sábado, 30 de junho de 2012

Vandana Shiva: 'Navdanya' - É nossa obrigação salvar as sementes


New Gift | Supriyo Sen from Focus Forward Films on Vimeo.

«Sabem quantos agricultores cometeram suicídio devido às sementes que compraram no mercado? Pensem ... 250.000!


'Navdanya', que significa 'Nova Dádiva' (New Gift), é um movimento que eu comecei em 1987.

Nós diremos Adeus aos químicos venenosos, nós praticaremos agricultura natural e biológica, nós teremos melhores colheitas com as nossas próprias sementes.

Na quinta Navdanya salvamos sementes, criamos bancos de sementes da comunidade. Temos mais 1500 variedades de sementes guardadas. É o local onde os agricultores vão buscar sementes gratuitas.

Navdanya é um movimento político para a defesa da diversidade na natureza e para a defesa do direito dos agricultores de terem sementes, pois esta liberdade foi-lhe tirada através das patentes, da engenharia genética e de monopólios de sementes.

Cultivar apenas algodão Bt não é prosperidade, é levar à morte. Cultivem algodão, cultivem-no de forma biológica, mas cultivem-no juntamente com alimentos para que as vossas crianças não tenham fome.

Estamos a ajudar os agricultores a ultrapassar aquilo que chamo a "monocultura da mente".

Hoje, as sementes tornaram-se a última arma. Quem controla as sementes controla a alimentação, portanto controla as pessoas, e não só as pessoas, controla a vida na Terra!

Qualquer lei que se interponha no caminho do dever ecológico, social e ético de guardar sementes, nós temos de desobedecer! »

Fonte: Tradução da maior parte da mensagem de Vandana Shiva no vídeo  acima. Imagens obtidas ma net.

Prefira Produtos Biológicos


Um excelente post (por Sónia Da Veiga) que nos informa:
  • Quais os 12 vegetais mais contaminados com pesticidas na agricultura "tradicional", e que por isso devemos dar prioridade aos produtos biológicos, ou cultivá-los nós mesmos de forma limpa, 
  • Quais os 15 vegetais que por norma são menos contaminados com pesticidas na agricultura "tradicional".

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sustentabilidade e reciclagem - uma visão jovem

Antigamente, a espécie humana vivia em harmonia com a natureza e com o planeta Terra. A certa altura, e especialmente a partir do século XX, esta espécie desatou a comprometer o futuro das gerações seguintes e das outras espécies através do consumo excessivo de recursos e da mania de se destacar da natureza, como se dela não dependesse e fizesse parte. Então, foi preciso inventar um termo que definisse este conceito perdido, e assim surgiu o conceito de Sustentabilidade (1987, no relatório Brundtland), que definia o desenvolvimento sustentável como "o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades". A partir daí, as definições de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável forma inúmeras, umas mais focadas no ambiente, outras na economia, outras na sociedade, outras nestes três pilares e outras ainda abrangendo a justiça social e a solidariedade. Entretanto, a palavra banalizou-se de tal modo, que hoje em dia falar em "sustentabilidade" serve para tudo, até para "embelezar" discursos políticos daqueles que muito contribuem para a insustentabilidade.

Mas o conceito real não desapareceu, ele existe em algumas civilizações a que erradamente chamamos atrasadas (como os indígenas da Amazónia), em novos grupos que praticam permacultura e nas ecocomunidades e comunidades em transição. Existe também, sob várias acepções, mais complexas ou mais simples, na mente e nos comportamentos de pessoas que se preocupam com a preservação da natureza e o futuro das próximas gerações.
Por isso, resolvi publicar o artigo com a visão de sustentabilidade de Alan Barbosa de Araújo, brasileiro de 16 anos de Jaboatão dos Guararapes (Estado de Pernambuco), que aqui deixou num comentário a uma mensagem anterior (as imagens fui eu que introduzi, e foram obtidas na net):

