domingo, 21 de janeiro de 2018

Bionergias, um tema escaldante!


No passado dia 19 de janeiro, a ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável  e a Associação Famalicão em Transição levaram a Famalicão o debate sobre BIOENERGIA (biomassa, biogás, biocombustíveis), numa sessão Ambientar-se  com o filme:


("THE BURNING ISSUE - When bioenergy goes bad", 2017)

Dinamizaram o debate, Nuno Forner, da ZERO, Jorge Moreira da SEA - Sociedade de Ética Ambiental, e Henrique Zamith de Famalicão em Transição.

Do  Livro Negro da Bionergia 
O documentário apresenta vários casos alarmantes de empresas de bionergia altamente insustentáveis e devastadoras (que não chegam ao público); os números da bionergia apresentados pela ZERO são assustadores, e muito esclarecedor foi o debate.

Em Itália, na Rússia, na Alemanha, na Polónia e em muitos outros países, designadamente europeus, estão a derrubar florestas para queimar em centrais de energia a biomassa. Algumas dessas florestas em áreas que eram protegidas!  E no caso da Polónia, estavam a destruir a última floresta virgem da Europa,  Białowieża

Para além disso, áreas enormes de terras que eram usadas no cultivo de alimentos, agora são destinadas a culturas para biogás, obrigando à importação de mais alimentos. E ainda mais pesticidas e fertizantes de síntese são usados, tornando o solo completamente estéril.

Afinal, estas energias "verdes" facilmente se tornam ainda mais insustentáveis que o petróleo! Muito há a melhorar na legislação e na atribuição de subsidios à bioenergia para impedir a subversão!

No final, a ZERO distribuiu pelos presentes o Livro Negro da Bionergia (descarregue aqui, e veja 8 casos alarmantes sobre as bioenergias) .

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Menos plástico, por favor!

Adaptável, bonito, barato... assim é o plástico que usamos no dia a dia em embalagens, utensílios de cozinha, brinquedos, máquinas, móveis, roupas, etc., etc., ... são milhentas as utilizações destes derivados do petróleo.

O problema... é o que lhe acontece depois. Algum, muito pouco mesmo, vai ser reciclado. Outra parte, vai ser incinerado ou vai encher aterros. Uma parte bem considerável vai ser atirado para qualquer lado e depois vai ser arrastado até aos rios e ao mar. Pelo caminho, são muitas as espécies de animais que vão ser afetadas ou mortas.

É impossível continuar a gastar plásticos desta maneira. O planeta, o mar, não aguentam. 

Vamos fazer um esforço? 

Muitos já levam o saco das compras de casa. Muitos já deixaram de comprar água engarrafada. Que tal agora abolir o uso de palhinhas, copos, pratos e talheres descartáveis? E depois, continuar a reduzir, claro, o caminho ainda é muito longo!

Já agora, veja o vídeo (são só 3 minutos e tem legendas em português) e assine a petição:


Abolir o Plástico descartável em Portugal



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pegada alimentar: Alimentação e ambiente

