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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Alimentação no Antropoceno (estudo de The Lancet)

«Um grupo de 37 cientistas de 16 países apresentou novas diretrizes para que a alimentação beneficie simultaneamente as pessoas e o planeta. A conclusão é que todos precisamos de comer mais vegetais e alguns precisam comer muito menos carne…

Imagem da capa do documento (simongurney/GettyImages)
O estudo, apresentado na revista Lancet, afirma que é preciso que os países desenvolvidos reduzam o consumo de carne, que todos reduzam o desperdício alimentar e que se modifique os métodos de produção de forma a reduzir a desflorestação e o consumo de água.»


Foi recentemente publicado na revista The Lancet, o estudo denominado "Alimentação no Antropoceno: a Comissão EAT–Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis ", em janeiro de 2019. The Lancet é uma revista científica sobre medicina com revisão por pares, e uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo (daqui). 

Abaixo apresenta-se excertos do prefácio e a conclusão do artigo, bem como algumas imagens do mesmo, que pode ser consultado aqui e descarregado aqui.

Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentável
Diferença entre os padrões alimentares em 2016 e as ingestões na dieta de referência.   Os dados sobre as ingestões de 2016 são do banco de dados da “Global Burden of Disease”. A linha ponteada representa as ingestões na dieta de referência (tabela 1, abaixo).

«A grande transformação alimentar do século XXI

A civilização está em crise. Não podemos mais alimentar nossa população com uma dieta saudável, equilibrando recursos planetários. Pela primeira vez em 200.000 anos da história humana, estamos gravemente fora de sincronia com o planeta e a natureza.

Esta crise está a acelerar, esticando a Terra até seus limites e ameaçando a existência sustentada de seres humanos e outras espécies. Esta publicação “Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis” não poderia ser nem mais oportuna nem mais urgente.

As dietas dominantes que o mundo tem produzido e consumido nos últimos 50 anos já não são nutricionalmente ótimas, são um dos principais contribuidores para as alterações climáticas e estão a acelerar a erosão da biodiversidade natural.

A menos que haja uma mudança abrangente na forma como o mundo come, não há probabilidade de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - com a alimentação e a nutrição a atravessar todos os 17 ODS - ou de cumprir o Acordo de Paris sobre alterações climáticas

(Prefácio de Tamara Lucas, Richard Horton)

Efeitos ambientais por porção de alimentos produzidos.  As barras são médias (SD). Faltam alguns resultados sobre peixe devido à falta de dados para algumas categorias de impacto (ex., uso da terra proveniente de alimentos à base de plantas na aquicultura).

Efeitos ambientais em 2010 e em 2050 por grupos de alimentos em vários sistemas terrestres, com base em projeções “business-as-usual” (tudo como até agora) para consumo e produção (staples= alimentos básicos).

«Conclusão

Os alimentos que ingerimos e a maneira como os produzimos determinarão a saúde das pessoas e do planeta, e grandes mudanças devem ocorrer para evitar a redução da esperança de vida e a degradação ambiental contínua.

Esta Comissão apresenta uma base de trabalho integrada que fornece metas científicas quantitativas para dietas saudáveis e produção sustentável de alimentos, que, juntas, definem um espaço seguro dentro do qual os sistemas alimentares devem operar para assegurar que um amplo conjunto de metas de saúde humana e de sustentabilidade ambiental sejam alcançadas.

Essa base é universal e fornece limites que são globalmente aplicáveis com um alto potencial de adaptação e escalabilidade locais. Ao definir e quantificar um espaço operacional seguro para sistemas alimentares, podem ser identificadas dietas que alimentem a saúde humana e apoiem a sustentabilidade ambiental.

A nossa dieta de referência universal saudável consiste em grande parte de legumes, frutas, grãos integrais, legumes, nozes e óleos insaturados, inclui uma quantidade baixa a moderada de frutos do mar e aves, e inclui pouca ou nenhuma carne vermelha, carne processada, açúcar adicionado, grãos refinados e vegetais ricos em amido.

A nossa definição de produção sustentável de alimentos permanece dentro de limites planetários seguros para seis processos ambientais que juntos regulam o estado do sistema terrestre e incluem alterações climáticas, mudanças no uso de terras, uso de água doce, perda de biodiversidade e interferência nos ciclos globais de azoto (nitrogénio) e fósforo .

Aplicando uma estrutura global de modelagem de sistemas alimentares, mostramos que é possível alimentar uma população global de quase 10 mil milhões de pessoas com uma dieta saudável dentro dos limites da produção de alimentos até 2050.

No entanto, essa Grande Transformação Alimentar só será alcançada através de níveis ação alargados, múltiplos e multissetoriais, que incluem uma mudança global e substancial em direção a padrões alimentares saudáveis, grandes reduções no desperdício de alimentos e grandes melhorias nas práticas de produção alimentar. 

Os dados são suficientes e fortes para justificar a ação; o atraso aumentará a probabilidade de não se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris. 

Esta Comissão mostra que uma Grande  Transformação Alimentar é necessária e realizável.»

