sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

De que somos feitos

Reflexões sobre a dualidade que nos é intrínseca, sobre as nossas vidas equilibradas (ou desequilibradas) entre o quotidiano e a imaginação, sobre quem queríamos ser e quem realmente somos.

A primeira, extraída do texto que Leonardo Boff publicou hoje no seu blogue, cuja leitura integral recomendo vivamente:  "Em nós estão todas as memórias do universo", 

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Como esta estrutura concretamente se dá em nós? Antes de mais nada, pelo cotidiano. Cada qual vive o seu cotidiano que começa com a toillete pessoal, o jeito como mora, o que come, o trabalho, as relações familiares, os amigos, o amor. O cotidiano é prosaico e, não raro, carregado de desencanto. A maioria da humanidade vive restrita ao cotidiano com o anonimato que ele envolve. É o lado da ordem universal que emerge na vida das pessoas.

Mas os seres humanos são também habitados pela imaginação. Ela rompe as barreiras do cotidiano e busca o novo. A imaginação é, por essência, fecunda; é o reino do poético, das probabilidades de si infinitas (de natureza quântica). Imaginamos nova vida, nova casa, novo trabalho, novos prazeres, novos relacionamentos, novo amor. A imaginação produz a crise existencial e o caos na ordem cotidiana.

É da sabedoria de cada um articular o cotidiano com o imaginário, o prosaico com o poético e retrabalhar a desordem e a ordem. Se alguém se entrega só ao imaginário, pode estar fazendo uma viagem, voa pelas nuvens esquecido da Terra e pode acabar numa clínica psiquiátrica. Pode também negar a força sedutora do imaginário, sacralizar o cotidiano e sepultar-se, vivo, dentro dele. Então se mostra pesado, desinteressante e frustrado. Rompe com a lógica do movimento universal.

Quando alguém, entretanto, assume seu cotidiano e o vivifica com injeções de criação então começa a irradiar uma rara energia interior percebida pelos que com ele convivem.»

A seguir, extractos do livro "Care of the Soul" de Thomas Moore, 1992, "O SENTIDO DA ALMA - Como desenvolver a dimensão profunda e sagrada da vida quotidiana" (edição portuguesa de Planeta Editora, 1996) :

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Cuidar da alma significa, frequentemente, não tomar partido em caso de conflito a um nível profundo. Poderá ser necessário abrir o coração o suficiente para acolher no seu seio a contradição e o paradoxo.
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Uma vida profunda e cheia de significado nunca pode prescindir da presença da sombra, de onde deriva, em parte, o poder da alma. Se queremos viver da nossa interioridade - teremos de abdicar de todas as nossas pretensões à inocência, à medida que a sombra se vai tornando mais densa.
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À medida que nos vamos tornando transparentes revelando-nos tal como somos e não como quem gostaríamos de ser, o mistério da vida humana na sua globalidade reluz por momentos, num lampejo da incarnação. A espiritualidade emana da banalidade da vida humana tornada transparente, graças ao favorecimento constante da sua natureza e destino.
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Para a alma, a memória é mais importante do que as planificações, a arte mais poderosa do que a razão e o amor mais compensador que o entendimento. Sabemos que trilhamos o caminho que nos conduz à alma quando nos sentimos ligados ao mundo e às pessoas que nos rodeiam e, ainda, quando a nossa vida é orientada tanto pelo coração como pela mente. Sabemos que a alma está ser preservada quando os prazeres que sentimos penetram mais fundo do que o habitual, quando abdicamos da necessidade de nos libertarmos da complexidade e da confusão e, finalmente, quando a compaixão ocupa o lugar da desconfiança e do medo. A alma interessa-se pelas diferenças entre culturas e indivíduos, e, dentro de nós mesmos, pretende ser expressa de forma única e até de modo abertamente excêntrico. 

Deste modo, quando, invadido pela confusão e no meio de tentativas hesitantes para viver uma vida transparente, eu for o bobo, e não todos o que me rodeiam, então saberei que estou em vias de descobrir o poder da alma para tornar a vida interessante. Em última instância, a preservação da alma resulta num «eu» individual que eu nunca tinha planeado ou sequer desejado. Preservando a alma fielmente, dia após dia, afastamo-nos para dar passagem a todo o nosso engenho. A alma une-se à misteriosa pedra filosofal, essa essência da personalidade, rica e sólida, que os alquimistas procuravam, ou abre-se em cauda de pavão - a revelação das cores da alma e a exibição dos seus brilhantes matizes.»

