segunda-feira, 29 de junho de 2015

Leites infantis - como evitar transgénicos (Comunicado da Plataforma Transgénicos Fora)

Divulgação do comunicado da Plataforma Transgénicos Fora -  2015/06/29  (www.stopogm.net):



Divulgada hoje pesquisa que dá finalmente possibilidade de escolher
  • Os leites infantis podem provir de uma cadeia de produção assente em rações transgénicas
  • Pela primeira vez é possível saber quais as marcas em Portugal que garantem uma produção livre de transgénicos
  • Evidências científicas apontam para diferenças significativas entre leite de animais que consumiram rações com e sem transgénicos
A maior parte dos leites infantis à venda em Portugal é proveniente de uma cadeia de produção que envolve animais alimentados com rações transgénicas. Quais são essas marcas, e quais as alternativas, não era conhecido até hoje visto que o regulamento europeu de rotulagem só prevê informação ao consumidor quando os ingredientes transgénicos estão diretamente presentes no produto final (o que não é o caso das rações animais). A Plataforma Transgénicos Fora (PTF) contactou as principais marcas multicanal de leites infantis e traçou pela primeira vez o quadro das opções a nível nacional.

No que toca aos leites infantis 100% vegetais - como na marca Alpro Soya - a questão das rações não se coloca, existindo apenas a possibilidade de utilização de soja transgénica na formulação. No entanto esse uso direto já está sujeito a rotulagem e, no caso da Alpro em Portugal, a ausência de indicações na embalagem indicará, em princípio, a não utilização de transgénicos pela empresa.

Os leites infantis de agricultura biológica - como as marcas Holle (suíça) e Babybio (francesa) - garantem por definição a não utilização de rações transgénicas na alimentação animal, entre outros critérios, pelo que não suscitam preocupações do ponto de vista da cadeia de produção. Mas tanto os leites vegetais como os biológicos representam apenas uma pequenina fração do mercado português.
No que toca aos leites de produção convencional baseados em leite de vaca, nenhuma das marcas mais conhecidas está em condições de garantir que os animais são alimentados sem recurso a rações transgénicas, incluindo a Nutribén, Milkid, Nutrilon, Aptamil, Milupa, Blédina, Novalac, Enfalac, Nan, Nidina, Nestlé Júnior e Mimosa Bem Essencial, entre outras.
Tanto quanto foi possível detetar, e sempre de acordo com as informações fornecidas pelas próprias empresas, apenas a marca Miltina (da empresa alemã Humana) pode garantir que os animais são alimentados exclusivamente a pasto e rações livres de transgénicos. Esta será portanto a única alternativa neste momento para os consumidores que não pretendam a opção vegetariana ou de agricultura biológica e queiram garantir que os seus filhos estão protegidos de uma cadeia alimentar assente em transgénicos.
Qual é o risco? A perspetiva científica
Não existem neste momento provas científicas definitivas de que o leite proveniente de animais alimentados com rações transgénicas seja significativamente diferente do restante leite. No entanto a investigação tem sido limitada e a comunidade científica está longe de ter chegado a uma conclusão consensual. Dados preliminares apontam desde já para dois aspetos importantes, ambos a contracorrente do que tem sido defendido pela indústria ao longo dos anos .*1*

O primeiro é que o DNA transgénico da soja/milho já foi nalguns casos detetado no leite dos animais produtores, não sendo destruído pelo processo de pasteurização.*2* Ou seja, objetivamente falando, os leites infantis não são exatamente iguais consoante a cadeia de produção inclua ou não transgénicos.
O segundo aspeto, ainda mais importante, vem retratado em investigação muito recente de uma equipa coordenada pela universidade italiana de Nápoles, que alimentou cabras com soja transgénica.*3* Este trabalho detetou perturbações importantes no colostro, o primeiro leite produzido pós-parto e que possui uma importante função imunitária. Além disso, ao fim de um mês de vida, as crias que mamaram nas mães alimentadas a transgénicos apresentavam claramente menos peso do que o grupo de controle.

