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terça-feira, 5 de junho de 2018

Estado do ambiente em Portugal - economia circular


O Relatório do Estado do Ambiente em Portugal (2018)  foi divulgado neste Dia Mundial do Ambiente. O relatório refere-se ao ano anterior (2017), mas em muitos indicadores os dados ainda se remetem a 2016.


O cenário não é nada animador, antes pelo contrário, pois apesar de uma ligeira redução no consumo interno de materiais, o consumo de energia final e a produção de resíduos aumentaram, e as taxas de separação e reciclagem são muito baixas!


Fica aqui um destaque para alguns números relacionados com a economia circular (consumo e resíduos): 


152,9 milhões de toneladas em 2016,  o que corresponde a 40,6 kg por pessoa por dia, tendo descido (1,7%) em relação ao ano anterior (1,5%).

Destes, 22,6% são em biomassa (alimentos, madeira, ...) e o restante são de origem mineral (metálico, não metálico ou energético fóssil). A maior fatia é dos materiais de construção (57,8% de não metálicos).

Este valor (40,6 kg por pessoa por dia) é superior à média da União Europeia (a 28) que foi de 36,3 kg por pessoa por dia (daqui).

O consumo interno de materiais está a diminuir, embora a redução seja pequena.


Em 2016, o consumo de energia final aumentou 1,0% relativamente a 2015, devido sobretudo à subida do consumo dos produtos do petróleo e eletricidade. 


4,75 milhões de toneladas produzidas em 2017, no continente,  o que corresponde a 1,32 kg por pessoa por dia.  Isto configura um aumento de 2,3% em relação ao ano anterior e de 10% em relação a 2013 .

A meta do PERSU 2020 para este indicador é que em 2020 estejamos em 1,12 kg por pessoa por dia, mas em vez de estarmos a diminuir o lixo produzido estamos a aumentar!.

Além disso, a percentagem dos resíduos urbanos indiferenciados, foi, em 2017, de 83,5%, ou seja, apenas 16,5% dos resíduos foram separados na recolha (recolha diferenciada)!

A taxa de preparação para reutilização e reciclagem, que estagnou nos 38%, inclui a separação de resíduos pós-recolha para valorização, e que deve atingir os 50% até 2020. 

Fonte (dados e imagens): APA, Relatório do estado do ambiente - Portugal, junho 2018

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ECOLOGIA PROFUNDA

Porque a palavra Ecologia tem sido usada muitas vezes de forma inapropriada, decidi dedicar este Dia Mundial do Ambiente 2013 à Ecologia, mais propriamente à Ecologia Profunda. Enquanto a ecologia é uma ciência, a ecologia profunda trata verdadeiramente do respeito pelo ambiente.

"Deep Ecology", Óleo sobre tela de Daniel Mirante, 2009
A palavra Ecologia tem origem no grego "oikos", que significa casa, e "logos", estudo. É a ciência que estuda as interações entre os seres vivos e seu ambiente: a influência do ambiente nos seres vivos, a influência dos seres vivos do ambiente, a interação dos seres vivos entre si.

A Ecologia Profunda, por outro lado, é um conceito filosófico, que considera que a natureza possui valor intrínseco, independentemente da utilidade que tem para o ser humano.  A sua ideia central é a de que fazemos parte da natureza e não estamos à parte dela. Cada elemento da natureza, ser vivo ou não vivo, inclusive os seres humanos, deve ser preservado e respeitado para garantir o equilíbrio. 

O conceito de Ecologia Profunda foi proposto pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Næss em 1973, mas  já existia muito antes em diversas sociedades humanas, particularmente indígenas, como forma de pensar e agir. 

"A Terra é uma comunidade à qual pertencemos, não um objeto que nos pertence", Aldo Leopoldo
Esta filosofia, que deriva do pensamento de Thoreau  e Aldo Leopoldo, contrasta com a visão corrente do mundo (antropocêntrica), mesmo com a teoria do desenvolvimento sustentável preconizada pela ONU cujo princípio n.º 1 (da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento) é:

"Os seres humanos estão no centro das preocupações com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva, em harmonia com a natureza." 

Os  princípios básicos da Ecologia Profunda, definidos em 1984 por Arne Næss em conjunto com George Sessions, podem ser lidos no quadro ao lado. 

