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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Eis-nos aqui



«Eis-nos aqui

Aqui estamos, aqui chegamos. 

Há cinquenta anos que essa turbulência ameaça os altos-fornos da incúria da humanidade, ai estamos. Sobre o muro, à beira do abismo, como só o homem pode fazer de maneira brilhante, que só percebe a realidade quando ela o magoa. 

Como a nossa boa e velha cigarra, a quem emprestamos as nossas qualidades despreocupadas.  Nós cantamos, dançamos. Quando digo "nós", quero dizer um quarto da humanidade, enquanto o resto estava lutando.

Construímos uma vida melhor, deitamos os nossos pesticidas na água, nossos fumos no ar, conduzimos três carros, esvaziamos as minas, comemos morangos vindos do fim do mundo, viajamos em todos os sentidos, iluminamos as noites, usamos sapatos de ténis que brilham quando andamos, engordamos, molhamos o deserto, acidificamos a chuva, criamos clones, francamente, podemos dizer que nos divertimos muito.

Conseguimos truques absolutamente surpreendentes, muito difíceis, como derreter icebergs, criar criaturas geneticamente modificadas, deslocar a corrente do Golfo, destruir um terço das espécies vivas, explodir o átomo, afundar resíduos radioativos no solo, nem vistos nem conhecidos.  Francamente, nós gozamos muito. Francamente, aproveitamos.  E gostaríamos de continuar, pois escusado será dizer que é mais engraçado andar de um avião com ténis luminosos do que apanhar batatas. Claro que sim.

Mas eis-nos aqui.

Na Terceira Revolução. Que é muito diferente das duas primeiras (a Revolução neolítica e a Revolução industrial, para relembrar) porque não foi escolhida. 

"Temos de fazer isso, a Terceira Revolução?" perguntarão algumas mentes relutantes e tristes.

Sim.  Não temos escolha, já começou, não nos pediu nossa opinião. Foi a Mãe Natureza que a decidiu fazer, depois de nos deixar brincar com ela durante décadas. A Mãe Natureza, exausta, suja, sem sangue, fecha as nossas torneiras. Do petróleo, do gás,  do urânio, do ar, da água.

Seu ultimato é claro e impiedoso: Salvem-me ou morram comigo (com exceção das formigas e aranhas que nos sobreviverão, porque são muito resistentes e, além disso, pouco dançarinas).

Salvem-me ou morram comigo.  Obviamente, dito assim, entendemos que não temos escolha, corremos imediatamente e, mesmo que tenhamos tempo, pedimos desculpas, em pânico e com vergonha.  Alguns, um pouco sonhadores, estão a tentar um alargamento do prazo, para se divertirem com o crescimento mais um bocado. 

Perda de tempo. Há trabalho a fazer, mais do que a humanidade já alguma vez teve.  Limpar o céu, lavar a água, desobstruir a terra, abandonar o carro, parar a energia nuclear, recolher os ursos polares, apagar quando sair, manter a paz, conter a ganância, encontrar morangos perto de sua casa, não, não saia à noite para os colher todos, deixe para o vizinho, relançar barcos à vela, deixar o carvão onde está, - tenha cuidado, não se deixe tentar, deixe esse carvão em paz - recupere o esterco, mije nos campos (para obter fósforo, não temos mais, tiramos tudo nas minas, como nos divertimos).

Esforce-se. Reflita, até. E, sem querer ofender com um termo obsoleto, seja solidário.

Com o vizinho, com a Europa, com o mundo.

Programa colossal este o da Terceira Revolução. Sem escapatória, vamos lá. Ainda, deve-se notar que a recolha de esterco, e todos os que o fizeram sabem, é uma atividade fundamentalmente satisfatória.
Que não impede de dançar à noite, não é incompatível.  Desde que a paz exista, desde que se contenha o regresso da barbárie - outra das grandes especialidades do homem, talvez a mais bem-sucedida.

A esse preço, teremos sucesso na Terceira Revolução. A esse preço, dançaremos, de maneira diferente, sem dúvida, mas dançaremos novamente.»

Fred Vargas (Frédérique Audoin-Rouzeau), Arqueóloga e Escritora, 2008

Fonte:  https://framablog.org/2009/09/10/fred-vargas-nous-y-sommes/ (tradução livre)

terça-feira, 3 de setembro de 2019

"Tudo precisa de mudar, e tem de ser hoje!"

