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sábado, 26 de maio de 2018

A Corporação

A CORPORAÇÃO é um documentário canadiano premiado, de 2003, realizado por Mark Achbar, Jeniffer Abbott e Joe Balkan. Explica a natureza das corporações, infelizmente as instituições dominantes no nosso tempo, os males que comportam à sociedade, às pessoas, à saúde, à natureza, aos animais, ao ambiente, às florestas, à biodiversidade, ao equilíbrio do planeta, à vida.

Annie Leonard na sua "História dos cidadãos unidos versus corporações" já nos disse que o maior mal das corporações é serem consideradas "pessoas", e assim terem direitos jurídicos como pessoas.

Mas as corporações não são pessoas, pois não são dotadas de ética, de moral, e as pessoas que as gerem não são responsabilizadas pelos males que as corporações causam na sua ânsia de lucro demolidora. E mesmo quando são julgadas e condenadas, insistem em cometer crimes porque lhes compensa!

"A Corporação inclui entrevistas e testemunhos de 40 pessoas conhecedoras do sistema, nomeadamente Noam Chomsky, Naomi Klein, Milton Friedman, Howard Zinn, Vandana Shiva e Michael Moore, confissões, estudos de casos e estratégias de mudança."

Reserve 145 minutos do seu tempo para ver este documentário IMPRESCINDÍVEL! Asseguro que não serão desperdiçados!



Filme em 24 partes: 
Parte1;   Parte 2;   Parte 3;   Parte 4;   Parte 5;   Parte 6;    Parte 7;   Parte 8;   Parte 9;   Parte 10;   Parte 11; Parte 12;   Parte 13;   Parte 14;   Parte 15;   Parte 16;    Parte 17;   Parte 18;   Parte 19;   Parte 20;   Parte 21;   Parte 22;   Parte 23;   Parte 24;
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Esta mensagem foi publicada inicialmente neste blogue em 17 de maio de 2011, com o título "A RAIZ DO MAL". 7 anos depois, republica-se pela importância do filme "A Corporação" na compreensão do mundo atual.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Impostos, subsídios e economia de dinossauros

Sabe para o que servem os impostos que paga? E a quem vão subsidiar? Esta é a história do que acontece aos impostos e para quem vão os subsídios (nos Estados Unidos e não só)! 

Veja no novo e excelente vídeo de Annie Leonard e "The Story of Stuff", chamado "The Story of Broke". Com os agradecimentos ao Nuno Oliveira, de Guimarães, que legendou em português. Obrigada, Nuno! 

Desonestamente (diz Annie Leonard, criminosamente, diria eu), os governantes abusam da confiança dos cidadãos e entregam uma grande fatia do dinheiro de quem trabalha aos dinossauros da economia - as grandes multinacionais que contribuem para a guerra e para uma economia suja e injusta. Mas isto tem de mudar! 

domingo, 30 de outubro de 2011

Urge uma nova economia, e o futuro começa agora!

Participei ontem à tarde numa interessantíssima tertúlia na Associação Campo Aberto, sobre "Ruralidade sustentável e economia local". Para além das inspiradoras apresentações de Eng. ª Maria do Carmo Bica, da ANIMAR e da Dra. Ângela Abreu Guimarães da ADRL, da sábia moderação do Dr. José Carlos Marques, e das interessantes intervenções de diversos participantes, comprei lá um exemplar da versão portuguesa do livro de James Robertson: "Transformar a Economia - Desafio para o Terceiro Milénio", n.º 1 da Colecção "Cadernos Schumacher para a Sustentabilidade", Edições Sempre-em-Pé, 2007.

Partilho convosco uma parte da Introdução e Resumo deste pequeno e fantástico livro, que respeita aos Objectivos:

"Existe hoje uma grande variedade de actividades que reflectem o cada vez maior compromisso das pessoas perante um desenvolvimento centrado na pessoa humana e ecologicamente sustentável - novos estilos de vida, novas tecnologias, novas abordagens da gestão empresarial, e por aí fora. Do lado negativo, as formas convencionais de avaliar as decisões económicas e o progresso são objecto de profundos erros de concepção, tendo o actual sistema económico tendências intrínsecas a destruir o ambiente natural, a destruir a comunidade, a transferir riqueza dos pobres para os ricos, a marginalizar pessoas, comunidades e culturas, a desgastar e negar o sentido do espiritual ou do sagrado e a interiorizar a incapacidade e a vulnerabilidade.

Este Caderno toma essas realidades como ponto de partida, apontando para um futuro em que teremos maior capacidade de controlar o nosso destino económico e de fruir dos tesouros e bençãos da natureza de que todos dependemos. O caderno salienta algumas mudanças específicas que ajudarão a concretizar esse futuro.

