quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

OGM 11: Como saber se estamos a comer alimentos com transgénicos?



OGM Perguntas e Respostas #11: Como saber se estamos a comer alimentos com transgénicos?

11º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

Como saber se estamos a comer alimentos com transgénicos?

Nos alimentos de origem vegetal, designadamente óleos - vejam os rótulos, na UE é obrigatória a identificação de transgénicos.
Nos alimentos de origem animal, não existem atualmente mecanismos que possam garantir que os animais foram alimentados com alimentos não transgénicos, a não ser se forem certificados como produção biológica. De resto, a maioria das rações para animais são compostas com transgénicos.

«Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes? Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal - CAP de Castelo Branco).

Em Portugal cultiva-se e consome-se milho transgénico na alimentação animal e humana mas não há informação que permita aos consumidores fazer escolhas informadas. Quase ninguém sabe o que são transgénicos e que riscos implicam. A sessão teve como objetivo contribuir para colmatar essa falha. Dirigida sobretudo aos agricultores da região, acabou por registar uma adesão heterogénea, com pessoas ligadas à agricultura, ao ambiente e ao ensino, incluindo alguns políticos locais do PSD e CDS. Esta sessão aponta para a urgência de fazer circular informação rigorosa e relevante que possa ultrapassar o clubismo instalado entre as bandeiras tradicionais da Direita e da Esquerda.

O planeta está em perigo e só pode ser salvo se todos nos unirmos na sua defesa. O conhecimento necessário está disponível mas não está acessível a todos.

Querendo promover a sua circulação a PTF criou 12 mini-episódios que registam as respostas às questões colocadas pelo público durante esta sessão.

Margarida Silva é doutorada em biologia molecular, professora da Universidade Católica no Porto, especialista em desenvolvimento sustentável, ativista e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Saiba mais na Plataforma Transgénicos Fora. https://www.stopogm.net/

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Contaminação crónica por glifosato em Portugal


Comunicado da
Plataforma Transgénicos Fora
www.stopogm.net
2019/02/25


100% de contaminação com esta substância cancerígena
CONTAMINAÇÃO CRÓNICA POR GLIFOSATO EM PORTUGAL

A Plataforma Transgénicos Fora lançou uma iniciativa em 2018 para testar a presença de glifosato em voluntários portugueses. As análises, realizadas em julho e em outubro com o mesmo grupo, demonstram uma exposição recorrente ao herbicida e apontam para uma contaminação generalizada por glifosato em Portugal.

Pela primeira vez em Portugal foi possível calcular os valores de exposição efetiva ao glifosato (que levam também em consideração o AMPA - substância em que o glifosato se transforma quando começa a degradar-se) e os resultados, quando comparados com outros países europeus,(1) mostram uma diferença preocupante: enquanto que na média de 18 países se verifica que 50% das amostras estão contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor – e em outubro a contaminação foi detetada em 100% das amostras, tal como apresentado nesta imagem.



O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano.(2)Embora a Comissão Europeia tenha chegado a conclusão diferente, informações recentes mostram que essa avaliação científica resultou de graves conflitos de interesses, ao ponto de plagiar sistematicamente os pontos de vista da indústria.(3)

O valor médio da contaminação das amostras foi de 0,35 ng/ml em julho (valor mais alto: 1.39 ng/ml) e de 0,31 ng/ml em outubro (valor mais alto: 1,20 ng/ml), o que é cerca de três vezes (300%) acima do limite legal na água de consumo.(4) Considerando apenas as crianças verifica-se que em julho estavam próximo da média, enquanto que em outubro estavam claramente acima (com 0,44 ng/ml). O facto de existir uma contaminação considerável em crianças já tinha sido detetado em 2016(5) e é um sinal de alerta para a necessidade de conhecer melhor qual a exposição real da população portuguesa em termos de estratificação etária, ao longo do tempo e nos diferentes pontos do país.



Contaminação permanente
Tanto quanto se sabe a maior parte do glifosato ingerido ou inalado pelo organismo é excretado pela urina em menos de um dia. Isso significa que a contaminação detetada na segunda ronda de análises provém de novos contactos com o herbicida. Quando se deteta contaminação ao longo do tempo isso significa que houve exposição sucessiva do organismo – ou seja, há glifosato a recontaminar constantemente a população portuguesa.

Os voluntários de 2016 e de 2018 revelam dimensões diferentes da população nacional. Em 2016 anos houve uma amostragem tão aleatória quanto possível: nenhum dos voluntários escolhidos consumia agricultura biológica ou estava ligado a alguma corrente ou preocupação particular com a alimentação. Já em 2018 os participantes inscreveram-se por iniciativa própria e tiveram de pagar o custo da 1ª análise (78.20€). Cerca de 80% dos inscritos identificaram-se como consumidores de alimentos biológicos com alguma regularidade.

Em termos de resultados os participantes de 2016 estavam significativamente mais contaminados, o que aponta para um possível efeito protetor nos consumidores de agricultura biológica. Por outro lado a alimentação não é o único veículo de contaminação: a água e o ar são fontes igualmente relevantes e a época do ano também tem influência (usa-se mais glifosato no início da primavera, precisamente a altura em que as análises de 2016 tiveram lugar).

A coordenadora da campanha Autarquias Sem Glifosato/Herbicidas, Dra. Alexandra Azevedo, alerta: "Tivemos conhecimento de análises em águas superficiais na bacia do rio Douro que revelam contaminação 70 vezes acima do limite máximo legal. Ainda há autarquias que lavam as ruas com glifosato mas já há outras que abandonaram os herbicidas e provam no terreno que as alternativas existem."(6)

A bióloga Margarida Silva, da Plataforma Transgénicos Fora, lembra: "A ciência mais recente mostra que o glifosato altera profundamente a composição do nosso microbiota gastrointestinal. Quando esse equilíbrio fica comprometido podem surgir doenças graves, desde diabetes tipo 2 a aterosclerose, a obesidade e até cancro. Que mais evidências são necessárias para que o governo cumpra a sua função de proteger a nossa saúde?"

Apelo ao governo
É verdade que o trabalho realizado pela Plataforma Transgénicos Fora não permite retirar conclusões finais, mas o peso das evidências não pode ser ignorado. Desde 2016, em que a Plataforma mostrou pela primeira vez que a situação portuguesa era inesperadamente preocupante, não foram ainda tomadas pelos responsáveis governamentais quaisquer medidas que permitam desvendar o que se passa de facto no país e iniciar um caminho de redução do uso dos herbicidas à base de glifosato.

Neste contexto a Plataforma Transgénicos Fora apela ao Governo Português para:
1.    Lançar um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato.
2.    Proibir a venda de herbicidas à base de glifosato para usos não profissionais.
3.    Tornar obrigatória a análise ao glifosato na água de consumo.
4.    Acabar com o uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana.
5.    Apoiar os agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.

Como proteger-se do glifosato e seus efeitos

A Plataforma Transgénicos Fora divulga também hoje um documento com sugestões detalhadas para quem estiver interessado em limitar a sua exposição ao glifosato. O documento pode ser descarregado em https://tinyurl.com/pistas2019


Fonte e mais informação:  Plataforma Transgénicos Fora


terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

OGM 10: Quais as alternativas aos transgénicos?



OGM Perguntas e Respostas #10: Quais as alternativas aos transgénicos?

10º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«ESTÁ A ALIMENTAR AS SUAS GALINHAS COM MILHO OGM? E SABE O QUE É ISSO?

O milho à venda nos sacos de rações traz na embalagem a designação de Organismo Geneticamente Modificado, ou OGM. Mas não se lhe dá importância porque as pessoas desconhecem o que significa. Se o que alimenta os animais acaba por nos ir parar ao prato e condicionar a nossa saúde não valerá a pena estarmos informados e pensarmos se queremos mesmo comprar estes produtos?
Organismo geneticamente modificado é um ser vivo produzido em laboratório através de técnicas de engenharia genética. Este milho é diferente do que sempre se usou e portanto provocará efeitos diferentes, que se tornarão cada vez mais evidentes ao longo do tempo. Essa é uma das razões pelas quais a oposição às variedades OGM se iniciou no fim dos anos 90, e é cada vez maior. Uma coisa é fazer investigação em laboratório e outra, bem diferente, é comercializar produtos que não dão garantias inequívocas de serem inofensivos.

Mas as grandes empresas querem lucros rápidos e o poder politico não tem estabelecido limites éticos e jurídicos eficazes. Um dos segredos mais à vista de todos é que agora a investigação científica é financiada, sobretudo, com dinheiro privado corrompendo a independência dos cientistas. O resultado final é que os interesses das populações e do ambiente passaram para segundo plano e a prioridade passou a ser a promoção dos transgénicos e dos pesticidas, em particular o glifosato (Roundup).»

PARA SABER MAIS sobre transgénicos:    https://www.stopogm.net/sites/stopogm.net/files/webfm/plataforma/sabermais.pdf

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

OGM 9: O que se passa com o tomate, a batata e o algodão transgénicos?



OGM Perguntas e Respostas #9: O que se passa com o tomate, a batata e o algodão transgénicos?

9º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes? Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal - CAP de Castelo Branco).

Em Portugal cultiva-se e consome-se milho transgénico na alimentação animal e humana mas não há informação que permita aos consumidores fazer escolhas informadas. Quase ninguém sabe o que são transgénicos e que riscos implicam. A sessão teve como objetivo contribuir para colmatar essa falha. Dirigida sobretudo aos agricultores da região, acabou por registar uma adesão heterogénea, com pessoas ligadas à agricultura, ao ambiente e ao ensino, incluindo alguns políticos locais do PSD e CDS. Esta sessão aponta para a urgência de fazer circular informação rigorosa e relevante que possa ultrapassar o clubismo instalado entre as bandeiras tradicionais da Direita e da Esquerda.

O planeta está em perigo e só pode ser salvo se todos nos unirmos na sua defesa. O conhecimento necessário está disponível mas não está acessível a todos.

Querendo promover a sua circulação a PTF criou 12 mini-episódios que registam as respostas às questões colocadas pelo público durante esta sessão.

Margarida Silva é doutorada em biologia molecular, professora da Universidade Católica no Porto, especialista em desenvolvimento sustentável, ativista e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Saiba mais na Plataforma Transgénicos Fora. https://www.stopogm.net/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Para onde vai a riqueza? Para os mais ricos!

«Fortuna dos 26 mais ricos é igual ao património dos 50% mais pobres do mundo»
Fonte:  Revista fórum, 22 janeiro 2019

«As fortunas dos bilionários aumentaram 12% no ano passado - ou 2,5 mil milhões por dia - enquanto as 3,8 mil milhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade viram sua riqueza diminuir em 11%»
Fonte: OXFAM International,  21 janeiro 2019

Todos temos a nossa pegada ecológica e a nossa quota parte na exploração excessiva de recursos do planeta. Mas há disparidades absolutamente inaceitáveis num mundo onde a informação viaja à velocidade da luz e está disponível para tanta gente.

Não é aceitável que os mais ricos continuem a enriquecer enquanto tanta gente vive abaixo do limiar de pobreza. Este sistema económico está errado. Errar é humano, mas persistir neste erro é desumano.

«De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global – 3,7 mil milhões de pessoas – não ficou com nada.

O dado faz parte do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, lançado pela Oxfam às vésperas do encontro do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, que as elites empresariais e políticas do mundo»

O relatório revela como a economia global possibilita que a elite económica acumule vastas fortunas enquanto milhões de pessoas lutam para sobreviver com baixos salários.

Houve um aumento histórico no número de bilionários em 2017: um a cada dois dias entre março de 2016 e março de 2017. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo.

Nove entre cada 10 bilionários no mundo são homens.
...
A riqueza dos bilionários aumentou 13% ao ano, em média, desde 2010 – seis vezes mais rapidamente do que os salários pagos a trabalhadores, que tiveram aumento de apenas 2% por ano, na média, no mesmo período. Enquanto isso, mais da metade da população mundial vive com renda entre 2 e  10 dólares por dia.»
Fonte: OXFAM Brasil, 23 janeiro 2018

Claro, como as taxas provenientes dos mais ricos diminuem, e claro, a riqueza desloca-se para os ricos, em vez de ser ao contrário, como mostra o gráfico abaixo (ver mais aqui).

Imagem obtida em OXFAM
Não consigo aceitar que não se evolua no bom sentido, no sentido de taxar a riqueza acumulada e distribui~la com mais justiça. O conhecimento desta realidade devia provocar não apenas a indignação mas uma revolução global. Isto assim não pode continuar, o que será preciso para mudar? O colapso? 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

domingo, 3 de fevereiro de 2019

OGM 8: O que se passa nos países do Norte da Europa?



OGM Perguntas e Respostas #8: O que se passa nos países do Norte da Europa?

8º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«ESTÁ A ALIMENTAR AS SUAS GALINHAS COM MILHO OGM? E SABE O QUE É ISSO?

O milho à venda nos sacos de rações traz na embalagem a designação de Organismo Geneticamente Modificado, ou OGM. Mas não se lhe dá importância porque as pessoas desconhecem o que significa. Se o que alimenta os animais acaba por nos ir parar ao prato e condicionar a nossa saúde não valerá a pena estarmos informados e pensarmos se queremos mesmo comprar estes produtos?
Organismo geneticamente modificado é um ser vivo produzido em laboratório através de técnicas de engenharia genética. Este milho é diferente do que sempre se usou e portanto provocará efeitos diferentes, que se tornarão cada vez mais evidentes ao longo do tempo. Essa é uma das razões pelas quais a oposição às variedades OGM se iniciou no fim dos anos 90, e é cada vez maior. Uma coisa é fazer investigação em laboratório e outra, bem diferente, é comercializar produtos que não dão garantias inequívocas de serem inofensivos.

Mas as grandes empresas querem lucros rápidos e o poder politico não tem estabelecido limites éticos e jurídicos eficazes. Um dos segredos mais à vista de todos é que agora a investigação científica é financiada, sobretudo, com dinheiro privado corrompendo a independência dos cientistas. O resultado final é que os interesses das populações e do ambiente passaram para segundo plano e a prioridade passou a ser a promoção dos transgénicos e dos pesticidas, em particular o glifosato (Roundup).»

PARA SABER MAIS sobre transgénicos:    https://www.stopogm.net/sites/stopogm.net/files/webfm/plataforma/sabermais.pdf

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Dia Mundial das Leguminosas: 10 de fevereiro

Este 10 de fevereiro de 2019 é o primeiro Dia Mundial das Leguminosas  após a Assembleia Geral da ONU assim o ter declarado. Esta comemoração foi proposta pelo Burkina Faso na sequência do sucesso do Ano Internacional das Leguminosas (2016).

O objetivo é promover o desenvolvimento destas culturas vitais para a segurança alimentar, a sustentabilidade do planeta e a economia das zonas rurais. 

A Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de leguminosas pelo menos três vezes por semana. 

«As culturas de leguminosas, como lentilhas, feijões, ervilhas e grão-de-bico, têm múltiplas virtudes, sendo fortes fontes de proteínas vegetais e aminoácidos para dietas humanas e oferecendo serviços ecossistémicos inestimáveis, graças à sua capacidade - quando cultivadas como cobertura ou explicitamente para alimentos - fixar azoto (nitrogénio) atmosférico nos solos. 

Em média, os cereais cultivados após as leguminosas produzem 1,5 toneladas a mais por hectare do que aqueles que não são precedidos pelas leguminosas , o que equivale ao efeito de 100 kg de fertilizante azotado
Fonte:  FAO ( http://www.fao.org)