Crise Ambiental | Pegada alimentar: A alimentação e o ambiente

As nossas escolhas alimentares, para além de interferirem diretamente na nossa saúde, impactam profundamente no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, assim como na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista. Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde (ou a nossa doença), estamos a participar ativamente na construção de um futuro e de um ambiente melhores ou piores, para nós mesmos, e sobretudo, para as gerações vindouras.
Todos sabemos que o mundo enfrenta uma crise ambiental global sem precedentes na história da civilização humana. Provavelmente não sabemos como enfrentá-la, mas ignorá-la será a pior das opções. Tentar compreender o que a causou, refletir sobre o que podemos fazer para contrariar essa crise e agir de acordo com o pensamento informado, é o único caminho viável.
Comer é a necessidade mais básica dos seres humanos (e dos animais em geral), e as atividades que se geram em torno da alimentação produzem mais de 25% dos gases com efeito de estufa, contribuindo para acelerar as alterações climáticas.  Só a pecuária emite 18% dos gases com efeito de estufa, mais do que o setor dos transportes.
A alimentação é a base da nossa subsistência, e é um dos principais motores da economia. A agricultura, a pecuária, a industria alimentar, a indústria química que abastece a agricultura convencional e a indústria alimentar, as empresas farmacêuticas e da biotecnologia que inventam hormonas e transgénicos para acelerar crescimentos e lucros,  as empresas da energia e dos transportes que levam alimentos, matérias primas e produtos, de uns continentes para outros, e o comércio: cadeias de distribuição, revendedores, retalhistas e a restauração, as universidades, todos estes setores da atividade se movimentam em torno dos alimentos, exclusivamente ou inclusivamente.
A alimentação, é, pois, o assunto que mais influencia a crise ambiental, e em tantos níveis que seria preciso um livro para os abranger.  E é neste campo que muito podemos fazer se quisermos contribuir para minorar a crise ambiental atual.  
Se estivermos atentos aos alimentos que compramos, podemos dar um contributo muito significativo. E a que devemos estar atentos? Essencialmente a 3 coisas: 1 – de onde vem, 2 - como foi produzido, e 3 - que tipo de alimento é.
De onde vem?
Quando comemos um alimento que vem da América ou da Ásia, esse alimento teve de ser transportado. E o transporte implica consumo de combustível, o que implica elevadas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases com efeito de estufa. E na maior parte dos casos, desnecessariamente, pois não faltam alternativas de alimentos locais que nos permitem uma alimentação saudável e diversificada, com muito menos impacto no clima e no ambiente.
Por outro lado, quando optamos por alimentos locais e da época, estamos a ter impactos positivos na economia local e no ambiente. Se conseguirmos comprar diretamente do produtor (não é fácil, sabemos, mas em muitos casos é possível), ou em circuitos curtos de comercialização (um intermediário no máximo), estamos a diminuir drasticamente as emissões de CO2 devidas ao transporte. Além disso, os alimentos frescos que são transportados de longe perdem muitas das suas características nutritivas com o tempo de armazenamento e transporte.
Merece aqui destaque o movimento Slow Food, que apareceu nos anos 80 em Itália, mas que já se estendeu a pelo menos 160 países e envolve milhões de pessoas, que visa evitar o desaparecimento de culturas e tradições alimentares locais, promovendo o acesso de todos a alimentos bons, limpos e justos.
Como foi produzido?
Se o alimento foi produzido em agricultura convencional, com o uso de pesticidas e fertilizantes químicos, ou em pecuária intensiva, vai ter seguramente grandes impactos ambientais. Os pesticidas: herbicidas, inseticidas, fungicidas e outros, causam graves danos ao ecossistema, pois matam os organismos essenciais do solo, insetos de várias espécies, inclusivamente polinizadores como as abelhas, poluem o solo, o ar e a água, e entram na cadeia alimentar a vários níveis. Também os fertilizantes químicos de síntese usados na agricultura convencional, as hormonas e medicamentos usados em larga escala na pecuária intensiva acabam por poluir o solo, os lençóis freáticos, as águas dos rios e mesmo os oceanos.
E se o produto for transgénico (ou OGM - organismo geneticamente modificado), ou, no caso de carne, se o animal foi alimentado com produtos transgénicos (o que é a prática corrente)? Nesse caso os impactos no ambiente podem ser enormes – não sabemos – porque não existem estudos para isso, somos todos as cobaias; mas uma coisa já está provada: os cultivos de alimentos OGM ameaçam dramaticamente a biodiversidade, quer pelos efeitos contaminantes da polinização cruzada, que acabam com as variedades alimentares locais e adaptadas, quer porque são produzidos para resistir a herbicidas, o que implica o maior uso dos herbicidas, logo maior contaminação ambiental, quer porque matam insetos e outra fauna essencial e exterminam  plantas que fazem parte dos ecossistemas, alterando os equilíbrios e aumentando a extinção das espécies.
