quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Não ao furo, Sim ao futuro! (12 de agosto, Odeceixe)

Quando as alterações climáticas se fazem sentir de forma tão aguda neste país, continuam as notícias sobre perfurações de petróleo na costa portuguesa. Conseguiu-se evitar perfurações na costa algarvia a sul, agora o foco é a costa do Algarve e alentejana a oeste, mas toda a costa portuguesa está em risco com os interesses económicos das petrolíferas. 

Assim, apela-se à participação na manifestação de 12 agosto na praia de Odeceixe, às 16h30.

Área de concessão da Galp: 46 quilómetros ao largo de Aljezur
 e a 80 quilómetros de Sines (imagem daqui).
«O presidente da Galp Energia, Carlos Gomes da Silva anunciou que a petrolífera tem agendado furos exploratórios para extração de petróleo na costa alentejana para a primavera de 2018. Ambientalistas realizam ação a 12 de Agosto, na praia de Odeceixe.
...
"Temos projetado para 2018 o poço de avaliação", disse o presidente da Galp, referindo que “tem tudo preparado” para furar no mar a 46 quilómetros ao largo de Aljezur e a 80 quilómetros de Sines. Carlos Gomes da Silva não especificou a área exata deste furo exploratório.

O furo terá a profundidade entre os 1200 e os 1600 metros e segundo o presidente da Galp, tem como objetivo avaliar “o potencial marítimo em termos energéticos”....

O movimento Standing Rock, liderado pelo ativista e artista americano John Quigley já tinha marcado uma ação na praia de Odeceixe. A manifestação integra os coletivos ASMA (Associação de Surf e Atividades Marítimas do Algarve), ALA (Alentejo Litoral pelo Ambiente), Climáximo e os municípios de Aljezur e Odemira que se juntam ao encontro internacional “Defend the Sacred: Imagina uma Alternativa Planetária” (link is external),  em Tamera.»  

Fonte: esquerda.net  


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Dia de Sobrecarga da Terra - 2 de agosto

Em 2017, o Dia de Sobrecarga da Terra (earth overshoot day), ocorre hoje, dia 2 de agosto. Ou seja, neste ano de 2017, ao 214º dia já gastamos os recursos naturais que a terra pode fornecer de modo sustentável para 365 dias. 42% a mais do que o valor que permite a existência das próximas gerações.

Entretanto, remeto para a mensagem do ano passado "A gastar por conta dos netos", relembrando mais uma vez os conceitos de Biocapacidade e Pegada Ecológica.  Calcule a sua pegada ecológica em http://www.footprintcalculator.org/, faça a sua parte e ajude a a reverter esta situação completamente insustentável. Não se esqueça que a sua parte, por muito pequena que seja, é a mais importante!

"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco" Edmund Burke



terça-feira, 1 de agosto de 2017

Mimos da Natureza (cosmética natural)

Mimos da Natureza é um projeto de produtos naturais e artesanais de higiene e cosmética, desenvolvido pela famalicense Débora Moura.


Entre estes produtos encontramos sabões, pastas dentífricas, elixires dentários, cremes, desodorizantes, bálsamos labiais, after-shaves, champôs, óleos de massagem, entre outros.

A sua composição é de origem natural (isenta de ingredientes químicos sintéticos) e, sempre que possível, biológica e proveniente de práticas sustentáveis para o ambiente e para as pessoas; não contêm ingredientes de origem animal e não são testados em animais. “São produtos feitos com carinho e respeito pela saúde e pela natureza.

«Este projecto começou, indirectamente, há cerca de 7 anos. O interesse pela higiene e cosmética natural e pelas plantas medicinais foi surgindo por volta de 2008 e desde aí frequentei diversos workshops nestas áreas e fui adquirindo conhecimentos através de diversas fontes. 

Começou por ser um projecto individual, para me proporcionar produtos de uso diário de higiene e cosmética que fossem saudáveis, não poluentes e que respeitassem os animais. Não era fácil, na altura, encontrar estas alternativas no mercado e a preços acessíveis. Toda esta informação e interesse levaram-me a ter vontade de experimentar mais e inclusive criar novos produtos, diferentes dos que tinha aprendido a fazer. 

Foram surgindo ideias que fui colocando em prática. Comecei por fazer alguns produtos para mim e mais tarde para amigos e familiares. Ao longo do tempo fui sentindo que queria partilhar estes produtos com outras pessoas e assim surgiram os Mimos da Natureza, numa tentativa de sensibilizar para um consumo ético, saudável e em harmonia com a natureza e, ao mesmo tempo, poder proporcionar essa alternativa de consumo. Apenas em 2013, com mais tempo livre e a desejar um caminho diferente na vida, comecei a esboçar o projecto para o “abrir à comunidade” e em 2014 dei os primeiros passos para o concretizar.

Sendo um projecto de partilha e sensibilização, desenvolvo pontualmente oficinas de higiene e cosmética natural para potenciar a cada um de nós fazer os seus próprios produtos e/ou a fazer escolhas mais éticas e sustentáveis.

O projecto encontra-se num estado de aperfeiçoamento e desenvolvimento. Há sempre ideias novas a surgir e há que as desenvolver e colocar em prática, experimentar. Gostaria que os Mimos da Natureza pudessem chegar a mais pessoas, mantendo ou até melhorando, a sua qualidade. Espero continuar a fazer o que gosto, a divulgar o projecto e a colher os frutos deste processo.»
Débora Moura

Site: http://mimosdanatureza.weebly.com/
Facebook: https://www.facebook.com/mimosdanatureza
E-mail: mimosnatureza@gmail.com

Experimentem! Eu experimentei e posso afirmar que são muito bons, fiquei cliente! Produtos naturais, agradáveis, eficazes e não são nada caros.

