quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

A magia de uma caixa de sapatos


A iniciativa "Operation Christmas Child" da organização cristã "Samaritan's Purse" demonstra a alegria e a magia que pode gerar um simples presente numa simples caixa de sapatos, quando oferecida a crianças que não têm quase nada.

Tem havido polémica com esta campanha devido aos objectivos evangelizadores que estão subjacentes à iniciativa. Mas não é disso que vim falar. Só vos quis mostrar a alegria estampada na cara das crianças!


FELIZ NATAL

domingo, 20 de Dezembro de 2009

Um Presente de Esperança

A propósito do Dia Internacional da Solidariedade, deixo aqui a minha frase preferida, que é de Gandhi:

"No mundo há riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para alimentar a ganância de cada um"



"Vivemos num mundo em mudança.
Vivemos num mundo incerto.
Vivemos num mundo faminto.
Ajudando as pessoas a ajudarem-se a si próprias.
Tornando a fome em esperança.
Porque o futuro é agora!"


Estamos na época de Natal, em que o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus, e que representa o enaltecimento dos bons sentimentos como o amor, a amizade e a compaixão. Fruto de uma determinada economia, há mais de meio século que o Natal se vem transformando numa época de comprar e dar presentes, cuja febre e azáfama crescente levou a que muitas pessoas se tenham esquecido do seu verdadeiro sentido.
No entanto, nesta mesma época de Natal, mais de mil milhões de pessoas sofrem de fome crónica. E só no dia de Natal, mais de 14 mil crianças estão condenadas a morrer de fome.

Neste Natal, reserve uma parte do dinheiro que destina a presentes para dar o presente com mais significado, dar a uma pessoa que nunca conheceu. E não precisa de sair, pode dar on-line. Dando 50 dólares (35 euros), está a dar o almoço escolar a uma criança durante um ano. Mas há outros presentes de esperança que pode dar.

Ajude o Programa Alimentar Mundial (WFP). "Give the Gift of Hope".
Dê o Presente da Esperança.

sábado, 19 de Dezembro de 2009

COP15 acaba sem acordo global

Transcrevendo parte de um artigo do Estadão de hoje:

«COP acaba sem acordo e negociação fica para novembro de 2010
COPENHAGUE - A 15ª Conferência das Nações Unidas (COP-15), que terminou oficialmente neste sábado em Copenhague, ficou sem um texto final depois de o plenário recusar o acordo costurado na noite anterior entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul. O documento já era considerado pífio porque não previa metas para os países reduzirem as emissões de gases-estufa até 2020. Trazia só um compromisso de impedir a elevação da temperatura em 2°C, sem dizer como seria atingido.
Com isso, a tentativa de fechar um texto que permitisse que os países, principalmente os desenvolvidos, fossem cobrados internacionalmente pelo cumprimento das metas ficará para 2010, quando está marcada nova reunião no México.
O “acordo de Copenhague”, documento firmado por EUA, China, Brasil, Índia e África do Sul, cristalizou o fracasso de duas semanas de negociações diplomáticas e foi recusado ontem pela manhã. Mesmo com 24 horas de debates além do previsto, o documento, permeado de críticas de delegados, foi denunciado por países em desenvolvimento e acabou rebaixado a um adendo da edição de 2009 da Convenção do Clima (UNFCCC).
(...)
Ao longo da manhã, autoridades internacionais tentaram minimizar o fracasso. Ban Ki-moon, secretário-geral das ONU, afirmou em pronunciamento que “a estrada ainda será muito longa”, mas elogiou o documento.
Yvo de Boer, secretário-geral da UNFCCC, disse não concordar que o “acordo de Copenhague” seja uma ruína e chegou a classificá-lo como “forte”. Ao final, entretanto, cedeu, ao responder a um jornalista britânico sobre as ambições da COP-16, em novembro de 2010: “O que temos de tentar alcançar no México é tudo o que deveríamos ter alcançado aqui.”»

Queríamos um acordo global, justo, ambicioso e vinculativo. Queríamos estabelecer a meta de 350 ppm de CO2 para 2100. Em Copenhaga não obtivemos nada disso. Mas não desistiremos.

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

As opiniões e as crenças sobre o clima...

As opiniões valem o que nós quisermos que elas valham. Na edição do passado fim de semana, do semanário Expresso, devido ao tema do momento a que se dedica a Conferência de Copenhaga, um dos assuntos sobre o qual são emitidos artigos de opinião é o ambiente (e as alterações climáticas).

Alguns jornalistas estão muito incomodados com o impacto que as organizações ambientalistas estão a ter na opinião pública, acusando o ambientalismo de "religião", de crença.

É o caso de Henrique Monteiro (É o Clima uma Ideia Religiosa?), que afirma "que me parece existir no discurso ambientalista uma espécie de religião travestida de ciência". Diz ainda que quando vê toda a gente do mesmo lado da amurada, tende a ir para o outro lado. Não será isto também uma crença nas minorias? No entanto, diga-se que Henrique Monteiro julga que toda a gente tem direito a praticar livremente uma religião, ainda que pareça absurda, e não põe em causa o trabalho a favor do ambiente, apenas pretende é mais provas do que nos é dito como inevitável. É possível que ele não chegue a ver essas provas. Também é possível que nunca, como em muitas outras teorias, se chegue a apurar a verdade da correlação entre a concentração dos gases de estufa e as alterações climáticas.