Pelo contrário, quando optamos por comprar produtos oriundos da agricultura biológica, sabemos que foram cumpridas regras de proteção ambiental e de bem estar animal. Na agricultura biológica não são permitidos pesticidas ou herbicidas químicos de síntese, e mesmo os pesticidas naturais só são usados em última instância, pois a saúde do solo e o equilíbrio do ecossistema são a base deste modo de cultivo. E na agricultura e pecuária biológica, não são permitidos, de todo, alimentos ou produtos transgénicos.
Que tipo de alimento é?
Os impactos no ambiente são bem diversificados, consoante a natureza do alimento. Se é carne, só por si, terá um impacto ambiental muito superior ao alimento vegetal. Come-se carne a mais, tanto para a saúde como para o ambiente. Para se produzir um kg de carne de vaca, é necessária uma área enorme de produção do alimento para o animal (soja, milho, …) e são gastos muitos milhares de litros de água para a sua produção. E em muitos casos, como acontece no Brasil, essa área de produção foi subtraída a florestas essenciais ao equilíbrio do planeta, como a Amazónia. A desflorestação é um dos principais fatores do aumento da concentração de CO2 na atmosfera, e a pecuária é um dos maiores fatores de desflorestação.
Com essa mesma área (para a produção de um kg de carne) pode-se produzir muitos kg de alimentos de origem vegetal, e mesmo muito ricos em proteínas, como é o caso das leguminosas. A pegada ecológica alimentar de uma pessoa que costuma comer carne em quase todas as refeições chega a ser 17 vezes superior à de uma pessoa vegetariana; e a pegada de carbono é mais do dobro. Assim, cada vez que optamos for fazer uma refeição vegetariana em detrimento de uma refeição com carne, estamos a ter um impacto muito positivo no ambiente.
No que se refere ao peixe, e sendo Portugal um dos países com maior consumo de peixe per capita, devemos estar muito atentos à sua origem. A sobrepesca de muitas espécies está a levá-las para o caminho da extinção. E a extinção de uma espécie, como por exemplo a sardinha, vai seguramente levar à extinção de muitas outras espécies mais de topo da cadeia alimentar, podendo levar mesmo à morte dos oceanos. Por isso, é muito importante estar informado sobre o consumo sustentável de pescado, para o que recomendo consultar o Guia de bolso para as melhores escolhas de peixes e mariscos em Portugal, e descarregar o Cartão SOS Oceano disponibilizado pelo Oceanário de Lisboa.
Está provado que os vegetarianos têm maior esperança de vida e que a carne em excesso faz mal, mas se gosta de comer carne, saiba que não é preciso ser-se vegetariano para se fazer muitas refeições sem carne ou peixe. É uma questão de se agir de acordo com o que se pensa.
Outros fatores
Para além destes três fatores essenciais: de onde vem, como foi produzido e que tipo de alimento é, os impactos da alimentação no ambiente são também muito superiores quando se trata de alimentos processados, transformados e refrigerados, pelo que é importante comprar os alimentos o mais naturais possíveis; privilegiar o cozinhar em casa, pois para além de contribuir para uma melhor saúde, contribui para um melhor ambiente.
Também muito importante é a maneira como o alimento é apresentado: alimentos excessivamente embalados têm pegadas ecológicas muito maiores, como é óbvio. E se algumas vezes a embalagem se destina a proteger o alimento no transporte, muitas vezes é totalmente desnecessária e reflete uma sociedade de consumo que já nem pensa no básico, no “é mesmo preciso?”.
Será bom não esquecer a minimização do desperdício alimentar. ´Comprar apenas os alimentos necessários – com o uso de uma lista ou planificação das refeições, é uma boa ajuda para reduzir o desperdício; aproveitar as sobras para outras refeições, e encaminhar os resíduos orgânicos para compostagem e produção de composto (fertilizante natural), ajudam a fechar o ciclo e a diminuir a pegada ecológica da alimentação.
Conclusão
O futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer. Deste modo, está na nossa mão ajudar a tornar este mundo melhor através das nossas escolhas alimentares. Ao escolher produtos locais, ao preferir produtos biológicos, ao optar por refeições vegetarianas, ao evitar produtos processados e excessivamente embalados, e ao eliminar o desperdício alimentar, não estamos apenas a cuidar da nossa saúde, estamos também a cuidar da saúde do planeta e das futuras gerações.
Fontes: BCFN ;  Componatura Fantastic Farms FAO Jusbrasil Não no Menu (http://naonomeu.com/2015/07/a-piramide-dupla-1/); Oceanário de Lisboa Slow Food Sustentabilidade é Acção (aqui e aqui).


