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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Quer saber se está contaminado pelo herbicida glifosato?

«Conhece o Glifosato? Poucos conhecem, mas é o pesticida sintético mais usado no país e no mundo (em Portugal é vendido sob vários nomes: Roundup, Spasor, Tornado, Montana, Touchdown, etc). Durante décadas pensou-se que o glifosato desaparecia rapidamente após aplicação e portanto não estava presente na água nem na comida. Acontece que, nos últimos anos, começaram a ser feitas análises a voluntários de diferentes países europeus e verificou-se que muitos estavam contaminados por glifosato. O problema é grave, pois o glifosato causa cancro em animais de laboratório e, tudo indica, em humanos também.


Infelizmente, em Portugal, as únicas análises disponíveis (realizadas em 2016) apontam para valores dezenas de vezes acima da média europeia. Ninguém sabe porque é que estamos tão contaminados, e não parece haver pressa em saber: as câmaras e juntas de freguesia continuam a pulverizar ruas e parques com glifosato mesmo sabendo que estão a expor a população, as empresas de águas ignoram as recomendações e não testam a água, os hipermercados vendem glifosato livremente, os Ministérios da Agricultura e do Ambiente não preparam alternativas para os agricultores...

Quer saber se está contaminado? A Plataforma Transgénicos Fora (http://stopogm.net) está a organizar, até 21 de julho de 2018, a recolha e envio para um laboratório na Alemanha de amostras de urina dos portugueses interessados em saber o seu nível de contaminação. Cada análise tem o custo de 78,20 euros. Estes resultados irão mostrar quanta contaminação existe de facto em Portugal e permitir exigir junto de autarquias e governo que o uso de glifosato seja drasticamente reduzido e progressivamente substituído por alternativas que não prejudiquem a saúde dos habitantes e o ambiente de todos.

Se fizer a análise através desta iniciativa a Plataforma Transgénicos Fora envia-lhe, junto com o resultado, uma explicação simples do seu significado, uma comparação (anónima) com os resultados dos outros participantes e algumas sugestões para acelerar a descontaminação do seu organismo (e da sua família). Daqui a uns anos o glifosato vai acabar por ser oficialmente proibido (já poucos duvidam disso) mas até lá temos de ser nós, os cidadãos, a tomar a iniciativa. Cada análise que for feita vai ajudar a Plataforma a defender um Portugal livre de glifosato e também será usada (com autorização, claro) para o primeiro estudo científico sobre este silencioso problema de saúde pública no país.

Vai participar? Leia o folheto anexo (ou descarregue-o em https://tinyurl.com/analisesglifosato) e inscreva-se em https://www.stopogm.net/analises-glifosato-portugal - se tiver dúvidas contacte a Plataforma Transgénicos Fora através do email info@stopogm.net (o prazo é mesmo 21 de julho... não perca esta oportunidade!).

Infelizmente a Plataforma Transgénicos Fora não tem fundos próprios que lhe permitam financiar as análises (em 2016 a Plataforma recolheu donativos para pagar as análises). Ao mesmo tempo sabemos que 78,20 euros é muito dinheiro para o bolso da maioria das famílias. Por isso fazemos um apelo à auto-organização e conjugação de esforços em associações, bairros e comunidades locais. Para saber o que se passa ao certo no país são necessárias muitas análises e só juntos conseguimos!»

Instruções de participação e mais informações em https://www.stopogm.net/analises-glifosato-portugal


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Elixires da Morte (Primavera Silenciosa)

Primavera Silenciosa (1962), mais do que um livro imprescindível sobre a contaminação ambiental por pesticidas, é um marco e uma referência na história da consciência ambiental que aparece como reação a décadas de irresponsabilidade ambiental e ética. E Rachel Carson (bióloga, 1907-1964), a sua autora, uma mulher informada e corajosa que sabia o que enfrentaria quando decidiu publicar o livro, fruto das suas intensas pesquisas e de uma vida dedicada à natureza.