Num futuro como esse, serão muitas as famílias e comunidades locais a produzir uma maior proporção, em comparação com a actual, das coisas de que necessitam, por exemplo, alimentos e energia. Dependerão mais de si próprias e umas das outras, e serão menos dependentes das grandes empresas e das instituições financeiras e serviços governamentais. Em especial, serão menos dependentes dos empregadores para organizar o seu trabalho e obter os seus rendimentos. Haverá mais pessoas a trabalhar mais tempo em casa e perto de casa.  No que respeita a outros objectivos, a comunicação poderá proporcionar uma alternativa à viagem. Haverá menos transporte de carga a longas distâncias já que a produção local para o consumo local se tornará a norma.  A educação preparará as pessoas não apenas para os empregos, mas para governarem a sua vida - incluindo a casa, a vida de família, o trabalho, o dinheiro e as suas funções e responsabilidades de cidadãos. A cidadania activa - local, nacional e mundial - desempenhará um maior papel do que hoje na vida de muita gente. Muitos terão da vida uma experiência mais saudável e menos geradora de tensões à medida que se vão tornando mais profundamente implicados nas suas comunidades locais e mais estreitamente ligados ao mundo natural.  Por meios que serão diferentes dos actuais, haverá mais pessoas que serão capazes de satisfazer as próprias necessidades - de subsistência, protecção, participação, estima, sentido, identidade, liberdade e auto-realização - sem impedirem outras pessoas de satisfazerem as suas."

O Dr. José Carlos Marques partilhou uma outra parte do livro através blogue O Economista Português, que recomendo a leitura. Para comprar o livro, vejam nesse site ou  aqui.

E que tal a ideia de bancos cooperativos, cujo objectivo não é o lucro mas ajudar as pessoas? Vejam abaixo o exemplo do banco JAK, na Suécia, ou o exemplo do banco Palmas, no Brasil,  no blogue Famalicão por um Mundo Melhor, que alia o microcrédito local a moeda local.


JAK Bank Report (2007) LEGENDADO PT (O Banco que não cobra juros!) from banco jak on Vimeo.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

15 de Outubro – Unidos por uma mudança global

"No dia 15 de Outubro pessoas de todo o mundo tomarão as ruas e as praças. Da América à Ásia, de África à Europa, as pessoas estão a erguer-se para lutar pelos seus direitos e pedir uma autêntica democracia. Agora chegou o momento de nos unirmos num protesto não violento à escala global.

Os poderes estabelecidos actuam em benefício de uns poucos, ignorando a vontade da grande maioria e sem se importarem com o custo humano ou ecológico que tenhamos que pagar. Há que pôr fim a esta situação intolerável.

Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos e às elites financeiras que eles servem, que agora somos nós, o povo, que decidirá o nosso futuro. Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros que não nos representam.

No dia 15 de Outubro encontramo-nos nas ruas para pôr em marcha a mudança global que queremos. Vamos manifestar-nos pacificamente e vamos organizar-nos até atingirmos o nosso objectivo.

Chegou a hora de nos unirmos. Chegou a hora de nos ouvirem."

Saiamos às ruas do mundo o dia 15 de outubro!"     (Fonte: http://www.15deoutubro.net/)



Hora: a partir das 15:00h até às 24h  |  Locais:

Portugal  |  http://www.15deoutubro.net/

Resto do Mundo | http://15october.net/


terça-feira, 11 de outubro de 2011

Desculpem o transtorno, isto é uma R / Evolução

"Desculpem o transtorno, isto é uma R / Evolução". Dia 15 de Outubro, o mundo inteiro vai manifestar que está farto deste sistema totalmente injusto. Pacificamente!
 

domingo, 9 de outubro de 2011

"A coisa mais importante do mundo agora" por Naomi Klein

"Começamos uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E à medida que este movimento crescer e ganhar força, tornar-se-á mais assustador. Estejam conscientes de que haverá a tentação de mudar para alvos menores - como, por exemplo, a pessoa ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, é uma batalha bem mais fácil de ganhar.

Não ceda à tentação. Não estou a dizer que vocês não devem apontar os erros dos outros. Mas desta vez, vamos-nos tratar uns aos outros como quem planeia trabalhar lado a lado na luta durante muitos anos. Porque esta tarefa não vai exigir menos que isso.

Vamos tratar esse belo movimento como se fosse coisa mais importante do mundo. Porque o é, realmente."

Estas são as linhas finais do discurso de Naomi Klein na passada quinta-feira, dia 6 de Outubro na manifestação "Occupy Wall Street", em Nova Iorque. Sem microfones, porque a polícia proibiu, os manifestantes repetiram o discurso, frase a frase. Cabe-me a mim ajudar a amplificar a sua voz, aqui. E a vocês todos também. Porque você que está a ler este blogue, muito provavelmente faz parte dos 99%. 



Porque o discurso é muito importante, fica abaixo a sua tradução completa, bem como a nota introdutória, de Idelber Avelar a obtida na Revista Fórum.

"Naomi Klein é hoje uma das principais intelectuais e militantes anticapitalistas do planeta. Jovem (nasceu em 1970), apaixonada, corajosa, de brilhante trânsito por uma série de disciplinas e potente domínio da retórica, ela já se destacara como figura central nos protestos de 1999 contra a financeirização do mundo. Em 2000, lançou No Logo, uma crítica das multinacionais e do seu uso do trabalho escravo. Mas foi seu terceiro livro, A Doutrina do Choque: A Ascensão do Capitalismo do Desastre, que a elevou à condição de uma das principais intelectuais de esquerda do mundo. Com capítulos sobre os EUA, a Inglaterra de Thatcher, o Chile de Pinochet, o Iraque pós-invasão, a África do Sul, a Polônia, a Rússia e os tigres asiáticos, Klein demonstra como o capitalismo contemporâneo funciona à base da produção de desgraças, apropriando-se delas para o contínuo saqueio e privatização da riqueza pública. De família judia, Klein participou, em 2009, durante o massacre israelense a Gaza, da campanha “Desinvestimento, Sanções e Boicote” (BDS) contra Israel. Num discurso em Ramalá, pediu perdão aos palestinos por não ter se juntado antes à campanha BDS.