Há também a opinião de Henrique Raposo (Duendes e Bagas), que afirma que "O ambientalismo é mesmo uma religião oficial, e até já tem personalidade jurídica". Além disso, diz que sabe do que fala ao afirmar que o ambientalismo é uma crendice retrógrada. Está muito preocupado com as questões alimentares, pois os ambientalistas querem que vivamos numa Quaresma de 12 meses. E parece ainda mais preocupado que os "religiosos" tomem decisões políticas, pois acha que "devemos desconfiar sempre das intenções dos monoteístas, venham elas com anjos ou duendes, venham elas com freiras ou com a Quercus". Parece-me que este senhor é um fervoroso crente na "religião" do consumismo, mas como para além do deus do consumo também parece adorar o deus da boa mesa, então não será uma religião monoteísta, o que dá lhe alguma coerência...

Uma opinião diferente é a de Daniel Oliveira (A Dúvida), que transcrevo a seguir:

"Seria necessário imaginar uma cabala sem precedentes para explicar porque quase toda a comunidade científica que estuda o fenómeno entrega a sua credibilidade à tese da influência humana no aquecimento global. Perante isto, a estratégia negacionista passa por instalar a dúvida. E a dúvida faz todo o sentido em relação a qualquer tese científica. Só há um pequeno problema: a dúvida, neste caso, tem a perna demasiado curta e não podemos esperar para ver. Só nos calhou este planeta em sorte. Não teremos outro para corrigir os nossos erros.
No entanto, a dúvida funciona aqui como uma extraordinária eficácia. O que temos de fazer implica um esforço descomunal. Mudar estilos de vida, mudar de formas de produção, perder dinheiro. E se isto não for verdade? Na dúvida, talvez seja melhor não fazer nada. Tentador, não é?
Claro que entre os negacionistas haverá de tudo. Desde os que acreditam genuinamente que estamos perante a patranha do século até aos que olham para a bolsa e acham que o planeta pode esperar pela sua vez. Mas estou convencido que o que move a maioria, como tantas vezes acontece na resistência às evidências científicas, é a ideologia. A ideia de que o mercado, acima de todas as outras coisas, comanda a vida. Que tudo - as pessoas, o tempo, a cultura - é um bem consumível. E se assim é com tudo seria uma maçada se assim não fosse com o primeiro de todos os bens: o planeta. Não são apenas as consequências económicas e políticas que os preocupam. São as consequências morais e filosóficas. E se antes de vender e comprar, de consumir e gastar, fossemos mesmo obrigados a cuidar?
"

Sabemos que há outros efeitos naturais a interagir com o clima, muitos deles exteriores à própria Terra. Mas se os gases de estufa são responsáveis pelo ameno clima actual (se não existissem, a temperatura média da Terra seria muito negativa e a maioria das espécies actuais não existiria), por que é que o aumento da sua concentração não provocaria um aumento da temperatura média global? Há também umas leis da física que me parece estarem a ser desafiadas: alguém achará que a Terra, sendo finita, aguentará muito tempo com o crescimento exponencial que a população humana e o consumo dos seus recursos estáo a ter? É de esperar que a natureza reaja à acção predatória que a espécie humana tem tido.

Numa das conferências que assisti num congresso, o biólogo David Avelar da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, perguntou: em que casos, na natureza, se dá um crescimento exponencial como o que se tem verificado no aumento da população humana e respectivo consumo de recursos? E respondeu: apenas nas pragas e nas infecções; e o que acontece a seguir? o decaimento abrupto da população invasora...

Alguns dizem que é preciso sermos muito convencidos para podermos achar que conseguimos interferir com o clima! Mas, bactérias e minhocas interferiram...

Se é verdade que todos têm o direito a uma religião, por mais absurda que seja, o mesmo se passa com a opinião. E a minha opinião é muito próxima da de Daniel Oliveira. É bem possível e provável que o aumento da concentração de gases de estufa interfira na temperatura média da Terra e por conseguinte, no clima. Não, não se trata de religião, mas se isto ou o ambientalismo (que são coisas bem diferentes) fossem religiões, então o consumismo e o capitalismo também o seriam.

Isto é apenas uma opinião, e por isso, vale o que vale!

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Amazónia a saque

O seguinte texto refere-se a um projecto lei chamado 6424 que querem levar a votação enquanto o Brasil e o mundo estão distraídos com Copenhaga, que prevê amnistia a atentados ambientais na Amazónia e a redução da área da Amazónia Legal em mais de 20%.

O alerta aqui ao Sustentabilidade é Acção foi dado pela Liete Alves do blogue brasileiro Minha Casa Meu Mundo, e o texto foi extraído do site da Greenpeace Brasil.

"O que diz o projeto de lei – O texto redigido por Marcos Montes anistia os desmatadores de todos os crimes ambientais até 2001. Ou seja, revoga a legislação florestal, livrando os desmatadores das multas e das obrigações legais de recuperação, compensação ou regeneração das áreas desmatadas.
O projeto de lei também quer reduzir a Amazônia Legal em 1 milhão de quilômetros quadrados. Hoje ela corresponde a 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Se o projeto de lei for aprovado, essa área cai para 4,1 milhões de quilômetros quadrados. O que implica dizer que os proprietários que hoje têm de manter uma reserva legal em 35%, com a manobra terão de manter apenas 20%.
Só com essa cartada uma área equivalente a 150 mil quilômetros quadrados – mais de 3 vezes a área do Estado do Rio de Janeiro - fica liberada para desmatamento. O PL prevê também a redução da área de reserva legal na Amazônia de 80% para 50% e libera a plantação de exótica na metade da área a ser recuperada."

Leia mais e veja como pode ajudar no site da Greenpeace Brasil .

