terça-feira, 28 de junho de 2016

Glifosato: temos veneno na UE por mais 18 meses!

Segundo a Reuters, a Comissão Europeia vai estender por 18 meses a permissão de uso e venda do  herbicida glifosato, conhecido como o "Roundup" da Monsanto.

Isto depois da Organização Mundial de Saúde ter considerado esta substancia como provavelmente cancerígena para humanos ... para além de outras doenças...

A razão para esta decisão? Digam eles as que quiserem, mas podem entender bem o negócio aqui.

Triste desfecho para esta batalha contra o glifosato na UE. Triste´e revoltante, mas não é um epílogo! Continuaremos a lutar e a ajudar a esclarecer!

Imagem obtida em WakeUp

domingo, 19 de junho de 2016

Não largue balões!

Todos os balões lançados, incluindo os que são comercializado como "latex biodegradável", voltam para a Terra como lixo e poluem os lugares mais remotos e intocados. Os balões podem viajar milhares de quilómetros, chegam às linhas de água e ao mar, matando inúmeros animais.

Imagem obtida em mcsuk.org
Fonte (adaptado): Ballons Blow

  • «Sabia que actualmente o plástico na Natureza, e em particular no mar, é um dos maiores flagelos ambientais dos nossos tempos, sendo responsável pela morte de golfinhos, baleias, aves ou peixes que o confundem com alimento?
  • Já reflectiu acerca de qual será o destino dos balões de plástico largados para o ar após serem levados pelo vento e rebentarem?
  • Será coerente ensinar as crianças que os pequenos gestos fazem a diferença e que não devem sequer atirar um único papel para o chão, mas lançar na Natureza dezenas de objectos de latex sufocante?»

Fonte: "Largada de balões mata!", em Tara Recuperável, 23.06.2015

«Está cientificamente provado, como dizem os investigadores do Aquário de Virgínia, que muitos animais, tanto em terra como no mar, acabam por morrer por causa dos balões.

Ed Clark, do Centro da Vida Selvagem da Virgínia, constatou que os animais que mais sofrem com este problema são as tartarugas marinhas que acabam por confundir o objecto com uma alforreca e comem-nos, o que leva à morte. E não só. O perigo também existe para outros animais marinhos como golfinhos e baleias que já foram encontrados com balões alojados no estômago. Já os pássaros, por exemplo, ficam presos nos fios de “nylon” ou plástico.»

Fonte: "Será que um dia vamos deixar de largar balões?", Bruna Cunha , em Público P3, 09.03.2015 

«Espantosamente, até nas escolas as crianças já vão sendo incentivadas a lançar "mensagens de esperança" (humanitárias, culturais ou, ironicamente, ambientais), sem os seus educadores se preocuparem nas implicações de tais actos.

Mas qual é, afinal, o problema? O problema é que o que sobe também desce! E depois de uma muito rápida euforia (de dois, cinco, dez minutos, no máximo?!) ninguém se lembra mais do balão (ou dos 10, 250, 5'000 ou 200'000 que foram largados)... A Natureza tem, porém, de lidar com eles - e não será apenas por minutos. Por vezes, será durante meses ou anos.

E para onde vão os balões? O que lhes acontece? Simples: os balões rebentam e caem! Caem e ficam presos nas árvores. Caem e aterram em rios, lagos e lagoas! Caem e invadem pastos e zonas de reprodução. Em suma, caem e tornam-se lixo. Lixo não biodegradável... E são, todos os anos, milhares! Um fenómeno crescente nos países ditos "desenvolvidos".

Tudo para uns efémeros e banais momentos de "beleza visual"... Mas haverá MESMO necessidade destas largadas?»

