sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Lixo, arte e pessoas (2)

"Sons da Terra" (Sonidos de la Tierra) é um movimento social e cultural no Paraguai, com 10 anos de existência, que envolve mais de 14 mil crianças e jovens de 172 comunidades.

A Orquestra de Instrumentos Reciclados, composta por jovens dum bairro de lata em Cateura, onde se localiza uma das maiores lixeiras do Paraguai, faz parte deste movimento, e foi notícia hoje no DN Arte.  O vídeo divulga o documentário 'Landfill Harmonic' sobre a história desta orquestra, que ainda está em preparação.

Mais um belo exemplo de pessoas que do lixo fazem arte!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Dia Mundial do SOLO - 5 de Dezembro

Fotografia de Jim Richardson, National Geographic
"Servir como meio básico para a sustentação da vida e de habitat para pessoas, animais, plantas e outros organismos vivos; manter o ciclo da água e dos nutrientes; servir como meio para a produção de alimentos e outros bens primários de consumo; agir como filtro natural, tampão e meio de adsorção, degradação e transformação de substâncias químicas e organismos; proteger as águas superficiais e subterrâneas; servir como fonte de informação quanto ao patrimônio natural, histórico e cultural; constituir fonte de recursos minerais; e servir como meio básico para a ocupação territorial, práticas recreacionais e, propiciar outros usos públicos e econômicos, são as principais funções do solo. E dessa forma, o solo deve ser considerado como elemento fundamental para a sustentação e sobrevivência do homem na face da terra. "
(Fonte: Engs. Agrs. JoséLaus Neto e Ivan Bacic (Ciram) e Milton da Veiga (EECN), através do site do CIRAM)

A IUSS (União Internacional de Ciências do Solo) lançou o dia 5 de dezembro como o Dia Mundial do Solo em 2002:

Imagem de City Soils
"Dia Mundial do Solo celebra a importância do solo como um componente crítico do sistema natural e, como um contribuinte vital para a comunidade humana através da sua contribuição para a segurança de alimentos, água e energia e como mitigador de perda de biodiversidade e mudanças climáticas. Particularmente comemorado pela comunidade global de 60 000 cientistas do solo encarregados da responsabilidade de gerar e comunicar conhecimento do solo para o bem comum, muitos eventos focado no aumento da consciência pública do solo e da sua importância para a humanidade e o ambiente". (Fonte: IUSS)

Este ano, 10 anos depois, a FAO juntou-se ao evento:

Imagem de City Soils
"O solo é um recurso natural finito. Numa escala de tempo humana não é renovável. No entanto, apesar do papel essencial que o solo desempenha para a subsistência humana, em todo o mundo há degradação crescente dos recursos do solo devido às práticas de gestão inadequadas e pressões populacionais, que conduzem à  intensificação insustentável e à inadequada administração deste recurso essencial.

Apesar dos esforços louváveis da IUSS e dos cientistas do solo de todo o mundo, nas últimas décadas os solos tem sido vistos  como uma segunda prioridade em decisões  nacionais e internacionais. De facto, a degradação do solo é um processo silencioso, que não chama a atenção dos decisores. No entanto, os solos são essenciais para enfrentar pressões atuais e futuras sobre recursos limitados e atender às necessidades de uma população em expansão. 

Imagem de City Soils
Reconhecer, defender e apoiar a gestão sustentável dos solos é a única alternativa para garantir solos saudáveis e a segurança alimentar mundial e para a manutenção dos muitos serviços vitais dos ecossistemas que os solos providenciam.

Apoiada pela Parceria Global do Solo (Global Soil Partnership), e dada a sua importância , a FAO decidiu, pela primeira vez, celebrar o Dia Mundial do Solo e ajudar a colocar os solos no topo da agenda para a Agricultura Sustentável e para a Segurança Alimentar em todo o mundo."

Porque considero muito positivo este alargamento da consciência sobre a importância do solo, este blogue junta-se ao Dia Mundial do Solo com esta publicação e com mais trêss publicações adicionais e quase simultâneas sobre o solo: O Solo físico, o Solo vivo e a Degradação do Solo, derivadas da pesquisa efetuada para a Exposição Percursos (exposição inaugural da Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão).