(Mensagem idêntica à publicado no blogue de  Famalicão em Transição)

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dia da Conservação da Natureza com Portugal a arder

É muito triste ver que o nosso Portugal está a arder. Múltiplas e graves são as razões para esta situação, acentuada sem dúvida pelas alterações climáticas que já afetam sem dó nem piedade este país. Mais de 75 mil hectares ardidos este ano!

«Os incêndios dos primeiros sete meses de 2017 já consumiram mais floresta do que a totalidade de cada um dos cinco anos da última década.»  (daqui)

Imagem daqui
No Dia Nacional da Conservação da Natureza (28 julho), traz-se aqui um extracto do relatório provisório de incêndios florestais (1 de janeiro a 15 de julho 2017), que mostra a situação alarmante a nível de áreas ardidas, inclusive nas áreas protegidas, mas que não refere o trágico número de vidas humanas perdidas, de vidas humanas estilhaçadas, de habitações ardidas, nem as espécies de animais que pereceram, agravaram o risco de extinção ou que ficaram sem habitat (ex. ver esta notícia)

E de 15 de julho para cá, os incêndios têm-se multiplicado... Uma catástrofe humana e ambiental!

«A base de dados nacional de incêndios florestais regista, no período compreendido entre 1 de janeiro e 15 de julho de 2017, um total de 7.310 ocorrências (1.761 incêndios florestais e 5.549 fogachos) que resultaram em 65.333 hectares de área ardida de espaços florestais, entre povoamentos (46.444ha) e matos (18.889ha).

Comparando os valores do ano de 2017 com o histórico dos últimos 10 anos destaca-se que se registaram mais 16% de ocorrências e quase cinco vezes mais área ardida do que a média verificada no decénio 2007-2016 (Quadro 1). O ano de 2017 apresenta, até ao dia 15 de julho, o quinto valor mais elevado em número de ocorrências e o valor mais elevado de área ardida, desde 2007. »

Fonte: ICNF (http://www.icnf.pt/portal/icnf/noticias/destaques/relatorios-incendios-florestais)

Relatório provisório de incêndios florestais – 2017 – 01 de janeiro a 15 de julho: http://www.icnf.pt/portal/florestas/dfci/Resource/doc/rel/2017/03-rel-prov-01jan-15jul-2017.pdf


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Encontro de associações grupos de ambiente e transição

Encontro 
Ação Ecológica, Transição Sustentável e Regeneração
7 outubro 2017  Vila Nova de Famalicão

A Campo Aberto - associação de defesa do ambiente e a Associação Famalicão em Transição estão a organizar um Encontro de associações e grupos de Ambiente e Transição da zona norte do país, a realizar no dia 7 de outubro na Casa do Território, no Parque da Devesa, em Vila Nova de Famalicão, que conta com o apoio deste Município.


Este encontro procura incluir grupos, coletivos, movimentos, associações, para uma partilha num espírito de colaboração e sinergia, que se debruçará sobre a situação ecológica e ambiental do Noroeste e Norte de Portugal, e do Vale do Ave em especial, mas que terá também uma tónica no conceito de transição e de regeneração.


Pretende-se a partilha de pontos de vista, troca de experiências, de interrogações, dificuldades e também aspetos e realizações positivas. Não há propriamente oradores, todos os participantes contribuirão para essa partilha.

Programa atualizado em:  https://goo.gl/Cpev4z 

Inscrições até 15 de setembro
Ficha de inscrição em: https://goo.gl/gS2TPH
Cada grupo ou iniciativa  deverá remeter a ficha de inscrição ou os dados para contacto@campoaberto.pt com cópia para famalicaom@gmail.

Mais informações em https://goo.gl/EoPPt5  ou através de Campo Aberto - associação de defesa do ambiente (contacto@campoaberto.pt) ou Associação Famalicão em Transição (famalicaom@gmail.com)

terça-feira, 18 de julho de 2017

"A parte mais difícil de ser vegano!"

«A verdadeira dificuldade em ser vegano não envolve comida. A parte mais difícil de ser vegano é dar de cara com um lado mais sombrio da humanidade e tentar permanecer esperançoso. É tentar entender porque pessoas boas e caridosas continuam a participar de violência desnecessária contra animais - apenas pelo seu prazer ou conveniência.»
Fonte: Veganize

domingo, 16 de julho de 2017

A sexta extinção em massa, aí e a acelerar!

«Cientistas alertam para sexta extinção em massa na Terra

Uma “aniquilação biológica” da vida selvagem nas últimas décadas é a conclusão de um novo estudo que dá conta de que milhares de milhões de mamíferos, aves, répteis e anfíbios desapareceram em todo o mundo desde o início do século XX. Para os cientistas significa que está em curso a sexta extinção em massa na história da Terra. O tempo para agir "é muito curto" e a humanidade acabará por pagar um preço muito alto.


O estudo foi conduzido pelos cientistas Gerardo Ceballos, Paul R. Ehrlich e Rodolfo Dirz e analisou 27.500 espécies de vertebrados terrestres (aves, répteis, anfíbios e mamíferos) desde o ano 1900.

Publicado pela PNAS - a revista oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a análise dos investigadores incidiu sobre a redução das populações em espécies existentes, raras e comuns, em vez de analisarem o número de espécies extintas ou em perigo de extinção, processo que era habitualmente utilizado.



