domingo, 11 de novembro de 2018

Natal sem óleo de palma

Uma cadeia de supermercados britânica "Iceland Foods" adotou um vídeo da Greenpeace como publicidade nesta época natalícia, assumindo que estão a remover o óleo de palma de todos os produtos com a própria marca numa campanha #NoPalmOilChristmas. O anúncio, com a voz  da atriz britânica Emma Thomsom. não foi permitido na televisão inglesa por ser "demasiado político" (fonte: Público). Abaixo está o vídeo da Greenpeace Brasil, com legendas em português, mas pode ver aqui o referido anúncio da Iceland. 



«Rang-tan é a história de uma garotinha e sua amiga orangotango que foi forçada a deixar sua casa na floresta. As florestas tropicais da Indonésia são destruídas para o plantio de campos e mais campos de óleo de palma utilizado em produtos que consumimos diariamente. »  Greenpeace Brasil

O consumo excessivo do óleo de palma (espécie Elaeis guineensis) é a razão da extinção dos orangotangos e de muitas outras espécies, pois para a sua produção, são destruídas as florestas nativas e todo o seu ecossistema.

Se quer contribuir para acabar com esta destruição de florestas e orangotangos:


1 - Deixe de consumir óleo de palma na alimentação e na cosmética. 
Tenha atenção aos produtos que compra, verifique os rótulos e rejeite se lá tiver óleo de palma. Na verdade, este não é fácil de detetar, pois os nomes são muitos, como: óleo de palma, óleo de palmiste, gordura vegetal fracionada e hidrogenada de palmiste, estearina de palma, palmoleína ou oleína de palma, manteiga de palma, ... . 
Alguns produtos alimentares já aparecem a anunciar "sem óleo de palma".

2 - Esteja atento e seja interventivo em relação às políticas de combustíveis, pois na União Europeia mais metade do óleo de palma usado é para queimar como fonte de energia, com o descaramento de lhe chamar "renovável"! Veja aqui.

- Assine as petições:


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O regresso do fascismo

O termo fascismo deriva da palavra em latim fasces, que designava um feixe de varas amarradas, e que, acopladas a um machado, se tornou no símbolo do poder de castigar ou de matar.  

Imagem obtida aqui
Embora sem definição consensual, o fascismo tem como características, as ambições totalitárias, o militarismo, a mobilização em massa da população,  a crença num líder forte com poder absoluto, a educação para a obediência, o desencorajamento do pensamento crítico, o uso da violência para repressão política, o recurso a bodes expiatórios, o populismo e a demonização de grupos sociais, entre outros aspectos.

Os europeus conhecem bem o fascismo que grassou na Europa da primeira metade do século XX, e assumidamente assim designado por Mussolini na Itália (Partido Nacional Fascista) e com o nome de Nacional Socialismo na Alemanha, com  Hitler, que ficou conhecido como Partido Nazi ou Nazista (de Nationalsozialist).  Apesar de associado habitualmente à extrema direita, o fascismo também existe na extrema esquerda - como o foi o regime de Estaline.


Símbolo do fascismo (wikipedia)
«O fascismo nasceu dentro da sociedade. A ignorância da sociedade de massa é também uma ignorância dos valores espirituais e morais. O fascismo surge nesse contexto. Como afirmo em Para combatir esta era:  apesar do progresso científico e tecnológico e do enorme acesso à informação, a força dominante da nossa sociedade é a estupidez organizada. Mão se detém o fascismo através da economia, da tecnologia ou da ciência, nem mesmo através de através das instituições - porque elas dependem das pessoas que as compõem - mas apenas com uma mentalidade diferente.  

Mann, Camus, Sócrates e muitos outros pensadores alertaram que a "nobreza de espírito" é um dos ideais mais democráticos que existem. Para cultivá-lo, não é preciso dinheiro, ser  tecnologicamente avançado ou ter um diploma universitário. A nobreza de espírito é uma mentalidade, é saber o que é a dignidade humana.»
Fonte: Rob Riemen (em entrevista, daqui)


O pequeno livro O Eterno Retorno do Fascismo de Rob Riemen, resume em poucas páginas , como o fascismo é como um vírus que se encontra latente no seio da sociedade, e como o egoísmo e a falta de valores são o veículo que lhe permite desenvolver-se. Abaixo algumas transcrições:

"Albert Camus e Thomas Mann não foram decerto os únicos a compreender depressa, mas a guerra terminou, o que todos ansiamos esquecer: o bacilo fascista estará sempre presente no corpo da democracia de massas. negar este facto ou dar outro nome ao bacilo não nos tornará resistentes a ele. Pelo contrário.  Se queremos combatê-lo eficazmente, teremos de começar por admitir que está novamente prestes a contaminar a nossa sociedade, teremos de o chamar pelo seu nome: «fascismo». Além disso, o fascismo nunca é um desafio, é sempre um grave problema porque desemboca inevitavelmente no despotismo e na violência. E chamamos perigo a tudo o que provoque estas consequências. Negar a existência de um problema ou, pior ainda, de um perigo é praticar a política da avestruz. Quem não aprende com a história está condenado a vê-la repetir-se.
... ...
«Somos antifascistas!»
Em 2004, o eminente historiador americano e especialista em história do fascismo, Robert O. Paxton, publicou a sua notável obra The Anatomy of Fascism, onde sublinha que, no século XXI, nenhum fascista se designará a si próprio como tal. Os fascistas não são estúpidos e são mestres na arte da mentira. Os fascistas contemporâneos distinguem-se em parte pelo que dizem, ainda que seja igualmente importante o modo como actuam. À semelhança de Togliatti, Paxton afirma que o fascismo, devido á sua angustiante falta de ideias, e ausência de valores universais, assumirá sempre a forma e as cores do seu tempo e da sua cultura. Assim, o fascismo na América será religioso e contra os Negros, ao passo que na Europa Ocidental será laico e contra o islão, na Europa do leste, católico ou ortodoxo e anti-semita. A técnica usada é idêntica em toda a parte: um líder carismático populista, para mobilizar as massas; o seu próprio grupo é sempre vítima (das crises, da elite ou dos estrangeiros); e o ressentimento orienta-se todo para um «inimigo». O fascismo não precisa de um partido democrático cujos membros sejam individualmente responsáveis; necessita de um líder inspirador e autoritário ao qual se atribuem instintos superiores(as suas decisões não têm de ser justificadas), de um líder capaz de ser seguido e obedecido pelas massas. O contexto em que esta forma de política pode dominar é o de uma sociedade de massas afectada pela crise que ainda não aprendeu as lições do século XX."

