Mostrar mensagens com a etiqueta agricultura ecológica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta agricultura ecológica. Mostrar todas as mensagens

domingo, 18 de setembro de 2016

Sabe de onde vêm os seus alimentos?

O vídeo abaixo mostra como no Brasil os pequenos agricultores e os consumidores que se preocupam com uma alimentação e agricultura sem venenos ("agrotóxicos") estão a dar a volta ao grande poder das multinacionais agroquímicas ou grandes cadeias de distribuição. Associações de agricultores ecológicos, feirinhas onde o produto chega diretamente do produtor ao consumidor,  encurtando os circuitos dos alimentos, reduzindo ou eliminando os intermediários que levam a grande fatia do lucro, se não todo.

Imagem obtida aqui
Nas AMAP, Associações de Manutenção de Agricultura de Proximidade, os associados consumidores pagam adiantado para que os agricultores possam pagar as despesas de produção, e recebem em cabazes com os produtos da época. Isto permite um pagamento justo ao produtor, preços mais baixos, e alimentação mais saudável.

Em Portugal, felizmente já começam a aparecer AMAP, agricultura de proximidade (não necessariamente de produtos biológicos certificados), que tratam de “uma parceria direta, baseada na relação humana entre o grupo de consumidores e um ou mais produtores, onde os riscos, responsabilidades e recompensas da produção agrícola são partilhadas, através do estabelecimento de uma ligação de longa duração.” (daqui)

Na sessão "Ambientar-se" de 16/9/2016 em Vila Nova de Famalicão, os representantes da AMAP Chuchubio explicaram o modo de funcionamento destas associações. Um excelente caminho para a agricultura em pequena escala, e sobretudo, para a agricultura biológica. O poder está na mão de cada um, quando escolhe o que e onde compra, e sobretudo quando se informa de onde vem os seus alimentos (e não só, claro).


Você sabe de onde vêm seus alimentos? from Aura on Vimeo.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Oficinas sobre Horticultura Ecológica, Famalicão

O Grupo Famalicão em Transição está a organizar duas sessões de Oficinas sobre Horticultura Ecológica, em Vila Nova de Famalicão, com a formadora Atimati,  a realizar nos dias 14 e 21 de junho de 2014.

Oficina da manhã, 9h30 -12h30:
Tratamento e Prevenção de Pragas e Doenças.

Oficina da tarde, 14h30 - 17h30:
Identificação de Plantas Selvagens Úteis.

Inscrições e mais informação: ver no blogue de Famalicão em Transição

Local:

Dia 14 de junho: Quinta de Ribela, Cruz

Dia 21 de junho: Hortas do Parque da Devesa (a confirmar)

domingo, 20 de outubro de 2013

Terra Mãe - "O que a gente precisa a natureza dá."

«"O que a gente precisa a natureza dá. Na verdade o que a gente precisa é ter olhos para ver, você abrir o olho e perceber que está ao entorno de você é de uma riqueza muito grande."

A busca por um modo de vida mais harmônico com o ecossistema tem inspirado diversas pessoas a ter atitudes positivas, cooperativas e de baixo impacto, contribuindo com um movimento mundial para a sustentabilidade planetária.

O projeto Terra e Paz vem documentando algumas dessas iniciativas com o intuito de estimular novos olhares e um repensar sobre nossos valores culturais e estilos de vida. Simplicidade é abundância

Fonte: Terra e Paz em Vimeo.

Veja a beleza da simplicidade nesse inspirador vídeo sobre o programa Terra Mãe, filmado em São Gonçalo do Rio das Pedras (Minas Gerais, Brasil), e realizado pelo projeto Terra e Paz.


Terra Mãe from Terra e Paz on Vimeo.


quarta-feira, 6 de março de 2013

O Agricultor Rebelde

Vi este documentário em 2010 quando estive na Maia a assistir a uma palestra com o próprio Agricultor Rebelde, Sepp Holzer (ver aqui). Aí o filme estava legendado, mas até hoje não consegui arranjar com legendas para publicação. De qualquer modo, aqui fica o filme em inglês (versão com locução em espanhol aqui):


O Agricultor Rebelde - Realização: Bertram Verhaag | Produção: Bertram Verhaag | 2001 | Sinopse:

«Sepp Holzer, o agricultor e silvicultor austríaco pratica "permacultura" na sua propriedade na montanha. Ele tem muito sucesso com este método de agricultura biológica, e é muito convincente. Contrariamente a todas as regras convencionais e, apesar de temperaturas médias anuais de 4,5 ° C e uma altitude entre 900-1400m, ele cultiva cerejas, maçãs, cogumelos, kiwis, limões, abóboras, batatas e courgetes

domingo, 3 de março de 2013

domingo, 27 de janeiro de 2013

Vandana Shiva e a agroecologia como o recurso principal

A agroecologia é a solução para garantir a segurança alimentar do planeta, foi a principal mensagem de Vandana Shiva na entrevista após a Cúpula dos Povos, em junho 2012:

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Agroecologia: o futuro da agricultura

São cada vez mais as vozes e as provas que destacam as enormes vantagens da agroecologia ou da agricultura ecológica em relação à agricultura industrial. Desde as evidentes e óbvias vantagens ambientais devido à não utilização de pesticidas e fertilizantes químico, até às vantagens económicas e sociais devido a uma partilha de lucros sem comparação possível, passando pelas vantagens em termos de saúde humana e de resiliência face à crise energética!
Imagem obtida aqui

A seguir, o depoimento de Miguel A. Altieri, presidenta da SOCLA - Sociedade Científica Latinoamericana de Agroecologia, onde refere que «Em Cuba, onde existe a única agricultura "post-petróleo" do mundo, num hectare produzem alimentos suficientes para alimentar 15 a 30 pessoas com uma eficiência energética de 15 a 30; isto significa que eles obtém 30 kilocalorias por cada kilocaloria que gastam no cultivo: a eficiência média da agricultura industrial é 1,5.»



Imagem obtida aqui
relatório de dezembro de 2010 de Olivier De Schutter, relator especial da ONU para o direito à alimentação conclui que, especialmente onde há mais pobreza, a agroecologia permite um elevado aumento da produtividade agrícola em relação aos métodos dependentes de pesticidas e fertilizantes químicos, enquanto contribui para a diminuição da fome e para a melhoria das condições de vida dos agricultores.

O texto que se segue é um extrato do documento "Agroecologia e o Direito Humano à Alimentação Adequada", tradução brasileira do referido relatório:

Imagem obtida aqui
«12. A agroecologia é tanto uma ciência quanto um conjunto de práticas. Ela foi criada pela convergência de duas disciplinas científicas: agronomia e ecologia. Como uma ciência, a agroecologia é a “aplicação da ciência ecológica ao estudo, projeto e gestão de agroecossistemas sustentáveis”. Como um conjunto de práticas agrícolas, a agroecologia busca maneiras de aperfeiçoar os sistemas agrícolas imitando os processos naturais, criando, portanto, interações biológicas benéficas e sinergias entre os componentes do agroecossistema. Ela apresenta as condições de solo mais favoráveis para o crescimento das plantas, particularmente pela gestão de matéria orgânica e pelo aumento na atividade biótica do solo. Dentre os princípios básicos da agroecologia destacam-se: a reciclagem de nutrientes e energia nas propriedades agrícolas, em vez da introdução de insumos externos; integrar cultivos agrícolas e a pecuária; diversificar as espécies e os recursos genéticos dos agroecossistemas no tempo e espaço; e concentrar-se em interações e produtividade em todo o sistema agrícola e não se concentrar em espécies individuais. A agroecologia faz um uso altamente intensivo do conhecimento, baseado em técnicas que não são transmitidas a partir dos níveis superiores, mas desenvolvidas com base no conhecimento e experimentação dos agricultores.
Imagem obtida aqui
(...)
Uma ampla gama de técnicas baseadas na perspectiva agroecológica tem sido desenvolvida e testada com sucesso em diversas regiões. Estas abordagens envolvem a manutenção ou introdução de biodiversidade agrícola (diversidade de culturas, pecuária, agrofloresta, pesca, polinizadores, insetos, biota do solo e outros componentes que ocorrem nos e em relação aos sistemas de produção) para atingir os resultados desejados na produção e sustentabilidade.
(...)
Imagem obtida aqui
17. Estas técnicas de conservação de recursos com baixos insumos externos têm um comprovado potencial para melhorar significativamente a produtividade. No que pode ser o estudo mais sistemático do potencial destas técnicas até a presente data, Jules Prett y et al. compararam os impactos de 286 projetos agrícolas sustentáveis recentes em 57 países pobres cobrindo 37 milhões de hectares (3% da área cultivada em países em desenvolvimento). Eles concluíram que estas intervenções aumentaram a produtividade em 12,6 milhões de propriedades agrícolas, com um aumento médio na safra de 79%, ao mesmo tempo em que melhoraram a oferta de serviços ambientais essenciais. Os dados desagregados desta pesquisa demonstraram que a produção alimentar média por propriedade aumentou em 1,7 tonelada por ano (até 73%) para 4,42 milhões de agricultores que praticam agricultura em pequena escala cultivando cereais e tubérculos em 3,6 milhões de hectares e que o aumento na produção de alimentos foi de 17 toneladas por ano (até 150%) para 146.000 agricultores em 542.000 hectares cultivando tubérculos (batata, batata doce, mandioca). Após a UNCTAD e UNEP terem reanalisado o banco de dados para apresentar um resumo dos impactos na África, descobriu-se que o aumento na produtividade média na safra foi até maior para estes projetos do que a média global de 79%, com um aumento de 166% para todos os projetos africanos e um aumento de 128% para os projetos no leste da África.

