De 29 de Novembro a 10 de Dezembro, ocorreu, em Cancún, no México, a COP16 -16ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas
Como resumo do que se lá passou, pode-se ver/ouvir os primeiros 5 minutos do vídeo disponível no site brasileiro Cidades e Soluções.
O resumo da Quercus encara o resultado da cimeira com algum optimismo:
"Negociações climáticas retomam o caminho depois do desaire em Copenhaga. Os líderes deixaram Copenhaga para trás e colocaram as negociações do clima novamente nos eixos. Devolveram alguma confiança e começaram a construir um espírito de colaboração em varias áreas. Os países avançaram alguns passos em direcção a um verdadeiro acordo climático, e há novos países a emergir como lideres."
Por outro lado, o resumo da Greenpeace Brasil dá conta de alguns avanços, mas muito insuficientes:
"Os mais de 190 países reunidos em Cancún na COP16, deram alguns passos importantes mas insuficientes para se recuperar do fracasso da conferência anterior e avançar na negociação de um acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa. Os avanços conquistados – a criação de um “fundo verde”, voltado para os países em desenvolvimento, e a manutenção do processo multilateral de negociação – não respondem ao desafio maior: reduzir consideravelmente, e de forma consistente, as emissões."
E a conclusão, deixa mesmo qualquer réstia de optimismo afogada em Cancún:
"O fato de o Protocolo de Kyoto não ter morrido, a despeito do esforço de alguns países para fazê-lo, é uma vitória vazia enquanto números audaciosos, que respondam ao desafio, não forem colocados na mesa.Nessa conferência, quando o que está em jogo é o futuro do mundo, prevaleceram a falta de liderança e vontade política necessárias para que os países deem um passo além de Kyoto e equacionem um acordo global. Sem ele, cada nação continuará a olhar para seu próprio umbigo, emitindo gases-estufa sem controle, a seu bel prazer.
Cada ano que passa sem definição é um passo mais próximo das mudanças climáticas perigosas. O trabalho dos negociadores, portanto, se perde no mar de Cancún.
Fica claro que o destino do planeta está cada vez mais nas mãos da sociedade. A ela foi jogada a responsabilidade de construir um futuro sem desmatamento, com energias limpas, mais justiça e com uma economia verde. A bola está conosco."
Nem a propósito, o seguinte texto, extraído do livro "O Sétimo Selo", de José Rodrigues dos Santos, que se refere à Conferência de Quioto, em 1997, até parece que se poderia aplicar à COP15, à COP16,...: «"Mas houve alguns peritos que participaram nessa conferência e que se aperceberam de que tudo aquilo não passava de fachada. Por pequenos pormenores de conversas entre delegações e pela forma como cada delegação enunciava generosas intenções gerais, mas evitava comprometer-se em medidas específicas que envolvessem custos, esses especialistas chegaram à conclusão de que, na hora da verdade, os políticos iriam roer a corda e adiar o problema, atirá-lo para os seus sucessores."»
Assim, e não desprezando o importante trabalho das ONGA's e de alguns políticos verdadeiramente empenhados, uma coisa é certa: não podemos esperar que sejam os líderes mundiais a tratar das reduções de emissões, pois a bola está mesmo do nosso lado, já que a maioria deles, nem à defesa sabe jogar este jogo decisivo para o futuro. O jogo deles é outro, e joga-se com dólares, armas e petróleo.
