sábado, 24 de junho de 2017

Eucaliptos e estupidez

Como é que se pode, mesmo após a tragédia de Pedrógão Grande, querer destinar 9 milhões de euros para plantações de eucaliptos, já de si altamente rentáveis (e inflamáveis) em vez de utilizar essa verba para promover a plantação de carvalhos (menos rentável e menos inflamável) e espécies autóctones?

A explicação mais óbvia, é, claro, é o poder dos lobbies da indústria do papel, o querer ganhar muito dinheiro e depressa  à custa do que for preciso, nem que sejam vidas humanas.

Uma outra explicação, já a deu Einstein: «Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta." (daqui)


Fica aqui o apelo à participação nas manifestações por uma Floresta Sustentável  (ver mais aqui)

E não deixem de ver o vídeo da TeleSUR, abaixo.




quarta-feira, 21 de junho de 2017

Como transformar Portugal num imenso eucaliptal

Não podendo deixar de referir a enorme tragédia e devastação provocada pelo brutal incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e que provocou pelo menos 64 mortos e mais de 150 feridos, porque se relaciona com o ordenamento florestal que aqui já muitas vezes se falou. Para além de toda ajuda possível às vítimas, é essencial que se mude e que se previna estas situações, a curto e a longo prazo.


Foto de Rui Oliveira obtida em DN
Assim, para reflexão republico abaixo o post que está neste blogue desde 18 de julho de 2012 e apelo à assinatura de duas petições que podem contribuir para um melhor ordenamento da floresta e para menor risco de incêndios em Portugal , uma para proteção dos carvalhais, outra para limitação dos eucaliptais:


E já agora, a ler a opinião do Professor Jorge Paiva no Público de 20/6/2017:
Como passámos a ter estradas onde corremos o risco de ser incinerados 


18/07/2012 :::: Como transformar Portugal num imenso eucaliptal :::::

Em Maio passado, saiu esta notícia no ionline: "Portucel. 15 mil novos empregos dependem de 40 mil hectares de eucaliptos", onde se diz, entre outras coisas que: 
Imagem obtida aqui
"Para se tornar auto-suficiente, a empresa precisaria de produzir, actualmente, cerca de 40 mil hectares de eucaliptos. Para alimentar uma nova fábrica seria necessário mais ainda. Neste caso o governo teria, muito provavelmente, de levantar algumas limitações que existem em termos ambientais."

No mesmo mês, e com certeza por mera coincidência, o Governo (MAMAOT) apresenta, para discussão pública a Alteração Legislativa sobre Ações de Arborização e Rearborização, proposta que remove, sem dúvida, muitos entraves à plantação de eucalipto. Sobre esta intenção de alteração à lei, ficam aqui ligações e extratos de algumas das críticas:

Extraído do comunicado da LPN - Liga para a Protecção da Natureza (18 de Julho 2012):

«A recente proposta da ex-Autoridade Florestal Nacional de alteração da legislação sobre Arborização e Rearborização abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto, ignorando que estes péssimos investimentos têm contribuído para as piores estatísticas de incêndios da Europa e para a degradação generalizada da paisagem florestal em Portugal. É uma proposta indigna para um país desenvolvido, que submete os interesses da sociedade aos interesses privados de alguns proprietários e das empresas de celulose.

Sob a égide da simplificação dos processos de autorização e da eliminação de redundâncias legais e institucionais, a proposta da ex-AFN, inédita em qualquer país civilizado, propõe a desregulação e desordenamento da actividade florestal. Os impactes irreversíveis da implementação de tal legislação não são tidos em conta, nomeadamente alguns já observáveis que contribuíram para os piores índices de fogos florestais da Europa, a perda de áreas naturais de conservação reservatórios de biodiversidade, a degradação dos solos e a desertificação do país.

Imagem obtida aqui
A utilização extensiva e desordenada de espécies exóticas de produção industrial como o eucalipto, tem consequências absolutamente gravosas, como está documentado não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, reduzindo biodiversidade, degradando física e biologicamente os solos e contribuindo para um aumento brutal dos incêndios florestais. Não obstante a proposta da ex-AFN prevê, por exemplo, deferimentos tácitos dos pedidos de autorização sempre que não haja uma resposta em 30 dias. Numa altura de cortes e reestruturações em todas as estruturas do Estado, nomeadamente aquelas responsáveis pela emissão destas autorizações, o Governo propõe permissões automáticas, fazendo tábua rasa do princípio da precaução, que aconselha o contrário.

(...)
A Liga para a Protecção da Natureza considera que esta proposta é completamente inaceitável,
submetendo os interesses da sociedade aos  interesses  de alguns proprietários individuais e das
empresas de celulose.  Ao contrário do que  se  anuncia no preâmbulo,  não há na mesma qualquer
preocupação em salvaguardar as já raras formações de floresta nativa, em conservar a paisagem, em prevenir os  fogos florestais nem em contribuir para um  ordenamento florestal correcto. Apelamos a todos os cidadãos preocupados com esta questão, a manifestarem o seu desagrado enviando um email até ao próximo dia 25 para regimearboriz@afn.min-agricultura.pt.»

