sábado, 18 de fevereiro de 2017

Sobreviver à depressão capitalista

O texto que se segue é a tradução (livre) do artigo de Michael Emero, publicado no site Films For Action.

Sobreviver à depressão capitalista


«Vivemos numa sociedade tóxica cheia de pessoas tóxicas. Até mesmo aqueles com os melhores corações - inclusive nós mesmos - foram criados na ignorância, com desinformação. Os nossos exemplos de felicidade são falsos, patrocinados e usados para vender produtos. Os padrões típicos de relacionamento normalizam o egoísmo, o controle e a manipulação. Para a maioria, já não é possível sobreviver sem se venderem, muitas vezes de forma degradante ou esmagadora. Aqueles que sofrem de depressão ou doença mental geralmente não são de facto anormais; são aqueles que permanecem dolorosamente conscientes da realidade, incapazes ou não dispostos a esconder-se dela através do consumismo ou de drogas.

Os "heróis" de hoje são fabricados, falsos, e são apenas marcas de sucesso usadas para promover outras marcas. Os exemplos que somos incentivados a idolatrar são indivíduos ricos, famosos por razões de modas superficiais, não por qualquer valor genuíno de caráter ou contribuição para o mundo. Os nossos egos são cultivados, contudo, a compaixão é cada vez mais desencorajada – e às vezes até proscrita. Os "que têm" só mantêm status e poder superiores usando todos os meios à sua disposição para limitar e controlar os "que não têm". Para os que não acreditam nisso, sinto muito, mas a contínua e inflexível negação da verdade não anula a realidade.

Então, no final, trata-se de reconhecimento e aceitação. Somos apenas escravos com conveniências modernas. Quem afirma o contrário ignora que não podemos escolher a não ser aceitando a nossa prisão ou morte. Hoje em dia, a confiança e a força percebida são muitas vezes alcançadas aniquilando toda a empatia, inteligência ou consciência. Aqueles que resistem a render a sua ética - embora seja a coisa mais difícil do mundo - são ironicamente vistos como "fracos". Aqueles que se recusam a negar a razão dos factos, com base em evidências empíricas, ciência e justiça, são rotulados de perturbadores, como inimigos do suposto "progresso" e "grandeza".

É a vida. Pode concentrar-se em cachorrinhos e arcos-íris, mas ainda assim a vida ser uma confusão psicologicamente abusiva. Pode suspender a realidade e entrar na lavagem cerebral religiosa para se convencer de um propósito maior, se essa for a sua onda - ou talvez tenha sido submetido ao abuso de doutrinação infantil, até ficar incapaz de pensamento crítico. Na televisão, na política, ou através de livros e crenças mitológicas, todas as "respostas" oferecidas são agendas inventadas pelo homem que são perpetradas para o benefício de alguém. Essa é a vida real. Ou você é o trapaceiro, ou o que está sendo enganado; psicopatia feliz ou sofredor saudável.

O verdadeiro segredo para sobreviver à depressão capitalista? Compreender o sistema. Atacar a causa. Canalize toda sua indignação. Mesmo que por nenhuma outra razão que o conhecimento de que desistir ajuda a ganância e a crueldade a triunfar. Se vendermos as nossas almas para avançar, pisando nas outras pessoas, tornamo-nos parte do problema. Tornamo-nos então a razão para que outros se sintam como nós nos sentimos agora. Este círculo de ódio ou se consome-se a si próprio e à humanidade, levando à eventual destruição do nosso mundo - ou colocamos o "civilizado" de novo na civilização. De que lado você quer estar? Pode ser encontrado um sentido de propósito que nos devolva as nossas vidas, para que valha a pena viver.»

Fonte:  Michael Emero;  filmforaction.org , 18 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A agricultura biológica e o humus, por Jairo Restrepo

Reflexões de JAIRO RESTREPO, traduzidas do seu site: lamierdadevaca.com

"A agricultura biológica é uma entrega à tarefa de desenterrar e resgatar o velho sonho das sociedades agrárias mais humildes e sábias,  que praticaram e garantiram durante muito tempo a auto-determinação das suas comunidades, através da concepção de autênticos modelos de empreendedorismo rural familiar, em que os seres conjugaram conhecimento, saberes, sabores e habilidades para garantir a sustentabilidade e o respeito pela natureza que os viu nascer: essa mesma agricultura, muito mais do que uma simples revolução nas técnicas de produção agropecuária, é o fundamento prático um movimento de aliança espiritual, uma revolução para mudar a forma como os seres humanos convivem com a mãe terra ."



