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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Comer plantas selvagens - Ançarinha branca

É infindável a lista de plantas que nascem espontâneamente por todo o lado e que podem ser utilizadas para fins medicinais. Mas também há muitas plantas espontâneas que são comestíveis, e que nos "infestam" as nossas hortas. Não gosto de lhe chamar daninhas, porque todas elas têm a sua função, mas lá que algumas são danadas, são! Um pouco de conhecimento faz toda a diferença.

Aos poucos vou estudando e aprendendo com quem sabe a conhecer as plantas selvagens comestíveis, e já experimentei a ançarinha-branca (salteada), a beldroega (sopa e salada), o dente-de-leão (salada). A seguir, hei-de experimentar a sopa de urtiga (para já tenho-lhe dado outro uso),  o saramago e até a labaça, que este ano está mesmo uma praga lá na quinta.

A Ançarinha-branca (Chenopodium album), também conhecida como falsa-erva-de-santa-maria, quenopódio ou espinafre-selvagem, é uma planta anual que começa agora em junho a nascer por tudo quanto é lado da horta, com uma força espantosa, e, se a deixar crescer, chega a atingir 1 metro de altura em pouco tempo.

Pois este ano, em vez de lutar com a planta, deixo-a crescer um pouco e depois arranco, cozinho e como-a. E é uma delícia.

A seguir, receita de ançarinha branca salteada que o meu tio José Alberto me deu. A receita é rápida e idêntica a grelos salteados, mas com a particularidade de cozer as folhas de ançarinha-branca em duas águas:





- Escolher as folhas tenras e lavar bem;
- Mergulhar em água a  ferver e deixar ferver 2 minutos;
- Escorrer e voltar a mergulhar em nova água a ferver, desta vez com um pouco de sal, e deixar ferver mais 2 minutos;
- Voltar a escorrer e saltear numa frigideira com azeite e alho picado.
- Servir


(Post publicado inicialmente em 14/6/2013 no blogue "Agir pela Sustentabilidade").

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Ingredientes Secretos (só até 22 de maio)

O documentário "Secret Ingredients" está disponível para visualização até ao dia 22 de maio.

Este filme fala dos efeitos nefastos na saúde de químicos como o herbicida glifosato ou dos transgénicos, e que acabam na nossa alimentação, e de como evitá-los melhora a saúde!

Mais abaixo está o trailer, a seguir o link para a visualização (em inglês):
https://freeshowing.secretingredientsmovie.com/screening/watch/


«Enquanto continua o debate sobre OGM, Roundup (glifosato) e outros pesticidas tóxicos, este poderoso filme partilha histórias notáveis ​​de pessoas que recuperam sua saúde depois de descobrir os ingredientes secretos nos seus alimentos e ousadamente decidiram evitá-los. 

No coração da história está Kathleen DiChiara, que sempre trabalhou e comeu corretamente - ou assim ela pensou. Quando a sua saúde e a saúde de sua família desmoronaram, ela estava determinada a descobrir o porquê. Quando descobriu os ingredientes secretos escondidos na sua comida e os removeu, os resultados foram dramáticos. 

O filme partilha muitas outras histórias poderosas de pessoas que recuperaram a sua saúde depois de mudarem para uma dieta totalmente biológica, livre de OGM, Roundup (glifosato) e outros pesticidas tóxicos. 

Erupções cutâneas esclarecidas; tumores desapareceram; problemas digestivos acalmados; casais inférteis agora têm bebês felizes; pacientes com cancro estão livres de cancro; e crianças autistas estão agora fora do espectro. 

Essas experiências são apoiadas por médicos, cientistas e especialistas que explicam a ciência e a história política dos OGM e dos pesticidas - particularmente o Roundup e o ingrediente-chave, o glifosato, que é pulverizado em muitas culturas e acaba na nossa mesa. 

Realizado por Amy Hart e Jeffrey Smith, defensor do consumidor e ativista anti-OGM, este filme é a mistura perfeita de histórias sinceras e informações científicas que podem inspirá-lo a perguntar: 

O que poderia acontecer se eu removesse os ingredientes secretos da minha cozinha?»

Amy S. Hart e Jeffrey Smith (daqui)



Secret Ingredients Trailer URL from IRT on Vimeo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Dia Mundial das Leguminosas: 10 de fevereiro

Este 10 de fevereiro de 2019 é o primeiro Dia Mundial das Leguminosas  após a Assembleia Geral da ONU assim o ter declarado. Esta comemoração foi proposta pelo Burkina Faso na sequência do sucesso do Ano Internacional das Leguminosas (2016).

O objetivo é promover o desenvolvimento destas culturas vitais para a segurança alimentar, a sustentabilidade do planeta e a economia das zonas rurais. 

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de leguminosas pelo menos três vezes por semana. 

«As culturas de leguminosas, como lentilhas, feijões, ervilhas e grão-de-bico, têm múltiplas virtudes, sendo fortes fontes de proteínas vegetais e aminoácidos para dietas humanas e oferecendo serviços ecossistémicos inestimáveis, graças à sua capacidade - quando cultivadas como cobertura ou explicitamente para alimentos - fixar azoto (nitrogénio) atmosférico nos solos. 