Leia o comunicado integral da LPN aqui

Extraído do artigo de Daniel Oliveira "Eucaliptar Portugal" no Expresso (18 de Julho 2012):

«Conhecendo-se o impacto ambiental do eucalipto - consumo de água, maior facilidade de propagação de incêndios e efeitos nas espécies autóctones - as leis portuguesas exigiam algumas regas para a sua plantação. E, para impedir o recurso a atividades criminosas que beneficiavam o infrator, determinava-se que nas zonas atingidas por incêndios só se poderia replantar árvores da mesma espécie.

Segundo nova legislação que o governo apresenta agora, inédita na Europa, a arborização até cinco hectares e a rearborização até dez hectares poderá ser feita com qualquer espécie, sem necessidade de qualquer autorização. Volta-se à regra do deferimento tácito, um convite descarado à corrupção sem rasto. (...)»
Leia o artigo integral de Daniel Oliveira aqui


Comunicado da Quercus (14 de Junho 2012): ver aqui

E para finalizar, um extracto do texto do Professor Jorge Paiva, biólogo e uma das pessoas mais credenciadas em Portugal sobre floresta (que não se cansa de dizer que um "eucaliptal  é uma monocultura, não é uma floresta") intitulado:



«(...) A partir de meados do século passado (XX) os pinhais têm vindo a ser substituído por eucaliptais, particularmente de  Eucalyptus globulus. Os eucaliptos interessam mais às celuloses por serem árvores de crescimento mais rápido do que os pinheiros. Nas últimas décadas incrementaram-se tão desenfreadamente as plantações de eucaliptos que se criou em Portugal a maior área de eucaliptal contínuo da Europa.  

Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento, sem  ter mais nada que fazer. Isto porque os eucaliptais não dão para mais nada a não ser madeira para as celuloses, pois além de não terem praticamente mato útil, não podem ser cortados para lenha nem fornecem boa madeira para construção ou mobiliário. Assim, o povo além do abandono rural a que foi “forçado”, ficou ainda numa dependência económica monopolista, um risco para o qual não é, nem nunca foi, alertado.   

Como é do conhecimento geral, a partir de 1975 aumentaram espectacularmente os fogos florestais em Portugal, constituindo um verdadeiro escândalo nacional a destruição não só da nossa vasta área de pinhal, como de algumas relíquias florestais  e até de zonas agrícolas. Na nossa opinião, a delapidação técnica e humana dos Serviços Florestais, operada pelos sucessivos governos após a “Revolução dos cravos” (25. IV. 1974) e a impreparação democrática da maior parte da população que, inicialmente, entendeu que liberdade era libertinagem são  as principais causas desta situação. Por outro lado, como já foi referido, deu-se  a desumanização do meio rural, além do abandono a que foram votadas as montanhas pela diminuição de técnicos florestais. Concomitantemente, as casas florestais são abandonadas e, consequentemente, degradadas.   

Como consequência da devastação do pinhal, como também foi referido, tem-se vindo a assistir a um aumento sistemático da área ocupada por eucaliptos e acácias ou mimosas, estas últimas por serem invasoras bem adaptadas a zonas incendiadas e os eucaliptos por serem plantados indiscriminadamente devido ao seu presente valor económico.  

O declínio da riqueza florística implica empobrecimento faunístico, constituindo os eucaliptais, por vezes com  um coberto arbustivo e herbáceo exíguo, as plantações industriais mais pobres sob o ponto de vista faunístico e florístico.  

Imagem obtida aqui
Apesar disso, os carvalhais e os montados de sobro e de azinho ocupam ainda quase um milhão de hectares em Portugal, sendo necessário, no entanto, para a defesa, manutenção e aumento dessa área, que haja uma radical modificação nas políticas agrícola e agroflorestal do nosso país.  

Não se pode continuar apenas com explorações agroflorestais e agrícolas monoespecíficas. Não só porque são explorações que provocam baixas drásticas na Biodiversidade, como também são formações de elevada homogeneidade genética. Tal homogeneidade conduz a um empobrecimento dos genes disponíveis e não permite o melhoramento e selecção das espécies que  ficam, assim, com menor aptidão para a sobrevivência. Isso implica maiores riscos de catástrofes, como incêndios mais devastadores e maior facilidade de propagação de epidemias. (...) »


Leia o texto completo do Prof. Jorge Paiva aqui

sábado, 10 de junho de 2017

BANIR o glifosato na Europa: assinem a ICE

Iniciativa de Cidadania Europeia para Banir o Glifosato

Precisamos de mais um esforço! Países como a Alemanha ou a França já ultrapassaram a quota de assinaturas, e já estamos muito perto de 1 milhão de assinaturas no total, mas vários países ainda estão muito abaixo do desejável, um deles é Portugal! 

Até ao final de junho precisamos de reunir mais 10.000 assinaturas de portugueses. Vamos a isto? 
Basta aceder por exemplo aqui: 


ou aqui:


Não é uma mera petição! Tem efeitos legais.