Fonte: "O Eterno Retorno do Fascismo", Rob Riemen, 2010, edição portuguesa:  Bizâncio,  2012


O pensamento crítico e os valores universais, como a solidariedade, a justiça, a liberdade, a bondade, são fundamentais para o reconhecimento e luta contra o fascismo, pois é na ausência dos mesmos que ele consegue crescer.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Ser gentil faz bem à saúde

É raro ver televisão, mas hoje apanhei este pequeno vídeo no programa infantil Zig Zag da RTP2.
São quase dois minutos de bons conselhos para miúdos e graúdos.

domingo, 28 de outubro de 2018

The Girl Efect - campanha de doação de telemóveis antigos

Os telemóveis são hoje uma ferramenta que nos liga ao mundo em qualquer lugar. Infelizmente, a dependência de algumas pessoas é preocupante, sobretudo em faixas etárias muito jovens, tornando-se nefasto.

Mas em locais onde o acesso à educação e à igualdade entre géneros não é fácil, o telemóvel pode ser uma ferramenta que faz a diferença.

A Fundação Vodafone e a Girl Effect estabelecem parceria para conectar 7 milhões de meninas vulneráveis em 8 países.

Para colaborar neste projeto, entregue o seu telemóvel antigo numa loja Vodafone, durante 2019.

The Girl Efect é uma organização sem fins lucrativos independente  ativa em 66 países.

«As mulheres, principalmente dos países em desenvolvimento, necessitam de ser empoderadas, de se tornarem livres e independentes bastando para isso que lhes retirem os obstáculos associados ao género. 
Para quê? 
Para escaparem à pobreza, à violência, à desigualdade no acesso a educação, saúde e emprego. 
Para melhorarem a sua participação política e funcionarem como agentes de mudança da sociedade, já que são quase sempre os pilares da família.» 
Fonte: Delas

sábado, 20 de outubro de 2018

Os verdadeiros valores não têm preço

Infelizmente, a tendência que temos visto é que os mercados agora cheguem a todas as partes da vivência humana. Paga-se por barrigas de aluguer, compra-se o direito a poluir, o direito a não estar na fila, quase tudo se compra, quase tudo se vende.  As recompensas monetárias às crianças pelos bons comportamentos são provavelmente uma das maiores causas deste problema: uma geração que cresceu a achar que o dinheiro é o valor mais importante.  Para trás vão ficando os verdadeiros valores, como a solidariedade, respeito pelo outro, respeito pela natureza. 


A imagem / texto acima foram obtidos a partir do extrato  do livro O Que o Dinheiro Não Pode Comprar de Michael J. Sandel,  filósofo, escritor, professor universitário, ensaísta, conferencista e palestrante, e que enche auditórios e campos de jogos ao ar livre. A  seguir, fica o texto de apresentação do livro da Editorial da Presença : 

«Devemos recompensar monetariamente as crianças por lerem livros ou terem boas notas? Deveremos permitir que as empresas paguem para obterem o direito de poluírem a atmosfera? É ético aceitar ser pago para tatuar o nosso corpo com mensagens publicitárias?

Vivemos numa época em que quase tudo pode ser comprado e vendido. Nas últimas décadas, os valores do mercado infiltraram-se em quase todos os aspetos da nossa vida - saúde, educação, justiça, governo e até família -, e deixámos de ter uma economia de mercado para passarmos a ter uma sociedade de mercado. Mas que preço pagamos por vivermos numa sociedade em que tudo está à venda?

Em O Que o Dinheiro Não Pode Comprar, o autor procura lançar o debate, de forma a repensar o papel e o alcance dos mercados nas nossas práticas sociais, nas relações humanas e na vida quotidiana. E, acima de tudo, Michael J. Sandel procura responder à questão fundamental: como podemos proteger aquilo que é verdadeiramente importante?»




«Para lidar com esta situação, não nos basta protestar contra a ganância; precisamos de repensar o papel que os mercados devem desempenhar na nossa sociedade. Necessitamos de um debate público sobre o que significa manter os mercados no seu devido lugar. E, para que isso aconteça, precisamos de refletir sobre os limites morais dos mercados. Precisamos de nos perguntar se há algumas coisas que o dinheiro não deve comprar. A invasão dos mercados, e do pensamento orientado para o mercado, em aspetos da vida tradicionalmente regidos por normas não mercantis é um dos desenvolvimentos mais significativos dos nossos tempos.»   Michael J. Sandel

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Alimentação: o futuro pela boca!

Pirâmide dupla, BCFN
«A alimentação é um tema que toca a todos e a cada um de nós. Todos comemos e estamos, portanto, dependentes do acesso a alimentos saudáveis e nutritivos. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação são, por isso, questões-chave do desenvolvimento humano. Uma sociedade não pode ser considerada desenvolvida se estas questões não estiverem, em grande parte, resolvidas. O acesso aos alimentos e a qualidade da alimentação (ou a sua falta) têm, por outro lado, profundas implicações ao nível da saúde pública, do bem-estar das pessoas e do capital humano, afetando, portanto, a própria capacidade de uma sociedade para se desenvolver.

Pirâmide da pegada de carbono, BCFN
A alimentação é, além disso, o principal motivo para atividades produtivas como a agricultura e a pesca, que transformam profundamente os ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos que nos rodeiam. A pegada ecológica e a sustentabilidade do nosso modelo de produção, transformação, transporte, distribuição e consumo de alimentos são, por isso, questões incontornáveis no debate sobre a alimentação. A desigualdade social afeta fortemente o acesso de muitos a uma alimentação de qualidade, quer nos países em desenvolvimento quer nos países ditos desenvolvidos. Esta é, por isso, também uma questão a não excluir de qualquer discussão séria sobre o futuro da alimentação. Uma alimentação com futuro requer, assim, o acesso, por parte de todos, a uma alimentação saudável e ecologicamente sustentável.


O futuro da alimentação humana num mundo em crescimento demográfico, com dietas em rápida mutação, com escassez crescente de recursos cruciais como a água, a energia e o solo fértil, e num contexto de alterações climáticas cada vez mais visíveis, coloca hoje desafios monumentais à ciência e à tecnologia, às políticas públicas nos mais diversos domínios e a todos nós, enquanto cidadãos e consumidores.
...
Fonte: Akatu
O futuro da alimentação passa pelas decisões do consumidor, que, multiplicadas por sete mil milhões, se transformam na força de mudança mais poderosa. As escolhas alimentares dos consumidores serão um dos fatores mais decisivos para a mudança climática e têm impactos sobre o consumo de água e de energia e sobre o uso do solo. São muito diferentes as necessidades de energia, água e terra para a produção, transporte, consumo e armazenamento de diferentes tipos de alimentos, bem como os resíduos produzidos. As escolhas alimentares dos consumidores afetam ainda a saúde pública, o bem-estar das pessoas e a sua capacidade de contribuir para o desenvolvimento da sua sociedade. Deste modo, parece muito claro que modificar os comportamentos e decisões de consumo é questão-chave para assegurar uma alimentação saudável, ambientalmente sustentável e geradora de maior potencial de desenvolvimento.»

Fonte: "O Futuro da Alimentação: Ambiente, Saúde e Economia", Fundação Calouste Gulbenkian; (extraído da introdução do relatório, de José Lima Santos, Isabel do Carmo, Pedro Graça e  Isabel Ribeiro)



Estou convicta de que o futuro depende mais da alimentação do que de qualquer outra coisa ou atividade que possamos fazer.  As nossas escolhas alimentares interferem profundamente na nossa saúde e na dos nossos descendentes, no ambiente, biodiversidade e alterações climáticas, na economia, soberania alimentar e democracia. Muito mais do que parece à primeira vista.




Quando escolhemos o que compramos para comer, não estamos apenas a promover a nossa saúde ou a nossa doença, estamos a votar num determinado sistema económico.

Fonte: BCFN
Ao preferir produtos biológicos, ao optar por produtos locais e da época, ao escolher dietas vegetarianas (ou ao introduzir refeições vegetarianas), ao não comprar produtos processados ou excessivamente embalados, não está apenas a cuidar da sua saúde, está também a cuidar da saúde do planeta.

Dia 16 de outubro é o Dia Mundial da Alimentação; dia 1 de novembro é o Dia Mundial do Veganismo; dia 8 de novembro é o Dia Europeu da Alimentação e Cozinha Saudáveis; que o assinalar destas datas permitam contribuir para a informação e reflexão sobre  o assunto.

Para saber mais sobre alimentação saudável, consulte o blogue NUTRIMENTO do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção-Geral da Saúde, no qual pode consultar muitos manuais sobre alimentação, inclusive os manuais (entre muitos outros):



Disponível também muita informação sobre alimentação no Centro Barilla de Alimentação e Nutrição (Barilla Center for Food and Nutrition Foundation, BCFN): https://www.barillacfn.com/ (em inglês ou italiano).

Livro/ e-book "Eating Planet" referido no vídeo: https://www.barillacfn.com/en/dissemination/eating_planet/ 

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Mensagem  publicada a 6 de novembro de 2016, republicada em 16 de outubro de 2018, Dia Mundial da Alimentação

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

"ETERNAL FOREST" - Famalicão - 26 de outubro

Sessão Ambientar-se "FLORESTA ETERNA"


"Eternal Forest", de Evgenia Emets, 2018 (40 min)

26 outubro 2018  | 21h30
Casa do Território
Parque da Devesa
Vila Nova de Famalicão

Esta sessão é dinamizada pela Associação Famalicão em Transição, e contará, para o debate,  com a realizadora e artista  Evgenia Emets (via Skype).

São também convidados para o debate, Raul Silva e Jorge Morais, representantes da Quercus Aveiro e do Projeto Cabeço Santo, que visa promover a recuperação ecológica e paisagística do Cabeço Santo e a educação para a sustentabilidade.

Sinopse:  «A ideia de "Floresta Eterna" é repensar a nossa relação com a floresta, reconetar e transformar a comunidade através de um projeto de arte, envolvendo as pessoas ativamente na sua co-criação. O projeto teve lugar em Gois, Portugal, que sofreu incêndios sem precedentes em outubro de 2017 devido a décadas de práticas florestais insustentáveis e à monocultura generalizada de eucalipto em Portugal, ao colapso das comunidades e à desertificação humana.
O projeto inclui num documentário artístico, uma série de trabalhos de poesia visual, incluindo um livro da artista, e uma experiência na floresta.
O documentário "Eternal Forest" repensa e transforma a relação de uma comunidade com as suas florestas, através das vozes das pessoas que vivem em Goís, Arganil e Lousã.»