Em média, os cereais cultivados após as leguminosas produzem 1,5 toneladas a mais por hectare do que aqueles que não são precedidos pelas leguminosas , o que equivale ao efeito de 100 kg de fertilizante azotado
Fonte:  FAO ( http://www.fao.org)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Alimentação no Antropoceno (estudo de The Lancet)

«Um grupo de 37 cientistas de 16 países apresentou novas diretrizes para que a alimentação beneficie simultaneamente as pessoas e o planeta. A conclusão é que todos precisamos de comer mais vegetais e alguns precisam comer muito menos carne…

Imagem da capa do documento (simongurney/GettyImages)
O estudo, apresentado na revista Lancet, afirma que é preciso que os países desenvolvidos reduzam o consumo de carne, que todos reduzam o desperdício alimentar e que se modifique os métodos de produção de forma a reduzir a desflorestação e o consumo de água.»


Foi recentemente publicado na revista The Lancet, o estudo denominado "Alimentação no Antropoceno: a Comissão EAT–Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis ", em janeiro de 2019. The Lancet é uma revista científica sobre medicina com revisão por pares, e uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo (daqui). 

Abaixo apresenta-se excertos do prefácio e a conclusão do artigo, bem como algumas imagens do mesmo, que pode ser consultado aqui e descarregado aqui.

Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentável
Diferença entre os padrões alimentares em 2016 e as ingestões na dieta de referência.   Os dados sobre as ingestões de 2016 são do banco de dados da “Global Burden of Disease”. A linha ponteada representa as ingestões na dieta de referência (tabela 1, abaixo).

«A grande transformação alimentar do século XXI

A civilização está em crise. Não podemos mais alimentar nossa população com uma dieta saudável, equilibrando recursos planetários. Pela primeira vez em 200.000 anos da história humana, estamos gravemente fora de sincronia com o planeta e a natureza.

Esta crise está a acelerar, esticando a Terra até seus limites e ameaçando a existência sustentada de seres humanos e outras espécies. Esta publicação “Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis” não poderia ser nem mais oportuna nem mais urgente.

As dietas dominantes que o mundo tem produzido e consumido nos últimos 50 anos já não são nutricionalmente ótimas, são um dos principais contribuidores para as alterações climáticas e estão a acelerar a erosão da biodiversidade natural.

A menos que haja uma mudança abrangente na forma como o mundo come, não há probabilidade de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - com a alimentação e a nutrição a atravessar todos os 17 ODS - ou de cumprir o Acordo de Paris sobre alterações climáticas

(Prefácio de Tamara Lucas, Richard Horton)

Efeitos ambientais por porção de alimentos produzidos.  As barras são médias (SD). Faltam alguns resultados sobre peixe devido à falta de dados para algumas categorias de impacto (ex., uso da terra proveniente de alimentos à base de plantas na aquicultura).

Efeitos ambientais em 2010 e em 2050 por grupos de alimentos em vários sistemas terrestres, com base em projeções “business-as-usual” (tudo como até agora) para consumo e produção (staples= alimentos básicos).

«Conclusão

Os alimentos que ingerimos e a maneira como os produzimos determinarão a saúde das pessoas e do planeta, e grandes mudanças devem ocorrer para evitar a redução da esperança de vida e a degradação ambiental contínua.

Esta Comissão apresenta uma base de trabalho integrada que fornece metas científicas quantitativas para dietas saudáveis e produção sustentável de alimentos, que, juntas, definem um espaço seguro dentro do qual os sistemas alimentares devem operar para assegurar que um amplo conjunto de metas de saúde humana e de sustentabilidade ambiental sejam alcançadas.

Essa base é universal e fornece limites que são globalmente aplicáveis com um alto potencial de adaptação e escalabilidade locais. Ao definir e quantificar um espaço operacional seguro para sistemas alimentares, podem ser identificadas dietas que alimentem a saúde humana e apoiem a sustentabilidade ambiental.

A nossa dieta de referência universal saudável consiste em grande parte de legumes, frutas, grãos integrais, legumes, nozes e óleos insaturados, inclui uma quantidade baixa a moderada de frutos do mar e aves, e inclui pouca ou nenhuma carne vermelha, carne processada, açúcar adicionado, grãos refinados e vegetais ricos em amido.

A nossa definição de produção sustentável de alimentos permanece dentro de limites planetários seguros para seis processos ambientais que juntos regulam o estado do sistema terrestre e incluem alterações climáticas, mudanças no uso de terras, uso de água doce, perda de biodiversidade e interferência nos ciclos globais de azoto (nitrogénio) e fósforo .

Aplicando uma estrutura global de modelagem de sistemas alimentares, mostramos que é possível alimentar uma população global de quase 10 mil milhões de pessoas com uma dieta saudável dentro dos limites da produção de alimentos até 2050.