«O herbicida glifosato causa cancro em animais de laboratório, e até ao final de 2017 a União Europeia tem de decidir: queremos que ele continue a ser aplicado na água, na comida, na cidade e nos campos? As multinacionais Monsanto, Bayer, etc. lutam com todo o seu dinheiro e influência para manter no mercado o herbicida mais vendido no mundo. Nós, consumidores, queremos o oposto e podemos fazer valer a nossa voz através desta Iniciativa de Cidadãos – por favor assine também! Juntos os europeus vão banir o glifosato.


Se preferir assinar e ajudar a recolher assinaturas com o formulário em papel, pode descarregar esse ficheiro e imprimi-lo. O documento indica a morada para onde deve enviar as folhas depois de preenchidas. As folhas (mesmo que incompletas) devem ser todas devolvidas até dia 15 de junho de 2017.

Até ao verão são necessárias cerca de 16 mil assinaturas de portugueses - na União Europeia temos de totalizar um milhão de adesões. As assinaturas são válidas do ponto de vista jurídico e obrigam a Comissão Europeia a propor legislação sobre a matéria em causa (embora não possam forçar o resultado final desse processo). A informação recolhida de cada pessoa é mais completa do que noutras petições, e tem dois passos separados, mas essa é exigência legal em vigor. A informação no primeiro passo é para a organização desta iniciativa; no segundo passo a informação é entregue diretamente ao governo português para validação central (e mais ninguém tem acesso a ela). Se tiver dificuldade em completar o processo por favor escreva-nos para contacto@stopogm.net.»


Fonte, enquadramento e informação adicional em Plataforma Transgénicos Fora

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Filme "AMANHÃ" em Famalicão 16/6


Na sessão AMBIENTAR-SE de junho, a Associação Famalicão em Transição propõe o tema TRANSIÇÃO com o filme

"AMANHÃ" ("DEMAIN", Cyril Dion e Mélanie Laurent, 2015, França, 118 min)

Dia 16 de Junho de 2017 (sexta) às 21h00
Na Casa do Território, Parque da Devesa, Vila Nova de Famalicão
Gratuito, entrada livre (até à lotação da sala)

"Visão positiva e Transição: que futuro queremos?"

Sinopse:  «E se mostrar soluções, contar uma história positiva, fosse a melhor forma de resolver as crises ecológicas, económicas e sociais que atravessam o nosso mundo? Após a publicação de um estudo que anuncia a possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, Cyril Dion e Mélanie Laurent partiram com uma equipa de quatro pessoas, para investigar em dez países aquilo que poderá provocar esta catástrofe e, sobretudo, como evitá-la. Durante a sua viagem, encontraram pioneiros que reinventaram a agricultura, a energia, a economia, a democracia e a educação. Ao juntarem todas estas iniciativas positivas, eles começam a ver emergir aquele que poderá ser o mundo de amanhã…»

Convidados para dinamizar o debate:
* Paula Soares, Aveiro em Transição
* Pedro Teixeira, Espaço Compasso - Porto

As sessões AMBIENTAR-SE são uma parceria entre o Município de Vila Nova de Famalicão (Equipa Multidisciplinar de Gestão do Parque da Devesa) e associações locais ligadas à proteção do ambiente, que constam na exibição de um filme de tónica ambiental com debate no final. 

Informações: parquedadevesa@vilanovadefamalicao.org / 252 374 184

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Reciclagem: Portugal a andar para trás!

«A recolha seletiva, em Portugal, estagnou. O que tem aumentado é a recolha indiferenciada.

Em Portugal, são reciclados 13% dos resíduos. No entanto, as metas europeias para 2020 (faltam 3 anos) são de 50%.

Fonte do gráfico: INE, Estatísticas dos Resíduos 2014

A quantidade de resíduos real que vai para reciclagem é muito menor do que os números oficiais. No entanto, os portugueses pagam uma taxa sobre os números ditos "oficiais". 

O lobby da incineração faz com que Lisboa e Porto, porque tem incineradoras, tenham metas de reciclagem inferiores a outros concelhos.»

Estes são alguns dos assuntos analisados e discutidos na reportagem e debate que passou na passada sexta-feira dia 26 de maio de 2017 na RTP, e de que a seguir podemos ver um pequeno fragmento:



Não perca a reportagem e o debate em: https://www.rtp.pt/play/p3139/e290603/sexta-as-11

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Rótulo SEM OGM (campanha de crowdfunding)


Apoie esta causa, contribua em: https://ppl.com.pt/pt/prj/rotulo-sem-ogm

«A Plataforma Transgénicos Fora está a criar um sistema de certificação nacional, em que os produtos certificados irão poder usar o rótulo oficial para identificar que não recorreram a Organismos Geneticamente Modificados (OGM) na sua produção (à semelhança do que acontece com a certificação biológica). Uma vez que a maioria dos consumidores desconfia dos OGM, estes só continuam a entrar na nossa alimentação porque há muitos produtos, como a maioria dos produtos pecuários, que não são rotulados. Este rótulo irá consciencializar os consumidores e causar uma grande pressão sobre produtores e comerciantes.