"A maioria das ações que são realizadas hoje focam-se mais em tarefas tecnológicas que destroem a vida, do que naquelas que podem protegê-la. A este ritmo, a forma como o desaparecimento da espécie humana é eminente. "

"O milagre é algo inexplicável para a ciência, algo que jamais poderá definir razoavelmente. Este é o sentido que os agricultores encontram se entregam às tarefas da agricultura biológica, pois diariamente contemplam a bela manifestação dos milagres da vida quando fazem as colheitas".

"O húmus é onde a microbiologia liga com sabedoria o tecido dos dois mundos, o da matéria orgânica e dos minerais. O húmus é o creme milagroso da vida, que contém infinitamente a memória genética da microbiologia que fundou a vida na Terra"

"Na produção de alimentos, a certificação aumenta sistematicamente a exclusão dos mais necessitados ao acesso a uma alimentação saudável."

Jairo Restrepo Rivera nasceu na Colômbia e naturalizaou-se no no Brasil. Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Com três cursos de pós-graduação: Ecologia e Recursos Naturais; Engenharia de Segurança Ocupacional Agrícola e Agroecologia. Tem um trabalho e experiência internacional de trinta anos na agricultura biológica e desenvolvimento rural sustentável, tendo publicado artigos, livros, e realizado centenas de palestras nestes e outros temas relacionados.

Fonte: Site de Jairo Restrepo : lamierdadevaca.com

(com um agradecimento ao António Corceiro, por me ter "apresentado" Jairo e o seu trabalho)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

STOP GLIFOSATO (Iniciativa de Cidadania Europeia)

HERBICIDA GLIFOSATO POSTO EM CAUSA POR INICIATIVA EUROPEIA DE CIDADÃOS
2017/02/08 _ Começa hoje a recolha de 1 milhão de assinaturas

«Hoje dezenas de organizações não governamentais de toda a União Europeia, incluindo várias portuguesas, iniciaram a mobilização de cidadãos para banir o glifosato - mais conhecido como o herbicida Roundup da Monsanto.
Em Portugal registam-se os níveis de contaminação humana mais elevados de toda a União Europeia, mais de um ano após a Organização Mundial de Saúde ter classificado este herbicida como "carcinogénio provável para o ser humano e carcinogénio provado para animais de laboratório". Por isso todos os portugueses têm particular interesse em aderir a esta ação.
Além da proibição dos herbicidas à base de glifosato, a iniciativa de cidadania agora desencadeada pressiona a Comissão Europeia para dois objetivos adicionais: garantir a transparência e independência nos processos de (re)autorização de pesticidas e impor prazos obrigatórios para a redução progressiva do uso de todos os pesticidas.
Segundo o Eng. Jorge Ferreira, da Plataforma Transgénicos Fora, "O glifosato aparece em todo o lado: na água, nos alimentos, nas pessoas, até na chuva e no leite materno. As substâncias carcinogénicas não têm limiar de segurança pelo que a proteção da saúde exige a proibição total, tal como já aconteceu com inúmeros pesticidas no passado."
Esta Iniciativa de Cidadania Europeia, criada legalmente no âmbito do Tratado de Lisboa, tem até 25 de janeiro de 2018 para recolher um milhão de assinaturas, com valores mínimos obrigatórios atingidos em pelo menos sete Estados Membros (em Portugal o mínimo é de 15750 assinaturas válidas). No entanto, como a Comissão Europeia pretende tomar uma decisão final sobre o glifosato até ao final de 2017, a recolha de assinaturas deverá terminar até ao verão. As Iniciativas de Cidadania obrigam a Comissão Europeia a propor legislação sobre a matéria em causa, embora não possam forçar o resultado final desse processo.
Os interessados podem assinar na página da coordenação europeia:

Fonte, enquadramento e informação adicional em Plataforma Transgénicos Fora

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Mutilação Feminina: Tolerância Zero

«O Dia Internacional da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina é observado pelas Nações Unidas anualmente, sempre no dia 6 de fevereiro, para chamar atenção para um fato alarmante: mais de 140 milhões de meninas e mulheres, em todo mundo, já foram sujeitas a estas práticas violadoras dos direitos humanos.
...
A Mutilação Genital Feminina (MGF) refere-se a todos os procedimentos que envolvem a alteração ou ferimento dos órgãos genitais femininos por razões que não sejam médicas. É reconhecida, internacionalmente, como uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres e constitui uma ameaça para a sua saúde, bem-estar e auto-estima das mesmas, pondo muitas vezes em risco a própria vida.
...
Embora a percentagem de meninas e mulheres que são submetidas a esta prática tenha vindo a diminuir, em todo o mundo - sobretudo no Benin, Burkina Faso, República Centro-Africana, Egito, Iraque, Quénia, Libéria, Nigéria e Senegal –, o número total de raparigas em risco continua a aumentar. Isto acontece porque a MGF está concentrada em países com alta fertilidade e uma estrutura etária jovem. Em muitos dos países onde a prática é comum, mais de 40% das mulheres têm menos de 15 anos.»

Laranja: Países onde foi verificada MGF em dados de  inquéritos.  Amarelo: Países onde foi reportada a MGF.  Azul: Países onde foi reportada a MGF em comunidades imigrantes


«Pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres que vivem hoje em 30 países foram submetidas a Mutilação Genital Feminina total ou parcial» 

Percentagem de meninas e mulheres com idades15-49 que sofreram MGF total ou parcial
Fonte (texto e imagem): Artigo da Unicef (set/2016)

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Será que somos todos cobaias?

"Somos todos cobaias?" é um documentário ( "Tous Cobayes?", 2012, França) com duas partes distintas: uma parte dedicada aos efeitos do usos de organismos geneticamente modificados (OGM), e outra parte dedicada à energia nuclear. 

Em ambos os casos, a tónica comum é o facto de o Homem ter desenvolvido tecnologias perigosas sem as testar devidamente a nível de ambiente e saúde, e mesmo assim teve a arrogância de aplicá-las no mundo real sem se preocupar com possíveis contaminações e outras consequências irreversíveis .

O realizador, Jean-Paul Jaud,  já tinha dirigido o documentário "Nos enfants nous accuseront" (2008) sobre os venenos na agricultura, muito bom, e que pode ver aqui.



Sinopse : 
"De 2009 a 2011, e em segredo, o Professor Gilles-Eric Séralini conduziu, no CRIIGEN, uma experiência de consequências inimagináveis. Trata-se do estudo mais abrangente e de maior duração feito em ratos de laboratório, sobre o consumo de um produto agrícola geneticamente modificado (OGM cultivado com o pesticida Roundup (glifosato). As conclusões são assustadoras.

Após o terrível acidente de Chernobyl em abril de 1986 a radioactividade invisível ressurgiu com a explosão da central de Fukushima, em março de 2011, causando danos materiais, humanos e ecológicos inomináveis. 

OGM, nuclear: o Homem apropriou-se dessas tecnologias sem fazer aprofundados testes ambientais ou de saúde, enquanto a contaminação irreversível da vida é real .  Somos todos cobaias?
(daqui, tradução livre)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"Educação em Transição" em Famalicão

«Nas Iniciativas de Transição privilegiamos a criação de visões pela própria comunidade. Neste processo de criação coletiva de uma visão positiva é fundamental a geração de novas histórias, que a longo prazo modelem a cultura e estabeleçam modelos de comportamento. Acreditamos que mudar o comportamento passa também pela educação das gerações vindouras.

Cada vez mais educar não se resume a encaminhar mas sim a facilitar um processo de descoberta.
Queremos juntos descobrir novos caminhos que possamos trilhar e conquistar recursos para construir uma nova forma de educar.

