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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

"Cowspiracy" - A culpa não é das vacas

Um documentário a não perder: "A Conspiração das Vacas" (Cowspiracy: The Sustainability Secret), de Kip Andersen e Keegan Kuhn, 2014. Trata dos efeitos da pecuária no estado do planeta e da forma com o assunto tem sido esquecido pelas ONGA. Não, a culpa não é das vacas, apesar de:

«51% das emissões de gases com efeitos de estufa devem-se à pecuária. Este número assolador deve-se à desflorestação para os pastos, à respiração e a todos os excrementos produzidos pelos animais.
Isto torna a produção animal a grande responsável pelas alterações climáticas causadas pelos seres humanos. Mas, mais do que isso, descobri que criar animais para a alimentação consome 1/3 de toda a água potável do planeta, ocupa até 45% da superfície terrestre, é responsável por 91% da destruição da Amazónia, é a causa principal da extinção das espécies, das "zonas mortas" dos oceanos, e da destruição de habitats.» (Kip Andersen, extraído do filme)

«Os pesquisadores que se preocupam com a extinção das espécies concordam que a causa principal da extinção das espécies, a que testemunhamos, é a excessiva criação de gado e a perda de habitats promovida pela pecuária e a pesca excessiva nos oceanos.»  (Dr. Richard Oppenlander , do filme)

«Estamos a viver a maior extinção de espécies desde há 65 milhões de anos, as florestas têm sido destruídas a um velocidade de 4050 m2 por segundo, e a força motriz por trás de tudo é a produção animal. Desflorestar para criar pasto e cultivar soja. Soja transgénica para as vacas, porcos, galinhas e peixes de produção massiva.» (Dr. Will Tuttle, do filme)

«A causa principal da destruição ambiental é a produção animal.» (The Sustainability Institute, do filme)

Veja  A Conspiração das Vacas legendado em português aqui.
 Site: http://www.cowspiracy.com/    Trailer abaixo.



Artigos sobre o filme:
Observador, 5/1/2015: http://observador.pt/2015/01/05/cowspiracy-o-documentario-que-anda-a-fazer-veganos-vai-ser-exibido-em-lisboa/
Jornal i (entrevista a um dos realizadores Keegan Kuhn), 10/1/2015: http://www.ionline.pt/265264#close
Correio da Manhã (11/1/2015): http://www.cmjornal.xl.pt/domingo/detalhe/a_vida_o_futuro_e_as_vacas.html
Agenda Cultural do Governo dos Açores, maio 2015: http://www.culturacores.azores.gov.pt/agendaNovo/default.aspx?id=4698

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pegadas da carne

Nas últimas 5 décadas, o consumo e produção de carne têm aumentado muito. Por um lado, o crescimento demográfico  e o aumento do consumo  per capita a acompanhar o crescimento económico; por outro lado, nos países "ditos" desenvolvidos as pessoas passaram a comer carne demais, sendo bem conhecidos os efeitos na obesidade e na saúde  destes excessos (ver por exemplo, aqui e aqui).

Mas o aumento do consumo de carne não se reflecte apenas na saúde:  a começar pela destruição das florestas tropicais para dar lugar a explorações extensivas de monoculturas que servem de alimento aos animais, e a acabar no metano produzido pelos animais (gás com efeito de estufa  muito superior ao CO2), os seus impactos no ambiente são enormes!

A média mundial de consumo de carne é de 46,6 kg por pessoa por ano, mas este  valor vai desde  os 3 kg na Índia e no Bangladesh até aos 136 kg no Luxemburgo, passando pelos 80 kg no Brasil, pelos 93 kg em Portugal e pelos 123 kg nos Estados Unidos e na Austrália (dados de 2007, daqui). Na China, o consumo médio passou de 3,6 kg por pessoa em 1961 para 53 kg em 2007.

De acordo com o Relatório da FAO de 2009 "Estado da Agricultura e Alimentação" (State of Food and Agriculture), a pecuária gera 8% do consumo de água mundial, 18% das emissões de gases com efeito de estufa, 37% do metano emitido pelas actividades humanas, e é a actividade que mais  consome recursos do planeta, ocupando 80% da superfície agrícola total.  O relatório estima que a produção mundial de carne duplicará até 2050 para respondera à crescente procura, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.

No sítio do Planeta Sustentável, em Dezembro passado, condensaram informação sobre os impactos ambientais da carne de boi, carneiro, porco e galinha, em termos de consumo de alimento, consumo de água, de espaço necessário e de emissões de CO2. Deixo em baixo um quadro resumo para três desses factores.   Em relação ao espaço necessário aí mencionado, porque se refere a criação intensiva,  e porque  julgo que não reflecte a pegada ecológica real, (pois não me parece que inclua a área necessária para a produção de alimento para o animal) deixo-o fora, também na esperança de que este modo de produção de carne (intensiva) venha a decrescer fortemente nos próximos tempos.


Em relação à pegada ecológica, juntei um quadro com uma estimativa da pegada ecológica alimentar (isto é, só relativo ao consumo de alimentos) de uma pessoa, conforme o seu regime alimentar (dados obtidos aqui). E lembremo-nos que a pegada ecológica a que cada um tem direito para ser sustentável é de 2,0 hectares, com tudo incluído!

Apelo mais uma vez, a quem não é vegetariano ou vegan, claro, que reduza o consumo de carne, e sobretudo, de carne de boi. Pela saúde, pelo ambiente, pela sustentabilidade. E para finalizar, as palavras irónicas, mas certeiras, de Arnaldo Jabor.

sábado, 31 de outubro de 2009

Pecado da carne

Não podia deixar deixar de mencionar aqui o excelente artigo de Patrícia Fonseca na revista Visão n.º 869, da passada quinta-feira, intitulado "Os pecados da carne", cujo lead transcrevo a seguir:

"Mais de 75% das doenças surgidas na última década estão comprovadamente relacionadas com os animais que comemos. Entre as crises mediáticas, como a das «vacas loucas» ou a da «gripe suína», há um dia-a-dia de perigos silenciados - em nome da satisfação dos consumidores, que comem cada vez mais carne, mas também do lucro de produtores e distribuidores. As autoridades de vigilância são as primeiras a admitir que a detecção de ingredientes proibidos é «complexa» - num reconhecimento implícito de que a saúde dos consumidores continua em risco."

O artigo é extenso e incide sobretudo nos efeitos perniciosos para a saúde do consumo excessivo de carne aliado à sua produção intensiva, mas aborda também os efeitos ambientais da pecuária de "produção maciça" e questões relacionadas com o bem estar dos animais.

Pelo meio, são feitas 5 perguntas-resposta, que vou citar, começadas por "Sabia que" :
  • "a criação de gado é responsável, a nível mundial, por 18% das emissões de gases com efeito de estufa, mais do que todos os carros, aviões, barcos e comboios do planeta juntos?"
  • "as rações das galinhas de bateria contêm pouco milho, devido ao seu elevado preço, e por isso levam um corante especial para que a gema seja amarela?"
  • "os frangos de aviário foram seleccionados geneticamente para crescerem em metade do tempo que os seus «primos» do campo?"
  • "61% dos agentes patogénicos (vírus, bactérias, parasitas) que afectam os humanos têm origem nos animais que comemos?"
  • "os portugueses comem, em média, 300 gramas de carne por dia - cinco vezes mais do que seria desejável?"
Nós, portugueses, e a maior parte do mundo ocidental, comemos carne demais. A quantidade de carne (ou equivalente) que precisamos varia com a idade e o sexo. De acordo com o "Unite States Department of Agriculture", em média, um adulto precisa de cerca de 5 a 6 onças de "carne equivalente", onde se inclui a carne, o peixe, os ovos, o feijão, ervilhas, nozes e sementes.
Sabendo que uma onça (1 oz) corresponde a 28,3 g (portanto, 5-6 oz são cerca de 140-170 gramas), veja a tabela de equivalências e faça as contas.

Relembro também que para a produção de 1 kg de carne de vaca são necessários 15500 litros de água (ver mais no post sobre pegada de água e água virtual).

Para reflexão, cito também algumas das frases da parte final do artigo mencionado:

"Será o mercado, sempre o mercado, a comandar o jogo. Mas é a cada um de nós , enquanto consumidores, que ele responde. As nossas compras são como um voto. (...) Faça as contas e pese os custos reais: para o ambiente, para a sustentabilidade económica e para a sua saúde. Depois, tal como nas urnas, a escolha é sua. Que seja consciente."

Leia o artigo completo na revista Visão e perceba o que está em jogo. Recomendo vivamente.

domingo, 21 de junho de 2009

Segunda-feira sem carne

Já em Setembro de 2008 Rajendra Pachauri, Presidente do IPCC, apelou a que se não comesse carne pelo menos uma vez por semana, assim contribuindo para a redução de emissões de gases de estufa para a atmosfera.
No passado dia 15 de Junho, foi a vez de Paul McCartney lançar no Reino Unido a campanha "Segunda-feira sem carne" com o objectivo de ajudar a combater as mudanças climáticas.
Que tal aderirmos a esta campanha? À segunda-feira ou a outro dia qualquer...