Fonte: "Balões são armadilhas de morte", Élio Vicente, Biólogo Marinho, em Expresso (13.08.2008)



Todas as imagens, excepto a primeira, foram obtidas no site Ballons Blow 

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Custo Humano dos Agrotóxicos (Pablo Piovano)

Numa altura em que na Europa se considera readmitir ou proibir o uso e venda do herbicida glifosato, era bom que os representantes dos estados Membros que irão decidir esta questão até 30 de junho, vissem com atenção  esta fotorreportagem de Pablo Ernesto Piovano, que mostra os efeitos dos pesticidas na Argentina.

Mais abaixo, a tradução do texto de Pablo Piovano na sua página.


El costo humano de los agrotóxicos - por Pablo Ernesto Piovano (Subtitulado: inglés) from Pablo Ernesto Piovano on Vimeo.


«Está à vista que ao longo do tempo e com o avanço da tecnologia e da "civilização" perdemos a memória do nosso antigo relacionamento com a natureza.

Custa a acreditar que uma grande parte dos alimentos que usamos diariamente são criados num laboratório e fumigados com produtos químicos altamente tóxicos.

Quando soube dos números terríveis do custo humano, decidi, de forma independente, documentar o impacto que os pesticidas estão a ter na saúde dos trabalhadores rurais. Na viagem percorri 6.000 quilômetros pelo litoral e norte da Argentina.

De acordo com a rede de médicos das aldeias pulverizadas com glifosato, o primeiro inquérito diz que são 13,4 milhões de pessoas afetadas. Quase um terço da população total.

Em algumas populações, e em menos de uma década, os casos de cancro em crianças triplicaram, e os abortos espontâneos e malformações congénitas aumentaram 400%.

Apesar da força desta realidade, não há nenhuma informação sistematizada a nível oficial.

Em 1996, a Argentina fez um acordo com a Monsanto para a comercialização da soja transgénica e para uso do glifosato, num procedimento rápido, sem análise científica e sem avaliação de danos humanos.

Imagem obtida em elfederal
A Argentina tornou-se um território de experimentação.

Em 2012, já existem 21 milhões de hectares plantados com sementes transgênicas.

Isto representa 60% da terra arável do país.

Em 2012, 370 milhões de litros de agroquímicos foram usados ​​em solo argentino. O glifosato e o 2.4D, um componente do agente laranja, são herbicidas de uso corrente no país.

Em junho de 2011, o glifosato foi incluído entre os Agentes de Contaminaçõo Orgânica Persistente pela Convenção de Estocolmo.

Na Argentina não existe nenhuma lei nacional que regule a utilização de herbicidas.

Em 2014 o lucro da Monsanto foi de cerca de 16 mil milhões de dólares.

Tudo isto ocorre no seio do silêncio cúmplice da maioria dos meios de comunicação.

Como resultado direto há povos indígenas deslocados, devastação de florestas nativas e contaminação ambiental.»


Pablo Piovano


terça-feira, 24 de maio de 2016

"Morrendo para ser eu" (Anita Moorjani)

Anita Moorjani , autora do livro "Dying to be me!" (Nascer de Novo), conta-nos a sua inspiradora experiência de "quase morte" e como a sua vida mudou porque entendeu o que estava errado com ela.

Uma reflexão que vale a pena ouvir (tem legendas Pt-Br).

Com os agradecimentos a Artur Ferreira, pela partilha.

Se gostou, veja também o testemunho da neurocientista Jill Bolte Taylor.

domingo, 22 de maio de 2016

52 Gestos para a Biodiversidade

«A 22 de maio comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade proclamado pelas Nações Unidas com o objetivo de aumentar o grau de consciencialização e conhecimentos acerca da biodiversidade, cujo tema de 2016 é "INTEGRAÇÃO DA BIODIVERSIDADE PARA APOIO ÀS POPULAÇÕES E AOS SEUS MEIOS DE SUBSISTÊNCIA".» (INCF)
«A biodiversidade é a base para a vida e para os serviços essenciais prestados pelos ecossistemas. É, pois, a biodiversidade que está subjacente à subsistência das populações e ao desenvolvimento sustentável em todas as áreas de atividade, incluindo os setores económicos como a agricultura, silvicultura, pesca e turismo, entre outros. Ao travar a perda de biodiversidade, estamos a investir nas pessoas, suas vidas e seu bem-estar.»  (CBD - Convention on Biological Diversity)