Abaixo fica uma curta notícia de 01/10/2008 na RTP1, só para dar uma noção da dimensão da desflorestação da Amazónia que vem ocorrendo.

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Congresso dos Arquitectos e Sustentabilidade

Decorreu em Vila Nova de Famalicão, nos passados dias 10 a 12 de Dezembro, o 12º Congresso dos Arquitectos. O tema foi "Arquitectura para todos: por uma Política Pública de Arquitectura para Portugal".

Um dos subtemas em discussão foi o "Combate às Alterações Climáticas e Sustentabilidade de Cidades e Edifícios". O arquitecto catalão Ignazi Pérez Arnal, um dos oradores convidados, fez uma excelente abordagem da relação da arquitectura com a sustentabilidade, tendo referido a carência de investigação científica nesta área e tendo afirmado que em Espanha, com 28 escolas de arquitectura, entre públicas e privadas, apenas uma tem uma disciplina de sustentabilidade como obrigatória. Neste aspecto, não sei como está o panorama dos cursos portugueses de arquitectura em Portugal, mas desconfio que não seja melhor. Assim, acho que merecem destaques as conclusões do congresso no que se refere a este subtema, e que a seguir transcrevo:

"A sociedade contemporânea enfrenta uma clara mudança de paradigma comparável à resultante das alterações introduzidas pela revolução industrial e, assim sendo, a arquitectura, o seu ensino e a sua prática têm que enfrentar esta mudança. Para isso deverá:
* Implementar formação obrigatória e contínua na área das novas tecnologias no combate às alterações climáticas a ser concluída até 2012;
* Criar uma agência de ecologia urbana que promova bons exemplos de construção sustentável, a elaboração de documentação de apoio de fácil compreensão para o público em geral, a transmissão de conhecimento aos futuros utilizadores, a certificação ambiental de planos e projectos enquadrada em novos âmbitos legais, e o apoio a investigação;
* Incluir arquitectos com formação e prática comprovadas em sustentabilidade ambiental em todos os processos de criação ou revisão de legislação sobre urbanismo e construção."

Não posso também deixar de referir a excelente conferência "Bogotá Y Medellín: Una Década de Transformaciones Urbanas Y Arquitectónicas", em que foi orador o arquitecto colombiano Alberto Escovar Wilson-White: uma apresentação de factos e imagens da história de duas cidades da Colômbia com índices de criminalidade verdadeiramente assustadores para um europeu, e como foi possível a sua forte redução no espaço de uma década, com a ajuda da arquitectura e do urbanismo, com a participação dos cidadãos e com vontade política. O tema desta conferência, no que se refere a Bogotá, ganhou o Leão de Ouro na categoria Cidades: Arquitectura e Sociedade na 10ª Bienal de Arquitectura de Veneza, em 2006.

sábado, 12 de Dezembro de 2009

Este Natal não mate o ... Natal!

Ouvia o papel dos embrulhos a ceder ante as investidas dos pequenos. Cada rasgão era seguido dum ponto de exclamação … "olha, olha … um jogo para a WI!", "e eu, e eu … três jogos para a Portable!". E ainda lhes faltava descobrir as sapatilhas da VANS mais as NIKE, um telemóvel para cada um prenda dos avós, a colecção inteira dos DVD’s do Naruto, mais o CD da Rihana, a camisola da DESIGUAL, e bem lá no fundo a Playstation 3 mais o GUITAR HERO, o jogo do DJ … e depois as prendas da mulher, dos sogros, dos pais, dos sobrinhos. E certamente que alguém lhe tinha comprado alguma para ele.
Tudo graças à secreta parceria que ele fizera com a MASTERCARD, embora suspeitasse que a mulher tinha feito outra com o VISA.
Mas como festa é festa, na véspera trataram-se como marajás. Bacalhau (imposição da sogra), peru assado, marisco, polvo e doces em cascata. Só de doces havia gasto para cima de 200,00€ na pastelaria do Senhor Manuel, mais o champanhe da MUM e o vinho tinto. Como não conseguira decidir entre CARTUXA e o DUAS QUINTAS, encomendara seis garrafas de cada. Era um pragmático
Já ao fim das escadas ouviu um berreiro monumental. "Que se passará?", pensou acelerando o passo. A sala era uma Amazónia de papel amarrotado, fitas desfeitas, prendas espalhadas e a miudagem toda em alvoroço. Uns de lágrima no canto do olho, o mais pequeno confirmado como o autor do berreiro, todos em bolandas à procura dos bonecos do Presépio. Neste não só faltava o Menino, como toda a Família, mais um burro, dois anjos e um camelo. No meio, um papel.
Baixou-se, pegou nele, desdobrou-o e … tinha lá escrito:
"Fomos embora. Pediremos asilo provavelmente junto dos sem-abrigo ali do fim da rua. Nesta casa já não mora o Espírito de Natal, antes o da OSTENTAÇÂO. Antes, ninguém nos tapava com prendas, agora ficamos cercados como presos num campo de concentração. Todos rivalizam com todos a ver quem mais prendas dá, mas se olharem bem fundo verão que muitas vezes é uma forma de CALAR A CONSCIÊNCIA. Adeus!"
Ficou ali junto à árvore em silêncio. Era verdade. Tudo.
Reprimiu uma lágrima, porque um homem não chora, mas lembrou-se que noutros tempos corria jardim fora atrás dos filhos. Agora corria à frente deles, fugindo e tapando o vazio com prendas!

sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Sábado dia 12 - vigília à luz das velas