Texto publicado primeiramente no Jornal Digital  VILA NOVA, em 21/12/2017

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Bionergia, só se for sustentável!

Parem com a queima das nossas florestas e dos nossos alimentos para a  produção de energia!

Na próxima semana, o Parlamento Europeu votará sobre a revisão da Diretiva das Energias Renováveis com o objectivo de minimizar a queima de florestas e culturas agroalimentares, como a soja, a colza e o óleo de palma, para a produção de energia.
As grandes empresas de biocombustíveis e a agricultura em larga escala estão empenhados em continuar a destruir florestas e terrenos agrícolas para produzir bioenergia de forma intensiva.

Imagem de BirdLife
Nós precisamos do seu apoio para contrariar este lobby corporativo!

Os deputados do Parlamento Europeu têm agora uma oportunidade única para acabar com esta loucura e encorajar a utilização de fontes de energia verdadeiramente renováveis, como a eólica, a solar e os biocombustíveis produzidos exclusivamente a partir de resíduos. 

Por favor, diga aos Deputados Europeus que o combustível utilizado nos transportes, no aquecimento ou na produção de eletricidade não pode ser produzido a partir da exploração insustentável das nossas florestas e dos nossos alimentos.

Participe nesta iniciativa em  www.stopbadbioenergy.eu

domingo, 7 de janeiro de 2018

Carta de Famalicão, um recomeço


Na sequência do Encontro «Ação Ecológica, Transição Sustentável e Regeneração» realizado em 7 de outubro de 2017 em Famalicão, foi assinada, por várias associações e movimentos ambientais aí presentes, a  «Carta de Famalicão: O Espírito e as Práticas».

Posteriormente, foi criada uma página internet dedicada à Carta de Famalicão, onde qualquer pessoa que com ela concordasse podia subscrevê-la online (agora em novo site).

http://carta-de-famalicao.webnode.pt/

Neste início de ano 2018, e de forma a dar mais ênfase a  este manifesto, sugerimos que continue a ajudar-nos a divulgar essa Carta e a incentivar os seus amigos e contactos a assiná-la. Obrigada!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O TEMA ESCALDANTE - Quando a bioenergia corre mal (em Famalicão)

Na primeira sessão AMBIENTAR-SE de 2018, a Associação Famalicão em Transição juntou-se à ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável para trazer ao debate a Famalicão, concelho onde se prevê grande central a biomassa, o tema das bionergias com o filme:

"O TEMA ESCALDANTE - Quando a bioenergia corre mal"

("THE BURNING ISSUE - When bioenergy goes bad",  2017, França, 49 min)

19 de janeiro de 2018 (sexta)
21h30
Casa do Território, Parque da Devesa
Vila Nova de Famalicão

Gratuito, entrada livre

Sinopse:

«Era suposto ser o melhor de todos os mundos: energia renovável, limpa, proveniente de matéria orgânica, principalmente resíduos. Mas infelizmente também se tornou a apropriação de terras, a destruição de floresta sem sentido, e um festival de subsídios nacionais que causaram as distorções mais devastadoras que se pode imaginar.  

