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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Algas comestíveis

Dos vídeos "Natureza Comestível" apresentados por Alexandra Azevedo, hoje ficam aqui dois sobre Algas marinhas, o segundo mais específico sobre a alga Nori. Falamos apenas de macroalgas marinhas, e não de microalgas, outro tema interessante a explorar na alimentação.

Note-se também que "A maior parte das algas comestíveis são marinhas e a maior parte das algas de água doce são tóxicas. Apesar disso, as algas marinhas podem conter ácidos que irritam o canal digestivo e/ou ter um efeito laxante" (Fonte: Wikipedia)

E pelo meio, um texto de enquadramento extraído do artigo "As Algas Marinhas e Respectivas Utilidades" do Doutor Leonel Pereira, especialista em Ficologia Marinha. Se se interessa pelo tema, veja aqui o texto completo.



«Algas marinhas na alimentação

Actualmente, a nossa sociedade vive uma enganadora abundância alimentar. Rodeia-nos a comida rápida, rica em calorias e gorduras insaturadas, e até  já nos habituámos à expressão da “comida de plástico” para a designar. As consequências de uma alimentação deste tipo são a carência de nutrientes essenciais, a obesidade e doenças relacionadas com ingestão excessiva de açúcares (diabetes) e de gorduras (arteriosclerose),  entre outras. 
Que papel têm as algas marinhas neste panorama? 
Representam exactamente o oposto: um alimento natural, silvestre e que nos fornece elevado valor nutritivo mas baixo em calorias. Pobres em gorduras, as algas marinhas possuem polissacarídeos que se comportam, na sua grande maioria, como fibras sem valor calórico. As algas são, por isso, 
a melhor forma de corrigir as carências nutricionais da alimentação actual, devido ao seu variado leque de constituintes: minerais (ferro e cálcio), proteínas (com todos os aminoácidos essenciais), vitaminas e fibras (Saá, 2002).Da composição analítica das algas marinhas destaca-se:
Imagem extraída do texto mencionado (clique para ampliar)
  • Presença de minerais com valores cerca de dez vezes superiores ao encontrado nos vegetais terrestres, como no caso do ferro na Himanthalia elongata (“esparguete do mar”) em comparação com o da Lens esculenta (“lentilhas”) ou, no caso do cálcio presente na Undaria pinnatifida (“wakame”) e no Chondrus crispus (“musgo irlandês” ou simplesmente “musgo”), relativamente ao leite de vaca.
  • Presença de proteínas que contêm todos os aminoácidos essenciais, constituindo um modelo de proteína de alto valor biológico, comparável em qualidade à do ovo.
  • Presença de vitaminas em quantidades significativas. Merece especial relevo a presença de B12, ausente nos vegetais superiores.
  • Presença de fibras em quantidades superiores ao encontrado na Lactuca sativa e semelhante à da Brassica oleracea (“alface”e “couve”, respectivamente).
  • O seu baixo conteúdo em gorduras e valor calórico, transforma-as em alimentos adequados para regimes de emagrecimento. »
Fonte:  "As Algas Marinhas e Respectivas Utilidades", Leonel Pereira, Departamento de Botânica
Universidade de Coimbra, 2008

O artigo cita e descreve algumas algas comestíveis comercializadas (pag. 6 e 7):

  • Wakame (Undaria pinnatifida)
  • Dulse (Palmaria palmata)
  • Esparguete do Mar (Himanthalia elongata)
  • Kombu (Saccharina japonica, Laminaria ochroleuca e Saccharina latissima)
  • Nori (Porphyra yezoensis, P. tenera, P. umbilicalis e Porphyra spp.)
  • Musgo da Irlanda (Chondrus crispus)
  • Fucus ou Bodelha (Fucus vesiculosus e Fucus spiralis)
  • Agar-Agar (Extracto de Gelidium corneum, Pterocladiella capillacea e de Gracilaria gracilis)




Aproveito para informar que já experimentei cozinhar uma  tarte de Wakame e ficou deliciosa! A que comprei foi da empresa Galega Algamar, da Galiza e de produção biológica, em cujo site tem informações sobre o modo de preparar.