OGM
Os transgénicos são seres vivos criados artificialmente em laboratório que vêm trazer muitos perigos desnecessários. Perigos de saúde para as pessoas, desequilíbrios para a Natureza, impactos para a agricultura convencional e biológica devido à contaminação e aparecimento de novas pragas, além de prejuízos para a economia pelo aumento do controlo corporativo sobre a alimentação – entre outros. Muitos são os riscos e impactos que já se conhecem sem que haja qualquer vantagem para a saúde ou o ambiente.

No site www.stopogm.net encontra muita informação sobre os transgénicos.

A luta contra os transgénicos precisa de si!

A Plataforma Transgénicos Fora está a desenvolver um projeto ambicioso que conta já com muitos apoios, mas precisa também do seu. Já foi criado o rótulo “Sem OGM” (o símbolo de certificação sem transgénicos que poderá ser requisitado por qualquer produtor de géneros alimentícios) mas isso é só o começo! Agora são precisos fundos para lançar esta ideia no mercado, fazer todos os contactos necessários e dar início ao processo de certificação qualificada.

Há no mercado produtos que dizem conter organismos geneticamente modificados mas, além dessa descrição estar em letras minúsculas e passar muitas vezes despercebida, há muitos outros produtos fabricados com recurso a OGM que não são rotulados como tal. Ovos, carne, peixe, lacticínios são muito frequentemente produzidos com soja e milho transgénico mas essa informação não está disponível para o consumidor. A Plataforma Transgénicos Fora já lutou para que esses produtos fossem devidamente rotulados no que diz respeito aos OGM mas não teve sucesso. Assim, vai avançar com uma rotulagem voluntária com a qual se pretende:

Alertar para a existência de transgénicos na nossa alimentação;
Ajudar o consumidor a escolher produtos sem transgénicos;
Pressionar os produtores e comerciantes a rejeitar os OGM;
Promover uma alimentação livre de transgénicos.

Para o seu próprio bem, apoie esta causa!»




Fonte: https://ppl.com.pt/pt/prj/rotulo-sem-ogm

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Projeto Globetrotter apresentado em Famalicão (26/5)

No próximo dia 26 de maio, Vila Nova de Famalicão recebe Simone André da Costa para partilhar as suas experiências na sessão: “Escolas e comunidades alternativas”, organizada pelo grupo “Educação em Transição” da Associação Famalicão em Transição com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão (Parque da Devesa).


Este evento, conta com a presença da Psicóloga especialista em Desenvolvimento Infantil e Educação Alternativa, Simone André da Costa. Nascida em Bragança, em 1980, Simone licenciada na Escola de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Minho e pós-graduada em Pedagogia Infantil pela Internacional Graduate School La Salle (Madrid, Espanha, 2009) já viajou por diversos países como Espanha, Alemanha, Suíça, Quénia, Etiópia passando pela Nova Zelândia e Austrália onde trabalhou com crianças de todos os locais por onde passou, dentro de uma grande diversidade cultural e linguista. A Psicóloga Simone, é detentora de um espírito “open-mind” e afirma-se convicta em “torna-se dona da sua própria educação”.

​Neste evento, Simone apresentará e partilhará o projeto Globetrotter e o livro "Projeto Globetrotter - Escolas e Comunidades Alternativas no Mundo” que é o resultado de pesquisas presenciais e fotográficas sobre Escolas e Comunidades Alternativas em 15 pontos diferentes do mundo, contabilizando até ao momento 33 projetos. Alguns dos muitos projetos visitados foram: Escolas da Floresta ou Forest Kindergarten, Escolas e Jardins-de-infância Waldorf, Montessori, Camphills, Ecoaldeias, Escolas Verdes, como a Green School Bali, na Indonésia, exemplo contemporâneo de arquitetura sustentável.

O evento realiza-se no Parque da Devesa, edifício dos Serviços Educativos com e início às 21h30 e término às 23h00, com um custo de 2€ (a serem entregues no momento do evento).

Mais informação:

(publicação idêntica à de Famalicão por um Mundo Melhor)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Marcha Mundial do Clima - Portugal

Aproveito o dia em que se comemora a Revolução de Abril em Portugal, para apelar á participação na MARCHA MUNDIAL DO CLIMA, que ocorrerá em diversas cidades do mundo no próximo sábado, dia 29 de abril!



Mapa das concessões atualizado,  já sem as da costa
sul do Algarve (imagem obtida em ENMC/)
ninguém duvida das alterações climáticas e do aquecimento global, duvido é se vamos a tempo de fazer alguma diferença...  pois o avançar da situação dramática é mais rápido do que quaisquer previsões... mas só temos uma opção: tentar fazer alguma coisa

Em Portugal, não se entende como é que se pretende explorar petróleo, em terra e no mar, quando tudo indica que para combater as alterações climáticas a nível energético, a aposta deve ser nas energias renováveis e limpas (solar, eólica).

Felizmente foram canceladas as prospeções na costa sul do Algarve (porque as pessoas se opuseram e se manifestaram), mas infelizmente, em 11 de janeiro passado, o governo deu licença à GALP/ENI para avançar com a prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur. E muitos outros negócios estão a avançar na costa oeste, é ver o mapa atualizado à direita (mapa anterior, com as concessões na costa sul aqui)!