«A única coisa que precisamos mais do que esperança é a ação. Quando começarmos a agir, a esperança estará em toda a parte. Em vez e procurar a esperança, procura a ação. Então, e só então, a esperança virá.
Hoje, usamos 100 milhões de barris de petróleo por dia.
Não há políticas para mudar isso.
Não há regras para manter esse petróleo no solo.
Portanto, não podemos mudar o mundo a jogar pelas regras, porque as regras precisam de ser mudadas.
Tudo precisa de mudar, e tem de ser hoje!»

Greta Thunberg, 15 anos, nov 2018 (do vídeo abaixo)



(Publicado inicialmente  3/3/2019, aqui)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Resoluções de ano novo

"Você vai mudar? Talvez!
Mas isso não vai acontecer de uma hora para outra.
Vai acontecer em milhares de pequenos momentos.
Em cada momento que você decidir perdoar, abrandar, agradecer ou manter a calma,
em cada momento em que escolher o que é certo em vez do que é fácil,
acreditar em vez de duvidar,
amar em vez de odiar,
É aí que a mudança acontece."

Texto extraído do vídeo "O problema das resoluções de ano novo", com aquela menina de 4 anos, Olor, simplesmente adorável!  Veja abaixo, com legendas em português.

A todos os que visitam este blogue, um novo ano de 2018 com paz, saúde e alegria.
Mude, que o mundo muda também!
Feliz ano novo!

domingo, 1 de janeiro de 2017

Precisamos mudar a consciência

Depois deste apelo de Satish Kumar à mudança das histórias que andamos a ouvir e a contar, convido à mudança da nossa consciência, para que ela se foque naquilo que de positivo há na nossa espécie e no mundo, em vez de gastarmos as energias em sentimentos negativos e naquilo que não queremos para nós nem para os outros.

E para isso, convoco novamente os testemunhos de duas mulheres que tiveram experiências de quase-morte, o que mudou completamente a sua consciência e a sua vida: Anita Moorjani e Jill Bolte Taylor. Porque elas encontraram algo que nós procuramos incessantemente, e apontam-nos o caminho! Vejam ou revejam os vídeos (clicar no link/título):


«Pensem em todas as campanhas e todos biliões de dólares gastos na consciencialização sobre o cancro; imaginem que todo esse esforço, energia e dinheiro era usado em consciencialização sobre bem-estar. Teríamos um mundo muito diferente!
Imaginem que colocávamos todos os nossos esforços na paz em vez de batalhas e guerras.

Teríamos um mundo muito diferente se mudássemos a nossa consciência!»



«Somos seres energéticos ligados uns aos outros através da consciência do nosso hemisfério direito, como uma família humana.

E aqui, e agora, somos irmãos e irmãs neste planeta para fazer deste mundo um lugar melhor.

E neste momento, somos perfeitos, somos um todo e somos belos»


Para 2017, o meu pedido é que cada vez mais pessoas tomem consciência de que somos parte de um todo, que o bem do todo é o nosso bem, e que só mudando a nossa consciência para melhor poderá o mundo mudar para melhor. E para acabar, um pedido e um conselho de Dalai Lama:

«Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade, verdadeira igualdade e verdadeira paz. 

Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final.  O homem vai continuar enganando e subjugando outros homens. Basicamente, todo mundo existe na própria natureza do sofrimento, por isso insultar ou maltratar os outros é algo sem propósito. 

O fundamento de toda prática espiritual é o amor. 
Que você o pratique bem é meu único pedido.»
Dalai Lama

domingo, 5 de julho de 2015

"A escolha do nosso futuro" por Duane Elgin

Uma mensagem inspiradora de Duane Elgin sobre a  nossa vontade e capacidade de escolher o futuro.  Com mais de 30 anos, o texto extraído do livro "Simplicidade Voluntária", editado pela primeira vez em 1981, é agora ainda mais atual:

«A escolha do nosso futuro

Três grandes alternativas estão diante de nós - o colapso, a estagnação e a transformação.

Imagem obtida aqui
Atualmente, elas se sobrepõem umas às outras, mas irão separar-se, cada vez mais, à medida que caminharmos para o futuro. A dimensão das mudanças que estão ocorrendo são extraordinárias. Como 'icebergs' gigantes, que se desprendem de seus antigos blocos de gelo originais e começam a flutuar livremente pela primeira vez em centenas ou mesmo milhares de anos, civilizações inteiras estão se desagregando, movendo-se e mudando. Iniciamos um processo de transição que se desloca de uma escala individual para uma escala global.