Se conhecem empresas portuguesas que produzam e comercializem algas marinhas, por favor indiquem-nas nos comentários.

E já agora, espreitem umas receitas com algas no Cantinho Vegetariano  (ver no fundo da página)

domingo, 20 de setembro de 2015

Natureza Comestível

Já começaram a ser publicados os vídeos "Natureza Comestível", de Alexandra Azevedo, com os quais se pretende:

«Uma abordagem simples e didáctica, que facilite a identificação das plantas e seu uso, em complemento à informação dos livros “Ervas Silvestres Comestíveis - guia prático” e do próximo guia, a publicar ainda este ano, que será sobre os frutos silvestres comestíveis. Após uma breve apresentação de uma planta silvestre comestível, ou ainda uma alga marinha, será demonstrado como preparar e uma (ou eventualmente duas) proposta gastronómica.
Os vídeos são uma co-produção MPI e Quercus, e a equipa é a seguinte: Alexandra Azevedo - autora e apresentadora; Nuno Carvalho - director de câmara; Laura Varges - editora de imagem»



Este é o vídeo de Introdução,  sendo que também já está disponível o vídeo dedicado a:

(Se for possível, esta mensagem será atualizada com os links para os vídeos que entretanto saírem)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

"Alimentação saudável: a essência do alimento!" por Alexandra Azevedo

Artigo de Alexandra Azevedo publicado na "Joaninha" Outono/Inverno 12, boletim da AGROBIO - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica:

«Alimentação saudável: a essência do alimento!

Ao falar de alimentação saudável, salvo honrosas excepções, a abordagem foca-se no regime alimentar, com conselhos do tipo: coma mais disto, menos daquilo, …. Para contrariar essa tendência procurarei neste artigo fazer uma abordagem o mais ampla, simples e clara possível, indo à essência do alimento!

O tipo de alimentação dos seres humanos tem mudado ao longo da sua existência no planeta e a primeira grande mudança na alimentação da nossa espécie ocorreu há 10 mil anos, com o advento da agricultura. A grande mudança de então para cá, o advento da dieta moderna, ou ocidental, com início na Revolução Industrial (Século XVIII), intensificando-se nas últimas décadas, afectando não só o regime alimentar, mas também o modo de produção dos alimentos.


Imagem obtida aqui
As dietas tradicionais são substituídas por uma cadeia de “fast food” desde as próprias plantas, através da fertilização química de macronutrientes (azoto, fósforo e potássio), passando pela alimentação das espécies pecuárias à base de grãos, essencialmente de milho e soja (com a agravante de serem transgénicas, em especial no caso da soja), até ao topo da cadeia alimentar, o Homem, com uma dieta baseada em alimentos processados com predomínio dos produtos de origem animal, açúcares e cereais refinados. Vivemos assim uma época em que a diversidade de alimentos (espécies e variedades) é a mais baixa de sempre, mas pululam as embalagens apelativas e apresentações comerciais que nos dão a ilusão do oposto!

Como muito bem expõe Michael Pollan no seu inquietante e revelador livro “In Defense of Food” (editora Pinguin, 2008, tradução livre: Em Defesa do Alimento) a espécie humana come de quase tudo o que a Natureza oferece e a resposta à pergunta: “O que comer?” é um pouco mais complicada para nós do que por exemplo para as vacas! Estamos adaptados a inúmeras dietas e co-evoluimos com os recursos alimentares locais, mas seguramente não estamos adaptados à dieta ocidental, pois é um dos principais factores que está a fazer disparar as estatísticas das doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro, a diabetes ou as doenças cardiovasculares.

