domingo, 30 de Outubro de 2011

Urge uma nova economia, e o futuro começa agora!

Participei ontem à tarde numa interessantíssima tertúlia na Associação Campo Aberto, sobre "Ruralidade sustentável e economia local". Para além das inspiradoras apresentações de Eng. ª Maria do Carmo Bica, da ANIMAR e da Dra. Ângela Abreu Guimarães da ADRL, da sábia moderação do Dr. José Carlos Marques, e das interessantes intervenções de diversos participantes, comprei lá um exemplar da versão portuguesa do livro de James Robertson: "Transformar a Economia - Desafio para o Terceiro Milénio", n.º 1 da Colecção "Cadernos Schumacher para a Sustentabilidade", Edições Sempre-em-Pé, 2007.

Partilho convosco uma parte da Introdução e Resumo deste pequeno e fantástico livro, que respeita aos Objectivos:

"Existe hoje uma grande variedade de actividades que reflectem o cada vez maior compromisso das pessoas perante um desenvolvimento centrado na pessoa humana e ecologicamente sustentável - novos estilos de vida, novas tecnologias, novas abordagens da gestão empresarial, e por aí fora. Do lado negativo, as formas convencionais de avaliar as decisões económicas e o progresso são objecto de profundos erros de concepção, tendo o actual sistema económico tendências intrínsecas a destruir o ambiente natural, a destruir a comunidade, a transferir riqueza dos pobres para os ricos, a marginalizar pessoas, comunidades e culturas, a desgastar e negar o sentido do espiritual ou do sagrado e a interiorizar a incapacidade e a vulnerabilidade.

Este Caderno toma essas realidades como ponto de partida, apontando para um futuro em que teremos maior capacidade de controlar o nosso destino económico e de fruir dos tesouros e bençãos da natureza de que todos dependemos. O caderno salienta algumas mudanças específicas que ajudarão a concretizar esse futuro.

Num futuro como esse, serão muitas as famílias e comunidades locais a produzir uma maior proporção, em comparação com a actual, das coisas de que necessitam, por exemplo, alimentos e energia. Dependerão mais de si próprias e umas das outras, e serão menos dependentes das grandes empresas e das instituições financeiras e serviços governamentais. Em especial, serão menos dependentes dos empregadores para organizar o seu trabalho e obter os seus rendimentos. Haverá mais pessoas a trabalhar mais tempo em casa e perto de casa.  No que respeita a outros objectivos, a comunicação poderá proporcionar uma alternativa à viagem. Haverá menos transporte de carga a longas distâncias já que a produção local para o consumo local se tornará a norma.  A educação preparará as pessoas não apenas para os empregos, mas para governarem a sua vida - incluindo a casa, a vida de família, o trabalho, o dinheiro e as suas funções e responsabilidades de cidadãos. A cidadania activa - local, nacional e mundial - desempenhará um maior papel do que hoje na vida de muita gente. Muitos terão da vida uma experiência mais saudável e menos geradora de tensões à medida que se vão tornando mais profundamente implicados nas suas comunidades locais e mais estreitamente ligados ao mundo natural.  Por meios que serão diferentes dos actuais, haverá mais pessoas que serão capazes de satisfazer as próprias necessidades - de subsistência, protecção, participação, estima, sentido, identidade, liberdade e auto-realização - sem impedirem outras pessoas de satisfazerem as suas."

O Dr. José Carlos Marques partilhou uma outra parte do livro através blogue O Economista Português, que recomendo a leitura. Para comprar o livro, vejam nesse site ou  aqui.

E que tal a ideia de bancos cooperativos, cujo objectivo não é o lucro mas ajudar as pessoas? Vejam abaixo o exemplo do banco JAK, na Suécia, ou o exemplo do banco Palmas, no Brasil,  no blogue Famalicão por um Mundo Melhor, que alia o microcrédito local a moeda local.


JAK Bank Report (2007) LEGENDADO PT (O Banco que não cobra juros!) from banco jak on Vimeo.

7 comentários:

  1. Também participo em tertúlias, perto de casa. Ter ideias é preciso, sem elas não vamos a lado nenhum... Quanto ao tema, tarde ou cedo, por opção voluntária ou por constrangimento, chegaremos a soluções deste tipo.

    Já me tinha entusiasmado com a experiência dos Bancos de Terras. Este modelo é diferente e mais interessante. Voltarei para rever o video...

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  2. Olá Rogério

    Pois eu também gostaria de participar em tertúlias perto de casa... mas nos assuntos pelos quais me interesso, normalmente tenho mesmo de me meter no comboio e ir até ao Porto... mas quem sabe, não estará para mais cedo do que penso as tertúlias aqui por Famalicão :)

    É que as mudanças que precisamos de fazer precisam não só de acção, mas também de muita discussão!

    Obrigada e boa semana!

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  3. Se estamos esperando que é uma "nova economia" que nos vai safar... podemos esperar deitados...

    Precisamos é de uma NOVA ESPÉCIE... com um cérebro realmente desenvolvido e que tenha sempre presente no seu consciente que somos parte integrante dos Ecossistemas e que sem eles não temos a mínima hipótese de sobreviver. Sem economia sobrevivemos. Sem Ecossistemas a darem-nos os suportes básicos de VIDA, NÃO SOBREVIVEMOS.

    O documentário que passou ontem às 20h00 na RTP2 demonstrou bem o que estamos a fazer a nós próprios graças à Economia.

    E acho engraçado que continuam a pensar e a escrever sem ter em conta a total insustentabilidade que representa o número de indivíduos existente.

    Sempre gostava de saber onde é que Cidades como por exemplo Lisboa (que é para nem dar outros exemplos mais absurdos!) alguma vez podem seguir este caminho aqui descrito...

    Somos cada vez mais animais e cada vez existem mais máquinas a fazer o serviço dos animais. Isto até era positivo, não fosse o facto de estarmos a "viver" em sociedades lucro orientadas.

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  4. Desculpe discordar, Voz, mas isto É Positivo. Não é perfeito, mas não existem soluções perfeitas nem as utopias são realidades. Deitar tudo abaixo, como se fosse impossível fazer algo de positivo, ou esperar por uma nova espécie, não me parece que resolva coisa nenhuma!

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  5. é positivo... então não... seguir na mesma linha geral é sempre positivo... pelo menos para alguns!

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  6. "como se fosse impossível fazer algo de positivo"... O estado presente dos Ecossistemas Globais apenas verifica que pequeníssimas coisas positivas não resolvem nada. E muito menos resolve o problema, a alteração cosmética da Economia. A alteração eventualmente imaginada aqui neste texto, implica forçosamente uma alteração radical das actuais Sociedades. Logo ou se alteram as Sociedades ou a Alteração Cosmética da Economia não passa disso mesmo... borrar com mais um pouco de sombras a máscara da Ilusão.

    Felizmente o TEMPO fará os seus efeitos, não para o meu e teu tempo de vida, pois nós somos à escala temporal ~ZERO... e uma coisa nos esquecemos: Todas, TODAS as espécies mais cedo ou mais tarde se extinguem, ou com um pouco de "sorte" evoluem. Vai ser esta a solução. Felizmente que o controlo da nossa extinção ou evolução não está nas nossas mãos.

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  7. Acho que vem a propósito uma explicação em relação a este documentário sobre o Banco JAK que o Movimento Zeitgeist Portugal deixou no Facebook:

    "Uma reportagem sobre um Banco Cooperativo que não cobra juros nos empréstimos. Gravada na Suécia e na Alemanha em Agosto de 2007.

    Na Suécia existe uma cooperativa com 36 500 membros com um crescimento associativo anual de 5%, onde os seus membros membros emprestam dinheiro uns aos outros sem cobrar quaisquer taxa de juro e que acabou por se tornar num banco, propriedade dos seus associados, um banco que não cobra taxas de juro.

    Não se trata de um conto de fadas, esse banco existe, situa-se na Suécia e chama-se JAK Medlemsbank.
    Além de ser uma instituição bancária, esta associação é sobretudo um movimento social criado em 1965 e reconhecido oficialmente como banco em 1997.

    Este sistema financeiro inovador está assim muito próximo da economia real, não necessita de ir buscar dinheiro aos mercados financeiros especulativos, prova que é possível emprestar dinheiro sem juros e que existem soluções para uma sociedade mais justa.

    O sistema é relativamente simples, um associado que necessita de um empréstimo, terá, ao mesmo tempo o que o reembolsa mensalmente, de criar uma conta paralela de poupança de igual montante durante o mesmo período do empréstimo. No fim, quando acabar de pagar o empréstimo, poderá levantar a totalidade dessa sua conta paralela de poupança. Durante esse período, o banco vai utilizar essa conta poupança para financiar outros associados. No final o empréstimo não terá sido sujeito a qualquer taxa de juros.

    Um exemplo prático:
    Um dos sócios, com um depósito nulo no banco, necessita de 14 000 euros para um período de 11 anos. Vai ter de pagar:
    15 euros por mês de despesas de funcionamento
    106 euro por mês de reembolso do empréstimo
    106 euros por mês numa conta poupança obrigatória
    No total deverá pagar por mês 15 + 106 + 106 = 227 euros por mês

    Ao fim de 11 anos, o empréstimo estará pago e simultâneamente, a sua conta poupança terá 14 000 euros, que poderá levantar ou deixar para a eventualidade de ter de vir a pedir outro empréstimo e nesse caso terá que criar uma conta poupança obrigatória de um montante inferior.

    Numa economia como a nossa, baseada nas taxas de juros, o dinheiro é transferido dos mais pobres para os mais ricos, até se concentrar nas mãos de uma minoria.

    Actualmente a massa total do dinheiro que circula no mundo, é constituída, quase exclusivamente, pelo dinheiro proveniente das dividas e das suas taxas de juros. Este dinheiro especulativo não assenta em qualquer valor real, isto é em bens e serviços.

    É o crescimento exponencial dessa massa monetária especulativa que irá acabar por atingir um ponte de rotura e provocará o desmoronamento da economia mundial tal como a conhecemos actualmente.

    Esta iniciativa bancária prova que é possível construir uma economia sustentável e mais equitativa.

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