Não estamos sozinhos nesta época de mudanças. Todas as pessoas que encontramos estão de alguma forma envolvidas em suas batalhas pessoais, procurando reagir a este tempo de desafios. Quaisquer que sejam as diferenças entre nós, somos todos participantes deste ritual histórico de passagem.

Como indivíduos, não estamos indefesos diante dessa mudança monumental. Oportunidades de uma ação significativa e considerável estão por toda parte: os alimentos que comemos, o trabalho que realizamos, os meios de transporte que utilizamos, o modo pelo qual nos relacionamos com outras pessoas, as roupas que usamos, os conhecimentos que adquirimos, as causas humanitárias que apoiamos, o nível de atenção que dedicamos, em cada momento, à nossa passagem pela vida, e assim por diante. A lista é interminável, uma vez que a matéria-prima da transformação social é idêntica àquela com a qual a nossa vida diária é construída.

Cada um de nós é responsável pela maneira como conduz sua própria vida - e cada um de nós é um ser único. Portanto, somos os únicos responsáveis pelas nossas ações e escolhas neste período crucial da evolução humana. Ninguém pode tomar o nosso lugar. Cada um de nós contribui de forma singular para a teia da vida. "Ninguém pode fazê-lo por nós. Nossa participação é diferente de todas as outras e aquilo que retemos ou nos negamos a dar é insubstituível.

Acima de tudo, os resultados desta época de transição planetária irão depender das opções que fizermos com indivíduos. Não existem precondições para a escolha de um caminho revitalizador de desenvolvimento da civilização. Nada está faltando. Nada mais é necessário, além daquilo que já temos. Não precisamos de tecnologias diferentes que ainda que ainda estão por ser descobertas. Não necessitamos de lideranças heróicas, maiores do que o próprio homem. Nossa 'única' necessidade é optar, como indivíduos, por um futuro revitalizante e, depois, agir em comunhão com os outros para fazê-lo frutificar.

Por meio de nossas escolhas conscientes, podemos passar da alienação para a ação conjunta, do desespero para a criatividade, da passividade para a participação, da estagnação para o aprendizado, do cinismo para o interesse pelas outras pessoas. Tendemos a pensar que somos fracos, indefesos, impotentes. Contudo, na realidade, somente nós - como indivíduos, trabalhando em cooperação uns com os outros - temos o poder de transformar a situação atual. Longe de estarmos indefesos, somos a única fonte da qual podem emergir a necessária criatividade, compaixão e determinação. A época do desafio já chegou até nós. O outono da era industrial do desenvolvimento já se transformou em inverno. É tempo de começarmos o próximo estágio de nossa jornada."»

do livro "Simplicidade Voluntária" de Duane Elgin, obtido aqui (ou aqui)

domingo, 1 de março de 2015

A mentira que vivemos

«A vida não é um filme. O roteiro não está escrito. Nós somos os escritores. Esta é a tua história, a história deles, a nossa história.» Spencer Cathcart, do filme:



"Eu não posso ensinar nada a ninguém, eu só posso fazê-lo pensar." Sócrates

Imagem  obtida em Filosofia Hoje
"Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí sim, eles verão que dinheiro não se come." Indígena Sioux

"A primeira ideia que uma criança precisa ter é a da diferença entre o bem e o mal. E a principal função do educador é cuidar para que ela não confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade."   Maria Montessori

"Tudo que o homem não conhece não existe para ele. Por isso o mundo tem, para cada um, o tamanho que abrange o seu conhecimento." Carlos Bernardo González Pecotche

"Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição."  Simón Bolivar

"Algo só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário." Albert Einstein

(Nota: o vídeo tem legendas em várias línguas, inclusive em português)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

"Entre em Ação! Inspire a Mudança" - Dia de Nelson Mandela

«No dia 18 de julho - o dia em que Nelson Mandela nasceu - a ONU junta-se ao apelo da Fundação Nelson Mandela para dedicar 67 minutos de tempo para ajudar os outros, como uma forma de marcar o Dia Internacional de Nelson Mandela.»  Fonte: ONU

Nelson Mandela completa  95 anos neste 18 de julho de 2013, ainda internado num hospital em Pretória, depois de um período muito difícil com a saúde extremamente debilitada,  mas felizmente parece estar a recuperar (ver notícia aqui).

