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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Agricultura Biológica e Natural - Formação, Famalicão, 2019

Para 2019, a a Associação Famalicão em Transição está a preparar, em parceria com o projeto "Horticultura Terapêutica"  um conjunto de formações sobre agricultura biológica e outros modos de produção agrícola sustentável, denominado "Agricultura Biológica e Natural". 

O objetivo é difundir formas de agricultura que promovem a preservação do meio ambiente, dos recursos naturais e incentivar uma alimentação mais limpa e livre de substâncias nefastas. Pretende-se que os participantes fiquem a conhecer e a saber conceitos e  técnicas agrícolas sustentáveis que não utilizam químicos prejudiciais para a saúde e para o ambiente, mas que recorrem a conhecimentos  científicos recentes aliados a saberes ancestrais.

As sessões serão mensais, umas mais teóricas (palestras) e outras mais práticas (workshops) e em locais diferentes do concelho de Vila Nova de famalicão, designadamente em Esmeriz, Requião, Seide, e Vila Nova de Famalicão.

Já é possível a pre-inscrição para as duas primeiras sessões, que decorrerão no Parque da Devesa (cidade).  Inscrições em goo.gl/hpXtii

No blogue da associação, Famalicão por um mundo melhor, será publicada informação detalhada sobre cada uma das sessões, faseadamente (ver aqui a informação sobre a 1ª sessão) .

O valor de casa de sessão é de 10 euros ou 8 euros para sócios Famalicão em Transição. A inscrição será confirmada através do pagamento prévio (por transferência bancária) de metade do valor da sessão.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A agricultura biológica e o humus, por Jairo Restrepo

Reflexões de JAIRO RESTREPO, traduzidas do seu site: lamierdadevaca.com

"A agricultura biológica é uma entrega à tarefa de desenterrar e resgatar o velho sonho das sociedades agrárias mais humildes e sábias,  que praticaram e garantiram durante muito tempo a auto-determinação das suas comunidades, através da concepção de autênticos modelos de empreendedorismo rural familiar, em que os seres conjugaram conhecimento, saberes, sabores e habilidades para garantir a sustentabilidade e o respeito pela natureza que os viu nascer: essa mesma agricultura, muito mais do que uma simples revolução nas técnicas de produção agropecuária, é o fundamento prático um movimento de aliança espiritual, uma revolução para mudar a forma como os seres humanos convivem com a mãe terra ."



"A maioria das ações que são realizadas hoje focam-se mais em tarefas tecnológicas que destroem a vida, do que naquelas que podem protegê-la. A este ritmo, o caminho do desaparecimento da espécie humana é eminente. "

"O milagre é algo inexplicável para a ciência, algo que jamais poderá definir razoavelmente. Este é o sentido que os agricultores encontram se entregam às tarefas da agricultura biológica, pois diariamente contemplam a bela manifestação dos milagres da vida quando fazem as colheitas".

"O húmus é onde a microbiologia liga com sabedoria o tecido dos dois mundos, o da matéria orgânica e dos minerais. O húmus é o creme milagroso da vida, que contém infinitamente a memória genética da microbiologia que fundou a vida na Terra"

"Na produção de alimentos, a certificação aumenta sistematicamente a exclusão dos mais necessitados ao acesso a uma alimentação saudável."

Jairo Restrepo Rivera nasceu na Colômbia e naturalizaou-se no no Brasil. Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Com três cursos de pós-graduação: Ecologia e Recursos Naturais; Engenharia de Segurança Ocupacional Agrícola e Agroecologia. Tem um trabalho e experiência internacional de trinta anos na agricultura biológica e desenvolvimento rural sustentável, tendo publicado artigos, livros, e realizado centenas de palestras nestes e outros temas relacionados.

Fonte: Site de Jairo Restrepo : lamierdadevaca.com

(com um agradecimento ao António Corceiro, por me ter "apresentado" Jairo e o seu trabalho)

domingo, 18 de setembro de 2016

Sabe de onde vêm os seus alimentos?

O vídeo abaixo mostra como no Brasil os pequenos agricultores e os consumidores que se preocupam com uma alimentação e agricultura sem venenos ("agrotóxicos") estão a dar a volta ao grande poder das multinacionais agroquímicas ou grandes cadeias de distribuição. Associações de agricultores ecológicos, feirinhas onde o produto chega diretamente do produtor ao consumidor,  encurtando os circuitos dos alimentos, reduzindo ou eliminando os intermediários que levam a grande fatia do lucro, se não todo.

Imagem obtida aqui
Nas AMAP, Associações de Manutenção de Agricultura de Proximidade, os associados consumidores pagam adiantado para que os agricultores possam pagar as despesas de produção, e recebem em cabazes com os produtos da época. Isto permite um pagamento justo ao produtor, preços mais baixos, e alimentação mais saudável.

Em Portugal, felizmente já começam a aparecer AMAP, agricultura de proximidade (não necessariamente de produtos biológicos certificados), que tratam de “uma parceria direta, baseada na relação humana entre o grupo de consumidores e um ou mais produtores, onde os riscos, responsabilidades e recompensas da produção agrícola são partilhadas, através do estabelecimento de uma ligação de longa duração.” (daqui)

Na sessão "Ambientar-se" de 16/9/2016 em Vila Nova de Famalicão, os representantes da AMAP Chuchubio explicaram o modo de funcionamento destas associações. Um excelente caminho para a agricultura em pequena escala, e sobretudo, para a agricultura biológica. O poder está na mão de cada um, quando escolhe o que e onde compra, e sobretudo quando se informa de onde vem os seus alimentos (e não só, claro).