No sábado dia 12 de Dezembro (amanhã), pessoas de todo o mundo irão unir-se em mais de 3.000 vigílias à luz das velas em cerca de 130 países, por um verdadeiro tratado na cimeira de Copenhaga. É o movimento “The World Wants a Real Deal”, coordenado pela campanha TckTckTck com a colaboração da Avaaz.org. De acordo com a página da Avaaz, em Portugal estão inscritos 51 eventos em 32 cidades. Vou referir-me, no entanto, aos eventos de que tomei conhecimento noutras páginas (o link está no nome da cidade):

Em Braga - Às 18.30 na Avenida Central, junto à fonte luminosa

Em Lisboa -As 17.30 na Praça do Rossio, que tem a colaboração da Quercus

Em Faro - Às 18.00, a pé na Doca de Faro, ou de canoa na Ria Formosa (neste caso comparecer às 17h30 no Sport Faro e Benfica, também na zona ribeirinha da cidade)

As negociações em Copenhaga estão difíceis e longe do desejável, vamos lembrar aos líderes que estão em Copenhaga que estamos atentos.

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Dia dos Direitos Humanos

Foi em 10 de Dezembro de 1948 que a Assembleia das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. São 30 artigos onde são enunciados os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais. Pode ver aqui um interessante vídeo com os princípios dos direitos humanos.
O Dia dos Direitos Humanos 2009 tem como tema a discriminação, e como lema "Embrace Diversity, End Discrimination".

Para relembrar, fica aqui o artigo 2º que continua, tal como outros, sistematicamente a não ser respeitado em tantas partes do mundo, hoje, 61 anos depois.

"Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania."




Este é o discurso de Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, no vídeo acima (tradução livre):

"Nenhum país está livre de discriminação. Vemo-lo em toda a parte, em muitas formas. Lutas étnicas. Discursos de ódio. Xenofobia. Os seus alvos incluem mulheres, crianças e pobres. Migrantes. Minorias de todos os tipos. Eles são vistos como "diferentes" e excluídos da sociedade dominante. Mas eles não estão sozinhos. A ONU está com eles. As Nações Unidas estão comprometidos com a defesa dos direitos de todos, e particularmente os mais vulneráveis. Essa é a nossa identidade e nossa missão. Discriminação é proibida por tratados internacionais. Mas compromissos abstractos não são suficientes. Precisamos enfrentar a desigualdade e a intolerância, onde quer que elas se encontram. No dia dos Direitos Humanos, apelo às pessoas de todo o mundo para aderirem à luta contra a discriminação."

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Vamos mudar de rumo

Vale a pena ler o texto de Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor universitário brasileiro, que, estando já divulgado em tantos sites, me vou atrever a transcrever por inteiro para aqui:

"O que está em jogo em Copenhague?

Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptarmo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos.

O normal seria que a humanidade se pergunta, tal como um médico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.

É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas, mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os países industrializados; e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os países pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.

Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas, não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.

Tem razão a Carta da Terra quando reza: "Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo... Isto requer uma mudança na mente e no coração". É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.

De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.

Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.

Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.

Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.

Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho, comprometeremos nosso futuro.

Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra. No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir."

Leonardo Boff, 07/12/2009, (Fonte: Adital, O Globo, Altermundo, Eco-Consciência )

Pergunte à COP15

No próximo dia 15 de Dezembro, na Conferência de Copenhaga sobre Alterações Climáticas, um painel de líderes e activistas irá responder a perguntas de cidadãos do mundo. O debate está a ser preparado e será transmitido pela CNN e pelo Youtube. Uma das perguntas pode ser a sua. Para submeter uma pergunta (em texto ou vídeo), ou para votar numa pergunta já formulada, vá a http://www.youtube.com/cop15. Até ao dia 14 de Dezembro.


terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Vídeos de alerta para o clima

Dois vídeos dirigidos pelo realizador belga Nic Balthazar, gravados na praia de Ostende, Bélgica, alertando para a necessidade de acção em relação às alterações climáticas. Na filmagem do vídeo para a campanha "Dance For The Climate", que ocorreu no passado dia 29 de Agosto, 100 dias antes do início da Cimeira de Copenhaga, participaram mais de 11.000 pessoas. O filme para a campanha "The Big Ask" foi gravado a 10 de Agosto de 2008 e nele colaboraram mais de 6000 pessoas.



segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Marcha pela Erradicação da Pobreza e Exclusão Social

Do blogue Marcha pela Erradicação da Pobreza e Exclusão Social, onde pode consultar o itinerário e mais informações sobre esta marcha:

"2010 é o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social. Embora o ano só comece no dia 1 de Janeiro, um conjunto de Associações de Solidariedade Social está a organizar uma marcha solidária para antecipar a sua divulgação. Porque a Pobreza é uma violação dos Direitos Fundamentais, dia 17 de Dezembro, pelas 19h30 vamos encontrar-nos na Praça Luís de Camões e desfilar em direcção à Rua Augusta, onde se encontra uma réplica de um monumento em honra das vítimas da fome, da ignorância e da violência. Dia 17 de Dezembro, junte-se a Nós! Traga uma vela e faça parte desta marcha!"

Filme de abertura da Cimeira de Copenhaga

domingo, 6 de Dezembro de 2009

A Pegada Humana USA

Na quinta-feira dia 4 à noite, passou na RTP2 o documentário "National Geographic: The Human Footprint USA" . Vendo-o, fica-se com a ideia bastante real do que um americano médio consome ao longo de uma vida - assustador! Se todos os habitantes da terra consumissem como os americanos, precisaríamos de 5 planetas. Os europeus, apesar de serem, também muito consumidores de recursos, têm uma pegada ecológica média de cerca de metade dos americanos, ou seja o seu consumo é também insustentável. Enquanto uns consomem em demasia, desperdiçam, fazem lixo, usam luxo, noutras partes do planeta vive-se com o mínimo ou morre-se de fome. Dá que pensar!