Há dois anos, publiquei a mensagem com as 67 sugestões para mudar o mundo da Fundação Nelson Mandela junto com o apelo lançado para que todos os cidadãos disponibilizem 67 minutos do seu tempo a ajudar os outros. Cada um dos 67 minutos e cada uma das 67 sugestões correspondem a um ano da luta do líder sul-africano pela liberdade.

Hoje, com os sinceros votos de boa recuperação e os parabéns a este Homem excepcional, fica o filme sobre os vários nomes de Mandela e republico essa tradução das 67 sugestões (original em http://www.mandeladay.com/static/join).




Apesar de parte das 67 maneiras de ajudar à mudança sugeridas no âmbito do Mandela Day não se adaptarem ao nosso país ou à nossa comunidade, com certeza que muitas haverá em que podemos usar 67 minutos do nosso tempo. E que seja uma apenas. Destas 67 ou de muitas outras. Por isso, para usar, ou para despertar a criatividade, aqui fica a tradução do apelo:


Pensar nos outros
1. Faça um novo amigo. Conheça alguém de um meio cultural diferente. Somente através da compreensão mútua podemos livrar as nossas comunidades da intolerância e xenofobia.
2. Leia a alguém que não pode. Visite uma casa local para cegos e abra um novo mundo para alguém.
3. Arranje os buracos na sua rua ou bairro.
4. Ajude no abrigo animal local. Cães sem casas também precisam de um passeio e de um pouco de amor.
5. Descubra na sua biblioteca local têm uma hora para uma história e ofereça-ser para ler durante a mesma.
6. Ofereça-se para levar um vizinho idoso que não pode conduzir para fazer suas compras ou tarefas.
7. Organize um dia de limpeza do lixo na sua área.
8. Arranje um grupo de pessoas para tricotar um quadrado de malha e fazer um cobertor para alguém que precise.
9. Voluntarie-se na sua estação de polícia ou organizações locais de ajuda.
10. Doe suas habilidades!
11. Se você é um construtor, ajude alguém a construir ou melhorar a casa.
12. Ajude alguém a iniciar o seu negócio.
13. Construa um site para alguém que precisa, ou para uma causa você acha que precisa do apoio.
14. Ajude alguém a conseguir um emprego. Redija e imprimir um curriculum vitae, ou ajude a preparar as entrevistas.
15. Se você é um advogado, faça algum trabalho pro bono por uma causa que vale a pena ou pessoa que precisa.
16. Escreva para o vereador da área acerca de um problema que requer atenção, e que você não tem possibilidade de resolver.
17. Patrocine um grupo de alunos para ir ao teatro ou ao jardim zoológico.

Ajudar a uma boa saúde
18. Entre em contacto com organizações locais de HIV e descubra como pode ajudar.
19. Ajude no hospital local, pois além dos pacientes, os funcionários muitas vezes precisam de apoio.
20. Muitos doentes terminais não têm ninguém com quem falar. Demore um pouco a ter uma conversa e a trazer alguma luz nas suas vidas.
21. Converse com seus amigos e família sobre o HIV.
22. Faça o teste de HIV e encoraje o seu parceiro a fazê-lo também.
23. Leve um saco cheio de brinquedos para a ala de crianças de um hospital local.
24. Leve os membros mais jovens da sua família para um passeio no parque.
25. Doe algum material médico a uma clínica da comunidade local.
26. Leve alguém que você conhece e não pode pagar, para fazer um exame ou consulta aos olhos ou aos dentes.
27. Cozinhe algo para um grupo de apoio de sua escolha.
28. Inicie uma horta comunitária para promover a alimentação saudável na sua comunidade.
29. Doe uma cadeira de rodas ou um cão guia, a alguém em necessidade.
30. Faça um cabaz de alimentos e dê a alguém em necessidade.

Tornar-se um educador
31. Ofereça-se para ajudar na sua escola local.
32. Oriente um aluno ou um jovem que abandonou a escola no seu campo de especialização.
33. Seja treinador numa das actividades extra que a escola oferece. Também pode se voluntariar para treinador de uma actividade que a escola não oferece.
34. Ofereça-se para dar aulas de reforço numa matéria escolar em que você é bom.
35. Doe seu computador velho.
36. Ajudar a manter os campos de desporto.
37. Arranje uma sala de aula, substituindo janelas partidas, portas e lâmpadas.
38. Doe um saco de material de arte.
39. Ensine uma turma de alfabetização de adultos.
40. Pinte salas de aula e edifícios escolares.
41. Doe seus manuais escolares, livros ou outros bens, a uma biblioteca escolar.

