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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Construir com fardos de palha

Casa em palha em construção na Quinta dos Melros
A construção em fardos de palha felizmente parece ganhar cada vez mais adeptos.  Não sendo uma técnica nova, as suas características de conforto térmico e acústico, aliadas à sustentabilidade dos materiais e custo abaixo da construção corrente, tornam-na uma opção muito atraente sobretudo para casas. 

Esperemos que as burocracias do licenciamento não se tornem uma barreira a este tipo de construção, que pode ser feita projetada e construída por empresas especializadas, mas que também pode ser realizada em auto-construção. Neste caso, será sempre aconselhável a orientação por técnicos especializados. 

Lanço aqui o desafio a quem já é especializado neste tipo de construção, que deixe, em comentário, o seu nome e contacto, e se se dedica ao projeto, construção ou acompanhamento de obra.

Em relação a este tema, neste blogue já  se falou antes na construção em palha e de uma casa de palha com 93 anos (em França). E no blogue irmão, EcoConstruir, também pode encontrar: 
- o caso de uma oficina de construção de casa em fardos de palha em Turtle Rock Farm (EUA)
- uma tradução do artigo  How to Build With Straw Balesque mais abaixo se reproduz. (Esta tradução pode ter algumas lacunas, pois para além de eventuais desconhecimentos da língua original, também não tenho, ainda, qualquer prática em construção em palha; por isso, agradeço a correção de eventuais lapsos). 

Já a seguir, um vídeo de Chris Ripley sobre a construção de uma casa com fardos de palha na Quinta dos Melros, Tábua, Portugal (a da imagem de cima). 




Como construir com fardos de palha


«Aqui estão instruções básicas para a montagem de uma parede de fardos de palha numa estrutura de pilares e vigas (postes e traves). Nada aqui deve impedir o uso das melhores práticas de construção.

Avaliando os fardos

A palha deve ser cortada à foice com enfardadeira de corte não rotativo,  de modo a que o fardo seja feito dobrando as palhas longas a meio. O fardo terá um lado cortado e um lado dobrado. Estes fardos serão facilmente  redimensionados . Fardos de duas cordas são 35-36 cm de altura por 45-46 cm de profundidade por 86-107 cm de comprimento.

Os fardos devem estar secos. Use um medidor de humidade para testar o seu teor. Idealmente os fardos serão executados na faixa de 9-14 % , mas até 18% é utilizável. Se ele tiver aparência de humidade, ver se há sinais de mofo (bolores), se for o caso, não usar em paredes.

Os fardos devem ser apertados o suficiente para que os dedos se sintam firmes e confortáveis entre o fio e a palha ao levantar o fardo. Ao levantar pegando por uma corda,  deve sentir-se o fardo seguro e não como que prestes a desmoronar-se. Os fardos não precisam de ser recém-cortados , mas estes serão menos empoeirados  do que os que foram armazenados por algum tempo.


Empilhamento de fardos

Os fardos são colocados num canteiro elevado de cascalho. A partir de um canto, colocar os fardos topo a topo em cada sentido. Coloque os fardos com o lado da corda para cima , esta é a forma estrutural para assentar os fardos. Na fiada seguinte comece de novo no canto colocando o fardo de modo que  ele se sobreponha a metade de dois fardos com a junta dos dois fardos inferiores mais ou menos a meio do fardo superior. Da mesma forma que se colocam tijolos ou blocos. Quando chegar ao fim de uma fiada, pode não ter espaço suficiente para um fardo inteiro. É quando ocorre o redimensionamento . Continue  a empilhar  as fiadas dessa maneira.

Trabalhe  a parede de forma a para mantê-la no prumo. Uma marreta de madeira grande pode ser usada para " persuadir " a parede a se manter na vertical.  Pode fazer paredes curvas com fardos de palha , as paredes não precisam ser retas, mas devem ser verticais (no prumo).

Redimensionamento de fardos

Os fardos podem ser redimensionados para criar um invólucro sólido a fiada. Se o espaço que precisa ser preenchido tem 23 cm ou menos, encha o espaço com camadas de palha em vez de tentar fazer um fardo que se adeqúe.  Os fardos são constituídos por uma série de camadas que se separam facilmente umas das outras. Depois da parede estar construída, camadas de palha  são também usadas para encher orifícios nas juntas entre fardos. Pode redimensionar sozinho, mas é melhor  fazê-lo com ajuda. Determine o comprimento do fardo que você precisa.

Marque o fardo e corte fio de enfardamento  suficiente para dar a volta ao fardo “novo” mais  23 cm. Faça dois fardos em simultâneo de modo a não perder a palha, pois provavelmente vai precisar de um fardo desse tamanho em alguma parte do edifício. Meça e corte uma corda que rodeie a outra metade do fardo , mais 23 cm. Vai precisar de substituir ambas as cordas do fardo, por isso corte um outro conjunto de cordas para coincidir com os fardos cortados e coloque-as de lado. Pegue as duas cordas e enfie a agulha de fardo com elas. Puxe as duas cordas na agulha para que o meio do cordel esteja no buraco da agulha . Ao inserir a agulha no fardo deve ter cuidado para não cruzar as cordas no interior do fardo . Faça isto mantendo as extremidades de cada corda em mãos separadas . Coloque a agulha junto à parte de dentro da corda existente, no comprimento que precisa.

Mantendo a agulha perpendicular ao fardo empurre-a através dele. Seu parceiro vai remover o fio da agulha, sabendo que corda veio de que buraco e para que lado vai dar a volta ao fardo. Virando o fardo de lado faça um nó e aperte bem, fazendo um fardo firme. Agora, " re-costure " a outra corda no fardo. Depois de ambos os lados redefinidos,  corte o fio original no nó e remova-o. Guarde a corda para futuros fardos redimensionados .


Fixação (pinning) (ver também: http://youtu.be/FKxZd5P2z_A

Após o empilhamento da palha, é reforçada lateralmente. Coloque duas estacas de bambu em ambos os lados da parede a cada 45-46 cm. Ligue-os uns aos outros utilizando a agulha de fardos e arame 16.