De acordo com a informação do site da RTP2, este documentário será exibido amanhã, dia 7/12, às 16.02 horas. Ficam aqui 5 de 6 partes que encontrei no Youtube (falta a parte 3).









sábado, 5 de Dezembro de 2009

A 11ª Hora

Hoje passou mais uma vez na RTP2 o fabuloso filme documentário HOME, lançado no passado dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, e de que já falamos aqui mais do que uma vez.

Amanhã, dia 6 de Dezembro, às 20.30 será transmitido também na RTP2 o filme documentário A 11ª Hora, "produzido e narrado por Leonardo Di Caprio, conta com a participação e o testemunho de dezenas de conceituados cientistas nesta luta pelo restabelecimento do equilíbrio da relação entre a humanidade e os ecossistemas".

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

The Story of Cap & Trade" - o negócio do carbono

Com a aproximação da Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas, tem crescendo também a minha preocupação com o que lá se passará e o "negócio" com as emissões de carbono.

Ontem, James Hansen, climatologista americano e um dos primeiros cientistas a alertar para o aquecimento global nos anos 80, lançou a polémica (AFP, Público), ao afirmar que mais vale a Cimeira de Copenhaga fracassar do que seguir pelo caminho que leva, pois a abordagem está completamente errada.

Neste vídeo, Annie Leonard (que já conhecemos de A História das Coisas), faz uma crítica ao actual estado das negociações sobre o mercado internacional de carbono, alertando para os perigos que os negócios com as compensações podem acarretar para os países menos desenvolvidos e para as empresas mais pequenas. É uma pena que não esteja ainda traduzido para português.
The Story of Cap & Trade foi realizado por The Story of Stuff Project & Free Range Studios, em parceria com Climate Justice Now! e com Durban Group for Climate Justice.



Como diz Annie Leonard, o diabo, está nos detalhes. Veja no filme quais são.

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Que temos a ver com a corrupção?

Corrupção = Abuso do poder em proveito próprio

Acabar de vez com a corrupção é tarefa impossível, tal como o é acabar definitivamente com a violência. Mas reduzi-la à expressão mínima, deixando de a considerar "aceitável" na nossa esfera de acção é o primeiro passo para uma democracia saudável, e fundamental para a sustentabilidade económica e justiça social. Porque acima de tudo, corrupção é falta de honestidade.



Sobre este assunto, recomendo a leitura do artigo do Professor Germano Marques da Silva no ionline: "O combate à corrupção passa por todos e cada um de nós", do passado dia 9 de Novembro, e do qual transcrevo dois parágrafos (destacado meu):

"(...) A democracia, sendo tolerante, não é permissiva, é exigente no respeito dos valores que a sustentam, é intolerante com a violação da legalidade. Por isso, costuma-se dizer que a corrupção é o cancro da democracia porque, desprezando as leis e as instituições, violando a ética e a justiça, corrompe o ideal democrático da subordinação do egoísmo individual ao bem comum. (...)
Denunciar os corruptos não é bufonaria, é civismo, mas o melhor combate, a prevenção mais eficaz, passa simplesmente por cada um cumprir o seu dever e não tolerar na sua esfera de acção que outros o não façam. Comecemos, pois, por fazer com que o nosso pequeno espaço seja livre de qualquer tipo de corrupção porque, se muitos o fizerem, as autoridades democráticas, as polícias, o Ministério Público e os tribunais chegam para o resto.
"

O seguinte vídeo fez parte da campanha conjunta promovida pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas de Santa Catarina, Brasil, tendo como alvo principal as crianças e os jovens. Uma boa ideia a seguir. Tal como Germano Marques da Silva acaba o seu artigo: "Tudo começa pela educação dos pequeninos..."



Todos sabemos que o problema da corrupção não afecta só o Brasil, por isso, como costumo dizer e como diz Germano Marques da Silva: façamos cada um a nossa parte.

domingo, 29 de Novembro de 2009

F-Gases - os super-gases com efeito de estufa

Os hidrofluorocarbonetos (HFC´s ou F-gases) têm sido cada vez mais utilizados nos sistemas de refrigeração como alternativa aos CFC's (clorofluorocarbonetos), estes prejudiciais à camada de ozono. Infelizmente, são poderosos gases de efeito estufa com longas vidas na atmosfera.



O vídeo é da Greenpeace, bem como a iniciativa da petição para que estes gases sejam também considerados na Cimeira de Copenhaga.

sábado, 28 de Novembro de 2009

Campanha do Banco Alimentar e Dia Sem Compras

«Bancos Alimentares realizam mais uma Campanha de recolha de alimentos em 28 e 29 de Novembro.
(...)
Em 17 regiões do país (Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Beja, Aveiro, Abrantes, São Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve, Portalegre, Braga, Santarém, Viseu e Viana do Castelo), cerca de 25 mil voluntários unidos pela mesma causa, estarão à porta dos estabelecimentos comerciais a convidar os portugueses a doarem as suas contribuições em alimentos

«Um dia inteiro sem comprar nada é o desafio que várias organizações lançam aos consumidores no sábado, "Dia sem compras", assinalado em Portugal com iniciativas de rua de reflexão sobre o consumismo desenfreado
(Fonte: ionline)

Acho muito bem que se reflicta sobre o consumismo desenfreado, e acho muito bem que se se crie um "Dia" para reflectir sobre o assunto. Ao comprarmos o que não necessitamos, estamos a contribuir para esgotar os recursos do planeta e simultâneamente para o poluir mais - sem necessidade. É bom que reflictamos mesmo, porque nos incutiram um sistema de vida assim, mas uma sociedade que privilegia a moda e o consumo acima de qualquer coisa, acima do bem do ambiente e da justa repartição dos recursos do planeta, está a dar sérias provas de insustentabilidade ambiental e moral. Reflictamos, pois.