Ajudar os que vivem na pobreza
42. Compre alguns cobertores, ou pegue os que você tem em casa e não precisa mais, e dê-os a alguém em necessidade.
43. Limpe os seus armários e doe as roupas que já não usa a alguém que precisa delas.
44. Monte cabazes de alimentos para uma família carente.
45. Organize uma venda de bolos, lavagens de carros ou vendas de garagem de caridade e doe os lucros.
46. Para os mais pobres dos pobres, sapatos podem ser um luxo. Não os acumule se você não os usa. Dê-os!
47. Voluntarie-se para ajudar na “sopa dos pobres” local.

Cuidados para a juventude
48. Ajude num orfanato ou abrigo de crianças local.
49. Ajude crianças com os seus estudos.
50. Organize um jogo amigável de futebol, ou patrocine as crianças para assistir a um jogo no estádio local.
51. Treine uma equipe de desporto e faça novos amigos.
52. Dê equipamentos desportivos a abrigos de crianças.
53. Doe brinquedos educativos e livros a um orfanato.
54. Pinte, repare ou infra-estruture um orfanato ou um centro de juventude.
55. Oriente alguém. Arranje tempo para ouvir o que as crianças têm a dizer e dê-lhes bons conselhos.

Acarinhar os idosos
56. Se você tocar um instrumento, visite um lar de idosos local e toque durante uma hora os moradores e funcionários.
57. Ouça a história de alguém mais velho do que você. As pessoas esquecem que os idosos têm sabedoria e uma experiência enriquecedora, e, muitas vezes, uma história interessante para contar.
58. Leve uma pessoa idosa às compras no mercado, pois eles vão apreciar sua companhia e assistência.
59. Leve o cão de alguém a passear, se essa pessoa for demasiado frágil para fazê-lo.
60. Corte a relva de alguém e ajude-o a consertar as coisas no quintal.

Cuidar do seu ambiente
61. Se não houver ecopontos para reciclagem na sua zona, peça ao vereador da área para fornecer um.
62. Doe árvores nativas para embelezar bairros nas zonas mais pobres.
63. Recolha jornais velhos de uma escola, centro comunitário ou hospital e leve-os a um centro de reciclagem.
64. Identifique tampas de saneamento abertas na sua área e relate às autoridades locais.
65. Organize a empresa, escola ou organização em que você trabalha para que desliguem todas as luzes desnecessárias e fontes de alimentação à noite e nos fins de semana.
66. Ajude a convencer pessoas que deitam lixo fora de qualquer maneira, do valor do ambiente limpo.
67. Organize com algum amigos uma limpeza do seu parque local, rio, praia, rua, praça ou recintos desportivos. As nossas crianças merecem crescer em um ambiente limpo e saudável.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ervin Laszlo - Os limites pessoais da humanidade

Ervin Laszlo (Ervin László) é provavelmente o maior responsável pela existência deste blogue. Ele e um professor iraniano que lecionava na Universidade do Minho em 1993/94, no âmbito do Mestrado em Tecnologia do Ambiente, e de quem, infelizmente, não consigo lembrar o nome.  Foi este último que indicou o livro "THE INNER LIMITS OF MANKIND", de Ervin Laszlo.

Esta leitura fez-me despertar, fez-me sentir profundamente que algo de muito errado estava a acontecer no mundo, e que era urgente mudar o meu rumo e fazer parte dessa mudança. Hoje, ao fazer umas arrumações, descobri, finalmente, as fotocópias do livro então fornecidas. 

Partilho então a tradução que fiz (dentro das minhas limitações) de um extrato do capítulo 2, "Personal Limits, The Unrecognized Obsolescence of Modernism", desse livro.

«LIMITES PESSOAIS - A  Ignorada Obsolescência do Modernismo"


Antes de partimos para reformar o mundo, faríamos bem fazer uma pausa para ver se não temos de nos reformar a nós próprios. Os limites interiores que correntemente constrangem o crescimento e desenvolvimento da humanidade incluem os limites associados com a maneira como cada um de nós pensa e se comporta, tanto na esfera privada como no contexto público. Os nossos valores, crenças e ações somam-se às grandes tendências económicas, culturais e políticas  que determinam os caminhos que a humanidade escolhe para o futuro.