Assim, em Portugal,  a Marcha Mundial do Clima, no Porto, em Lisboa e em  Aljezur, destina-se a travar Trump e a travar a prospeção e exploração de petróleo e gás em Portugal. 

Junte-se a uma destas marchas, ajude a proteger as próximas gerações:

Marcha Mundial do Clima - Porto  - 29 de abril, 15h, Avenida dos Aliados
Marcha Mundial do Clima - Lisboa  - 29 de abril, 15h, Terreiro do Paço
Marcha Pelo Clima - Não ao Furo - Aljezur - 29 de abril, 15h, frente à Câmara Municipal de Aljezur



Imagem daqui (Portland)
«A eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA provocou ondas de resistência em várias frentes, dos direitos humanos à igualdade de género, dos serviços públicos à justiça climática. Trump defende explicitamente o fracking e o carvão. Ao mesmo tempo autorizou o muito contestado oleoduto de Dakota (Dakota Access Pipeline) e o gasoduto Keystone XL, travados na administração anterior. A agenda petrolífera de Trump levou o movimento “People’s Climate Movement”, dos EUA, a lançar o apelo a uma manifestação internacional no próximo dia 29 de Abril.

Em Portugal, o governo tem passado mensagens contraditórias. Em Novembro de 2016, em Marraquexe, na COP22, o Primeiro-Ministro António Costa declarou que Portugal seria carbono neutro em 2050. Dois meses depois, o mesmo governo deu licença à GALP/ENI para avançar com a prospeção de gás e de petróleo no mar de Aljezur, ignorando as mais de 42 mil pessoas que se manifestaram contra o furo, durante a consulta pública. O governo cancelou dois contratos da Portfuel no Algarve, mas mantêm-se 13 outras concessões petrolíferas em Portugal. No entanto, no Parlamento Europeu a maioria dos eurodeputados portugueses assinou o tratado de comércio livre com o Canadá (CETA), que potenciará o aumento das emissões de gases com efeito de estufa, bem como privilégios acrescidos para as grandes companhias.

O aquecimento global antropogénico está a ser provocado pelas elevadas emissões de gases com efeito de estufa, cuja fonte principal são os processos de combustão de hidrocarbonetos, associados à produção e consumo de energia. A magnitude das emissões de gases com efeito de estufa já ultrapassou a capacidade natural do planeta para remover esses gases da atmosfera. O consenso quanto à existência das alterações climáticas e ao gigantesco perigo que representam para os ecossistemas e para a Humanidade, em particular para as camadas mais desprotegidas da população, tarda em produzir respostas políticas concretas numa economia viciada em emissões e poluição desregulada.

Para combater as alterações climáticas é preciso levar a cabo uma mudança que tenha como objectivo a transição justa para as energias renováveis, diminuindo progressivamente o uso de combustíveis sujos e perigosos como o petróleo, o gás natural, e o carvão, ao mesmo tempo que se recusam soluções insustentáveis como a energia nuclear e as grandes barragens.

Para isso, uma das prioridades tem de ser o anulamento imediato de todas as concessões de prospeção e exploração de gás e de petróleo ao longo da costa portuguesa, do Algarve à Beira Litoral, do Oeste à Costa Alentejana. Na nossa opinião, estão baseados numa lei inválida. Não é possível uma política climática coerente que possa coexistir com estes contratos de petróleo e gás natural.

Imagem de Observador
Enquanto cidadãos e coletivos queremos um país e um planeta em marcha para um novo paradigma energético, que respeite os direitos humanos, que ponha as pessoas e a natureza acima dos interesses da indústria petrolífera. Queremos uma outra economia, livre de conceitos e práticas que nos arrastam para a catástrofe.

Dia 29 de Abril, juntando-nos à People’s Climate March internacional, sairemos à rua em vários locais do país para exigir uma resposta séria às alterações climáticas e a recusa da exploração de hidrocarbonetos em Portugal.»

Subscrevem: Academia Cidadã; Alentejo Litoral pelo Ambiente; Amnistia Internacional; ASMAA – Associação de Surf e Actividades Marítimas do Algarve; Bloco de Esquerda; Campo Aberto; Cidadãos pela Pressão Climática; Climáximo; Coletivo Clima; Coopérnico; Futuro Limpo; GAIA - Grupo de Acção e Intervenção Ambiental; GEOTA – Grupo de Ordenamento do Território e Ambiente; Hidrosfera Portugal; Livre; Movimento Alternativa Socialista; MIA – Movimento Ibérico Anti-nuclear; PAN – Pessoas, Animais, Natureza; Peniche Livre de Petróleo; Plataforma Não ao Tratado Transatlântico; Porto Sem OGM; Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza; Sciaena; Sindicato dos Professores do Norte; Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Carta Aberta de Cientistas pelo Clima

« As comunidades científicas movimentam-se a nível internacional e preparam manifestações públicas para exprimir a sua condenação desta situação em abril, em vários países do mundo, incluindo Portugal. 

Este é, pois, o momento para manifestarmos a nossa oposição, socialmente responsável e com base no melhor conhecimento científico, aos furos de prospeção e exploração de petróleo e gás na costa e no mar portugueses, desde o Algarve até ao Porto. 