Agora, a coincidência do "Dia Sem Compras" com o primeiro dos dois dias para a recolha de alimentos nos supermercados para o Banco Alimentar Contra a Fome, que há muitos meses está programada, é completamente infeliz. Eu sei que a iniciativa já existe nos EUA há 10 anos (Buy Nothing Day), e que o dia é internacional, mas que não calhou bem, isso não.

Se precisa de ir ao supermercado, não fique indiferente aos voluntários que ali estão a ajudar com o seu trabalho. E se quer aderir ao "Dia Sem Compras", pode ajudar o Banco Alimentar amanhã. Ou através de donativo.

O essencial é mesmo formular uma pergunta antes de comprar: "Eu preciso mesmo?"

quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Capitalismo: Uma História de Amor

Estreia hoje em Portugal o mais recente filme documentário de Michael Moore, "Capitalismo: Uma História de Amor". Uma história de amor entre o sedutor Capitalismo e uma seduzida, apaixonada e cega América. Já aqui tínhamos falado numa relação semelhante.
Tenciono ver este filme, já que considero o "capitalismo" um dos grandes culpados pelo mau estado do nosso planeta, e já que Michael Moore sabe pegar e expor muito bem os seus temas de intervenção social. Abaixo, fica o trailer, e aqui o cartaz com os cinemas em que está em exibição. Para saberem mais um pouco sobre o filme, para além da sinopse, leiam o texto de Ana Margarida de Carvalho no blogue de cinema da Visão, Final Cut.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

História de histórias

Leiam o texto de Ecila no post "O perigo de uma única história" no blogue Alice in My Head, e vejam o filme que lá está até ao fim. São 18 minutos em que a nigeriana Chimamanda Adichie conta uma fabulosa história de histórias, que tal como Ecila diz, vale mesmo a pena ver (tem legendas em várias línguas, inclusive em Português de Portugal e do Brasil).

O poder das histórias e o perigo de uma só história. Eu adorei.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

A origem das espécies - 150 anos

Faz hoje, dia 24 de Novembro, 150 anos que foi editada a primeira edição do livro "A Origem das Espécies", no ano em que faz 200 anos desde o nascimento do seu autor, Charles Darwin.

"A Origem das Espécies, do naturalista britânico Charles Darwin, é um dos livros mais importantes da história da ciência, apresentando a Teoria da Evolução, base de toda biologia moderna. O nome completo da primeira edição (1859) é On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or the Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (Sobre a Origem das Espécies por Meio da Selecção Natural ou a Preservação de Raças Favorecidas na Luta pela Vida). Somente na sexta edição (1872), o título foi abreviado para The Origin of Species (A Origem das Espécies), como é popularmente conhecido." (Fonte: Wikipedia)

Tanto Darwin como Lamarck, seu predecessor na teoria evolucionista, pressupunham que o meio ambiente era o veículo fundamental para que ocorresse a evolução das espécies. No processo de evolução natural, muitas espécies foram extintas, muitas outras apareceram, fruto de uma melhor adaptação às adversidades do meio.

Hoje, a grande maioria das adversidades do meio com que as espécies em risco de extinção são confrontadas, são provocadas únicamente por uma espécie: o efeito modificador, desequilibrador e devastador que, sobretudo nos últimos dois séculos, o homo sapiens tem tido no planeta.

A evolução natural levou as espécies desde a origem da vida até ao homo sapiens.
Para onde levará o homo sapiens as outras espécies?

Limpar Portugal na TSF

Hoje, dia 24 de Novembro, entre as 15.00h e as 16.00h, o Projecto Limpar Portugal vai ser o tema do programa "Mais Cedo ou Mais Tarde" de João Paulo Meneses na TSF.
Frequências: http://tsf.sapo.pt/programas/frequencias.aspx
Emissão online: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/EmDirecto.aspx

Registe-se na rede Limpar Portugal e ajude nesta iniciativa. Não é só limpar as lixeiras das florestas num só dia, é também um acto cívico de participação e de consciencialização por um país mais limpo no futuro.

Cerca de 40% dos quase 16 mil voluntários inscritos na rede ainda não aderiram a um grupo local. Se é o seu caso, agora é muito mais fácil encontrar o grupo do seu concelho - verifique na página inicial da rede (http://limparportugal.ning.com/) - é só clicar no distrito e depois no concelho. Só registado num grupo poderá acompanhar devidamente a organização e distribuição de tarefas, ajudar na preparação e angariação de apoios e estar informado das reuniões do grupo.

domingo, 22 de Novembro de 2009

Animais de estimação e o planeta

Uma colega da minha filha mais velha enviou-me o link de um artigo do i-online do passado dia 14, intitulado "Animais de estimação prejudicam o planeta. Será?". Acrescentou, que tem 3 cães e que considera isto um exagero, e que há situações bem mais graves para o meio ambiente. Basicamente, concordo.