“A aniquilação biológica resultante terá, obviamente, sérias consequências ecológicas, económicas e sociais. A humanidade acabará por pagar um preço muito alto pela diminuição do único conjunto de vida que conhecemos no Universo”, explicou ao The Guardian um dos autores do estudo, o mexicano, Gerardo Ceballos.

Rinoceronte filhoteE acrescenta: “A situação tornou-se tão má que não seria ético não usar linguagem forte (…) Todos os sinais apontam para agressões ainda mais poderosos à biodiversidade nas próximas duas décadas, criando uma perspetiva sombria para o futuro da vida, incluindo da vida humana”.

A vida selvagem está a desaparecer devido à destruição do habitat, à poluição, à invasão de espécies exóticas e às alterações climáticas. Mas a principal causa é “a sobrepopulação humana, o crescimento populacional contínuo e o superconsumo”

Fonte e artigo completo (11/7/2017)  em RTP: https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cientistas-alertam-para-sexta-extincao-em-massa-na-terra_n1013982#




sexta-feira, 14 de julho de 2017

Assassinados por lutarem contra o "landgrabbing"

200 pessoas foram assassinadas em 2016 por defenderem as suas casas, meios de subsistência, terras, florestas e rios de que dependem, contra indústrias destrutivas e o landgabbing.  Segundo o relatório DEFENDERS OF THE EARTH da Global Witness, o Brasil lidera esta lista negra com 49 defensores da terra assassinados.

«Nunca foi tão fatal tomar uma posição contra as empresas que roubam terras e destroem o meio ambiente. O novo relatório da Global Witness "Defenders of the Earth", descobriu que quase quatro pessoas foram assassinadas todas as semanas em 2016, protegendo suas terras e o mundo natural de indústrias como mineração, exploração madeireira e agronegócios.

O assassinato é apenas uma das muitas táticas usadas para silenciar os defensores da terra e do meio ambiente, incluindo ameaças de morte, prisões, agressões sexuais e ataques legais agressivos.
...
Não só o número de assassinatos de defensores da terra está a crescer, mas também se estão a espalharo. Em 2016, documentamos 200 assassinatos em 24 países, em comparação com 185 em 16 em 2015. Quase 40% dos assassinados eram indígenas. A falta de processos também dificulta a identificação dos responsáveis, mas encontramos evidências fortes de que a polícia e as forças armadas estavam por trás de pelo menos 43 assassinatos, com atores privados, como guardas de segurança e assassinos contratados, ligados a 52 mortes.
...
É cada vez mais claro que, globalmente, os governos e empresas estão a falhar no seu dever de proteger ativistas em risco. Eles admitem um nível de impunidade que permite que a grande maioria dos perpetradores andem livres, encorajando os aspirantes a assassinos. Os investidores, incluindo bancos de desenvolvimento, estão a alimentar a violência apoiando projetos que prejudicam o meio ambiente e atropelam os direitos humanos.»

Fonte e relatório em Global Witnesshttps://www.globalwitness.org/en/campaigns/environmental-activists/defenders-earth/



sexta-feira, 7 de julho de 2017

MAIS DE UM MILHÃO CONTRA O GLIFOSATO (comunicado)

Plataforma Transgénicos Fora
www.stopogm.net
2017/07/07
A mais rápida de todas as Iniciativas de Cidadania Europeia


Num período record de cinco meses mais de um milhão de pessoas, de todos os Estados Membros da União Europeia, assinaram a favor da proibição do herbicida glifosato. A Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE), que foi liderada em Portugal pela Plataforma Transgénicos Fora, exige também que o processo europeu de autorização de pesticidas seja profundamente melhorado e ainda que se estabeleçam metas obrigatórias para a redução do uso de pesticidas na União Europeia (UE).

Em Portugal foram recolhidas 9632 assinaturas (8901 das quais online; sendo as restantes em papel), que foram já entregues para validação à autoridade nacional competente. No total, em toda a UE, assinaram 1 320 517 pessoas. A Comissão Europeia tem agora a obrigação legal de responder às três solicitações em causa através da proposta de medidas concretas no sentido da sua implementação.

O glifosato é o aspeto mais visível e imediato desta ICE. Segundo o agrónomo Jorge Ferreira, da coordenação da Plataforma, "A Comissão pretende reautorizar por mais 10 anos um herbicida que causa cancro em animais de laboratório, para além de induzir desregulação hormonal e malformações congénitas. O lucro privado não justifica o desprezo pela saúde pública e a ECI obriga Bruxelas a encarar os factos: os europeus não querem pesticidas em geral, nem o glifosato em particular."
Neste momento está previsto que em 19-20 de julho o dossiê do glifosato seja discutido no Comité Permanente relevante (ver http://tinyurl.com/paffglif) e a primeira votação tenha lugar em outubro deste ano. O braço de ferro entre a vontade dos europeus e os interesses da indústria dos pesticidas vai continuar, cada vez mais visível, nos próximos meses.

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A Plataforma Transgénicos Fora é uma estrutura integrada por onze entidades não-governamentais da área do ambiente e agricultura (AGROBIO, Associação Portuguesa de Agricultura Biológica; CAMPO ABERTO, Associação de Defesa do Ambiente; CNA, Confederação Nacional da Agricultura; CPADA, Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente; GAIA, Grupo de Ação e Intervenção Ambiental; GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente; Associação IN LOCO, Desenvolvimento e Cidadania; LPN, Liga para a Proteção da Natureza; MPI, Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente e QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza) e apoiada por dezenas de outras. Para mais informações contactar info@stopogm.net ou www.stopogm.net

Mais de 10 mil cidadãos portugueses reiteraram já por escrito a sua oposição aos transgénicos.

