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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Estado do Mundo 2010 - Ascensão e queda das culturas de consumo

O relatório do Estado do Mundo 2010 - Transformando Culturas - Do Consumismo à Sustentabilidade, produzido pelo World Watch Institute,  foi  traduzido para português (do Brasil) pelo Instituto Akatu  e está disponível para download na respectiva página.

Os parágrafos que transcrevo a seguir são extractos do capítulo "Ascensão e Queda das Culturas de Consumo", por Erik Assadourian

"...
O consumo teve um crescimento tremendo nos últimos cinquenta anos, registrando um aumento de 28% em relação aos US$ 23,9 trilhões gastos em 1996 e seis vezes mais do que os US$ 4,9 trilhões gastos em 1960 (em dólares de 2008). Parte desse aumento é resultante do crescimento populacional, mas o número de seres humanos cresceu apenas a uma razão de 2,2 entre 1960 e 2006. Sendo assim, os gastos com consumo por pessoa praticamente triplicaram.
Como o consumo aumentou, mais combustíveis, minerais e metais foram extraídos da terra, mais árvores foram derrubadas e mais terra foi arada para o cultivo de alimentos (muitas vezes para alimentar gado, visto que pessoas com patamares de renda mais elevada começaram a comer mais carne). Entre 1950 e 2005, por exemplo, a produção de metais cresceu seis vezes, a de petróleo, oito, e o consumo de gás natural, 14 vezes. No total, 60 bilhões de toneladas de recursos são hoje extraídas anualmente – cerca de 50% a mais do que há apenas 30 anos. Hoje, o europeu médio usa 43 quilos de recursos diariamente, e o americano médio, 88 quilos. No final das contas, o mundo extrai o equivalente a 112 edifícios Empire State da Terra a cada dia. 
A exploração desses recursos para a manutenção de níveis de consumo cada vez mais altos vem exercendo pressão crescente sobre os sistemas da Terra, e esse processo vem destruindo com grande impacto os sistemas ecológicos dos quais a humanidade e incontáveis outras espécies dependem.
 ...
E a mudança climática é apenas um dos muitos sintomas de níveis excessivos de consumo. A poluição do ar, a destruição média de 7 milhões de hectares de floresta por ano, a erosão do solo, a produção anual de mais de 100 milhões de toneladas de dejetos perigosos, práticas trabalhistas abusivas movidas pelo desejo de produzir bens de consumo em maior quantidade e a preço mais baixo, obesidade, estresse crescente – a lista poderia continuar indefinidamente. Todos esses problemas são quase sempre tratados em separado, ainda que muitas de suas raízes remontem aos atuais padrões de consumo. 
Além de serem acima de tudo excessivos, os níveis de consumo moderno são altamente enviesados, e, entre os ricos, assumem responsabilidade desproporcional pelos males ambientais de nossos dias.
 ...
O consumismo está hoje infiltrado de modo tão absoluto nas culturas humanas que, por vezes, fica até difícil reconhecê-lo como uma construção cultural. Ele dá a impressão de ser simplesmente natural. Mas, de fato, os elementos culturais – linguagem e símbolos, normas e tradições, valores e instituições – foram profundamente transformados pelo consumismo em sociedades do mundo todo. De fato, “consumidor” hoje em dia é com frequência usado como sinônimo de pessoa nos 10 idiomas mais usados no mundo, e seria plausível pensar em um número bem maior.