Alertando para a necessidade de defender a floresta, a Associação Famalicão em Transição apresenta este documentário, um ano depois das tragédias dos incêndios de 15 de outubro de 2017.

Trailer


domingo, 7 de outubro de 2018

Encontro sobre Ambiente em Famalicão - 10 de novembro

Novamente em Famalicão, 10 de novembro 2018:  Primeiro aniversário e reflexão voltada ao futuro -  Convergência pelo Ambiente em 2019.  Campo Aberto e Famalicão em Transição convidam para novo encontro sobre Ambiente no Parque da Devesa


Em 7 de outubro faz um ano que cerca de 35 associações, grupos, coletivos e outros tipos de entidades se reuniram no Parque da Devesa, em Famalicão, para a realização do Encontro intitulado «Ação Ecoambiental, Transição Sustentável e Regeneração» no qual foi aprovado o documento «Carta de Famalicão» relativo a algumas prioridades da defesa do ambiente em Portugal e em especial na região Norte e Noroeste

As associações organizadoras desse encontro convidam agora todos os que participaram e outros que entretanto se tenham interessado e até subscrito a Carta de Famalicão a uma troca de impressões numa sessão comemorativa do primeiro aniversário daquele encontro e de aprofundamento das suas conclusões. A reunião será no sábado 10 de novembro, das 15h00 às 19h00, também na Casa do Território, no Parque da Devesa em Famalicão.

Agradecemos à Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, e em especial ao seu Presidente, Dr. Paulo Cunha, a cedência para o efeito do auditório daquele Parque.

Convidamos os interessados a inscreverem-se neste Encontro Famalicão 2018. Para isso, basta preencher o formulário em goo.gl/8yfYwZ

Encontro Famalicão - 10 de novembro de 2018
Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão

PROGRAMA
  • 15:00    Abertura
  • 15:15    Transgénicos, Agricultura e Ambiente (Tópicos: Intervenção ecoambiental e alimentação saudável nas cidades e no campo; agricultura sustentável; soberania alimentar; fazer frente à poluição pelos pesticidas e outros químicos e pelos organismos geneticamente modificados)
  • 17: 00   Pausa
  • 17:30    Ambiente e cooperação interassociativa (Tópicos: como reforçar a cooperação interassociativa com vista a um ambiente mais saudável; instituir em 2019 um Dia de Convergência pelo Ambiente?)
  • 19:00     Encerramento
Atualizações em: https://carta-de-famalicao.webnode.pt/blog/

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Gostaria de comer plástico?


Previsões apontam que em 2050 haverá mais plásticos que peixes nos oceanos.

Ajude a impedir isso!

Não use plástico descartável e evite os restantes plásticos.

Não deite lixo para o chão.

Não liberte balões.

Deixe as praias mais limpas do que as encontrou.



Sobre o vídeo da campanha em Cabo Verde, veja em Observador

Sobre o lixo plástico no oceano, espreite aqui.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Agir pelo Clima

Já não há dúvidas de que estamos a enfrentar alterações climáticas, os temporais, as inundações, as secas, os incêndios, as temperaturas anormais, são cada vez mais frequentes e mais intensos. O problema é tão sério e grave que parece incompreensível, e não se age em proporção. Em Portugal, por exemplo, pretende-se começar com a exploração petrolífera! Urge agir e mudar a situação, ou o futuro da humanidade na Terra está em risco.  
Por isso a 8 de setembro marchamos, no Porto, em Lisboa e em Faro, e em muitas cidades do mundo.

Imagem daqui
Como já quase toda a gente percebeu, estamos numa crise ambiental sem precedentes. Se por um lado os movimentos ambientalistas a nível nacional ou internacional muito têm feito para que as condições ambientais em muitos lugares e em muitos setores tenham melhorado nas últimas décadas, também é verdade que o excesso de consumo de recursos e as alterações climáticas colocam em causa o futuro da humanidade.

Muito há para fazer. Todos temos um papel, fundamental, de mudar o nosso comportamento, ser menos consumista, gastar menos energia, menos água, escolher os alimentos de menos impacto no ambiente, e por aí fora.

Mas não chega, a velocidade a que as alterações climáticas progridem não deixa margem para manobras: são precisas medidas políticas de fundo, fortes e urgentes, para reduzir as emissões! Em Portugal, na Europa no Mundo, estamos todos no mesmo planeta!

Desde a Cimeira do Rio em 1992 que o aquecimento global e as alterações climáticas se tornaram assunto para agendas políticas, resultando mais tarde no protocolo de Quioto (1997), bem como tema conhecido de um restrito público activista e interessado. Mas as primeiras evidências de que a terra está a aquecer, e de que esse aquecimento tem como uma das causas a atividade humana, designadamente as emissões de CO2, já tinham sido apresentadas no meio científico no início da década de 80 por James Hansen.

Fonte: NASA (https://climate.nasa.gov/evidence/)
A partir de 2006, através do filme "Uma Verdade Inconveniente", Al Gore divulgou a teoria do aquecimento global, levando a que muitas pessoas começassem a ficar sensibilizadas para o tema, e várias manifestações globais têm vindo, desde então a criar um movimento mundial que procura e propõe uma multiplicidade de soluções para minimizar as emissões de CO2 e outros gases com efeito de estufa (GEE).

