domingo, 11 de novembro de 2018

Natal sem óleo de palma

Uma cadeia de supermercados britânica "Iceland Foods" adotou um vídeo da Greenpeace como publicidade nesta época natalícia, assumindo que estão a remover o óleo de palma de todos os produtos com a própria marca numa campanha #NoPalmOilChristmas. O anúncio, com a voz  da atriz britânica Emma Thomsom. não foi permitido na televisão inglesa por ser "demasiado político" (fonte: Público). Abaixo está o vídeo da Greenpeace Brasil, com legendas em português, mas pode ver aqui o referido anúncio da Iceland. 



«Rang-tan é a história de uma garotinha e sua amiga orangotango que foi forçada a deixar sua casa na floresta. As florestas tropicais da Indonésia são destruídas para o plantio de campos e mais campos de óleo de palma utilizado em produtos que consumimos diariamente. »  Greenpeace Brasil

O consumo excessivo do óleo de palma (espécie Elaeis guineensis) é a razão da extinção dos orangotangos e de muitas outras espécies, pois para a sua produção, são destruídas as florestas nativas e todo o seu ecossistema.

Se quer contribuir para acabar com esta destruição de florestas e orangotangos:


1 - Deixe de consumir óleo de palma na alimentação e na cosmética. 
Tenha atenção aos produtos que compra, verifique os rótulos e rejeite se lá tiver óleo de palma. Na verdade, este não é fácil de detetar, pois os nomes são muitos, como: óleo de palma, óleo de palmiste, gordura vegetal fracionada e hidrogenada de palmiste, estearina de palma, palmoleína ou oleína de palma, manteiga de palma, ... . 
Alguns produtos alimentares já aparecem a anunciar "sem óleo de palma".

2 - Esteja atento e seja interventivo em relação às políticas de combustíveis, pois na União Europeia mais metade do óleo de palma usado é para queimar como fonte de energia, com o descaramento de lhe chamar "renovável"! Veja aqui.

- Assine as petições:


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O regresso do fascismo

O termo fascismo deriva da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas, e que, acopladas a um machado, se tornou no símbolo do poder de castigar ou de matar.  

Imagem obtida aqui
Embora sem definição consensual, o fascismo tem como características, as ambições totalitárias, o militarismo, a mobilização em massa da população,  a crença num líder forte com poder absoluto, a educação para a obediência, o desencorajamento do pensamento crítico, o uso da violência para repressão política, o recurso a bodes expiatórios, o populismo e a demonização de grupos sociais, entre outros aspectos.

Os europeus conhecem bem o fascismo que grassou na Europa da primeira metade do século XX, e assumidamente assim designado por Mussolini na Itália (Partido Nacional Fascista) e com o nome de Nacional Socialismo na Alemanha, com  Hitler, que ficou conhecido como Partido Nazi ou Nazista (de Nationalsozialist).  Apesar de associado habitualmente à extrema direita, o fascismo também existe na extrema esquerda - como o foi o regime de Estaline.


Símbolo do fascismo (wikipedia)
«O fascismo nasceu dentro da sociedade. A ignorância da sociedade de massa é também uma ignorância dos valores espirituais e morais. O fascismo surge nesse contexto. Como afirmo em Para combatir esta era:  apesar do progresso científico e tecnológico e do enorme acesso à informação, a força dominante da nossa sociedade é a estupidez organizada. Mão se detém o fascismo através da economia, da tecnologia ou da ciência, nem mesmo através de através das instituições - porque elas dependem das pessoas que as compõem - mas apenas com uma mentalidade diferente.  

Mann, Camus, Sócrates e muitos outros pensadores alertaram que a "nobreza de espírito" é um dos ideais mais democráticos que existem. Para cultivá-lo, não é preciso dinheiro, ser  tecnologicamente avançado ou ter um diploma universitário. A nobreza de espírito é uma mentalidade, é saber o que é a dignidade humana.»
Fonte: Rob Riemen (em entrevista, daqui)


O pequeno livro O Eterno Retorno do Fascismo de Rob Riemen, resume em poucas páginas , como o fascismo é como um vírus que se encontra latente no seio da sociedade, e como o egoísmo e a falta de valores são o veículo que lhe permite desenvolver-se. Abaixo algumas transcrições:

"Albert Camus e Thomas Mann não foram decerto os únicos a compreender depressa, mas a guerra terminou, o que todos ansiamos esquecer: o bacilo fascista estará sempre presente no corpo da democracia de massas. negar este facto ou dar outro nome ao bacilo não nos tornará resistentes a ele. Pelo contrário.  Se queremos combatê-lo eficazmente, teremos de começar por admitir que está novamente prestes a contaminar a nossa sociedade, teremos de o chamar pelo seu nome: «fascismo». Além disso, o fascismo nunca é um desafio, é sempre um grave problema porque desemboca inevitavelmente no despotismo e na violência. E chamamos perigo a tudo o que provoque estas consequências. Negar a existência de um problema ou, pior ainda, de um perigo é praticar a política da avestruz. Quem não aprende com a história está condenado a vê-la repetir-se.
... ...
«Somos antifascistas!»
Em 2004, o eminente historiador americano e especialista em história do fascismo, Robert O. Paxton, publicou a sua notável obra The Anatomy of Fascism, onde sublinha que, no século XXI, nenhum fascista se designará a si próprio como tal. Os fascistas não são estúpidos e são mestres na arte da mentira. Os fascistas contemporâneos distinguem-se em parte pelo que dizem, ainda que seja igualmente importante o modo como actuam. À semelhança de Togliatti, Paxton afirma que o fascismo, devido á sua angustiante falta de ideias, e ausência de valores universais, assumirá sempre a forma e as cores do seu tempo e da sua cultura. Assim, o fascismo na América será religioso e contra os Negros, ao passo que na Europa Ocidental será laico e contra o islão, na Europa do leste, católico ou ortodoxo e anti-semita. A técnica usada é idêntica em toda a parte: um líder carismático populista, para mobilizar as massas; o seu próprio grupo é sempre vítima (das crises, da elite ou dos estrangeiros); e o ressentimento orienta-se todo para um «inimigo». O fascismo não precisa de um partido democrático cujos membros sejam individualmente responsáveis; necessita de um líder inspirador e autoritário ao qual se atribuem instintos superiores(as suas decisões não têm de ser justificadas), de um líder capaz de ser seguido e obedecido pelas massas. O contexto em que esta forma de política pode dominar é o de uma sociedade de massas afectada pela crise que ainda não aprendeu as lições do século XX."

Fonte: "O Eterno Retorno do Fascismo", Rob Riemen, 2010, edição portuguesa:  Bizâncio,  2012


O pensamento crítico e os valores universais, como a solidariedade, a justiça, a liberdade, a bondade, são fundamentais para o reconhecimento e luta contra o fascismo, pois é na ausência dos mesmos que ele consegue crescer.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Ser gentil faz bem à saúde

É raro ver televisão, mas hoje apanhei este pequeno vídeo no programa infantil Zig Zag da RTP2.
São quase dois minutos de bons conselhos para miúdos e graúdos.

domingo, 28 de outubro de 2018

The Girl Efect - campanha de doação de telemóveis antigos

Os telemóveis são hoje uma ferramenta que nos liga ao mundo em qualquer lugar. Infelizmente, a dependência de algumas pessoas é preocupante, sobretudo em faixas etárias muito jovens, tornando-se nefasto.

Mas em locais onde o acesso à educação e à igualdade entre géneros não é fácil, o telemóvel pode ser uma ferramenta que faz a diferença.

A Fundação Vodafone e a Girl Effect estabelecem parceria para conectar 7 milhões de meninas vulneráveis em 8 países.

Para colaborar neste projeto, entregue o seu telemóvel antigo numa loja Vodafone, durante 2019.

The Girl Efect é uma organização sem fins lucrativos independente  ativa em 66 países.

«As mulheres, principalmente dos países em desenvolvimento, necessitam de ser empoderadas, de se tornarem livres e independentes bastando para isso que lhes retirem os obstáculos associados ao género. 
Para quê? 
Para escaparem à pobreza, à violência, à desigualdade no acesso a educação, saúde e emprego. 
Para melhorarem a sua participação política e funcionarem como agentes de mudança da sociedade, já que são quase sempre os pilares da família.» 
Fonte: Delas

sábado, 20 de outubro de 2018

Os verdadeiros valores não têm preço

Infelizmente, a tendência que temos visto é que os mercados agora cheguem a todas as partes da vivência humana. Paga-se por barrigas de aluguer, compra-se o direito a poluir, o direito a não estar na fila, quase tudo se compra, quase tudo se vende.  As recompensas monetárias às crianças pelos bons comportamentos são provavelmente uma das maiores causas deste problema: uma geração que cresceu a achar que o dinheiro é o valor mais importante.  Para trás vão ficando os verdadeiros valores, como a solidariedade, respeito pelo outro, respeito pela natureza. 


A imagem / texto acima foram obtidos a partir do extrato  do livro O Que o Dinheiro Não Pode Comprar de Michael J. Sandel,  filósofo, escritor, professor universitário, ensaísta, conferencista e palestrante, e que enche auditórios e campos de jogos ao ar livre. A  seguir, fica o texto de apresentação do livro da Editorial da Presença : 

«Devemos recompensar monetariamente as crianças por lerem livros ou terem boas notas? Deveremos permitir que as empresas paguem para obterem o direito de poluírem a atmosfera? É ético aceitar ser pago para tatuar o nosso corpo com mensagens publicitárias?

Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido. Nas últimas décadas, os valores do mercado infiltraram-se em quase todos os aspetos da nossa vida - saúde, educação, justiça, governo e até família -, e deixámos de ter uma economia de mercado para passarmos a ter uma sociedade de mercado. Mas que preço pagamos por vivermos numa sociedade em que tudo está à venda?

