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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Para onde vai a riqueza? Para os mais ricos!

«Fortuna dos 26 mais ricos é igual ao património dos 50% mais pobres do mundo»
Fonte:  Revista fórum, 22 janeiro 2019

«As fortunas dos bilionários aumentaram 12% no ano passado - ou 2,5 mil milhões por dia - enquanto as 3,8 mil milhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade viram sua riqueza diminuir em 11%»
Fonte: OXFAM International,  21 janeiro 2019

Todos temos a nossa pegada ecológica e a nossa quota parte na exploração excessiva de recursos do planeta. Mas há disparidades absolutamente inaceitáveis num mundo onde a informação viaja à velocidade da luz e está disponível para tanta gente.

Não é aceitável que os mais ricos continuem a enriquecer enquanto tanta gente vive abaixo do limiar de pobreza. Este sistema económico está errado. Errar é humano, mas persistir neste erro é desumano.

«De toda a riqueza gerada no mundo em 2017, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Enquanto isso, a metade mais pobre da população global – 3,7 mil milhões de pessoas – não ficou com nada.

O dado faz parte do relatório “Recompensem o trabalho, não a riqueza”, lançado pela Oxfam às vésperas do encontro do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, que as elites empresariais e políticas do mundo»

O relatório revela como a economia global possibilita que a elite económica acumule vastas fortunas enquanto milhões de pessoas lutam para sobreviver com baixos salários.

Houve um aumento histórico no número de bilionários em 2017: um a cada dois dias entre março de 2016 e março de 2017. Atualmente há 2.043 bilionários no mundo.

Nove entre cada 10 bilionários no mundo são homens.
...
A riqueza dos bilionários aumentou 13% ao ano, em média, desde 2010 – seis vezes mais rapidamente do que os salários pagos a trabalhadores, que tiveram aumento de apenas 2% por ano, na média, no mesmo período. Enquanto isso, mais da metade da população mundial vive com renda entre 2 e  10 dólares por dia.»
Fonte: OXFAM Brasil, 23 janeiro 2018

Claro, como as taxas provenientes dos mais ricos diminuem, e claro, a riqueza desloca-se para os ricos, em vez de ser ao contrário, como mostra o gráfico abaixo (ver mais aqui).

Imagem obtida em OXFAM
Não consigo aceitar que não se evolua no bom sentido, no sentido de taxar a riqueza acumulada e distribui~la com mais justiça. O conhecimento desta realidade devia provocar não apenas a indignação mas uma revolução global. Isto assim não pode continuar, o que será preciso para mudar? O colapso? 

domingo, 19 de novembro de 2017

A maior crise ambiental

Crise Ambiental | Porque amanhã é sempre tarde demais

Estamos na maior crise ambiental da história desta civilização. Nunca como agora a humanidade enfrentou desafios tão grandes. A escassez de recursos, as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e as desigualdades, colocam-nos num ponto em que grandes remédios já não chegam para grandes males. Vamos precisar também dos pequenos remédios, de todos eles.

V. N. de Famalicão: Lemenhe – crepúsculo; set/2014
A população aumenta, os recursos escasseiam

Hoje o nosso planeta sofre, agudamente, com o excesso de recursos que a espécie humana utiliza. Por um lado, o crescimento exponencial da população, que duplicou nos últimos 45 anos (de 3,7 mil milhões em 1970 para 7,6 mil milhões atualmente); por outro lado, o gigantesco consumo de recursos provocado por uma sociedade que usa e deita fora, que valoriza o ter em detrimento do ser e que dá primazia a uma economia sem ética, obsoleta, que depende do consumo e do crescimento; por último, um planeta que é finito. Tudo isto junto, e estamos numa crise sem precedentes na história da humanidade. Consomem-se mais 50% de recursos do que a Terra consegue regenerar, a pegada ecológica dos países ditos “desenvolvidos” é muitas vezes superior ao sustentável. Precisaríamos de muitos planetas Terra para continuar neste ritmo; mas há só um. Acrescentemos a isto ainda as alterações climáticas, e estamos num caldeirão explosivo.

As alterações climáticas já aí estão

O dióxido de carbono (CO2) é um gás que faz parte da composição da atmosfera. É essencial à vida, e a sua capacidade para provocar o efeito de estufa permitiu o desenvolvimento das sociedades humanas. Desde que a agricultura apareceu e as civilizações humanas se começaram a desenvolver, há cerca de 10 a 12 mil anos, e até à era pré-industrial (1750), a concentração de CO2 na atmosfera manteve-se abaixo das 200 ppm (partes por milhão); a partir daí, a queima do carvão e do petróleo e seus derivados, motivaram a revolução industrial e também o aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Hoje ultrapassamos as 400 ppm e a atmosfera e o oceano estão mais quentes. Não faltaram avisos dos cientistas nas últimas três décadas sobre o efeito das emissões de CO2 no aquecimento global e nas alterações climáticas; mas a tal primazia da economia ensurdeceu políticos e populações. Hoje sentimos na pele e no nosso território as alterações climáticas: a seca, os incêndios devastadores; noutros lados, furacões mais intensos do que nunca e chuvas torrencialmente destruidoras.

