terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Babilónia produtiva é dinheiro em caixa!

Antes existia a ideia, e nalguns casos a certeza, que determinada marca era qualidade, fiabilidade e duração prolongada; hoje, em que tudo se quer efémero, cultiva-se uma política que classifico de pastilha elástica: usa-se e deita-se fora, por isso não precisa de ser muito bom o produto! Vem isto a propósito dos problemas que a nipónica Toyota atravessa e que, na expressão dum concorrente, a coloca como apenas mais um fabricante de automóveis. Nunca tive um carro japonês, mas sei que outrora se notabilizavam por "serem feios como o diabo, mas durarem p’ra carago!". Mas agora até a Toyota se arrasta pelas ruas da amargura a recolher milhares e milhares de carros com defeito! Admito estar errado, mas não sei se a procura a todo o custo pela poupança no processo produtivo não tem algo a ver com isto. Desde as peças que vêm de todo o lado do mundo às fábricas que se implantam em países onde a mão-de-obra é formada de forma acelerada, tudo serve.E quem diz a Toyota, diz a AEG que era marca alemã de confiança inabalável e me obriga pelos dias de hoje a andar em bolandas com uma máquina de lavar que nem a sua assistência técnica autorizada consegue descortinar porque só funciona quando ... lhe apetece. É AEG, mas foi feita num país de Leste e espreitando lá para dentro já vi que, pelo menos, uma peça veio da China e outra de Singapura. Vai-se a ver e aquilo é tudo falta duma peça tradutora que ponha ordem na Babel que vai dentro da máquina! Por isso, quando soube que a ECCO que se foi daqui para a Indonésia, levou uma minha prima que fala português (e, e …) para ensinar as locais que naturalmente não falam português a fazer calçado, risquei logo a marca ...
Contudo, esta babilónia produtiva traz outros inconvenientes pois para além dos custos que acarreta para os consumidores e produtores, também sacrifica sobremaneira os recursos naturais pois muitas peças e componentes são hoje em dia programados para durarem x horas ... findas as quais, acabou.
Outro truque que começa a ser usado é, por exemplo, como descobri com a minha AEG que o temporizador pode ser comprado por qualquer um e até colocado, mas apenas a assistência técnica autorizada o sabe programar para fazer trabalhar a máquina; ou ainda que qualquer problema na cuba implica destruir a mesma porque vem blindada. Tudo isto porque a primeira peça custa só por si cerca de 120,00€ e a segunda mais de 200,00€. Quem disse que as grandes companhias são como o pirata Barba Negra errou ... são piores!

11 comentários:

  1. Este texto foi originalmente dado à estampa no projecto ABIRRITANTE, mas depois de umas pequenas alterações, resolvi que poderia aqui ser publicado dada a temática abordada e a fraca participação aqui do escriba!

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  2. Devo ser um bacano com sorte! Tenho um Toyota e já está a chegar aos 8 anos e até hoje népia... nem um único problema mecânico. Também já fui chamado pela marca para dois controlos de qualidade/substituição de peças com eventuais defeitos mas na minha carroça nunca tive qualquer problema devido a estas peças... outra coisa que estou admirado é que todas as lâmpadas do carro ainda são as de origem, a bateria ainda é a de origem, as suspensões ainda são as de origem (na última inspecção ainda estavam acima de 80% eficácia), os travões ainda são os de origem... só os pneus é que já troquei uma vez... o carro tem 80000Km (+-10000Km/ano)...
    Também se deve, sem dúvida alguma, ao estilo de condução... calmo a fugir para o sonolento... mas não tenho pressa de me suicidar!!!
    Enfim... devo ter sido um daqueles sortudos... ou então, qualquer dia vou na estrada e a carroça começa a desfazer-se!!!

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  3. Parabéns QUINN, o teu texto diz tudo!
    Ainda me lembro que um frigorífico da minha mãe, BOSCH durou 22 anos. Agora os electrodomésticos estão preparados para durar mais de dois anos e menos de 5... uma armadilha em que muitos caem sem saber. A minha Philco de lavar roupa, que pertence à AEG já vai nos 20 anos... mas é melhor bater na madeira...
    Quanto ao calçado da ECCO, de uma maravilha, passou a algo banal... há mais de 10 anos que não uso. Tudo uma treta para os predadores que nos governam, que no fundo não sao os políticos, mas sim esses! Os políticos viraram paus mandados dos neoliberais!
    A Nova Ordem em FORÇA!!!