No entanto, essa Grande Transformação Alimentar só será alcançada através de níveis ação alargados, múltiplos e multissetoriais, que incluem uma mudança global e substancial em direção a padrões alimentares saudáveis, grandes reduções no desperdício de alimentos e grandes melhorias nas práticas de produção alimentar. 

Os dados são suficientes e fortes para justificar a ação; o atraso aumentará a probabilidade de não se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris. 

Esta Comissão mostra que uma Grande  Transformação Alimentar é necessária e realizável.»

Fonte:   http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31788-4  (tradução livre)


Tabela 1: Dieta de referência saudável, com intervalos possíveis, para uma ingestão de 2.500 kcal / dia
Para um indivíduo, uma ingestão de energia ideal para manter um peso saudável dependerá do tamanho do corpo e do nível de atividade física. O processamento de alimentos, como a hidrogenação parcial de óleos, a refinação de grãos e a adição de sal e conservantes, podem afetar substancialmente a saúde, mas não são abordados nesta tabela. * Trigo, arroz, feijões secos e lentilhas são secos, crus. † A mistura e a quantidade de grãos podem variar para manter a ingestão isocalórica. ‡ Carne de vaca e cordeiro podem ser trocados por carne de porco e vice-versa. Frango e outras aves de capoeira são trocáveis ​​com ovos, peixe ou fontes de proteína vegetal. Legumes, amendoim, nozes, sementes e soja são intercambiáveis. § Os alimentos à base de peixe consistem em peixe e marisco (por exemplo, mexilhões e camarões) e são originários da captura e da aquacultura. Embora os frutos do mar sejam um grupo altamente diversificado que contém animais e plantas, o foco deste relatório é exclusivamente sobre animais. Os óleos insaturados são 20% de cada um de: azeite e óleos de soja, colza, girassol e amendoim. || Alguma banha ou sebo são opcionais nos casos em que porcos ou gado são consumidos.

Mais artigos sobre o estudo em português em:

Vida Exttra: Alimentar o planeta exige dieta com menos carne e mais verduras e fruta

 Página 22 - Dietas que salvam a saúde humana e a vida no planeta

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Alimentar o Futuro

 Aquilo que escolhemos comer influencia a nossa saúde, mas também um sistema económico que pode prejudicar mais ou menos o ambiente e as pessoas,  como já várias vezes se falou neste blogue.


Felizmente, a Associação Portuguesa de Nutrição tem também divulgado o papel da alimentação na saúde do planeta, com conferências e sessões de cinema sobre a sustentabilidade alimentar. Tem também com a disponibilizado informação sobre o tema, designadamente um e-book:


que muito aconselho a lerem (e do qual foram extraídas as imagens).



Também sobre o assunto, abaixo fica o trailer do documentário “SustainablEating”, que conta com a participação do Dr. Pedro Graça, Diretor do Programa Nacional para uma Alimentação Saudável.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Alimentação: o futuro pela boca!

Pirâmide dupla, BCFN
«A alimentação é um tema que toca a todos e a cada um de nós. Todos comemos e estamos, portanto, dependentes do acesso a alimentos saudáveis e nutritivos. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação são, por isso, questões-chave do desenvolvimento humano. Uma sociedade não pode ser considerada desenvolvida se estas questões não estiverem, em grande parte, resolvidas. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação (ou a sua falta) têm, por outro lado, profundas implicações ao nível da saúde pública, do bem-estar das pessoas e do capital humano, afetando, portanto, a própria capacidade de uma sociedade para se desenvolver.

Pirâmide da pegada de carbono, BCFN
A alimentação é, além disso, o principal motivo para atividades produtivas como a agricultura e a pesca, que transformam profundamente os ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos que nos rodeiam. A pegada ecológica e a sustentabilidade do nosso modelo de produção, transformação, transporte, distribuição e consumo de alimentos são, por isso, questões incontornáveis no debate sobre a alimentação. A desigualdade social afeta fortemente o acesso de muitos a uma alimentação de qualidade, quer nos países em desenvolvimento quer nos países ditos desenvolvidos. Esta é, por isso, também uma questão a não excluir de qualquer discussão séria sobre o futuro da alimentação. Uma alimentação com futuro requer, assim, o acesso, por parte de todos, a uma alimentação saudável e ecologicamente sustentável.


O futuro da alimentação humana num mundo em crescimento demográfico, com dietas em rápida mutação, com escassez crescente de recursos cruciais como a água, a energia e o solo fértil, e num contexto de alterações climáticas cada vez mais visíveis, coloca hoje desafios monumentais à ciência e à tecnologia, às políticas públicas nos mais diversos domínios e a todos nós, enquanto cidadãos e consumidores.
...
Fonte: Akatu
O futuro da alimentação passa pelas decisões do consumidor, que, multiplicadas por sete mil milhões, se transformam na força de mudança mais poderosa. As escolhas alimentares dos consumidores serão um dos fatores mais decisivos para a mudança climática e têm impactos sobre o consumo de água e de energia e sobre o uso do solo. São muito diferentes as necessidades de energia, água e terra para a produção, transporte, consumo e armazenamento de diferentes tipos de alimentos, bem como os resíduos produzidos. As escolhas alimentares dos consumidores afetam ainda a saúde pública, o bem-estar das pessoas e a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sua sociedade. Deste modo, parece muito claro que modificar os comportamentos e decisões de consumo é questão-chave para assegurar uma alimentação saudável, ambientalmente sustentável e geradora de maior potencial de desenvolvimento.»

Fonte: "O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia", Fundação Calouste Gulbenkian; (extraído da introdução do relatório, de José Lima Santos, Isabel do Carmo, Pedro Graça e  Isabel Ribeiro)



Estou convicta de que o futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer.  As nossas escolhas alimentares interferem profundamente na nossa saúde e na dos nossos descendentes, no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista.




Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde ou a nossa doença, estamos a votar num determinado sistema económico.

Fonte: BCFN
Ao preferir produtos biológicos, ao optar por produtos locais e da época, ao escolher dietas vegetarianas (ou ao introduzir refeições vegetarianas), ao não comprar produtos processados ou excessivamente embalados, não está apenas a cuidar da sua saúde, está também a cuidar da saúde do planeta.

Dia 16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação; dia 1 de novembro é o Dia Mundial do Veganismo; dia 8 de novembro é o Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis; que o assinalar destas datas permitam contribuir para a informação e reflexão sobre  o assunto.

Para saber mais sobre alimentação saudável, consulte o blogue NUTRIMENTO do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, no qual pode consultar muitos manuais sobre alimentação, inclusive os manuais (entre muitos outros):



Disponível também muita informação sobre alimentação no Centro Barilla de Alimentação e Nutrição (Barilla Center for Food and Nutrition Foundation, BCFN): https://www.barillacfn.com/ (em inglês ou italiano).

Livro/ e-book "Eating Planet" referido no vídeo: https://www.barillacfn.com/en/dissemination/eating_planet/ 

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Mensagem  publicada a 6 de novembro de 2016, republicada em 16 de outubro de 2018, Dia Mundial da Alimentação

domingo, 26 de agosto de 2018

"A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que outros o salvarão"

Este artigo, escrito pelo músico e ativista Bob Geldof, alerta para o estado critico da humanidade, focando-se na alimentação: desperdício alimentar e má distribuição dos alimentos, e apela a novas políticas sérias e eficazes. Abaixo transcreve-se parte do texto, mas vale a pena ler o artigo completo no Jornal de Negócios  (em português) ou no original em Project Syndicate (negrito meu).

«Precisamos de uma revolução alimentar 
por Bob Geldof

...
O destino dos habitantes da Ilha de Páscoa ilustra o actual problema do mundo. Em algum momento do século XII, um grupo de polinésios chegou a uma remota ilha vulcânica onde densas florestas forneciam comida, animais, assim como ferramentas e materiais para construir centenas de esculturas de pedra complexas e misteriosas. Mas, pouco a pouco, as pessoas destruíram essas florestas, acabando por cometer um suicídio social, cultural e físico.

Hoje, em termos relativos, temos apenas uma pequena área de floresta - e estamos a destruí-la com muita rapidez. Estamos a ficar sem terra para cultivar e o deserto está a alastrar. Os alimentos que produzimos são muitas vezes desperdiçados, enquanto mil milhões de pessoas não têm o que comer - uma realidade que deixa muita gente com poucas opções a não ser migrar.

...
Imagem obtida em  Project Syndicate 
Enquanto o Sul pobre morre de fome, o Norte rico tem demasiada comida. Mais de dois mil milhões de pessoas têm excesso de peso, inchadas por açúcares de baixo valor alimentar e por alimentos processados produzidos em massa e ricos em gorduras. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, bastaria um quarto dos alimentos que deitamos fora ou desperdiçamos todos os anos para alimentar 870 milhões de pessoas famintas. Por todo o mundo, desperdiça-se um terço de todas as colheitas. Como os habitantes da Ilha de Páscoa do passado, estamos a preparar-nos para a auto-aniquilação.

...
O que é necessário não é apenas um ajustamento politicamente tolerável às políticas existentes, mas sim uma reforma de fundo que gere resultados reais. Infelizmente, não é evidente que existam políticos à altura do desafio, tanto nos erráticos e polarizados EUA como nos ineficientes Parlamento Europeu e Comissão Europeia.

A hora de ir em frente foi ontem; a hora de adoptar uma nova abordagem é agora. Podemos discutir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas - que incluem metas como "reduzir para metade o desperdício global de alimentos per capita no retalho e no consumidor, e reduzir as perdas alimentares ao longo das cadeias produtivas e de fornecimento até 2030" - até à exaustão. O que importa são políticas bem concebidas, eficazes e abrangentes, implementadas de forma sustentada. E essas não existem em lado nenhum.

A Terra tem 45 milhões de séculos, mas o nosso século é único, porque é o primeiro em que uma espécie pode destruir toda a base da sua própria existência. Contudo, nós, os habitantes da Ilha de Páscoa dos nossos dias, parecemos alheios a esta ameaça existencial, e preferimos construir estátuas em vez de sistemas sustentáveis para a nossa sobrevivência.