Para entender o SOLO e o seu papel vital para as pessoas e o ambiente, recomendo  a crianças e adultos de todas as idades, da cidade ou do campo, o imperdível filme DIRT!, cuja divulgação, foi, nem mais, nem menos, o "post" mais visitado deste blogue nestes mais de 3 anos e meio de existência.


A física do SOLO

Foto de Pedro Colaço
O solo, a camada superficial da crosta terrestre, é o suporte da paisagem, das atividades humanas e de grande parte da vida na Terra. É o sustentáculo das plantas que nos fornecem alimento e oxigénio e regulam o clima, é um regulador e purificador dos fluxos de água, um meio natural de reciclagem de compostos orgânicos e um habitat de grande biodiversidade.


Definido pela pedologia (ciência que estuda a formação, morfologia e classificação do solo) como o resultado do intemperismo (conjunto de fenómenos químicos, físicos e biológicos que provocam a alteração das rochas e seus minerais), o solo reúne três estados da matéria (sólido, líquido e gasoso) e é constituído por partículas minerais, água, ar, matéria orgânica e organismos vivos. 

A proporção dos constituintes do solo varia muito, mas em média pode-se considerar que, em volume, é composto por cerca de 45% de minerais, 25% de ar, 25% de água e 5% de matéria orgânica (incluindo organismos vivos). 

Horizontes do Solo

Textura do solo
O perfil do solo mostra uma série de camadas mais ou menos paralelas à superfície, chamadas horizontes, com aspeto e propriedades diferentes, cuja natureza, espessura e número de variam de acordo com os diferentes tipos de solo e com a sua maturidade, podendo enquadrar-se nos cinco horizontes principais (O, A, B, C e R) ou em horizontes de transição; um solo jovem tem menos camadas que um solo maduro.

Várias propriedades físicas caracterizam o solo, como a estrutura, a textura, a porosidade, a permeabilidade, a coesão e a cor.   A textura é a propriedade física do solo que menos sofre alteração ao longo do tempo, e é muito importante na agricultura pois tem influência direta na infiltração e na retenção de água, no arejamento e na coesão do solo, bem como na nutrição das plantas.  

Mensagem baseada na pesquisa efetuada para a Exposição Percursos (exposição inaugural da Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão)

O SOLO Vivo

Foto de José Salgado
O solo é um meio vivo e dinâmico, um habitat de enorme biodiversidade e um reservatório de nutrientes.
Uma colossal diversidade de organismos vivem no solo, desde as bactérias unicelulares aos  pequenos vertebrados e plantas, passando pelos protozoários, fungos, nemátodos, insetos e outros artrópodes, e minhocas. Só de bactérias, um grama de solo em boas condições pode conter centenas de milhões de microorganismos de dezenas de milhares de espécies diferentes.


A atividade biológica no solo elimina agentes patogénicos, decompõe a matéria orgânica em componentes mais simples passíveis de serem absorvidos pelas plantas, contribui para a manutenção ou melhoria da estrutura e da fertilidade dos solos.


Um solo fértil e produtivo tem pelo menos 3 a 6% de matéria orgânica, que é composta pelos próprios organismos do solo, pelo resíduo fresco - restos de plantas, como folhas e raízes, e outros seres vivos, pela matéria orgânica em decomposição – a parte ativa, e pelo o húmus, a parte já decomposta e estabilizada.

A matéria orgânica melhora a estrutura do solo, defende-o da erosão,  permite a retenção de água e de nutrientes, facilita a circulação do ar e da água,  evita variações de pH,  diminui a toxicidade dos micronutrientes e de poluentes, melhora a nutrição das plantas e dos organismos do solo.

Mensagem baseada na pesquisa efetuada para a Exposição Percursos (exposição inaugural da Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão)

A degradação do SOLO

Foto de Andreia Mafra
As atividades humanas, quando efetuadas sem consideração pelo ambiente, são as principais responsáveis pela degradação do solo.

O solo não é um recurso renovável, pelo menos à escala humana. São precisos séculos para que os processos naturais formem 1 cm de camada de solo. Mas um mau uso do solo pode implicar que esse solo se perca em poucos anos. 