E, não esquecendo que estamos no sexto ano da década das Nações Unidas para a Biodiversidade, deixo aqui um guia com 52 dicas para diminuir a perda de biodiversidade, que vem ocorrendo a escalas preocupantes.  por isso dê uma espreitadela. Aqui ficam algumas das dicas (só o título, consulte o guia para encontrar a explicação), e o prefácio é transcrito mais abaixo:

  • Apoio as associações de proteção da natureza.
  • Não incomodo os animais durante os meus passeios.
  • Subscrevo um cabaz biológico.
  • Apoio um projeto de reflorestação.
  • Não deito detritos para o chão.
  • Desconfio do «greenwashing».
  • Uso produtos domésticos não poluentes.
  • Passeio respeitando a natureza.
  • Escolho cosméticos biológicos.
  • Torno-me ecovoluntário.
  • Reduzo o meu consumo de carne.
  • Não alimento as «ilhas de resíduos» no alto mar.
  • Não compro vestuário que necessite de limpeza a seco.
  • Não introduzo espécies exóticas na natureza.
  • Reduzo o meu consumo de papel e cartão.
  • Compro o meu peixe de forma responsável (veja também  aqui como e descarregue o Cartão SOS Oceano)
  •  ...

«A biodiversidade – a variedade de formas de vida na Terra – torna o nosso planeta habitável e bonito. Muitos de nós olham para a natureza como fonte de prazer, inspiração ou lazer.  Também dependemos dela para a alimentação, a energia, as matérias-primas, o ar e a água, sendo estes os elementos que tornam possível a vida tal como a conhecemos e que sustentam o desenvolvimento das nossas economias.

No entanto, apesar do seu valor ímpar, tomamos muitas vezes a natureza como um dado adquirido. As pressões exercidas sobre muitos sistemas naturais têm vindo a aumentar, fazendo com que funcionem de forma menos eficaz ou levando-os mesmo até ao limiar do colapso.  Aquilo que designamos por perda de biodiversidade é uma situação demasiado comum.

Daí o empenho da União Europeia em travar a perda de biodiversidade. Ao longo dos últimos 25 anos, a UE criou uma rede de 26 000 áreas protegidas dentro das suas fronteiras, que abrange mais de 850 000 km2.  Esta rede, conhecida como Natura 2000, é a maior rede de áreas protegidas no mundo, demonstrando assim a importância que damos à biodiversidade.  Estamos determinados a reforçar este programa de referência com medidas adicionais a longo prazo. E todos nós podemos fazer mais para ajudar.  


Foto minha, Borboleta-zebra (Iphiclides feisthamelii) nas Zinias (Zinnia)
Todos temos poder para ajudar a proteger a biodiversidade e precisamos que todos participem. Cada um de nós pode introduzir pequenas alterações nos hábitos diários sem afectar drasticamente o seu estilo de vida. Quando combinadas, estas pequenas alterações podem ajudar.

Esperamos que as sugestões contidas neste guia prático lhe permitam ajudar a marcar a diferença. Comer alimentos locais sazonais, diminuir os desperdícios de água, efectuar a compostagem dos resíduos alimentares ou ficar a conhecer melhor as espécies animais e vegetais que vivem nas nossas áreas locais…Se todos seguirmos alguns destes passos simples, faremos uma grande diferença na preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.7


Janez Potočnik
Comissário Europeu para o Ambiente


Fonte: Guia 52 Gestos para a Biodiversidade, 2011 (www.jedonnevieamaplanete.be)

quarta-feira, 18 de maio de 2016

"Abelhas e Homens" em Famalicão, dia 20/5

Na próxima sexta-feira, dia 20 de maio de 2016, às 21h30, será exibido em Vila Nova de Famalicão, o documentário:


ABELHAS E HOMENS
E se as abelhas desaparecessem? 
(More Than Honey, 2012, 95 min, de Markus Imhoof)

apresentado pela Associação Vento Norte, no âmbito das sessões de filme e debate AMBIENTAR-SE.
Na Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão. Gratuito, entrada livre.