Nesta quinta-feira, 06 de outubro, Naomi Klein compareceu, convidada, à Assembleia Geral de Nova York. A amplificação foi banida pela polícia. Não havia microfones. Num inesquecível gesto, a multidão mais próxima a Klein repetia suas frases, para que os mais distantes pudessem ouvir e, por sua vez, repeti-las também. Era o "microfone humano". O memorável discurso de Klein foi assistido por dezenas de milhares de pessoas via internet. A Fórum publica o texto em português em primeira mão. É um comovente documento da luta de nosso tempo." Idelber Avelar
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"Eu amo vocês.

E eu não digo isso só para que centenas de pessoas gritem de volta “eu também te amo”, apesar de que isso é, obviamente, um bônus do microfone humano. Diga aos outros o que você gostaria que eles dissessem a você, só que bem mais alto.

Ontem, um dos oradores na manifestação dos trabalhadores disse: “Nós nos encontramos uns aos outros”. Esse sentimento captura a beleza do que está sendo criado aqui. Um espaço aberto (e uma ideia tão grande que não pode ser contida por espaço nenhum) para que todas as pessoas que querem um mundo melhor se encontrem umas às outras. Sentimos muita gratidão.

Se há uma coisa que sei, é que o 1% adora uma crise. Quando as pessoas estão desesperadas e em pânico, e ninguém parece saber o que fazer: eis aí o momento ideal para nos empurrar goela abaixo a lista de políticas pró-corporações: privatizar a educação e a seguridade social, cortar os serviços públicos, livrar-se dos últimos controles sobre o poder corporativo. Com a crise econômica, isso está acontecendo no mundo todo.

Só existe uma coisa que pode bloquear essa tática e, felizmente, é algo bastante grande: os 99%. Esses 99% estão tomando as ruas, de Madison a Madri, para dizer: “Não. Nós não vamos pagar pela sua crise”.

Esse slogan começou na Itália em 2008. Ricocheteou para Grécia, França, Irlanda e finalmente chegou a esta milha quadrada onde a crise começou.

“Por que eles estão protestando?”, perguntam-se os confusos comentaristas da TV. Enquanto isso, o mundo pergunta: “por que vocês demoraram tanto? A gente estava querendo saber quando vocês iam aparecer.” E, acima de tudo, o mundo diz: “bem-vindos”.

Muitos já estabeleceram paralelos entre o Ocupar Wall Street e os assim chamados protestos anti-globalização que conquistaram a atenção do mundo em Seattle, em 1999. Foi a última vez que um movimento descentralizado, global e juvenil fez mira direta no poder das corporações. Tenho orgulho de ter sido parte do que chamamos “o movimento dos movimentos”.

Mas também há diferenças importantes. Por exemplo, nós escolhemos as cúpulas como alvos: a Organização Mundial do Comércio, o Fundo Monetário Internacional, o G-8. As cúpulas são transitórias por natureza, só duram uma semana. Isso fazia com que nós fôssemos transitórios também. Aparecíamos, éramos manchete no mundo todo, depois desaparecíamos. E na histeria hiper-patriótica e nacionalista que se seguiu aos ataques de 11 de setembro, foi fácil nos varrer completamente, pelo menos na América do Norte.

O Ocupar Wall Street, por outro lado, escolheu um alvo fixo. E vocês não estabeleceram nenhuma data final para sua presença aqui. Isso é sábio. Só quando permanecemos podemos assentar raízes. Isso é fundamental. É um fato da era da informação que muitos movimentos surgem como lindas flores e morrem rapidamente. E isso ocorre porque eles não têm raízes. Não têm planos de longo prazo para se sustentar. Quando vem a tempestade, eles são alagados.

Ser horizontal e democrático é maravilhoso. Mas esses princípios são compatíveis com o trabalho duro de construir e instituições que sejam sólidas o suficiente para aguentar as tempestades que virão. Tenho muita fé que isso acontecerá.

Há outra coisa que este movimento está fazendo certo. Vocês se comprometeram com a não-violência. Vocês se recusaram a entregar à mídia as imagens de vitrines quebradas e brigas de rua que ela, mídia, tão desesperadamente deseja. E essa tremenda disciplina significou, uma e outra vez, que a história foi a brutalidade desgraçada e gratuita da polícia, da qual vimos mais exemplos na noite passada. Enquanto isso, o apoio a este movimento só cresce. Mais sabedoria.

Mas a grande diferença que uma década faz é que, em 1999, encarávamos o capitalismo no cume de um boom econômico alucinado. O desemprego era baixo, as ações subiam. A mídia estava bêbada com o dinheiro fácil. Naquela época, tudo era empreendimento, não fechamento.