...
O consumismo também está afetando os valores das pessoas. A crença de que mais riqueza e mais posses materiais são essenciais para se chegar a uma vida boa aumentou de modo surpreendente em muitos países nas últimas décadas. Uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminui.
 ...
Talvez a crítica mais forte às escolas seja o fato de que elas representam um enorme desperdício de oportunidade para combater o consumismo e educar alunos em relação a seus efeitos sobre as pessoas e o meio ambiente. Poucas escolas ensinam educomunicação para ajudar os alunos a interpretar o marketing; poucas ensinam ou servem de modelo de alimentação adequada, inclusive ao propiciarem acesso a produtos de consumo não saudáveis ou não sustentáveis; e poucas ensinam uma compreensão básica das ciências ecológicas, em especial, que a espécie humana não é distinta e que, para sobreviver, é tão dependente de um sistema terrestre que funcione quanto qualquer outra espécie. A falta de integração desse conhecimento básico ao currículo escolar, aliada à repetida exposição a bens de consumo e publicidade, além de um lazer voltado em grande parte à televisão, ajuda a reforçar a ideia fantasiosa de que os seres humanos estão separados da Terra e a ilusão de que o aumento perpétuo de consumo é ecologicamente possível e mesmo vantajoso.
 ...
Um grande número de movimentos sociais está começando a se formar para, direta ou indiretamente, tratar de questões de sustentabilidade. Centenas de milhares de organizações estão trabalhando, não raro por conta própria e sem se conhecerem, muitos aspectos essenciais referentes à criação de culturas sustentáveis – como justiça social e ambiental, responsabilidade corporativa, recuperação de ecossistemas e reformagovernamental. “Esse movimento anônimo é o mais diversificado que o mundo já testemunhou”, explica o ambientalista Paul Hawken. “Creio que a própria palavra movimento seja muito limitada para descrevê-lo”. Juntos, eles têm o poder de redirecionar o ímpeto consumista e oferecer uma visão de um futuro sustentável que interessa a todos. As iniciativas para que se estimule trabalhar menos e viver de modo mais simples, o movimento Slow Food, Cidades em Transição e ecovilas estão inspirando as pessoas e conferindo-lhes poder de participação para que redirecionem as próprias vidas e amplos setores da sociedade rumo à sustentabilidade . 
 ...
Talvez em um ou dois séculos, ações abrangentes para liderar uma nova orientação cultural não sejam mais necessárias, quando as pessoas tiverem internalizado muitas dessas novas ideias, enxergando a sustentabilidade – e não o consumismo – como “natural”. Até então, redes de pioneiros culturais serão necessárias para impelir as pessoas proativa e intencionalmente a acelerar essa mudança. A antropóloga Margaret Mead é muitas vezes citada por dizer: “Jamais duvide que um pequeno grupo de cidadãos comprometidos e sensatos consegue mudar o mundo. De fato, é a única atitude que sempre o mudou”. Com a interconexão de tantos cidadãos mobilizados, organizados e comprometidos em difundir um modo de vida sustentável, um novo paradigma cultural pode surgir, permitindo à humanidade viver vidas melhores e mais longas no futuro."