Segundo o artigo, o casal de investigadores neozelandeses tem como tese que se gastam muitas toneladas em alimentação dos cães (e gatos), e que por isso a sua pegada ecológica é muito grande. Aqui está um extracto do artigo:
"Robert e Brenda Vale revelam ainda que alimentar um cão sai mais caro ao meio ambiente do que a dieta de um etíope ou de um vietnamita. A solução para salvar o meio ambiente, segundo a teoria do casal Vale, passa pela adopção de outro tipo de animais que não os tradicionais cães, gatos ou hamsters. A aposta mais ecológica são os peixes vermelhos, as galinhas ou os coelhos de estimação. Além de terem um impacto "quase nulo" no meio ambiente, ainda podem ser reaproveitados - ou seja, comidos."

Parece-me também um exagero levantar-se essa questão nesses termos. Não sei se o artigo deturpa ou não a essência da investigação, mas aconselhar as pessoas a substituir cães por peixes ou galinhas parece-me absolutamente ridículo. Eu não tenho cão ou gato de estimação, já tive, conheço muita gente que tem, e posso garantir que são totalmente diferentes dos peixes ou galinhas, quer fisiologicamente, quer na relação que têm com as pessoas.

Isto não invalida que seja verdade que o que muita gente gasta com o seu animal de estimação poderia evitar que morressem à fome, não uma, mas várias pessoas. Assim como o que gasta com o carro, com o aquecimento, com electrodomésticos, com telemóveis, com perfumes, com um monte de compras supérfluas, ... podia ficar aqui a enumerar infinitamente...

Se considero ser necessário que existam pessoas "radicais" para levantar certas questões e para nos obrigarem a pensar, também acho necessário o bom senso.
Os animais domésticos também fazem parte do planeta, da biodiversidade e têm direito à vida. E muitas vezes são eles que ajudam muitas pessoas a terem um pouco mais de felicidade.

Sei que há grandes exageros, de pessoas que gastam imenso dinheiro em luxos para os seus animais; no entanto, há muitas mais pessoas a gastar muito mais em muitos outros luxos desnecessários.

Não precisamos de "abrir mão" dos nossos amigos cães e gatos. Precisávamos era de abrir mão de luxos supérfluos e canalizar o dinheiro que com eles gastaríamos para ajudar a acabar com a fome e miséria neste planeta.

sábado, 21 de Novembro de 2009

Agradecimentos blogosféricos

Este blogue tem sido muito acarinhado por outros interessantes blogues deste universo virtual, mas muito real, designadamente com a atribuição de selos, prémios e desafios, que muito nos enchem de orgulho, embora sem sabermos se os merecemos de facto. Nem sempre é possível publicar atempadamente essa amabilidades, sobretudo pela responsabilidade que acarretam na sua distribuição. São muitos os blogues que nos merecem também esse carinho, uns dedicados ao ambiente, outros dedicados a questões sociais e políticas, ou mesmo de opinião. Fica aqui o nosso sincero agradecimento a todos quantos têm tido a amabilidade de nos indicar, designadamente:

Ao CONSCIÊNCIA EFERVESCENTE pelo selo "Esse blog merece um óscar":



Aos blogues CONSCIÊNCIA EFERVESCENTE, E ESSE TAL MEIO AMBIENTE?, POR UM MUNDO MELHOR, PENSAR ECO, É LÓGICO, MIMIRABOLANTES e FAUNA DO CERRADO E OUTROS ANIMAIS pelo selo "Blogueiros unidos em prol de um mundo melhor":



Ao blogue E ESSE TAL MEIO AMBIENTE? pelo selo "Faça a Diferença":



Aos blogues PENSAR ECO, É LÓGICO, CONSCIÊNCIA EFERVESCENTE e MIMIRABOLANTES pelo selo "Me Ajude a Viver"



Aos blogues PENSAR ECO, É LÓGICO, CONSCIÊNCIA EFERVESCENTE e MIMIRABOLANTES pelo selo "Amizade":



Ao blogue A NOSSA CANDEIA pelo desafio "Um pouco de mim em 5 revelações":



Quero dizer que estou com muita dificuldade nas indicações para os selos. Já nem sei as regras muito bem, mas lembro-me que o selo "Faça a Diferença" é para dar a um só blogue, o que torna ainda mais difícil. O selo "Esse blogue merece um óscar", é para indicar cinco. Os outros, acho que não têm número fixo, mas não sei a certeza. O desafio "Um pouco de mim..." também é para distribuir por 5 blogues, e consiste em completar 5 frases: Eu já... ,Eu nunca..., Eu sei..., Eu quero... e Eu sonho....

Assim sendo, vou distribuir assim:

Selo Esse blog merece um óscar para:
ABIRRITANTE
ADÁGIO
CATHARSIS
CENTOPEIA
NOVO MUNDO
LIVRO DE ANÚNCIOS

Selo Blogueiros unidos em prol de um mundo melhor para:
ADAPTAÇÕES
ALICE IN MY HEAD
ARQUIPÉLAGO DOS ANIMAIS
A ESCADA DE PENROSE
A ESTRADA
BLOGCRONICASDATERESA
CATHARSIS
CHEGATEAQUI
CIÊNCIAS AGORA
CONSCIÊNCIA EFERVESCENTE
CRIAR ALGO POSITIVO ALEGRE INSPIRADOR
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
DIAS IMPERFEITOS
ECONSCIÊNCIA
E ESSE TAL MEIO AMBIENTE?
ESCRITA EM DIA
FAUNA DO CERRADO E OUTROS ANIMAIS
FIO DE PRUMO
FOGUETÓRIO
GREEN SCHOOL
LIGHT
MINHA CASA MEU MUNDO
MIMIRABOLANTES
NA CASA DO RAU
O TEMPO CHEGOU
O ÚNICO PLANETA QUE TEMOS
OFICINA DO BOSQUE
ONDAS 3
PENSAR ECO, É LÓGICO
PLANETA DO BEM
PENSAMENTOS VAGABUNDOS SAFENATURE
SEMPRE JOVENS
SÍNDROMA DE DIÓGENES
TOCANDO SEM TOCAR
VERMELHO COR DE ALFACE
UM BLOG PELO AMBIENTE
VÍTOR CHUVA SHORT STORIES