Nós apontávamos que a desregulamentação por trás da loucura cobraria um preço. Que ela danificava os padrões laborais. Que ela danificava os padrões ambientais. Que as corporações eram mais fortes que os governos e que isso danificava nossas democracias. Mas, para ser honesta com vocês, enquanto os bons tempos estavam rolando, a luta contra um sistema econômico baseado na ganância era algo difícil de se vender, pelo menos nos países ricos.

Dez anos depois, parece que já não há países ricos. Só há um bando de gente rica. Gente que ficou rica saqueando a riqueza pública e esgotando os recursos naturais ao redor do mundo.

A questão é que hoje todos são capazes de ver que o sistema é profundamente injusto e está cada vez mais fora de controle. A cobiça sem limites detona a economia global. E está detonando o mundo natural também. Estamos sobrepescando nos nossos oceanos, poluindo nossas águas com fraturas hidráulicas e perfuração profunda, adotando as formas mais sujas de energia do planeta, como as areias betuminosas de Alberta. A atmosfera não dá conta de absorver a quantidade de carbono que lançamos nela, o que cria um aquecimento perigoso. A nova normalidade são os desastres em série: econômicos e ecológicos.

Estes são os fatos da realidade. Eles são tão nítidos, tão óbvios, que é muito mais fácil conectar-se com o público agora do que era em 1999, e daí construir o movimento rapidamente.

Sabemos, ou pelo menos pressentimos, que o mundo está de cabeça para baixo: nós nos comportamos como se o finito – os combustíveis fósseis e o espaço atmosférico que absorve suas emissões – não tivesse fim. E nos comportamos como se existissem limites inamovíveis e estritos para o que é, na realidade, abundante – os recursos financeiros para construir o tipo de sociedade de que precisamos.

A tarefa de nosso tempo é dar a volta nesse parafuso: apresentar o desafio à falsa tese da escassez. Insistir que temos como construir uma sociedade decente, inclusiva – e ao mesmo tempo respeitar os limites do que a Terra consegue aguentar.

A mudança climática significa que temos um prazo para fazer isso. Desta vez nosso movimento não pode se distrair, se dividir, se queimar ou ser levado pelos acontecimentos. Desta vez temos que dar certo. E não estou falando de regular os bancos e taxar os ricos, embora isso seja importante.

Estou falando de mudar os valores que governam nossa sociedade. Essa mudança é difícil de encaixar numa única reivindicação digerível para a mídia, e é difícil descobrir como realizá-la. Mas ela não é menos urgente por ser difícil.

É isso o que vejo acontecendo nesta praça. Na forma em que vocês se alimentam uns aos outros, se aquecem uns aos outros, compartilham informação livremente e fornecem assistência médica, aulas de meditação e treinamento na militância. O meu cartaz favorito aqui é o que diz “eu me importo com você”. Numa cultura que treina as pessoas para que evitem o olhar das outras, para dizer “deixe que morram”, esse cartaz é uma afirmação profundamente radical.

Algumas ideias finais. Nesta grande luta, eis aqui algumas coisas que não importam:
  • Nossas roupas.
  • Se apertamos as mãos ou fazemos sinais de paz.
  • Se podemos encaixar nossos sonhos de um mundo melhor numa manchete da mídia.
E eis aqui algumas coisas que, sim, importam:
  • Nossa coragem.
  • Nossa bússola moral.
  • Como tratamos uns aos outros.
Estamos encarando uma luta contra as forças econômicas e políticas mais poderosas do planeta. Isso é assustador. E na medida em que este movimento crescer, de força em força, ficará mais assustador. Estejam sempre conscientes de que haverá a tentação de adotar alvos menores – como, digamos, a pessoa sentada ao seu lado nesta reunião. Afinal de contas, essa será uma batalha mais fácil de ser vencida.

Não cedam a essa tentação. Não estou dizendo que vocês não devam apontar quando o outro fizer algo errado. Mas, desta vez, vamos nos tratar uns aos outros como pessoas que planejam trabalhar lado a lado durante muitos anos. Porque a tarefa que se apresenta para nós exige nada menos que isso.

Tratemos este momento lindo como a coisa mais importante do mundo. Porque ele é. De verdade, ele é. Mesmo."

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O tempo de mudança chegou!

Imagem obtida em deutsche welle 
Foi nos Estados Unidos que começou a ditadura das grandes multinacionais, e por isso, nada mais óbvio que seja nos Estados unidos que comece a revolução contra esta ditadura de corporações e de um capitalismo selvagem, que são a principal causa dos enormes desequilíbrios económicos e sociais actuais, e do crescente e alarmante fosso entre ricos e pobres.

Felizmente os protestos que decorrem há semanas em Wall Street chegaram à comunicação social, e alastraram-se já por várias cidades daquele país.

Dar continuidade a esta revolução de forma pacífica e determinada, por todo o mundo é a revolução essencial. Há que retirar direitos às grandes corporações e há que acabar com a sua ganância desmesurada. Só assim este planeta, no seu todo, pode melhorar.

A Avaaz já se juntou a este protesto e criou uma campanha de apoio, não apenas aos manifestantes, mas também aos mais de 99% da população prejudicada pela actuação das grandes multinacionais: 

"Para os cidadãos ocupando Wall Street e aos povos protestando em todo o mundo:  Estamos com vocês nesta luta pela democracia real. Juntos podemos acabar com a corrupção e o aprisionamento de nossos governantes pelas corporativas e ricas elites, e manter os nossos políticos responsáveis ​​para servir o interesse público. Estamos unidos - o tempo de mudança chegou!"

