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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Colapso

Aprender com o passado para entender o presente e para prever o futuro

Assim faz o filme "Colapso" (2010) da National Geographic, baseado no livro de Jared Diamond "Colapso - como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso", de 2005.

Analisando o que se passou com as sociedades Anasazi, na América do Norte, como o povo Maia na América Central e com o império Romano na Europa, paralelismos são traçados e demasiadas semelhanças são encontradas com a civilização de hoje. Todas elas colapsaram. Seguindo os mesmos passos, o que impedirá esta civilização de colapsar?

As argumentações e conclusões do filme podiam ter sido mais bem exploradas, aprofundadas e relacionadas, mas mesmo assim, vale a pena vê-lo.  Mas se pretende aprofundar sobre o que nos impede de prosperar no presente, então veja o documentário THRIVE.

sexta-feira, 2 de março de 2012

"Allegro Non Troppo" - Evolução

A animação de Bruno Bozzetto, 1976 "Allegro Non Troppo" é uma espécie de contraponto humorado ao filme de Walt Disney "Fantasia", de 1940. 

Recordo-me de, ainda bem jovem, ter visto esta animação do Bolero de Ravel na TV, uma única vez, e nunca dela me esqueci. Grande foi o impacto, já que a minha memória não é lá grande coisa! Hoje, finalmente, encontrei essa sequência no Youtube e aqui a partilho convosco. Falta-me agora ver o filme completo (85 min).

Esta parte da animação, com fundo musical de Maurice Ravel, faz uma caricatura muito bem conseguida da evolução das espécies e do "papel" do macaco-homem (ou homem-macaco). 

domingo, 28 de agosto de 2011

Civilização disfuncional

No capítulo do livro do qual extraí o texto que se segue, de 1992, o autor compara a civilização humana a uma família disfuncional, com a convivência entre os elementos agressores e as vitimas que sofrem, e a tendência predadora de expansão das civilizações disfuncionais.
No fundo, uma civilização doente que se recusa a enxergar as causas óbvias da sua doença e continua a procurar avidamente anestesiar-se com, precisamente, aquilo que a adoece.

"Há no coração de todas as sociedades humanas uma teia de histórias que tentam responder às nossas questões mais básicas: quem somos e porque estamos aqui? Mas à medida que o padrão destrutivo da nossa relação com a natureza se torna cada vez mais claro, começamos a interrogarmo-nos se as velhas histórias ainda fazem sentido, e, por vezes, chegámos mesmo a inventar histórias completamente novas sobre o significado e o objectivo da civilização humana.
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No mundo moderno, a divisão entre espírito e corpo, homem e natureza, criou um novo vício: penso que a nossa civilização está, de facto, viciada no consumo da própria Terra.
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Do mesmo modo que as crianças não podem rejeitar os pais, cada nova geração da nossa civilização sente-se hoje totalmente dependente da própria civilização. Os alimentos nas prateleiras dos supermercados, a água das torneiras das nossas casas, o abrigo e o sustento, o vestuário e o trabalho compensador , os divertimentos, até a nossa identidade - tudo isto é fornecido pela civilização e nem sequer nos atrevemos a pensar em nos separarmos de tal abundância.
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O ataque sem precedentes sobre o mundo natural feito pela civilização global é também extremamente complexo e muitas das suas causas estão especificamente relacionadas com os contextos geográficos e históricos dos muitos pontos de ataque. Mas em termos psicológicos, a nossa rápida e agressiva expansão sobre o que ainda resta da vida selvagem da terra representa um esforço para roubar fora da civilização aquilo que não encontramos dentro dela. O nosso impulso insaciável para procurar bem no fundo da superfície da Terra, retirar todo o carvão, petróleo e outros combustíveis fósseis que possamos encontrar e queimá-los em seguida tão rapidamente como os encontramos - enchendo assim a atmosfera de de dióxido de carbono e outros poluentes - é uma expansão internacional da civilização disfuncional para zonas vulneráveis do mundo natural. E a destruição da maior parte das florestas tropicais e das florestas antigas por parte da civilização industrial é um exemplo especialmente assustador da expansão agressiva para além de fronteiras admissíveis, um impulso insaciável de encontrar soluções exteriores para problemas que têm origem num padrão disfuncional intrínseco.