Transcrevo (novamente) uma pequena parte do discurso do índio norte-americano Chefe Seattle, de 1845, que demonstra um saber superior ao que a ciência nos dá, e que exemplifica a ecologia profunda:


"A terra não pertence, ao homem: é o homem que pertence à terra. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará." (ler o resto aqui).



Nota: Esta é apenas uma abordagem ligeira sobre a ecologia profunda e de acordo com a minha interpretação.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Vandana Shiva: “financeirização da economia está na raiz da crise”

Para marcar o Dia Mundial do Ambiente (sim, para marcar, porque há mais a lamentar do que a celebrar), transcrevo o artigo de Ana Paula Salviatti publicado hoje na Carta Maior sobre a entrevista a Vandana Shiva: “financeirização da economia está na raiz da crise” (também publicado hoje no Correio do Brasil).

Vandana Shiva: “financeirização da economia está na raiz da crise”
Imagem obtida no site de Vandana Shiva
«Em entrevista à Carta Maior, a ativista indiana Vandana Shiva fala sobre suas expectativas em relação a Rio+20. Ela não acredita que a conferência da ONU consiga firmar compromissos de mudanças mais significativas em função da influência das grandes corporações. Neste cenário, defende, o papel da Cúpula dos Povos adquire maior importância. Para Vandana Shiva, a crise atual não poderá ser resolvida com mais financeirização e mais mercantilização.»
Ana Paula Salviatti



«Vandana Shiva, que participará da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, é a autora do livro ‘The Violence of Green Revolution’ de 1991 (A Violência da Revolução Verde), uma leitura obrigatória para o debate sobre a produção agrícola alterada pela ‘Revolução Verde’; ‘revolução’ que trouxe para o plano agrícola a lógica que impôs o uso de pesticidas e sementes transgênicas, dentre muitas outras modificações, que Vandana explora profundamente em seu livro, infelizmente ainda sem tradução para o português.


Ela é defensora dos direitos humanos e do meio ambiente, os quais infelizmente muitas vezes são defendidos como causas separadas, mas que possuem intrínseca conexão pois os dois são explorados, cada um a sua forma, pela lógica econômica capitalista.


Vandana trabalha por uma economia verde sem dogmas e não foge ao debate sobre questões necessárias para barrar o avanço da situação que se encontram tanto trabalhadores, como natureza. A ativista também levanta a bandeira da situação das mulheres indianas, da segurança alimentar e da preservação dos povos e culturas locais. É fundadora da ONG indiana Navdanya, que, entre outras agendas, estimula a agricultura orgânica local.


Infelizmente seu livro “The Violence of Green Revolution” não foi traduzido para o português até hoje. Você poderia trazer ao nosso leitor uma exposição dá época em que ele foi escrito juntamente de uma análise dos desdobramentos que se deram dos anos 80 prá cá em relação as perdas da agricultura, não só na Índia como nos outros países.


Comecei a fazer a pesquisa sobre a violência da Revolução Verde em 1984, ano da violência no Punjab, onde a Revolução Verde foi implementada pela primeira vez em 1965. A Revolução Verde teve um Prêmio Nobel da Paz, mas em 1984, Punjab era uma terra de guerra. 30.000 pessoas foram mortas pela violência em Punjab, que é um número 6 vezes maior do que os mortos na tragédia do 11/9. O ano de 1984 foi também o ano do desastre de Bhopal, onde uma fábrica de pesticidas, da ‘Union Carbide’ (hoje Dow), vazou e matou 3.000 pessoas. Desde então, 30.000 pessoas morreram.. Hoje a Índia é a capital da fome e dos suicídios de agricultores. Desde 1997, 250.000 agricultores foram presos por dívidas e tiraram suas vidas.


A senhora traçaria um paralelo entre o modo de produção voltado ao abastecimento e especulação do mercado, as reservas naturais e as condições que se encontram a mão de obra trabalhadora no seu país? Outras regiões do mundo trariam condições semelhantes?


O modelo econômico dominante desperdiça recursos e pessoas. Apesar destes resíduos serem chamados de “eficiente” e “produtivo”. Ele substituiu a produção com a especulação do capital financeiro, e do consumismo para as pessoas. Este modelo é: destruir a natureza e a sociedade em si.