Insira a agulha enfiada com fio através do meio do fardo em cada fiada. Isso é chamado de fixação (pinning). Aperte o arame com um alicate para puxar as estacas de bambu contra os fardos submergindo-as ligeiramente na palha. Este aperto vai ajudar a endireitar a parede. Em seguida, empurre as extremidades dos fios bem para dentro da palha de modo a que não interfiram no reboco.

As estacas devem ligar a ambas as placas superior e inferior por aparafusamento, ou com uma cinta de 2 furos, ou com agrado de cerca.


Janelas e portas

Janelas e portas são pré- construídas . Coloque-as bem para mantê-las em prumo e esquadria. Peitoris fundos são criados quando as janelas são colocados na borda externa dos fardos (recomendado) . Na cozinha, janelas de balcão podem ser não operáveis, ou ser definidas no interior do fardo para facilitar a abertura. Se assim for, não se esqueça dos detalhes para uma boa drenagem do peitoril.

Canalizações e fios

Os fios são colocados sobre a superfície da palha. Ele pode ser colocado no tubo (recomendado ), ou simples. Pode usar um anel de gesso nas suas caixas , que permite que você defina a caixa, por isso deve ser nivelado com a última camada de gesso. Os canos mantemos fora das paredes de palha. Onde os canos sobem a partir do chão,  pode colocar instalações na parede de palha, mas onde o cano precisa vir através da parede de palha, coloque as instalações numa parede interior (não de palha).

Armários de montagem

Armários de cozinha pode ser montados em paredes de palha por aparafusamento 2 × 4 na parede usando pernos de 1/2 " (1,27 cm) enfiados  na parede de palha, prendendo  a um compensador de madeira de 30 cm (12”). Aperte as porcas novamente antes do reboco.


Revestimento / acabamentos

Uma casa saudável precisa "respirar" . O melhor revestimento para a palha é o reboco natural de argila e cal, aplicado dentro e por fora . Esta argamassa tem sido utilizada com sucesso em todo o mundo por milhares de anos . É não tóxico, fácil de misturar e aplicar,  e limpa-se com água . É feito com cal , argila e areia.  A cal dissuade roedores e insetos de entrar na casa.

Pulverizadores de estuque

Se você quiser aprender a estucar, ou deseja aplicar estuque ou argamassa numa parede ou fardos de palha , vai gostar deste pulverizador Stucco para rebocar com argamassas naturais  e misturas de gesso terra e cal.


Fardos de palha oferecem uma casa energeticamente eficiente usando um material que seria queimado libertando carbono e outros poluentes. Ao construir com fardos de palha o carbono sequestrado na palha permanece lá, e os fardos são classificados  um material resistente ao fogo classe A, fazendo uma casa segura, saudável e bela.»

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Eco-aldeias e permacultura (Ecocentro IPEC - Brasil)

«O IPEC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado) é uma organização não governamental sem fins lucrativos que tem seu escritório no Ecocentro, localizado na cidade de Pirenópolis, Goiás. O Ipec foi fundado em 1998 com a finalidade de estabelecer soluções apropriadas para problemas na sociedade, promover a viabilidade de uma cultura sustentável, oportunizar experiências educativas e disseminar modelos no cerrado e no Brasil.» (continua aqui)


«Reportagem do Globo Repórter (25.05.2007) sobre Ecovilas, episódio "Amigos do Planeta", gravado no Ecocentro IPEC - Pirenópolis - GO. Saiba mais no site: www.ecocentro.org»:

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Uma casa em palha com 93 anos - Maison Feuillette

Construída em 1920, a Casa Feuillette (Montargis, França) é o primeiro edifício do mundo em fardos de palha com estrutura de madeira, e a mais antiga casa em palha da Europa. A prova da durabilidade das construções em palha.

O Centro Nacional de Construção em Palha em França (Centre National de la Construccion Paille) está na reta final (até 1/11/2013) de uma campanha de angariação de fundos para adquirir esta casa, cujo construtor foi o engenheiro Émile Feuillette, que lhe dá o nome.


«O fardo de palha é um material:
- Saudável,
- Altamente isolante,
- Abundante e renovável,
- De baixo custo energético
- Que promove as economias locais,
- Que valoriza o trabalho manual
- Padronizado através do desenvolvimento das regras profissionais de construção em palha (Règles professionnelles de Construction en Paille Règles CP 2012).

Os  fardos de palha permitem construções de qualidade, duráveis, económicas e ecológicas»




«

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Casa feita com materiais reutilizados e locais, na Trofa

"Paredes de pneus, terra e latas; recolha de águas pluviais para usos diários; aproveitamento da luz solar para aquecimento de águas e das habitações; uso de coberturas ajardinadas melhorando a climatização das habitações e aumentando a área de solo permeável; espaços exteriores com a reutilização de diversos materiais, entre outros."

Esta é a descrição que consta na página do Facebook da "Casa Ecofixe" (e donde foram retiradas as imagens), uma moradia que um jovem casal está a construir na na freguesia de Alvarelhos, concelho daTrofa.

As principais motivações para a escolha desta técnica construtiva foram o custo inferior ao da construção tradicional, a procura por um tipo de construção sustentável, através da aplicação de materiais reutilizados e reciclados, e do uso de materiais locais, disponíveis nas proximidades (num raio de poucos quilómetros), e também a eficiência energética, através da minimização dos gastos energéticos futuros e da maior autonomia.

Entre as dificuldades que apareceram, pois a ideia surgiu há já alguns anos, esteve a demora em  arranjar um construtor que abraçasse o projeto, mas acabou formando-se uma empresa de construção para o efeito.



O projeto é da autoria do arquiteto João Pereira e da arquiteta paisagista Graça Silva, e tem tido assessoria técnica na execução do    arquiteto Armindo Pereira de Magalhães, de V. N. Famalicão.