Sinopse:
 «De há três anos a esta parte as abelhas andam a morrer em todo o mundo. Embora as causas ainda continuem a ser um mistério, uma coisa é clara: está em causa algo mais do que a simples morte de uns quantos insectos e bem mais do que apenas uma questão de mel. Em busca de respostas, o filme embarca numa viagem para encontrar as pessoas cujas vidas dependem das abelhas: de um apicultor suíço que vive nos Alpes até aos gigantescos pomares de amendoeiras na Califórnia, passando por um investigador do cérebro das abelhas em Berlim, uma comerciante de pólen na China e as abelhas assassinas do deserto do Arizona. Todos referem o desaparecimento das abelhas. O filme fala-nos das suas vidas. E das nossas.»

Convidados para o debate:
Tiago Moreira, da APIAVE, Associação de Apicultores do Cávado e Ave;  José Silva, Amigos do Rio Este – Associação de Defesa do Ambiente; Moderação do Debate: Marta Vida, Associação Vento Norte.

As sessões AMBIENTAR-SE são uma parceria entre o Município de Vila Nova de Famalicão (Parque da Devesa) e instituições locais ligadas à proteção do ambiente, que constam na exibição de um filme de tónica ambiental com debate no final (em 2016, são na terceira sexta-feira do mês).

Informações: parquedadevesa@vilanovadefamalicao.org / 252 374 184
Evento no Facebook:   https://www.facebook.com/events/1103405999700764/


Trailer:

terça-feira, 17 de maio de 2016

A mentira sobre o glifosato



Enquanto os políticos continuarem a deixar os interesses económicos de alguns grupos sobreporem-se ao interesse das populações, da sua saúde e do ambiente, e enquanto a maioria de nós continuar a permitir isto, pela ignorância, inação ou aceitação, isto não melhora rápido...

Imagem obtida aqui
Felizmente, há quem não ignore e não aceite, são poucos, mas são os que fazem a diferença. A eles agradeço o empenho e esforço, mesmo que muitas batalhas ainda sejam perdidas, outras haverá que serão ganhas.

Como o caso da renovação da autorização do herbicida cancerígeno glifosato na UE, batalha que provavelmente será perdida (a decisão será entre hoje e amanhã) - ver aqui como - mas pelo menos houve quem desse luta. Entre muitas pessoas e organizações nacionais e europeias, fica o agradecimento a todos nomeadamente ao esforço da Plataforma Transgénicos Fora!

Vídeo em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=s0evzN7SZtI

domingo, 15 de maio de 2016

Glifosato: Como vender um pesticida incrivelmente perigoso

As pesquisas da IARC da OMS concluíram, há cerca de um ano, que o herbicida glifosato é provavelmente cancerígeno para seres humanos.

Imagem obtida aqui 
Contudo, apesar disso, e apesar de 48 deputados europeus, de 13 países membros, terem níveis alarmantes de glifosato na urina (ver resultados aqui), parece que a UE se prepara para autorizar o uso e venda de glifosato por mais uns bons anos.

Veja no vídeo abaixo (com legendas Pt) como e porquê...

Já no que respeita aos portugueses, com níveis de glifosato na urina ainda mais alarmantes, parece que estão agora também com areia nos olhos, atirada pelo governo, ao proibir um coadjuvante de herbicida, a taloamina (também carcinogénico).

Dos 83 herbicidas com o carcinogénico glifosato à venda em Portugal, 17 tem taloamina, e serão proibidos, os restantes 66, continuam livres...

Bela manobra de diversão esta, de arranjar a taloamina como bode expiatório para que o glifosato nos continue a envenenar, enquanto enche os cofres das grandes multinacionais...