Neste documentário co-produzido pela BirdLife Europe and Central Asia e pela Transport & Environment, e que a ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável e a Associação Famalicão e Transição apresentam, expõem-se alguns dos resultados que têm tornado soluções ... em problemas.»

Convidados para dinamização do debate:  
Nuno Forner, da ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável 
Jorge Moreira da SEA - Sociedade de Ética Ambiental



Informações: parquedadevesa@vilanovadefamalicao.org / 252 374 184 ou famalicaom@gmail.com

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As sessões AMBIENTAR-SE são uma parceria entre o Município de Vila Nova de Famalicão (Equipa Multidisciplinar de Gestão do Parque da Devesa) e associações locais ligadas à proteção do ambiente, que constam na exibição de um filme de tónica ambiental com debate no final. Estas sessões ocorrerem, por norma, na terceira sexta-feira do mês.   Associações parceiras:

  • AREA - Associação Amigos do Rio Este
  • Associação Famalicão em Transição
  • H2Ave - Associação Movimento Cívico para a Dinamização e Valorização do Vale do Ave
  • VENTO NORTE - Associação de Defesa do Ambiente e Ocupação dos Tempos Livres
  • YUPI - Associação para o Desenvolvimento Local
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Resoluções de ano novo

"Você vai mudar? Talvez!
Mas isso não vai acontecer de uma hora para outra.
Vai acontecer em milhares de pequenos momentos.
Em cada momento que você decidir perdoar, abrandar, agradecer ou manter a calma,
em cada momento em que escolher o que é certo em vez do que é fácil,
acreditar em vez de duvidar,
amar em vez de odiar,
É aí que a mudança acontece."

Texto extraído do vídeo "O problema das resoluções de ano novo", com aquela menina de 4 anos, Olor, simplesmente adorável!  Veja abaixo, com legendas em português.

A todos os que visitam este blogue, um novo ano de 2018 com paz, saúde e alegria.
Mude, que o mundo muda também!
Feliz ano novo!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Homenagem a uma Fada.... A minha irmã Fada do Bosque

Era uma vez uma fada que morava num bosque. A fada tinha, como é das fadas, mãos de fada, e onde tocava, tudo ficava mais bonito. Não precisava de varinha mágica!

(foto de Oficina do Bosque)
Quando entrava numa casa das pessoas comuns, bastava a fada colocar as mãos numa mesa, e logo arranjos maravilhosos apareciam. Tocava numa parede, e logo a sua cor ficava resplandecente. Qualquer móvel velho e acabado que lhe caísse nas mãos sofria logo transformações surpreendentes, ficava mais bonito do que se fosse novo. Conjugava objetos velho e novos como ninguém. Era assim esta fada, dotada de um talento especial para embelezar as coisas.

Um dia, sem saber porquê, a fada, deixou de se ver, ficou transparente aos seus próprios olhos. Já não conseguia tocar nas coisas e embelezá-las porque não sabia das suas mãos para as tocar.

Então decidiu que precisava de se encontrar, precisava de saber do seu corpo, das suas mãos. Saiu da casa na árvore onde morava no bosque, e seguiu precisamente pelo caminho que ainda não conhecia, nem sabia onde levava. 

Foi andando, caminhando e voando, por estreitos caminhos de pedras, de terra, veredas verdejantes, escuros becos, alamedas radiosas, havia de tudo. Conheceu outras fadas, duendes, eremitas, espíritos de luz, mas também espíritos de energia negra. Muitos lhe iam dizendo qual o caminho a seguir. Uns porque achavam que sabiam, outros porque sabiam mesmo, outros ainda a enganavam de propósito; outros, diziam que não sabiam.