Em paralelo com o aparecimento de uma consciência generalizada da urgência de medidas para "travar" ou minimizar as alterações climáticas, surgem teorias contrárias à do aquecimento global: umas que dizem que não há aquecimento global, outras confirmam a existência de aquecimento global, mas negam a influência da atividade humana como causa. Aproveitando-se do facto da ciência climática ser de difícil entendimento, grandes interesses lançam a confusão com teorias da conspiração e a dúvida instala-se na opinião pública, nos media e mesmo a nível de governos. Isto retarda a ação que já era urgente e diminui o impacto das medidas para combater as alterações climáticas.

Fonte: Climate Action Tracker
Depois de várias cimeiras do clima inconclusivas e ineficazes, finalmente conseguiu-se um acordo na a 21ª cimeira do clima, a Cimeira de Paris, em dezembro de 2015. Este Acordo de Paris foi assinado por 195 países e tem como objetivo principal reduzir a emissão de gases com efeito estufa de forma a limitar o aumento da temperatura global em 2ºC relativamente aos níveis pré-industriais, e prosseguir os esforços para limitar o aumento da temperatura a até 1,5°C, reconhecendo que isto vai reduzir significativamente os riscos e impactos das alterações climáticas

No entanto, apesar de ser um sucesso, o Acordo de Paris é insuficiente para travar o aquecimento global, pois não foram estabelecidos objetivos concretos nem obrigações a cumprir, nem para países nem para empresas (note-se que 71% das emissões de GEE entre 1988 e 2015 foram emitidas por 100 empresas).

Emissões de CO2 cumulativas e percapita,
1970-2013;  Gráfico daqui
Além disso, com a saída dos EUA deste compromisso,  o maior emissor de GEE acumulado e o segundo maior emissor atual de gases com efeito de estufa (a seguir à China), a situação piorou e os  riscos agravaram-se.

Entretanto, as catástrofes climáticas - inundações, secas, incêndios, tempestades, ondas de calor, sucedem-se a velocidades e intensidades nunca antes testemunhadas.  Sabe-se que o clima está a mudar, sabe-se que as emissões de GEE têm influência, sabe-se que as amenas temperaturas que permitiram o desenvolvimento das civilizações desde há 12 mil anos estão a deixar de o ser.

Tudo isso se sabe mas há uma letargia geral das classes governativas que tornam a ação insuficiente para prevenir uma catástrofe global num futuro próximo.  Recomendo a visualização deste pequeno vídeo que em 5 minutos explica a história das alterações climáticas, esclarecedor e motivador.



Portugal: a exploração de petróleo, o presente que envenena o futuro

Em Portugal, apesar de tudo isto, ainda se pretende iniciar a exploração de petróleo no Algarve e na costa oeste, num contrassenso irresponsável!  A economia e os negócios de grandes empresas continuam a prevalecer contra a proteção do futuro das novas gerações e mesmo dos jovens de hoje. Não podemos permitir este estado de coisas!


Precisamos de unir esforços para que os decisores políticos nos ouçam, levem as alterações climáticas a sério, e tomem medidas proporcionais ao problema.


Marcha pelo Clima

A iniciativa internacional “Rise for Climate”, pretende chamar a atenção para este assunto, que talvez seja o maior problema que a humanidade teve de enfrentar, e está marcado um dia de ação global para 8 de setembro.  Em Portugal, a Marcha pelo Clima está a ser organizada em Lisboa, Porto e Faro, e já tem mais de  50 associações e instituições a subcrevê-la.

A Associação Famalicão em Transição, que tem como objetivo principal promver um estilo de vida mais sustentável e em sintonia com a natureza e a comunidade, não podia deixar de se juntar a esta marcha e a esta iniciativa, e tem participado nas reuniões preparatórias no Porto.

Queremos que as gerações vindouras tenham um futuro e para isso precisamos de fazer a transição para uma vida menos consumista e sem combustíveis fósseis.

Queremos que parem as prospeções e que não haja exploração de petróleo em Portugal, pois isso seria um enorme retrocesso, seria um crime contra as gerações futuras!

Dia 8 de setembro às 17h, estaremos na Marcha pelo Clima no Porto.  

Vamos marchar para exigir:
– uma transição justa e rápida para as energias renováveis;
– zero infraestruturas de combustíveis fósseis novas: nem em Aljezur, nem em Aljubarrota, nem em lugar nenhum.

Pelo futuro, apelamos a que marchem também!

Informações sobre a Marcha pelo Clima em Portugal: www.salvaroclima.pt
Informações sobre a mobilização internacional Rise For Climate: www.riseforclimate.org


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Fontes e mais informações sobre o tema das alterações climáticas:
CDP Carbon Majors Report 2017Climate Action TrackerParlamento EuropeuUNFCCCWWF
E ainda: Público;  WikipediaExame; ExpressoObservadorEcodebate
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Artigo publicado originalmente em VILA NOVA online, 2/9/2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Portugal junta-se à Marcha Mundial do Clima

«COMUNICADO
*** Portugal junta-se à Marcha Mundial do Clima em três cidades no dia 8 de setembro. ***

Marchas em Lisboa, Porto e Faro exigem que não se inicie a exploração de combustíveis fósseis e se faça uma transição justa e rápida para energias renováveis.

No próximo dia 8 de setembro, às 17 horas, marcaremos presença em Lisboa, Porto e Faro na Marcha Mundial do Clima sob o lema “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”. Juntamo-nos à mobilização internacional “Rise for Climate”, que unirá milhões de pessoas em centenas de cidades por todo o mundo.