Imagem obtida aqui
18. O estudo de larga escala mais recente aponta para as mesmas conclusões. A pesquisa encomendada pelo projeto Foresight Global Food and Farming Futures do Governo do Reino Unido reviu 40 projetos em 20 países africanos nos quais a intensificação sustentável foi desenvolvida durante a década de 2000. Os projetos incluíram entre outros, a ampliação nas colheitas (particularmente os aperfeiçoamentos através do cultivo de plantas participativas em culturas órfãs negligenciadas até então), manejo integrado de pragas, conservação do solo e agrofloresta. Até o início de 2010, estes projetos tinham benefícios documentados para 10,39 milhões de agricultores e suas famílias e aperfeiçoamentos em aproximadamente 12,75 milhões de hectares. A produtividade nas culturas mais que dobrou na média (aumentando 2,13 vezes) em um período de 3-10 anos, resultando em um aumento na produção agregada de alimentos de 5,7 milhões de toneladas por ano, equivalente a 557 kg/propriedade agrícola.

Imagem obtida aqui
19. Algumas vezes, inovações aparentemente menores podem proporcionar altas produtividades. No Quênia, pesquisadores e agricultores desenvolveram a estratégia “atração-expulsão” para controlar ervas daninha e insetos que danificam as culturas. A estratégia consiste em “expulsar” as pragas do milho pelo consórcio do milho com culturas repelentes a insetos, como o Desmodium, ao mesmo tempo em que os “atrai” para os pequenos lotes de capim Napier, uma planta que excreta uma goma pegajosa que atrai e aprisiona as pragas. O sistema não apenas controla as pragas, mas também tem outros benefícios, porque o Desmodium pode ser usado como forragem para o gado. A estratégia “atração-expulsão” dobra a produtividade de milho e produção de leite, ao mesmo tempo em que melhora o solo. O sistema já foi difundido para mais de 10.000 propriedades no leste da África por meio de reuniões municipais, transmissões nacionais em rádio e escolas de campo para agricultores. No Japão, os agricultores descobriram que patos e peixes eram tão eficazes quanto pesticidas para o controle de insetos nos arrozais, ao mesmo tempo em que proporcionavam proteína adicional para suas famílias. Os patos comem ervas daninhas, sementes de ervas daninhas, insetos e outras pragas, reduzindo, portanto, a mão de obra com capina, de outra forma feita manualmente por mulheres, e as fezes dos patos fornecem nutrientes às plantas. O sistema foi adotado na China, Índia e Filipinas. Em Bangladesh, o International Rice Research Institute relatou um aumento de 20% na produtividade das culturas e o rendimento líquido com base no custo monetário aumentou em 80%.»

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Vandana Shiva - entrevista brilhante na BBC

Fascinante a maneira como a doutora Vandana Shiva responde e desconstrói os mitos da oligarquia do consumo disparados pela entrevistadora. Sobre sementes e patentes, "landgrabbing", pobreza e fome, transgénicos e pesticidas, agricultura industrial versus ecológica, e de como tudo isto está ligado.... Apesar de várias vezes interrompida, Vandana Shiva mantém-se segura e brilhante! Só é pena não estar legendado em português!  

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

"Como podemos alimentar o mundo de hoje e de amanhã?"

«Os maiores agentes da indústria alimentar  - desde fabricantes de pesticidas e de fertilizantes até aos processadores de alimentos - gastam milhares de milhões de dólares todos os anos a vender a ideia de que precisamos dos seus produtos para alimentar o mundo. Mas, realmente precisamos da agricultura industrial para alimentar o mundo? Podem os alimentos cultivados de forma sustentável produzir a quantidade e qualidade de que precisamos - hoje e no futuro? O nosso primeiro filme “Food MythBusters“ (Caça-mitos dos Alimentos) responde a essas questões em menos de sete minutos. Então da próxima vez que você as ouvir, você também pode responder

Fonte: traduçao de Food MythBusters, filme de Anna Lappé

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Fukuoka e os limites do método científico

«Os pesquisadores deviam ser filósofos antes de se tornarem pesquisadores. Deviam questionar-se sobre qual é o objectivo do Homem e o que é que a humanidade deve criar. Os médicos deviam começar por determinar aquilo que é fundamental na vida do Homem.Ao aplicar as minhas teorias à agricultura, experimentei o cultivo de cereais de Inverno de diversas maneiras, com a ideia constante de desenvolver um método que estivesse próximo da Natureza. Consegui-o suprimindo as práticas agrícolas inúteis.