Face a estes dados não pode ser descartada a possibilidade de que os leites infantis produzidos com leite obtido de animais alimentados com rações que, em Portugal, são na sua esmagadora maioria transgénicas, representem um risco mensurável para os bebés e crianças. Note-se que a EFSA - Autoridade Europeia de Segurança Alimentar neste momento ainda não exige avaliação deste tipo de potenciais problemas antes de dar o seu selo de aprovação a novos transgénicos na União Europeia.

Enquanto tais salvaguardas não são implementadas os portugueses podem agora começar a exercer o seu direito a um consumo informado numa área - a alimentação infantil - que devia merecer o maior cuidado e rigor.

NOTA 1: A Plataforma Transgénicos Fora faz questão de relembrar a recomendação da Organização Mundial de Saúde relativa aos benefícios do aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses de idade.
NOTA 2: A Plataforma Transgénicos Fora não recebeu qualquer financiamento ou influência externa no tocante à elaboração e conclusões deste trabalho.

referências

*2* Agodi, A., Barchitta, M., Grillo, A., & Sciacca, S. (2006). Detection of genetically modified DNA sequences in milk from the Italian market. International journal of hygiene and environmental health, 209(1), 81-88.
Tudisco, R., Mastellone, V., Cutrignelli, M. I., Lombardi, P., Bovera, F., Mirabella, N., ... & Infascelli, F. (2010). Fate of transgenic DNA and evaluation of metabolic effects in goats fed genetically modified soybean and in their offsprings. Animal, 4(10), 1662-1671.
*3* Tudisco, R., Calabro, S., Cutrignelli, M. I., Moniello, G., Grossi, M., Mastellone, V., ... & Infascelli, F. (2015). Genetically modified soybean in a goat diet: Influence on kid performance. Small Ruminant Research, 126, 67-74.
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A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (AGROBIO, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; CPADA, Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente; GAIA, Grupo de Ação e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; Associação IN LOCO, Desenvolvimento e Cidadania; LPN, Liga para a Proteção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente e QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza) e apoiada por dezenas de outras. Para mais informações contactar info@stopogm.net ou www.stopogm.net

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

"Uma Horta em Casa" - apresentação do livro 28/6, Famalicão

"Uma Horta em Casa" é um excelente livro de Isabel de Maria Mourão e Miguel Maria Brito (edição Arteplural, abril 2015), que nos introduz ao cultivo de uma horta em modo biológico, ensinando, de uma forma clara e ricamente ilustrada, os princípios, os meios e os fins para conseguirmos cultivar alimentos em casa de forma saudável e imaginativa. A sinopse do livro explica o porquê de ter uma horta em casa e o que se pode aprender no livro:

«Cada vez mais, as hortas urbanas e comunitárias fazem parte da paisagem das cidades modernas; o passo seguinte, muito desejável e perfeitamente atingível, é trazer a horta… para dentro de casa. Ter uma pequena horta em casa - seja num terraço, numa varanda ou simplesmente à janela, fazendo um uso criativo do espaço disponível - contribui, numa pequena mas considerável escala, para combater as alterações climáticas; melhora substancialmente a qualidade da alimentação e ajuda a diminuir a despesa familiar; e faculta um ambiente saudável e divertido de convívio entre todos os membros da família. 

Descubra, ao longo destas páginas:

- As vantagens de ter uma horta em casa

- Que plantas pode cultivar (hortícolas, aromáticas ou medicinais ou flores comestíveis)

- Como funciona o ciclo de vida das diferentes plantas
- Quando, onde e com que utensílios as pode cultivar
- Como fazer cultivo biológico (da sementeira à compostagem e ao tratamento de pragas e doenças)
- Indicações específicas para o cultivo de mais de 50 plantas - da abóbora aos cogumelos, do alecrim ao tomilho, e da alegria-do-lar à verbena.»



Isabel de Maria Mourão, no engenheira agrónoma doutorada, é professora coordenadora na Escola Superior Agrária de Ponte de Lima, inclusive no mestrado em Agricultura Biológica. Miguel  Maria Brito é arquiteto paisagista e tem vindo a trabalhar em projetos de instalação de hortas de interior.