Para isso, criámos um grupo de educação em transição, que se dedicará a fazer chegar a todos os interessados temas que contribuem para este novo paradigma.»
 Ana Diniz (Grupo da Educação) 

Em 2017, a Associação Famalicão em Transição apresentará um ciclo de ações dedicadas à Educação, saindo fora da caixa e apontando novos caminhos para os educadores guiarem os mais pequenos. Estão agendados os primeiros 3 eventos, todos de participação gratuita:

Educação em Transição: "O Começo da Vida"
Sábado, 4 de fevereiro, 17:30, Casa das Artes (Café Concerto)
Exibição do documentário - “O Começo da Vida”,  um filme que percorre os quatro cantos do mundo para demonstrar a importância dos primeiros anos de vida na formação de cada pessoa, seguido de tertúlia/debate.
Entrada livre
Educação em Transição: "Pais conscientes, filhos felizes"
Sábado, 25 de fevereiro, 17:30, Casa das Artes (Café Concerto)
Palestra com Filipa Morais Soares, Psicóloga e Facilitadora de Parentalidade Consciente, que nos vai fazer olhar para a nossa forma de sermos pais e descobrir o que pode mudar...
Inscrições (não obrigatórias, mas aconselháveis): http://famalicaomelhor.blogspot.pt/p/inscricoes.html

Educação em Transição: "Escolas Inovadoras"
Terça-feira, 7 de março21:00, Casa das Artes (Pequeno Auditório)
Palestra com o Prof. José Pacheco, que inclui a exibição de um pequeno documentário sobre uma escola com uma filosofia educacional inovadora, inspirada na Escola da Ponte de Portugal.
Inscrições (obrigatórias): http://famalicaomelhor.blogspot.pt/p/inscricoes.html

Posteriormente  publicaremos uma mensagem sobre cada um dos eventos, com mais informação.

Para mais informações sobre este ciclo enviar mail para  afetra.inscrever@gmail.com

sábado, 28 de janeiro de 2017

Alimentação e o futuro

Imagem de FoodRevolution
«Quando olhamos para a geração do milénio, há uma mudança radical na forma como as pessoas abordam os alimentos. Anteriormente as pessoas perguntavam se era barato. Agora há um enorme interesse na forma como o alimento é produzido e de onde vem. As pessoas querem alimentos o mais frescos e naturais possível, locais, produzidos de forma mais sustentável, e em condições menos industrializadas.

Há um acordo global no Relatório de Agricultura Mundial de que a agricultura industrial e a engenharia genética não são a resposta para o futuro da alimentação. A resposta são sistemas agrícolas ecologicamente racionais. 

A biotecnologia, pela sua própria natureza, concentra-se em um ou alguns genes ou características específicas, enquanto que a agricultura verdadeiramente ecológica aborda sistemas inteiros. Essa é a direção que os consumidores querem e para onde precisamos ir, no sentido da saúde e da sustentabilidade.


Mas a agricultura ecológica não é algo que as empresas possam patentear, comprar ou ganhar dinheiro facilmente, por isso pressionam com os OGM, por causa das margens de lucro.»

Michael Hansen, PhD, cientista sénior, Consumers Union

Fonte: US RTK, 28/9/2016

sábado, 21 de janeiro de 2017

Florestas, farmácia do mundo

Todos sabem que a génese da medicina está no poder curativo das plantas. Saberes ancestrais que se perderam, outros aproveitados, outros recuperados, fazem das plantas, e sobretudo da floresta tropical, os mais poderosos medicamentos.

A biodiversidade que destruímos com o nosso modo de vida - não se esqueça que quando come um bife em Portugal está provavelmente a contribuir para desflorestar a Amazónia - é  em si uma riqueza incalculável!
Para além de tantos outros serviços que a biodiversidade presta ao ser humano, a capacidade curativa das plantas é preciosa no combate a doença, mesmo como o cancro.

E continuam-se a descobrir novas espécies, e novas propriedades se vão estudando...
Mas, por outro lado, muitas espécies se vão extinguindo devido à espécie humana.
E não é preciso ir até às florestas tropicais: a recente construção da barragem do Tua, provavelmente levará à extinção algumas espécies de plantas endémicas desse local.