Antes existia a ideia, e nalguns casos a certeza, que determinada marca era qualidade, fiabilidade e duração prolongada; hoje, em que tudo se quer efémero, cultiva-se uma política que classifico de pastilha elástica: usa-se e deita-se fora, por isso não precisa de ser muito bom o produto! Vem isto a propósito
dos problemas que a nipónica Toyota atravessa e que, na expressão dum concorrente, a coloca como apenas mais um fabricante de automóveis. Nunca tive um carro japonês, mas sei que outrora se notabilizavam por
"serem feios como o diabo, mas durarem p’ra carago!". Mas agora até a Toyota se arrasta pelas ruas da amargura a recolher milhares e milhares de carros com defeito! Admito estar errado, mas não sei se a procura a todo o custo pela poupança no processo produtivo não tem algo a ver com isto. Desde as peças que vêm de todo o lado do mundo às fábricas que se implantam em países onde a mão-de-obra é formada de forma acelerada, tudo serve.E quem diz a Toyota, diz a
AEG que era marca alemã de confiança inabalável e me obriga pelos dias de hoje a andar em bolandas com uma máquina de lavar que nem a sua assistência técnica autorizada consegue descortinar porque só funciona quando ... lhe apetece. É AEG, mas foi feita num país de Leste e espreitando lá para dentro já vi que, pelo menos, uma peça veio da China e outra de Singapura. Vai-se a ver e aquilo é tudo falta duma peça tradutora que ponha ordem na Babel que vai dentro da máquina! Por isso, quando soube que a
ECCO que se foi daqui para a Indonésia, levou uma minha prima que fala português (e, e …) para ensinar as locais que naturalmente não falam português a fazer calçado, risquei logo a marca ...
Contudo, esta babilónia produtiva traz outros inconvenientes pois para além dos custos que acarreta para os consumidores e produtores, também sacrifica sobremaneira os recursos naturais pois muitas peças e componentes são hoje em dia programados para durarem x horas ... findas as quais, acabou.
Outro truque que começa a ser usado é, por exemplo, como descobri com a minha AEG que o temporizador pode ser comprado por qualquer um e até colocado, mas apenas a assistência técnica autorizada o sabe programar para fazer trabalhar a máquina; ou ainda que qualquer problema na cuba implica destruir a mesma porque vem blindada. Tudo isto porque a primeira peça custa só por si cerca de 120,00€ e a segunda mais de 200,00€. Quem disse que as grandes companhias são como o pirata Barba Negra errou ... são piores!