ABIRRITANTE
A NOSSA CANDEIA
CANÇÕES DA TERRA DISTANTE
COSIMO
ESPAÇO SOLTO
MESA P'RA SEIS
NA CASA DO RAU
OFICINA DO BOSQUE
PENSAMENTOS VAGABUNDOS
RESTOLHANDO

Desafio Um pouco de mim em 5 revelações:

Eu já aprendi que a perfeição não existe mas que a devemos sempre procurar.
Eu nunca achei que a espécie humana fosse a dona do mundo.
Eu sei que o nosso mundo está muito doente.
Eu quero ajudar a melhorá-lo um pouco, por muito pouco que seja.
Eu sonho com a utopia de ele se curar.

E vou desafiar a revelarem um pouco de si os autores dos seguintes blogues:
Parabéns a todos os blogues mencionados neste "post", que apesar de muitos, são blogues que me merecem todo o carinho e atenção. E espero que compreendam que não vá lá avisar, salvo ao que leva o "Faça a diferença", que por ser só a um, não convém quebrar a cadeia. Também, como costumo fazer, não peço que dêem continuidade, fica ao critério da cada um. Obrigada a todos os seus autores por partilharem.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Um grão de areia

Na passada quinta-feira, dia 12, saiu no semanário famalicense Cidade Hoje um artigo de Rui Lima dedicado a este blogue, intitulado «Um “grão de areia” para ajudar a informar e a mudar comportamentos», baseado numa entrevista e que começa assim:

"Nasceu em VN Famalicão, em Março passado, um blogue que versa a Sustentabilidade (http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com) do planeta que habitamos. A importância do tema e o trabalho meritório desenvolvido tem suscitado a curiosidade de muitos, ao ponto do blogue ser referenciado no site do Canal Odisseia."

Quero deixar aqui um agradecimento especial ao Rui Lima, director do Cidade Hoje, pela preocupação com este nosso planeta e pela oportunidade dada de divulgar este tema e este blogue. Assim como pelas palavras de alento.

Dada a importância da última pergunta formulada, que me fez reflectir bastante, vou fazer a sua transcrição para aqui, para que os nossos visitantes possam contribuir para descortinar outros motivos e razões. É uma pergunta muito bem pensada, mas de dificílima resposta cabal. Por isso, espero que me ajudem.

"CH: Ecologia, Ambiente, Fome, Pobreza, (Des)Igualdade... Porque é que ainda continua a haver tanta gente pouco preocupada com estes temas?"

"MA: Precisava de um curso de sociologia e outro de antropologia para lhe responder adequadamente mas, mesmo assim, vou tentar dar apenas uma opinião de leiga.

Em primeiro lugar, o grau de egoísmo das pessoas, mais que uma característica inata é, sobretudo, fruto da sociedade. Basta lembrar o Portugal rural de há 30-40 anos, em que a entreajuda era a palavra de ordem e comparar com as grandes cidades actuais, onde pode estar uma pessoa a morrer de fome e solidão na mesma rua onde passam pessoas que vão comprar um par de sapatos a 500 euros, e que nem sequer a vêem.

Depois, só quando estamos conscientes das forças que nos pressionam a actuar de determinada maneira é que conseguimos tomar a decisão de continuar ou não a agir desse modo. Por exemplo, no capitalismo, a economia de consumo e o seu veículo publicidade, impeliram-nos a "criar novas necessidades" e a comprar cada vez mais para as satisfazer. A maioria das pessoas não está consciente dessas forças externas que modelam o seu comportamento, por isso, nem sequer formulam a hipótese de mudar o modo de agir.

No que respeita à preocupação com o ambiente, apesar da crescente atenção, a verdade é que ainda são muito poucas as pessoas que têm a noção da magnitude do problema e do esforço que precisamos de fazer.

Nas escolas já está a ser feito um trabalho louvável na educação para a protecção do ambiente. Mas é preciso também que se alargue o círculo de intervenção à sociedade civil, aos adultos: se as crianças aprendem na escola uma coisa e vêem em casa outra, o resultado não será muito eficaz.

Quanto às questões de natureza social, que para mim fazem parte do conceito de sustentabilidade, a razão fundamental é mesmo o "egoísmo social", resultado da sociedade em que vivemos. Felizmente, neste campo noto sinais de mudança. Há já uma sensibilização maior para a pobreza e para a fome que está por perto, há cada vez mais associações e organizações para ajudar quem mais precisa. Mas é ainda muito insuficiente para responder às necessidades, que, face às crises económica e ambiental, são cada vez maiores. Sobretudo à escala global. A maioria ainda não tem a noção de que há mais de mil milhões de pessoas a passar fome, que há comunidades inteiras na miséria, que morrem 10 crianças por minuto de fome. E esses não têm ninguém por perto para ajudar.

Usa-se muito a desculpa de que o Estado, a ONU ou as Organizações Não Governamentais é que deveriam cuidar dessas situações. Mas nós é que somos o Estado, a ONU e as ONG's."