«Uma Vida Mais Sustentável

A "Sustentabilidade" é um tema muito abordado hoje em dia, que busca formas de reduzir o lixo e a poluição do meio ambiente através de ideias simples e facéis de seguir.
Este ano, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20 está sendo realizada 20 anos depois, após a sua última conferência, a Rio 92. A ONU(Organização das Nações Unidas), busca discutir na conferência, formas de amenizar a poluição e o Aquecimento Global, e um dos seus principais objetivos é lutar por um planeta "mais sustentável".
Nesta concepção, a principal ideia e método é a "Reciclagem", separando o lixo por 4 itens:
* Plástico - Lixeira Azul;
* Metal - Lixeira Amarela;
* Papel - Lixeira Vermelha;
* Vidro - Lixeira Verde;
O termo "Sustentabilidade", pode se referir à "erguer algo", que no caso do nosso planeta, é mantê-lo de uma forma que ajude-o e não prejudique-o. Pode se referir também à "ter habilidade de sustentar algo", que agente adquire através de prática e bons hábitos.
Na Química, o "Alumínio", assim como o "Metal", é considerado um elemento químico, que é derivado do "Ferro" e é indicado por "Al". Enquanto que o "Ferro", por "Fe".
Este componente químico, como sofre um processo de industrialização e é utilizada a química, demora em torno de 3.000 anos para se decompor, diferentemente dos outros materiais, em que a reciclagem é bem mais fácil e reaproveitável.
Recentemente os lixões foram desativados por todo o país, através de um decreto público aprovado pelo Senado Federal. Essa foi uma medida adotada por Dilma Roussef, para não deixar o lixo amontoado pelos centros urbanos, nos aterros sanitários, e para abrir a mente das pessoas sobre a ideia de separar o lixo em seu devido lugar.
A "Sustentabilidade" tem como papel importante preservar a natureza e, sobretudo ajudar o nosso planeta à não ter futuras catástrofes que interfiram na nossa vida cotidiana.»

Antes de mais, Alan, gostei muito do seu texto, e achei a analogia com o "erguer algo", "de forma a ajudar e não prejudicar o nosso planeta", muito inspiradora e muito acertada. Mas, para completar, há umas partes que gostaria de esclarecer:

A reciclagem é sem dúvida muito importante, mas a sustentabilidade vai mais longe, e a redução do consumo (e consequente redução de resíduos) é fundamental para as sociedades que adotaram o estilo de vida consumista.

O que chamamos metal, abrange vários elementos químicos e misturas com elementos metálicos, misturas estas que podem ter ou não ferro; o alumínio é um metal e é um elemento, mas não é derivado do ferro; o alumínio é um metal leve e de excelentes caraterísticas físicas, mas a sua produção industrial é de consumo energético muito elevado (além de ser um recurso não renovável, como todos os metais). Por isso, muito melhor do que reciclar é reduzir o consumo, por exemplo, evitando refrigerantes de lata (evitar refrigerantes é ainda melhor para a saúde, mas sei que não é fácil para quem tem 16 anos).   

Nos 3R (que agora já são mais) dos resíduos, a ordem é importante: primeiro reduzir (o consumo e produção de resíduos), a seguir reutilizar, e por último, reciclar, quando já não é possível reduzir ou reutilizar.

Quanto aos contentores para separação e reciclagem, em Portugal são chamados de ecopontos, e os usos  por cores são diferentes: o azul é para papel e cartão, o amarelo é para embalagens metálicas e de plástico, o verde é para embalagens de vidro, e o vermelho, mais pequeno, o "pilhão", é para recolha de pilhas e baterias usadas (o melhor é usar recarregáveis); há ainda os "oleões", para recolha de óleos alimentares usados, os "electrões" para  eletrodomésticos, e ecopontos para lâmpadas,  mas são menos frequentes, e existem sobretudo nos supermercados. 
Numa pesquisa que fiz em sites do Brasil, vi que o contentor azul era para papel e o vermelho para o plástico, mas não sei se varia de estado para estado ou de cidade para cidade.

Obrigada, Alan, pelo seu contributo, e como dizem vocês aí no Brasil, "valeu"! Está no bom caminho!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mondego

O documentário "Mondego", de Daniel Pinheiro, é o projeto final de mestrado em Wildlife Documentary Production, da Universidade de Salford, Reino Unido.