O livro, que já está à venda, e do qual pode ler algumas páginas aqui, vai ser apresentado pelos autores nas Hortas do Parque da Devesa, em Vila Nova de Famalicão, no dia 28 de junho 2015 às 18h00. A sessão contará também com a participação e exposição de artigos para facilitar a horta em casa:

 Hortas Growbed da Noocity
 Hortas Plantit
 Produtos Life in a Bag

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Papa Francisco defende a nossa casa comum

A recente encíclica do Papa Francisco LAUDATO SI' é um verdadeiro tratado de defesa da Terra e dos seus habitantes mais desprotegidos, referindo-se à maioria dos reais problemas ambientais (e também sociais) com que hoje nos deparamos, e que neste blogue são abordados.

Imagem obtida aqui
E, para surpresa de muitos, este texto é também uma testemunho de compreensão e apologia da Ecologia Profunda, que já aqui definimos e que há pouco aqui abordamos numa petição pelo direito da Natureza. A mesma compreensão que o chefe índio Seattle mostra na célebre carta.

Tentei extrair algumas frases ou partes com as quais mais comungo neste alerta e apelo, mas a tarefa não foi nada fácil, como se vê pela extensão do texto abaixo, a azul. 

O melhor mesmo, é ler a encíclica completa. Quer seja católico ou quer não seja, o texto é muito importante para quem se preocupa com o ambiente e com o futuro do planeta, mas mais ainda para quem acha que tudo está bem!


«...
10. Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior

11. O seu testemunho mostra-nos também que uma ecologia integral requer abertura para categorias que transcendem a linguagem das ciências exactas ou da biologia e nos põem em contacto com a essência do ser humano. Tal como acontece a uma pessoa quando se enamora por outra, a reacção de Francisco, sempre que olhava o sol, a lua ou os minúsculos animais, era cantar, envolvendo no seu louvor todas as outras criaturas. ...
...
13. O urgente desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral, pois sabemos que as coisas podem mudar. O Criador não nos abandona, nunca recua no seu projecto de amor, nem Se arrepende de nos ter criado. A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. Desejo agradecer, encorajar e manifestar apreço a quantos, nos mais variados sectores da actividade humana, estão a trabalhar para garantir a protecção da casa que partilhamos.
Uma especial gratidão é devida àqueles que lutam, com vigor, por resolver as dramáticas consequências da degradação ambiental na vida dos mais pobres do mundo. Os jovens exigem de nós uma mudança; interrogam-se como se pode pretender construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluídos.

14. Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental, que vivemos, e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização.  Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas.  Precisamos de nova solidariedade universal.
...
18. A contínua aceleração das mudanças na humanidade e no planeta junta-se, hoje, à intensificação dos ritmos de vida e trabalho, que alguns, em espanhol, designam por «rapidación». Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que hoje lhe impõem as acções humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica. A isto vem juntar-se o problema de que os objectivos desta mudança rápida e constante não estão necessariamente orientados para o bem comum e para um desenvolvimento humano sustentável e integral. ...

19. Depois dum tempo de confiança irracional no progresso e nas capacidades humanas, uma parte da sociedade está a entrar numa etapa de maior consciencialização. Nota-se uma crescente sensibilidade relativamente ao meio ambiente e ao cuidado da natureza, e cresce uma sincera e sentida preocupação pelo que está a acontecer ao nosso planeta. ...

20. Existem formas de poluição que afectam diariamente as pessoas. A exposição aos poluentes atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras. Adoecem, por exemplo, por causa da inalação de elevadas quantidades de fumo produzido pelos combustíveis utilizados para cozinhar ou aquecer-se. A isto vem juntar-se a poluição que afecta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água, pelos fertilizantes, insecticidas, fungicidas, pesticidas e agro-tóxicos em geral. Na realidade a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros.

21. Devemos considerar também a poluição produzida pelos resíduos, incluindo os perigosos presentes em variados ambientes. Produzem-se anualmente centenas de milhões de toneladas de resíduos, muitos deles não biodegradáveis: resíduos domésticos e comerciais, detritos de demolições, resíduos clínicos, electrónicos e industriais, resíduos altamente tóxicos e radioactivos. A terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo. Em muitos lugares do planeta, os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora vêem submersas de lixo. Tanto os resíduos industriais como os produtos químicos utilizados nas cidades e nos campos podem produzir um efeito de bioacumulação nos organismos dos moradores nas áreas limítrofes, que se verifica mesmo quando é baixo o nível de presença dum elemento tóxico num lugar. Muitas vezes só se adoptam medidas quando já se produziram efeitos irreversíveis na saúde das pessoas.