Fonte: http://www.stopogm.net/mais-de-um-milhao-de-assinaturas-contra-o-glifosato


quarta-feira, 5 de julho de 2017

"As chamas do cifrão" (por Pedro Miguel Cardoso)

"Já repararam no que há em comum nos factores que potenciaram a tragédia? Lucros privados, prejuízos colectivos. O cifrão é quem mais ordena."

A seguir, a transcrição do artigo de Pedro Miguel Cardoso publicada no Jornal Económico (SAPO):

As chamas do cifrão
Pedro Miguel Cardoso, Investigador

Imagem daqui
«A tragédia de Pedrógão Grande que queimou Portugal não é apenas um azar. É também o resultado de um rumo político e económico que tem uma dimensão global e uma dimensão nacional. Ilustrativo do tempo em que vivemos.

No que diz respeito à dimensão global, muitos cientistas têm alertado que o uso intensivo de combustíveis fósseis (petróleo, carvão, gás natural) como fontes energéticas contribui de forma decisiva para rápidas e perigosas alterações climáticas. Prevê-se, entre outras consequências, uma subida da temperatura média global e o aumento da intensidade e frequência de fenómenos climáticos extremos. Para Portugal, as ondas de calor, a redução da precipitação e os incêndios de grandes proporções são esperados. As tentativas de regular e reduzir as emissões dos gases com efeito de estufa têm sido insuficientes perante as dinâmicas capitalistas globais e as poderosas indústrias envolvidas. Combinado com esta problemática temos a ascensão internacional do neoliberalismo, do culto das privatizações, da liberalização dos mercados, do lucro acima de tudo, de um Estado reduzido ao serviço dos grandes negócios. Um movimento intelectual e político que teve tradução e imitação portuguesa.

É neste quadro que podemos compreender que Portugal tenha uma floresta vocacionada para os interesses da indústria da madeira e das celuloses, com grande proporção de árvores altamente inflamáveis como o eucalipto e o pinheiro-bravo. Que seja o país europeu com a maior área de eucalipto, com a menor percentagem de floresta pública (2%) e a maior percentagem de floresta ardida. Que se tenha dado uma machadada nos serviços florestais e na vigilância da floresta. Que tenhamos um sistema de comunicações de emergência e segurança (SIRESP) que aparentemente custou 5 vezes mais do devido e que não funciona em alturas críticas. Que o Estado contrate ao privado dispendiosos meios aéreos de combate aos incêndios em detrimento da participação da Força Aérea Portuguesa. Que tenhamos um crescente despovoamento de uma parte significativa do território e as populações que aí vivem continuem a assistir à migração dos serviços públicos. Para resgatar a banca o dinheiro sempre aparece, para apoiar as pessoas e os territórios falta dinheiro.

Já repararam no que há em comum nos factores que potenciaram a tragédia? Lucros privados, prejuízos colectivos. O cifrão é quem mais ordena. Milton Friedman não estará cá para ver mas uma sociedade e economia baseada na promoção da ganância privada não dá bons resultados. A não ser que haja uma mudança de rumo (não apenas em Portugal), o cifrão poderá bem figurar no caixão da humanidade.»

Fonte: http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/as-chamas-do-cifrao-179803 (5/7/2017)

sábado, 24 de junho de 2017

Eucaliptos e estupidez

Como é que se pode, mesmo após a tragédia de Pedrógão Grande, querer destinar 9 milhões de euros para plantações de eucaliptos, já de si altamente rentáveis (e inflamáveis) em vez de utilizar essa verba para promover a plantação de carvalhos (menos rentável e menos inflamável) e espécies autóctones?

A explicação mais óbvia, é, claro, é o poder dos lobbies da indústria do papel, o querer ganhar muito dinheiro e depressa  à custa do que for preciso, nem que sejam vidas humanas.

Uma outra explicação, já a deu Einstein: «Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." (daqui)


Fica aqui o apelo à participação nas manifestações por uma Floresta Sustentável  (ver mais aqui)

E não deixem de ver o vídeo da TeleSUR, abaixo.




quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como transformar Portugal num imenso eucaliptal

Não podendo deixar de referir a enorme tragédia e devastação provocada pelo brutal incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e que provocou pelo menos 64 mortos e mais de 150 feridos, porque se relaciona com o ordenamento florestal que aqui já muitas vezes se falou. Para além de toda ajuda possível às vítimas, é essencial que se mude e que se previna estas situações, a curto e a longo prazo.


Foto de Rui Oliveira obtida em DN
Assim, para reflexão republico abaixo o post que está neste blogue desde 18 de julho de 2012 e apelo à assinatura de duas petições que podem contribuir para um melhor ordenamento da floresta e para menor risco de incêndios em Portugal , uma para proteção dos carvalhais, outra para limitação dos eucaliptais:


E já agora, a ler a opinião do Professor Jorge Paiva no Público de 20/6/2017:
Como passámos a ter estradas onde corremos o risco de ser incinerados 


18/07/2012 :::: Como transformar Portugal num imenso eucaliptal :::::

Em Maio passado, saiu esta notícia no ionline: "Portucel. 15 mil novos empregos dependem de 40 mil hectares de eucaliptos", onde se diz, entre outras coisas que: 
Imagem obtida aqui
"Para se tornar auto-suficiente, a empresa precisaria de produzir, actualmente, cerca de 40 mil hectares de eucaliptos. Para alimentar uma nova fábrica seria necessário mais ainda. Neste caso o governo teria, muito provavelmente, de levantar algumas limitações que existem em termos ambientais."