Você sabe de onde vêm seus alimentos? from Aura on Vimeo.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Consulta pública sobre Agricultura Biológica em Portugal



Esta consulta aparece na sequência da criação do Grupo de Trabalho, composto pela Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral e pela Escola Superior Agrária de Coimbra (Despacho nº 7665/2016 de 9/6), cujo objetivo é elaborar a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica e pôr em execução um Plano de Ação para a produção e promoção de produtos biológicos em Portugal.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Uma Horta em Casa" - apresentação do livro 28/6, Famalicão

"Uma Horta em Casa" é um excelente livro de Isabel de Maria Mourão e Miguel Maria Brito (edição Arteplural, abril 2015), que nos introduz ao cultivo de uma horta em modo biológico, ensinando, de uma forma clara e ricamente ilustrada, os princípios, os meios e os fins para conseguirmos cultivar alimentos em casa de forma saudável e imaginativa. A sinopse do livro explica o porquê de ter uma horta em casa e o que se pode aprender no livro:

«Cada vez mais, as hortas urbanas e comunitárias fazem parte da paisagem das cidades modernas; o passo seguinte, muito desejável e perfeitamente atingível, é trazer a horta… para dentro de casa. Ter uma pequena horta em casa - seja num terraço, numa varanda ou simplesmente à janela, fazendo um uso criativo do espaço disponível - contribui, numa pequena mas considerável escala, para combater as alterações climáticas; melhora substancialmente a qualidade da alimentação e ajuda a diminuir a despesa familiar; e faculta um ambiente saudável e divertido de convívio entre todos os membros da família. 

Descubra, ao longo destas páginas:

- As vantagens de ter uma horta em casa

- Que plantas pode cultivar (hortícolas, aromáticas ou medicinais ou flores comestíveis)

- Como funciona o ciclo de vida das diferentes plantas
- Quando, onde e com que utensílios as pode cultivar
- Como fazer cultivo biológico (da sementeira à compostagem e ao tratamento de pragas e doenças)
- Indicações específicas para o cultivo de mais de 50 plantas - da abóbora aos cogumelos, do alecrim ao tomilho, e da alegria-do-lar à verbena.»



Isabel de Maria Mourão, no engenheira agrónoma doutorada, é professora coordenadora na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, inclusive no mestrado em Agricultura Biológica. Miguel  Maria Brito é arquiteto paisagista e tem vindo a trabalhar em projetos de instalação de hortas de interior.

O livro, que já está à venda, e do qual pode ler algumas páginas aqui, vai ser apresentado pelos autores nas Hortas do Parque da Devesa, em Vila Nova de Famalicão, no dia 28 de junho 2015 às 18h00. A sessão contará também com a participação e exposição de artigos para facilitar a horta em casa:

 Hortas Growbed da Noocity
 Hortas Plantit
 Produtos Life in a Bag

sábado, 6 de setembro de 2014

Revolução no jardim: "Homegrown Revolution"

Casa da família Dervaes - imagem obtida aqui
Pode um lote urbano de 800 m2  (com uma casa e garagem) gerar mais de 3000 quilogramas de alimentos biológicos num ano? Pode, pelo menos na Califórnia!

Veja o vídeo abaixo - a curta-metragem premiada de 2009 "Homegrown Revolution", e saiba como a família Dervaes de Pasadena transformou o tradicional logradouro na "atividade mais perigosa do mundo": cultivar alimentos para ficar livre

Conheça melhor a família e a história no site  http://urbanhomestead.org/. De acordo com informações deste site, o recorde foi em 2010, com a produção de 3175 kg (7000 lb) de alimentos numa área cultivada de 400 m2 (1/10 acre).


A Revolução da Horta Caseira from Masanobu Fukuoka on Vimeo.

Este "post" foi publicado originalmente em 16/07/2012 com o vídeo em inglês, republicado em 06/09/2014 com o vídeo legendado em português.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Contra o Fast Food: Slow Food e Fast Good

Em antítese ao Fast Food e ao estilo de vida acelerado, o movimento Slow Food (que foi já referido aqui), traz uma abordagem que nos induz a apreciar os alimentos e a dedicar-lhe o tempo que merece:  “O seu objectivo inicial era apoiar e defender a boa comida e o prazer gastronómico. Com o tempo esta iniciativa tem vindo a ser ampliada para abranger para abranger o conjunto da nossa qualidade de vida e, como consequência, a própria sobrevivência do planeta em que vivemos. O Slow Food acredita que a gastronomia está indissociavelmente ligada à política, à agricultura e ao ambiente entre outras coisas." (Fonte: Slow Movement Portugal). Um alimento considerado slow, é um alimento bom (sentido do paladar), limpo (para a saúde e para o ambiente) e justo (cadeia produtiva justa). 

Entretanto, uma outra abordagem também em reação ao "Fast Food":  Em Orleães, França, no vale do Rio Loire, um restaurante "Fast Good" prepara comida saudável, com alimentos biológicos, locais (a maioria da região de Loiret, os restantes nacionais), proveniente de pequenos produtores e através de circuitos curtos, o restaurante "Oh Terroir - version Fast Good". E onde entra aqui o fast? é que as refeições são pedidas num ecrã táctil, o serviço (self-service) é rápido, não é caro e dispõe também de take-away. Sempre opções de refeições vegetarianas.

