domingo, 20 de janeiro de 2019

OGM 5: O meu vizinho começou a semear milho transgénico...



OGM Perguntas e Respostas #5: O meu vizinho do lado começou a semear milho transgénico...

5º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes? Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal - CAP de Castelo Branco).

Em Portugal cultiva-se e consome-se milho transgénico na alimentação animal e humana mas não há informação que permita aos consumidores fazer escolhas informadas. Quase ninguém sabe o que são transgénicos e que riscos implicam. A sessão teve como objetivo contribuir para colmatar essa falha. Dirigida sobretudo aos agricultores da região, acabou por registar uma adesão heterogénea, com pessoas ligadas à agricultura, ao ambiente e ao ensino, incluindo alguns políticos locais do PSD e CDS. Esta sessão aponta para a urgência de fazer circular informação rigorosa e relevante que possa ultrapassar o clubismo instalado entre as bandeiras tradicionais da Direita e da Esquerda.

O planeta está em perigo e só pode ser salvo se todos nos unirmos na sua defesa. O conhecimento necessário está disponível mas não está acessível a todos.

Querendo promover a sua circulação a PTF criou 12 mini-episódios que registam as respostas às questões colocadas pelo público durante esta sessão.

Margarida Silva é doutorada em biologia molecular, professora da Universidade Católica no Porto, especialista em desenvolvimento sustentável, ativista e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Saiba mais na Plataforma Transgénicos Fora. https://www.stopogm.net/

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Alimentação no Antropoceno (estudo de The Lancet)

«Um grupo de 37 cientistas de 16 países apresentou novas diretrizes para que a alimentação beneficie simultaneamente as pessoas e o planeta. A conclusão é que todos precisamos de comer mais vegetais e alguns precisam comer muito menos carne…

Imagem da capa do documento (simongurney/GettyImages)
O estudo, apresentado na revista Lancet, afirma que é preciso que os países desenvolvidos reduzam o consumo de carne, que todos reduzam o desperdício alimentar e que se modifique os métodos de produção de forma a reduzir a desflorestação e o consumo de água.»


Foi recentemente publicado na revista The Lancet, o estudo denominado "Alimentação no Antropoceno: a Comissão EAT–Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis ", em janeiro de 2019. The Lancet é uma revista científica sobre medicina com revisão por pares, e uma das mais antigas e conhecidas revistas médicas do mundo (daqui). 

Abaixo apresenta-se excertos do prefácio e a conclusão do artigo, bem como algumas imagens do mesmo, que pode ser consultado aqui e descarregado aqui.

Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentável
Diferença entre os padrões alimentares em 2016 e as ingestões na dieta de referência.   Os dados sobre as ingestões de 2016 são do banco de dados da “Global Burden of Disease”. A linha ponteada representa as ingestões na dieta de referência (tabela 1, abaixo).

«A grande transformação alimentar do século XXI

A civilização está em crise. Não podemos mais alimentar nossa população com uma dieta saudável, equilibrando recursos planetários. Pela primeira vez em 200.000 anos da história humana, estamos gravemente fora de sincronia com o planeta e a natureza.

Esta crise está a acelerar, esticando a Terra até seus limites e ameaçando a existência sustentada de seres humanos e outras espécies. Esta publicação “Alimentos no Antropoceno: a Comissão EAT-Lancet sobre dietas saudáveis a partir de sistemas alimentares sustentáveis” não poderia ser nem mais oportuna nem mais urgente.

As dietas dominantes que o mundo tem produzido e consumido nos últimos 50 anos já não são nutricionalmente ótimas, são um dos principais contribuidores para as alterações climáticas e estão a acelerar a erosão da biodiversidade natural.

A menos que haja uma mudança abrangente na forma como o mundo come, não há probabilidade de atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) - com a alimentação e a nutrição a atravessar todos os 17 ODS - ou de cumprir o Acordo de Paris sobre alterações climáticas

(Prefácio de Tamara Lucas, Richard Horton)

Efeitos ambientais por porção de alimentos produzidos.  As barras são médias (SD). Faltam alguns resultados sobre peixe devido à falta de dados para algumas categorias de impacto (ex., uso da terra proveniente de alimentos à base de plantas na aquicultura).

Efeitos ambientais em 2010 e em 2050 por grupos de alimentos em vários sistemas terrestres, com base em projeções “business-as-usual” (tudo como até agora) para consumo e produção (staples= alimentos básicos).