No mesmo mês, e com certeza por mera coincidência, o Governo (MAMAOT) apresenta, para discussão pública a Alteração Legislativa sobre Ações de Arborização e Rearborização, proposta que remove, sem dúvida, muitos entraves à plantação de eucalipto. Sobre esta intenção de alteração à lei, ficam aqui ligações e extratos de algumas das críticas:

Extraído do comunicado da LPN - Liga para a Protecção da Natureza (18 de Julho 2012):

«A recente proposta da ex-Autoridade Florestal Nacional de alteração da legislação sobre Arborização e Rearborização abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto, ignorando que estes péssimos investimentos têm contribuído para as piores estatísticas de incêndios da Europa e para a degradação generalizada da paisagem florestal em Portugal. É uma proposta indigna para um país desenvolvido, que submete os interesses da sociedade aos interesses privados de alguns proprietários e das empresas de celulose.

Sob a égide da simplificação dos processos de autorização e da eliminação de redundâncias legais e institucionais, a proposta da ex-AFN, inédita em qualquer país civilizado, propõe a desregulação e desordenamento da actividade florestal. Os impactes irreversíveis da implementação de tal legislação não são tidos em conta, nomeadamente alguns já observáveis que contribuíram para os piores índices de fogos florestais da Europa, a perda de áreas naturais de conservação reservatórios de biodiversidade, a degradação dos solos e a desertificação do país.

Imagem obtida aqui
A utilização extensiva e desordenada de espécies exóticas de produção industrial como o eucalipto, tem consequências absolutamente gravosas, como está documentado não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, reduzindo biodiversidade, degradando física e biologicamente os solos e contribuindo para um aumento brutal dos incêndios florestais. Não obstante a proposta da ex-AFN prevê, por exemplo, deferimentos tácitos dos pedidos de autorização sempre que não haja uma resposta em 30 dias. Numa altura de cortes e reestruturações em todas as estruturas do Estado, nomeadamente aquelas responsáveis pela emissão destas autorizações, o Governo propõe permissões automáticas, fazendo tábua rasa do princípio da precaução, que aconselha o contrário.

(...)
A Liga para a Protecção da Natureza considera que esta proposta é completamente inaceitável,
submetendo os interesses da sociedade aos  interesses  de alguns proprietários individuais e das
empresas de celulose.  Ao contrário do que  se  anuncia no preâmbulo,  não há na mesma qualquer
preocupação em salvaguardar as já raras formações de floresta nativa, em conservar a paisagem, em prevenir os  fogos florestais nem em contribuir para um  ordenamento florestal correcto. Apelamos a todos os cidadãos preocupados com esta questão, a manifestarem o seu desagrado enviando um email até ao próximo dia 25 para regimearboriz@afn.min-agricultura.pt.»

Leia o comunicado integral da LPN aqui

Extraído do artigo de Daniel Oliveira "Eucaliptar Portugal" no Expresso (18 de Julho 2012):

«Conhecendo-se o impacto ambiental do eucalipto - consumo de água, maior facilidade de propagação de incêndios e efeitos nas espécies autóctones - as leis portuguesas exigiam algumas regas para a sua plantação. E, para impedir o recurso a atividades criminosas que beneficiavam o infrator, determinava-se que nas zonas atingidas por incêndios só se poderia replantar árvores da mesma espécie.

Segundo nova legislação que o governo apresenta agora, inédita na Europa, a arborização até cinco hectares e a rearborização até dez hectares poderá ser feita com qualquer espécie, sem necessidade de qualquer autorização. Volta-se à regra do deferimento tácito, um convite descarado à corrupção sem rasto. (...)»
Leia o artigo integral de Daniel Oliveira aqui


Comunicado da Quercus (14 de Junho 2012): ver aqui

E para finalizar, um extracto do texto do Professor Jorge Paiva, biólogo e uma das pessoas mais credenciadas em Portugal sobre floresta (que não se cansa de dizer que um "eucaliptal  é uma monocultura, não é uma floresta") intitulado:



«(...) A partir de meados do século passado (XX) os pinhais têm vindo a ser substituído por eucaliptais, particularmente de  Eucalyptus globulus. Os eucaliptos interessam mais às celuloses por serem árvores de crescimento mais rápido do que os pinheiros. Nas últimas décadas incrementaram-se tão desenfreadamente as plantações de eucaliptos que se criou em Portugal a maior área de eucaliptal contínuo da Europa.  

Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento, sem  ter mais nada que fazer. Isto porque os eucaliptais não dão para mais nada a não ser madeira para as celuloses, pois além de não terem praticamente mato útil, não podem ser cortados para lenha nem fornecem boa madeira para construção ou mobiliário. Assim, o povo além do abandono rural a que foi “forçado”, ficou ainda numa dependência económica monopolista, um risco para o qual não é, nem nunca foi, alertado.   

Como é do conhecimento geral, a partir de 1975 aumentaram espectacularmente os fogos florestais em Portugal, constituindo um verdadeiro escândalo nacional a destruição não só da nossa vasta área de pinhal, como de algumas relíquias florestais  e até de zonas agrícolas. Na nossa opinião, a delapidação técnica e humana dos Serviços Florestais, operada pelos sucessivos governos após a “Revolução dos cravos” (25. IV. 1974) e a impreparação democrática da maior parte da população que, inicialmente, entendeu que liberdade era libertinagem são  as principais causas desta situação. Por outro lado, como já foi referido, deu-se  a desumanização do meio rural, além do abandono a que foram votadas as montanhas pela diminuição de técnicos florestais. Concomitantemente, as casas florestais são abandonadas e, consequentemente, degradadas.   