Vimos afirmar que é preciso que cessem, desde já, todos os contratos em vigor e que se recusem novas emissões de licenças, de forma a evitar danos irreparáveis para a economia, o meio ambiente e as suas comunidades.»


«Pensamos no mundo global em que vivemos como um sistema vivo e social, um sistema com que nos preocupamos e que temos a responsabilidade de transmitir às gerações vindouras.

As Cimeiras do Clima têm provocado debates mundiais sobre as alterações climáticas. Cientistas têm sublinhado a insuficiência das medidas tomadas até agora pelos poderes públicos nacionais e internacionais. A isto junta-se o desrespeito das metas acordadas por muitas empresas da energia e das maiores consumidoras, organizadas global e localmente em redes de dominação.

Hoje existe acordo entre a maioria das e dos cientistas quanto à urgência de pôr fim às emissões de gases de efeito de estufa. O conhecimento já existente permite abandonar os combustíveis fósseis em favor de energias limpas, as inovações nesta área são constantes. As alterações climáticas provocadas por ação humana são um problema da sociedade a que a ciência pode e tem vindo a responder. Queremos trabalhar em soluções e fazer parte delas, assumindo um compromisso com o planeta Terra e as vidas que humanas e não-humanas que dele dependem.

A relação entre poderes globais e nacionais está a reconfigurar-se após a eleição de Trump, a aliança com Putin e a ascensão da extrema direita na Europa, o que agrava a situação de forma preocupante. Para os povos, as ameaças à paz, à permanência no território, à saúde, à alimentação, à educação, aumentam a cada dia. Acresce ainda a insuficiência do investimento científico, em muitos países, o que ameaça o trabalho de cientistas e o isola mais, socialmente, das soluções justas para os grandes problemas que requerem a intervenção das várias ciências.

A exploração de combustíveis fósseis em Portugal é, justamente, um dos grandes problemas que temos de enfrentar do ponto de vista da cidadania e das ciências que fazemos. Como cientistas sabemos que a persistência de uma economia predadora do carbono inviabiliza os compromissos políticos nacionais assumidos nas Cimeiras do Clima e defrauda as expectativas das populações. Sabemos que destrói os territórios, mares e rios, a atmosfera, formas e cadeias de vida insubstituíveis, aproximando-nos aceleradamente de um ponto de não retorno. Sabemos que, com essa exploração, as populações não ganham nem trabalho, nem saúde, nem lugar para viver. E sabemos que há alternativas.

As comunidades científicas movimentam-se a nível internacional e preparam manifestações públicas para exprimir a sua condenação desta situação em abril, em vários países do mundo, incluindo Portugal. Este é, pois, o momento para manifestarmos a nossa oposição, socialmente responsável e com base no melhor conhecimento científico, aos furos de prospeção e exploração de petróleo e gás na costa e no mar portugueses, desde o Algarve até ao Porto.

Vimos afirmar que é preciso que cessem, desde já, todos os contratos em vigor e que se recusem novas emissões de licenças, de forma a evitar danos irreparáveis para a economia, o meio ambiente e as suas comunidades.»

22 de abril de 2017

Gil Fesch
Gil Penha-Lopes
Helena Freitas
Henrique de Barros
Inês Farias
João Arriscado Nunes
João Camargo
João Ferrão
João Guerra
João Lavinha
João Teixeira Lopes
João Veloso
Jorge Paiva
Jorge Sequeiros
José Lima Santos
José Manuel Pureza
José Maria Castro Caldas
Júlia Seixas
Lanka Horstink
Luís Ribeiro
Luísa Schmidt
Manuel Carvalho da Silva
Manuel Sarmento
Margarida Cancela de Abreu
Margarida Silva
Miguel Centeno Brito
Miguel Heleno
Nuno Almeida Alves
Nuno Santos Carneiro
Otávio Raposo
Patrícia Maciel
Patrícia Vieira
Paula Guerra
Paula Sequeiros
Paula Silva
Paulo Raposo
Paulo Talhadas Santos
Pedro Bacelar de Vasconcelos
Pedro Matos Soares
Pedro Pereira Leite
Ricardo Paes Mamede
Rita Ferreira
Rui Bebiano
Rui Gil da Costa
Rui Vitorino
Sandro Mendonça
Sinan Eden
Stefania Barca
Tatiana Moutinho
Teresa Summavielle
Violeta Ferreira
Viriato Soromenho-Marques»

segunda-feira, 17 de abril de 2017

O poder de uma escolha

«Mudar hábitos que duraram décadas, hábitos ancestrais que duraram milénios, requer coragem e altruísmo. 
A verdade dá-te o poder de fazeres as tuas próprias escolhas»
(do vídeo)

(imagem daqui
«Vídeo produzido e dirigido por estudantes de biologia da USP (Universidade de São Paulo), procura motivar o fortalecimento do pensamento crítico e desenvolvimento de posturas e valores éticos sobre a exploração animal, hábitos alimentares e gerais de consumo, implicando em ações conscientes na conservação da biodiversidade e bem estar dos seres vivos no planeta terra. Investe na correlação entre conteúdos sobre diversidade, destruição de habitats, ética, ecologia e uso intensivo de recursos como água, grãos e terra utilizados na exploração animal (agropecuária e pescas predatórias). »

Direção: Giovanna Blumenthal; Animação: Vitor Gregolin.