Imagem obtida em Biowit
"Pela primeira vez na história do mundo, cada um dos seres humanos está agora sujeito a entrar em contacto com substâncias químicas perigosas, desde o momento em que é concebido, até ao instante em que a sua morte ocorre. Em menos de dois decénios do seu uso, os pesticidas sintéticos foram tão intensamente distribuídos pelo mundo - seja pelo mundo animado, seja pelo mundo inanimado - que eles aparecem virtualmente por toda a parte. 

Tais pesticidas foram encontrados e retirados da maior parte dos grandes sistemas fluviais, e até mesmo de cursos de água que fluem, sem ser vistos por nós, através da Terra, por vias subterrâneas. Os resíduos das referidas substâncias químicas permanecem no solo ao qual talvez tenham sido aplicadas uma dúzia de anos antes. Elas entraram e alojaram-se no corpo dos peixes, dos pássaros, dos répteis, dos animais domésticos e dos animais selvagens; e o fizeram tão universalmente, que os cientistas que efetuam experiências animais verificam que se torna quase impossível localizar exemplares que sejam de todo livres de semelhante contaminação. 

Essas substâncias foram encontradas até em peixes de remotos lagos existentes em topos de montanhas - até em minhocas que perfuram o solo - nos ovos dos pássaros e no próprio homem. E isto porque as mencionadas substâncias estão agora armazenadas no corpo da vasta maioria dos seres humanos, independentemente da sua idade. Elas aparecem no leite das mães, e, com toda a probabilidade, também nos tecidos dos bebés ainda não nascidos."

Rachel Carson, em "Primavera Silenciosa", 1962. Adaptado da 2ª edição Brasileira (parte inicial do capítulo 3: "Elixires da Morte"), cuja versão integral está disponível para descarregar em http://biowit.files.wordpress.com/2010/11/primavera_silenciosa_-_rachel_carson_-_pt.pdf

Imagem obtida em Campo Aberto
Cinco decénios depois, em 2012, a Campo Aberto - Associação de Defesa da Natureza, editou a versão portuguesa do belo livro "Maravilhar-se, Reaproximar a Criança da Natureza", de Rachel Carson, 1956, em homenagem à Autora pelos 50 anos de "Primavera Silenciosa". Na parte final do anexo "Rachel Carson: Síntese de uma Vida", J. C. Costa Marques/ Campo Aberto escreve: 

"Embora os adversários de Primavera Silenciosa tivessem continuado a atacar o livro e a promover o uso indiscriminado de pesticidas, embora, ao longo de meio século que nos separa já da primeira edição, nunca como antes se tenham fabricado e utilizado quantidades tão colossais de pesticidas e de herbicidas, a questão ficou definitivamente equacionada em termos diferentes dos existentes até então.

A política oficial atual da União Europeia, por exemplo, embora longe de uma aplicação consequente e generalizada, o que suscita as críticas das organizações de defesa do ambiente, reconhece apesar disso que a proteção integrada deverá primar sobre o uso de pesticidas. Em todo o mundo, a consciência pública , embora ainda muito manipulada, sabe que os pesticidas são mais um problema que uma solução. E por toda a parte, chame-se-lhe agricultura orgânica, biológica, ecológica, natural, ou sustentável, numerosos agricultores e movimentos organizados, embora ainda minoritários, procuram devolver à terra  e à Terra a saúde e equilíbrio que o uso indiscriminado de químicos lhes vêm retirando sobretudo ao longo dos últimos cem anos."


domingo, 22 de julho de 2012

O Veneno Está na Mesa

Depois do Veneno na Mesa dos portugueses, O Veneno Está na Mesa dos brasileiros... e de que maneira! Um documentário de Sílvio Tendler, muito bom, e não só para brasileiros. Com depoimentos de Eduardo Galeano e  Ana Primavesi, entre muitos outros.