(Nota 1: negrito meu.  Nota 2: ver aqui as relações entre trilhão, bilhão, bilião em Portugal e no Brasil)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra

Que tal aproveitarmos o Dia da Terra para começarmos a dar-lhe uma mãozinha?

terça-feira, 20 de abril de 2010

Carta da Terra para o Dia da Terra

"Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida."
Visite e leia o texto da Carta da Terra, que completa uma década este ano. E para finalizar esta sinalização do Dia da Terra, que se comemora a 22 de Abril, leia, abaixo, um extracto de um texto de Leonardo Boff.




"(...)
O que, entretanto, nos falta é uma Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade que coordene as consciências e faça convergir as diferentes políticas. Até agora nos limitávamos a pensar no bem comum de cada país. Alargamos o horizonte ao propor uma Carta dos Direitos Humanos. Esta foi a grande luta cultural do século XX. Mas agora emerge a preocupação pela Humanidade como um todo e pela Terra, entendida não como algo inerte, mas como um superorganismo vivo do qual nós humanos somos sua expressão consciente. Como garantir os direitos da Terra junto com os da Humanidade? A Carta da Terra surgida nos inícios do século XXI procura atender a esta demanda.

A crise global nos está exigindo uma governança global para coordenar soluções globais para problemas globais. Oxalá não surjam centros totalitários de comando mas uma rede de centros multidimensionais de observação, de análise, de pensamento e de direção visando o bem viver geral.

Trata-se apenas do começo de uma nova etapa da história, a etapa da Terra unida com a Humanidade (que é a expressão consciente da Terra). Ou a etapa da Humanidade (parte da Terra) unida à própria Terra, constituindo juntas uma única entidade una e diversa chamada de Gaia ou de Grande Mãe.
(...)"

Lenoardo Boff (daqui)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gritos contra a Indiferença no Dia Mundial da Saúde

Este ano, o Dia Mundial da Saúde, que se comemora a 7 de Abril desde 1948, tem como tema "Urbanização e Saúde". Questões de salubridade, de vivência ao ar livre, de abastecimento de água, de proximidade dos serviços básicos de saúde, de distribuição de alimentação, interferem com a nossa saúde e estão interligadas com o planeamento urbanístico de uma forma que pode não parecer óbvia, mas que se torna cada vez mais importantes à medida que a população rural aumenta a sua migração para as cidades.

No entanto, apesar de o tema da urbanização ser importante, parece-me ainda muito mais importante para a saúde o tema da fome. Não há qualquer hipótese de saúde quando há fome:

Não haverá saúde das pessoas enquanto não se curar esta economia global, cujo corpo gravemente doente e moribundo alimenta e engorda os agentes infecciosos que a adoeceram e que a matam!

Por isso, proponho que leiam a mensagem do Dr. Fernando Nobre, Presidente da AMI e candidato a Presidente da República, no seu blogue Contra a Indiferença. Se há pessoa neste país que sabe de saúde mundial, é ele! Por aqui, deixo transcritos alguns partágrafos da sua mensagem:

"(...)
No dia Mundial da Saúde, impõe-se uma reflexão sobre dois temas intrinsecamente ligados e abordados pelos Objectivos do Milénio, a fome e a saúde.

Segundo o Programa Alimentar Mundial, existem, actualmente, 1.02 mil milhões de pessoas desnutridas no mundo, o que significa que 1 em cada 6 pessoas não recebe comida suficiente para ser saudável. A fome e a malnutrição são o principal risco para a saúde mundial, um risco maior que a junção da SIDA, da malária e da tuberculose.
(...)
Espero que, a partir de agora, haja a decência, a inteligência e o bom senso de encontrar os meios financeiros para se alcançar os 8 Objectivos de Desenvolvimento do Milénio definidos na Cimeira do Milénio. Para tal, apenas são necessários 25 mil milhões de USD por ano, durante 15 anos (até 2015), um valor menor, se atentarmos que, segundo dados financeiros compilados pelas próprias Nações Unidas, estima-se que num ano apenas, a actual crise financeira e económica já tenha absorvido, em injecções directas de capital e em avais financeiros, 18 milhões de milhões de USD: num ano apenas foi gasto 50 vezes o que seria necessário, em 15 anos, para a concretização dos vitais ODM!

Ficam bem a nu as prioridades da péssima governação global em curso…"

Não deixem de ler o texto integral aqui.

domingo, 14 de março de 2010

Um translação, 365 rotações - 1º aniversário

A Terra já deu uma volta ao sol e já rodopiou 365 vezes desde que me lembrei de dar à luz da blogosfera este espaço chamado "Sustentabilidade é Acção". Verdade se diga, quando nasceu o baptizei à pressa de "Sustentabilidade não é palavra, é Acção", e logo o "padrinho" Ferreira-Pinto chegou, e se pôs a dar palpites que era um nome demasiado comprido. Depois, arranjei uma "fada madrinha", a Fada do Bosque, que tocou com a varinha de condão no rebento e logo o encheu de cor! Estes padrinhos ajudaram a criar a criança com alegria, mas como é costume, depois de crescer um pouco, os "folares", diga-se, "posts", começaram a rarear um pouco, ficando a criança a carecer do seu brilho e inspiração. Ainda desafiei uma segunda "madrinha", a Cila, que tanto trabalho tem na defesa do ambiente no terreno, que nem tem tempo para este afilhado virtual, já que logo a seguir a um início prometedor, logo se desvaneceu da blogosfera. Quanto a mim, não imaginava nem de longe em que trabalhos me estava a meter. Mas, por vossa causa (sim, por você que está a ler este texto), tem valido a pena, pois tenho-me sentido amplamente recompensada.