«Conclusão

Os alimentos que ingerimos e a maneira como os produzimos determinarão a saúde das pessoas e do planeta, e grandes mudanças devem ocorrer para evitar a redução da esperança de vida e a degradação ambiental contínua.

Esta Comissão apresenta uma base de trabalho integrada que fornece metas científicas quantitativas para dietas saudáveis e produção sustentável de alimentos, que, juntas, definem um espaço seguro dentro do qual os sistemas alimentares devem operar para assegurar que um amplo conjunto de metas de saúde humana e de sustentabilidade ambiental sejam alcançadas.

Essa base é universal e fornece limites que são globalmente aplicáveis com um alto potencial de adaptação e escalabilidade locais. Ao definir e quantificar um espaço operacional seguro para sistemas alimentares, podem ser identificadas dietas que alimentem a saúde humana e apoiem a sustentabilidade ambiental.

A nossa dieta de referência universal saudável consiste em grande parte de legumes, frutas, grãos integrais, legumes, nozes e óleos insaturados, inclui uma quantidade baixa a moderada de frutos do mar e aves, e inclui pouca ou nenhuma carne vermelha, carne processada, açúcar adicionado, grãos refinados e vegetais ricos em amido.

A nossa definição de produção sustentável de alimentos permanece dentro de limites planetários seguros para seis processos ambientais que juntos regulam o estado do sistema terrestre e incluem alterações climáticas, mudanças no uso de terras, uso de água doce, perda de biodiversidade e interferência nos ciclos globais de azoto (nitrogénio) e fósforo .

Aplicando uma estrutura global de modelagem de sistemas alimentares, mostramos que é possível alimentar uma população global de quase 10 mil milhões de pessoas com uma dieta saudável dentro dos limites da produção de alimentos até 2050.

No entanto, essa Grande Transformação Alimentar só será alcançada através de níveis ação alargados, múltiplos e multissetoriais, que incluem uma mudança global e substancial em direção a padrões alimentares saudáveis, grandes reduções no desperdício de alimentos e grandes melhorias nas práticas de produção alimentar. 

Os dados são suficientes e fortes para justificar a ação; o atraso aumentará a probabilidade de não se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Acordo de Paris. 

Esta Comissão mostra que uma Grande  Transformação Alimentar é necessária e realizável.»

Fonte:   http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31788-4  (tradução livre)


Tabela 1: Dieta de referência saudável, com intervalos possíveis, para uma ingestão de 2.500 kcal / dia
Para um indivíduo, uma ingestão de energia ideal para manter um peso saudável dependerá do tamanho do corpo e do nível de atividade física. O processamento de alimentos, como a hidrogenação parcial de óleos, a refinação de grãos e a adição de sal e conservantes, podem afetar substancialmente a saúde, mas não são abordados nesta tabela. * Trigo, arroz, feijões secos e lentilhas são secos, crus. † A mistura e a quantidade de grãos podem variar para manter a ingestão isocalórica. ‡ Carne de vaca e cordeiro podem ser trocados por carne de porco e vice-versa. Frango e outras aves de capoeira são trocáveis ​​com ovos, peixe ou fontes de proteína vegetal. Legumes, amendoim, nozes, sementes e soja são intercambiáveis. § Os alimentos à base de peixe consistem em peixe e marisco (por exemplo, mexilhões e camarões) e são originários da captura e da aquacultura. Embora os frutos do mar sejam um grupo altamente diversificado que contém animais e plantas, o foco deste relatório é exclusivamente sobre animais. Os óleos insaturados são 20% de cada um de: azeite e óleos de soja, colza, girassol e amendoim. || Alguma banha ou sebo são opcionais nos casos em que porcos ou gado são consumidos.

Mais artigos sobre o estudo em português em:

Vida Exttra: Alimentar o planeta exige dieta com menos carne e mais verduras e fruta

 Página 22 - Dietas que salvam a saúde humana e a vida no planeta

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

OGM: 4 - O melhoramento genético, no futuro, será anulado?



4º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«ESTÁ A ALIMENTAR AS SUAS GALINHAS COM MILHO OGM? E SABE O QUE É ISSO?