Bob Geldof. Imagem
obtida em Jornal de Negócios
Será que só vamos reconhecer a nossa situação quando a terra se tornar um deserto, quando os nossos sistemas de saúde colapsarem, quando até mesmo os ricos enfrentarem escassez de alimentos, quando a água doce se tornar escassa e quando as nossas linhas costeiras forem violadas? Nessa altura, será tarde demais e o nosso destino estará traçado.

A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que alguém o salvará. Cada um de nós deve reconhecer a seriedade da nossa situação e exigir acções concretas para a mudar. 
Estou a falar de si.»

Extrato do artigo de Bob Geldof de 12 de julho 2018 em Project Syndicate, com tradução de Rita Faria publicada no Jornal de Negócios  de 7 de agosto de 2018.

domingo, 6 de maio de 2018

Transgénicos - a coexistência impossível

Para além de os efeitos diretamente na saúde humana dos alimentos transgénicos serem incógnitas, porque não há estudos suficientes ou fidedignos; para além dos efeitos obviamente nocivos para a saúde provocados pelos herbicidas associados aos transgénicos; para além dos efeitos devastadores que o cultivo de transgénicos têm nos ecossistemas e na biodiversidade; para além dos efeitos nefastos na economia, alimentadores do capitalismo selvagem, já que uma empresa é detentora de 90% do mercado das sementes e outras quatro dos restantes 10%; para além disto tudo, as variedades de alimentos tradicionais estão ameaçadas de contaminação pelos transgénicos e, assim, de extinção. 

A história das variedades de espécies alimentares acompanha a história da humanidade, pois foram gradualmente desenvolvidas e adaptadas aos climas e lugares ao longo de muitos milhares de anos. Uma história que, se não nos informarmos e se não nos opusermos, estará prestes a chegar ao fim. Porque variedades tradicionais não podem coexistir com OGM ou transgénicas, já que estas contaminam tudo à sua volta. 

Vejam o documentário catalão de 2007 TranXgenia - A História da Lagarta e do Milho. E já agora, se concorda, apoie a Plataforma Transgénicos Fora e ajude a luta pela alimentação e ambiente saudável, a luta por cada vez mais e maiores zonas livres de OGM.



(Esta mensagem foi originalmente publicada neste blogue em 09/01/2012, e foi republicada 6 anos depois, a 06/05/2018)

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pegada alimentar: Alimentação e ambiente