Reformas ou Revolução? O que e o porque a senhora acredita ser necessário para impedir o avanço da situação de degradação das condições tanto humanas quanto naturais contemporâneas?


Duas coisas são necessárias para acabar com essa deterioração. Em primeiro lugar, uma mudança de paradigma e visão de mundo. Em segundo lugar, as pessoas levantarem-se coletivamente e dizer “Basta”. Chega.


A senhora terá a oportunidade de participar da Rio+20 e da Cúpula dos Povos. Quais seriam na sua opinião, as limitações e as contribuições que cada uma delas poderão nos trazer?


A Rio+20 será limitada em firmar compromissos em função da influência das grandes corporações. Essas contribuições podem ser significativas, se reconhecerem a necessidade de restabelecer a harmonia com a natureza – objeto de uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas no ano passado – e se reconhecerem que a agricultura ecológica é o caminho para a proteção do planeta e da Segurança Alimentar. A Cúpula dos Povos, os Direitos da Mãe Terra, e o compromisso para uma transformação serão vitais.


Não haveria uma lógica comum entre os mecanismos financeiros criados em torno da questão ambiental e ativos financeiros comuns? Esta mesma lógica é capaz de lidar com problemas ambientais, criados muitas vezes por ela própria? O que a senhora poderia falar sobre este assunto?


Há um provérbio africano que diz: “Você não pode colocar um bezerro dentro de uma vaca bezuntando-o com lama”. A financeirização da economia e a consequente redução da economia a um casino, e os recursos do planeta e processos em mercadorias privatizadas, são a a raiz das crises ecológicas e econômicas. Estas crises não podem ser resolvidas por mais financeirização e mercantilização.»


domingo, 5 de junho de 2011

Dia Mundial do Ambiente - Wangari Maathai


Este ano, o Dia Mundial do Ambiente é dedicado à floresta. E por aqui apresento, a quem não conhece, Wangari Maathai, uma mulher cuja acção em defesa do ambiente já levou a que fossem plantadas mais de 45 milhões de árvores!

Wangari Maathai nasceu no Quénia, em 1940, e doutorou-se na área da biologia. Activista política na defesa dos direitos humanos e do ambiente, fez parte do Conselho Nacional da Mulheres do Quénia entre 1976 e 1987.

Em 1976, Wangari introduziu a ideia de melhorar a vida das mulheres e das comunidades melhorando o ambiente através da plantação de árvores.

Esta iniciativa intensificou-se através do movimento que fundou, o Green Belt Movement, tendo já levado à plantação de mais de 45 milhões de árvores no Quénia, restabelecendo equilíbrios e ecossistemas e permitindo ganhar terreno à desertificação provocada pela desflorestação. A sua acção, para além de proteger a biodiversidade, replantar a floresta e combater a desertificação, contribuiu  para melhorar qualidade de vida das comunidades locais, criando empregos, sobretudo em áreas rurais, e promovendo o papel da mulher na sociedade.

Em 2004, Wangari Maathai  ganhou o prémio Nobel da Paz pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável.



Destaco a frase de Wangari Maathai:
"É o povo que tem de salvar o ambiente, é o povo que tem de obrigar os seus líderes a mudar"


sábado, 4 de junho de 2011

Refexão na véspera do Dia Mundial do Ambiente

Amanhã é o Dia Mundial do Ambiente e hoje é dia de reflexão em Portugal porque amanhã é dia de eleições legislativas. Aproveito para reflectir em questões ambientais mundiais, porque os problemas de Portugal não são apenas os derivados da incompetência que por cá impera, mas são também os resultantes da infinita estupidez humana que grassa por todo o globo. Vejamos, pois, alguns dos títulos e resumos de acontecimentos e notícias dos tempos mais recentes, no Ano Internacional da Floresta:

"A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou ontem as estimativas de emissões de dióxido de carbono (CO2) em 2010, registando-se como as maiores da história." Em Portal Ambiente, 31-05-2011. Esta notícia põe em causa as estratégias de combate às alterações climáticas e denuncia quão insuficientes são os esforços para redução de emissões de gases com efeito de estufa!

"SERIA CÔMICO, se não fosse trágico: em plena semana do meio ambiente, às vésperas do Dia Internacional em Defesa da Amazônia, o Ibama concedeu a Licença de Instalação (LI) para a construção da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte." Em Movimento Xingu Vivo Para Sempre, 02/06/2011.  E assim se destrói a vivência dos indígenas, da comunidade local, a floresta e toda a biodiversidade da região (antes) protegida da Volta Grande do Rio Xingu, na Amazónia!