Como consequência da devastação do pinhal, como também foi referido, tem-se vindo a assistir a um aumento sistemático da área ocupada por eucaliptos e acácias ou mimosas, estas últimas por serem invasoras bem adaptadas a zonas incendiadas e os eucaliptos por serem plantados indiscriminadamente devido ao seu presente valor económico.  

O declínio da riqueza florística implica empobrecimento faunístico, constituindo os eucaliptais, por vezes com  um coberto arbustivo e herbáceo exíguo, as plantações industriais mais pobres sob o ponto de vista faunístico e florístico.  

Imagem obtida aqui
Apesar disso, os carvalhais e os montados de sobro e de azinho ocupam ainda quase um milhão de hectares em Portugal, sendo necessário, no entanto, para a defesa, manutenção e aumento dessa área, que haja uma radical modificação nas políticas agrícola e agroflorestal do nosso país.  

Não se pode continuar apenas com explorações agroflorestais e agrícolas monoespecíficas. Não só porque são explorações que provocam baixas drásticas na Biodiversidade, como também são formações de elevada homogeneidade genética. Tal homogeneidade conduz a um empobrecimento dos genes disponíveis e não permite o melhoramento e selecção das espécies que  ficam, assim, com menor aptidão para a sobrevivência. Isso implica maiores riscos de catástrofes, como incêndios mais devastadores e maior facilidade de propagação de epidemias. (...) »


Leia o texto completo do Prof. Jorge Paiva aqui

sábado, 10 de junho de 2017

BANIR o glifosato na Europa: assinem a ICE

Iniciativa de Cidadania Europeia para Banir o Glifosato

Precisamos de mais um esforço! Países como a Alemanha ou a França já ultrapassaram a quota de assinaturas, e já estamos muito perto de 1 milhão de assinaturas no total, mas vários países ainda estão muito abaixo do desejável, um deles é Portugal! 

Até ao final de junho precisamos de reunir mais 10.000 assinaturas de portugueses. Vamos a isto? 
Basta aceder por exemplo aqui: 


ou aqui:


Não é uma mera petição! Tem efeitos legais.





«O herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, e até ao final de 2017 a União Europeia tem de decidir: queremos que ele continue a ser aplicado na água, na comida, na cidade e nos campos? As multinacionais Monsanto, Bayer, etc. lutam com todo o seu dinheiro e influência para manter no mercado o herbicida mais vendido no mundo. Nós, consumidores, queremos o oposto e podemos fazer valer a nossa voz através desta Iniciativa de Cidadãos – por favor assine também! Juntos os europeus vão banir o glifosato.


Se preferir assinar e ajudar a recolher assinaturas com o formulário em papel, pode descarregar esse ficheiro e imprimi-lo. O documento indica a morada para onde deve enviar as folhas depois de preenchidas. As folhas (mesmo que incompletas) devem ser todas devolvidas até dia 15 de junho de 2017.

Até ao verão são necessárias cerca de 16 mil assinaturas de portugueses - na União Europeia temos de totalizar um milhão de adesões. As assinaturas são válidas do ponto de vista jurídico e obrigam a Comissão Europeia a propor legislação sobre a matéria em causa (embora não possam forçar o resultado final desse processo). A informação recolhida de cada pessoa é mais completa do que noutras petições, e tem dois passos separados, mas essa é exigência legal em vigor. A informação no primeiro passo é para a organização desta iniciativa; no segundo passo a informação é entregue diretamente ao governo português para validação central (e mais ninguém tem acesso a ela). Se tiver dificuldade em completar o processo por favor escreva-nos para contacto@stopogm.net.»


Fonte, enquadramento e informação adicional em Plataforma Transgénicos Fora

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Filme "AMANHÃ" em Famalicão 16/6


Na sessão AMBIENTAR-SE de junho, a Associação Famalicão em Transição propõe o tema TRANSIÇÃO com o filme

"AMANHÃ" ("DEMAIN", Cyril Dion e Mélanie Laurent, 2015, França, 118 min)

Dia 16 de Junho de 2017 (sexta) às 21h00
Na Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão
Gratuito, entrada livre (até à lotação da sala)

"Visão positiva e Transição: que futuro queremos?"

Sinopse:  «E se mostrar soluções, contar uma história positiva, fosse a melhor forma de resolver as crises ecológicas, económicas e sociais que atravessam o nosso mundo? Após a publicação de um estudo que anuncia a possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, Cyril Dion e Mélanie Laurent partiram com uma equipa de quatro pessoas, para investigar em dez países aquilo que poderá provocar esta catástrofe e, sobretudo, como evitá-la. Durante a sua viagem, encontraram pioneiros que reinventaram a agricultura, a energia, a economia, a democracia e a educação. Ao juntarem todas estas iniciativas positivas, eles começam a ver emergir aquele que poderá ser o mundo de amanhã…»

Convidados para dinamizar o debate:
* Paula Soares, Aveiro em Transição
* Pedro Teixeira, Espaço Compasso - Porto

As sessões AMBIENTAR-SE são uma parceria entre o Município de Vila Nova de Famalicão (Equipa Multidisciplinar de Gestão do Parque da Devesa) e associações locais ligadas à proteção do ambiente, que constam na exibição de um filme de tónica ambiental com debate no final. 

Informações: parquedadevesa@vilanovadefamalicao.org / 252 374 184

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Reciclagem: Portugal a andar para trás!

«A recolha seletiva, em Portugal, estagnou. O que tem aumentado é a recolha indiferenciada.

Em Portugal, são reciclados 13% dos resíduos. No entanto, as metas europeias para 2020 (faltam 3 anos) são de 50%.