Por isso, hoje quero expressar aqui os meus sinceros agradecimentos:
  • Aos contribuidores do blogue, Ferreira-Pinto, Fada do Bosque e Cila, por terem oferecido alguns preciosos textos a este blogue, que muito animaram e abrilhantaram, uma vez que, não por falta de boas intenções da anfitriã, mas antes por uma inata falta de inspiração da mesma, bem deles precisou (e continua a precisar).
  • Àqueles que durante este ano, se deram ao trabalho de aqui deixar comentários, importantes e imprescindíveis para permitir a troca de ideias e o diálogo, ou mesmo para uma simples palavra de apoio, e cujo contributo permitiu enriquecer 244 dos 263 "posts" publicados.
  • Aos que, solidariamente, se fizeram seguidores do blogue, quer através do Blogger (218), quer através do NetworkedBlogs do Facebook (153), pois são também um motivo forte para continuar este trabalho. No total serão cerca de 300 seguidores, mesmo contando que alguns seguem este blogue através das duas redes. Obrigada a todos pela vossa presença.
  • A todos os visitantes que por aqui passaram (e foram mais de 44 mil visitas) que procuram uma sociedade mais sustentável e mais amiga do ambiente.
  • E um agradecimento especial aos meus três filhos e ao pai deles, meu companheiro de viagem, pelo tempo que lhes roubei. E à minha filha Alice que fez a montagem da imagem deste "post" dedicado ao primeiro aniversário do blogue, um obrigada extra.

Photobucket

Espero poder continuar por cá, assim como espero poder contar com os outros colaboradores, para animar esta casa. E sobretudo, conto com a vossa opinião para poder melhorar este espaço, partilhando um pouco sobre este nosso mundo e a nossa relação com ele.

Continuemos a insistir e a agir por um um mundo mais sustentável. Dedico-vos uma fatia de bolo de aniversário e uma flor de cera da minha varanda :)
A todos, sinceramente, muito obrigada!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Flordelis

Através da revista Única, do semanário Expresso desta semana, dedicado à Mulher, soube da história de Flordelis dos Santos, uma brasileira de 48 anos, mãe de 50 filhos com idades entre os 2 e os 34 anos, dos quais 4 são biológicos.

Flordelis nasceu e cresceu na favela de Jacarezinho, do Rio de Janeiro, filha de pastor evangélico e mais tarde pastora ela própria. No início da década de 90, Flordelis resgatou 5 adolescentes do tráfico e consumo de drogas. Em Fevereiro de 1994, na sequência do massacre de meninos de rua na Central do Brasil, os sobreviventes, 37 crianças e adolescentes, dos quais 14 bebés, bateram à sua porta à procura de ajuda. Tendo sido acusada de sequestro, os problemas com a Justiça e com a Polícia levaram-na a fugir com as crianças por várias vezes, para não as ter de entregar. (Ver mais aqui: Revista Ragga)

Li a sua história de coragem e solidariedade, e pensei que a vida dela dava um filme. Pesquisei na internet, e verifiquei que deu mesmo. Estreou em Outubro de 2009, no Brasil, o filme “FLORDELIS – Basta uma palavra para mudar”, que conta a história desta missionária evangélica, produzido por Marco António Ferraz e Anderson Corrêa ( aqui o trailer). Quanto à qualidade do filme, não vi e não faço ideia, mas os críticos não gostaram.