O 'ETHOS' MODERNO


Assim, vou começar com uma nota muito pessoal. Começo fazendo algumas perguntas que fiz a mim próprio, e que parecem ingénuas ou de senso comum, mas que são de importância fundamental e merecem respostas honestas. Deixem-me perguntar, então, a cada um e a todos os leitores, se sim ou não, acredita sinceramente:

  • - Que neste mundo é cada um por si próprio, com os mais fortes e engenhosos a ganhar  privilégios legítimos.
  • - Que uma 'mão invisível' harmoniza os interesses individuais e sociais, de modo que quando alguém faz bem a si próprio também beneficia a sociedade.
  • - Que a melhor maneira de ajudar os pobres e os necessitados é que os ricos fiquem mais ricos pois a riqueza inevitavelmente gotejar para beneficiar os oprimidos e elevá-los a um estatuto decente (não disse Kennedy "uma maré alta levanta todos os barcos"?).
  • - Que a ciência pode resolver todos os problemas e revelar tudo o que pode ser conhecido sobre o homem e o mundo.
  • - Que a ciência descobre 'factos' e só eles é que contam; valores, preferências e aspirações são meramente subjetivos e inconsequentes.
  • - Que a maneira de revelar os factos é a especialização, e aprender o máximo sobre o mínimo de temas possível, deixando que outros especialistas se preocupem com tudo o resto.
  • - Que se alguma coisa pode ser projetada e produzida para o lucro, também deve ser comercializada, pois é destinada a melhorar situação ou a tornar mais felizes pelo menos algumas pessoas.
  • - Que a verdadeira eficiência é a máxima produtividade para cada máquina, para cada empresa, e para cada ser humano.
  • - Que podemos saber tudo o que precisamos sobre as pessoas calculando os custos e benefícios da sua atividade e recursos, salvo algumas excepções  a personalidades ou a antecedentes étnicos.
  • - Que todos devem lealdade em primeiro lugar ao seu país, e que todos os países (exceto algumas colónias remanescentes) são incondicionalmente soberanos e estados-nação independentes.
  • - Que a riqueza e poder do seu próprio país deve ser assegurada independentemente do que isso significa para outros povos, pois neste mundo não é só cada homem por si próprio, mas também cada país por si próprio.~
  • - Que o poder da riqueza e o poder político decidem o que é para ser, e as ideias servem principalmente para encher livros e tornas as conversa mais impressivas.
  • - Que as nossas responsabilidades acabam quando asseguramos o nosso bem-estar - o que felizmente assegura também o bem-estar do nosso país - e deixar as próximas gerações cuidarem de si mesmas, como a nossa teve de fazer.
  • - Que existem riquezas quase inesgotáveis na Terra, só temos de usar as nossas tecnolgias para as extrair e colocá-las no mercado.
  • - Que só existe um sistema económico e político que é imensamente superior a todos os outros, e por isso devia ser adotado por todos os povos do mundo no seu interesse.
  • - Que a felicidade humana consiste em ter os últimos, mais confortáveis e poderosos produtos, e arredores sumptuosos.
  • - Que ter muitos filhos demonstra a virilidade e capacidade de um homem suportar uma família grande.
  • - Que a natureza e o ambiente podem muito bem tomar conta deles próprios, apesar dos estridentes gritos de alarme dos "verdes" e alguns intelectuais.
  • - Que os reais sinais de progresso são cidades maiores com edifícios mais altos, mais e maiores fábricas, quintas maiores e mais mecanizadas, mais e maiores autoestradas, e uma maior seleção de produtos em centros comerciais maiores e mais luxuosos.

Se o leitor acredita nisto tudo, ou na maior parte, é verdadeiramente uma pessoa moderna, o ideal e talvez objeto de inveja da maior parte das pessoas do mundo. E tornou-se uma séria ameaça ao futuro da humanidade.»

Ervin László, "The inner limits of mankind: heretical reflections on today's values, culture and politics", 1989

"Não podemos resolver os nossos problemas com o mesmo tipo de pensamento que lhes deu origem"

Ervin Laszlo nasceu em Budapeste, Hungria, em 1932. Filósofo da ciência, teórico de sistemas, pensador integral e pianista clássico húngaro, publicou cerca de 75 livros e 400 artigos e gravou vários concertos para piano  Em 1993  fundou o Clube de Budapeste, uma associação internacional informal dedicada ao desenvolvimento de uma nova forma de pensar e de uma nova ética para i ajudar a resolver os desafios sociais, políticos, económicos e ecológicos do século 21. Em 2004 e em 2005, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz (fontes: http://www.clubofbudapest.org/Wikipedia).