Ficam aqui registados os parabéns aos mentores e autores do projeto, assim como aos donos da obra, Marta Santos e Pedro Silva e a toda a equipa que está a levar a cabo esta obra, inclusive, claro está, ao meu amigo Armindo Magalhães.

Embora já existam vários casos de moradias em construção ecológica, espero que o destaque dado a este caso nos meios de comunicação sirva para que se comece a perceber que há muitas possibilidades de construção para além do betão e do cimento, e muitas delas são bem mais sustentáveis e económicas.

Mais sobre a história desta casa em  O Notícias da Trofa, em Studio Roulette e em Público P3, e vídeos na TrofaTV e em RTP notícias

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Arquitetura de palha - Tertúlia na Campo Aberto (Porto)

«Arquitetura de palha 

Fotografia de Catarina Pinto -casa em fardos de palha, Alemanha (daqui)
O Quê?
Uma tertúlia sobre construção com fardos de palha, organizada pelo Grupo Energia e Clima da Campo Aberto 

Com quem?
O tema será apresentado pelo Arq. Vítor Varão, professor na ESAD - Escola Superior de Arte e Design, de Matosinhos, que tem vindo a trabalhar sobre este tema em Portugal e no estrangeiro.

Quando?
Quinta-feira, 15 de novembro, às 21:15.

Onde?
Na sede da Campo Aberto, rua Santa Catarina, 730-2.º andar, no Porto.

Como?
Inscrevendo-se (obrigatório mas gratuito) para o email: jcdcm@sapo.pt  indicando necessariamente  nome e telefone(s).

A Campo Aberto agradece donativos que os participantes queiram deixar à entrada da sessão (a título indicativo: 1 euro para sócios, 3 euros para não sócios).

Tema
Esta tertúlia abordará a construção com fardos de palha e outros materiais possíveis de utilizar na arquitetura sustentável, e cujas qualidades de climatização representam importantes potenciais economias de energia.

Desde há muitos anos que no Nebraska se iniciaram as construções com fardos de palha, 
recorrendo a vários processos. Esta tecnologia é cada vez mais utilizada dentro de um conceito de arquitetura sustentável, afirmando-se cada vez mais como uma construção qualificada e de grande valor estético, que traz mais valias tanto na eficiência térmica como acústica.

A construção com fardos de palha está pouco implementada em Portugal mas começa a dar os seus primeiros passos. Esta apresentação, numa abordagem de transmissão de conhecimento destes materiais, refere como se processa esse tipo de construção, as suas vantagens, o enquadramento desse material com outros materiais que se podem utilizar na arquitetura ecossustentável, bem como as várias maneiras de utilizar os fardos de palha, incluindo na autoconstrução.

Sendo um material com muitas qualificações técnicas, e surpreendendo a opinião vulgar, a sua utilização neste momento está a acontecer mais nos países frios e húmidos.»

Fonte: e-mail da Campo Aberto

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Workshop de Revestimentos de Cal Aérea


Sítio está a organizar um workshop de Revestimentos de Cal Aérea com o Eng. Fernando Cartaxo e a Fradical, dias 3 e 4 de Dezembro de 2011, na Quinta de Darei, em Mangualde. 

"A história da Cal Aérea remonta ao amanhecer da história do próprio homem. Foi ainda na pré-história que o homem começou a produzir a cal, havendo vestígios da sua utilização com mais de 10 000 anos.
É utilizada há milénios, na construção, enquanto argamassa de assentamento de alvenaria e enquanto revestimento.

Hoje, utilizando receitas tradicionais e desenvolvendo novas investigações é possível obter resultados que superam largamente o desempenho do cimento e de outros materiais proporcionando soluções de grande qualidade estética, ambiental e construtiva. Estas características tornam a Cal Aérea num material com grande interesse estratégico na procura de soluções que promovam a capacidade de indivíduos e comunidades de gerirem o seu próprio espaço construído em harmonia com o ecossistema que habitamos.

O domínio deste material abre assim uma grande gama de possibilidades podendo ser aplicado na criação de emprego e relações económicas de nível local trabalhando de forma sustentável, resiliente e criativa.

Este workshop tem como objectivo a transmissão dos conhecimentos acerca da cal aérea e todas as suas possibilidades. Especial importância será dada às suas espantosas possibilidades enquanto solução de revestimento. Esta exploração inclui soluções de um revestimento totalmente hidrófugo. Haverá um constante equilíbrio entre as componentes teórica e prática. Em conjunto, estes dois tipos de aprendizagem permitirão que os alunos acabem o workshop com a capacidade de entender e aplicar este material.

O workshop terá três grandes momentos:
1- Transmissão teórica de conhecimentos relativos à Cal e à Pozolana.
2- Experimentação de várias soluções de revestimento (amostras)
3- Aplicação dos conhecimentos no trabalho de revestimento de um edifício de adobe construído num workshop anterior. Para saber mais sobre este edifício clique aqui.

Este workshop será orientado para todos aqueles (com ou sem formação na área da construção) que tenham curiosidade em compreender melhor este material e será ministrado em português com tradução simultânea para inglês.
  
Para inscrições e mais informações: www.sitiocoop.com

Sítio é uma cooperativa dedicada ao desenvolvimento de economias locais.
Tem como grande objectivo contribuir para a criação, organização e transmissão de soluções que contribuam para que os indivíduos e comunidades possam gerir, de forma resiliente, livre e abundante a realidade que habitam."