Crise Ambiental | Pegada alimentar: A alimentação e o ambiente

As nossas escolhas alimentares, para além de interferirem diretamente na nossa saúde, impactam profundamente no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, assim como na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista. Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde (ou a nossa doença), estamos a participar ativamente na construção de um futuro e de um ambiente melhores ou piores, para nós mesmos, e sobretudo, para as gerações vindouras.
Todos sabemos que o mundo enfrenta uma crise ambiental global sem precedentes na história da civilização humana. Provavelmente não sabemos como enfrentá-la, mas ignorá-la será a pior das opções. Tentar compreender o que a causou, refletir sobre o que podemos fazer para contrariar essa crise e agir de acordo com o pensamento informado, é o único caminho viável.
Comer é a necessidade mais básica dos seres humanos (e dos animais em geral), e as atividades que se geram em torno da alimentação produzem mais de 25% dos gases com efeito de estufa, contribuindo para acelerar as alterações climáticas.  Só a pecuária emite 18% dos gases com efeito de estufa, mais do que o setor dos transportes.
A alimentação é a base da nossa subsistência, e é um dos principais motores da economia. A agricultura, a pecuária, a industria alimentar, a indústria química que abastece a agricultura convencional e a indústria alimentar, as empresas farmacêuticas e da biotecnologia que inventam hormonas e transgénicos para acelerar crescimentos e lucros,  as empresas da energia e dos transportes que levam alimentos, matérias primas e produtos, de uns continentes para outros, e o comércio: cadeias de distribuição, revendedores, retalhistas e a restauração, as universidades, todos estes setores da atividade se movimentam em torno dos alimentos, exclusivamente ou inclusivamente.
A alimentação, é, pois, o assunto que mais influencia a crise ambiental, e em tantos níveis que seria preciso um livro para os abranger.  E é neste campo que muito podemos fazer se quisermos contribuir para minorar a crise ambiental atual.  
Se estivermos atentos aos alimentos que compramos, podemos dar um contributo muito significativo. E a que devemos estar atentos? Essencialmente a 3 coisas: 1 – de onde vem, 2 - como foi produzido, e 3 - que tipo de alimento é.
De onde vem?
Quando comemos um alimento que vem da América ou da Ásia, esse alimento teve de ser transportado. E o transporte implica consumo de combustível, o que implica elevadas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases com efeito de estufa. E na maior parte dos casos, desnecessariamente, pois não faltam alternativas de alimentos locais que nos permitem uma alimentação saudável e diversificada, com muito menos impacto no clima e no ambiente.
Por outro lado, quando optamos por alimentos locais e da época, estamos a ter impactos positivos na economia local e no ambiente. Se conseguirmos comprar diretamente do produtor (não é fácil, sabemos, mas em muitos casos é possível), ou em circuitos curtos de comercialização (um intermediário no máximo), estamos a diminuir drasticamente as emissões de CO2 devidas ao transporte. Além disso, os alimentos frescos que são transportados de longe perdem muitas das suas características nutritivas com o tempo de armazenamento e transporte.
Merece aqui destaque o movimento Slow Food, que apareceu nos anos 80 em Itália, mas que já se estendeu a pelo menos 160 países e envolve milhões de pessoas, que visa evitar o desaparecimento de culturas e tradições alimentares locais, promovendo o acesso de todos a alimentos bons, limpos e justos.
Como foi produzido?
Se o alimento foi produzido em agricultura convencional, com o uso de pesticidas e fertilizantes químicos, ou em pecuária intensiva, vai ter seguramente grandes impactos ambientais. Os pesticidas: herbicidas, inseticidas, fungicidas e outros, causam graves danos ao ecossistema, pois matam os organismos essenciais do solo, insetos de várias espécies, inclusivamente polinizadores como as abelhas, poluem o solo, o ar e a água, e entram na cadeia alimentar a vários níveis. Também os fertilizantes químicos de síntese usados na agricultura convencional, as hormonas e medicamentos usados em larga escala na pecuária intensiva acabam por poluir o solo, os lençóis freáticos, as águas dos rios e mesmo os oceanos.
E se o produto for transgénico (ou OGM - organismo geneticamente modificado), ou, no caso de carne, se o animal foi alimentado com produtos transgénicos (o que é a prática corrente)? Nesse caso os impactos no ambiente podem ser enormes – não sabemos – porque não existem estudos para isso, somos todos as cobaias; mas uma coisa já está provada: os cultivos de alimentos OGM ameaçam dramaticamente a biodiversidade, quer pelos efeitos contaminantes da polinização cruzada, que acabam com as variedades alimentares locais e adaptadas, quer porque são produzidos para resistir a herbicidas, o que implica o maior uso dos herbicidas, logo maior contaminação ambiental, quer porque matam insetos e outra fauna essencial e exterminam  plantas que fazem parte dos ecossistemas, alterando os equilíbrios e aumentando a extinção das espécies.
Pelo contrário, quando optamos por comprar produtos oriundos da agricultura biológica, sabemos que foram cumpridas regras de proteção ambiental e de bem estar animal. Na agricultura biológica não são permitidos pesticidas ou herbicidas químicos de síntese, e mesmo os pesticidas naturais só são usados em última instância, pois a saúde do solo e o equilíbrio do ecossistema são a base deste modo de cultivo. E na agricultura e pecuária biológica, não são permitidos, de todo, alimentos ou produtos transgénicos.
Que tipo de alimento é?
Os impactos no ambiente são bem diversificados, consoante a natureza do alimento. Se é carne, só por si, terá um impacto ambiental muito superior ao alimento vegetal. Come-se carne a mais, tanto para a saúde como para o ambiente. Para se produzir um kg de carne de vaca, é necessária uma área enorme de produção do alimento para o animal (soja, milho, …) e são gastos muitos milhares de litros de água para a sua produção. E em muitos casos, como acontece no Brasil, essa área de produção foi subtraída a florestas essenciais ao equilíbrio do planeta, como a Amazónia. A desflorestação é um dos principais fatores do aumento da concentração de CO2 na atmosfera, e a pecuária é um dos maiores fatores de desflorestação.
Com essa mesma área (para a produção de um kg de carne) pode-se produzir muitos kg de alimentos de origem vegetal, e mesmo muito ricos em proteínas, como é o caso das leguminosas. A pegada ecológica alimentar de uma pessoa que costuma comer carne em quase todas as refeições chega a ser 17 vezes superior à de uma pessoa vegetariana; e a pegada de carbono é mais do dobro. Assim, cada vez que optamos for fazer uma refeição vegetariana em detrimento de uma refeição com carne, estamos a ter um impacto muito positivo no ambiente.
No que se refere ao peixe, e sendo Portugal um dos países com maior consumo de peixe per capita, devemos estar muito atentos à sua origem. A sobrepesca de muitas espécies está a levá-las para o caminho da extinção. E a extinção de uma espécie, como por exemplo a sardinha, vai seguramente levar à extinção de muitas outras espécies mais de topo da cadeia alimentar, podendo levar mesmo à morte dos oceanos. Por isso, é muito importante estar informado sobre o consumo sustentável de pescado, para o que recomendo consultar o Guia de bolso para as melhores escolhas de peixes e mariscos em Portugal, e descarregar o Cartão SOS Oceano disponibilizado pelo Oceanário de Lisboa.
Está provado que os vegetarianos têm maior esperança de vida e que a carne em excesso faz mal, mas se gosta de comer carne, saiba que não é preciso ser-se vegetariano para se fazer muitas refeições sem carne ou peixe. É uma questão de se agir de acordo com o que se pensa.
Outros fatores
Para além destes três fatores essenciais: de onde vem, como foi produzido e que tipo de alimento é, os impactos da alimentação no ambiente são também muito superiores quando se trata de alimentos processados, transformados e refrigerados, pelo que é importante comprar os alimentos o mais naturais possíveis; privilegiar o cozinhar em casa, pois para além de contribuir para uma melhor saúde, contribui para um melhor ambiente.
Também muito importante é a maneira como o alimento é apresentado: alimentos excessivamente embalados têm pegadas ecológicas muito maiores, como é óbvio. E se algumas vezes a embalagem se destina a proteger o alimento no transporte, muitas vezes é totalmente desnecessária e reflete uma sociedade de consumo que já nem pensa no básico, no “é mesmo preciso?”.
Será bom não esquecer a minimização do desperdício alimentar. ´Comprar apenas os alimentos necessários – com o uso de uma lista ou planificação das refeições, é uma boa ajuda para reduzir o desperdício; aproveitar as sobras para outras refeições, e encaminhar os resíduos orgânicos para compostagem e produção de composto (fertilizante natural), ajudam a fechar o ciclo e a diminuir a pegada ecológica da alimentação.
Conclusão
O futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer. Deste modo, está na nossa mão ajudar a tornar este mundo melhor através das nossas escolhas alimentares. Ao escolher produtos locais, ao preferir produtos biológicos, ao optar por refeições vegetarianas, ao evitar produtos processados e excessivamente embalados, e ao eliminar o desperdício alimentar, não estamos apenas a cuidar da nossa saúde, estamos também a cuidar da saúde do planeta e das futuras gerações.
Fontes: BCFN ;  Componatura Fantastic Farms FAO Jusbrasil Não no Menu (http://naonomeu.com/2015/07/a-piramide-dupla-1/); Oceanário de Lisboa Slow Food Sustentabilidade é Acção (aqui e aqui).