Já assinou a petição "Proibição do Herbicida Glifosato em Portugal"? 
Se não, ainda pode fazê-lo em  http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT76615




«A IARC (International Agency for Research on Cancer), agência da OMS (Organização Mundial de Saúde) que se dedica à investigação sobre o cancro, classificou o herbicida glifosato como "provavelmente cancerígeno" para os seres humanos. Tais pesticidas devem ser proibidos por lei na Europa. Mas, autoridades europeias, com base em estudos ocultos da indústria, e ignorando uma série de estudos científicos académicos que relatam os efeitos nocivos do glifosato, concluiram que o glifosato não apresenta nenhum dano aos seres humanos, animais e ambiente. O Parlamento Europeu apelou a uma proibição, pelo menos nas áreas públicas e usos não profissionais. Mas os reguladores ignoraram esta decisão. A Europa está prestes a votar a favor de continuar o uso de produtos à base de glifosato por mais 10 anos. Como isso é possível?»

Fonte e vídeo original de PAN Europe em: https://www.youtube.com/watch?v=N9Yh560PoVI

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Nuclear? Não, armadilhado!

Extratos de artigos sobre a energia nuclear na revista Courrier Internacional de maio 2016:
    Capa da  revista Courrier Internacionalde maio 2016
  • «Cinco anos depois de Fukushima e 30 depois de Tchernobyl, em que pé está a utilização pacífica da energia nuclear? Pelo mundo fora, as opções variam. A Alemnha está a virar-se para as energias renováveis, enquanto a França e a Finlândia se mantêm como os bastiões do nuclear e o Reino Unido hesita. Os EUA não abdicam da energia atómica, mas têm sido o petróleo e o gás de isto a funcionarem como motor da recuperação económica. Na China ou no Leste da Europa, os riscos ambientais tendem a ser desprezados. E persiste a grande dúvida: os custos de desmantelamento das centrais em fim de vida e do armazenamento de resíduos perigosos estarão devidamente contabilizados? » (lead)
  • «Desde finais de 2015 estão a ser construídos, a nível mundial, 66 reatores - o número mais elevado dos últimos 25 anos.  (Segundo a World Nuclear Association, a associação mundial do sector, neste momento operam em todo o mundo 437 reatores civis). ...  A média de idade do parque nuclear é de 35 anos, próxima do termo da maioria das licenças de exploração.  ...  Manter em funcionamento centrais muito para além do tempo d vida original para que foram concebidas aumenta o risco de avarias, fugas e acidentes. ...» (Richard Martin)
  • «Os inspetores do Conselho de Segurança  Nuclear (CSN) alertaram para falhas no sistema de refrigeração de serviços essenciais de Almaraz (província de Cáceres), a central mais antiga do país, no Alto Tejo. Após duas avarias nos motores das bombas de água, cinco técnicos realizaram uma inspeção e concluíram que não há "garantias suficientes" de que o sistema possa funcionar com normalidade.» (Manuel Planelles)

Desenho de Arcadio Esquivel, daqui
Poucos responsáveis político parecem avaliar com cautela os avassaladores riscos deste tipo de energia. Um erro humano como em Chernobyl, ou uma catástrofe natural como em Fukushima, parecem que não são razões de peso ...

Enquanto  centrais antigas continuam funcionar para além do prazo previsto, como Almaraz, em Espanha,a 100 km da fronteira, mesmo aqui ao lado novas centrais nucleares vão sendo construídas  a ritmo impensável, e poucas são as que vão sendo desativadas. 

E os resíduos, um problema para as próximas dezenas de milhares de anos.