«SinopseO filme-documentário aborda como a chamada Revolução Verde do pós-guerra acabou com a herança da agricultura tradicional. No lugar, implantou um modelo que ameaça a fertilidade do solo, os mananciais de água e a biodiversidade, contaminando pessoas e o ar. Nós somos as grandes vítimas dessa triste realidade, já que o Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante. Apesar do quadro negativo, o filme aponta pequenas iniciativas em defesa de um outro modelo de produção agrícola. Este é o caso de Adonai, um jovem agricultor que individualmente faz questão de plantar o milho sem veneno, enfrentando inclusive programas de financiamento do governo que tem como condição o uso desses agrotóxicos. No Brasil, há incentivo fiscal para quem utiliza agrotóxicos, gerando uma contradição entre a saúde da população e a economia do país, com privilégio da segunda.»

«Este documentário lançado em 2011 e dirigido pelo premiado cineasta brasileiro Silvio Tendler alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura brasileira, que atualmente é a recordista mundial no uso desses agentes químicos fornecidos por empresas como BASF, Bayer, Dupont, Monsanto, entre outras. Muitos dos venenos produzidos por estas empresas foram banidos em vários países de todos os continentes, mas no Brasil continuam em uso, inclusive pelos pequenos agricultores, que são obrigados a usar sementes transgênicas e pesticidas para conseguir crédito junto aos bancos.»

"Desde 2008, e Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos:  5,2 litros/ano por habitante"


O Veneno Está na Mesa from MST on Vimeo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Desabafo de um agricultor (brasileiro)

Imagem obtida aqui
      "Encurralar: meter em curral, encantoar em local sem saída, sem opção de escolha, perda da liberdade... é assim que está o agricultor que não deseja aderir ao plantio de organismos geneticamente modificados, no meu caso a soja e o milho.

        Gostaria que me permitissem um desabafo.

        A agricultura, atividade milenar que fixou o homem tirando-o do nomadismo, criou a possibilidade da civilização se desenvolver, é a pedra angular na produção de alimentos para a humanidade. Hoje é uma atividade controlada.

        A produção de alimentos é entendida, ou pelo menos deveria ser entendida pelos governantes de um país, como um ponto estratégico, segurança alimentar.

        A nação que se auto sustenta na produção de alimentos tem uma vantagem óbvia em relação às que não forem capazes. Mas, pelo que tudo indica, nossos governantes (eu me refiro em especial aos parlamentares, congressistas que compõem a bancada ruralista) não estão dando importância para auto sustentabilidade e segurança alimentar da nação. Se eu pudesse gostaria de fazer algumas perguntas a esses parlamentares que me referi acima:
  • Por que depender de uma tecnologia criada por um concorrente que tem por principal objetivo o controle sobre as sementes e os agricultores e o controle sobre a produção de alimentos no mundo?
  • Por que deixar corporações estrangeiras ditarem as regras de um setor tão importante?
  • Será que com todos os cientistas e mentes brilhantes que temos aqui no Brasil não seria possível encontrar uma outra solução para os problemas enfrentados pela agricultura além dessa proposta dos organismos geneticamente modificados?
Imagem obtida aqui
        Do agricultor foram tirados todos os direitos básicos elementares de optar por um ou por outro sistema de produção, de poder guardar as suas sementes, a liberdade de escolha.

        Além do agricultor ter que arcar com o risco das intempéries, das mudanças climáticas e de toda má sorte que pode ocorrer desde o plantio até a colheita, ele é jogado no covil desses leões famintos que são essas mega corporações que estão nos empurrando para um brete sem saída. E o pior, com o aval de quem deveria nos proteger.

        Quem deveria nos proteger são os representantes do setor agrícola no congresso. Criando leis, mecanismos que impeçam essas corporações de fazer o que bem entendem, de fazer com que o agricultor fique cada vez mais dependente, mais endividado, mais impotente, mais desesperado, mais sem saída.

        Afinal, bancada ruralista, a quem vocês estão representando mesmo?

        Grato pela atenção,

        Silvio Guerini"

O texto anterior é uma carta de um agricultor do Paraná,  foi publicada no Boletim 565 da AS.PTA de 26 de Novembro de 2011, e foi hoje divulgada por mail através da lista OGM. Vejam o contexto da carta aqui.