Fonte: Sítio

sábado, 15 de janeiro de 2011

Telhados verdes no Biosfera


Foto do blogue Gaiatos e Gaianos de Giuliana Capello
Já falei aqui um pouco das vantagens das coberturas ajardinadas. Mas as "coberturas verdes" não se limitam a jardins - podem ser ultizadas também para a produção de alimentos, o que as torna ainda mais vantajosas.  Telhados e coberturas verdes melhoram a eficiência energética das construções, embelezam a paisagem, e, sobretudo no caso das cidades, minimizam os efeitos das enchentes, diminuem o efeito ilha, purificam o ar, aumentam a biodiversidade...  Mas o melhor é ver o programa Biosfera (RTP2) sobre o tema, com o agrónomo Luís Alves do Cantinho das Aromáticas, e a arquitecta Lívia Tirone, autora do livro "Construção Sustentável".

domingo, 7 de novembro de 2010

Casas em palha

Imagem de http://ecohomeresource.com/
Em termos construtivos, não há qualquer dúvida de que o século XX foi o século do betão, que alavancou a arquitectura  modernista e a pós-modernista. Mas estamos no século XXI, e o betão já provou ser um material pouco amigo do ambiente e de elevada pegada ecológica. A par do fim da construção desenfreada que se verificou nas últimas décadas, começam a reaparecer técnicas construtivas simultâneamente ancestrais e inovadoras, como construções em terra (taipa ou adobe) e mesmo em fardos de palha.

Na 2ª sessão, dedicada a  Materiais, nas Jornadas de Arquitectura Sustentável promovidas pela Quercus, o Arq. Vítor Varão apresentou técnicas construtivas com estes materiais. Como conhecia o uso da taipa e do adobe, a construção em fardos de palha foi uma agradável surpresa, pois as características destas construções são muito melhores do que poderia supor.

Começam pelo baixo custo e sustentabilidade do material de construção, pois além de a palha ser barata e de ser um material residual na produção de cereais, as casa em palha são passíveis de auto-construção, desde que com alguma investigação e ajuda de quem já tem prática.
As propriedades térmicas e acústicas são excelentes, não há necessidade de qualquer material de isolamento extra.
Desde que bem executada, a resistência ao fogo é superior à das construções em betão (surpresa!).
A durabilidade é também uma vantagem, desde que o revestimento (em argila ou cal) seja bem executado. Existem casas de palha com 70 anos, duração que é a previsível como esperança de vida das construções em betão.
A estrutura destas construções pode ser autoportante (os próprios fardos de palha suportam a cobertura) ou podem ser usadas estruturas em madeira ou outros materiais. 

 E não é só para pequenas casas que a palha é adequada: vejam o exemplo de um hotel de luxo na África do Sul, construído em palha - Didimala Game Lodge (imagem ao lado esquerdo).

Vejam também a reportagem da euronews "Rendidos às casas de palha".

Mais informações e vídeos sobre construção em fardos na rede ning criada por Christopher Ripley - Global Strawbale Community, no seu blogue Straw Bale House at Quinta dos Melro ou na página StrawBale.com

Parece que a história dos 3 porquinhos foi mal contada, vamos ter de a reformular!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Coberturas ajardinadas

As coberturas ajardinadas, que já apareceram em projectos de vanguarda de edifícios há uns bons anos, finalmente começam a surgir em quantidade e com qualidade, e não só em coberturas planas, de modo a implicarem uma redução significativa no impacto ambiental das construções. Como exemplo, espreitem o caso de Copenhaga no blogue parceiro da Ana "Um blog pelo ambiente", ou o exemplo do vídeo abaixo, no Bronx, Nova Iorque.

Através da revista digital Projectarcasa, onde tem um artigo sobre coberturas ajardinadas, do qual transcrevo abaixo uma parte, descobri uma empresa na zona do Grande Porto dedicada a este tipo de coberturas, a Neoturf, que oferece 10 anos de garantia. Em breve passarei por lá, pois para que  as coberturas ajardinadas  funcionem, devem ser projectadas e aplicadas por especialistas, não  é tarefa que se aconselhe a amadores. E depois dos jardins, virão as hortas nos telhados, ainda mais sustentáveis.

"As coberturas ajardinadas têm vindo a assumir um importante papel no desenvolvimento de estratégias de sustentabilidade nas cidades modernas, devido aos inúmeros benefícios que promovem. Deveremos destacar alguns desses benefícios:
  • Capacidade de isolamento térmico: diminuição de 8% do consumo de energia eléctrica destinada ao ar condicionado dos edifícios;
  • Diminuição do impacto negativo das estruturas construídas em meio urbano;
  • Aumento da atividade fotossintética que implica:aumento na produção de oxigénio, maior reciclagem de dióxido de carbono e redução no efeito de estufa das cidades;
  • importante papel na integridade e sustentabilidade dos sistemas de drenagem urbanos;
  • Capacidade de retenção de água reduzindo os riscos de inundações;
  • Aumento de biodiversidade e dos nichos ecológicos;
  • Redução do efeito "ilha de calor"
  • Absorção/ Redução da poluição sonora;
  • Absorção/ Filtragem de gases poluentes e de partículas em suspensão na atmosfera.
(Fontes:  Projectarcasa, Neoturf)

domingo, 11 de julho de 2010

Zmar - turismo sustentável no Alentejo

Em Zambujeira do Mar, no Parque Natural do Sudoeste Alentejano, o Eco-camping Zmar demonstra como o turismo pode ser sustentável, e como se pode até aproveitar umas férias para adquirir conhecimentos e hábitos mais ecológicos. Trata-se de um "resort" de campismo 5 estrelas. A construção é sustentável, em madeira, com painéis solares e aproveitamento de água; as ruas não são pavimentadas; o comércio aposta nos produtos locais.
Veja a reportagem da RTP no vídeoa abaixo incorporado para ficar a conhecer melhor o conceito e o empreendimento.
"Classificado como parque de campismo, o Zmar veio, no entanto, alterar o conceito de acampar em Portugal. O Eco Camping para além da possibilidade de desfrutar de momentos naturalmente ecológicos, oferece ainda diversos serviços dignos de um resort. O alojamento é composto por uma zona com 33 chalets, 48 alojamentos de hotelmóvel, 3 Zvillas e um parque com capacidade para 288 caravanas. Os chalets e as Zvillas têm capacidade para seis pessoas e são construídos em madeira. Já os hoteismóveis têm uma capacidade máxima de dois adultos e uma criança." (Fonte: escape by Expresso - Boa Cama)