Escolhi esta história para assinalar o Dia Internacional da Mulher. Porque esta mulher fez a diferença para muitas crianças. Crianças que hoje estariam mortas ou estariam a cometer crimes.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Hora do Planeta 2010 - 27 de Março



A Hora do Planeta, ou "Earth Hour", começou na cidade de Sidney, na Austrália, em 2007. Em 2008, a Hora do Planeta tornou-se internacional, e no dia 28 de Março, de 2009, mais de 4000 cidades de 88 países no mundo aderiram à Hora do Planeta. Em Portugal, foram 11 as cidades que aderiram, entre as quais a "minha", Vila Nova de Famalicão, e a capital, Lisboa.

A Hora do Planeta é um modo de manifestarmos, apagando as luzes durante uma hora, que estamos preocupados com a componente antropogénica do aquecimento global e das alterações climáticas e que queremos que os governantes tomem medidas capazes de minimizar as emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera.

No ano passado, o objectivo era a Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas. O facto de os governantes mundiais (nem todos, claro) estarem mais preocupados com o lucro das organizações que dominam a economia global, levou a que esta cimeira tenha sido um verdadeiro fracasso. Os compromissos assumidos foram apenas por uma parte dos países e absolutamente insuficientes para diminuir as emissões de CO2 e prevenir um aquecimento excessivo para a próxima década.

À parte a Austrália, que já sofre efeitos das alterações climáticas com a seca, os incêndios e as chuvas diluvianas, a maioria dos países afectados e em risco de ser afectados a mais curto prazo pelos efeitos das alterações climática, são os países pobres. E isso parece não afectar os países ricos.

Por isso, não podemos desistir, não podemos deixar de nos manifestar e exigir que sejam tomadas medidas sérias no combate às alterações climáticas. Não se trata apenas de poupar a energia de iluminação de 1 hora, a Hora da Terra é sobretudo uma dessas oportunidades de darmos um sinal.

Vote pela Terra, aderindo à à Hora do Planeta, desligando as luzes no sábado, daqui a 4 semanas, dia 27 de Março, entre as 20:30 e as 21:30h. Registe-se como participante na Hora do Planeta aqui.

Apele aos que governam o seu Município para fazer o mesmo: registar-se na Hora do Planeta e apagar as luzes nessa hora nos edifícios municipais. Divulgue.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Dia Mundial dos Leprosos

Assim como não se compreende que se morra à fome num mundo que desperdiça tanto alimento, também não se entende que uma doença como a lepra, que tem tratamento e cura, ainda não tenha sido erradicada. Só em 2008, de acordo com a OMS, foram registados 249 mil novos casos, a maioria dos quais na Ásia, América Latina, e África. Os países mais afectados são a Índia, Brasil, Nepal, Bangladesh, República Democrática do Congo e Indonésia. Em 2008 foram também registados 11 casos em Portugal. Apesar de o número total de novos casos estar a diminuir, o surto da doença na Índia e no Brasil é alarmante.

Actualmente, face ao carácter discriminatório e mesmo depreciativo que as palavras "lepra" e "leproso" adquiriram sobretudo no Brasil, esta doença tem sido denominada pelos termos hanseníase ou doença de Hansen (do nome de Gerhard Hansen, que identificou o agente da doença). A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução longa, causada pelo Mycobacterium leprae, microorganismo que ataca principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo.