22 ...  o sistema industrial, no final do ciclo de produção e consumo, não desenvolveu a capacidade de absorver e reutilizar resíduos e escórias. Ainda não se conseguiu adoptar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não-renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilizando e reciclando-os. ...

23 . O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. A nível global, é um sistema complexo, que tem a ver com muitas condições essenciais para a vida humana. Há um consenso científico muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático. ...   Isto é particularmente agravado pelo modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, que está no centro do sistema energético mundial. E incidiu também a prática crescente de mudar a utilização do solo, principalmente o desflorestamento para finalidade agrícola.

24. ... Entretanto a perda das florestas tropicais piora a situação, pois estas ajudam a mitigar a mudança climática. A poluição produzida pelo anidrido carbónico aumenta a acidez dos oceanos e compromete a cadeia alimentar marinha. Se a tendência actual se mantiver, este século poderá ser testemunha de mudanças climáticas inauditas e duma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós. ...

25 ...  É trágico o aumento de emigrantes em fuga da miséria agravada pela degradação ambiental, que, não sendo reconhecidos como refugiados nas convenções internacionais, carregam o peso da sua vida abandonada sem qualquer tutela normativa. Infelizmente, verifica-se uma indiferença geral perante estas tragédias, que estão acontecendo agora mesmo em diferentes partes do mundo. A falta de reacções diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil.

26. Muitos daqueles que detêm mais recursos e poder económico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas, procurando apenas reduzir alguns impactos negativos de mudanças climáticas. Mas muitos sintomas indicam que tais efeitos poderão ser cada vez piores, se continuarmos com os modelos actuais de produção e consumo. ...

27. Outros indicadores da situação actual têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É  bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nível actual de consumo dos países mais desenvolvidos e dos sectores mais ricos da sociedade, onde o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis inauditos. Já se ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza.

28. A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é indispensável para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos.  ... A disponibilidade de água manteve-se relativamente constante durante muito tempo, mas agora, em muitos lugares, a procura excede a oferta sustentável, com graves consequências a curto e longo prazo. ...

29. Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres,  são frequentes as doenças relacionadas com a água, incluindo as causadas por microorganismos e substâncias químicas. A diarreia e a cólera, devidas a serviços de higiene e reservas de água inadequados, constituem um factor significativo de sofrimento e mortalidade infantil. Em muitos lugares, os lençóis freáticos estão ameaçados pela poluição produzida por algumas actividades extractivas, agrícolas e industriais, sobretudo em países desprovidos de regulamentação e controles suficientes. ...

30. Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado. Na realidade, o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos.  ...

31. Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem do seu uso. Alguns estudos assinalaram o risco de sofrer uma aguda escassez de água dentro de poucas décadas, se não forem tomadas medidas urgentes. Os impactos ambientais poderiam afectar milhares de milhões de pessoas, sendo previsível que o controle da água por grandes empresas mundiais se transforme numa das principais fontes de conflitos deste século.

32. Os recursos da terra estão a ser depredados também por causa de formas imediatistas de entender a economia e a actividade comercial e produtiva. A perda de florestas e bosques implica simultaneamente a perda de espécies que poderiam constituir, no futuro, recursos extremamente importantes não só para a alimentação mas também para a cura de doenças e vários serviços. As diferentes espécies contêm genes que podem ser recursos-chave para resolver, no futuro, alguma necessidade humana ou regular algum problema ambiental.

33. Entretanto não basta pensar nas diferentes espécies apenas como eventuais «recursos» exploráveis, esquecendo que possuem um valor em si mesmas. Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais, que já não poderemos conhecer, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre. A grande maioria delas extingue-se por razões que têm a ver com alguma actividade humana.