Em O Que o Dinheiro Não Pode Comprar, o autor procura lançar o debate, de forma a repensar o papel e o alcance dos mercados nas nossas práticas sociais, nas relações humanas e na vida quotidiana. E, acima de tudo, Michael J. Sandel procura responder à questão fundamental: como podemos proteger aquilo que é verdadeiramente importante?»




«Para lidar com esta situação, não nos basta protestar contra a ganância; precisamos de repensar o papel que os mercados devem desempenhar na nossa sociedade. Necessitamos de um debate público sobre o que significa manter os mercados no seu devido lugar. E, para que isso aconteça, precisamos de refletir sobre os limites morais dos mercados. Precisamos de nos perguntar se há algumas coisas que o dinheiro não deve comprar. A invasão dos mercados, e do pensamento orientado para o mercado, em aspetos da vida tradicionalmente regidos por normas não mercantis é um dos desenvolvimentos mais significativos dos nossos tempos.»   Michael J. Sandel

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Alimentação: o futuro pela boca!

Pirâmide dupla, BCFN
«A alimentação é um tema que toca a todos e a cada um de nós. Todos comemos e estamos, portanto, dependentes do acesso a alimentos saudáveis e nutritivos. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação são, por isso, questões-chave do desenvolvimento humano. Uma sociedade não pode ser considerada desenvolvida se estas questões não estiverem, em grande parte, resolvidas. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação (ou a sua falta) têm, por outro lado, profundas implicações ao nível da saúde pública, do bem-estar das pessoas e do capital humano, afetando, portanto, a própria capacidade de uma sociedade para se desenvolver.

Pirâmide da pegada de carbono, BCFN
A alimentação é, além disso, o principal motivo para atividades produtivas como a agricultura e a pesca, que transformam profundamente os ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos que nos rodeiam. A pegada ecológica e a sustentabilidade do nosso modelo de produção, transformação, transporte, distribuição e consumo de alimentos são, por isso, questões incontornáveis no debate sobre a alimentação. A desigualdade social afeta fortemente o acesso de muitos a uma alimentação de qualidade, quer nos países em desenvolvimento quer nos países ditos desenvolvidos. Esta é, por isso, também uma questão a não excluir de qualquer discussão séria sobre o futuro da alimentação. Uma alimentação com futuro requer, assim, o acesso, por parte de todos, a uma alimentação saudável e ecologicamente sustentável.


O futuro da alimentação humana num mundo em crescimento demográfico, com dietas em rápida mutação, com escassez crescente de recursos cruciais como a água, a energia e o solo fértil, e num contexto de alterações climáticas cada vez mais visíveis, coloca hoje desafios monumentais à ciência e à tecnologia, às políticas públicas nos mais diversos domínios e a todos nós, enquanto cidadãos e consumidores.
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Fonte: Akatu
O futuro da alimentação passa pelas decisões do consumidor, que, multiplicadas por sete mil milhões, se transformam na força de mudança mais poderosa. As escolhas alimentares dos consumidores serão um dos fatores mais decisivos para a mudança climática e têm impactos sobre o consumo de água e de energia e sobre o uso do solo. São muito diferentes as necessidades de energia, água e terra para a produção, transporte, consumo e armazenamento de diferentes tipos de alimentos, bem como os resíduos produzidos. As escolhas alimentares dos consumidores afetam ainda a saúde pública, o bem-estar das pessoas e a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sua sociedade. Deste modo, parece muito claro que modificar os comportamentos e decisões de consumo é questão-chave para assegurar uma alimentação saudável, ambientalmente sustentável e geradora de maior potencial de desenvolvimento.»

Fonte: "O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia", Fundação Calouste Gulbenkian; (extraído da introdução do relatório, de José Lima Santos, Isabel do Carmo, Pedro Graça e  Isabel Ribeiro)



Estou convicta de que o futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer.  As nossas escolhas alimentares interferem profundamente na nossa saúde e na dos nossos descendentes, no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista.




Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde ou a nossa doença, estamos a votar num determinado sistema económico.

Fonte: BCFN
Ao preferir produtos biológicos, ao optar por produtos locais e da época, ao escolher dietas vegetarianas (ou ao introduzir refeições vegetarianas), ao não comprar produtos processados ou excessivamente embalados, não está apenas a cuidar da sua saúde, está também a cuidar da saúde do planeta.

Dia 16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação; dia 1 de novembro é o Dia Mundial do Veganismo; dia 8 de novembro é o Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis; que o assinalar destas datas permitam contribuir para a informação e reflexão sobre  o assunto.

Para saber mais sobre alimentação saudável, consulte o blogue NUTRIMENTO do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, no qual pode consultar muitos manuais sobre alimentação, inclusive os manuais (entre muitos outros):



Disponível também muita informação sobre alimentação no Centro Barilla de Alimentação e Nutrição (Barilla Center for Food and Nutrition Foundation, BCFN): https://www.barillacfn.com/ (em inglês ou italiano).

Livro/ e-book "Eating Planet" referido no vídeo: https://www.barillacfn.com/en/dissemination/eating_planet/ 

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Mensagem  publicada a 6 de novembro de 2016, republicada em 16 de outubro de 2018, Dia Mundial da Alimentação