Esta dualidade é patente e fulcral no intenso e belíssimo filme "Baraka", e na respetiva sequela "Samsara", que vivamente recomendo que assistam.  Todos temos o lado de luz e o lado de sombra, é da nossa natureza sermos espírito e corpo, imaginação e rotina, e a nossa vida desenrola-se numa permanente luta entre forças antagónicas dentro de nós próprios. Cabe-nos analisar e reconhecer esta dualidade para que possamos, de forma transparente, melhorar a nossa vida e a dos seres que nos rodeiam.

domingo, 3 de Agosto de 2014

Campanha "Vamos gravar esta ideia" (recolha de CD e DVD)

A campanha "Vamos gravar esta ideia", promovida pela  Quercus e pela Chronopost Portugal com o apoio da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), tem como objetivo promover a recolha e reciclagem de suportes de informação descartáveis usados (CD,CD-R, CD-RW, DVD, Blu-Ray). 

A campanha é experimental, e por isso, temporária (até ao próximo mês de outubro, salvo eventual alargamento do prazo), e abrange o território de Portugal Continental. 

Pode deixar os seus CD/DVD em qualquer um dos 420 pontos da Rede Pick Me da Chronopost (eventualmente a rede poderá ser alargada) e o material, após armazenamento temporário, será enviado para reciclagem. "As receitas reverterão para projetos na área do ambiente, nomeadamente na plantação de árvores pela Fundação Floresta Unida" (fonte: Jornal Quercus Ambiente, Julho/Agosto 2014, pag. 16).

Esta campanha está regulamentada na Portaria 75/2014 de 21 de março, e mais informação, regulamento e FAQ podem ser lidos aqui no site da APA (http://www.apambiente.pt/index.php?ref=19&subref=1001). 

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Em Transição 2.0

"A Transição é uma experiência social em grande escala. Não sabemos se resultará. Mas estamos convencidos de que, se esperarmos pelos nossos governantes, virá pouca coisa e... demasiado tarde. Se agirmos como indivíduos, será muito pouco. Mas se agirmos em comunidades, poderá muito bem ser suficiente, e mesmo a tempo." (do filme)


«In Transition 2.0" é o novo filme da Rede de Transição, que reúne histórias inspiradoras de Iniciativas de Transição em todo o mundo. Histórias que respondem a tempos incertos com criatividade. Comunidades que imprimem seu próprio dinheiro, que cultivam os seus alimentos, localizando as suas economias e criando centrais de energia comunitárias. É uma ideia que se tornou viral, uma experiência social que trata de responder a tempos incertos com soluções e otimismo.» (adaptado daqui)

De 2012, três anos depois de "In Transition 1.0" (2009). Veja, inspire-se, e seja positivo!



«"In Transition 2.0" é a mais recente longa-metragem sobre o Movimento de Transição. É uma história surpreendente sobre como os grupos de transição espalhados pelo mundo estão a responder aos desafios de escassez de recursos energéticos, à instabilidade financeira e às mudanças ambientais.

O filme tem legendas em várias línguas - basta clicar no botão 'Captions' no player de vídeo que encontra uma grande variedade de idiomas disponíveis.

Para quaisquer questões relacionadas com sessões públicas ou com o filme, por favor, entre em contacto com film@transitionnetwork.org» (Fonte: http://www.transitionnetwork.org/transition-2)

Nota: publicado inicialmente aqui em 09/02/2014, republicado em 31/07/2014.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Chega de tanto saco plástico!

Ainda não percebi porque custa tanto levar sacos quando se vai às compras, e muito menos percebo porque, por exemplo, ao comprar fruta se mete cada espécie ou variedade num saco, depois noutro, ou porque se vai comprar pão e para além do saco de papel, ainda têm, uns de dar, outros de pedir, mais um saco de plástico.  
Imagem da campanha "Saco é um Saco"
A vontade de levar sacos de plástico para casa é de tal modo que, em média, cada português "consome" 466 sacos por ano. Ou seja, uma família de 3 pessoas gasta, em média 4 sacos por dia! Demais, não? Custará pensar um pouco nisto?