Junte o seu apoio a este movimento em  "O Mundo vs Wall Street" e participe na campanha para a democracia real - um contador gigante será erguido no centro da ocupação em Nova York mostrando ao vivo cada um que assinar a petição.
   

Se tem dúvidas sobre a importância do que aqui se reivindica e da culpa das grandes multinacionais no estado caótico deste planeta, veja os vídeos contidos nas seguintes mensagens deste blogue:

A história dos cidadãos unidos versus corporações (1 de Março de 2011)
A raiz do mal (17 de Maio de 2011)
Corporocracia (12 de Junho de 2011)

Já agora, o início dos protestos, em 17 de Setembro passado, foi uma excelente prenda de aniversário!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Localização - a economia da felicidade

"A economia global (e as suas grandes distâncias) é responsável pela pobreza e pelo agravamento do fosso entre ricos e pobres, em todos os países."  

Esta é uma frase de Helena Norberg-Hodge que destaco do vídeo da sua palestra TED, abaixo incorporado (e que infelizmente não encontrei legendado em português).

Helena Norberg-Hodge é a fundadora e directora da Sociedade Internacional para a Ecologia e Cultura (ISEC) e do seu antecessor, o Projecto Ladakh. É a autora de Ancient Futures: Learning from Ladakh e co-autora de Bringing the Food Economy Home. O seu trabalho pioneiro na região do Himalaia de Ladakh é reconhecido internacionalmente, tendo-lhe valido o Right Livelihood Award (1986), também conhecido como o "Prémio Nobel Alternativo".

Para Helena, a solução para as crises que vivemos é a localização da economia. No fundo é a Transição que já muitas vezes aqui foi abordada. Comunidades que produzem o essencial para a sua sustentação, comunidades que se interajudam, comunidades que consomem muito menos energia e que produzem muito menos resíduos.

"A localização é uma solução multiplicadora que oferece uma alternativa sistémica de longo alcance ao capitalismo corporativo, assim como ao comunismo. É uma forma de reduzir drasticamente as emissões de CO2, o consumo de energia de todos os tipos, e a produção de resíduos. A actividade económica localizada pode restaurar a biodiversidade, assim como a diversidade cultural.  É uma maneira de criar postos de trabalho significativos e seguros para toda a população global. E talvez o mais importante de tudo, porque trata de reconstruir redes de conexão, o tecido da comunidade entre pessoas e entre pessoas e o seu meio ambiente local: é a economia da felicidade". (tradução daqui)



"Localização é uma estratégia poderosa para ajudar a reparar o nosso fracturado mundo – os nossos ecossistemas, as nossas sociedades e nós próprios. Longe das velhas instituições de poder, as pessoas estão a começar a construir um futuro muito diferente ..."

Este é o mote do documentário de Helena Norberg-Hodge, Steven Gorelick e John Page denominado "The Economics of Happiness", com testemunhos de Vandana Shiva, Bill McKibben, David Korten, Michael Shuman, Juliet Schor, Richard Heinberg, Rob Hopkins, Andrew Simms, Zac Goldsmith, Samdhong Rinpoche, e outros. Veja o trailer aqui.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Crise Terminal do Capitalismo?" - por Leonardo Boff

Imagem: site de Leonardo Boff
Para ler e reflectir, o artigo de Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor universitário brasileiro, publicado no dia 28/06/2011 em Mercado Ético:

"Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

Imagem obtida em A.C.Almuinha
O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

 Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.


Imagem de SIC Notícias
As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas."

domingo, 12 de junho de 2011

Corporocracia

Afinal, em que sistema "político" vivemos? Democracia? Será mesmo? Cá em Portugal, parece mais uma Partidocracia, como diz António Barreto. Mas na realidade, quem manda? O Povo? Os Partidos? Os Políticos? Julgo que nenhum deles. Na verdade, vivemos numa Corporocracia, pois são as grandes multinacionais (corporações), detentoras do poder económico e financeiro que têm decidido os destinos dos países e do mundo. Com direitos idênticos aos das pessoas humanas, não têm deveres porque ninguém dentro delas é responsável por nada. Querem fazer-nos viver na ilusão da facilidade e da comodidade, mas vão controlando e destruindo recursos naturais, comunidades, poluindo a natureza e brincando com a saúde humana. E quantas vezes com a capa de "beneméritas"!

Tal é o estado letárgico induzido pela ânsia de consumo, que a mente humana quase já nem sabe distinguir o bem do mal. Infiltradas nos partidos e dominando a comunicação social, as grandes multinacionais mandam em tudo sem que ninguém as tenha eleito. Ou será que votamos nelas cada vez que compramos os seus produtos?

No mês passado, apresentei aqui o documentário "A Corporação", que documenta bem a história e a actuação destes monstros ávidos por lucro. O vídeo que se segue, extraído do documentário de 2008 "Zeitgeist: Addendum" realizado por Peter Joseph (e que agradeço à Fada do Bosque), vai de encontro ao mesmo tema, envolvendo dois outros actores importantes: o Banco Mundial e o FMI. Para ver este documentário completo, aceda aqui.