A sexta extinção em massa

Penacova: Rio Mondego – teia de aranha; nov/2016
A sexta extinção em massa já começou, e foi a espécie humana, com os seus impactos territoriais e ambientais, que a causou. A desflorestação e a perda de biodiversidade são alarmantes. Os cientistas estimam que atualmente se extingam entre 11 mil e 58 mil espécies por ano. Só em animais vertebrados terrestres, extinguiram-se pelo menos 27600 espécies desde o início do século 20. Desde 1990, foram destruídos 129 milhões de hectares de floresta (o que corresponde a 14 vezes a área de Portugal), transformando-a em produção de monoculturas de alimentos para gado, produção de biocombustíveis, extração mineira (Amazónia), para a indústria alimentar (óleo de palma na Indonésia), ou mesmo para a extração de petróleo (areias betuminosas no Canadá). Para além dos impactos negativos na biodiversidade e nas populações locais, a desflorestação implica a redução drástica de absorção de CO2 e tem impactos diretos e indiretos no clima. O planeta sofre, mas o planeta vai sobreviver, com mais ou menos espécies; o mesmo não se pode dizer desta civilização e da espécie humana.


As desigualdades a aumentar

Na era da globalização, as disparidades no estilo de vida humana são também sintoma de uma sociedade global profundamente em crise. As comunidades não vivem desligadas do ambiente que as rodeia e são afetadas pelo ambiente global, como vemos no caso das alterações climáticas. Enquanto que uma pequena parte da população, ligada ao mundo corporativo, acumula cada vez mais riqueza, a maioria, sobretudo dos países do hemisfério sul, é despojada de suas terras e vive em condições de miséria. Parece inadmissível, mas 1% da população global detém a mesma riqueza que os 99% restantes; aliás, os oito (apenas 8) homens mais ricos do mundo têm tanta riqueza como metade da população mundial. A escassez de recursos das populações mais desfavorecidas espoleta, inevitavelmente, conflitos, e a situação agrava-se. Nunca houve tantos refugiados como nos últimos anos.


Enfrentar a crise


Mirandela: Rio Tua – pedrada na água; out/2014
Quando nos deparamos com a dimensão da crise ambiental (e social, pois estão e estarão sempre ligadas), a nossa primeira reação é negar, agir como se ela não existisse. É nesse estado de negação que se encontra ainda a grande maioria da população. Depois, quando paramos de negar e aceitamos os factos e as evidências, ficamos pessimistas, desanimados, revoltados ou mesmo desesperados. Acabaremos mais tarde por perceber que o pessimismo e o desespero não resolvem nada, que nos resta fazer a parte que nos cabe, esperando que possamos contagiar aqueles que nos rodeiam a fazer a parte deles.
Hoje é já muito tarde. Mas amanhã será ainda mais tarde. Talvez estejamos no ponto de não retorno. Ou talvez possa haver algo a fazer, talvez consigamos viver de forma mais sustentável e em harmonia com a natureza. Devemos a esperança às gerações futuras, aos nossos filhos (ou dos nossos amigos), netos e bisnetos; precisamos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para lhes deixar um planeta onde possam viver e ser felizes. Não chega esperar que os políticos ou os poderosos façam alguma coisa. Sim, é necessário que eles se empenhem. Mas não chega, temos de lhes exigir, e temos de dar o exemplo. Todos e cada um!


Como disse Edmund Burk: 
Ninguém cometeu maior erro que aquele que não fez nada, só porque podia fazer muito pouco”.

Fontes dos dados numéricos: worldometers;  FAOBBCwikipediaobservadorpúblico

Texto publicado primeiramente no recente Jornal Digital  VILA NOVA, em 10/11/2017

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

“É mais rentável o mundo ir para o inferno” (VER)

Extraído do artigo de Helena Oliveira em VER - Valores, Ética e Responsabilidade, sobre sobre a conferência de Davos (Fórum Económico Mundial) no final do passado mês de janeiro:

«É mais rentável o mundo ir para o inferno

A citação é de um dos muitos cientistas que continuam a alertar a comunidade empresarial – e também os governos – para a urgência de se agir contra a desigualdade e minimizar os impactos catastróficos das alterações climáticas. Na agenda em Davos, os principais desafios globais deram o mote a muitas sessões, foram alvo de muita discussão, objecto de inúmeros estudos, mas a percepção generalizada de que é irrealista transformar o sistema, tendo em conta os poderosos interesses das elites, continua a falar mais alto»