Mas a agricultura científica moderna não vê as coisas desta maneira. A pesquisa erra à aventura, e cada pesquisador mais não vê do que uma parte da quantidade infinita de factores naturais que afectam o rendimento das colheitas. Além disso, estes factores naturais mudam de lugar para lugar e de ano para ano.

Num mesmo campo, o agricultor deve, em cada ano, cultivar de forma diferente consoante as variações do clima, as populações de insectos, o estado do solo e inúmeros outros factores naturais. A Natureza está em toda a parte em perpétuo movimento; as condições nunca são exactamente as mesmas em dois anos seguidos.

A pesquisa moderna divide a Natureza em pequenos pedaços e leva a cabo experiências que não são conformes nem à lei da Natureza nem à prática. Os resultados são adaptados de acordo com as conveniências da investigação e não com as necessidades do camponês. Pensar que as conclusões da investigação podem ser infalivelmente aplicadas no campo do agricultor é um grave erro.
(...)

Neste momento fala-se muito nos benefícios do "movimento do Bom arroz" e da "Revolução Verde". Dado que estes métodos estão subordinados a variedades de sementes fracas "melhoradas", o agricultor deve recorrer a produtos químicos e a insecticidas 8 a 10 vezes durante a estação de crescimento. Em pouco tempo os microorganismos e a matéria orgânica ficam queimados. A vida do solo é destruída e as colheitas acabam por ficar dependentes de matérias nutritivas fornecidas a partir do exterior sob a forma de fertilizante químico.

Imagem obtida aqui
Embora as coisas pareçam resultar melhor quando o camponês aplica as técnicas "científicas", isso não significa que a ciência deva vir em nosso socorro porque a fertilidade natural é insuficiente por natureza. Isso significa que que esse recurso torna-se necessário porque a fertilidade natural foi destruída.

Espalhando palha nos campos, fazendo crescer trevo, devolvendo ao solo todos os resíduos orgânicos, a terra acaba por possuir todas as matérias nutritivas necessárias ao arroz, e aos cereais de Inverno no mesmo campo, todos os anos. Através da agricultura selvagem, os campos danificados pelo cultivo ou pela utilização de compostos químicos agrícolas podem ser efectivamente recuperados.»

Texto de Masanobu Fukuoka (1913-2008), extraído do capítulo "Limites do método científico" do seu livro "A Revolução de Uma Palha", 1975, Editora Via Óptima, 2008

Um livro que todos os agricultores, aspirantes a agricultores e curiosos da agricultura deviam ler! E cientistas também!


(Nota de 14/12/2013: livro disponível para download aqui)


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Agricultura saudável

No Verão passado frequentei um dos Cursos de Verão da Universidade Católica - Biotecnologia, chamado "Hortas urbanas para todos: do conceito à colheita". Foram abordados os princípios da agricultura biológica, técnicas, consociações, fertilização natural do solo, e sobretudo, o respeito pelo equilíbrio dos sistemas ecológicos.  Falamos da interacção entre animais, plantas e solo, e apenas vislumbrei um manancial de informação que todos os agricultores deviam ter, que antigamente sabiam, e que a agricultura do sec. XX com as suas monoculturas extensivas (quase) enterrou!

O princípio fundamental da agricultura biológica  é o respeito pela natureza e a estrita proibição de pesticidas ou adubos químicos de síntese. O solo é também um dos pilares fundamentais: ao contrário da agricultura "tradicional" que empobrece e mata o solo, com a prática da agricultura biológica o solo é enriquecido. Toda a matéria orgânica não consumida é devolvida ao solo (e mesmo parte da consumida: o estrume). Com compostagem ou sem compostagem (adubação verde).

A agricultura biológica baseia-se na biodiversidade: para além de  certas plantas atuarem como "defensoras" ou "ajudantes" de outras (consociações), se ocorrer uma devastação de uma espécie, por doença, praga ou intempérie, há uma grande probabilidade de outras espécies resistirem e não haver grandes perdas.

A agricultura biológica depende de uma miríade de insectos polinizadores, como as abelhas, e de insectos predadores de outros insectos "vegetarianos", cujo exemplo paradigmático é a joaninha, que é uma feroz devoradora de pulgões e outros pequenos insectos que atacam as plantas. Por isso, e porque a joaninha é extremamente sensível e só aparece onde não há aplicação de pesticidas, ela é o símbolo da agricultura biológica. Para os atrair, certas flores (como os cravos-de-tunes) e as plantas aromáticas  são fundamentais.