O Poder de Uma Escolha - Como Salvar a Vida na Terra Agora from Giovanna Blumenthal on Vimeo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Doce veneno

«Quando falamos em açúcar, sorrimos e abanamos a cabeça. “Não, eu até nem como assim tanto açúcar”, não é o que está a pensar? Mas a dura verdade é que come, praticamente todos os dias, quando consome produtos processados. E essa é, provavelmente, a razão por que faz tantas dietas, anda no ginásio e, mesmo assim, não consegue perder peso.»
...
Tal como qualquer outra droga, o açúcar é viciante. É este o poder da indústria alimentar que nos enche os sentidos com tantas fontes altamente aliciantes. Por isso é realmente penoso pensar numa dieta sem bolachas, sem uma bola de Berlim na praia, sem um suminho ou umas batatinhas aqui e ali — porque estamos viciados em açúcar sem nos apercebermos


Sobre este nosso doce "amigo", leia o artigo de Christiana Martins na revista do Expresso de 22/02/2014 (e fonte das imagens ao lado), que encontra no link aqui:


E não perca a Reportagem SIC de 2015 SOMOS O QUE COMEMOS!


SOMOS O QUE COMEMOS, Grande Reportagem SIC (2015) from quemse importa on Vimeo.

Depois, vá à cozinha, leia os rótulos e faça as suas contas...

domingo, 2 de abril de 2017

Escola da Ponte


Nenhuma escola é igual a outra, mas quase todas seguem o modelo supostamente "imposto": aulas expositivas, turmas, disciplinas, testes, ...

No entanto, há escolas realmente diferentes, embora raras, e mesmo no ensino público!

A Escola da Ponte (São Tomé de Negrelos, Santo Tirso) desde 1976, que tem marcado a diferença. As crianças e adolescentes do 1º ao 3 ciclo, aprendem, em primeiro lugar, a ser autónomos e responsáveis, e a cooperar. Depois, pesquisam e aprendem as matérias através de uma metodologia de projeto, com a ajuda uns dos outros e  dos professores (ver aqui).


A metodologia da escola teve como mentor o Professor José Pacheco, que atualmente se encontra a desenvolver escolas diferentes no Brasil.  

A escola é tão especial que até surgiu uma petição com o título: Queremos o Modelo da Escola da Ponte em mais escolas públicas


Para a conhecer melhor,  veja a reportagem da TVI (maio 2014) no vídeo abaixo , e leia a reportagem RTP de Junho de 2016.

Sim, uma outra educação é possível, também em Portugal!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Ouro Azul

No Dia Mundial da Água 2017, volta aqui o  documentário Ouro Azul - As Guerras Mundiais pela Água (Sam Bozzo, 2008), que nos mostra uma visão integrada da situação dramática da água potável no mundo. 

Com testemunhos de Wangari Maathai,  de Ryan e de Vandana Shiva, entre muitos outros, vemos como o novo colonialismo das corporações (grandes multinacionais) tem uma sede de morte para privatizar a água

e como o o banco mundial desempenha o papel de lobo com pele de cordeiro nesta guerra! 

terça-feira, 14 de março de 2017

8

8 anos ...e foi um instante ... desde que nasceu o Sustentabilidade é Acção em 14 de março de 2009.

Que estes 8 anos de tempo dedicado a tentar informar para que se vislumbrem caminhos que nos levem a melhores futuros, tenha valido a pena, tenha mudado algo.

Aproveitando o momento, deixo-vos uma "prendinha", uma animação de Glen Keane, um dos principais animadores da Walt Disney, adaptada à música de Luísa e Salvador Sobral "Amar pelos Dois" (representará Portugal na Eurovisão 2017).


Salvador Sobral - Amar Pelos Dois (Duet by Glen Keane) from Creativehole on Vimeo.

E, cumprindo a já "tradição", em dia de aniversário agradeço aos que visitam este espaço, mantendo-o vivo, OBRIGADA e bem hajam!


Falta o balanço do costume,... depois de quase ter parado, de chegar ao milhão de visitas, parece que houve uma "recuperação" não sei como nem porquê...

  • 1.136.000 visitas, (488 mil Portugal, 276 mil Brasil e 151 mil EUA)
  • 923 seguidores através do Blogger 
  • 597 seguidores no NetworkedBlogs
  • 13080 seguidores na página Facebook 
  • 1308 seguidores no Twitter
  • 346 seguidores na rede Google+  
  • 1168 mensagens publicadas 
  • 6650 comentários
Obrigada e até já!

domingo, 12 de março de 2017

Nós e os outros (das relações e das diferenças)

Este post está preparado há um ano em meio (desde 10/09/2015), na altura não o achei oportuno ou teria outras coisas para publicar, e acabei por esquecer-me dele. Hoje fui ver os "rascunhos" (posts inacabados, 27), encontrei-o e achei que estava na hora de o publicar.