No vídeo de Annie Leonard "A história dos cidadãos unidos versus corporações", um caminho de constestação a este estado de coisas é apontado. 

Veja, e pense nisso! É difícil reverter este estado? Claro que sim! Muito difícil! Mas por algum lado temos de começar. E o primeiro, é sair da letargia do Matrix e ficarmos conscientes da situação.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Apelo: Manifesto para um mundo melhor

Este blogue adere e está com o Manifesto para um mundo melhor, publicado no dia 1 de Maio de 2011, no Público,  e que a seguir se transcreve: 


Como cientistas sociais que partilham valores de democraticidade e de justiça social, temos estado atentos a esta crise económica internacional multifacetada e com consequências profundamente negativas no que diz respeito ao Progresso da Humanidade.

Vive-se, na Europa e nos Estados Unidos da América, um tempo de crise económica e social profunda, onde o impacto dos mercados financeiros internacionais e da especulação nas economias nacionais se apresenta como fortemente comprometedor não apenas da retoma económica, mas também, não só da estabilidade democrática, como do aprofundamento da democracia e, consequentemente, do bem-estar social.

Às elevadas taxas de desemprego, à precariedade e volatilidade do mercado de trabalho, resultado de políticas neoliberais protectoras e favorecedoras dos interesses do grande capital, os políticos têm vindo a responder com medidas de combate à crise profundamente fragilizadoras das classes de menor estatuto social e económico, mas sem impacto na resolução dessa mesma crise, servindo apenas para “acalmar” o apetite dos mercados financeiros internacionais através do pagamento de elevados e injustificados juros cobrados às frágeis economias nacionais. Estas medidas são apresentadas às opiniões públicas como as únicas verdadeiramente eficazes para minorar os efeitos da voracidade dos mercados financeiros internacionais desregulados, omitindo o papel daqueles na emergência e aprofundamento da crise. Esta é declarada e assumida pelos governantes e por muitos economistas como se de uma fatalidade se tratasse. Ao mesmo tempo, propaga-se a ideia (ideologia) da inviabilidade de alternativas, a par da fragilização, no caso Europeu, do seu Modelo Social assente na redistribuição económica alegando a sua insustentabilidade a médio e longo prazo e a sua subalternização à Europa da Concorrência.

Acentua-se a responsabilidade individual e a desresponsabilização do Estado face aos grupos sociais mais vulneráveis, reduzindo as oportunidades para se realizarem enquanto cidadãos, beneficiando os mais poderosos em prejuízo dos mais desfavorecidos.

O ataque ideológico ao Modelo Social Europeu é um ataque ao mundo, dado que aquele é o modelo-padrão a partir do qual se constroem as aspirações dos cidadãos das nações emergentes e as novas formas de organização social que urge construir nesses países para redistribuir a crescente riqueza de que poucos usufruem.

As suas consequências são o paulatino desmantelamento das protecções sociais que (ainda) limitam os danos da pobreza e da exclusão social pondo em causa o contrato social que fundamenta a democracia. Às grandes desigualdades de distribuição de rendimento existentes nos países emergentes, perpetuadoras de inúmeras vidas imersas na mais profunda pobreza, juntam-se as novas situações, nos países mais ricos, onde o nível de riqueza cresce ao mesmo tempo que o número de pobres.

É em períodos de crise que se constroem alternativas de futuro. Todos os que se sentem interpelados, descontentes e explorados não podem ser mobilizados pelo “medo” para soluções autoritárias. E corre-se esse perigo. Por isso, é este o momento certo para que os cientistas sociais, que se ocupam de analisar, de procurar compreender e de sistematizar conhecimento sobre as sociedades, as suas dinâmicas, as suas forças e também os seus efeitos perversos, se empenhem na construção do aprofundamento da democracia. Em conjunto com todos aqueles que estão dispostos a trabalhar por um Mundo Melhor. Com todos aqueles que sabem que a democracia se inventa e se reconstrói. Outros paradigmas são possíveis, mas exigem o compromisso de todos nós, para que se diminua a distância entre governantes e governados, denunciada há tantos anos por Bourdieu; para que seja possível, à semelhança do preconizado por Edgar Morin, resistirmos a uma ideologia dominante que tudo varre à sua frente e que apresenta como evidente e normal o que mais não é que a exploração e a desigualdade, que recusamos; para que seja possível compreender à semelhança de Cynthia Fleury, que a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se reinventem as regras que nos governam, impedindo a “entropia” das democracias. Torna-se, por isso, fundamental a intervenção no espaço público, nomeadamente através da construção de um Manifesto capaz de interrogar o capitalismo desenfreado em que vivemos (e particularmente a submissão às exigências dos mercados financeiros internacionais) que sacrifica parte significativa dos seres humanos em nome do lucro exacerbado de alguns, encaminhando-os para a perda gradual dos Direitos e da Dignidade Humanos. Trata-se de um Manifesto capaz de questionar o tipo de sociedade que está a construir-se com este modelo económico e apontar para a construção de uma sociedade em que o modelo económico não faça refém a maior parte da humanidade, destruindo-lhe nomeadamente a capacidade de indignação através do aumento da insegurança e precariedade associadas ao mercado de trabalho. O papel dos e das cientistas sociais é também desconstruir as “evidências do mercado”, bem como outras ideologias tão eficazes, nomeadamente no que diz respeito à veiculação de que não existe alternativa para a actual ordem económica e social mundial.