Com um enfoque diferente do movimento "slow", mas com pontos em comum, o "fast good" é também uma excelente maneira de promover a economia local, de incentivar a agricultura biológica, e de contribuir para a saúde das pessoas, dos animais e do planeta. 

Um exemplo a replicar, e que em nada colide com o slow food (há tempo para ter tempo e há tempo para ter menos tempo).

Sejam refeições lentas ou rápidas, o que mais importa é que os alimentos sejam bons para as pessoas e para o ambiente!

terça-feira, 20 de maio de 2014

Sobre a saúde das gerações futuras

Sobre a saúde das nossas crianças, já vimos aqui o documentário francês "Nos Enfants Nous Accuseront". Agora, fica aqui a tradução livre de um artigo, também francês, de Claude Aubert (engenheiro agrónomo) na revista Biocontact (n.º 246, maio 2014):

«Os nossos filhos viverão mais tempo que nós?

Em matéria de esperança de vida dos nossos filhos, ouve-se tudo e o seu contrário. Que dizer hoje?

Foto obtida em Incredible Edible (Todmorden)
"Uma menina em cada duas que nasce hoje tornar-se-á centenária." " A esperança de vida continuará a aumentar e chegará aos 85 anos em 2030". Estas são afirmações com que nos bombardeiam os estatísticos e os demógrafos. Outros prometem mesmo, senão a imortalidade, pelo menos uma longevidade  de 120 anos ou mais.

Certo, nós vivemos cada vez até mais velhos e a medicina continua a fazer progressos. Os otimistas dão como prova que, apesar da incidência do cancro (o número de casos novos por ano) aumentar fortemente, a mortalidade devido a esta doença tem até agora continuado a diminuir.

No entanto, este cenário idílico é cada vez mais desmentido pelos factos. Pela primeira vez desde há um século, na França, em 2012, a esperança de vida das mulheres diminuiu de 2 meses (1). Pior, a esperança de vida com boa saúde baixou de um ano entre 2008 e 2010 (1). Nos Estados Unidos a esperança de vida está a diminuir em certas regiões. Pode-se invocar causas sociais e pensar que estes valores baixos são passageiros, mas existem causas mais profundas e mais dificilmente reversíveis. Duas descobertas principais na verdade vêm alterar os dados: a origem fetal de doenças e a transmissão epigenética de certas anomalias e patologias.

A origem fetal das doenças

Segundo esta hipótese - que agora se tornou uma certeza - um certo número de doenças do adulto são programadas desde o desenvolvimento do embrião. Sabe-se há muito que quando a mãe fuma ou bebe álcool durante a gravidez, aumenta o risco de aborto espontâneo, de nascimento prematuro e de malformações congénitas. Mas conhece-se menos outros problemas, cujas consequências podem manifestar-se apenas na idade adulta. Alguns exemplos:
- as crianças cujas mães têm mais DDE no sangue (principal metabolito do DDT, o inseticida persistente que foi utilizado massivamente no início dos anos 70, e que se encontra ainda no corpo humano) são mais frequentemente diabéticos e têm um risco de prematuridade mais elevados que os outros (2);
- os rapazes cuja mãe esteve exposta aos pesticidas têm os testículos e o pénis menos desenvolvido do que aqueles cujas mães não estiveram expostas (3);
- uma dieta muito rica em gordura da mãe durante a gravidez aumenta o risco de eczema dos filhos (4).

Quando os avós são (em parte) responsáveis pela saúde dos netos ...

Desde Darwin, que se admite que - salvo circunstâncias particulares - as crianças herdam património genético dos seus pais. Isto não é questionado, mas a expressão de alguns genes pode ser modificada, especialmente sob o efeito de poluentes químicos, e essas mudanças são transmitidas durante várias gerações (transmissão dita epigenética).  Uma experiência surpreendente (5) mostrou que para os ratos expostos ao DDT durante a gestação a doses próximas daquelas a que estivemos expostos nos anos 60-70, não se constata nenhum impacto na sua saúde ou dos seus filhos. Pelo contrário, os filhos destes últimos (3ª geração) e os da geração seguinte, a 4ª geração, são frequentemente obesos e sofrem de diversas patologias. Se extrapolarmos aos humanos, as gerações em risco são aquelas que hoje estão entre os 20 e 30 anos, cujas avós foram fortemente expostas ao DDT na idade fértil, e a seguinte.
Foto obtida em Terre vivante

Portanto, podemos recear que os nossos filhos vivam menos que nós, devido principalmente à poluição e aos nossos erros alimentares. Mas isto não é inevitável, e depende de certas decisões políticas, mas mais ainda no nosso modo de vida.»

1. Insee (Institut national de la statistique et des étude économique, França).
2. Lee, 2006, Longnecker, 2001.
3. Wohlfart-Veje, 2011.
4. Sausenthatler, 2007.
5. Skinner, 2013 

Claude Aubert, pioneiro da agricultura biológica na França, é um dos fundadores da editora Terre vivante . É autor de muitos livros sobre a agricultura biológica, alimentação saudável e da relação entre o ambiente e a saúde. 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Lógica da batata

Porque às vezes precisamos que nos relembrem o que já sabemos, nada como uma criança para explicar porque é preferível utilizar produtos biológicos.