Fonte:   http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31788-4  (tradução livre)


Tabela 1: Dieta de referência saudável, com intervalos possíveis, para uma ingestão de 2.500 kcal / dia
Para um indivíduo, uma ingestão de energia ideal para manter um peso saudável dependerá do tamanho do corpo e do nível de atividade física. O processamento de alimentos, como a hidrogenação parcial de óleos, a refinação de grãos e a adição de sal e conservantes, podem afetar substancialmente a saúde, mas não são abordados nesta tabela. * Trigo, arroz, feijões secos e lentilhas são secos, crus. † A mistura e a quantidade de grãos podem variar para manter a ingestão isocalórica. ‡ Carne de vaca e cordeiro podem ser trocados por carne de porco e vice-versa. Frango e outras aves de capoeira são trocáveis ​​com ovos, peixe ou fontes de proteína vegetal. Legumes, amendoim, nozes, sementes e soja são intercambiáveis. § Os alimentos à base de peixe consistem em peixe e marisco (por exemplo, mexilhões e camarões) e são originários da captura e da aquacultura. Embora os frutos do mar sejam um grupo altamente diversificado que contém animais e plantas, o foco deste relatório é exclusivamente sobre animais. Os óleos insaturados são 20% de cada um de: azeite e óleos de soja, colza, girassol e amendoim. || Alguma banha ou sebo são opcionais nos casos em que porcos ou gado são consumidos.

Mais artigos sobre o estudo em português em:

Vida Exttra: Alimentar o planeta exige dieta com menos carne e mais verduras e fruta

 Página 22 - Dietas que salvam a saúde humana e a vida no planeta

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Alimentação: o futuro pela boca!

Pirâmide dupla, BCFN
«A alimentação é um tema que toca a todos e a cada um de nós. Todos comemos e estamos, portanto, dependentes do acesso a alimentos saudáveis e nutritivos. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação são, por isso, questões-chave do desenvolvimento humano. Uma sociedade não pode ser considerada desenvolvida se estas questões não estiverem, em grande parte, resolvidas. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação (ou a sua falta) têm, por outro lado, profundas implicações ao nível da saúde pública, do bem-estar das pessoas e do capital humano, afetando, portanto, a própria capacidade de uma sociedade para se desenvolver.

Pirâmide da pegada de carbono, BCFN
A alimentação é, além disso, o principal motivo para atividades produtivas como a agricultura e a pesca, que transformam profundamente os ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos que nos rodeiam. A pegada ecológica e a sustentabilidade do nosso modelo de produção, transformação, transporte, distribuição e consumo de alimentos são, por isso, questões incontornáveis no debate sobre a alimentação. A desigualdade social afeta fortemente o acesso de muitos a uma alimentação de qualidade, quer nos países em desenvolvimento quer nos países ditos desenvolvidos. Esta é, por isso, também uma questão a não excluir de qualquer discussão séria sobre o futuro da alimentação. Uma alimentação com futuro requer, assim, o acesso, por parte de todos, a uma alimentação saudável e ecologicamente sustentável.


O futuro da alimentação humana num mundo em crescimento demográfico, com dietas em rápida mutação, com escassez crescente de recursos cruciais como a água, a energia e o solo fértil, e num contexto de alterações climáticas cada vez mais visíveis, coloca hoje desafios monumentais à ciência e à tecnologia, às políticas públicas nos mais diversos domínios e a todos nós, enquanto cidadãos e consumidores.
...
Fonte: Akatu
O futuro da alimentação passa pelas decisões do consumidor, que, multiplicadas por sete mil milhões, se transformam na força de mudança mais poderosa. As escolhas alimentares dos consumidores serão um dos fatores mais decisivos para a mudança climática e têm impactos sobre o consumo de água e de energia e sobre o uso do solo. São muito diferentes as necessidades de energia, água e terra para a produção, transporte, consumo e armazenamento de diferentes tipos de alimentos, bem como os resíduos produzidos. As escolhas alimentares dos consumidores afetam ainda a saúde pública, o bem-estar das pessoas e a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sua sociedade. Deste modo, parece muito claro que modificar os comportamentos e decisões de consumo é questão-chave para assegurar uma alimentação saudável, ambientalmente sustentável e geradora de maior potencial de desenvolvimento.»

Fonte: "O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia", Fundação Calouste Gulbenkian; (extraído da introdução do relatório, de José Lima Santos, Isabel do Carmo, Pedro Graça e  Isabel Ribeiro)



Estou convicta de que o futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer.  As nossas escolhas alimentares interferem profundamente na nossa saúde e na dos nossos descendentes, no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista.




Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde ou a nossa doença, estamos a votar num determinado sistema económico.

Fonte: BCFN
Ao preferir produtos biológicos, ao optar por produtos locais e da época, ao escolher dietas vegetarianas (ou ao introduzir refeições vegetarianas), ao não comprar produtos processados ou excessivamente embalados, não está apenas a cuidar da sua saúde, está também a cuidar da saúde do planeta.

Dia 16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação; dia 1 de novembro é o Dia Mundial do Veganismo; dia 8 de novembro é o Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis; que o assinalar destas datas permitam contribuir para a informação e reflexão sobre  o assunto.

Para saber mais sobre alimentação saudável, consulte o blogue NUTRIMENTO do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, no qual pode consultar muitos manuais sobre alimentação, inclusive os manuais (entre muitos outros):



Disponível também muita informação sobre alimentação no Centro Barilla de Alimentação e Nutrição (Barilla Center for Food and Nutrition Foundation, BCFN): https://www.barillacfn.com/ (em inglês ou italiano).

Livro/ e-book "Eating Planet" referido no vídeo: https://www.barillacfn.com/en/dissemination/eating_planet/ 

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Mensagem  publicada a 6 de novembro de 2016, republicada em 16 de outubro de 2018, Dia Mundial da Alimentação