Fonte do gráfico: INE, Estatísticas dos Resíduos 2014

A quantidade de resíduos real que vai para reciclagem é muito menor do que os números oficiais. No entanto, os portugueses pagam uma taxa sobre os números ditos "oficiais". 

O lobby da incineração faz com que Lisboa e Porto, porque tem incineradoras, tenham metas de reciclagem inferiores a outros concelhos.»

Estes são alguns dos assuntos analisados e discutidos na reportagem e debate que passou na passada sexta-feira dia 26 de maio de 2017 na RTP, e de que a seguir podemos ver um pequeno fragmento:



Não perca a reportagem e o debate em: https://www.rtp.pt/play/p3139/e290603/sexta-as-11

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Rótulo SEM OGM (campanha de crowdfunding)


Apoie esta causa, contribua em: https://ppl.com.pt/pt/prj/rotulo-sem-ogm

«A Plataforma Transgénicos Fora está a criar um sistema de certificação nacional, em que os produtos certificados irão poder usar o rótulo oficial para identificar que não recorreram a Organismos Geneticamente Modificados (OGM) na sua produção (à semelhança do que acontece com a certificação biológica). Uma vez que a maioria dos consumidores desconfia dos OGM, estes só continuam a entrar na nossa alimentação porque há muitos produtos, como a maioria dos produtos pecuários, que não são rotulados. Este rótulo irá consciencializar os consumidores e causar uma grande pressão sobre produtores e comerciantes.

OGM
Os transgénicos são seres vivos criados artificialmente em laboratório que vêm trazer muitos perigos desnecessários. Perigos de saúde para as pessoas, desequilíbrios para a Natureza, impactos para a agricultura convencional e biológica devido à contaminação e aparecimento de novas pragas, além de prejuízos para a economia pelo aumento do controlo corporativo sobre a alimentação – entre outros. Muitos são os riscos e impactos que já se conhecem sem que haja qualquer vantagem para a saúde ou o ambiente.

No site www.stopogm.net encontra muita informação sobre os transgénicos.

A luta contra os transgénicos precisa de si!

A Plataforma Transgénicos Fora está a desenvolver um projeto ambicioso que conta já com muitos apoios, mas precisa também do seu. Já foi criado o rótulo “Sem OGM” (o símbolo de certificação sem transgénicos que poderá ser requisitado por qualquer produtor de géneros alimentícios) mas isso é só o começo! Agora são precisos fundos para lançar esta ideia no mercado, fazer todos os contactos necessários e dar início ao processo de certificação qualificada.

Há no mercado produtos que dizem conter organismos geneticamente modificados mas, além dessa descrição estar em letras minúsculas e passar muitas vezes despercebida, há muitos outros produtos fabricados com recurso a OGM que não são rotulados como tal. Ovos, carne, peixe, lacticínios são muito frequentemente produzidos com soja e milho transgénico mas essa informação não está disponível para o consumidor. A Plataforma Transgénicos Fora já lutou para que esses produtos fossem devidamente rotulados no que diz respeito aos OGM mas não teve sucesso. Assim, vai avançar com uma rotulagem voluntária com a qual se pretende:

Alertar para a existência de transgénicos na nossa alimentação;
Ajudar o consumidor a escolher produtos sem transgénicos;
Pressionar os produtores e comerciantes a rejeitar os OGM;
Promover uma alimentação livre de transgénicos.

Para o seu próprio bem, apoie esta causa!»




Fonte: https://ppl.com.pt/pt/prj/rotulo-sem-ogm

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Projeto Globetrotter apresentado em Famalicão (26/5)

No próximo dia 26 de maio, Vila Nova de Famalicão recebe Simone André da Costa para partilhar as suas experiências na sessão: “Escolas e comunidades alternativas”, organizada pelo grupo “Educação em Transição” da Associação Famalicão em Transição com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (Parque da Devesa).


Este evento, conta com a presença da Psicóloga especialista em Desenvolvimento Infantil e Educação Alternativa, Simone André da Costa. Nascida em Bragança, em 1980, Simone licenciada na Escola de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Minho e pós-graduada em Pedagogia Infantil pela Internacional Graduate School La Salle (Madrid, Espanha, 2009) já viajou por diversos países como Espanha, Alemanha, Suíça, Quénia, Etiópia passando pela Nova Zelândia e Austrália onde trabalhou com crianças de todos os locais por onde passou, dentro de uma grande diversidade cultural e linguista. A Psicóloga Simone, é detentora de um espírito “open-mind” e afirma-se convicta em “torna-se dona da sua própria educação”.

​Neste evento, Simone apresentará e partilhará o projeto Globetrotter e o livro "Projeto Globetrotter - Escolas e Comunidades Alternativas no Mundo” que é o resultado de pesquisas presenciais e fotográficas sobre Escolas e Comunidades Alternativas em 15 pontos diferentes do mundo, contabilizando até ao momento 33 projetos. Alguns dos muitos projetos visitados foram: Escolas da Floresta ou Forest Kindergarten, Escolas e Jardins-de-infância Waldorf, Montessori, Camphills, Ecoaldeias, Escolas Verdes, como a Green School Bali, na Indonésia, exemplo contemporâneo de arquitetura sustentável.

O evento realiza-se no Parque da Devesa, edifício dos Serviços Educativos com e início às 21h30 e término às 23h00, com um custo de 2€ (a serem entregues no momento do evento).

Mais informação:

(publicação idêntica à de Famalicão por um Mundo Melhor)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Marcha Mundial do Clima - Portugal

Aproveito o dia em que se comemora a Revolução de Abril em Portugal, para apelar á participação na MARCHA MUNDIAL DO CLIMA, que ocorrerá em diversas cidades do mundo no próximo sábado, dia 29 de abril!