Imagem daqui
São extratos de textos que fui encontrando por aí, referentes às atitudes e relações de uns para com os outros, de forma direta, ou forma camuflada nas redes sociais, e de todos para com os "ismos " ou para com os donos do mundo.

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1. "A minha cara metade", por Raquel Varela,  05/04/2014

(imagem obtida aqui)
«Há uma pandemia mundial em curso de narcisismo. Narcisismo não é vaidade. Um narcísico pode até ser discreto, calado e vestido de cinzento. Mas é uma pandemia insuportável. É o tipo que chega a uma reunião com mais 30 e pede para a próxima reunião ser mudada porque “ele tem uma consulta médica” – o que era o mundo sem ele!; é a mãe que diz com orgulho “o meu filho não faz nada sem mim” – um anormal portanto!; é o filho que quando a mãe lhe coloca a comida na mesa diz com esgar “não gosto nada disto” – tempos houve, os quais saúdo conservadoramente, que o tipo dizia “obrigada por teres feito o jantar querida mãe (mesmo que não gostasse)”; é o tipo que entra num sindicato e na primeira discordância, sem ter mexido uma palha, sai, e é o sindicalista que acha que é dono das decisões da organização; é o que entra numa associação e “esquece-se” mensalmente e sempre de pagar a quota – o financiamento colectivo que se lixe!; é o que estaciona em cima do passeio, o que atravessa um bairro a 50 km hora porque ele está atrasado para o trabalho e a criança que está a jogar à bola está a “atrapalhá-lo” – não é o seu filho porque ia ele preocupar-se!?; é a professora que despacha o trabalho dela para os alunos e os pais destes fazerem em casa; e são os pais que entram numa escola a gritar com a professora, sem sequer lhe perguntar o que se passou. 

Todos estes comportamentos têm em comum o desenvolvimento incipiente do superego, do não saber estar na pele do outro, do não querer estar na pele do outro – o outro, diria um humorista, “nunca ouvi falar desse”. É um comportamento para-sociopata, de gente que não consegue sair de si e acha que os outros são instrumentais ao seu bem-estar. É uma esmagadora ausência de resistência à frustração, um imediatismo de prazer quase animal (não socializado, portanto).
...
Piadas sérias à parte, o tema é grave. Os outros não são o preenchimento do nosso vazio, as relações são relações, de discordância, de debate, de diferença. O mundo está difícil. É aliás um barco a caminho do precipício, onde há uns tipos no convés e a maioria no porão. Mas desengane-se quem acha que vai ficar à tona – olhem para 1939-1945! Todos nos vamos afundar se não reagirmos organizadamente. Mas para reagir organizadamente temos que ser livres, e só há liberdade na diferença, na discordância, temos que re-aprender a viver com os outros na sua complexidade, na sua surpresa, e sobretudo com aquilo que é distinto de nós. Não precisamos de caras metades. Precisamos de gente inteira. »

Fonte: https://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2015/04/05/a-minha-cara-metade/

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2. "Aprenda a discordar usando a lógica do papel higiénico", por Wagner Brenner, 14/11/2013

(imagem obtida aqui)
«Por exemplo, o professor de sociologia Edgar Alan Burns, do Eastern Institute of Technology Sociology, usa esse truque no primeiro dia de aula. Ele pergunta aos seus alunos:
“Como vocês acham que o papel higiénico deve ser colocado?”
E nos 50 minutos seguintes, os alunos naturalmente começam a avaliar os MOTIVOS para suas respostas e acabam chegando sozinhos a questões sociais muito maiores como:
  • diferenças de papéis sociais entre homens e mulheres
  • diferenças entre comportamentos públicos e privados
  • diferenças entre classes sociais
  •  etc
São relações de construção social que nunca pararam para pensar antes, mas que agora, sem que ninguém os orientasse, conseguiram enxergar.
Sozinhos, começaram a raciocinar e perceberam correlações e fatos. E, principalmente, começaram a argumentar.
No dia-a-dia, quase nunca fazemos isso. Geralmente, tomamos um partido e passamos a defendê-lo de forma passional, enxergando só o que nos interessa.
Somos bons de discutir, mas ruins para argumentar. Piores ainda para mudar de ideia.»



Fonte: http://www.updateordie.com/2013/11/14/aprenda-a-discordar-usando-papel-higienico/

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3. "A Metáfora da Caixa de Bombom", por Clarion de Laffalot, 6/7/2012

«Vídeo de esclarecimentos para pessoas que só sabem pensar em sistema binário e raciocínio de manada, e ficam tentando "enquadrar" meus pensamentos em ideologias. »



Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=UoZ_X8a47Oc

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E para rematar, enquanto andamos entretidos com superficialidades, estamos bastante presos numas relações de que nem nos apercebemos, mas que nos dominam...
... de um velho parceiro das andanças da blogosfera:

4. Entreter para Dominar…, por Voz a 0 db, 09/12/2014

«Continuem então ENTRETIDOS… OS DONOS agradecem ;-) »


Fonte: https://taawaciclos.wordpress.com/2014/12/09/639/

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