"Parque Escolar. Consumos energéticos triplicaram nas escolas requalificadas". Em ionline, 7/03/2011. Ou "Todas as escolas reabilitadas pela Parque Escolar mais do que triplicaram os consumos energéticos", no programa Biosfera(RTP2) de 27/04/2011 (ver resumo em Reflexões Planetárias). E assim o Estado Português dá o mau exemplo diminuindo drasticamente a eficiência energética dos edifícios escolares, quando se fala "no ar" de aumento da eficiência energética!

"Desflorestação da Amazónia aumentou mais de 5 vezes em Março e Abril", em GreenSavers, 22/05/2011. Ou "CÓDIGO FLORESTAL: Avanço ou retrocesso. Ao mesmo tempo em que beneficia setor agrosilvopastoril, novo texto permite o desmatamento de área equivalente ao Estado do Paraná." Em CorreiodoNorteonline, 03/06/2011. Como 410 deputados brasileiros aprovaram alterações ao Código Florestal do Brasil, de modo a favorecer os grandes produtores agrícolas e a desflorestação, amnistiando aqueles que já abateram ilegalmente a floresta, e prejudicando populações locais, pequenos agricultores, a natureza, o ambiente e a floresta no Brasil. E assim se vai facilitando a destruição de biomas essenciais ao equilíbrio do mundo, como são o caso da Amazónia e da Mata Atlântica!

"Quando o homem morre pela floresta. Hoje, dia em que seria votada a alteração do Código Florestal, um de nossos palestrantes, Zé Claudio Ribeiro, foi assassinado junto com sua esposa, Maria do Espirito Santo, quando voltava para casa, no Assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna, no sul do Pará." Em TEDxAmazónia, 24/05/2011. Não tenho palavras para comentar este acto bárbaro! Digo apenas que Zé Claudio defendia a floresta e sabia que estava ameaçado de morte pelos que a destroem.

"Barragem do Tua: uma pedra sobre 'defunto' e um 'insulto'. A associação ambientalista Quercus considerou hoje que o início da construção da barragem de Foz Tua «simboliza» a «morte» da linha do Tua e de «todas as potencialidades do vale do rio Tua». No jornal Sol, 18/02/2011.  Mais um caso, em Portugal, em que se atenta contra o património natural e cultural e contra as comunidades locais, a favor de uma empresa detentora de um monopólio e de lucros imorais.

Poderia continuar indefinidamente... mas tal não cabe numa mensagem de blogue. 

Uma conclusão óbvia se pode tirar desta amostra do rol de tragédias relacionadas com o ambiente, que afectam comunidades directamente e afectarão indirectamente muitos mais no futuro, se não toda a humanidade, nalguns dos casos: Não se olha a causas, a consequências ou a meios, quando o fim é o chamado "crescimento económico", nem que na realidade apenas seja o enriquecimento de alguns. O capitalismo no seu pior!

sábado, 5 de junho de 2010

Dia Mundial do Ambiente - sem razões para comemorar

Hoje é o Dia Mundial do Ambiente. Por esse mundo fora, é data de comemoração, de iniciativas e de lembrar a nossa casa comum.

Mas este ano, não consigo encontrar motivo para comemorar. Sei que as há, só que hoje tenho um filtro no pensamento que me mostra apenas as razões para não comemorar.

Não, hoje não consigo comemorar o Dia Mundial do Ambiente.


Não depois do fracasso da Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas.

Não depois do esmorecer desanimado das populações após uma onda de activismo mundial contra as alterações climáticas.

Não depois de uma acção única, empenhada e exemplar como o Movimento Limpar Portugal, quando o lixo volta a aparecer nas florestas a uma velocidade espantosa.

Não durante um ano que, apesar de dedicado à biodiversidade, um presidente da Comissão Europeia nos trai e abre as portas da Europa de par em par à entrada de alimentos geneticamente modificados.

Não num ano dedicado à pobreza em que as ajudas financeiras são dadas a bancos geridas por gente podre de rica e quando o fosso entre ricos e pobres cada vez se alarga mais.

