quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Por um ano melhor

Com os votos de um novo ano com muita saúde, alegria e amor, partilho um belo poema enviado pelo Jorge Moreira.

Que em 2021 sejamos melhores pessoas, melhores para nós próprios, para os outros e para a natureza.


« Neste último dia sonhei
Sonhei
Que a devastação da Natureza cessou
Que o penar animal terminou
Que a escravatura parou
Sonhei
Que o egoísmo morreu
Que a injustiça expirou
Que o poder cedeu
Sonhei
Que o império se autoconsumiu
Que a ignorância desapareceu
Que o fumo negro dissipou
Sonhei
Que o ciclo de destruição findou

Neste último dia sonhei
Sonhei
Que o ciclo da beleza iniciou
Sonhei
Que a Terra voltou a sorrir
Que a Vida tornou a florir
Que os Devas regressaram para celebrar
Sonhei
Que voltei a sonhar
Que as fragâncias também sonham
Que o sonho do rio se manifestou
Sonhei
Que a floresta se transformou em sonho

Que o coração da montanha se abriu
Que a Luz inundou


Neste último dia sonhei
Sonhei
Que me vi novamente a sorrir
Sonhei
Que as flores de mim desabrochavam
Que pássaros de mim cantavam
Que os peixes de mim brincavam
Sonhei
Que a Lei do Amor se ergueu
Que a fraternidade entre humanos se globalizou
Que a irmandade entre todos os seres se realizou

Neste último dia sonhei
Sonhei
Que era livre para sonhar
Que podia seguir o sonho sonhado
Que o sonho se concretizou

Paz a todos os seres

Votos de um Feliz 2021!»

Jorge Moreira

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Sustentabilidade é Acção - desde 2009

 

Sustentabilidade é Acção 
Um blogue cuja missão é contribuir para a informação e reflexão sobre a necessidade de mudança de todos e de cada, no sentido de ajudarem a construir um mundo melhor, mais limpo e mais justo, onde o respeito pela natureza e pelos outros seja a base da sociedade humana. Desde março 2009.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Biomassa: "Ilusão insustentável"

São inúmeras e constantes as notícias e comunicados de empresas e instituições a alegar negócios e projetos como sustentáveis, quando na verdade são mais insustentáveis que os comuns!

Isto é alarmante, é "greenwashing" a todo o vapor em todo o lado!  Devia haver multa pesada para quem usa a palavra sustentabilidade para deitar terra para os olhos do povo, para esconder a verdadeira insustentabilidade!

O caso da biomassa é um destes (muitos) negócios! Com a capa de contribuir para a sustentabilidade, fazem exatamente o oposto, como queimar árvores e libertar toneladas de CO2 para produzir energia. Nem ao diabo lembrava tal coisa quando precisamos urgentemente de combater as alterações climáticas. Mas quem tem a ambição de ganhar dinheiro fácil não se preocupa com as gerações futuras!!!

A associação ZERO tem vindo a trabalhar este assunto da biomassa, vejam o vídeo "Ilusão Insustentável" que realizaram.

«O filme aborda a temática da proliferação de centrais de biomassa pelo território fomentada pelos poderes públicos e questiona os impactes ambientais, económicos e sociais de uma atividade altamente subsidiada pelos consumidores de eletricidade. Face à elevada probabilidade de não existirem resíduos florestais em quantidade suficiente para as necessidades, esta indústria já está a recorrer a madeira de boa qualidade colocando em causa a sustentabilidade das outras atividades económicas ligadas à exploração das manchas florestais que ainda estão a salvo dos fogos rurais.»
 
#forestsarenofuel #floresta #biomassa #insustentável

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Sinergias: Agenda Norte Sustentável com a autora de Sustentabilidade é Acção

A Agenda Norte Sustentável é uma iniciativa do Projeto Sinergias, da Nídia Nobre, que apresenta alternativas para um consumo mais sustentável e uma economia mais circular. Com base em Famalicão, esta agenda aposta na criação de estratégias e conteúdos digitais com base na #sustentabilidade e #economiacircular , a partir de #Famalicão. 

Desta vez tocou-me a mim, a Nídia desafiou-me a contar um pouco do meu percurso, como autora deste blogue Sustentabilidade é Acção, e também como co-fundadora da Associação Famalicão em Transição.  

Aqui fica o testemunho.  Obrigada Nídia pela oportunidade  (e desculpa ter falado demais, 33 minutos é uma eternidade nos tempos atuais).

domingo, 15 de novembro de 2020

David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta (doc)

Vi recentemente o documentário de David Attenborough "A Life in Our Planet", disponível na Netflix. Aconselho toda a gente a ver e a espalhar a palavra, pois resume muito bem o ponto da situação da humanidade. 

Imagem obtida aqui
Dirijo esta mensagem especialmente aos jovens, vejam, partilhem, estejam atento ao que se passa à vossa volta. É sério de mais para ficarmos passivos, é o vosso futuro que está em risco. Não é o planeta que pode colapsar, é a humanidade, no seguimento da sexta extinção em massa que desencadeou. A natureza recuperará, como o fez em Chernobil  mas a humanidade poderá não ter hipótese, tal como os dinossauros não tiveram na última extinção em massa.