Exigimos uma transição justa e rápida para energias renováveis que vá ao encontro ou supere os compromissos governamentais de Portugal ser neutro em carbono até 2050 e que cumpra os compromissos a que se vinculou com o Acordo de Paris. Exigimos que não se criem novas infraestruturas de combustíveis fósseis em Portugal. Não faz sentido iniciar um ciclo de investimentos baseado numa economia do passado prejudicando o clima quando o país se comprometeu com o contrário. Por isso dizemos não aos projetos de petróleo frente a Aljezur, de gás em Aljubarrota e em outras zonas concessionadas ou passíveis de o ser.

Em Portugal, as marchas são organizadas no âmbito da iniciativa Salvar o Clima, que conta já com a subscrição de mais de 40 organizações de ambiente, movimentos cívicos, sindicatos e partidos políticos.

Em Lisboa e Faro, estão previstos breves discursos por parte de algumas organizações no final da marcha. No Porto, os discursos serão proferidos antes do início da marcha.
*
Contexto
Portugal tem sido severamente atingido por secas, vagas de calor, e incêndios descontrolados. A nossa floresta, o maior sumidouro de carbono que possuímos tem vindo a ser destruída. Os nossos compromissos com o Acordo de Paris e com a neutralidade carbónica até 2050 espelham uma profunda contradição com as intenções de abrir o país à exploração de combustíveis fósseis.

Esta contradição tem de ser urgentemente invertida em prol da vida na Terra e não de perspetivas irrealistas de retorno económico, retorno este muito inferior aos possíveis impactes locais e aos garantidos impactes globais.

Mesmo num período da nossa civilização em que por vezes surgem informações falsas e populistas, a verdade é que o consenso científico demonstra as evidências irrefutáveis das alterações climáticas. Estas evidências estão infelizmente a tornar-se parte do nosso quotidiano, e lentamente constatamos uma mudança do clima com consequências dramáticas desde já, e principalmente para as próximas gerações, afetando múltiplos domínios da nossa sociedade.

Os efeitos fazem-se sentir cada vez mais e a velocidade com que a gravidade e intensidade destes se manifesta é cada vez maior. Conceitos como “planeta mais quente” estão rapidamente a ser substituídos pela noção de “planeta inabitável”.

Estamos progressivamente a perder a luta contra o tempo para salvarmos o nosso planeta. De acordo com estudos recentes, há um risco crescente de atingirmos um ponto a partir do qual o sistema Terreste ficará permanentemente instável, passando este a acelerar as alterações climáticas ao invés de as atenuar.

Com a intensificação dos impactes das alterações climáticas, chegámos ao momento em que temos de ir bem para além do que as negociações internacionais podem oferecer.
Juntos podemos mobilizar-nos para a construção de uma liderança climática e criar o momento certo para assegurar uma transição energética para um mundo sustentável e equitativo. Para atingir isso, comunidades do todo o mundo vão liderar e assegurar a transição justa e rápida para energias 100% renováveis para todos, ao mesmo tempo que param todos os novos projetos de exploração de combustíveis fósseis.

A Marcha Mundial do Clima marcará o passo dos próximos eventos políticos, e mostrará aos nossos líderes qual a resposta que queremos para a realidade da crise climática
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A iniciativa n’1 minuto:
Quem? |Mais de 40 organizações (ONGs, movimentos locais, sindicatos, partidos)
O quê? | Marcha Mundial do Clima
Onde? | LISBOA: Cais do Sodré | PORTO: Praça da Liberdade | FARO: Largo da Sé
Quando? | 8 de setembro, sábado, 17h00
Porquê? | “Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!”

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Informações e contactos:    www.salvaroclima.pt
Mobilização internacional: www.riseforclimate.org

Organizações Promotoras:
Academia Cidadã
Alentejo Litoral pelo Ambiente
ASMAA – Algarve Surf and Maritime Activities Association
Associação das Terras e das Gentes da Dieta Mediterrânica
Bloco de Esquerda
Campo Aberto
Circular Economy Portugal
CIDAC – Centro Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral
The Climate Reality Project em Portugal
Climáximo
A Coletiva
Coopérnico – Cooperativa de Energias Renováveis
Empregos para o Clima
Famalicão em Transição
Futuro Limpo
GAIA – Grupo de Ação e Intervenção Ambiental
JOC – Juventude Operária Católica
Linha Vermelha
Livre
Marcha do Orgulho do Porto
Movimento Alternativa Socialista
Núcleo Académico para a Protecção Ambiental do ISCSP
Núcleo do Ambiente da FLUL
Pagan Federation International Associação
PAN – Pessoas Animais Natureza
PALP – Plataforma Algarve Livre de Petróleo
Partido Ecologista Os Verdes
Peniche Livre de Petróleo
Porto sem OGM
Precários Inflexíveis
Preservar Aljezur
Reflorestar Portugal
Sciaena
Slow Food Algarve
SOS – Salvem o Surf
Socialismo Revolucionário
SOS Racismo
SPGL – Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
SPN – Sindicato de Professores do Norte
STCC – Sindicato dos Trabalhadores de Call Center
Tamera
Tavira em Transição
TROCA – Plataforma por um Comércio Internacional Justo
Stop Petróleo Vila do Bispo
Um Activismo por Dia
Volt Portugal
Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável»

Fonte: email da organização da Marcha pelo Clima em Portugal, de 3 de setembro de 2018

domingo, 26 de agosto de 2018

"A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que outros o salvarão"

Este artigo, escrito pelo músico e ativista Bob Geldof, alerta para o estado critico da humanidade, focando-se na alimentação: desperdício alimentar e má distribuição dos alimentos, e apela a novas políticas sérias e eficazes. Abaixo transcreve-se parte do texto, mas vale a pena ler o artigo completo no Jornal de Negócios  (em português) ou no original em Project Syndicate (negrito meu).