Não depois de mais de um ano com grande parte do meu tempo livre dedicado a este blogue, quando constato que a maioria das pessoas que me são mais próximas nunca cá vem fazer uma visita.

E sobretudo, não durante a ocorrência de uma das maiores catástrofes ambientais de sempre: o derramamento de dezenas a centenas de milhões de litros de petróleo no Golfo do México.

Sei que é tarde demais para ser pessimista, mas hoje, perdoem-me o mau humor. Ou arranjem-me cem razões para comemorar. Entretanto, prometo que isto me passa (acreditem, que eu não sou da política).

Conselhos da Quercus no Dia Mundial do Ambiente

A Quercus–ANCN, que comemora este ano 25 anos de existência, aproveitando o facto de o dia 5 de Junho ser o Dia Mundial do Ambiente, apresentou 25 conselhos ambientais para os cidadãos preocupados com a sustentabilidade.
Transcrevo aqui para o blogue os oito conselhos gerais, veja os restantes (temáticos) na respectiva página (aqui).


1. Considerando a rapidez com que o conhecimento evolui no presente, um elemento fundamental para se ser um cidadão sustentável é a informação. Manter-se informado sobre a legislação mais actual e sobre os desenvolvimentos científicos e técnicos mais recentes é fulcral para que possa direccionar as suas escolhas para as soluções e situações mais sustentáveis.

2. Ao contrário do que muitos advogam, a culpa pelo estado em que o Planeta se encontra não é só “dos outros”, é também nossa e por duas vias: porque nos demitimos de fazer melhor e de pressionar quem de direito no mesmo sentido. Apoie organizações cívicas, associe-se, participe e faça ouvir a sua voz. Não está sozinho e em conjunto com todos os outros que pensam da mesma forma é possível dar passos muito significativos. O importante é trabalhar em conjunto.

3. Procure retirar os melhores ensinamentos da crise. Analise bem as suas opções e procure perceber o que é fundamental para que se sinta bem e tenha qualidade de vida. Elimine o que é supérfluo e vai ver que não só estará a ser mais ecológico, mas também a ter maior bem-estar económico e a garantir o equilíbrio emocional.

4. Aprenda a analisar as suas opções quotidianas, pois têm um impacto enorme na sua pegada ecológica, na do país e do mundo. Não é a mesma coisa ir de carro ou de transportes colectivos, comprar a fruta mais barata que encontra ou procurar fruta nacional e/ou de agricultura biológica. Se percebermos que com as nossas opções podemos dar um contributo directo e quotidiano para a sustentabilidade, rapidamente sentiremos que esta é a única forma aceitável de agir.

5. Sempre que um conselho dirigido a proteger o planeta lhe parecer exigente, lembre-se que somos nós – espécie humana – que precisamos do planeta e não o contrário. O Planeta vive bem sem nós, já o contrário não é verdade. Ser sustentável não é, no essencial, uma questão de altruísmo e sim de sobrevivência pura e dura. Seja mais sustentável por si e pelas gerações futuras.

6. Se acha que os produtos ou serviços mais sustentáveis (agricultura biológica; rótulos ecológicos; comércio justo, etc.) são caros, desengane-se. Ao comprar estes produtos ou serviços está a apoiar a produção com preocupações ambientais e sociais. No que toca aos produtos ou serviços convencionais, podemos pagar pouco no momento da aquisição, mas todos acabamos por pagar muito mais pela poluição e destruição ambiental, bem como pelo desrespeito dos direitos sociais.

7. Se tem restrições orçamentais, procure ir substituindo alguns produtos ou serviços convencionais por soluções sustentáveis. Por exemplo, no caso da agricultura biológica comece pelas frutas ou pelos legumes e, progressivamente e na medida das suas possibilidades, avance para outras áreas. Optar pela sustentabilidade é um passo importante para identificarmos o que é de facto fundamental e supérfluo nas nossas vidas, permitindo-nos aplicar melhor o nosso rendimento.

8. Um dos problemas recorrentes em Portugal é a deficiente implementação da legislação em vigor. Torne-se um eco-cidadão e esteja atento a situações incorrectas do ponto de vista ambiental. Sempre que detectar uma infracção contacte a linha SOS Ambiente e Território – 808 200 520 ou aceda ao portal do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR .

quinta-feira, 4 de junho de 2009