A agricultura biológica é um termo que se usa para a agricultura "certificada", e tal como definida em regulamento da União Europeia  (no caso do Brasil, chama-se agricultura orgânica). Neste tipo de agricultura são permitidos alguns produtos químicos menos agressivos para o ambiente, como o caso da calda bordalesa (mistura de cal e sulfato de cobre) e técnicas de "guerrilha biológica", como a "largada" de certos insetos predadores destinados a controlar determinada espécie que se tornou praga. Mas sempre, em último caso.


Na agricultura natural ou ecológica, que vai mais além no respeito pela natureza do que a agricultura biológica, tais produtos e métodos não são usados (sobretudo porque não são precisos), pois esta não se dedica a cultivos extensivos de poucas espécies, mas a cultivos intensivos de uma grande biodiversidade que proporciona o equilíbrio.

A agricultura ecológica não é gananciosa, pois sabe que precisa de "perder" uma parte das suas culturas para manter o equilíbrio do ecossistema. Por exemplo, os melros são predadores de caracóis, mantendo-os em número controlado. Mas há que contar que eles também vão comer uma parte dos frutos.  No fim, chega para todos: para nós, para os pássaros, para os bichinhos vegetarianos e para os insectos predadores...

A agricultura natural tem como princípio a prevenção e o equilíbrio com base no conhecimento dos ciclos e relações na natureza, e evita a todo o custo intervir para remediar. Mas por vezes, desequilíbrio acontecem. E não é por termos uns determinados bichinos por nós indesejados numa ou outra planta que temos uma praga, pois isso é natural. Considera-se uma praga quando uma grande parte de determinada espécie está a ser atacada. Nesses casos, a agricultura natural aplica alguns produtos e técnicas também naturais, como é o caso do chá ou do chorume de urtiga (insecticida natural). E a seguir, tenta descobrir porque é que esse desequilíbrio aconteceu, para tentar evitá-lo no futuro.


No princípio deste ano, frequentei um Curso de Planeamento em Permacultura (PDC= Permaculture Design Course) na Fundação de Serralves, Porto. A permacultura vai muito além da agricultura, pois integra um conjunto de áreas diferentes de modo a poder projetar e manter habitats humanos sustentáveis com o menor consumo energético possível (mesmo energia humana). Mas na base, e para que nos sustentemos no que há de mais essencial- a alimentação - lá está a agricultura ecológica, embora o ênfase na permacultura esteja na agricultura permanente e na agrofloresta.

No fundo, agricultura biológica, agricultura natural ou ecológica, permacultura ou agrofloresta são as facetas da agricultura saudável: aquela que, e por oposição à  agricultura química ( dita "tradicional do século XX"  ou da "Revolução Verde"), não nos envenena, não envenena o solo, a água ou o ar! Antes pelo contrário!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

PAIS - Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Brasil)



«O SEBRAE, a Fundação Banco do Brasil e o Ministério da Integração Nacional, por meio da Secretaria de Programas Regionais, uniram-se para fazer a diferença através de um trabalho articulado com comunidades de baixa renda, contribuindo para a inclusão econômico- social e proporcionando um salto de qualidade de vida de forma integrada e sustentável.

Partindo do princípio de que o mundo vive imerso em valores ditados pela globalização e pelo neoliberalismo econômico, em uma pequena fatia privilegiada da humanidade imperam o consumo e a corrida pela alta produtividade sem a devida preocupação com as conseqüências desse processo, especialmente a degradação ambiental.

Na outra parte do mundo, onde sobrevive a maioria da população de nosso planeta, a realidade é bem diferente. Muitos enfrentam um processo degradante de retirada de seu sustento até mesmo dos lixos urbanos, situação que se repete diariamente deixando que o ser humano perca a esperança e a dignidade.

Diversas políticas públicas vêm sendo desenvolvidas para combater essa triste realidade. Mas ainda há muito o que se fazer para que seja erradicado o problema da miséria em nosso país. Pensar uma política que resolva definitivamente a questão da fome e da pobreza significa partir de idéias e princípios que respeitem a vida, os hábitos e costumes da população e principalmente garantam a sustentabilidade das comunidades de baixa renda.

A tecnologia social PAIS (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) inspirou-se na atuação de pequenos produtores que optaram por fazer uma agricultura sustentável, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. Integrando técnicas simples e já conhecidas por muitas comunidades rurais, o modelo busca:
• Reduzir a dependência de insumos vindos de fora da propriedade;
• Diversificar a produção;
• Utilizar com eficiência e racionalização os recursos hídricos;
• Alcançar a sustentabilidade em pequenas propriedades;
• Produzir em harmonia com os recursos naturais.

O alcance desses objetivos só é possível devido à iniciativa e à criatividade dos produtores rurais e do incentivo de instituições capazes de fomentar e articular ações que gerem sustentabilidade.»


terça-feira, 24 de abril de 2012

O Poder da Comunidade

«Quando a União Soviética colapsou em 1990, a economia de Cuba entrou em parafuso. Com as importações de petróleo cortadas em mais de metade - e de alimentos em 80% - as pessoas estavam desesperadas. Este filme narra as dificuldades e lutas, bem como o espírito de comunidade e a criatividade, do povo cubano durante este período difícil. Os cubanos explicam como fizeram a transição de um sistema agrícola industrial altamente mecanizado para um outro baseado na agricultura biológica, local, e em hortas urbanas.

É um olhar incomum sobre a cultura cubana durante esta crise económica, a que eles chamam "O Período Especial". O filme começa com uma breve história do Pico do Petróleo, um momento da nossa história em que a produção mundial de petróleo atinge o máximo e começa a declinar. Cuba, o único país que enfrentou uma crise dessas - a redução massiva de combustíveis fósseis - é um exemplo de opções e esperança.

O Poder da Comunidade: Como Cuba Sobreviveu Pico do Petróleo é um projeto do Instituto de Soluções Comunitárias Arthur Morgan, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e ensina alternativas de baixa energia ao atual modo de vida insustentável, industrializado, centralizado e dependente de combustíveis fósseis. Visite www.communitysolution.org para mais informações.»

Fonte: http://www.powerofcommunity.org/cm/index.php (tradução minha)

domingo, 22 de abril de 2012

Permacultura e beleza no Dia da Terra


Hoje é o Dia da Terra, que se comemora a 22 de Abril desde 1970. Para mim, todos são dias da Terra, mas é bom que haja um dia simbólico para lembrar aqueles que se esquecem de respeitar e cuidar da nossa Mãe Terra, onde toda a vida é gerada e cresce com a  magia do Pai Sol. Sugiro os conselhos e alertas da Quercus

Para comemorar o Dia da Terra trago-vos um belíssimo exemplo de cuidado com a Terra, "La Ferme biologique du Bec Hellouin", uma quinta em permacultura, em Le Bec Hellouin, Normandia, norte de França. Vejam a reportagem no vídeo abaixo e as imagens fabulosas aqui!

"A quinta biológica em Bec Hellouin, criada por um casal de apaixonados pela natureza no cenário encantador de um vale preservado, é um espaço experimental onde são colocadas em prática as técnicas mais inovadoras do ponto de vista agro-ecológico.

Premiada com o Troféu de Eco-turismo da Alta Normandia, a quinta rege-se sob o signo da biodiversidade. Nos seus jardins e pomares crescem mais de 800 variedades de frutas, legumes, plantas aromáticas e medicinais. Um eco-centro de formação foi construído no coração deste lugar privilegiado, um lugar de encontro e intercâmbio entre pesquisadores, agricultores e estudantes que querem inventar uma agricultura capaz de alimentar a humanidade sem destruir o planeta.
Este é o lugar ideal para abrigar a formação organizado pela quinta, centrada na permacultura e na agricultura natural."

Fonte: http://www.fermedubec.com/ (tradução minha)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Fukuoka - Legumes selvagens

Mais um extrato do livro "A Revolução de Uma Palha" (1975) de Masanobu Fukuoka,  precursor do conceito da permacultura, agora do capítulo "O que é a alimentação humana?":

"Há dias, uma pessoa da cadeia de televisão NHK veio cá pedir-me para falar do gosto da alimentação natural.
...
Além disso, lá em cima, no pomar de tangerinas, há diversos tipos de legumes a crescer por entre o trevo e as ervas daninhas. Nabos, bardana, pepinos e abóboras, amendoins, cenouras, crisântemos comestíveis, batatas, cebolas, folha de mostarda, couves, diversas variedades de feijão e muitos outros legumes e ervas crescem em conjunto. Foi abordada a questão de saber se se estes legumes, que crescem de maneira semi-livre, eram ou não mais saborosos do que os da horta, ou os dos campos fertilizados quimicamente. Comparámo-los; o gosto era completamente diferente e constatámos que os legumes "selvagens" tinham um sabor mais rico.