34. ...  Por exemplo, muitos pássaros e insectos, que desaparecem por causa dos agro-tóxicos criados pela tecnologia, são úteis para a própria agricultura, e o seu desaparecimento deverá ser compensado por outra intervenção tecnológica que possivelmente trará novos efeitos nocivos. São louváveis e, às vezes, admiráveis os esforços de cientistas e técnicos que procuram dar solução aos problemas criados pelo ser humano. Mas, contemplando o mundo, damo-nos conta de que este nível de intervenção humana, muitas vezes ao serviço da finança e do consumismo, faz com que esta terra onde vivemos se torne realmente menos rica e bela, cada vez mais limitada e cinzenta, enquanto ao mesmo tempo o desenvolvimento da tecnologia e das ofertas de consumo continua a avançar sem limites. Assim, parece que nos iludimos de poder substituir uma beleza insuprível e irrecuperável por outra criada por nós.

35. Quando se analisa o impacto ambiental de qualquer iniciativa económica, costuma-se olhar para os seus efeitos no solo, na água e no ar, mas nem sempre se inclui um estudo cuidadoso do impacto na biodiversidade, como se a perda de algumas espécies ou de grupos animais ou vegetais fosse algo de pouca relevância. As estradas, os novos cultivos, as reservas, as barragens e outras construções vão tomando posse dos habitats e, por vezes, fragmentam-nos de tal maneira que as populações de animais já não podem migrar nem mover-se livremente, pelo que algumas espécies correm o risco de extinção. ...

36. O cuidado dos ecossistemas requer uma perspectiva que se estenda para além do imediato, porque, quando se busca apenas um ganho económico rápido e fácil, já ninguém se importa realmente com a sua preservação. Mas o custo dos danos provocados pela negligência egoísta é muitíssimo maior do que o benefício económico que se possa obter. No caso da perda ou dano grave dalgumas espécies, fala-se de valores que excedem todo e qualquer cálculo. Por isso, podemos ser testemunhas mudas de gravíssimas desigualdades, quando se pretende obter benefícios significativos, fazendo pagar ao resto da humanidade, presente e futura, os altíssimos custos da degradação ambiental.
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56. Entretanto os poderes económicos continuam a justificar o sistema mundial actual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente.  ...

57. É previsível que, perante o esgotamento de alguns recursos, se vá criando um cenário favorável para novas guerras, disfarçadas sob nobres reivindicações.  ...
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59. Ao mesmo tempo cresce uma ecologia superficial ou aparente que consolida um certo torpor e uma alegre irresponsabilidade. Como frequentemente acontece em épocas de crises profundas, que exigem decisões corajosas, somos tentados a pensar que aquilo que está a acontecer não é verdade. Se nos detivermos na superfície, para além de alguns sinais visíveis de poluição e degradação, parece que as coisas não estejam assim tão graves e que o planeta poderia subsistir ainda por muito tempo nas condições actuais. Este comportamento evasivo serve-nos para mantermos os nossos estilos de vida, de produção e consumo. É a forma como o ser humano se organiza para alimentar todos os vícios autodestrutivos: tenta não os ver, luta para não os reconhecer, adia as decisões importantes, age como se nada tivesse acontecido.
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69. Ao mesmo tempo que podemos fazer um uso responsável das coisas, somos chamados a reconhecer que os outros seres vivos têm um valor próprio ...
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134. Embora não disponhamos de provas definitivas acerca do dano que poderiam causar os cereais transgénicos aos seres humanos e apesar de, nalgumas regiões, a sua utilização ter produzido um crescimento económico que contribuiu para resolver determinados problemas, há dificuldades importantes que não devem ser minimizadas. Em muitos lugares, na sequência da introdução destas culturas, constata-se uma concentração de terras produtivas nas mãos de poucos, devido ao «progressivo desaparecimento de pequenos produtores, que, em consequência da perda das terras cultivadas, se viram obrigados a retirar-se da produção directa». Os mais frágeis deles tornam-se trabalhadores precários, e muitos assalariados agrícolas acabam por emigrar para miseráveis aglomerados das cidades. A expansão destas culturas destrói a complexa trama dos ecossistemas, diminui a diversidade na produção e afecta o presente ou o futuro das economias regionais. Em vários países, nota-se uma tendência para o desenvolvimento de oligopólios na produção de sementes e outros produtos necessários para o cultivo, e a dependência agrava-se quando se pensa na produção de sementes estéreis que acabam por obrigar os agricultores a comprá-las às empresas produtoras.
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146. Neste sentido, é indispensável prestar uma atenção especial às comunidades aborígenes com as suas tradições culturais. Não são apenas uma minoria entre outras, mas devem tornar-se os principais interlocutores, especialmente quando se avança com grandes projectos que afectam os seus espaços. Com efeito, para eles, a terra não é um bem económico, mas dom gratuito de Deus e dos antepassados que nela descansam, um espaço sagrado com o qual precisam de interagir para manter a sua identidade e os seus valores. Eles, quando permanecem nos seus territórios, são quem melhor os cuida. Em várias partes do mundo, porém, são objecto de pressões para que abandonem suas terras e as deixem livres para projectos extractivos e agro-pecuários que não prestam atenção à degradação da natureza e da cultura.
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148. Admirável é a criatividade e generosidade de pessoas e grupos que são capazes de dar a volta às limitações do ambiente, modificando os efeitos adversos dos condicionalismos e aprendendo a orientar a sua existência no meio da desordem e precariedade. ...
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158. Nas condições actuais da sociedade mundial, onde há tantas desigualdades e são cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais, o princípio do bem comum torna-se imediatamente, como consequência lógica e inevitável, um apelo à solidariedade e uma opção preferencial pelos mais pobres. ...