Por HELENA OLIVEIRA


«No início do ano, e em antecipação à reunião mundial de líderes em Davos, o Fórum Económico Mundial lançou um relatório sobre os principais riscos globais que assolarão o mundo nos próximos meses (?) e sobre o qual o VER escreveu. A tendência (que não é, de todo, nova) que se posicionou em primeiro lugar neste ranking de problemas que mais afligem e afligirão o planeta foi o agravamento pronunciado da desigualdade em termos de rendimentos (e não só). Dois dias antes do início da famosa conferência, a Oxfam International divulgaria um novo estudo – que também iria dar que falar em Davos – sobre a mesma temática: a desigualdade que está fora do controlo, e que é bem representada pela diferença de percentagens entre o 1% da população cuja riqueza combinada corresponderá à que é detida pelos restantes 99% em 2016. O relatório, intitulado Riqueza: ter tudo e querer ainda mais alerta para a explosão da desigualdade, recordando que uma em cada nove pessoas não tem o suficiente para comer e que mais de mil milhões de seres humanos continuam a viver com menos de 1,25 dólares por dia. O relatório e a diferença abissal entre ambas as percentagens deu origem a muitos protestos, foi partilhado nas redes sociais durante alguns dias e, como já é hábito, perdeu força e visibilidade contra novas temáticas mais suculentas e menos confrangedoras.
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O estudo já citado da Oxfam prova que, apesar de todas as boas intenções e de tanta conversa sobre o crescimento inclusivo, o sistema vigente está feito exactamente para o oposto: para tornar ainda mais ricos os ricos do planeta. E, como sublinha também Winnie Byanyma, a instabilidade política e violência deveriam conferir razões adicionais para lidarmos com a desigualdade, com a pobreza e a exclusão, e não novas desculpas para não o fazermos.
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Sublinhando ainda que existe uma minoria de empresas que já tem voz sobre estas questões contra uma maioria que continua a escolher o silêncio, a responsável da ONU corrobora também o que habitualmente se diz da inacção empresarial: o facto de, na sua esmagadora maioria, as empresas não acreditarem – ou não o quererem fazer – que as alterações climáticas poderão ameaçar, a curto prazo, a sua própria sobrevivência, algo que ficou igualmente claro num outro estudo apresentado, pela PricewaterhouseCoopers, o qual revela que o clima não faz parte da lista de prioridades ou de preocupações dos CEOs.

O que, mais uma vez, parece um mau presságio.

“O sistema vigente está feito exactamente para tornar ainda mais ricos os ricos do planeta”»

Fonte e artigo completo em: http://www.ver.pt/e-mais-rentavel-o-mundo-ir-para-o-inferno/

domingo, 25 de maio de 2014

O aumento das desigualdades

«A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenómenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade.
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Livro e Thomas Piketty (imagem composta daqui e daqui)
Piketty não vê caminho mais curto para diminuir as desigualdades do que a severa intervenção do Estado e da taxação progressiva da riqueza, até 80%, o que apavora os super-ricos. Sábias são as palavras de Eric Hobsbown: “O objetivo da economia não é o ganho mas sim o bem-estar de toda a população; o crescimento económico não é um fim em si mesmo, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas”.»

Estes é um extrato do texto de Leonardo Boff referindo-se ao livro de Thomas Piketty "O capital no século XXI" (2013) e às críticas acérrimas de que tem sido alvo (com certeza pelos que querem manter as desigualdades a crescer) . Vale mesmo a pena ler o artigo completo de Boff em: 


Quanto ao livro de Thomas Piketty, apenas dei uma vista de olhos a alguns dos documentos publicados  no site da Ecole d'Economie de Paris, e ao que parece, deve ser muito interessante. Senão, vejamos alguns gráficos e algumas conclusões de "O capital no século XXI":

"Entre 1987 a 2013, o número de bilionários por 100 milhões de adultos passou de 5 para 30, e a sua parte no património mundial privado passou de 0,4% para 1,5% " Piketty, 2013  (daqui)

"De 1987 a 2013, as maiores fortunas do mundo cresceram entre 6 e 7% por ano, enquanto o património médio mundial cresceu 2,1% e o rendimento médio mundial cresceu 1,4%." Piketty, 2013  (daqui)

 «A história da distribuição da riqueza é sempre uma história profundamente política, caótica e imprevisível; envolve as representações coletivas, as identidades nacionais e reversões dramáticas; ninguém pode prever os impactos do futuro; os equilíbrios oligárquicos são instáveis."
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A solução ideal: imposto progressivo sobre o capital no mundo, com base na troca automática de informações bancárias.»
Fonte: Piketty, 2013  (daqui)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desigualdade galopante


Imagem de Rodrigo, Expresso
É importante sabermos o rumo que este mundo leva!  

Leia no blogue BIOTERRA, a tradução de parte do artigo da RT.com, baseado no relatório da OXFAM de Janeiro 2013 "The cost of inequality: how wealth and income extremes hurt us all "

Embora não me apanhe totalmente de surpresa, não encontro palavras para comentar a desigualdade galopante que esta injusta hegemonia do poder económico provocou!