Afirmamos, pelo contrário, que uma nova ordem económica mundial é possível: uma ordem que restitua aos seres humanos o Direito à indignação, o Direito ao trabalho, o Direito a expectativas positivas e oportunidades de vida, o Direito à Dignidade.

Propomos, por isso, a adopção mundial de medidas tendentes a diminuir o impacto social da actual crise mundial que, se consideradas pelas elites governantes mundiais, contribuirão para o incremento das economias nacionais, para restituir ao ser humano a confiança no futuro e para o aprofundamento do sistema democrático.

Uma democracia saudável é uma democracia mais deliberativa e comunicativa, em que as políticas de “redistribuição”, de “reconhecimento” e de “participação” se articulam em prol de uma justiça mais respeitadora dos direitos humanos, mais cooperativa, sem áreas marginais, tendo em vista transformar este nosso mundo numa comunidade de comunidades.

A sobreexposição da opinião pública aos economistas do regime e sua cartilha de pensamento único desvitaliza e despolitiza o espaço público, difundindo a ideia que Margaret Thatcher apregoou quando subiu ao poder e que constitui o nó górdio de todo um programa: "não há alternativa". Nos dias que correm, esta questão surge com particular intensidade no respeitante à dívida soberana. A prenoção da intocabilidade da dívida afoga todas as tentativas de a discutir enquanto instrumento privilegiado de transferência dos rendimentos do salário para o capital. Na verdade, o reescalonamento e a reestruturação da dívida deveria permitir aos países não pagarem juros extorsionários. De igual modo, afigura-se fundamental impor uma justa redistribuição dos sacrifícios, obrigando a banca (uma das principais causadoras e beneficiárias da actual crise) a pagar imposto de acordo com os lucros obtidos, a par da taxação das grandes fortunas, das mais-valias bolsistas e urbanísticas, das transferências para offshores. Finalmente, julgamos essencial que qualquer política macroeconómica calcule, de antemão, o número de pobres que vai produzir, para que se perceba e evite os danos sociais e morais da sua implementação.

A construção de um Movimento Social Internacional
 
Apela-se a todos os Cidadãos e Cidadãs do Mundo para aderirem a este Manifesto, em ordem a construir um Movimento Social Mundial capaz de enfrentar o actual capitalismo desenfreado que se quer fazer “senhor do mundo” e reféns as pessoas que o habitam. PELA REGULAÇÃO DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA DO CAPITALISMO. PELA HUMANIDADE COM DIGNIDADE.

Almerindo Afonso (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Ana Benavente (Socióloga da educação, ICS-ULHT, Lisboa), Ana Diogo (Socióloga Universidade dos Açores). Afrânio Mendes Catâni (Sociólogo, Universidade de São Paulo, Brasil) Álvaro Borralho (Sociólogo, Universidade dos Açores), Alexandra Castro (Socióloga, CET/ISCTE), Alberto Melo (Associação in Loco e Universidade do Algarve), António Teodoro (Professor, investigador em educação, Universidade Lusófona), Andrea Spini (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Bernard Lahire (Sociólogo, École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines, Universidade de Lyon 2, França), Boaventura de Sousa Santos (Sociólogo, Director do CES, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra), Carlo Catarsi (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Carlos Estêvão (Sociólogo da Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Casimiro Balsa (Sociólogo, Universidade Nova de Lisboa), Claire Auzias (Historiadora, França) Conceição Nogueira (Psicóloga Social, Escola de Psicologia, Universidade do Minho) Fátima Pereira Alves (Socióloga, Universidade Aberta), Fernando Diogo (Sociólogo, Universidade dos Açores), Filipe Carmo (Historiador), Gilberta Rocha (Socióloga, Universidade dos Açores), Giovanna Campani (Antropóloga, Universidade de Florença, Itália), Isabel Guerra (Socióloga, DINAMIA/CET, IUL/ISCTE), João Teixeira Lopes (Sociólogo, Faculdade de Letras, Universidade do Porto), Luísa Ferreira da Silva (Socióloga, ISCSP - Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa), Manuel Carlos Silva (Sociólogo, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho), Maria Alice Nogueira (Socióloga, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) Maria José Casa-Nova (Socióloga da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maria Helena Cabeçadas (Antropóloga), Manuel Matos (Professor aposentado da FPCE, Universidade do Porto), Manuel Sarmento (Sociólogo, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Margaret Gibson (Professor Emérita of Education and Anthropology, University of California, Santa Cruz, USA), Maurizio Matteuzzi (Filósofo, Universidade de Bologna, Itália), Michael Young (Sociólogo, da educação, institute of Education, London) Michel Messu (Sociólogo, Universidade de Nantes, França), Nancy Fraser (Henry A. & Louise Loeb Professor of Philosophy and Politics, New School for Social Research, New York, USA), Nathalie Burnay (Socióloga, Universidade de Namur, Bélgica), Paulo Pereira de Almeida (sociólogo, ISCTE, Lisboa), Pedro Silva (Sociólogo da educação, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, Instituto Politécnico de Leiria), Roger Dale (Sociólogo, Universidade de Bristol, Inglaterra), Rui Brito Fonseca (Sociólogo, CIES/ISCTE-IUL) Universidade de Lisboa), Rui Canário (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa) Rui Santiago (Professor da Universidade de Aveiro), Saniye Dedeoglu (Centre For Research in Ethnic Relations, School of Health and Social Studies, University of Warwick, Inglaterra), Sílvia Carrasco Pons (Antropóloga, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), Sofia Marques da Silva (Socióloga da Educação, FPCE, Universidade do Porto) Tiziana Chiappelli (Educadora, Universidade de Florença, Itália), Tiago Neves (Sociólogo, FPCE, Universidade do Porto) David Smith (Sociólogo, Canterbury University, Kent, United Kingdom), Vitor Matias Ferreira (Sociólogo, Prof. Emérito do ISCTE) Xavier Bonal (Sociólogo, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), Xavier Rambla (Professor de Sociologia, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha).