159. A noção de bem comum engloba também as gerações futuras. As crises económicas internacionais mostraram, de forma atroz, os efeitos nocivos que traz consigo o desconhecimento de um destino comum, do qual não podem ser excluídos aqueles que virão depois de nós. Já não se pode falar de desenvolvimento sustentável sem uma solidariedade intergeneracional. Quando pensamos na situação em que se deixa o planeta às gerações futuras, entramos noutra lógica: a do dom gratuito, que recebemos e comunicamos. Se a terra nos é dada, não podemos pensar apenas a partir dum critério utilitarista de eficiência e produtividade para lucro individual. Não estamos a falar duma atitude opcional, mas duma questão essencial de justiça, pois a terra que recebemos pertence também àqueles que hão-de vir. Os bispos de Portugal exortaram a assumir este dever de justiça: «O ambiente situa-se na lógica da recepção. É um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte ». Uma ecologia integral possui esta perspectiva ampla. 

160. Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer? Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária. Quando nos interrogamos acerca do mundo que queremos deixar, referimo-nos sobretudo à sua orientação geral, ao seu sentido, aos seus valores. Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo, não creio que as nossas preocupações ecológicas possam alcançar efeitos importantes. Mas, se esta pergunta é posta com coragem, leva-nos inexoravelmente a outras questões muito directas: Com que finalidade passamos por este mundo? Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra? Por isso, já não basta dizer que devemos preocupar-nos com as gerações futuras; exige-se ter consciência de que é a nossa própria dignidade que está em jogo. Somos nós os primeiros interessados em deixar um planeta habitável para a humanidade que nos vai suceder. Trata-se de um drama para nós mesmos, porque isto chama em causa o significado da nossa passagem por esta terra.

161. As previsões catastróficas já não se podem olhar com desprezo e ironia. Às próximas gerações, poderíamos deixar demasiadas ruínas, desertos e lixo. O ritmo de consumo, desperdício e alteração do meio ambiente superou de tal maneira as possibilidades do planeta, que o estilo de vida actual – por ser insustentável – só pode desembocar em catástrofes, como aliás já está a acontecer periodicamente em várias regiões. A atenuação dos efeitos do desequilíbrio actual depende do que fizermos agora, sobretudo se pensarmos na responsabilidade que nos atribuirão aqueles que deverão suportar as piores consequências.

 162. A dificuldade em levar a sério este desafio tem a ver com uma deterioração ética e cultural, que acompanha a deterioração ecológica. O homem e a mulher deste mundo pós-moderno correm o risco permanente de se tornar profundamente individualistas, e muitos problemas sociais de hoje estão relacionados com a busca egoísta duma satisfação imediata, com as crises dos laços familiares e sociais, com as dificuldades em reconhecer o outro. ...
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175. A lógica que dificulta a tomada de decisões drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é a mesma que não permite cumprir o objectivo de erradicar a pobreza. Precisamos duma reacção global mais responsável, que implique enfrentar, contemporaneamente, a redução da poluição e o desenvolvimento dos países e regiões pobres. ...
 ...
178. O drama duma política focalizada nos resultados imediatos, apoiada também por populações consumistas, torna necessário produzir crescimento a curto prazo. Respondendo a interesses eleitorais, os governos não se aventuram facilmente a irritar a população com medidas que possam afectar o nível de consumo ou pôr em risco investimentos estrangeiros. A construção míope do poder frena a inserção duma agenda ambiental com visão ampla na agenda pública dos governos. Esquece-se, assim, que «o tempo é superior ao espaço». ...
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225. Por outro lado, ninguém pode amadurecer numa sobriedade feliz, se não estiver em paz consigo mesmo. E parte duma adequada compreensão da espiritualidade consiste em alargar a nossa compreensão da paz, que é muito mais do que a ausência de guerra. A paz interior das pessoas tem muito a ver com o cuidado da ecologia e com o bem comum, porque, autenticamente vivida, reflecte-se num equilibrado estilo de vida aliado com a capacidade de admiração que leva à profundidade da vida. A natureza está cheia de palavras de amor; mas, como poderemos ouvi-las no meio do ruído constante, da distracção permanente e ansiosa, ou do culto da notoriedade? Muitas pessoas experimentam um desequilíbrio profundo, que as impele a fazer as coisas a toda a velocidade para se sentirem ocupadas, numa pressa constante que, por sua vez, as leva a atropelar tudo o que têm ao seu redor. Isto tem incidência no modo como se trata o ambiente. Uma ecologia integral exige que se dedique algum tempo para recuperar a harmonia serena com a criação, reflectir sobre o nosso estilo de vida e os nossos ideais,  ...
...
228. O cuidado da natureza faz parte dum estilo de vida que implica capacidade de viver juntos e de comunhão.  ... . Esta mesma gratuidade leva-nos a amar e aceitar o vento, o sol ou as nuvens, embora não se submetam ao nosso controle. Assim podemos falar duma fraternidade universal.
...
232. Nem todos são chamados a trabalhar de forma directa na política, mas no seio da sociedade floresce uma variedade inumerável de associações que intervêm em prol do bem comum, defendendo o meio ambiente natural e urbano.  ...

...
Oração pela nossa terra
...
Curai a nossa vida,
para que protejamos o mundo
e não o depredemos,
para que semeemos beleza
e não poluição nem destruição.
Tocai os corações
daqueles que buscam apenas benefícios
à custa dos pobres e da terra.
Ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa,
a contemplar com encanto,
a reconhecer que estamos profundamente unidos
com todas as criaturas
no nosso caminho para a vossa luz infinita
... »

Extraído da Carta Encíclica LAUDATO SI’ do Papa FRANCISCO sobre O CUIDADO DA CASA COMUM, Roma, 24 de maio de 2015, publicada em 18/6/2015 (negrito meu).
(http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Os direitos da Natureza

«Pensar que a natureza deve ter direitos não se trata de renunciar à razão para refugiarmo-nos, em nossa angústia ou perplexidade diante da atual marcha suicida da humanidade, em misticismos antigos ou de novo cunho, ou ainda em irracionalismos políticos. De maneira alguma se pretende renunciar à razão.

El Abrazo de Amor del Universo by Frida Kahlo (1949)
Sem negar as contribuições da civilização atual, estamos conscientes de que a voracidade em acumular capital – em síntese, o sistema capitalista – forçou as sociedades humanas a subordinar a natureza. Tentou-se separar brutalmente o ser humano da natureza por meio de diversas ideologias, ciências e técnicas. Foi uma espécie de corte do nó górdio da vida. O capitalismo, enquanto “economia-mundo” (Immanuel Wallerstein), condenou a natureza a ser uma fonte de recursos aparentemente inesgotáveis...
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Os direitos da natureza são considerados direitos ecológicos no intuito de diferenciá-los dos direitos ambientais, oriundos dos direitos humanos. Esses direitos ecológicos são direitos orientados a proteger ciclos vitais e os diversos processos evolutivos, não apenas as espécies ameaçadas ou as áreas naturais.

Nesse campo, a justiça ecológica pretende assegurar a persistência e sobrevivência das espécies e de seus ecossistemas, como conjuntos, como redes de vida. Não é de sua incumbência a indenização aos humanos pelo dano ambiental. Expressa-se na restauração dos ecossistemas afetados. Na realidade devem-se aplicar simultaneamente as duas justiças: a ambiental para as pessoas e a ecológica para a natureza; são justiças vinculadas estrutural e estrategicamente.»

Fonte: Alberto Acosta, em Humboldt (extracto)

E se reconhecêssemos que a Natureza tem valor intrínseco e não apenas o valor utilitário para o Homem?

Este é o fundamento da Ecologia Profunda , de uma ética não antropocêntrica que serve de base à Petição Pública pelo "Reconhecimento dos Direitos Intrínsecos da Natureza e de Todos os Seres Vivos"

Pachamama
O Equador foi pioneiro em 2008 em reconhecer o Direito da Natureza pelo seu valor intrinseco , consagrando na Constituição os direitos de Pachamama: "Art. 71º - A natureza ou Pacha Mama, onde se reproduz e se realiza a vida, tem direito a que se respeite integralmente a sua existência e a manutenção e regeneração de seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos." (fonte: Portal STF).

Esta petição solicita à Assembleia da República Portuguesa:
«Que adopte medidas legislativas no sentido de reconhecer que a cabal defesa dos direitos humanos fundamentais, em especial o pilar do direito à vida, não só não é incompatível como, pelo contrário, exige o reconhecimento de direitos subjectivos à Natureza e aos componentes ambientais naturais, assente no seu valor intrínseco e não meramente utilitário, consagrando, nomeadamente, o direito ao respeito pela sua vida e integridade, que inclui o direito à manutenção e regeneração dos seus ciclos vitais ou ecossistemas, estrutura, funções e processos evolutivos; que legisle no sentido de investir o Estado e todos os cidadãos do dever de promover o respeito por todos os elementos integrantes de qualquer ecossistema, onde se incluem todos os seres vivos, dotados igualmente de valor intrínseco; que estabeleça o direito a que qualquer pessoa ou entidade exija de qualquer autoridade pública, nomeadamente dos Tribunais, a defesa dos direitos subjectivos da Natureza e de todos os seus componentes, tal como previstos na LBA, convocando todos à adopção de um código de conduta universal que não comprometa a integridade dos ecossistemas e das espécies com que coexistimos.»

Quando reconhecermos que a espécie humana é apenas uma parte da natureza e que não está acima dela, talvez consigamos trilhar o caminho para a sustentabilidade de uma forma autêntica.

Ler e assinar petição aqui

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Espaços verdes e crianças

Penso que é óbvio que os espaços verdes contribuem para a melhoria da qualidade de vida de todos, adultos e crianças, os que habitam as cidades. No entanto, quando os estudos (como este abaixo referido) comprovam este óbvio, não há como não avançar para um esforço político e coletivo para tornar os logradouros das casas, as escolas e as cidades mais verdes. E não basta a relva ou o prado, são precisas árvores e arbustos, plantas floridas e comestíveis, um ambiente, mesmo que pequeno, biodiverso.

O estudo "Green Spaces and Cognitive Development in Primary Schoolchildren"de Payam Dadvand e outros, feito ao longo de 12 meses (2012-2013) em 2.593 crianças do segundo ao quarto ano (7-10 anos) de 36 escolas primárias em Barcelona, Espanha, conclui que as crianças mais rodeadas de vegetação no seu dia-a-dia tem um melhor desempenho a nível de memória e de atenção.

«Os espaços verdes têm uma série de benefícios para a saúde, mas pouco se sabe em relação ao desenvolvimento cognitivo em crianças. Este estudo, com base na caracterização abrangente dos espaços verdes na envolvente (em casa, na escola e durante a deslocação) e em repetidos testes cognitivos computorizados em crianças do ensino básico (1º ciclo), encontrou uma melhoria no desenvolvimento cognitivo associado a envolventes verdes, particularmente nas escolas. Esta associação foi, em parte, mediada pela redução da poluição do ar. Os resultados apresentam evidências aos decisores políticos para intervenções balizadas e viáveis, tais como a melhoria de espaços verdes nas escolas para atingir melhorias no capital mental a nível da população

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