O Zmar Eco Campo Resort & SPA tem um site na internet onde pode fazer as reservas, uma página no Facebook, onde pode dialogar com  eles e onde fui buscar as fotos que aqui estão.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Expo 2010 - Pavilhão de Portugal revestido a cortiça

O Pavilhão de Portugal na Expo 2010, da autoria do arquitecto Carlos Couto, vai ser revestido a cortiça, e, de acordo com as notícias, parece que vai ser uma aposta na arquitectura sustentável, com a utilização de matérias primas nacionais e recicláveis. Esperemos que assim o seja, e que actue como exemplo e incentivo a uma construção de menor impacte sobre o ambiente.
A construção está orçamentada em 3 milhões de euros. O que vai acontecer ao pavilhão após a exposição, não sei, mas se os materiais são recicláveis, nem tudo se perde. No entanto, na política dos 3R, reutilizar vem antes de reciclar...
(Fontes: Café Portugal, Oje, RádioRenascença)

Nota de rodapé: Por falar em milhões de euros e sustentabilidade, não resisto a expressar aqui o meu espanto com esta obra!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Edificios sustentáveis - o exemplo da Alemanha

(Foto: Vila Solar em Friburgo)

É fundamental para o futuro do planeta que todos estejamos empenhados em contribuir com a nossa parte no respeito pelo ambiente. Nós, os indivíduos, as comunidades e o poder político. As comunidades, desde os edifícios até às cidades, passando por aldeias e vilas, precisam de também de traçar um caminho e evoluir pelo caminho da sustentabilidade. Já aqui falei no bom exemplo da comunidade BedZED, no Reino Unido.

Hoje deixo aqui um pequeno vídeo sobre casos de sustentabilidade em comunidades e em edifícios na Alemanha: o caso do "Condomínio Solar" ou "Vila Solar", projectado pelo arquitecto Rolf Disch, em Friburgo e os edifícios "Triple Zero": zero energia, zero emissões e zero lixo ("marca" registada pelo arquitecto Werner Sobeck).

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

BedZED


Beddington Zero Energy Development, mais conhecido por BedZED, é a maior comunidade sustentável de uso misto no Reino Unido.
Foi projectada para criar uma comunidade próspera em que pessoas comuns pudessem desfrutar de elevada qualidade de vida ao mesmo tempo que utilizam a sua justa quota parte de recursos do planeta. BedZED foi iniciada pela BioRegional e pela BDa ZEDfactory e desenvolvida pela Peabody Trust, ficou pronta e foi ocupada em 2002.

Estes são os factos:
  • Energia: redução de 81% na energia de aquecimento e 45% de redução na electricidade (comparado à média local)
  • Transportes: redução de 64% na quilometragem dos automóveis (comparado com a média nacional).
  • Água: redução de 58% no consumo de água por pessoa e por dia (comparado à média local).
  • Lixo: 60% dos desperdícios são reciclados.
  • Alimentação: 86% dos residentes compram alimentos biológicos.
  • Comunidade: em média, os residentes conhecem pelo menos 20 vizinhos pelo nome
Mais do que apenas um conjunto de edifícios construídos de modo sustentável, a BedZED é também uma experiência em modos de vida sustentável.



Um exemplo a seguir, senhores políticos, promotores, arquitectos, engenheiros, urbanistas, sociólogos etc.!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Certificação Ambiental de Edifícios

Enquanto que a certificação energética dos edifícios é já obrigatória em Portugal, a certificação ambiental de edifícios, empreendimentos ou urbanizações é ainda de carácter opcional ou voluntário.

Existem já muitos sistemas de certificação ambiental do edificado (na ordem dos 200 no mundo), que de um modo geral utilizam muitos parâmetros em comum, mas que divergem em certos critérios, também fruto do país ou região de onde são oriundos. Uns são mais direccionados para o consumo energético, outros para o ciclo de vida, outros ainda para serem um suporte à concepção do edifício.

Em França, desde 2004 que a associação ambiental HQE procede à certificação ambiental de construções. Também em França, o sistema Qualitel, já em aplicação desde 1974, nasceu com o objectivo específico de melhorar o edificado existente destinado a habitação, tendo posteriormente alargado o seu espectro de actuação.
No Reino Unido, o sistema BREEAM (BRE Environmental Assessment Method), é já amplamente aplicado, mesmo a nível internacional.
Na América do Norte, o sistema LEED (Leadership in Energy and Environmente Design) , desenvolvido pelo U.S. Green Building Council, é também já uma referência a nível internacional em certificação ambiental de edifícios.
No Japão, há o CASBEE (Comprehensive Assessment System for Built Environment Efficiency), na Austrália, o NABERS (National Australian Built Environment Rating System). E por aí fora.

O sistema internacional SBTool (antes denominada GBTool) está em desenvolvimento desde 1996 pelo iiSBE (International Initiative for a Sustainable Built Environment). Devido à elevada complexidade de parâmetros, de países, climas e modos de vida diferentes (mais de 20 países envolvidos, incluindo Portugal), ainda não se estabeleceu concretamente os parâmetros e critérios a serem aplicados.

Em Portugal, o sistema LiderA , desenvolvido pelo IST (Instituto Superior Técnico) e liderado pelo Eng. Manuel Duarte Pinheiro, certificou os primeiros edifícios em Outubro de 2007. O sistema encontra-se disponível para aplicação em edifícios, estando em consolidação os limiares de desempenho para algumas tipologias de empreendimentos, para além do residencial e turismo. Estão também em desenvolvimento versões para aplicação a infra-estruturas e a comunidades sustentáveis. No sistema Lider A, a construção corrente de hoje em dia é o nível E. Há pois um longo caminho a percorrer até à construção sustentável, nível A++.

Também da autoria do Eng. Manuel Duarte Pinheiro, está disponível na internet o livro "Ambiente e Construção Sustentável", muito interessante e com óptima informação para quem quer saber mais sobre a sustentabilidade na construção.

Apesar de existirem critérios diferentes, e uma grande quantidade de outros parâmetros a avaliar, todos estes sistemas de certificação ambiental abarcam a certificação energética, o uso de fontes de energia renováveis, a reciclagem e minimização de consumo de água, o impacto no ambiente e a impermeabilização do solo, o uso de materiais e técnicas sustentáveis, o reaproveitamento de materiais provenientes de demolição, bem como quaisquer outras iniciativas que contribuam para a sustentabilidade da construção.

É uma mais-valia para os promotores, para os construtores e para os compradores apostarem nos edifícios certificados ambientalmente, pois para além de contribuírem para a sustentabilidade das construções, o que lhes confere uma imagem apelativa, acabam também por contribuir para edifícios de mais baixo custo de manutenção.

E uma coisa é certa, embora possa haver em alguns casos um acréscimo de investimento para tornar um edifício certificado ambientalmente, não existe qualquer relação directa entre custo e sustentabilidade da construção. Sobretudo se a sustentabilidade foi pensada desde a raiz do projecto, não é necessário que um edifício seja mais caro para ser mais sustentável.

(Desenho ao cimo à esquerda: de Estudi Coma, no livro "El Rascacielos Ecológico", de Ken Yeang, Editora Gustavo Gili, 2002, Barcelona)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Certificação Energética dos Edifícios

Todos já nos habituámos a ver aquelas etiquetas da eficiência energética dos grandes electrodomésticos como frigoríficos, máquinas de lavar e secar, fornos, e a tê-las em conta quando os vamos comprar.

Sendo os edifícios responsáveis por cerca de 30 a 40 % do consumo energético e das emissões de gases de efeito de estufa, nada mais lógico que também eles serem objecto de tal classificação.

Na sequência de uma directiva europeia (2002/91/CE), e com base do Decreto-Lei 78/2006, desde 1 de Janeiro de 2009, todos os edifícios ou fracções destinados a habitação ou serviços (em que se inclui o comércio) que sejam construídos, transaccionados ou arrendados, têm de ter obrigatoriamente um certificado energético, que os classificará desde os mais eficientes (A ou A+) até aos menos eficientes (G).

Para os edifícios novos, aos quais a certificação energética se tem vindo a aplicar desde o projecto, e por fases desde Julho de 2007, o nível mais baixo de eficiência energética admissível é o B-.

A classificação e certificação energética dos edifícios é feita por peritos qualificados para o efeito, tem em conta quer as características energéticas passivas, como isolamento, orientação solar, sombreamento, quer as activas, como produção de água quente ou electricidade a partir de fontes renováveis de energia como solar, eólica, geotérmica ou biomassa. No caso de a eficiência energética ser baixa ou poder ser aumentada, é obrigação do perito propor medidas para melhoria da classificação energética do edifício ou fracção.

A certificação energética dos edifícios é um importante contributo para a sustentabilidade da construção, para que no futuro o edificado seja cada vez menos responsável pelo consumo de energias não renováveis e cada vez mais económico ao pagar a factura energética.

Em Portugal, a entidade gestora do Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar dos Edifícios (SCE) é a ADENE - Agência para a Energia, em cujo site pode obter vasta informação sobre o assunto.

A plataforma on-line Casa Certificada, com protocolo com a ADENE, facilita a relação entre a procura e a oferta de Certificados Energéticos. Caso pretenda certificar a sua casa e não conheça um perito qualificado, vários peritos estão já lá registados, por distritos e concelhos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Museu de História Natural em São Francisco


Da autoria do bem conhecido arquitecto italiano Renzo Piano, e inaugurado em 2008/09/28, o novo Museu de História Natural da Academia de Ciências da Califórnia, no Golden Gate Park em São Francisco, é um bom exemplo de integração na paisagem e de arquitectura sustentável.

A cobertura é um jardim com colinas que funciona como isolamento, que reaproveita as águas das chuvas e que através de clarabóias com sistemas de abertura automáticos providencia iluminação e ventilação natural à maioria dos espaços do museu, sendo ainda delimitada por painéis solares foto voltaicos que produzem mais de 10% das necessidades energéticas do edifício, para além de servirem de sombreamento.

O edifício foi certificado pelo sistema LEED com a classificação Platinum, sendo o maior e mais sustentável classificado por este sistema. Para além da produção de energia a partir do sol, do aproveitamento das águas das chuvas, do isolamento natural da cobertura, muitos outros factores estiveram na base desta certificação. Entre eles: sistemas de recuperação de calor que reutilizam a energia térmica produzida pelos sistemas de AVAC; a água salgada do aquário que é canalizada do Oceano Pacífico; tem canalizações independentes para água potável e para água sanitária; mais de metade das madeiras utilizadas provém de plantações sustentáveis; o isolamento das paredes é feito de algodão para jeans reciclado; foram reutilizados e reciclados cerca de 90% dos resíduos de demolição do anterior complexo existente - foram reutilizados 9000 ton de cimento na construção dos acessos e foram reciclados 12000 ton de aço.