Abaixo, uma entrevista a Ervin Laszlo (2010), e a ligação para outra (2009) e uma outra (2012), que nos mostram que Laszlo, já com mais de 90 anos, ainda tem esperança que sejamos capazes de derrubar os nossos limites e construir um mundo melhor.



domingo, 30 de dezembro de 2012

De 2012 para 2013: tem que melhorar!

Arco-íris, 29/12/2012 15:15, Vila Nova de Famalicão
O tempo passa, depressa ou devagar, a passagem do tempo é tão certa e relativa quanto a beleza! Os anos também passam e 2012 está a chegar ao fim. Julgo que este foi um ano de convulsões, de febre, e espero que tenham sido criados os anticorpos que em 2013 vão iniciar a cura. De dentro para fora de cada um de nós. De baixo para cima da sociedade.

E para ajudar a começar bem 2013, deixo convosco dois presentes que recebi, a mensagem da amiga Atimati para o novo ano, e um vídeo com imagens belíssimas do nosso planeta:

"Por muito mau que nos possa parece o caminho à nossa frente, basta acreditarmos que existe uma luz no fim dele para conseguirmos sobreviver. Este post é para todas as pessoas que estão mal e que não vêm saída (tenho recebido muitos pedidos de ajuda). Que o ano de 2013 seja o ano em que todos aprendemos o truque para sair das crises pessoais. Mas ainda falta muito tempo para 2013...que tal começar hoje mesmo? O truque é: parar de alimentar os pensamentos negativos e viciados que nos levaram onde estamos. Ou alimentamos o nosso ser com energias baixas e escuras ou alimentamos com energias altas e luminosas. O que vai ser a tua escolha para hoje?

O segredo está em não prestar atenção aos pensamentos que alimentam a história que deu origem à crise

Obrigada a todos os visitantes deste blogue, que a luz (ou a força, se preferirem) esteja convosco em 2013! Feliz ano novo!



sexta-feira, 20 de julho de 2012

A História da Mudança - "The Story of Change"

Há mais de 3 anos (mais propriamente, há 40 meses), criei este blogue com o intuito de divulgar a necessidade de cada um de nós mudar os comportamentos no sentido de uma vida mais sustentável e de um maior respeito pelo ambiente. Isto com base, sobretudo, na compreensão de que o consumismo exagerado que nos é (quase) imposto pela comunicação social e pela civilização atual, nos leva, inevitavelmente, a uma situação caótica e impossível de continuar! Impossível porque consumimos mais recursos do que aqueles que o planeta pode regenerar. E quantas vezes, se pensarmos bem, desnecessariamente.

Continuo convencida que as nossas atitudes e mudanças graduais no dia a dia, o nosso exemplo e a nossa criação de uma realidade diferente e mais justa (como é o caso da permacultura e da transição), são absolutamente necessários e fundamentais para a mudança.

Mas não são suficientes, pois na realidade não somos os principais culpados. Não num mundo tão injusto em que o lucro vem à frente de tudo, com o impulso de poderosas empresas multinacionais (corporações) e com a conivência da maioria dos governos. O capitalismo predatório em que se transformou a economia "de mercado", assente num mercado cada vez mais desregulado, em monopólios e oligopólios, é uma gravíssima doença da civilização que precisa ser combatida! Em nome da proteção de uma sociedade sã, dos mais desfavorecidos, do ambiente, do planeta, e sobretudo, das próximas gerações.

Se como consumidores temos o poder da escolha (nem sempre), isto é, podemos escolher comprar produtos mais amigos do ambiente ou mais éticos, ou rejeitar produtos de empresas nocivas, a verdade é que, por um lado, precisamos de muita informação, e a maioria não consegue aceder a ela; por outro lado, nós somos muito mais do que meros "consumidores"!

Nós somos cidadãos com direitos e deveres, e é nosso dever denunciar e não aceitar esse jogo que nos retira direitos, e que nos querem impor como se outra via não houvesse.  Mas essa atitude exige que nos unamos e que sejamos interventivos e participativos, de diversas formas. 

No fundo, acho que é essa também a mensagem de Annie Leonard no seu novo vídeo "História da Mudança" (The Story of Change), que vale a pena ver, aliás, como todos os outros