A seguir fica a mensagem da APARF, Associação Portuguesa dos Amigos de Raoul Follereau, IPSS de utilidade pública que se dedica a prestar assistência material, sanitária e moral às pessoas afectadas pela doença de Hansen:

"57º DIA MUNDIAL DOS LEPROSOS
31 de Janeiro de 2010
No último Domingo de Janeiro de cada ano, é celebrado o Dia Mundial dos Leprosos, o qual foi instituído pela ONU, em 1954, a pedido de Raoul Follereau, o Apóstolo dos Leprosos do século XX.
A Lepra é uma doença dermatológica, infecciosa, crónica que atinge as pessoas pelo contágio, em especial as mais frágeis que sofrem de desnutrição, falta de água potável e baixos padrões de higiene. Raoul Follereau chamava à lepra a filha primogénita da pobreza.
O Dia Mundial dos Leprosos celebra-se no próximo dia 31 de Janeiro de 2010 e será mais uma oportunidade para levar as pessoas a reflectirem sobre a situação de sofrimento das vítimas desta doença e a partilhar com elas a sua solidariedade e algo dos seus bens, para ajudar a tratar as suas feridas, aconchegar os seus estômagos, prestar mais informação sobre a doença, reabilitar e reinserir quem está marginalizado por causa desta enfermidade.
Quando a Lepra é diagnosticada e tratada atempadamente, evita-se a formação de úlceras, a afectação do sistema nervoso periférico, a produção de lesões graves nos pés, nas mãos e evitar a cegueira.
Actualmente há tratamento e cura para a doença e são tratados, efectivamente, cerca de um milhão de doentes por ano. No entanto, as precárias condições de vida de muitas populações, devido à pobreza, às injustiças sociais, à ignorância, às guerras e às calamidades naturais causam o aparecimento de 400/500 mil casos novos por ano.
Raoul Follereau (1903/1977) dedicou 50 anos da sua vida à causa dos Leprosos “os mais pobres dos pobres”, como ele os definia, orientando a sua acção sob a mensagem “combater a Lepra e todas as causas de exclusão social”.
A APARF inspira a sua actividade na Mensagem de Raoul Follereau, a favor dos doentes de Lepra e vítimas de todas as “lepras”, solicitando para esta campanha a melhor divulgação e generosa colaboração."

(Fontes: APARF, Fontilles, Visão, Dermatologia-net)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Expo 2010 - Pavilhão de Portugal revestido a cortiça

O Pavilhão de Portugal na Expo 2010, da autoria do arquitecto Carlos Couto, vai ser revestido a cortiça, e, de acordo com as notícias, parece que vai ser uma aposta na arquitectura sustentável, com a utilização de matérias primas nacionais e recicláveis. Esperemos que assim o seja, e que actue como exemplo e incentivo a uma construção de menor impacte sobre o ambiente.
A construção está orçamentada em 3 milhões de euros. O que vai acontecer ao pavilhão após a exposição, não sei, mas se os materiais são recicláveis, nem tudo se perde. No entanto, na política dos 3R, reutilizar vem antes de reciclar...
(Fontes: Café Portugal, Oje, RádioRenascença)

Nota de rodapé: Por falar em milhões de euros e sustentabilidade, não resisto a expressar aqui o meu espanto com esta obra!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Boa Governação segundo o Dr. Fernando Nobre


Na sua última mensagem de 2009 no blogue Contra a Indiferença", o Dr. Fernando Nobre, fundador e presidente da AMI, dá-nos o seu entendimento sobre o que é a boa governação, e a sua crítica à actual (des)governação global. Transcrevo para aqui uma parte do texto, mas aconselho a que o leiam na íntegra aqui, no texto original.

E se perguntarem o que é que este assunto tem a ver com sustentabilidade, respondo com uma outra pergunta: e o que há de mais insustentável que uma má governação?



Por boa governação entendo uma governação exclusivamente norteada para o bem da Res Publica e da Humanidade.
Boa governação exige ética, rigor, verdade, responsabilidade, coerência, compromisso e respeito pelas promessas contidas nos programas eleitorais ou feitas em campanha o que a coloca nos antípodas da corrupção, demagogia, manipulação, mentira…
Boa governação implica preocupação com os mais fragilizados e desprotegidos da sociedade, estar à escuta e em diálogo com as mais íntimas aspirações dos cidadãos e colocar o Estado Nacional e o Mundo acima dos momentâneos interesses partidários e pessoais.
Boa governação requer ideias claras quanto às verdadeiras causas Nacionais e Globais existentes e lutar, contra ventos e marés, por elas.
A boa governação deve impelir a um diálogo singular e colectivo com os povos, olhos nos olhos, explicando bem e claramente a razão de certas decisões deveras difíceis e sensíveis como são certas decisões económicas e todas as guerras, mesmo as incompreensíveis, como a do Iraque. Exige ainda que se consulte os povos quando a opção da guerra não consta de nenhum programa eleitoral ou de governo, pelo que, de seguida restará apenas acatar a decisão soberana e sem apelo dos povos.
A boa governação não aceita que se façam guerras baseadas na trapaça e na mentira (como aconteceu com a guerra do Iraque) e que se encete, em período próximo de eleições, malabarismos de marketing, afirmando e prometendo tudo e o seu contrário ou pura e simplesmente que se fuja às suas responsabilidades, sobretudo se for para ocupar um lugar de maior destaque… Esses espúrios comportamentos e atitudes vergonhosas contribuíram decisivamente para a descredibilização das classes políticas e dos governantes responsáveis pela actual desorientação e desmotivação dos povos.
(...)
Ao fim e ao cabo, a liderança global já existe! Infelizmente, actualmente ela é secreta, feita de cima para baixo e nada democrática. Ela está inoperativa, descoordenada, cacofónica e descredibilizada com as guerras do Iraque e Afeganistão com as confusões do Kosovo (estendidas à Ossétia do Sul e à Abacásia), com a Crise Financeira e Económica sistémica, com as piratagens no mar da Somália e a desgovernação na República Democrática do Congo, no Zimbabué, na Somália, na Chechénia, Birmânia…
Por tudo isso é que a nada clara governação global, não assumida, constituída pelas Nações Unidas, FMI, BM, OMC, Clube de Roma, o G8, o G20, G2+18, G2 e, menos globalmente, a OPEP, a ASEAN, a União Europeia, a OCDE, a OSCE… está caduca. A Governação Global tem que ser absoluta e urgentemente reformada, reenquadrada e democraticamente legalizada, tendo em conta a premência de Soluções Globais. Não há volta a dar!
(...)"

domingo, 3 de janeiro de 2010

2010 - Ano Internacional da Biodiversidade

2010 foi declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional da Biodiversidade (IYB) para ajudar a aumentar a consciencialização sobre a importância da biodiversidade em todo o mundo, salientando a sua importância no nosso bem-estar, reflectindo sobre as conquistas para salvaguardar a biodiversidade e incentivando um redobrar de esforços para reduzir a taxa de perda de biodiversidade.



"A biodiversidade engloba a variedade de genes, espécies e ecossistemas que constituem a vida no planeta. Assistimos actualmente a uma perda constante da biodiversidade com profundas consequências para o mundo natural e o bem-estar humano. As principais causas são as alterações nos habitats naturais, resultantes dos sistemas intensivos de produção agrícola, da construção, da exploração de pedreiras, da sobrexploração das florestas, oceanos, rios, lagos e solos, da introdução espécies alóctones invasivas, da poluição e, cada vez mais, das alterações climáticas globais. A Europa estabeleceu um objectivo para travar a perda de biodiversidade até 2010. Vários estudos recentes da AEA mostram que se não forem envidados mais esforços políticos significativos, é improvável que esse objectivo seja atingido" (Fonte: AEA - Agencia Europeia do Ambiente)

A espécie humana é responsável pelo desaparecimento de milhares de espécies. A profunda alteração que as nossas actividades introduziram no planeta implicam a perda contínua da biodiversidade, essencial à manutenção dos equilíbrios na Terra. Temos de inverter esta tendência. Protejamos a biodiversidade protegendo a natureza.