Quem concordar, pode subscrever este manifesto em http://www.manifestoparaummundomelhor.com/

terça-feira, 1 de março de 2011

A história dos cidadãos unidos versus corporações

Porque a democracia só funciona quando os cidadãos participam? Porque é que o povo perdeu o controle da democracia? Porque as mega corporações económicas e financeiras - sim, as grandes sociedades anónimas, aquelas que não têm rosto nem culpa -  mandam no mundo e nos políticos? 

Veja e ouça as explicações de Annie Leonard no mais recente vídeo de "The Story of Stuff", lançado hoje, ou leia o artigo no The Huffington Post. A história é contada para os americanos, onde os "lobbies" das corporações são "legais". Nos Estados Unidos, as grandes sociedades anónimas gastam centenas de milhões de dólares em propaganda eleitoral para influenciar os cidadãos a votar nos candidatos que os protegem. Nos Estados Unidos, podem gastar o que quiserem, porque o Supremo Tribunal assim o decidiu. Annie Leonard apela aos cidadãos para exigirem a mudança da constituição, que deve diferenciar pessoas reais de empresas.  Mais que óbvio - porque as pessoas são movidas por uma multiplicidade de interesses, necessidades e expectativas. E essas empresas, só as move uma coisa: maximizar o lucro!

Por cá, a história não é muito diferente: os "lobbies" não são permitidos, mas são como as bruxas: lá que existem, existem! E o pior, é que as grandes empresas anónimas são multinacionais, não actuam só nos Estados Unidos! E muitas delas actuam das maneiras mais sórdidas!



Com legendas em espanhol aqui

terça-feira, 19 de maio de 2009

Ladislau Dowbor e a Democracia Económica

A seguir transcrevo alguns parágrafos extraídos de um livro do economista brasileiro Ladislau Dowbor, disponível para download na sua página da internet, chamado “Democracia Económica - Um passeio pelas teorias”, editado em São Paulo, Março de 2007.


"Nestas condições, limitar a democracia à sua expressão política tornou-se cada vez menos realista, tornando-nos inclusive cada vez mais céticos. Temos de evoluir para um conceito mais democrático da própria economia, para que a política volte a ter sentido."

"Enfrentamos hoje o problema central da governança, da forma como nos organizamos para fazer a sociedade funcionar. No plano político, a democracia foi um imenso avanço, já que pelo menos formalmente cada pessoa tem direito a um voto, e saímos da barbárie. No mundo econômico, no entanto, continuamos a aplicar regras que de democráticas não têm nada."

"Democracia econômica pode parecer um conceito estranho. Aprendemos a apreciar a democracia política, vital para a nossa liberdade. Mas quando a economia passa a dominar todas as áreas, inclusive a própria política, precisamos repensar o equilíbrio geral dos processos de decisão, o que hoje tem se chamado de governança.

Não basta ter eleições periódicas de representantes políticos, quando as decisões essenciais sobre as nossas vidas, nossos valores e o nosso futuro escapam à esfera política, e são tomadas por gigantes corporativos sobre os quais não temos nenhum controle. As corporações hoje manejam orçamentos maiores do que a maior parte dos governos do planeta. Ninguém elege os seus líderes. Nas principais cadeias produtivas, um grupo restrito de empresas domina o mercado, impõe os preços, constrói através da publicidade e do controle da mídia a visão positiva de si mesmo. A democratização da economia aflora como tema central.

"As teorias econômicas que herdamos do passado não dão realmente conta do que acontece. O presente ensaio busca, nas diversas correntes de pensamento alternativo, identificar uma tendência mais ampla de resgate do controle, por parte dos cidadãos, dos rumos do nosso desenvolvimento. Não é um exercício meramente acadêmico."

"O aquecimento global está às nossas portas, e nos damos conta de que o consumo obsessivo baseado na exploração de um recurso barato e finito, o petróleo, nos leva simplesmente a um impasse. A água esbanjada e poluída de maneira irresponsável leva a que 4 milhões de crianças morram anualmente por contaminação. A vida nos mares está sendo literalmente destruída, e se trata da maior reserva de vida do planeta. Só 2% das famílias concentram metade da riqueza mundial; os 50% mais pobres da população respondem por apenas 1% da riqueza do planeta."

"Só os inconscientes ou pessoas de má fé não se dão conta do drama que se amplia."

Para reflectir!