Texto publicado primeiramente no Jornal Digital  VILA NOVA, em 21/12/2017

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vegetariano à semana

Para aqueles que sabem os impactos negativos que a pecuária tem no ambiente, e que se preocupam com a saúde e o bem estar animal, mas não estão prontos para serem vegetarianos, uma solução poderia ser seguir o concelho de Graham Hill, o canadiano fundador do site Treehugger: ser vegetariano de segunda a sexta-feira.

Imagem obtida aqui
Sabemos que não é nada fácil mudar hábitos, sair da zona de conforto. Custa, dá trabalho! Mas se não fazemos nada por convicção, apenas porque é hábito, ou porque a sociedade também faz, a vida fica sem sentido!

Para quem come em casa, é mais fácil introduzir uma dieta vegetariana, vai-se aprendendo e a culinária até é mais fácil, embora use mais ingredientes e mais diversificados. Já quem tem de comer fora de casa, é mais complicado, pois a maior parte dos locais em Portugal não estão preparados, sobretudo fora das grandes cidades como Lisboa e Porto. Mas se mais pessoas começarem a perguntar pela opção vegetariana, mais depressa se adaptarão.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O poder de uma escolha

«Mudar hábitos que duraram décadas, hábitos ancestrais que duraram milénios, requer coragem e altruísmo. 
A verdade dá-te o poder de fazeres as tuas próprias escolhas»
(do vídeo)

(imagem daqui
«Vídeo produzido e dirigido por estudantes de biologia da USP (Universidade de São Paulo), procura motivar o fortalecimento do pensamento crítico e desenvolvimento de posturas e valores éticos sobre a exploração animal, hábitos alimentares e gerais de consumo, implicando em ações conscientes na conservação da biodiversidade e bem estar dos seres vivos no planeta terra. Investe na correlação entre conteúdos sobre diversidade, destruição de habitats, ética, ecologia e uso intensivo de recursos como água, grãos e terra utilizados na exploração animal (agropecuária e pescas predatórias). »

Direção: Giovanna Blumenthal; Animação: Vitor Gregolin.


O Poder de Uma Escolha - Como Salvar a Vida na Terra Agora from Giovanna Blumenthal on Vimeo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Doce veneno

«Quando falamos em açúcar, sorrimos e abanamos a cabeça. “Não, eu até nem como assim tanto açúcar”, não é o que está a pensar? Mas a dura verdade é que come, praticamente todos os dias, quando consome produtos processados. E essa é, provavelmente, a razão por que faz tantas dietas, anda no ginásio e, mesmo assim, não consegue perder peso.»
...
Tal como qualquer outra droga, o açúcar é viciante. É este o poder da indústria alimentar que nos enche os sentidos com tantas fontes altamente aliciantes. Por isso é realmente penoso pensar numa dieta sem bolachas, sem uma bola de Berlim na praia, sem um suminho ou umas batatinhas aqui e ali — porque estamos viciados em açúcar sem nos apercebermos


Sobre este nosso doce "amigo", leia o artigo de Christiana Martins na revista do Expresso de 22/02/2014 (e fonte das imagens ao lado), que encontra no link aqui:


E não perca a Reportagem SIC de 2015 SOMOS O QUE COMEMOS!