«Precisamos de uma revolução alimentar 
por Bob Geldof

...
O destino dos habitantes da Ilha de Páscoa ilustra o actual problema do mundo. Em algum momento do século XII, um grupo de polinésios chegou a uma remota ilha vulcânica onde densas florestas forneciam comida, animais, assim como ferramentas e materiais para construir centenas de esculturas de pedra complexas e misteriosas. Mas, pouco a pouco, as pessoas destruíram essas florestas, acabando por cometer um suicídio social, cultural e físico.

Hoje, em termos relativos, temos apenas uma pequena área de floresta - e estamos a destruí-la com muita rapidez. Estamos a ficar sem terra para cultivar e o deserto está a alastrar. Os alimentos que produzimos são muitas vezes desperdiçados, enquanto mil milhões de pessoas não têm o que comer - uma realidade que deixa muita gente com poucas opções a não ser migrar.

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Imagem obtida em  Project Syndicate 
Enquanto o Sul pobre morre de fome, o Norte rico tem demasiada comida. Mais de dois mil milhões de pessoas têm excesso de peso, inchadas por açúcares de baixo valor alimentar e por alimentos processados produzidos em massa e ricos em gorduras. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, bastaria um quarto dos alimentos que deitamos fora ou desperdiçamos todos os anos para alimentar 870 milhões de pessoas famintas. Por todo o mundo, desperdiça-se um terço de todas as colheitas. Como os habitantes da Ilha de Páscoa do passado, estamos a preparar-nos para a auto-aniquilação.

...
O que é necessário não é apenas um ajustamento politicamente tolerável às políticas existentes, mas sim uma reforma de fundo que gere resultados reais. Infelizmente, não é evidente que existam políticos à altura do desafio, tanto nos erráticos e polarizados EUA como nos ineficientes Parlamento Europeu e Comissão Europeia.

A hora de ir em frente foi ontem; a hora de adoptar uma nova abordagem é agora. Podemos discutir os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas - que incluem metas como "reduzir para metade o desperdício global de alimentos per capita no retalho e no consumidor, e reduzir as perdas alimentares ao longo das cadeias produtivas e de fornecimento até 2030" - até à exaustão. O que importa são políticas bem concebidas, eficazes e abrangentes, implementadas de forma sustentada. E essas não existem em lado nenhum.

A Terra tem 45 milhões de séculos, mas o nosso século é único, porque é o primeiro em que uma espécie pode destruir toda a base da sua própria existência. Contudo, nós, os habitantes da Ilha de Páscoa dos nossos dias, parecemos alheios a esta ameaça existencial, e preferimos construir estátuas em vez de sistemas sustentáveis para a nossa sobrevivência.

Bob Geldof. Imagem
obtida em Jornal de Negócios
Será que só vamos reconhecer a nossa situação quando a terra se tornar um deserto, quando os nossos sistemas de saúde colapsarem, quando até mesmo os ricos enfrentarem escassez de alimentos, quando a água doce se tornar escassa e quando as nossas linhas costeiras forem violadas? Nessa altura, será tarde demais e o nosso destino estará traçado.

A maior ameaça ao nosso planeta é a crença de que alguém o salvará. Cada um de nós deve reconhecer a seriedade da nossa situação e exigir acções concretas para a mudar. 
Estou a falar de si.»

Extrato do artigo de Bob Geldof de 12 de julho 2018 em Project Syndicate, com tradução de Rita Faria publicada no Jornal de Negócios  de 7 de agosto de 2018.

domingo, 19 de agosto de 2018

Ignoramos as alterações climáticas há mais de um século

«Sabemos sobre o efeito estufa há quase 200 anos e sobre o aquecimento global há mais de um século, mas temos tido dificuldade em agir porque nossos cérebros são demasiado pequenos para um problema tão grande.»

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Lidar com o aquecimento global

«O maior obstáculo para lidar com as alterações climáticas somos nós, diz o psicólogo e economista Per Espen Stokes. 

Ele passou anos a estudar as defesas que usamos para evitar pensar sobre o extinção de nosso planeta e descobrindo uma nova maneira de falar sobre o aquecimento global que nos impeça de desistir. 

Afaste-se das narrativas do dia do juízo final e aprenda como fazer o cuidado pela Terra algo agradável, possível e fortalecedor com esta palestra divertida e informativa.»

Fonte:  palestra TED de Per Espen Stokes, Nova Iorque, setembro 2017

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Pessoas pelo Clima: famílias processam a UE

O Tribunal Geral da UE aceitou formalmente o processo “Pessoas pelo Clima”, uma ação em que famílias estão a levar a União Europeia a tribunal devido às políticas no âmbito das alterações climáticas.


«Em maio de 2018, 10 famílias de 7 países (Portugal, Alemanha, França, Itália, Roménia, Quénia e Fiji) e a Associação Juvenil Sáminuorra (Suécia) apresentaram uma ação legal no Tribunal Geral da União Europeia (UE) contra o Parlamento e o Conselho Europeus, por considerarem que a UE não está a fazer tudo o que está ao seu alcance para combater as alterações climáticas e proteger os seus direitos fundamentais dos efeitos adversos das alterações climáticas que estão já a sentir.

Esta foi uma iniciativa inédita de cidadãos que apelaram para uma maior ambição na meta de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2030, a assumir pela UE como um todo, para cumprir o Acordo de Paris. Consideram que a atual meta de redução de, pelo menos 40%, até 2030, é inadequada em relação à necessidade real de prevenir os efeitos das alterações climáticas.

O Tribunal Geral da UE aceitou formalmente o caso e é publicado hoje no Jornal Oficial da UE , pelo que este é um primeiro passo importante no processo “Pessoas pelo Clima”. O Parlamento e o Conselho Europeus são os alvos desta ação e deverão apresentar a sua defesa nos próximos dois meses.