Filmado em Maio e Junho de 2011, o filme é uma viagem que nos mostra a vida selvagem que depende do rio Mondego, desde a nascente até à foz, da Serra da Estrela ao oceano Atlântico.

Este documentário foi exibido hoje no Fórum "Os Nossos Rios", em Vila Nova de Famalicão, um fórum com intervenções muito interessantes sobre a preservação dos rios e em especial dos rios que atravessam ou fazem fronteira com o concelho. 



«Daniel Pinheiro realizou um documentário sobre a vida selvagem do rio Mondego, desde a nascente na Serra da Estrela, até à foz. Este filme foi o trabalho final do mestrado em produção de documentário em vida selvagem, da Universidade de Salford, no Reino Unido.

Com o documentário, o jovem natural de Coimbra quis captar a vida selvagem no rio Mondego e mostrar o rio Mondego para além da agricultura que caracteriza aquela zona, como a cultura de arrozal.

O filme foi filmado na primavera passada e para captar alguns dos animais - como por exemplo, os melros de água, as salamandras lusitânicas e milhafres pretos - Daniel Pinheiro passou muitas horas, pacientemente, junto ao rio»
Fonte: Boas notícias, 5/12/2011

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ajude as abelhas galegas contra as fumigações na Galiza

Os eucaliptos da Galiza estão a ser atacados pelo gorgulho e a solução achada pela indústria do papel e pelo Governo da  Galiza é a fumigação com um produto altamente tóxico para as abelhas (para além dos efeitos na saúde e no meio ambiente), o flufenoxuron, cuja venda está proibida na UE a partir de 1 de Agosto de 2012.

Em Abril passado foi entregue uma petição, resultante da ação de um grupo de pessoas e associações  que constituíram a Plataforma contra as Fumigacións. No entanto, os planos para as fumigações continuam, por isso, e já com mais de 100 mil assinaturas, a petição foi reaberta e pode ser assinada aqui


«Resumo do problema

1. A empresa espanhola de papel (ASPAPEL) pretende realizar, em colaboração com o Governo da Galiza e outras entidades,  e fumigações maciças das plantações de eucalipto galegas afetadas por um inseto, o Gonipterus  scutellatus.
2. A pulverização vai ser realizada com inseticida chamado comercialmente Cascade, cujo princípio ativo é uma substância chamada flufenoxuron.
3. Esta substância foi classificada como nociva pela União Europeia que proibiu a sua venda a partir de 1 de agosto deste ano (2012).
4. Um dos seus piores efeitos é ser altamente tóxica para as larvas das abelhas, como o próprio fabricante  reconhece no rótulo do produto.
5. Se esse produto for pulverizado maciçamente nos montes galegos , há um grande perigo de extermínio das povoações de abelhas, já muito reduzidas pela contínua utilização de pesticidas, segundo apontam os estudos científicos.
6. Se morrem as abelhas na Galiza, para além de outros efeitos nocivos para o ecossistema,  não ocorrerá a polinização da maior parte das plantas de que nos alimentamos , nós humanos e os animais que criamos para nos alimentarmos.
7. Sem polinização, não há reprodução destas plantas , e a nossa agricultura colapsará.
Entre as espécies como vegetais de que nos alimentamos, as seguintes dependem necessariamente da ação polinizadora das abelhas para produzir fruto e semente (ou são favorecidas por ela):
Árvores de fruto:
Macieira, pereira, castanheiro, kiwi, videira, amendoeira,  pessegueiro, cerejeira, ameixieira ...
Espécies forrajeiras:
Alfafa, trevo, linho, algodão...
Culturas hortícolas:
Tomate, couves , abóboras, curgetes,  pimentas,  cenouras, salsa, nabos, brócolos, panela, couve-flor, beringelas, melões, pepinos, morangos, framboesas, espargos, amoras, »

Fonte do texto e imagens: Plataforma contra as Fumigacións  (tradução minha)