No passado dia 3 de julho assinalou-se o Dia Internacional SEM Sacos de Plástico, "que tem como objectivo alertar a sociedade para a necessidade de reduzir o consumo e utilização excessiva de sacos de plástico descartáveis que, na maioria das vezes, terminam no lixo após uma única utilização, ou acabam por ser libertados no ambiente, constituindo um problema ambiental grave em termos de poluição." Muitos destes sacos acabam no mar e os animais marinhos são seriamente afetados por este tipo de poluição (80% da poluição marinha é causada pela libertação de resíduos plásticos).

Precisamente neste 3 de julho, foi publicado o  Decreto Legislativo Regional n.º 10/2014/A para os AÇORES, que "Cria medidas para a redução do consumo de sacos de plástico e aprova o regime jurídico da taxa ambiental pela utilização de sacos de plástico distribuídos ao consumidor final". Um primeiro passo, pois falta ainda regulamentar, mas pelo menos os Açores já começaram a fazer alguma coisa.

Imagem de DN
A Quercus sinalizou a data com um estendal de 466 sacos à porta da Assembleia da República, o número médio de sacos plásticos que cada português consome por ano, a afirmando que "Vamos apresentar a todos os grupos parlamentares da AR um parecer sobre o uso excessivo dos sacos de plástico e uma proposta para legislar a redução da distribuição gratuita dos sacos descartáveis no grande e pequeno retalho" (fonte: DN).

"A 14 de Janeiro, o Parlamento Europeu apelou para que a União Europeia (UE) definisse medidas para reduzir os resíduos de plástico no ambiente e, especificamente, do «lixo marinho», no sentido de alcançar uma redução do uso de sacos de plástico de 50% até 2017 e de 80% até 2019.
Um estudo levado a cabo pelo Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (DCEA FCT-UNL), em 11 praias do litoral continental português, entre 2010 e 2014, mostra uma predominância de materiais de plástico nas praias portuguesas: dos 111.000 itens recolhidos, 97% eram plástico, dos quais 57% correspondiam a pellets de resina virgem ou envelhecidos, seguindo-se 27% de fragmentos de plásticos (onde estão incluídos os fragmentos de sacos de plástico) e 11% de esferovite. Relativamente às dimensões, apenas 8% eram maiores que 2,5 cm. Os plásticos de maiores dimensões correspondiam a cotonetes (38%) e cordas de pesca (35%)." Fonte: Diário Digital

sábado, 5 de Julho de 2014

CIDADE + (Porto, 7 a 13 de julho)

«CIDADE + “O PONTO DE ENCONTRO DA CIDADANIA, AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE

É já no próximo dia 7 de Julho que começa no Porto a primeira edição do CIDADE +, um evento gratuito que durante uma semana celebrará a Cidadania, o Ambiente e a Sustentabilidade em contexto urbano.

O Warm Up do CIDADE+, de 7 a 9 de Julho [Segunda-feira a Quarta-feira], irá reanimar e divulgar espaços icónicos da cidade e promover iniciativas sustentáveis existentes na cidade do Porto. Inicia-se no dia 7 de manhã com uma acção de sensibilização para a importância das áreas costeiras na Praia do Ingleses, e às 18h30 com a tertúlia “Famílias Amigas do Ambiente” no Atmosfera M. Há também a Visita ao Charco Maravilha, no Parque da Cidade (9 Julho, 15h-18h) e oficinas de Hortas Verticais na Quinta Pedagógica do Mitra (8 de Julho das 17h*-19h).

É de salientar a sessão Ecologia e Sociedade Civil (9 de Julho às 18h) sobre associativismo e ativismo ambiental, onde haverá a apresentação do Livro “Verdes Anos” e a projeção do documentário “Setúbal , cidade verde” no espaço Atmosfera M, seguido (21h) pela tertúlia “Ambiente – Grandes desafios para os cidadãos e associações” na Reitoria da Universidade do Porto com ONGs ambientais. Durante a semana há actividades de Yoga nos espaços Yoga4you (Pilates, Yoga e Happy Yoga) e Yoga sobre o Porto (conversa sobre Reiki e Meditação).

A segunda parte do CIDADE + decorre no Palácio de Cristal concentrando um conjunto amplo de atividades de 10 a 13 de Julho [Quinta-feira a Domingo]. A Conferência de Abertura no dia 10 de Julho, no Auditório da Biblioteca Almeida Garret, contará com presença de Rui Moreira (Câmara do Porto), de Alexandre Quintanilha (IBMC) e de Nuno Lacasta (Agência Portuguesa do Ambiente).

