrevo-me pois, a dar o exemplo do nosso Portugal, nunca me esquecendo de que de desenvolvido pouco tem, nomeadamente no que toca a assuntos sociais.
Mas no que toca a Ecologia, parece que o País, quer mesmo dar um saltito e andar para a frente.
Pese embora o facto, de que construção em terra ou argila, seja já ancestral; mas o que é facto, é que pouco há de tão ecológico!
Nós, carcaças velhas que por aqui andamos, podemos franzir o sobrolho, a coisa tão descabida (?!), mas quem sabe, os jovens, com a sua open mind, não serão o público visado, pois deles depende o futuro.
A Construção em terra , começou em Portugal no início dos anos 90, existindo nichos localizados no Alentejo e Algarve, de construções privadas, complexos turísticos, turismo de habitação e em públicas, podemos referir duas escolas em Albufeira e o Mercado de S. Luís, em Faro, construído por alunos, especializados neste tipo de construção.
O mais triste de tudo isto, é que chegou a existir em Serpa, uma escola especializada neste tipo de construção, a construção da terra e teve de fechar, por falta de alunos!
Mas a Câmara Municipal de Serpa, não se conforma e vem fazendo disto, o seu cavalo de batalha e é de louvar!
Não sendo expert neste assunto, sei que a construção é totalmente ecológica. Existem três tipos de procedimentos: em adobe, em taipa e em blocos de terra comprimida BTC.
Este último, é o tipo optimizado e mais divulgado.
Em questões financeiras, não se pode dizer, que se torna menos dispendioso, mas a médio prazo, os benefícios na poupança de energia e habitabilidade serão extremamente compensadores. São construções, com imensas vantagens energéticas, devido a uma inércia térmica fortíssima e à evapo-transpiração de altos índices, sendo por isso saudável, a própria casa respira, evitando humidade excessiva, odores ou fumos.
Quanto à durabilidade da construção, sendo bem feita, por um projectista especializado, precisa apenas de manutenção na cobertura. Eu digo especializado, pois é essencial, o saber da terra profundo, na elaboração das fundações.
E para quem possa ter ainda dúvidas, basta dizer que o Castelo de Paderne, datado de 1200, construído em taipa, resiste às intempéries, apenas com manutenção nas fundações e cobertura.
Neste momento a REDECOS, faz um trabalho exemplar de divulgação.
Vamos lá malta jovem, apostem no vosso futuro!
Para quem quiser saber mais: AQUI
Quanto ao esquecimento da arquitecta, podem tirar o cavalinho da chuva, porque mais cedo ou mais tarde, aqui traria o assunto para exposição e não duvido mesmo, que o venha a fazer! Mas como a Fada, é brincalhona; patrão fora dia santo na loja!
Um sorriso para todos e seja o que Deus quiser, quando a patroa chegar!