Foto de Wikipedia
No vídeo, a menina fala de batata-doce, mas com a batata comum passa-se o mesmo. Muitos de nós sabemos que as batatas compradas de  produção não biológica não germinam, ao contrário daquelas que cultivamos e tiramos da terra. Isto porque para a sua conservação são utilizados produtos químicos "anti-abrolhantes". Também são usados inseticidas para a traça da batata. Mais os pesticidas utilizados durante o cultivo.

Mas a batata pode ser conservada sem químicos, desde que com certos cuidados. Provavelmente, o risco de ter algum problema na conservação da batata será um pouco superior.  Mas certamente que o risco de doenças graves é muito maior se se comer batatas com esses químicos, como o clorprofame referido no vídeo.

Conservação da batata, de 5 a 10 meses: colocá-la em local fresco, arejado e com pouca luz. Cobrir com rama de eucalipto para evitar a traça da batata. Também há quem a coloque em cama de palha ou coberta com serapilheira (condições óptimas de armazenamento: 7-10ºC; 90-95% de humidade relativa). Fontes:  Manual Actuar e Horta de Codeçais (consultar para mais detalhes)

Plantação de batatas biológicas,
Elza Fiuza; daqui 
«A batata, após a colheita e caso não seja para consumo imediato, necessita de um período de “cura” para que a sua pele se torne mais grossa e resistente a ferimentos, essa “cura” deve ser feita durante um período de três a quatro dias, com temperaturas acima dos 20º e se possível com alguma humidade no ar para que não seque. Devem ser guardadas em local arejado e fresco, não totalmente escuro, pois tal vai favorecer o inicio da germinação, a luz excessiva deixa-as esverdeadas.» Fonte: nPlantas

Já agora, um testemunho de uma pessoa que conheço e que tem uma loja de produtos para a agricultura convencional (mas que felizmente já começa a vender produtos para a agricultura biológica); acho que foi há um ou dois anos, no meio das nossas "discussões" sobre a utilização de produtos químicos na agricultura, ele deixou escapar: "este ano, nem pensar em comprar batata portuguesa, a armazenada tem sido muito atacada por bichos (não me lembro se era a tal traça da batata, talvez fosse), que estão a ficar resistentes, os agricultores levam produtos bem mais perigosos que os recomendados, e deitam-nos na batata armazenada, uns atrás dos outros". Se até um defensor da agricultura "convencional" diz isto...

quinta-feira, 6 de março de 2014

Agricultura biológica - algumas dicas muito básicas

Horta experimental em mandala
Estas são umas dicas mesmo muito básicas, de principiante para principiante em agricultura biológica! Se já é entendido na matéria, por certo não vai aprender aqui, mas pode dar as suas sugestões e correções em comentário.

O princípio fundamental da agricultura biológica  é o respeito pela natureza e a estrita proibição de pesticidas ou adubos químicos de síntese. O solo é também um dos pilares fundamentais: ao contrário da agricultura "tradicional" que empobrece e mata o solo, com a prática da agricultura biológica o solo é enriquecido. Toda a matéria orgânica não consumida é devolvida ao solo (e mesmo parte da consumida: o estrume). Com compostagem ou sem compostagem (adubação verde).

A agricultura biológica baseia-se na biodiversidade: para além de  certas plantas atuarem como "defensoras" ou "ajudantes" de outras (consociações), se ocorrer uma devastação de uma espécie, por doença, praga ou intempérie, há uma grande probabilidade de outras espécies resistirem e não haver grandes perdas.

Abelhão na for da couve
 A agricultura biológica depende de uma miríade de insetos polinizadores, como as abelhas, e de insetos predadores de outros insetos "vegetarianos", cujo exemplo paradigmático é a joaninha, uma feroz devoradora de pulgões e outras pragas que atacam as plantas. Por isso, e porque a joaninha é extremamente sensível e só aparece onde não há aplicação de pesticidas, ela é usada como símbolo na agricultura biológica. Para os atrair, certas flores (como os cravos-de-tunes) e as plantas aromáticas  são fundamentais.

(texto extraído daqui, onde também falei de agricultura natural e ecológica)
 
Para quem se quer iniciar na agricultura biológica, ficam aqui algumas dicas básicas, bem como algumas fotos da minha primeira horta, que iniciei em Dezembro de 2011. Mas sem dúvida que um pequeno curso teorico-prático é uma grande ajuda para começar bem. 

Canteiro coberto com palha
Solo: Para além das características físicas (textura, estrutura,...), ou químicas (pH, nutrientes - azoto, fósforo, potássio,...), as características biológicas do solo são importantíssimas. O solo é composto por materiais inorgânicos, ar, água e matéria orgânica.  A matéria orgânica, essencial, é composta pela parte já decomposta (humus), pela parte em decomposição (chamada parte ativa), pelos restos frescos de seres vivos (folhas, raízes, animais) e pelos próprios seres vivos. A olho nu, pode-se avaliar o seu potencial biológico pela cor - quanto mais escuro, mais matéria orgânica (por norma).

Não se deve revolver o solo a mais de 10 cm de profundidade (há aqui algumas discordâncias, mas ficam para outra altura), porque isso destrói a sua biocapacidade. Também não se deve deixar o solo que foi revolvido às intempéries: sempre que possível, deve ser coberto com palha ou outras plantas usadas para a adubação verde, protegendo-o do sol e da erosão.

Fertilização do solo: através do estrume ou composto (resultante da compostagem doméstica ou industrial de resíduos orgânicos). Deve-se ter cuidado com a altura da fertilização, especialmente se for feita com estrume, pois se as plantas estiverem já semeadas ou plantadas não deve ser usado o estrume, e o composto só com precaução, dependendo da espécie e da fase (vegetativa ou reprodutiva). O estrume deve ser sempre usado algum tempo antes da plantação, para não causar choque às plantas e para dar tempo que bactérias fecais nocivas morram.

Cravos-de-tunes e cosmos
Adubação verde: certas plantas são muito úteis para enriquecer o solo através da sua trituração e incorporação no mesmo, especialmente leguminosas, que vivem em simbiose (nas raizes) com micro-organismos (Rhizobium) que sintetizam compostos de azoto a partir do azoto do ar. Servem também para cobrir o solo protegendo-o.
- A tremocilha, uma leguminosa, é um bom exemplo para adubação verde, que deve ocorrer após a floração, mas antes da vagem ter sementes desenvolvidas. Corta-se, deixa-se secar cobrindo a terra, e  depois incorpora-se na mesma.
- Os cravos-de-tunes (ou cravos xaropes) são óptimos para bordadura e para afastar certas pragas. Devem ser enterrados na terra após o seu ciclo anual, pois ajudam a manter afastados do solo nemátodos indesejáveis.

Borboleta-zebra nas zínias
Biodiversidade: A biodiversidade na horta é essencial para que haja maior resistência a picos de clima ou a pragas. Mesmo as ervas a que chamamos daninhas ou infestantes têm o seu papel: umas são comestíveis (beldroegas, ançarinha-branca), outras enriquecem a terra (trevo), outras são excelentes "pesticidas" (urtiga), outras aceleram a compostagem (urtiga, consolda) e muitas são medicinais (dente-de-leão, labaça, quelidónia-maior, carrajó, urtiga).
Os melros e estorninhos comem caracóis e lesmas,  mas precisam de ser chamados com certas árvores de fruta, como por exemplo ameixoeiras. Há que deixar uma parte dos frutos para os pássaros que ajudam a combater certas pragas; mais vale perder parte dos frutos do que a produção. 

consociação alho-francês, alface, cenoura, couve
Consociação: aproveitamento do mesmo terreno, por duas ou mais culturas diferentes, na mesma época. Muitas espécies podem ser associadas entre si, porque se beneficiam mutuamente - consociações favoráveis ou positivas. Mas também há consociações  desfavoráveis ou negativas.
As flores e plantas aromáticas são essenciais nas hortas para atrair insectos úteis e para repelir pragas.  Veja tabelas de consociações aqui, e relacionados com plantas aromáticas e insetos no Cantinho das Aromáticas  e exemplos aqui.
- A hortelã é uma planta muito útil para afastar insectos indesejáveis, mas deve estar plantada em vaso porque é invasora.
- A erva príncipe é um óptimo repelente de insectos indesejáveis (sobretudo para quem tem cães - ver aqui), e dá para fazer um chá delicioso, mas é bastante sensível ao frio.

Calêndula

-  A calêndula, usada em bordaduras, além de atrair insetos úteis, é repelente de certos insetos nefastos para a horta, e tem ainda a vantagem de ter pétalas comestíveis, que embelezam qualquer salada (usadas sobretudo em "alta cozinha").
- Os cravos-de-tunes (ou cravos xaropes) são ótimos para afastar certas pragas incluindo nemátodos indesejáveis no solo. Podem ser enterrados na terra após o seu ciclo anual.
- Nos pomares, a cobertura do solo com trevo ou azevém é indicada.

Bordadura com flores e aromáticas

Sebes: Vedações de árvores e arbustos que cercam campos agrícolas. São utilizados na agricultura biológica para fomentar a biodiversidade e proteção da erosão causada pelo vento e prevenção da perda de água. A sua altura depende da dimensão da horta, e não a deve ensombrar demais, pois precisa de sol.

Bordaduras:  pequenas sebes ou remates de canteiros com plantas aromáticas ou com flores, com a função de repelir insectos indesejáveis e atrair insectos polinizadores (úteis). Por exemplo, de  alecrim, alfazema,  tomilho,  zíniascosmoscravos-de-tunes, etc. (ver exemplo aqui).

Colhido na horta 
Rotação de Culturas: Uma das práticas ancestrais na agricultura, fundamental na produção em modo biológico, que implica uma alternância de culturas conforme a família, espécie e caraterísticas da planta, de forma a enriquecer o solo e a melhorar as colheitas (veja mais aqui). *

Mais informação sobre agricultura sustentável aqui.

Post publicado em 6/10/2012 e republicado em 6/3/ 2014, adaptado do publicado inicialmente em  Agir pela Sustentabilidade (16/9/2012)

* Adicionado em  6/3/2014

domingo, 8 de dezembro de 2013

Agricultura biológica versus convencional - produtividade?

A discussão sobre a produtividade dos sistemas agrícolas, comparando a agricultura dita convencional com a agricultura biológica, já pouco tem de novo. Os estudos e argumentos que pendem para ambos os lados são muitos, mas mesmo que a agricultura convencional fosse "mais produtiva", a que graves custos isso é feito? 

Este é o assunto do artigo de Cyril Dion publicado há dias no Magazine Kaizen, do qual se apresenta abaixo a tradução de alguns parágrafos (ver também o post "Agroecologia: o futuro da agricultura")

O biológico é realmente menos produtivo do que o convencional?

Imagem obtida no artigo referido
«O argumento está muito bem estabelecido e enraizado nas mentes de todos. Se não mudamos maciçamente para a agricultura biológica na França e em todo o mundo é porque "nós não poderíamos alimentar o mundo."

Nos últimos anos, estudos, contra-estudos, proclamações e desmentidos sucedem-se. A tal ponto que se torna difícil ter uma ideia clara e suster uma posição. Para além de capelas e ideologias, vejamos concretamente o que se passa.
...

Assim, num relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 8 de março de 2011, Olivier De Schutter, relator especial da ONU para o direito à alimentação , explicou: "As evidências científicas atuais demonstram que métodos os agroecológicos são mais eficazes do que o uso de fertilizantes químicos para estimular a produção alimentar em regiões difíceis onde se concentra a fome. Até ao momento , os projetos agroecológicos em 57 países em desenvolvimento levaram a um aumento no rendimento médio de 80% das colheitas, e com um ganho médio de 116% nos projectos em África. " Isso o leva a concluir que: "A agroecologia pode duplicar a produção de alimentos em regiões inteiras dentro de 10 anos, reduzindo a pobreza rural e contribuindo com soluções para as alterações climáticas." Números que podem surpreender à luz do primeiro estudo citado .

Mas Olivier De Schutter está focado em áreas onde frassa a fome (apesar de experiências citadas na França e na Alemanha) e onde o nível de mecanização é bastante reduzido. No mundo inteiro, 28 milhões de agricultores possuem um trator, 25 milhões usam a tração animal e 1250 milhões de agricultores umsam apenas as suas mãos para trabalhar a terra. No entanto, para obter rendimentos tão elevados, a agricultura convencional baseia-se no desempenho tecnológico e energético (combustíveis fósseis maioritariamente), e também agronómicos. A agroecologia, tal como a permacultura, baseiam-se nos serviços prestados pelos ecossistemas, e são muito mais eficazes em contextos onde a mecanização é limitado. E são bem mais pertinentes para lutar contra as alterações climáticas, erosão, poluição da água, dos solos e dos alimentos, e, claro, contra a fome. Num contexto de escassez de petróleo barato, crescimento das dívidas dos agricultores, de fortes constrangimentos ecológicos e de crise económica global, é muito mais realista apostar nestas técnicas, tanto no Norte como no Sul, ao invés de imaginar equipar a totalidade dos agricultores do mundo com tratores, máquinas para a colheita, OGM, fertilizantes e produtos fitofarmacêuticos de todos os tipos ...»
...

E depois?

Em resumo, a agroecologia e a permacultura já são mais eficientes em pequenas áreas e particularmente relevantes em países pouco mecanizados e onde a segurança alimentar não é garantida. Como agricultura biológica no seu conjunto, elas fornecem uma maior garantia de sustentabilidade e de resiliência a longo prazo. Dadas as limitações que enfrentamos, seria benéfica a difusão destes métodos no nosso país, acompanhada por mudanças estruturais nos circuitos de produção, distribuição e consumo. Poderia perguntar-se por que não fazemos esta mudança de rumo. Talvez porque, como disse Olivier De Schutter "apesar do seu incrível potencial na realização do direito à alimentação, a agroecologia é ainda insuficientemente apoiada por políticas públicas ambiciosas e, portanto, ainda mal ainda ultrapassou a fase experimental". Então, cidadãos, aos jardins!»

sábado, 8 de junho de 2013

Hortas e Hortaliças

Hortaliças, legumes ou verduras são alimentos essenciais na dieta diária de quem faz uma alimentação equilibrada e saudável. Bem mais saudável se for produzido de forma biológica, sem pesticidas e sem adubos químicos de síntese (para nós e para o ambiente). E se tivermos a possibilidade e o gosto de sermos nós próprios a produzir, ainda melhor. 

No blogue irmão, Agir pela Sustentabilidade, estão uma dicas básicas, de principiante para principiante de agricultura biológica. Para quem possa estar interessado em aprender mais alguma coisa sobre o cultivo de hortícolas em modo biológico, deixo aqui umas ligações um guia básico e para manuais que estão presentemente online, e que se encontram também na página deste blogue "Agricultura Sustentável":
Abaixo, uma tabela retirada deste último (Manual de Horta: Cultivo de Hortaliças, da Secretaria Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, Brasil) com o valor nutricional de hortaliças (por 100 gr). Algumas são bem comuns em Portugal, outras nem tanto (clique na imagem para ampliar). Não admira, pois, que grande parte destes alimentos sejam fundamentais na prevenção e mesmo combate de doenças. E fundamental é também a diversidade, pois cada um desses alimentos tem a sua própria riqueza.


"Os benefícios que as verduras, legumes e frutas podem propiciar ao organismo estão cada vez mais comprovados por pesquisas científicas. Por esta razão, é muito importante que seu consumo seja motivado desde a primeira infância para que bons hábitos alimentares se instalem e perpetuem através das gerações."  

Fonte: "A IMPORTÂNCIA DAS HORTALIÇAS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA", por Vera Lúcia T. Nakayama (nutricionista),  em"Manual de Horta", Prefeitura de são Paulo

Bom proveito!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Seminário "Agricultura Biológica: o Futuro é Hoje" - Braga

Seminário "Agricultura Biológica: o Futuro é Hoje"
Data: 13 de Abril 2013 (9:30 - 16:45)
Local:  Auditório do Parque de Exposições de Braga (PEB)
Inscrição:  Entrada livre e sem inscrição prévia
Organização:  Escola Superior Agrária/IPVC e PEB
Comissão Organizadora:  Isabel Mourão, José Pedro Araújo, Luisa Moura, Miguel Brito e Raul Rodrigues
Secretariado:  Alunos do Mestrado de Agricultura Biológica 2012/13 da ESA/IPVC


domingo, 20 de janeiro de 2013

Inquérito europeu sobre agricultura biológica

Imagem da Quinta Biológica do Bec Hellouin
A Comissão Europeia deu início a uma consulta pública  destinada a todos aos cidadãos e organizações interessados, com vista à revisão da legislação sobre agricultura biológica na Europa. 

A consulta, decorre até ao dia 10/04/2013, e a finalidade e outras informações podem ser lidas neste site da Comissão Europeia sobre Agricultura e Desenvolvimento Rural.  

O inquérito inclui ainda algumas perguntas sobre organismos geneticamente modificados (OGM ou transgénicos), e pode ser respondido em linha neste site:


Apesar de não saber se este inquérito terá efetivamente algum seguimento, julgo que é importante responder e divulgar, para que haja uma elevada participação pública. No entanto,  face ao teor "armadilhado" de uma boa parte das perguntas/respostas possíveis, parece-me mais prudente não responder às perguntas sobre as quais não está devidamente informado ou cujas respostas possíveis lhe parece não se adequarem à sua opinião.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Agricultura biológica versus agricultura química

Depoimento do engenheiro agrícola Luís Mendes sobre agricultura biológica versus agricultura química (dita "tradicional"). O texto que acompanharia este vídeo foi já publicado anteriormente, em Agricultura saudável.

sábado, 30 de junho de 2012

Prefira Produtos Biológicos


Um excelente post (por Sónia Da Veiga) que nos informa:
  • Quais os 12 vegetais mais contaminados com pesticidas na agricultura "tradicional", e que por isso devemos dar prioridade aos produtos biológicos, ou cultivá-los nós mesmos de forma limpa, 
  • Quais os 15 vegetais que por norma são menos contaminados com pesticidas na agricultura "tradicional".

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Agricultura saudável

No Verão passado frequentei um dos Cursos de Verão da Universidade Católica - Biotecnologia, chamado "Hortas urbanas para todos: do conceito à colheita". Foram abordados os princípios da agricultura biológica, técnicas, consociações, fertilização natural do solo, e sobretudo, o respeito pelo equilíbrio dos sistemas ecológicos.  Falamos da interacção entre animais, plantas e solo, e apenas vislumbrei um manancial de informação que todos os agricultores deviam ter, que antigamente sabiam, e que a agricultura do sec. XX com as suas monoculturas extensivas (quase) enterrou!

O princípio fundamental da agricultura biológica  é o respeito pela natureza e a estrita proibição de pesticidas ou adubos químicos de síntese. O solo é também um dos pilares fundamentais: ao contrário da agricultura "tradicional" que empobrece e mata o solo, com a prática da agricultura biológica o solo é enriquecido. Toda a matéria orgânica não consumida é devolvida ao solo (e mesmo parte da consumida: o estrume). Com compostagem ou sem compostagem (adubação verde).

A agricultura biológica baseia-se na biodiversidade: para além de  certas plantas atuarem como "defensoras" ou "ajudantes" de outras (consociações), se ocorrer uma devastação de uma espécie, por doença, praga ou intempérie, há uma grande probabilidade de outras espécies resistirem e não haver grandes perdas.

A agricultura biológica depende de uma miríade de insectos polinizadores, como as abelhas, e de insectos predadores de outros insectos "vegetarianos", cujo exemplo paradigmático é a joaninha, que é uma feroz devoradora de pulgões e outros pequenos insectos que atacam as plantas. Por isso, e porque a joaninha é extremamente sensível e só aparece onde não há aplicação de pesticidas, ela é o símbolo da agricultura biológica. Para os atrair, certas flores (como os cravos-de-tunes) e as plantas aromáticas  são fundamentais.


A agricultura biológica é um termo que se usa para a agricultura "certificada", e tal como definida em regulamento da União Europeia  (no caso do Brasil, chama-se agricultura orgânica). Neste tipo de agricultura são permitidos alguns produtos químicos menos agressivos para o ambiente, como o caso da calda bordalesa (mistura de cal e sulfato de cobre) e técnicas de "guerrilha biológica", como a "largada" de certos insetos predadores destinados a controlar determinada espécie que se tornou praga. Mas sempre, em último caso.


Na agricultura natural ou ecológica, que vai mais além no respeito pela natureza do que a agricultura biológica, tais produtos e métodos não são usados (sobretudo porque não são precisos), pois esta não se dedica a cultivos extensivos de poucas espécies, mas a cultivos intensivos de uma grande biodiversidade que proporciona o equilíbrio.

A agricultura ecológica não é gananciosa, pois sabe que precisa de "perder" uma parte das suas culturas para manter o equilíbrio do ecossistema. Por exemplo, os melros são predadores de caracóis, mantendo-os em número controlado. Mas há que contar que eles também vão comer uma parte dos frutos.  No fim, chega para todos: para nós, para os pássaros, para os bichinhos vegetarianos e para os insectos predadores...

A agricultura natural tem como princípio a prevenção e o equilíbrio com base no conhecimento dos ciclos e relações na natureza, e evita a todo o custo intervir para remediar. Mas por vezes, desequilíbrio acontecem. E não é por termos uns determinados bichinos por nós indesejados numa ou outra planta que temos uma praga, pois isso é natural. Considera-se uma praga quando uma grande parte de determinada espécie está a ser atacada. Nesses casos, a agricultura natural aplica alguns produtos e técnicas também naturais, como é o caso do chá ou do chorume de urtiga (insecticida natural). E a seguir, tenta descobrir porque é que esse desequilíbrio aconteceu, para tentar evitá-lo no futuro.