O milho à venda nos sacos de rações traz na embalagem a designação de Organismo Geneticamente Modificado, ou OGM. Mas não se lhe dá importância porque as pessoas desconhecem o que significa. Se o que alimenta os animais acaba por nos ir parar ao prato e condicionar a nossa saúde não valerá a pena estarmos informados e pensarmos se queremos mesmo comprar estes produtos?
Organismo geneticamente modificado é um ser vivo produzido em laboratório através de técnicas de engenharia genética. Este milho é diferente do que sempre se usou e portanto provocará efeitos diferentes, que se tornarão cada vez mais evidentes ao longo do tempo. Essa é uma das razões pelas quais a oposição às variedades OGM se iniciou no fim dos anos 90, e é cada vez maior. Uma coisa é fazer investigação em laboratório e outra, bem diferente, é comercializar produtos que não dão garantias inequívocas de serem inofensivos.

Mas as grandes empresas querem lucros rápidos e o poder politico não tem estabelecido limites éticos e jurídicos eficazes. Um dos segredos mais à vista de todos é que agora a investigação científica é financiada, sobretudo, com dinheiro privado corrompendo a independência dos cientistas. O resultado final é que os interesses das populações e do ambiente passaram para segundo plano e a prioridade passou a ser a promoção dos transgénicos e dos pesticidas, em particular o glifosato (Roundup).»

PARA SABER MAIS sobre transgénicos:    https://www.stopogm.net/sites/stopogm.net/files/webfm/plataforma/sabermais.pdf

domingo, 13 de janeiro de 2019

Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 - Consulta pública

Encontra-se em consulta pública o Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, até 28 de fevereiro.

«O QUE É O ROTEIRO - Portugal comprometeu-se internacionalmente com o objetivo de redução das suas emissões de gases com efeito de estufa por forma a que o balanço entre as emissões e as remoções da atmosfera (ex., pela floresta) seja nulo em 2050. A este objetivo deu-se o nome de “neutralidade carbónica”»

A informação pode ser obtida no site https://descarbonizar2050.pt/ e a participação  é efetuada em http://participa.pt/consulta.jsp?loadP=2428



segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

OGM: 3 - A contaminação é reversível?



3º vídeo de perguntas e respostas da sessão “Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes?” , 29 de Setembro 2018,  Vila Velha de Ródão.

«Milho transgénico e glifosato - há alternativas eficazes? Este evento realizou-se no dia 29 de Setembro 2018 na Herdade Tapada da Tojeira, Vila Velha de Ródão. A sessão foi dinamizada por Margarida Silva, bióloga e especialista em desenvolvimento sustentável e foi organizada pela Plataforma Transgénicos Fora e Herdade Tapada da Tojeira (com apoio da Confederação dos Agricultores de Portugal - CAP de Castelo Branco).

Em Portugal cultiva-se e consome-se milho transgénico na alimentação animal e humana mas não há informação que permita aos consumidores fazer escolhas informadas. Quase ninguém sabe o que são transgénicos e que riscos implicam. A sessão teve como objetivo contribuir para colmatar essa falha. Dirigida sobretudo aos agricultores da região, acabou por registar uma adesão heterogénea, com pessoas ligadas à agricultura, ao ambiente e ao ensino, incluindo alguns políticos locais do PSD e CDS. Esta sessão aponta para a urgência de fazer circular informação rigorosa e relevante que possa ultrapassar o clubismo instalado entre as bandeiras tradicionais da Direita e da Esquerda.

O planeta está em perigo e só pode ser salvo se todos nos unirmos na sua defesa. O conhecimento necessário está disponível mas não está acessível a todos.

Querendo promover a sua circulação a PTF criou 12 mini-episódios que registam as respostas às questões colocadas pelo público durante esta sessão.

Margarida Silva é doutorada em biologia molecular, professora da Universidade Católica no Porto, especialista em desenvolvimento sustentável, ativista e coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora

Saiba mais na Plataforma Transgénicos Fora. https://www.stopogm.net/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Porque não confiamos em nós próprios?

«Para viver como você acha que está certo, precisa do mesmo esforço que para viver como lhe disseram que era certo. O trabalho é o mesmo. O que é diferente é a recompensa.
...
Em vez de rotular suas emoções como problemas para resolver, você pode vê-las como sinais para interpretar. Em vez de julgar seus desejos como aberrações vergonhosas, você pode aprender a enfrentá-los.»

Fonte: vídeo "Porque não confiamos em nós próprios?" (abaixo) de Sustainable Human (tem legendas Pt)