Ironicamente, a Etiópia, a primeira vítima da expansão totalitária moderna, também já foi vítima do padrão disfuncional que nos conduziu ao ataque ao mundo natural. No fim da Segunda Guerra Mundial, depois de os fascistas italianos terem sido expulsos, 40% do solo da Etiópia estava coberto e protegido por árvores. Menos de meio século mais tarde, depois de décadas marcadas pela expansão populacional mais rápida do mundo, por uma procura de lenha, pelo abuso das pastagens e pela exportação de madeiras para pagar juros e dívidas, menos de 1% da Etiópia está coberto de árvores. Primeiro, a maior parte do solo arável foi arrastada pelas águas; depois, vieram as secas - e lá ficaram. Os milhões que morreram à fome são, em sentido real, vítimas das tendências expansionistas da nossa civilização disfuncional.

Ao estudar as hipóteses de deter esta expansão destrutiva, ficamos quase aterrorizados pelo impulso implacável e aparentemente compulsivo de dominar todas as partes da Terra. As necessidades não satisfeitas da civilização alimentam o motor da agressão; estas necessidades nunca podem ser verdadeiramente satisfeitas. A área invadida é totalmente devastada, a sua produtividade natural esgotada, os seus recursos saqueados e rapidamente consumidos e toda esta destruição limita-se apenas a abrir o nosso apetite por mais.

Os membros mais fracos e mais impotentes da família disfuncional transformam-se nas vítimas de maus-tratos às mãos dos que são responsáveis por fornecer cuidados. De modo semelhante, abusamos sistematicamente das áreas mais vulneráveis e menos defendidas do mundo natural: as áreas húmidas, as florestas tropicais, os oceanos. Também maltratamos outros membros da família humana, especialmente aqueles que não se podem defender. Toleramos o roubo de terras aos povos indígenas, a exploração de áreas habitadas pelas populações mais pobres e - pior do que tudo - a violação dos direitos dos que virão depois de nós. À medida que esgotamos a terra a um ritmo completamente insustentável, fazemos com que seja impossível que os filhos dos nossos filhos tenham um nível de vida que se compare, mesmo remotamente, ao nosso.
Em termos filosóficos, o futuro é, afinal de contas, um presente vulnerável e em desenvolvimento e o desenvolvimento insustentável é, portanto, aquilo a que se pode chamar uma forma de «maltratar o futuro».
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Mas há uma saída. Não é necessário que um padrão de disfuncionalidade persista indefinidamente e a chave da mudança é a crua luz da verdade
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E, como Alice Miller e outros peritos mostraram, o acto de chorar a perda original enquanto se sente, total e conscientemente, a dor que se causou pode curar a ferida e libertar a vítima de mais escravização. Igualmente, se a crise do ecossistema global tem origem no padrão disfuncional do relacionamento da nossa civilização com o mundo natural, enfrentar e compreender esse padrão na sua totalidade e reconhecer o seu impacto destrutivo no ambiente e em nós, é o primeiro passo para chorar aquilo que perdemos, curar os males que fizemos à Terra e à nossa civilização e aceitar a nova história do que significa ser o guardião da Terra."

Extraído do capítulo "A Civilização Disfuncional" do livro "A Terra à procura de Equilíbrio, ecologia e espírito humano" , Al Gore, 1992 ("Earth in Balance"), Editorial Presença, 1993, tradução de Isabel Nunes

(Nota: os negrito são meus, os links  são sugestões minhas; as imagens foram obtidas na Internet)