No princípio deste ano, frequentei um Curso de Planeamento em Permacultura (PDC= Permaculture Design Course) na Fundação de Serralves, Porto. A permacultura vai muito além da agricultura, pois integra um conjunto de áreas diferentes de modo a poder projetar e manter habitats humanos sustentáveis com o menor consumo energético possível (mesmo energia humana). Mas na base, e para que nos sustentemos no que há de mais essencial- a alimentação - lá está a agricultura ecológica, embora o ênfase na permacultura esteja na agricultura permanente e na agrofloresta.

No fundo, agricultura biológica, agricultura natural ou ecológica, permacultura ou agrofloresta são as facetas da agricultura saudável: aquela que, e por oposição à  agricultura química ( dita "tradicional do século XX"  ou da "Revolução Verde"), não nos envenena, não envenena o solo, a água ou o ar! Antes pelo contrário!

domingo, 22 de abril de 2012

Permacultura e beleza no Dia da Terra


Hoje é o Dia da Terra, que se comemora a 22 de Abril desde 1970. Para mim, todos são dias da Terra, mas é bom que haja um dia simbólico para lembrar aqueles que se esquecem de respeitar e cuidar da nossa Mãe Terra, onde toda a vida é gerada e cresce com a  magia do Pai Sol. Sugiro os conselhos e alertas da Quercus

Para comemorar o Dia da Terra trago-vos um belíssimo exemplo de cuidado com a Terra, "La Ferme biologique du Bec Hellouin", uma quinta em permacultura, em Le Bec Hellouin, Normandia, norte de França. Vejam a reportagem no vídeo abaixo e as imagens fabulosas aqui!

"A quinta biológica em Bec Hellouin, criada por um casal de apaixonados pela natureza no cenário encantador de um vale preservado, é um espaço experimental onde são colocadas em prática as técnicas mais inovadoras do ponto de vista agro-ecológico.

Premiada com o Troféu de Eco-turismo da Alta Normandia, a quinta rege-se sob o signo da biodiversidade. Nos seus jardins e pomares crescem mais de 800 variedades de frutas, legumes, plantas aromáticas e medicinais. Um eco-centro de formação foi construído no coração deste lugar privilegiado, um lugar de encontro e intercâmbio entre pesquisadores, agricultores e estudantes que querem inventar uma agricultura capaz de alimentar a humanidade sem destruir o planeta.
Este é o lugar ideal para abrigar a formação organizado pela quinta, centrada na permacultura e na agricultura natural."

Fonte: http://www.fermedubec.com/ (tradução minha)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As bases da produção biológica de alimentos

O vídeo abaixo, intitulado "Alimento orgânico: o sonho da autossuficiência" é uma verdadeira lição sobre os fundamentos básicos de produção biológica de alimentos.

"O protagonista dessa história é o agricultor orgânico, Jorge Studer, que nos recebeu no Sítio Aredês, sua propriedade no município de Teresópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro. Depois de largar a carreira de administrador na Suíça, virou agricultor e mudou-se para o Brasil. O objetivo principal de Jorge é alcançar a total subsistência, vendendo somente o excedente da produção.

De acordo com o produtor, esse é um caminho viável para agricultores conquistarem maior autonomia e independência, livres da necessidade de compra de insumos agrícolas (como agrotóxicos). Sua propriedade, de 48 hectares, é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e protege integralmente 40% de sua área. Localizado na Zona de Amortecimento do Parque Estadual dos Três Picos é um exemplo de atividade sustentável na região."  Fonte: O ECO - Vídeos

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Hortas Comunitárias do Castêlo da Maia

As hortas comunitárias no Castêlo da Maia estão divididas em dois tipos, com áreas e funções diferentes: as hortas familiares (Hortas da Quinta da Gruta) e as hortas de subsistência (Hortas do Castêlo da Maia). A propriedade e responsabilidade do espaço das hortas é da Câmara Municipal da Maia. A gestão das hortas, bem como a formação dos utentes, estão atribuídas à LIPOR. Na Maia, e em Novembro passado, havia cerca de 300 pessoas em lista de espera; no total dos municípios abrangidos pela LIPOR são mais de 2800 a aguardar o seu talhão.

A agricultura praticada pelas hortas geridas pela LIPOR é obrigatoriamente biológica, assim como a formação inicial dos utentes nessa área, num curso de 18 horas que inclui a compostagem. Estão integradas no Projecto Horta à Porta - hortas biológicas da região do Porto - "um projecto que visa promover a qualidade de vida da população, através de boas práticas agrícolas, ambientais e sociais", que surgiu em Julho de 2003.

Cada uma das hortas individuais dispõe de um compostor, destinado a promover a redução de resíduos. Os utentes são incentivados a depositar aí não só os resíduos da horta, mas também os resíduos orgânicos (apropriados) de sua casa. 

As hortas familiares dispõem de 66 talhões com a área de 25 m2 por utente. As hortas de subsistência têm áreas de 100 m2 e destinam-se a pessoas com dificuldades económicas, de modo a que possam obter rendimento através da comercialização dos produtos.

Hortas da Quinta da Gruta:






Hortas do Castêlo da Maia:




Agradeço a cedência das fotos à colega Clara Lemos