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  4. Ferreira-Pinto

    Obrigada por trazeres o tema do Abirritante para aqui. Tem tudo a ver com o que por cá se fala.

    Este assunto, da durabilidade das coisas, é demasiado importante para que não nos debrucemos sobre ele.
    Antigamente, as coisas duravam - a sua missão era cumprida até à exaustão. Os construtores primavam pela qualidade, qualidade essa que incluía a durabilidade.
    Hoje, o capitalismo predador, que impõe "modas" estúpidas e inúteis, teve também este efeito pernicioso: as coisas são feitas para não durar, para que se compre mais. A publicidade alia-se à moda e a esta falta de escrúpulos dos industriais, para nos aguçar o apetite. O espírito da inveja e da competição, também dão uma ajudinha.

    E assim, alegremente, todos vamos contribuindo, como dizes, para o esgotamento dos recursos, para a produção de mais lixo, para a insustentatibilidade global. Ainda por cima, as economias em crescimento, sedentas de novidade e do capitalismo que lhes parece um paraíso, agravam fortemente o problema dado o seu crescimento populacional.

    Em primeiro lugar pergunto: não haverá ou deveria haver entidades independentes que estudassem e investigassem a durabilidade dos objectos, designadamente automóveis, electrodomésticos e aparelhos electrónicos, e que informasse devidamente a população; e coimas para os aldrabões, não?

    Em segundo lugar pergunto: não deviam as pessoas começar a repensar as suas prioridades? Até quando vão achar que a felicidade está no verbo "TER" e não no verbo "SER"? Não deviam as pessoas começar a saber que os seus actos têm consequências, e que o consumo desmesurado não afecta apenas a sua carteira?

    Até quando continuaremos na Sociedade Mundial da Cegueira?

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  5. Amigo voz a 0 db, permita que o trate assim, isso é bacano com sorte até dizer basta ...

    O estilo de condução influencia muito, o tipo de assistência e a ... sorte também ajuda.

    No seu caso, a Toyota pode estar descansada que é menos um cliente a reclamar.

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  6. Pois é, FADA tu dizes e bem que as coisas são preparadas para durar mais de 2 e menos de 5 anos, mas só erras quando dizes que é uma armadilha em que muitos caem sem saber.
    É que as pessoas não têm escolha, pois quase tudo é feito dessa forma.
    A única escolha é procurar um bem que na relação preço/qualidade se revele a melhor escolha.
    Depois, e aqui entre nós, a própria assistência é, na maior parte dos casos, uma desgraça!

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  7. Manuela, eu peço desculpa por ousar publicar aqui algo que publiquei no outro sítio, mas como é no mesmo dia pode ser que só eu, tu e ali a Fada fiquemos a saber! :))

    Pedes entidades independentes? Achas?
    Se queres que te diga, não confio nada nessas entidades; mesmo a DECO tem vindo a adoptar cada vez mais uma postura de mercado ...

    Quanto a entidades reguladoras, tipo ANACOM e ERSE, aquilo é uma vergonha. Só lá estão para sacanear o consumidor. Isto já para não falar na da Concorrência que anda há anos para saber se em Portuagl as gasolineiras quando vendem todas ao mesmo preço estão feitas ou não umas com as outras!

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  8. Mas nem duvides, FADA, a maior parte são uns habilidosos que andam para ali entre o "deve ser disto, deve ser daquilo" e um tipo que se amanhe ... por isso, eu quando apanho um que seja em condições trato logo de saber o contacto pessoal!

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  9. Ferreira-Pinto
    E porque será que essas entidades reguladoras não funcionam?

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  10. Essa é uma pergunta que deves dirigir às próprias, cara Manuela Araújo; eu tenho uma teoria mas não sei se explica tudo.
    Acho que elas existem para defender os interesses das grandes corporações.

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