Fontes: Artigo "a obra ao verde", de Nancy Black, na Revista Arquitectura & Construção n.º 55 Junho/Julho 2009; Ciência Hoje -2008/09/28; The New York Times - 2008/09/23; archiCentral - 2008/09/18; Treehugger - 2008/04/29

terça-feira, 28 de julho de 2009

ECOLOGIA A SÉRIO

Pensamos já em tudo, ou quase tudo o que se possa fazer, para que o Planeta se torne um sítio sustentável. Muita coisa foi dita, mas aqui a fada, pensa que existe algo que passou despercebido.
Quando falamos em Sustentabilidade, falamos num abrangente leque de acções, que devem ser tomadas e a meu ver, o mais urgente possível.
Nesse leque tão vasto, quero aqui chamar a atenção para a construção sustentável.
Eu sei, eu sei, já se fartaram de pôr essa questão!...
O que ficou esquecido foi a "nova" forma de construir. Aqui a Sra Arquitecta, esqueceu-se de que se pode construir casas e edifícios em terra ou argila.
Material utilizado desde os primórdios da civilização e ainda utilizado em alguns Países, chamados de pobres.
Pois então, quero dar a conhecer, que voltou de novo à baila, dentro do novo contexto ecológico, esse tipo de construção nos Países desenvolvidos. Atrevo-me pois, a dar o exemplo do nosso Portugal, nunca me esquecendo de que de desenvolvido pouco tem, nomeadamente no que toca a assuntos sociais.
Mas no que toca a Ecologia, parece que o País, quer mesmo dar um saltito e andar para a frente.
Pese embora o facto, de que construção em terra ou argila, seja já ancestral; mas o que é facto, é que pouco há de tão ecológico!
Nós, carcaças velhas que por aqui andamos, podemos franzir o sobrolho, a coisa tão descabida (?!), mas quem sabe, os jovens, com a sua open mind, não serão o público visado, pois deles depende o futuro.
A Construção em terra , começou em Portugal no início dos anos 90, existindo nichos localizados no Alentejo e Algarve, de construções privadas, complexos turísticos, turismo de habitação e em públicas, podemos referir duas escolas em Albufeira e o Mercado de S. Luís, em Faro, construído por alunos, especializados neste tipo de construção.
O mais triste de tudo isto, é que chegou a existir em Serpa, uma escola especializada neste tipo de construção, a construção da terra e teve de fechar, por falta de alunos!
Mas a Câmara Municipal de Serpa, não se conforma e vem fazendo disto, o seu cavalo de batalha e é de louvar!
Não sendo expert neste assunto, sei que a construção é totalmente ecológica. Existem três tipos de procedimentos: em adobe, em taipa e em blocos de terra comprimida BTC.
Este último, é o tipo optimizado e mais divulgado.
Em questões financeiras, não se pode dizer, que se torna menos dispendioso, mas a médio prazo, os benefícios na poupança de energia e habitabilidade serão extremamente compensadores. São construções, com imensas vantagens energéticas, devido a uma inércia térmica fortíssima e à evapo-transpiração de altos índices, sendo por isso saudável, a própria casa respira, evitando humidade excessiva, odores ou fumos.
Quanto à durabilidade da construção, sendo bem feita, por um projectista especializado, precisa apenas de manutenção na cobertura. Eu digo especializado, pois é essencial, o saber da terra profundo, na elaboração das fundações.
E para quem possa ter ainda dúvidas, basta dizer que o Castelo de Paderne, datado de 1200, construído em taipa, resiste às intempéries, apenas com manutenção nas fundações e cobertura.
Neste momento a REDECOS, faz um trabalho exemplar de divulgação.
Vamos lá malta jovem, apostem no vosso futuro!
Para quem quiser saber mais: AQUI
Quanto ao esquecimento da arquitecta, podem tirar o cavalinho da chuva, porque mais cedo ou mais tarde, aqui traria o assunto para exposição e não duvido mesmo, que o venha a fazer! Mas como a Fada, é brincalhona; patrão fora dia santo na loja!
Um sorriso para todos e seja o que Deus quiser, quando a patroa chegar!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quem precisa de Arquitectura Verde

O artigo que aqui traduzo (pelo que peço desculpa se houver erros) foi publicado em 2009.06.12 no blogue COP15 Copenhaga por Elias Messinas, arquitecto, fundador e presidente da ECOWEEK.

Quem precisa de Arquitectura Verde

Hoje em dia só se fala de Arquitectura "verde". Está nos jornais, nas revistas, na televisão. Muitos dos meus colegas são baptizados da noite para o dia como "peritos" em arquitectura "verde", enquanto os seus clientes, que de repente se preocupam com o meio ambiente, vão trabalhar nos seus SUVs (híbridos). As comunidades, que se querem tornar "verdes", estão muitas vezes relutantes em comprometer-se com o estilo de vida sustentável que isso significa.

É muito difícil instilar o senso comum e a prática "verde" num mundo de consumo. Num mundo que não conhece limites para quanto cada um pode tirar do comum global, quanto cada um pode poluir e quanto cada um pode impor a sua pegada de carbono nos recursos de outros. É muito difícil incutir um sentido de responsabilidade àqueles que querem fazer a diferença, mas, gostando de dinheiro, são muito cínicos quando se trata de proteger crianças, mulheres, o ambiente, ou de ajudar a tornar o mundo um lugar mais justo e mais saudável para viver.

Num mundo de arquitectos de carreira e de arquitectos estrela, que são pagos à percentagem sobre o custo das construções, não faz mal gastar milhões com edifícios certificados pelo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design – sistema de certificação ambiental nos EUA*), quando a riqueza acumulada nesses edifícios tem muito mais impacte do que a poupança energética que o edifício terá em toda a sua vida útil. Também não pensamos duas vezes quando encomendamos sistemas de AVAC caríssimos (AVAC- aquecimento, ventilação e ar condicionado*) - quando o consultor é pago em percentagem do custo do sistema; quando abrir uma janela ou aplicar sombreamento e isolamento térmico adequado, pode muitas vezes ser mais eficaz (e certamente de menor consumo e manutenção, e mais saudável).

Quando nos deparamos com o que está a ser construído hoje em dia em muitas partes do planeta, ou como empreendedores e arquitectos se relacionam com a nossa profissão no século 21, temos a sensação que eles vivem num planeta diferente. Podem intitular-se de "verdes" por colocar um sistema para recolher água da chuva, mas continuam a isolar mal os edifícios - pois o cliente que vai pagar a factura do aquecimento e arrefecimento todos os meses, nunca vai saber a verdade.