Para além dos conhecidos impactos na saúde pública da dieta ocidental há ainda a considerar os impactos ambientais, tais como: a poluição ambiental devido aos fertilizantes químicos, pesticidas e efluentes da produção pecuária; a perda de biodiversidade, pela crescente destruição de habitats para aumentar a área agrícola; consumo excessivo de água; aumento da produção de resíduos devido às embalagens.


Fotografia Greenpeace, obtida aqui
A nível mundial, o consumo de proteínas animais não para de aumentar, pelo que a produção animal é a principal responsável pelos impactos ambientais não só do sector agro-alimentar, mas também em relação a outros sectores, sendo por isso apontada como a principal causa das alterações climáticas (1)!

A produção animal actualmente ocupa 70% da superfície agrícola mundial total e absorve cerca de metade de toda a produção agrícola mundial (2)!

Michael Pollan resume muito bem os pressupostos de uma alimentação saudável: Coma comida. Não demasiada. Especialmente plantas.

Precisamos de comida digna desse nome, rejeitando os alimentos transgénicos, evitando tudo quanto seja mais refinado, branqueado, processado, extrudido, com aditivos artificiais, … Para termos bons alimentos temos de começar por cuidar do solo, assim o modo de produção dos nossos alimentos tem de ser sustentável.


Imagem obtida aqui
Precisamos de adoptar um regime vegetariano ou recuperar a nossa dieta tradicional que é a dieta mediterrânica (com influências atlânticas), considerada das mais saudáveis, em que os produtos de origem animal são um complemento ou mesmo um mero condimento. O consumo de fruta da época e das sopas são de presença obrigatória à mesa. O bom pão é outro dos alimentos que precisa de ser recuperado e merecia por si só um artigo.

De realçar que a região do planeta onde se situa o nosso país é particularmente rica em ervas comestíveis, mas infelizmente a sua recolecção foi praticamente abandonada, para além de que um pouco por todo o lado se envenenarem campos e espaços públicos com herbicidas. Urge valorizar estes recursos alimentares silvestres, não só pelo momento de profunda crise que atravessamos, mas sobretudo pelo seu valor nutricional superior ao das variedades domesticadas pelo Homem.


Imagem de saramago obtida em trumbuctu
De facto, os recursos alimentares silvestres (ervas e frutos, como a bolota) possuem maior teor em antioxidantes, nutrientes de que as plantas necessitam para resistirem naturalmente sem qualquer intervenção do Homem, ao contrário das plantas de variedades agrícolas que sofreram um processo de selecção e dependem em alguma medida de cuidados. De referir que esta fonte de antioxidantes é gratuita e que dispensa os nutracêuticos tão em voga.

Preferir os alimentos produzidos localmente, de variedades tradicionais, frescos, da época, avulso, a preço coerente ao consumidor e compensador para o produtor sempre que possível através de mercados de proximidade produtor-consumidor, completam a abordagem.

“Comer é um acto de agricultura” – Wendell Berry. Nós não somos apenas consumidores passivos, mas co-criadores dos sistemas que nos alimentam. O tipo de alimentos e a forma como foram produzidos dependem da forma como gastamos o nosso dinheiro. Comprar é uma forma de votar em sentido lato.


Imagem de http://www.slowfood.com/
Merece aqui referência ao Movimento Slow Food cujo objectivo é defender o alimento bom, limpo e justo, ou seja o alimento deve ter bom sabor; deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar a nossa saúde, o meio ambiente ou os animais; e os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho.

Ao fazermos escolhas alimentares racionais iremos enriquecer a nossa vida, reeducar o nosso gosto, aumentar o prazer em comer e poupar dinheiro!

Referências: 1- Livestock’s Log Shadow – environmental issues and options, Report, FAO, 2006, http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.HTM;  2- Assessing the Environmental Impact of Consumption and Production, Report, UNEP, 2010»

Texto de Alexandra Azevedo (as imagens fui buscá-las à net e as ligações (links), salvo das referências,  fui eu que coloquei)