SOMOS O QUE COMEMOS, Grande Reportagem SIC (2015) from quemse importa on Vimeo.

Depois, vá à cozinha, leia os rótulos e faça as suas contas...

sábado, 28 de janeiro de 2017

Alimentação e o futuro

Imagem de FoodRevolution
«Quando olhamos para a geração do milénio, há uma mudança radical na forma como as pessoas abordam os alimentos. Anteriormente as pessoas perguntavam se era barato. Agora há um enorme interesse na forma como o alimento é produzido e de onde vem. As pessoas querem alimentos o mais frescos e naturais possível, locais, produzidos de forma mais sustentável, e em condições menos industrializadas.

Há um acordo global no Relatório de Agricultura Mundial de que a agricultura industrial e a engenharia genética não são a resposta para o futuro da alimentação. A resposta são sistemas agrícolas ecologicamente racionais. 

A biotecnologia, pela sua própria natureza, concentra-se em um ou alguns genes ou características específicas, enquanto que a agricultura verdadeiramente ecológica aborda sistemas inteiros. Essa é a direção que os consumidores querem e para onde precisamos ir, no sentido da saúde e da sustentabilidade.


Mas a agricultura ecológica não é algo que as empresas possam patentear, comprar ou ganhar dinheiro facilmente, por isso pressionam com os OGM, por causa das margens de lucro.»

Michael Hansen, PhD, cientista sénior, Consumers Union

Fonte: US RTK, 28/9/2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

Come-se carne demais!

Insistimos que é urgente e importante que as pessoas entendam que se come carne e proteína de origem animal demais. Em Portugal, e em muitos outros países, sobretudo da Europa, América e Oceania.  Os efeitos deste excesso são nefastos, não só para a saúde, mas também para o ambiente, já para não falar no bem-estar animal, como várias vezes aqui se falou. Procurem saber, não vale enfiar a cabeça na areia!

Imagem daqui
A maior longevidade de vegetarianos e sobretudo de veganos, prova que não é necessário comer carne, peixe e alimentos de origem animal, desde que o regime alimentar seja equilibrado.
Além disso, nada impede uma pessoa omnívora de fazer uma maioria de refeições vegetarianas. 

Sobre o assunto, transcrevo o artigo publicado hoje em vários meios de comunicação social, referindo um estudo comparativo efetuado pela ZERO -  Associação Sistema Terrestre Sustentável:




Os portugueses consomem 4,4 vezes mais carne, ovos e pescado que o necessário, o que prejudica a saúde, o ambiente e o orçamento familiar, alertaram hoje os ambientalistas da Zero, defendendo a opção por leguminosas.

Imagem daqui
Verificamos que os portugueses consomem 4,4 vezes acima daquilo que seria necessário deste componente, da carne, ovos e pescado", disse à agência Lusa Susana Fonseca, da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero.

Num ano, "devíamos consumir à volta de 33 quilogramas do conjunto de carne, ovos e pescado e estamos a consumir muito acima disso, cerca de 178 quilogramas, portanto 145 quilogramas a mais", avançou a especialista, e realçou que, na saúde, "o excesso de proteína causa vários problemas, e não é de todo benéfico em termos ambientais".

No final deste Ano Internacional das Leguminosas, e numa época festiva "que tende a propiciar exageros de alimentação", a Zero analisou as recomendações da Direção Geral de Saúde para o consumo de carne, ovos e pescado e comparou com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as quantidades destes produtos na alimentação dos portugueses.

"Para produzir uma quilocaloria de carne de vaca, por exemplo, precisamos de 174 quilocalorias", principalmente de alimentos para os animais, "o que é mais do que o necessário quando são consumidos alimentos vegetais e leguminosas", justificou Susana Fonseca.

Também no consumo de carne, o impacto em termos de consumo de água é 100 vezes superior àquele que é necessário para produzir leguminosas, além de implicar mais emissões de metano, um gás com efeito de estufa que agrava as alterações climáticas.

As leguminosas, como feijão, grão, lentilhas, favas ou ervilhas, fazem parte da dieta mediterrânica e da cultura gastronómica portuguesa, são, segundo a Zero, "uma excelente fonte de proteína e podem ser usadas como alternativa a este consumo de proteína animal".

Para o orçamento familiar, "fica mais caro [o uso de proteína animal], sabemos que a componente de proteína é das que acaba por ter mais peso" na despesa com a alimentação, especificou a especialista da Zero.

Assim, "estamos a desperdiçar dinheiro, estamos a consumir proteína que nos está a fazer mal, está a fazer mal ao ambiente e está a retirar-nos recursos financeiros", resumiu. ...»

Fonte e artigo completo em: Noticias ao Minuto.  Também em RR e Correio da Manhã

Ver comunicado da ZERO em: CONSUMO DE CARNE, OVOS E PESCADO É INSUSTENTÁVEL/