O evento apresenta várias iniciativas, entre as quais: 6 Conferências, mais de 20 Oficinas (para crianças e famílias), 5 sessões Lab+, MercadECO, Artes e Espetáculos, Aulas Abertas de Yoga e Taichi, Conversas Conscientes, Praça Empresarial, Sessões Porto+ e o Rede+ (Empreendedorismo Social). A diversidade de temas abordados é uma das mais valias deste evento, abrangendo temas como Mobilidade e Planeamento Urbano, Empreendedorismo Sustentável, Valorizar a Biodiversidade, Gestão de Eventos Sustentáveis, Oficinas de Psicologia, Permacultura, Ética Ambiental, entre outros.»

Fonte e mais informação em: http://cidademais.pt/site/  (*começa às 17h e não às 15h como diz aqui)
Página no Facebook: https://www.facebook.com/cidademais



quarta-feira, 25 de Junho de 2014

A arma secreta do marketing

Para além das técnicas de marketing que muitos conhecem, este vídeo (produzido pela "Catsnake Films" para a "Compassion in World Farming") expõe o principal segredo. Apesar de a protagonista ser uma atriz (Kate Miles), a audiência só o soube no final. Seja como for, o que ela diz sobre a indústria alimentar é a pura realidade, e sobre a tal "arma secreta", não me parece que restem dúvidas. (O vídeo tem legendas)

segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Transgénicos: porque devem ser proibidos!

A entrevista da Doutora Margarida Silva, Professora na Escola de Biotecnologia da Universidade Católica do Porto, bióloga e perita em biotecnologia, esclarece os enormes perigos dos OGM (organismos geneticamente modificados ou transgénicos) para a saúde e para o ambiente.



Há mais de uma década que centenas e centenas de cientistas pedem a suspensão dos OGM em todo o mundo. Não apenas pelo princípio da precaução, mas porque as evidências da sua perigosidade para a biodiversidade, segurança alimentar, a saúde humana e animal começam a ser muitas.

Imagem obtida no blogue Octopus
"As patentes de formas de vida e processos vivos deveriam ser proibidas porque ameaçam a segurança alimentar, promovem a biopirataria dos conhecimentos indígenas e dos recursos genéticos, violam os direitos humanos básicos e a dignidade, o compromisso da saúde, impedem a pesquisa médica e científica e são contra o bem-estar dos animais.

Os cultivos transgênicos não oferecem benefícios para os agricultores ou os consumidores. Em vez disso, trazem consigo muitos problemas que foram identificados e que incluem o aumento do uso de herbicidas, o desempenho errático e baixos rendimentos econômicos para os agricultores. Os cultivos transgênicos também intensificam o monopólio corporativo sobre os alimentos, o que está levando os agricultores familiares à miséria e impedindo a passagem para uma agricultura sustentável que garanta a segurança alimentar e a saúde no mundo."

Imagem obtida em Combate Racismo Ambiental
Este texto foi extraído da Carta Aberta de 815 cientistas de 82 países a exigir a suspensão de OGM em todo o mundo (a declaração de cientistas do mundo data de 1999, foi sucedida pelo Relatório do Painel Ciência Independente de 2003, e pelo mais recente relatório Ban OGMs Now em 2013), que pode ler na íntegra nos links que se seguem

domingo, 15 de Junho de 2014

Cursos de Planeamento em Permacultura (PDC) no norte de Portugal

No segundo semestre de 2014, dois cursos de permacultura (PDC) no norte de Portugal (em português):


Curso de Planeamento em Permacultura (PDC) na Universidade Católica - Biotecnologia, PORTO 

Em seis fins de semana, de 18 de outubro a 14 de dezembro de 2014
Mais informações e inscrições em: http://www.esb.ucp.pt/curso-permacultura


Não podia deixar de dar os parabéns à Universidade Católica, pois ver uma universidade associar-se ao ensino da permacultura é um excelente sinal! 



PDC - Curso Certificado de Permacultura, na Encosta do Paço, Arcos de Valdevez


De 12 a 25 de agosto 2014,  com Silvia Floresta e Yassine Benderra