Nem todos os problemas globais foram abordados - faltou, por exemplo, a questão gravíssima do lixo plástico no oceano, nem todas as soluções foram elencadas - faltou, por exemplo, um apelo a uma vida menos consumista e mais simples. Mas em pouco mais de 80 minutos, David, aos 93 anos, conseguiu transmitir, com a sua mestria habitual, aliada a imagens fantásticas da natureza, a gravidade e a urgência da nossa situação.

Quanto mais pessoas tiverem consciência do que se passa, maiores as hipóteses de um desfecho não catastrófico.

 «Neste documentário único, “David Attenborough: Uma Vida no Nosso Planeta”, o célebre naturalista reflete sobre os momentos determinantes da sua vida e as mudanças devastadoras que testemunhou. ... O filme aborda os maiores desafios que a vida no nosso planeta enfrenta e faz um retrato da perda global da natureza em menos de um século. No documentário assistimos também a uma mensagem de esperança para as gerações futuras, enquanto Attenborough revela as soluções para ajudar a salvar o nosso planeta.»  (daqui)
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

"A Estrutura Ecológica da Cidade-Região" - Arq. Ribeiro Telles

No dia do desaparecimento do Arq. Gonçalo Ribeiro Telles (25/5/1922 - 11/11 2020), republica-se esta mensagem que aqui foi  publicada em 18 de março de 2013 com estreia de um vídeo.

Mais uma vez, OBRIGADA arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles!
Descanse em paz!

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É com muito gosto e com muita honra que o blogue Sustentabilidade é Acção apresenta a estreia on-line de um filme com o Arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles. Trata-se sua intervenção sob o tema "A Estrutura Ecológica da Cidade-Região" destinada ao Seminário "Espaços Verdes - Património a Recuperar", que ocorreu em 2004, em Vila Nova de Famalicão.

O filme foi gravado e produzido em 2003 pela empresa famalicense "Mesquita Guimarães Agroflorestal Lda", organizadora do seminário, e a quem agradeço a permissão para divulgação bem como a honra de fazer a estreia on-line.  Uma bela prenda para o 4 aniversário deste blogue! Obrigada!

O vídeo passou também no espaço de tertúlias da feira “A Casa Ideal Reabilitar” que ocorreu de 8 a 17 de março de 2013 no Lago Discount, Ribeirão, Vila Nova de Famalicão. 





O Arq. Gonçalo Ribeiro Telles tem passado a sua vida a defender a natureza e a qualidade de vida dos cidadãos. A defender a cidade como uma estrutura sustentável que integra a natureza, a agricultura, a cultura e valores ancestrais, proporcionando uma vida mais sã e feliz aos cidadãos. A sua abordagem ao planeamento, em vez de fragmentar e separar ou segregar, integra a natureza e as atividades humanas como um todo – a cidade região. Propõe redes contínuas de espaços verdes que proporcionam a sustentabilidade e estruturam o território. Na cidade, a natureza na sua vertente humanizada (sebes, socalcos, percursos, lugares amenos, agricultura) encontra-se com a natureza silvestre e autóctone (a mata, as espécies espontâneas).


Imagem obtida do filme
Hoje em dia, tal como refere no filme, a estrutura ecológica é já reconhecida na legislação de ordenamento do território, como uma “infraestrutura” verde, rede contínua de corredores verdes, onde são acauteladas as funções ecológicas, a circulação de água, a paisagem e elementos culturais, a mobilidade sustentável, e mesmo a produção.  

Senão, vejamos algumas das suas funções:

Manutenção /recuperação da biodiversidade
- conservação e recuperação de habitats
- permitir o refúgio, circulação e nidificação de espécies autóctones e migratórias
- permitir o ciclo de nutrientes
Proteção contra riscos naturais ou artificiais
- proteção contra a erosão
- filtro natural para a poluição da água (melhoria da qualidade da água)
- purificação do ar e fixação de poeiras (melhoria da qualidade do ar)
- proteção dos ventos (maior conforto)
- regularização térmica e da luminosidade (maior conforto)
- circulação e infiltração de águas pluviais (menos riscos de cheias e inundações)
Melhor qualidade de vida dos cidadãos
- maior conforto climático
- melhor saúde através do desporto, qualidade do ar e da água
- preservação de património histórico e cultural
- valorização da qualidade e estética da paisagem
- espaços de recreio, lazer e desporto ao ar livre
- possibilidade de contemplação e ligação à natureza (bem estar e melhor saúde mental)
Contribuição para a resiliência económica
- contribuição para o abastecimento alimentar em produtos frescos (hortas urbanas)
- produção agrícola sustentável (de regadio, vinhas, olivais, pomares, …)
- produção florestal sustentável (lembro que eucaliptal não é floresta nem é sustentável)
- melhoria da fertilidade do solo, e assim, melhoria da eficiência na produção

Imagem obtida do filme
Mas mais do que "mais uma" infraestrutura, a estrutura ecológica deve ser a base do ordenamento do território, se de facto existe a busca pela sustentabilidade e o respeito pela natureza. Como diz o arq. Ribeiro Telles, a cidade deve estar no campo e o campo na cidade. Porque nós, seres humanos, naturais e sociais, precisamos destas duas facetas; aqui, ao nosso lado. 

Obrigada, arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles!