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domingo, 24 de março de 2013

Islândia - a democracia acima dos interesses financeiros

"Entre a democracia e os interesses financeiros temos de escolher a democracia
Olafur Grimmson (daqui)

Imagem de Reuters obtida aqui
Em janeiro passado, em Davos,  perguntaram ao presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimmson,  "porque é que a Islândia teve uma recuperação tão forte após o seu completo colapso financeiro em 2008, enquanto o resto do mundo ocidental luta com uma recuperação que não tem pernas para andar". Esta é parte da resposta que deu:

"… Fomos suficientemente sábios para não seguir as tradicionais ortodoxias prevalecentes do mundo financeiro ocidental nos últimos 30 anos. Introduzimos controles de divisas, deixámos os bancos falirem, proporcionámos apoio aos pobres e não introduzimos medidas de austeridade como você está a ver aqui na Europa. ...

... Por que é que os bancos são considerados as igrejas sagradas da economia moderna? Por que é que bancos privados não são como companhias aéreas e de telecomunicação às quais é permitido irem à bancarrota se tiverem sido dirigidas de um modo irresponsável? A teoria de que você tem de salvar bancos é uma teoria em que você permite aos banqueiros desfrutaram em seu próprio proveito o seu êxito e deixa as pessoas comuns arcarem com os seus fracassos através de impostos e austeridade. O povo em democracias esclarecidas não vai aceitar isso no longo prazo. ...
                                                                                                                            Fonte: Resitir.info

domingo, 9 de dezembro de 2012

Uma alegoria contemporânea

"Tax the Rich: An animated fairy tale", uma animação sobre as desigualdades económicas, de Mike Konopacki, narrada por Ed Asner e escrita e realizada por Fred Glass para a CTF (California Federation of Teachers). Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Geoff Lawton - "Como sobreviver à crise"

Deem uma espreitadela no filme prévio "Como sobreviver à crise" com Geoff Lawton , disponível por uns dias, clicando na ligação a seguir:


«NOTA IMPORTANTE DE GEOFF:

Olá, você está entre os primeiros a dar uma espiada prévia muito especial a este vídeo.  Não planeamos lançar esta série de vídeos até ao início de 2013. Eu não enviarei um vídeo na próxima semana como mencionei no vídeo. Estamos a dar os toques finais sobre a edição dos próximos vídeos e enviá-los-emos para si quando for lançado oficialmente em 2013.»

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Crise, corrupção e bancos

«"Temos situações tão absurdas como pessoas da banca privada a controlar o Banco de Portugal e pessoas ligadas ao setor financeiro e ao setor das empresas que vão ser privatizadas a controlar no Parlamento as empresas que vão ser privatizadas e o próprio setor financeiro." 
(...)
"se é verdade que a crise gera corrupção também é verdade que foi a corrupção que gerou a crise"»

Paulo Morais, em JN (14/06/2012)


A fonte... from voz zerobel on Vimeo.
Através do blogue O Tempo Chegou

«Paulo Morais, vice-presidente da ONG "Transparência e Integridade" diz que o parlamento é o grande centro da corrupção em Portugal e que a corrupção é a verdadeira causa da crise. Entrevista de Luís Gouveia Monteiro.»  
Fonte: Vídeos SAPO

E a propósito, se concordar, assine a


«Os grandes bancos foram surpreendidos em um enorme escândalo de manipulação das taxas de juros globais, surrupiando milhões de pessoas em hipotecas, empréstimos estudantis, entre outros. Se fosse conosco, iríamos para a cadeia por conta disso, mas o banco Barclays apenas teve de pagar uma multa, uma pequena fração de seus lucros! A indignação está crescendo e essa é nossa chance de finalmente virar a mesa contra o reinado dos banqueiros sobre nossas democracias. 

O regulador de finanças da UE, Michel Barnier, está enfrentando o lobby de poderosos bancos e defendendo uma reforma que iria colocar os banqueiros atrás das grades por fraudes como esta. Se a UE tomar a iniciativa, esse tipo de responsabilização pode rapidamente se espalhar pelo globo. Mas os bancos estão fazendo lobby contra essa medida e precisamos de um gigante apoio popular para conduzir essas reformas. 

Se conseguirmos 1 milhão de assinaturas em apoio a Barnier nos próximos 3 dias, isso lhe dará forças para enfrentar a lobby bancário e para pressionar os governos em prol de uma reforma bancária. Assine a petição ao lado. O número de assinaturas será representado por atores fantasiados de banqueiros em uma prisão em frente ao Parlamento da UE.


Fonte (texto e imagem): Avaaz 10 Julho 2012, em http://www.avaaz.org/po/bankers_behind_bars_f/

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Apelo pela saúde

Na sequência da entrevista ao laureado com o prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts, publicada na mensagem "Curar não dá lucro",  vem agora o apelo do médico e investigador alemão Matthias Rath, que vale a pena escutar no vídeo abaixo.

Imagem obtida em Activist Post
«Na conferência “Cancer Free World” em Berlim, Alemanha, em 13 de março de 2012, Dr. Rath apelou ao povo da Alemanha e da Europa para assumir a responsabilidade pela construção de uma Europa democrática para o Povo e pelo Povo. Descrevendo como a investigação científica sobre os remédios naturais está já amplamente disponível, tornando claro que a incidência de doenças comuns pode agora ser reduzida a uma fração da sua ocorrência atual, afirmou que é agora possível a construção de um novo sistema global de saúde baseado na prevenção e eliminação de doenças. Dr. Rath sublinhou, contudo, que este impressionante "mundo sem doença" não nos será entregue numa bandeja, porque cada doença representa um mercado de biliões de dólares para o cartel farmacêutico e os seus atores políticos os escritórios da União Europeia em Bruxelas.

Como tal, se quisermos criar um mundo sem doenças para nós e nossos filhos, todos nós devemos agir agora.»
Fonte: Dr Rath Health Foundation (tradução minha)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O fim dos subúrbios

"Quais serão as consequências, à medida que os combustíveis fósseis se tornam mais escassos e mais caros?"

"A crise petrolífera global que se aproxima é muito, muito má notícia. Ainda assim, os factos sobre o esgotamento de petróleo têm sido claramente evitados pelos meios de comunicação. Poucos de nós estamos conscientes do grau em que as nossas vidas dependem de combustíveis fósseis baratos. E não nos estamos a preparar para todos os problemas que esta crise acarreta"

"É tempo de levar as coisas a sério"

Estas são frases retiradas do documentário realizado em 2004 "O Fim dos Subúrbios" (The End of Suburbia), que questiona o futuro do modo de vida "american style" totalmente dependente dos automóveis, face à cada vez maior procura e escassez do petróleo. Encontrei o filme legendado em português no excelente blogue Bioterra, que recomendo vivamente.


O FIM DOS SUBURBIOS - End of suburbia (2006) Legendado PT from MDDVTM TV7 on Vimeo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Nós estamos aqui. Não estamos de férias."

Uma mensagem de Frei Fernando Ventura para o novo ano:

"VIVA A CRISE

Isso mesmo, assim…, sem pontuação, sem sublinhados e sem sinais, sem acordos, por mais ortográficos que sejam.

VIVA A CRISE

Só assim mesmo, um imperativo. Um imperativo de consciência.

VIVA A CRISE

Só assim mesmo, uma interrogação. Uma interrogação, de dignidade.

VIVA A CRISE

Assim sem mais, sem glosas nem variações do politicamente correcto.

VIVA A CRISE

Neste novo ano que agora se inicia. Neste 2012 com tudo por inventar. Neste 2012, ANO NACIONAL E INTERNACIONAL DA SOLIDARIEDADE.

VIVA A CRISE

Isso mesmo, ANO NACIONAL E INTERNACIONAL DA SOLIDARIEDADE, assim…, sem pontuação, sem sublinhados e sem sinais, sem acordos, por mais ortográficos que sejam.

VIVA A CRISE

Neste 2012, o ano de recriar a aritmética do tempo novo e do Novo Tempo. Tempo de DIVIDIR para MULTIRPLICAR e de ADICIONAR sem SUBTRAIR nada a ninguém.

Se assim for,

VIVA A CRISE, vivamos a CRISE, neste imperativo de consciência, que mudará a história na medida em que as nossas consciências se mudarem, na medida em que formos capazes de entender que se não vivermos a vida, seremos vividos por ela e eu, não quero, não tenho tempo, tenho mais que fazer…

Há mais apressados por aí?

Então vamos a isso, vamos juntos, vamos todos, vamos pegar nisto, vamos pegar em nós e fazer a revolução. Pode ser?

Vamos mandar os senhores do tempo, os senhores da política do partidarismo bacoco, da economia que faz de nós carne para canhão, da finança que só sabe entender a linguagem da especulação criminosa, vamos mandá-los à mera… isso mesmo, à mera consideração das suas ideias.

Este tempo é o nosso de inventar a matemática da SOLIDARIEDADE. Este tempo é o nosso de dar a volta a isto. Não podemos parar os comboios, não podemos parar os aviões, não temos sucatas para negociar, nem robalos, nem alheiras, nem títulos de participação, nem sub-primes, nem primos nem primas… a que nos agarrar… mas temo-nos a nós, inteiros, vivos, com esta raiva que nos corre nas veias e que ninguém tem o direito de manipular ou de se “assenhorar”.

Não temos nada, mas temo-nos a nós! Por isso, senhores, temam-nos a nós!

Somos mais que números a contar no final das vossas manifestações.

Somos mais do que gente para mandar gritar na rua, mas depois de enrolarmos as bandeiras… não temos onde as meter…

Somos mais do que pagadores das asneiras que nos fizeram e que nos fizeram fazer.

Somos mais do que exercícios contabilísticos de ignomínia e discórdia.

Somos MAIS, muito mais… somos muitos mais, por isso temam-nos a nós que nos temos a nós.

E não estamos de férias como os nossos parlamentares, de todos os partidos, que foram para casa mais cedo. Não estamos de férias, não temos férias nem subsídios, nem feriados, nem dinheiro, mas temo-nos a nós; por isso temam-nos a nós.

Nós, sem vós e sem voz daremos a volta a isto. A revolução está na rua! Em tantas iniciativas que um pouco por todo o lado estar a ver gente a dar a mão a gente para que cada vez mais gente seja gente e para que nunca ninguém perca a dignidade de ser pessoa.

Nós estamos aqui. Não estamos de férias. Estamos na luta, na exclamação e na interrogação. Na indignação pelo direito à dignidade.

VIVA A CRISE, VIVAMOS A CRISE
Bom Ano 2012"

Frei Fernando Ventura 

(Fontes: http://opiniao.ecclesia.pt/2011/12/viva-crise.htmlhttp://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10150476916439166&id=628774165

sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Crise Terminal do Capitalismo?" - por Leonardo Boff

Imagem: site de Leonardo Boff
Para ler e reflectir, o artigo de Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor universitário brasileiro, publicado no dia 28/06/2011 em Mercado Ético:

"Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

Imagem obtida em A.C.Almuinha
O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

 Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal 12% no país e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas, mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.


Imagem de SIC Notícias
As ruas de vários países europeus e árabes, os “indignados” que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhóis gritam: “não é crise, é ladroagem”. Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumossacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da superexploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas."

domingo, 10 de abril de 2011

Tempo de Transição

O texto que se segue é um extracto da mensagem de Luís Queirós do passado dia 4 de Abril no blogue Transição. Aconselho a que leiam o texto integral no original, aqui.

«Tempo de Angústia e de Incerteza, Tempo de Transição

Vivem-se tempos de angústia e de incerteza no nosso país, mas também um pouco por toda a parte. É a crise económica, o aquecimento global, os desastres ambientais, a crise energética, a globalização, as assimetrias regionais, os conflitos latentes, o terrorismo ou a, sempre presente, ameaça nuclear. São contingências universais mas que na aldeia global afectam potencialmente todas as pessoas e todos os lugares, mesmo os mais isolados e remotos. E, o pior de tudo, é esta espiral de pobreza que paira sobre nós como uma espada afiada e que ameaça, por longo tempo, o nosso futuro.
...
O que está verdadeiramente em causa é o modelo - predador de recursos e poluidor - em que assenta a nossa economia, e que já não funciona. Falam-nos de crescimento como a solução de todos os problemas a começar pelo desemprego, e nós sentimos que estamos a tocar o céu, a atingir um limite para lá do qual já não se pode crescer: falta o espaço vital, faltam os recursos, sobra a população e sobra a poluição.
...
E parece que nem sequer existe o outro lado da crise! Os acontecimentos das últimas décadas roubaram-nos a esperança no chamado modelo socialista, que alimentou os sonhos da juventude da minha geração. Acabou a crença nos “amanhãs que cantam”, e está definitivamente desacreditado o modelo de "a cada um segundo as suas necessidades, de cada um segundo as suas capacidades".

Hoje só nos resta o estreito caminho da Transição, que é uma reaproximação à natureza, e uma nova forma de olhar o mundo, menos consumista e mais solidária. »

Sobre a Transição, conhece a rede em Portugal? Se não, espreite em Transição e Permacultura Portugal.

E como completa hoje um ano desde o primeiro colóquio sobre Transição em Portugal, no qual tive muito gosto de participar, ficam aqui os meus parabéns ao João Leitão que o organizou e que criou a rede acima referida, a todos os que participaram no colóquio, e a todos os que estão em Transição. Bem hajam.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Economia de crise ou economia sustentável?

E porque é mais que óbvio que estamos em crise económica, mais uma vez me socorro de um extracto do livro abaixo identificado, de Valdemar Rodrigues, para reflexão da necessidade de transição para uma economia sustentável. O extracto fala de economia em crise. A mim, parece-me que também se fala de economia sustentável. Porque a "crise" que temos na economia, desenganem-se, não é passageira. Ela veio para ficar e para se agravar, porque a nossa economia é insustentável. E não falo de Portugal, falo do mundo. A dependência extrema do petróleo, cujo pico foi ou está quase a se atingido, e que cada vez será mais caro, o excessivo consumo dos recursos do planeta, a poluição que produzimos e as desigualdades que supostamente deveriam estar mais atenuadas neste século, mas que se agravaram, são razões mais que suficientes para uma crise geral. E são as comunidades locais que têm de perceber que precisam de se preparar para a transição, tornando-se resilientes e resistentes à crise vindoura preparar, para evitarem o colapso.

"(...)
Se houver uma crise económica e colapsar o abastecimento de electricidade, a conservação de produtos alimentares como a carne ou o peixe ainda continua a ser possível, através, por exemplo, da salga ou da secagem. Não é certamente por acaso que as sociedades ainda guardam a memória dessas tecnologias primitivas: é o seu instinto natural de sobrevivência a funcionar, sussurrando ao íntimo de cada um dos seus membros que o progresso cultural e científico nunca foi na história um dado completamente adquirido. E não foi, de facto, como bem sabem os antropólogos e os historiadores.
A história é profícua em casos de sociedades cultural e tecnologicamente ricas a que se seguiram sociedades cultural e cientificamente pobres, apagadas ou mesmo mortas.
(…)

A perspectiva crente na irreversibilidade do progresso tende a minimizar a importância de costumes e saberes ancestrais (ou ultrapassados) que um dia foram úteis ao homem e que lhe permitiram em muitos casos sobreviver economicamente. Tal perspectiva tende a orientar a educação essencialmente para o novo e para o futuro plausível, sem cuidar suficientemente do estudo dos factores que fizeram com que uma dada disciplina científica progredisse até um determinado estádio. Uma educação que ufanamente descura o passado, em benefício de um saber apenas presente, tantas vezes precário e incerto, inclinado para um futuro onde a surpresa não se consente. Predomina hoje, por assim dizer, uma a-historicidade pedagógica, decerto agravada pelo sentimento de compressão espaço-temporal e pela percepção da extrema aceleração das transformações que varrem o mundo.
(…)

O sucesso da recuperação económica da Argentina no período pós-2001 desafiou o conhecimento económico convencional (leia-se: o conhecimento iluminado por um tipo particular de teorias económicas) e surpreendeu a resposta do Estado nacional enquanto sociedade política cooperante e capaz de auto-organização. Na Argentina, a superação foi possível graças a expedientes há muito considerados arcaicos, tais como sistemas de troca directa, que se revelaram vitais para a sobrevivência de muitos milhares de famílias. O mesmo havia sucedido na Bulgária, com as batatas a transformarem-se por volta de 1997 em moeda de troca em várias regiões do país. O sistema baseado nas trocas directas de produtos e serviços já tinha sido criticado por Adam Smith que o considerava primitivo, um sistema não refinado que tenderia a desaparecer com a modernização das economias. Porém, tal não sucedeu, mantendo-se até aos nossos dias e estendendo a sua acção inclusive ao comércio internacional.

As moedas locais são outro dos arcaísmos que teimam em permanecer e cuja utilidade económica adquire grande relevo em tempos de crise. Isso aconteceu, por exemplo, na pequena cidade austríaca de Wörgl entre Julho de 1932 e Novembro de 1933 em pleno período da Grande Depressão, permitindo pôr em prática as ideias de Sílvio Gessel. Enquanto a depressão económica deixava marcas profundas por toda a Europa, a pequena cidade via aumentar o seu produto interno e as taxas de emprego, protegendo-se assim dos efeitos da recessão económica. Por muito que isso custe aos cultores do liberalismo económico, é da própria ideia de Estado soberano que advém o proteccionismo económico, hoje tido por coisa abominável pelas instâncias internacionais liberalizadoras (OMC, FMI, Banco Mundial, etc.).

Os sistemas locais de trocas têm vindo a ser explorados desde as primeiras décadas do século XX, inclusive por empresas que se especializaram na sua implementação, existindo provavelmente em 2008 mais de um milhar de sistemas em funcionamento em todo o mundo desenvolvido, porém de forma limitada e na sua maioria em paralelo com os sistemas oficiais baseados nas moedas nacionais ou regionais.
(...)"

Valdemar J. Rodrigues, em "Desenvolvimento Sustentável - uma introdução crítica", Parte I - Escolas e correntes de pensamento da questão ambiental- As escolas das ciências sociais e o ambiente - Desafios para a ciência económica, Editora Principia, 2009 (itálicos do autor, negrito meu, imagem da net)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Face the G8 - O que você faria?

No próximo dia 8 Julho começa nova cimeira do G8, em Áquila, Itália.
O que é que você faria se fosse um dos membros do G8? Escolheria as políticas correctas que nos levam a um futuro sustentável, ou faria as mesmas velhas e ocas promessas para continuar tudo na mesma (business as usual)?


(Fonte: WWF)