Práticas agrícolas,  florestais e industriais inadequadas, e a expansão urbana, provocam ou agravam a degradação do solo, com implicações negativas na qualidade da água e do ar, na biodiversidade, nas alterações climáticas, na saúde, na economia e na capacidade das populações produzirem os seus próprios alimentos. 

Alguns dos tipos de degradação contribuem para o desaparecimento do solo de forma gradual – erosão,  ou rápida - deslizamentos de terras e impermeabilização, enquanto outros deterioram a sua qualidade  - perda de matéria orgânica, perda de biodiversidade, salinização, compactação e contaminação.

Imagem de "Our Daily Bread"
Os pesticidas causam danos aos organismos do solo, levando à sua redução em quantidade e diversidade, logo à perda fertilidade e capacidade do solo para nutrir as plantas. Por consequência, são usados fertilizantes químicos para suprir as necessidades de nutrientes das culturas. Ambos, pesticidas e fertilizantes, acumulam-se no solo e acabam por contaminar as águas subterrâneas e superficiais.

Alterações do uso do solo por desflorestação, reflorestação, expansão de área de regadio, urbanização, drenagem, etc., alteram o regime hidrológico e as relações solo-água com repercussão imediata nos caudais, na distribuição da água ao longo do ano e na quantidade de sedimentos provocados pela erosão, que se vão depositar nos rios.

Preservar o solo é preservar a vida!

Mensagem baseada na pesquisa efetuada para a Exposição Percursos (exposição inaugural da Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão), com a colaboração de Andreia Mafra

domingo, 2 de dezembro de 2012

"Paixão pela Horta" - Agradecimento

"Paixão pela Horta" é um excelente blogue de partilha de conhecimentos sobre a  atividade hortícola (http://paixaodahorta.blogspot.pt/). Dedicado muito especialmente a tomates e melões, mas a muito mais também, o seu autor, António Pires, ensina-nos, com as suas preciosas prática e paixão, muito sobre a horticultura. Desde a descrição de inúmeras variedades de tomates até à difícil tarefa de "capar" melões, o António  foi incansável nas fotografias e imagens que conosco partilhou e nos textos onde tudo ao pormenor nos ensina.

Infelizmente, por razões que desconheço, o António deixou de publicar no blogue. Espero que não tenha sido por razões de saúde, que a vida lhe sorria sempre com saúde e alegria, e que volte breve à sua paixão pela horta.

Entretanto, o Rui Esteves, amigo do António, enviou-me, a seu pedido, um envelope com sementes. Já sabia que se tratava de sementes, pois o Rui informou-me quando me pediu a morada.  Mas não podia imaginar a enorme diversidade que se encontrava no envelope: 31 variedades de sementes, de pelo menos 6 espécies diferentes - 12 variedades de tomate (maçã, gold dust, mariann's, burracker's favorite, black cherry, black aisberg, prudens purple, kumato, northern lights, hawaian pineappple, negro da crimeia e mennonite german gold), 6 de pimento (vermelho, laranja, amarelo, italiano, padrão e marconi golden), 5 de pepino (branco, comprido, largo, poona kaeera e satsuki madori), 5 de courgette (redonda, verde escuro, verde claro, amarela e bianca da Sicília), 2 de abóbora (branca e potimarron) e de 1 alface (russa)! Estou maravilhada, pois embora seja ainda uma principiante na horticultura, parece-me que estão ali incluídas variedades raras, pelo menos por cá!

Assim, aqui fica o meu enorme e sincero agradecimento ao António pelas sementes e biodiversidade com que me brindou. A biodiversidade tem um valor enorme, e a sua preservação, através do cultivo e da recolha de sementes, é uma grande responsabilidade! Por isso, vou tentar, dentro das minhas possibilidades, semear pelo menos metade das variedades no próximo ano e guardar bem acondicionadas a outra metade para o ano seguinte, pois acho que não conseguirei semear tudo numa época. Mas, quem sabe, apareça ajuda e até consiga semear tudo em 2013! É o mínimo  que posso fazer para retribuir a gentileza da dádiva de sementes do António, e também do Rui, que as fez cá chegar.

MUITO OBRIGADA!