Expliquei ao repórter que quando os legumes crescem num campo preparado com fertilizante químico, é necessário fornecer azoto, potássio e fósforo, mas quando os legumes crescem com uma cobertura de solo natural, numa terra naturalmente rica em matéria orgânica, eles dispôe de uma alimentação mais equilibrada em substâncias nutritivas. Uma grande variedade de ervas significa que uma grande variedade de substâncias e micro-substâncias nutritivas essenciais estão à disposição dos legumes. As plantas que crescem num solo assim tão equilibrado têm um gosto mais subtil.

Ervas comestíveis e legumes selvagens, plantas que crescem na montanha ou na pradaria, têm um  elevado valor nutritivo e são também úteis como medicamentos. Alimentação e medicina não são duas coisas diferentes: são o verso e o reverso de um único corpo."


(Nota de 14/12/2013: livro disponível para download aqui)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fukuoka e os legumes limpos

Extrato do capítulo "Criar legumes como se fossem plantas selvagens" do livro "A Revolução de Uma Palha", 1975, do japonês Masanobu Fukuoka (1913-2008), que com a sua agricultura selvagem, sem químicos, sem máquinas e com pouco trabalho, foi o precursor do conceito da permacultura:

Imagem obtida em Create&Share
«Falemos agora dos legumes. Tanto pode tratar-se de uma horta para consumo doméstico ou de cultivo em campo.

Em relação à horta basta dizer que devemos cultivar os legumes certos no momento certo num solo preparado com composto orgânico e estrume. No Japão antigo, o método para cultivar legumes de consumo doméstico misturava-se harmoniosamente com o modo de vida natural. As crianças brincavam sob as árvores de fruta da horta. Os porcos comiam os restos da cozinha e patinhavam em círculos. Os cães ladravam e brincavam enquanto o camponês semeava a terra fértil. Minhocas e insectos cresciam junto com os legumes, as galinhas debicavam as minhocas e punham ovos para as crianças. 

Era assim que, há não mais de vinte anos, a família rural típica cultivava os seus legumes.


Preveniam-se as doenças das plantas fazendo crescer as culturas tradicionais no momento certo, conservando o solo de boa saúde fazendo regressar à terra de todos os resíduos orgânicos, e praticando a rotação de culturas. Os insectos nocivos eram apanhados à mão ou comidos pelas galinhas. Na parte sul de Shikoku, havia uma espécie de galinhas capazes de comer as minhocas e os insectos sem esgaravatar as raízes nem estragar as plantas.


Algumas pessoas poderão mostrar-se inicialmente cépticas quanto à ideia de usar o esterco animal e os dejectos humanos. É que hoje as pessoas querem legumes "limpos". Por isso, os agricultores cultivam-nos em estufas quentes sem utilizar terra alguma. Culturas em cascalho, culturas em areia e culturas hidropónicas tornam-se cada vez mais populares. Os legumes desenvolvem-se graças a substâncias químicas e a luz é filtrada através de toldos de vinil. Parece estranho que as pessoas tenham acabado por pensar que estes legumes cultivados quimicamente são "limpos" e saudáveis para consumo. Os alimentos que cresceram num solo equilibrado através da acção das minhocas, dos microorganismos e dos esterco animal em decomposição são os mais limpos e sadios de todos.»

 Fonte: "A Revolução de Uma Palha", Masanobu Fukuoka, Editora Via Óptima, 2008

(Nota de 14/12/2013: livro disponível para download aqui)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As bases da produção biológica de alimentos

O vídeo abaixo, intitulado "Alimento orgânico: o sonho da autossuficiência" é uma verdadeira lição sobre os fundamentos básicos de produção biológica de alimentos.

"O protagonista dessa história é o agricultor orgânico, Jorge Studer, que nos recebeu no Sítio Aredês, sua propriedade no município de Teresópolis, região serrana do estado do Rio de Janeiro. Depois de largar a carreira de administrador na Suíça, virou agricultor e mudou-se para o Brasil. O objetivo principal de Jorge é alcançar a total subsistência, vendendo somente o excedente da produção.

De acordo com o produtor, esse é um caminho viável para agricultores conquistarem maior autonomia e independência, livres da necessidade de compra de insumos agrícolas (como agrotóxicos). Sua propriedade, de 48 hectares, é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e protege integralmente 40% de sua área. Localizado na Zona de Amortecimento do Parque Estadual dos Três Picos é um exemplo de atividade sustentável na região."  Fonte: O ECO - Vídeos

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Agrofloresta com Ernst Gotsch

 
O texto que se segue provém de um e-mail do Sítio, e refere-se a duas formações essencialmente práticas sobre Agrofloresta no próximo mês de Outubro, com Ernst Gotsch:
 
"O Sítio está a organizar dois workshops de Agrofloresta com Ernst Gotsch em Portugal (Mangualde, Viseu).