Não estou a falar de regulação, uma vez que nos países em que pratico, as entidades reguladoras parecem não apenas estar noutro planeta, como também numa outra época. As suas políticas são frequentemente tão irrelevantes, que é difícil falar de regulamentação suficiente quando não há inteligência suficiente e muito menos senso comum. Assim, questões como a regulamentação do consumo de energia nos edifícios, de avaliação do ciclo de vida de edifícios, construção ou gestão de resíduos são frequentemente recomendadas mas não obrigatórias; são boas ideias para colocar nas agendas eleitorais, mas certamente não serão uma prioridade para a execução, pelo menos em seus 4 anos de mandato.

Portanto, não é de admirar que os edifícios consumam hoje cerca de metade da energia produzida na Europa e sejam responsáveis por uma grande percentagem das emissões de CO2 para a atmosfera. Cada item especificado num edifício, e o sistema AVAC a funcionar todos os dias no período de vida do edifício, torna a construção num contribuinte para o problema, não só das alterações climáticas, mas, pior ainda, para o adiamento da solução.

Mas qual é a solução? Têm-me perguntado muitas vezes, sempre seguido pela pergunta: "Mas não é a arquitectura 'verde' mais cara?"

É a pergunta errada, pois não acredito que a solução seja gerada no mesmo espírito que gerou o problema. Os edifícios ‘verdes’ podem realmente ser mais baratos se devidamente planeados e especificados; isolamento e sombra adequados, por exemplo, podem reduzir a necessidade de ar condicionado sobre dimensionado. É uma questão de profissionais que se movem para a próxima fase. Levou 40 anos aos judeus a chegarem à Terra de Israel depois de terem deixado o Egipto como escravos. Hoje, embora escravos do consumo, não podemos manter os nossos arquitectos no deserto durante 40 anos, por isso temos de lhes dar um tipo diferente de educação; educação que irá ajudá-los a fazer escolhas diferentes e a tornarem-se melhores profissionais e mais ambientalmente conscientes. Não apenas melhores arquitectos, mas também cidadãos mais activos e responsáveis.

Citando David Orr (Earth in Mind, 111), no nosso sistema educacional especializado, institutos de educação devem ‘dotar os jovens com um entendimento básico de sistemas’ para ‘procurar "os padrões que ligam" sistemas humanos e naturais; para ensinar os jovens [...] a causa e o efeito; para dar aos alunos competências práticas [...] para resolver problemas locais, e para [lhes] ensinar o hábito para “arregaçar” as mangas e trabalhar ‘.

Educação, citando Ortega y Gasset (in EF Schumacher 'Small is Beautiful', 66) "é a transmissão de ideias que permite ao homem escolher entre uma coisa e outra". Temos de dar aos nossos jovens arquitectos novos tipos de escolhas e novas formas de resolver os problemas que a nossa geração criou.

A ONG ECOWEEK tem vindo a sensibilizar o público sobre as questões ambientais desde que começou a sua actividade na Grécia em 2005. Hoje opera na Europa, nos EUA e no Médio Oriente, reunindo escolas, jovens profissionais e estudantes de arquitectura, com o objectivo de intervir na educação das pessoas que irão moldar o nosso futuro (arquitectónico). O Movimento Moderno não aconteceu simplesmente. A dependência de combustíveis fósseis não aconteceu simplesmente. Estes são processos conscientes que aconteceram na nossa geração. É tarefa das nossas gerações preparar a nova geração para os novos processos, aqueles que irão estabelecer o equilíbrio entre as práticas de edifícios inteligentes e sustentáveis, com os processos naturais e os limites de nossa biosfera.

Elias Messinas (arquitecto graduado por Yale, praticante na Grécia, Israel, Chipre e EUA , Fundador e Presidente da ONG ambiental internacional ECOWEEK, activa na Europa, EUA e Médio Oriente)


(Fonte: COP15 - Who Needs Green Architecture)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Empire State Building vai reduzir consumo energético em 38%

Especialistas apresentaram programa para aumento de eficiência energética num dos edifícios mais emblemáticos dos Estados Unidos - o Empire State Building, que desde 1931 se ergue no skyline de Nova Iorque.

O projecto, com um orçamento de 20 milhões de dólares, prevê a poupança anual de 4,4 milhões de dólares em gastos energéticos, e a redução nas emissões em 105.000 toneladas de CO2 nos próximos 15 anos.




A redução do consumo energético faz parte de um projecto de modernização mais amplo (com um orçamento global de cerca de 500 milhões de dólares) que visa a actualização do edifício, e que pretende obter a certificação ambiental pelo sistema LEED (Leadership in Energy and Environment Design - patente da U.S Building Council), sistema voluntário de certificação da sustentabilidade de edifícios nos Estados Unidos.

Para além dos aspectos energéticos, o LEED avalia muitos outros aspectos relacionados com a sustentabilidade da construção, como o local, a eficiência no uso da água, dos materiais e outros recursos, o impacto na atmosfera, e a qualidade do ar interior.

(fontes: ESBsustainability, Yahoo Brasil Notícias)

domingo, 15 de março de 2009

É em casa que se começa

É em casa que se começa a combater o aquecimento global. Além de casas construídas sem pensar no ambiente, com isolamentos inexistentes ou inapropriados, com áreas de envidraçados desajustadas do clima, com orientação e ventilação inadequada, muitas vezes vivemos e usamos as nossas casas sem a consciência de que estamos a contribuir para o aquecimento global.


Esta imagem - fotografia termográfica, apresentada, entre outras, na página do National Geographic, mostra - a vermelho e amarelo, por onde está escapando o calor numa casa antiga com janelas de vidro duplo novas, em Connecticut.

Calafetar janelas, substituir lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo, não deixar janelas abertas quando o aquecimento está ligado, não esquecer luzes acesas ou electrodomésticos ligados sem ser preciso, usar estores ou toldos em vez de ar condicionado no Verão, são algumas dicas que podemos praticar sem grandes custos para começarmos a contribuir para minorar o aquecimento global, ao mesmo tempo que diminui a factura energética.