E assim a fada percorreu longos e sinuosos caminhos, uns numa direção, outros noutra, quantos caminhos labirínticos que não levavam a lado nenhum, e quantos assombrados e assustadores. Mas outros belíssimos, cheios de flores perfumadas, animais felizes e árvores protetoras. 

A fada andou, voou, tanto andou e tanto voou, que começou a ficar cansada. Alguns duendes e outras fadas ainda a ajudaram a seguir o caminho, mas a fadiga era imensa. Afinal, tanto sítio visto, tantos caminhos percorridos, e ainda nada de vislumbrar o destino.

Imagem daqui
Mas a fada não era de desistir, e, com uma força maior que a dos humanos, ainda continuou, meses e anos pelos caminhos daqueles bosques, montes, rios, desertos, e florestas. Quanta tristeza  e aridez foi vendo pelo caminho, mas também quanta beleza e harmonia pôde conhecer!

Quando já estava a ficar vencida pelo cansaço e desânimo, sentiu uma luz intensa e tão poderosa, mas não percebia de onde vinha. Essa luz, de uma intensidade brutal que a feria, causou-lhe uma dor tão forte, que a fada desmaiou, desvaneceu-se.

Imaginou então que estava a flutuar no ar. Aos poucos, descendo como uma pena, ficou deitada numa praia de areia branca, com a brisa do mar a acariciar-lhe os cabelos, as ondas do mar a molharem-lhe os pés, um sol em poente a aquecer-lhe o corpo, e o barulho do mar e das gaivotas a alegrar-lhe o espírito.

Abriu os olhos. 

(foto de Oficina do Bosque)
Não estava na praia, afinal! Estava na sua casa na árvore, onde morava, no bosque. Ainda estava fraca, muito fraca, mas conseguiu sentir as outras fadas e duendes do seu bosque, que aguardavam o seu despertar, e que lhe sorriam.

Olhou para si e viu as suas mãos, sentiu os seus pés. A dor que aquela luz provocou ainda estava lá, bem menos forte, mas era uma dor no seu corpo. Todo o seu corpo estava lá, como sempre esteve. Apenas não o conseguia ver. Agora sabia!

E estendeu a mão, colocou-a numa mesinha envelhecida, escura e despida ao lado da cama onde estava deitada. E a mesinha logo ficou belíssima, de cor branco mate, com um arranjo de flores encantador e graciosos objetos!


Este pequeno conto é dedicado à minha querida irmã "Fada do Bosque", irmã de sangue e de coração, que escreveu alguns belíssimos artigos neste blogue, no seu primeiro ano, e que neste momento difícil, luta pela vida. Eu sei que a sua força é grande e  que vai recuperar.  Para ela, que 2018 chegue com toda a energia positiva para sua recuperação. Ela sabe que lhe desejo o melhor, mas devia-lhe este mimo, um pequeno agradecimento por tanto que me dá.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Neste solstício, encontre a paz

Neste ano que está a chegar ao final, o solstício de inverno ocorre no dia 21 de dezembro às 16h 28 min, marcando o início desta estação no hemisfério norte, o dia mais curto do ano e a declinação mínima do sol (latitude ao equador: -23° 26′  5″).

Neste dia especial, deixo um vídeo com bons conselhos.  Ouça em sossego, com a mente aberta e o coração limpo. Deixe ajudar-se a encontrar a paz.

Tenha uma feliz época natalícia, e comece bem o novo ciclo solar e o novo ano.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Conversar melhor

«Quando o seu trabalho depende de como fala com as pessoas, você aprende muito sobre como conversar - e a maioria de nós não conversa muito bem. Celeste Headlee trabalhou como locutora de rádio por décadas, e conhece os ingredientes de uma ótima conversa: honestidade, brevidade, clareza e uma boa quantidade de escuta. Nesta conversa perspicaz, ela partilha 10 regras úteis para termos melhores conversas. "Saia, fale com as pessoas, ouça as pessoas", diz ela. "E, mais importante, esteja preparado para se surpreender".» 
Fonte: TED