A Agrofloresta (ou floresta de alimentos) é um método agrícola que procura imitar a sucessão natural de espécies que ocorre nas florestas. Combina culturas alimentares com culturas florestais que não enriquecem apenas quem produz mas, também, todo o ecossistema. A ideia é que o homem deixe de lutar contra a Natureza, recorrendo a químicos e maquinaria pesada, passando a participar de forma harmoniosa nos processos naturais que têm sempre como objectivo o aumento da quantidade e qualidade de vida em todas as suas formas. A agricultura transforma-se numa actividade extremamente produtiva e variada, fonte de prazer e bem estar que para além de exigir pouco esforço de quem trabalha, é uma ferramenta de regeneração dos solos e do meio ambiente. É uma prática ideal para pequenos produtores e para soluções de auto-sustentabilidade. Nestes workshops orientados por Ernst vamos arregaçar as mangas e pôr as mãos na terra, vamos atrás do que funciona, do que gera recursos e vida. Não vamos falar de escassez, mas agir no caminho da abundância!
Vamos plantar uma Agrofloresta!

Os workshops de carácter essencialmente prático vão ser realizados na Quinta de Darei em Mangualde que dispõe de 150ha de reserva ecológica junto ao rio Dão e instalações de alojamento convertidas de um turismo rural.

Ernst Gotsch é um agricultor e pesquisador suíço que começou por trabalhar,nos anos 70, com melhoramento genético de plantas forrageiras. Esta pesquisa permitiu que concluísse que poderia obter melhores resultados na agricultura criando agro-ecosistemas que promovam uma lógica de cooperação entre as várias espécies vegetais. Em 1982 fixou-se no Brasil onde iniciou um projecto de recuperação de uma área de 500ha extremamente degradada. Desde 1993, depois de alcançar resultados extraordinários, tem-se dedicado ao ensino e transmissão dos seus métodos em todo o mundo.
Para mais informações sobre Ernst Gotsch e Agrofloresta veja: TEXTOS e VÍDEOS."

Para inscrições e mais informações : www.sitiocoop.com  / http://www.sitiocoop.com/workshops/agrofloresta/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Ernst Gotsch - Agricultura que cria recursos em vez de explorá-los

 Chamam-lhe agricultura natural, agricultura ecológica, agroecologia, agrofloresta, ou mesmo permacultura. No fundo, os objectivos são os mesmos - aproveitar a terra o melhor possível sem o recurso a químicos sintéticos e venenos, respeitando a natureza, a biodiversidade e o solo, e minimizando a necessidade de trabalho humano. Não, o objectivo não é o lucro, mas uma vida melhor!

Já aqui apresentamos Sepp Holzer, o australiano que esteve cá em Dezembro passado e nos explicou como consegue ter a quinta mais produtiva da Áustria com os seus métodos naturais e de respeito pela natureza.

Hoje chegou a vez de apresentar Ernst Götsch, nascido na Suíça em 1948, vive no Brasil há mais de 25 anos. Nos anos 70 trabalhou no melhoramento genético de espécies vegetais, mas chegou à conclusão que "em vez de adaptar as plantas cultivadas, obteria melhores resultados se criasse agroecossistemas em que as plantas, num sistema de cooperação, se desenvolveriam vigorosamente sem adição de químicos". Os Sistemas Agroflorestais da sua fazenda na zona cacaueira da Bahia, transformaram uma terra considerada totalmente improdutiva numa das terras mais ricas da Mata Atlântica. Reflorestou mais de 300 ha de áreas degradadas, criando matas altamente produtivas sem adubos químicos ou agrotóxicos e fazendo ressurgir 17 nascentes. Sua visão pioneira da evolução e função das espécies, bem como os princípios da sua práticas, são aplicáveis em qualquer ecossistema. Ele é uma referência internacional no desenvolvimento de Sistemas Agroflorestais - uma nova visão da agricultura que reconcilia o ser humano com o meio ambiente." Fontes: Tibá, Sítio

De 26 de Abril a 6 de Maio, Ernst Götsch estará em Portugal a ministrar dois workshops em Agrofloresta (Iniciação e Avançado), em Mangualde, Viseu. organizados pelo Sítio, "uma cooperativa dedicada ao desenvolvimento de economias locais". Veja na respectiva página mais informação sobre estes workshops.

Foi também ao site do Sítio que fui buscar os vídeos abaixo incorporados sobre o seu trabalho, donde retirei as seguintes frases, que destaco:

 "O Roundup é o espelho do completo ignorante"

"Agricultura que respeita a natureza - criando recursos, e não explorando recursos"