Entretanto, espreite esta infografia, com os 20  países mais "nuclearizados". E assim vamos...  

sábado, 30 de abril de 2016

Glifosato: o herbicida que contamina Portugal

Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora (extrato):

«2016/04/30  Pela primeira vez há análises e revelam situação descontrolada
GLIFOSATO: O HERBICIDA QUE CONTAMINA PORTUGAL


Análises realizadas pela Plataforma Transgénicos Fora em colaboração com o Detox Project (detoxproject.org) evidenciaram níveis inesperados e absolutamente assombrosos de glifosato (mais conhecido por Roundup), o pesticida químico sintético mais usado na agricultura portuguesa*1 – e até agora o mais ignorado. Há pelo menos dez anos que não se conhece qualquer análise oficial à sua presença em alimentos, solo, água, ar ou pessoas. Este vazio, inédito a nível europeu, é hoje preenchido parcialmente com os resultados das análises realizadas à urina de 26 voluntários portugueses e a algumas amostras de alimentos. Portugal tem agora de encontrar soluções a nível nacional e europeu que esclareçam as razões de tal contaminação humana e a reduzam em várias ordens de grandeza.

Muito embora o Ministério da Agricultura mantenha, ao longo de sucessivos governos, um plano anual de monitorização em alimentos que testa a presença de mais de 300 resíduos de pesticidas, o glifosato tem sido excluído das análises.*2 O mesmo se passa com a água de consumo, uma vez que o Ministério não inclui o glifosato na lista de substâncias a pesquisar pelas entidades fornecedoras.*3 Quando questionado formalmente no início deste ano o mesmo Ministério não apresentou quaisquer análises, nem mesmo as previstas pelas diretivas técnicas da União Europeia, afirmando que até à data tinha sido considerado desnecessário incluir este químico nas suas análises de rotina.*4

Mas as mais de 1600 toneladas de glifosato vendidas anualmente, que para além de fins agrícolas também se aplicam abundantemente em zonas urbanas de Norte a Sul do país para controlo de ervas em ruas e caminhos (salvo nalguns, poucos, municípios), não desaparecem sem deixar rasto. Elas representam um potencial de contaminação generalizado que até agora tinha ficado por testar. Hoje começa finalmente a traçar-se um primeiro quadro onde sobressai a gravidade dessa poluição silenciosa, invisível e provavelmente mortal (segundo a Organização Mundial de Saúde o glifosato é provavelmente carcinogénico em humanos e demonstradamente carcinogénico em animais de laboratório).*5

Em 26 voluntários portugueses, o glifosato foi detetado em 100% das análises efetuadas à urina. Na Suíça, em 2015, uma iniciativa equivalente tinha detetado glifosato em apenas 38% dos casos e, em 2013, num outro levantamento realizado pela associação Amigos da Terra em 18 países europeus, estavam contaminadas 44% das pessoas.*6

O valor médio de glifosato na urina dos portugueses testados foi de 26.2 ng/ml (nanogramas por mililitro). Para referência tome-se a Diretiva da Qualidade da Água: na água de consumo o glifosato não pode ultrapassar os 0.1 ng/ml. Isto significa que a quantidade de glifosato agora detetada, se estivesse em água da torneira, contaminaria essa água 260 vezes acima do limite máximo legal!

...

Este cenário é agravado por dois aspetos adicionais. No caso da desregulação hormonal, por exemplo, não existem limiares de contaminação aceitável. Ou seja, qualquer concentração é perigosa e pode desencadear efeitos nefastos. Além disso o glifosato nunca é usado sozinho: os herbicidas comerciais possuem diversas outras substâncias, não indicadas no rótulo, que aumentam a agressividade do glifosato e podem ser, elas próprias, muito tóxicas.*15 Por isso a deteção do glifosato significa a presença adicional provável de outros químicos que não são de todo considerados quando se estabelecem os limites legais para cada pesticida.

Enquanto a investigação adicional não é feita e as dúvidas dissipadas, a única forma de proteger a saúde pública é através de medidas de precaução: no caso do glifosato isso implica votar NÃO à sua reautorização (que a Comissão Europeia pretende por mais 15 anos e o Parlamento Europeu por mais 7 anos).»