Esta notícia surge num momento em que a maioria dos europeus ainda está a sofrer os impactos adversos de ondas de calor, secas e incêndios florestais, eventos climáticos extremos que os cientistas relacionam com as alterações climáticas e que estão a atingir as famílias envolvidas neste caso.»

Fonte: ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, comunicado de 13/8/2018

O que pode fazer?


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

8 setembro: Marcha Mundial do Clima 2018

«A verdadeira liderança climática emerge das bases.

A mudança começa conosco — faça parte do movimento que está acabando com a era dos combustíveis fósseis e construindo um mundo com 100% de energia limpa, livre e renovável para todos.

Nas ruas, nas praças e em prédios públicos em todo o mundo, as pessoas vão se unir para exigir que os políticos apoiem suas comunidades, bairros e cidades, e entreguem mais do que apenas palavras.

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Parar o petróleo! Pelo clima, justiça e emprego!

No dia 8 de setembro, vamos juntar-nos à mobilização internacional “Rise for Climate” para exigir um mundo livre dos combustíveis fósseis, em que as pessoas e a justiça social estejam acima dos lucros.

A verdadeira liderança climática nasce a partir das bases. Isto significa ver o poder nas mãos das pessoas, em vez das corporações; significa uma vida melhor para quem trabalha e justiça para as populações mais afetadas pelos impactos das alterações climáticas e pelas atividades das petrolíferas.

Vamos marchar para exigir:
– uma transição justa e rápida para as energias renováveis;
– zero infraestruturas de combustíveis fósseis novas: nem em Aljezur, nem em Aljubarrota, nem em lugar nenhum.

  • LISBOA: Cais do Sodré, 17h00
  • PORTO: Praça da Liberdade, 17h00
  • FARO: Praia de Faro, 17h00

Fonte e mais informações: www.salvaroclima.pt 


domingo, 5 de agosto de 2018

Tanto plástico nos oceanos

5 biliões de partículas de plástico flutuam nos oceanos, correspondendo a cerca de 270 mil toneladas.  Mais propriamente, são cerca de 5.250.000.000.000 partículas, das quais cerca de 93% têm dimensões inferiores a 5 milímetros.  Em termos de peso, são cerca de 268 940 toneladas de plástico, das quais 13% têm dimensões inferiores a 5 mm milímetros.

Os giros, as chamadas "ilhas" de plástico nos oceanos, 2 no Pacífico, 2 no Atlãntico e 1 no Índico  são cada vez maiores, e no Mediterrâneo, a situação consegue ainda ser pior!

«Os giros são sistemas de correntes circulares criados pelos ventos e pela rotação da Terra, que absorvem os detritos à volta e os colocam no centro da sepiral". .. O que se forma nos oceanos é uma espécie de "névoa" de fragmentos, alguns microscópicos, que desafiam qualquer esforço d limpeza. Essas névoas, de tal forma dispersas, não são visíveis por satélite, muito menos é possível pisálas como a uma ilha»

Fonte: artigo "Há mar e mar", texto de João Diogo Correia e infografias de Carlos Esteves (como a imagem a seguir), Revista do Expresso de 4/8/2018

(fonte: artigo "Há mar e mar", Expresso de 4/8/2018)

Sobre os efeitos nocivos e brutais que este plástico tem nos ecossistemas marinhos, ou muito deste plástico acaba sendo ingerido pelos próprios humanos não vou falar agora.

Sobre as quantidades brutais, vale a pena ler o artigo da Revista do Expresso "Há mar e mar" de João Diogo Correia com infografias de Carlos Esteves (como a imagem acima), rubrica Fisga,  e ver com atenção as imagens e infografias que aqui ficam. Noutras ocasiões falamos de impactos.



Produção global, uso e destino de resinas de polímeros, fibras sintéticas e aditivos (1950 a 2015; em milhões de toneladas)


(gráfico F2 obtido no artigo de Roland Geye e outros, 2017: "Production, use, and fate of all plastics ever made"")


Produção cumulativa de plástico em milhões de toneladas, plástico descartado, incinerado e reciclado, desde 1950 e estimativas até 2050 

(gráfico F3 obtido no artigo de Roland Geye e outros, 2017: "Production, use, and fate of all plastics ever made")


Entrada de resíduos de plástico no oceano em 2010. Estima-se que os 192 países com costa para os oceanos Atlântico, Pacífico e Índico e para os mares Mediterrâneo e Negro tenham produzido 275 milhões de toneladas de resíduos plástico em 2010, e que 8 milhões de toneladas de resíduos plástico tenham entrado nos oceanos nesse ano.


(imagem obtida no artigo"Eight million tons: Researchers calculate the magnitude of plastic waste going into the ocean ", 2015, Universdade da California)



Estimativa do número de partículas (em dezenas de milhares de milhão) e do peso (em centenas de toneladas) de plástico nos oceanos Pacífico Norte (NP), Atlântico Norte (NA), Pacícico Sul (SP), Atlântico Sul (SA), Oceano ìndico (IO), Mar Mediterrâneo (MED) e no global dos oceanos (Total).

(quadro obtido no artigo de Markus Eriksen e outros, 2014: "Plastic Pollution in the World's Oceans: More than 5 Trillion Plastic Pieces Weighing over 250,000 Tons Afloat at Sea")


Distribuição de hotspots de plástico marinho. Os plásticos marinhos podem ser transportados por correntes oceânicas e ventos, e acumulam-se em corpos de água rotatórios chamados Giros: o Giro do Pacífico Norte, também conhecido como a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, é estimado em duas vezes o tamanho do Texas.
(imagem obtida na página "Waste Free Oceans: The Issue")

De resto, já sabe:

Use menos plástico, por favor!