Mapa das concessões atualizado,  já sem as da costa
sul do Algarve (imagem obtida em ENMC/)
ninguém duvida das alterações climáticas e do aquecimento global, duvido é se vamos a tempo de fazer alguma diferença...  pois o avançar da situação dramática é mais rápido do que quaisquer previsões... mas só temos uma opção: tentar fazer alguma coisa

Em Portugal, não se entende como é que se pretende explorar petróleo, em terra e no mar, quando tudo indica que para combater as alterações climáticas a nível energético, a aposta deve ser nas energias renováveis e limpas (solar, eólica).

Felizmente foram canceladas as prospeções na costa sul do Algarve (porque as pessoas se opuseram e se manifestaram), mas infelizmente, em 11 de janeiro passado, o governo deu licença à GALP/ENI para avançar com a prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur. E muitos outros negócios estão a avançar na costa oeste, é ver o mapa atualizado à direita (mapa anterior, com as concessões na costa sul aqui)!

Assim, em Portugal,  a Marcha Mundial do Clima, no Porto, em Lisboa e em  Aljezur, destina-se a travar Trump e a travar a prospeção e exploração de petróleo e gás em Portugal. 

Junte-se a uma destas marchas, ajude a proteger as próximas gerações:

Marcha Mundial do Clima - Porto  - 29 de abril, 15h, Avenida dos Aliados
Marcha Mundial do Clima - Lisboa  - 29 de abril, 15h, Terreiro do Paço
Marcha Pelo Clima - Não ao Furo - Aljezur - 29 de abril, 15h, frente à Câmara Municipal de Aljezur



Imagem daqui (Portland)
«A eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA provocou ondas de resistência em várias frentes, dos direitos humanos à igualdade de género, dos serviços públicos à justiça climática. Trump defende explicitamente o fracking e o carvão. Ao mesmo tempo autorizou o muito contestado oleoduto de Dakota (Dakota Access Pipeline) e o gasoduto Keystone XL, travados na administração anterior. A agenda petrolífera de Trump levou o movimento “People’s Climate Movement”, dos EUA, a lançar o apelo a uma manifestação internacional no próximo dia 29 de Abril.

Em Portugal, o governo tem passado mensagens contraditórias. Em Novembro de 2016, em Marraquexe, na COP22, o Primeiro-Ministro António Costa declarou que Portugal seria carbono neutro em 2050. Dois meses depois, o mesmo governo deu licença à GALP/ENI para avançar com a prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur, ignorando as mais de 42 mil pessoas que se manifestaram contra o furo, durante a consulta pública. O governo cancelou dois contratos da Portfuel no Algarve, mas mantêm-se 13 outras concessões petrolíferas em Portugal. No entanto, no Parlamento Europeu a maioria dos eurodeputados portugueses assinou o tratado de comércio livre com o Canadá (CETA), que potenciará o aumento das emissões de gases com efeito de estufa, bem como privilégios acrescidos para as grandes companhias.

O aquecimento global antropogénico está a ser provocado pelas elevadas emissões de gases com efeito de estufa, cuja fonte principal são os processos de combustão de hidrocarbonetos, associados à produção e consumo de energia. A magnitude das emissões de gases com efeito de estufa já ultrapassou a capacidade natural do planeta para remover esses gases da atmosfera. O consenso quanto à existência das alterações climáticas e ao gigantesco perigo que representam para os ecossistemas e para a Humanidade, em particular para as camadas mais desprotegidas da população, tarda em produzir respostas políticas concretas numa economia viciada em emissões e poluição desregulada.

Para combater as alterações climáticas é preciso levar a cabo uma mudança que tenha como objectivo a transição justa para as energias renováveis, diminuindo progressivamente o uso de combustíveis sujos e perigosos como o petróleo, o gás natural, e o carvão, ao mesmo tempo que se recusam soluções insustentáveis como a energia nuclear e as grandes barragens.

Para isso, uma das prioridades tem de ser o anulamento imediato de todas as concessões de prospeção e exploração de gás e de petróleo ao longo da costa portuguesa, do Algarve à Beira Litoral, do Oeste à Costa Alentejana. Na nossa opinião, estão baseados numa lei inválida. Não é possível uma política climática coerente que possa coexistir com estes contratos de petróleo e gás natural.

Imagem de Observador
Enquanto cidadãos e coletivos queremos um país e um planeta em marcha para um novo paradigma energético, que respeite os direitos humanos, que ponha as pessoas e a natureza acima dos interesses da indústria petrolífera. Queremos uma outra economia, livre de conceitos e práticas que nos arrastam para a catástrofe.

Dia 29 de Abril, juntando-nos à People’s Climate March internacional, sairemos à rua em vários locais do país para exigir uma resposta séria às alterações climáticas e a recusa da exploração de hidrocarbonetos em Portugal.»

Subscrevem: Academia Cidadã; Alentejo Litoral pelo Ambiente; Amnistia Internacional; ASMAA – Associação de Surf e Actividades Marítimas do Algarve; Bloco de Esquerda; Campo Aberto; Cidadãos pela Pressão Climática; Climáximo; Coletivo Clima; Coopérnico; Futuro Limpo; GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA – Grupo de Ordenamento do Território e Ambiente; Hidrosfera Portugal; Livre; Movimento Alternativa Socialista; MIA – Movimento Ibérico Anti-nuclear; PAN – Pessoas, Animais, Natureza; Peniche Livre de Petróleo; Plataforma Não ao Tratado Transatlântico; Porto Sem OGM; Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza; Sciaena; Sindicato dos Professores do Norte; Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável