segunda-feira, 27 de maio de 2013

Ervin Laszlo - Os limites pessoais da humanidade

Ervin Laszlo (Ervin László) é provavelmente o maior responsável pela existência deste blogue. Ele e um professor iraniano que lecionava na Universidade do Minho em 1993/94, no âmbito do Mestrado em Tecnologia do Ambiente, e de quem, infelizmente, não consigo lembrar o nome.  Foi este último que indicou o livro "THE INNER LIMITS OF MANKIND", de Ervin Laszlo.

Esta leitura fez-me despertar, fez-me sentir profundamente que algo de muito errado estava a acontecer no mundo, e que era urgente mudar o meu rumo e fazer parte dessa mudança. Hoje, ao fazer umas arrumações, descobri, finalmente, as fotocópias do livro então fornecidas. 

Partilho então a tradução que fiz (dentro das minhas limitações) de um extrato do capítulo 2, "Personal Limits, The Unrecognized Obsolescence of Modernism", desse livro.

«LIMITES PESSOAIS - A  Ignorada Obsolescência do Modernismo"


Antes de partimos para reformar o mundo, faríamos bem fazer uma pausa para ver se não temos de nos reformar a nós próprios. Os limites interiores que correntemente constrangem o crescimento e desenvolvimento da humanidade incluem os limites associados com a maneira como cada um de nós pensa e se comporta, tanto na esfera privada como no contexto público. Os nossos valores, crenças e ações somam-se às grandes tendências económicas, culturais e políticas  que determinam os caminhos que a humanidade escolhe para o futuro.

O 'ETHOS' MODERNO


Assim, vou começar com uma nota muito pessoal. Começo fazendo algumas perguntas que fiz a mim próprio, e que parecem ingénuas ou de senso comum, mas que são de importância fundamental e merecem respostas honestas. Deixem-me perguntar, então, a cada um e a todos os leitores, se sim ou não, acredita sinceramente:

  • - Que neste mundo é cada um por si próprio, com os mais fortes e engenhosos a ganhar  privilégios legítimos.
  • - Que uma 'mão invisível' harmoniza os interesses individuais e sociais, de modo que quando alguém faz bem a si próprio também beneficia a sociedade.
  • - Que a melhor maneira de ajudar os pobres e os necessitados é que os ricos fiquem mais ricos pois a riqueza inevitavelmente gotejar para beneficiar os oprimidos e elevá-los a um estatuto decente (não disse Kennedy "uma maré alta levanta todos os barcos"?).
  • - Que a ciência pode resolver todos os problemas e revelar tudo o que pode ser conhecido sobre o homem e o mundo.
  • - Que a ciência descobre 'factos' e só eles é que contam; valores, preferências e aspirações são meramente subjetivos e inconsequentes.
  • - Que a maneira de revelar os factos é a especialização, e aprender o máximo sobre o mínimo de temas possível, deixando que outros especialistas se preocupem com tudo o resto.
  • - Que se alguma coisa pode ser projetada e produzida para o lucro, também deve ser comercializada, pois é destinada a melhorar situação ou a tornar mais felizes pelo menos algumas pessoas.
  • - Que a verdadeira eficiência é a máxima produtividade para cada máquina, para cada empresa, e para cada ser humano.
  • - Que podemos saber tudo o que precisamos sobre as pessoas calculando os custos e benefícios da sua atividade e recursos, salvo algumas excepções  a personalidades ou a antecedentes étnicos.
  • - Que todos devem lealdade em primeiro lugar ao seu país, e que todos os países (exceto algumas colónias remanescentes) são incondicionalmente soberanos e estados-nação independentes.
  • - Que a riqueza e poder do seu próprio país deve ser assegurada independentemente do que isso significa para outros povos, pois neste mundo não é só cada homem por si próprio, mas também cada país por si próprio.~
  • - Que o poder da riqueza e o poder político decidem o que é para ser, e as ideias servem principalmente para encher livros e tornas as conversa mais impressivas.
  • - Que as nossas responsabilidades acabam quando asseguramos o nosso bem-estar - o que felizmente assegura também o bem-estar do nosso país - e deixar as próximas gerações cuidarem de si mesmas, como a nossa teve de fazer.
  • - Que existem riquezas quase inesgotáveis na Terra, só temos de usar as nossas tecnolgias para as extrair e colocá-las no mercado.
  • - Que só existe um sistema económico e político que é imensamente superior a todos os outros, e por isso devia ser adotado por todos os povos do mundo no seu interesse.
  • - Que a felicidade humana consiste em ter os últimos, mais confortáveis e poderosos produtos, e arredores sumptuosos.
  • - Que ter muitos filhos demonstra a virilidade e capacidade de um homem suportar uma família grande.
  • - Que a natureza e o ambiente podem muito bem tomar conta deles próprios, apesar dos estridentes gritos de alarme dos "verdes" e alguns intelectuais.
  • - Que os reais sinais de progresso são cidades maiores com edifícios mais altos, mais e maiores fábricas, quintas maiores e mais mecanizadas, mais e maiores autoestradas, e uma maior seleção de produtos em centros comerciais maiores e mais luxuosos.

Se o leitor acredita nisto tudo, ou na maior parte, é verdadeiramente uma pessoa moderna, o ideal e talvez objeto de inveja da maior parte das pessoas do mundo. E tornou-se uma séria ameaça ao futuro da humanidade.»

Ervin László, "The inner limits of mankind: heretical reflections on today's values, culture and politics", 1989

"Não podemos resolver os nossos problemas com o mesmo tipo de pensamento que lhes deu origem"

Ervin Laszlo nasceu em Budapeste, Hungria, em 1932. Filósofo da ciência, teórico de sistemas, pensador integral e pianista clássico húngaro, publicou cerca de 75 livros e 400 artigos e gravou vários concertos para piano  Em 1993  fundou o Clube de Budapeste, uma associação internacional informal dedicada ao desenvolvimento de uma nova forma de pensar e de uma nova ética para i ajudar a resolver os desafios sociais, políticos, económicos e ecológicos do século 21. Em 2004 e em 2005, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz (fontes: http://www.clubofbudapest.org/Wikipedia).

Abaixo, uma entrevista a Ervin Laszlo (2010), e a ligação para outra (2009) e uma outra (2012), que nos mostram que Laszlo, já com mais de 90 anos, ainda tem esperança que sejamos capazes de derrubar os nossos limites e construir um mundo melhor.



sábado, 25 de maio de 2013

Marcha Contra a Monsanto, Porto, 25/5/2013

"Abaixo a Monsanto, Sementes Livres"


















Marcha contra a Monsanto - Será que nos importamos com a nossa soberania alimentar?

Hoje é o dia da Marcha Contra a Monsanto, a ocorrer em centenas de cidades do mundo.

Depois da mensagem de Vandana Shiva e da mensagem sobre as razões da Marcha Contra a Monsanto que já começou em algumas partes do mundo, apelo à vossa participação, com a esperança de que este dia marque um ponto de viragem na forma como passivamente as pessoas tem visto a sua liberdade de escolha ser eliminada pelas grandes corporações com a conivência dos governos.

«Será a indignação contra a "Lei de Proteção da Monsanto" um ponto de viragem no Movimento Alimentar?», como diz este artigo do Huffington post?

Será que nos importamos com a nossa soberania alimentar?

A Monsanto, sobretudo, mas também  outras empresas da biotecnologia e genética, têm imposto ao mundo  a alteração genética de plantas e mesmo animais. Não há estudos fidedignos suficientes sobre o impacto na saúde (estão a aparecer agora os primeiros estudos de médio prazo), o impacto na natureza e biodiversidade é assustador, o impacto na economia é devastador (as corporações ganham-no todo à custa da exploração dos agricultores), a liberdade de escolha das pessoas é seriamente diminuída pela falta de informação...


"CONTROLAR A ALIMENTAÇÃO PARA CONTROLAR O MUNDO": esse parece ser o lema e objetivo da Monsanto.


Entretanto, remeto para o vídeo que explica, num minuto, o que são OGM, e deixo aqui a compilação da Ana Teresa (que aqui deixou num comentário), que explica de forma muito clara o que são os transgénicos (e o que está por trás deles), e que está a ser usado num flyer nos Açores:


«Organismos Geneticamente Modificados, OGM ou transgénicos, o que são?

- São seres vivos, plantas, animais e microorganismos aos quais foram inseridos em laboratório e de maneira aleatória (não conseguem controlar onde os inserem), genes de outras espécies.

- Na natureza jamais ocorreriam estas modificações, por exemplo: soja e milho com genes de bactérias, tomates com genes de peixes, alfaces com genes de ratos, etc…

- Os OGM são ambientalmente perigosos, dado que as suas sementes têm contaminado as demais espécies tradicionais de modo incontrolável, apesar das margens de segurança que se impõem entre culturas. Detecta-se pólen a 2 000 m de altitude.

- Está provado que ao fim de alguns anos, os OGM provocam problemas de resistência a pragas, sejam plantas ou insectos. Outros, são aniquilados, tais como as abelhas, responsáveis por 80% da polinização. Os EUA têm vastos exemplos disto.

- Existem grandes indícios de efeitos negativos a longo prazo na saúde humana e animal, apesar destes estudos independentes não terem reconhecimento absoluto, devido ao enorme poder destas empresas. Os estudos que demonstram não haver efeitos negativos, são feitos pelas próprias empresas interessadas em vender.

- As poucas empresas, 6, que possuem milhares de patentes de OGM e as comercializam, têm vindo a comprar todas as outras empresas de sementes tradicionais. (Todas as sementes produzidas nestas culturas, são propriedade destas empresas)

- A maior delas é a Monsanto, que possui 90% do mercado (11 mil patentes), cujo historial de corrupção é vastíssimo. As outras são a Bayer, Syngenta, Dow, Basf e DuPont.

- Milhares de agricultores,tiveram os seus campos contaminados e foram obrigados a destruir as suas culturas e a indemnizar estas empresas, cujo objectivo é dominar o mercado mundial de sementes. Dar dinheiro a estas empresas, é deixá-las dominarem a nossa alimentação. Quem controla a alimentação, controla o mundo.

- As sementes tradicionais são a nossa herança genética e possuem um valor intrínseco incalculável. A humanidade tem-nas usado livremente há mais de 10 000 anos, mas esta liberdade está em risco…e tem-se vindo a perder milhares de espécies.

- Existe um enorme movimento de investigadores e populações contra estes organismos, mas os governos não têm conseguido aguentar as pressões de tão poderosas empresas.

- Curiosamente a Monsanto começou por vender os herbicidas Roundoup e Agente Laranja (este já proibido por ser extremamente tóxico, apesar de na década de 60 terem pulverizado milhares de pessoas com ele, causando imensas doenças), só mais tarde é que começou a vender as sementes das plantas desenvolvidas para sobreviverem ao Roundup.

- Não é uma questão de se estar contra a ciência, mas sim, contra os lucros exorbitantes sem qualquer ética e a perda da nossa auto-sustentabilidade alimentar.

- Com uma nova lei que pretendem aprovar, corre-se o perigo de que as práticas tradicionais dos agricultores se tornem ilegais e estas empresas, dentro da lei.

Procure na NET mais informação em http://www.stopogm.net  »


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Vandana Shiva: sobre a "Marcha Contra a Monsanto"

"A Marcha Contra a Monsanto é uma chamada para acabar com a ditadura sobre as sementes, sobre a vida, sobre a alimentação, e sobre a nossa liberdade" Vandana Shiva

Esta é a parte final da mensagem de Vandana Shiva no vídeo que se segue, e que aqui fica como complemento à mensagem anterior sobre a Marcha Contra a Monsanto, marcada para 25 de maio, no próximo sábado, em centenas de cidades do mundo inteiro.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Marcha contra a Monsanto - 25 de Maio, pelo mundo fora!

«Em 25 de maio, ativistas de todo o mundo vão-se unir na Marcha contra a Monsanto.

Por que marchamos?
  • Os estudos têm mostrado que os alimentos geneticamente modificados da Monsanto podem levar a condições graves de saúde, como o desenvolvimento de tumores cancerígenos, infertilidade e defeitos congénitos.
  • Nos Estados Unidos, a FDA, a agência encarregada de garantir a segurança alimentar para a população, é dirigida por ex-executivos da Monsanto, e nós achamos que é um questionável conflito de interesses que explica a falta de investigação conduzida pelo governo sobre os efeitos de longo prazo dos produtos GM (geneticamente modificados).
  • Recentemente, o Congresso dos EUA e o presidente aprovaram a chamada "Lei de Proteção Monsanto" (Monsanto Protection Act), que, entre outras coisas, impede os tribunais de travar a venda de sementes geneticamente modificadas da Monsanto.
  • Por tempo demais, a Monsanto tem beneficiado dos subsídios corporativos e favoritismo político. Os agricultores biológicos e pequenos agricultores sofrem perdas enquanto a Monsanto continua a forjar o seu monopólio sobre a oferta alimentar mundial, incluindo os direitos exclusivos sobre patentes de sementes e composição genética.
  • As sementes transgénicas da Monsanto são prejudiciais ao meio ambiente; por exemplo, cientistas indicaram que têm contribuído para o “Colony Collapse Disorde” entre a população mundial de abelhas do mundo ((desaparecimento das abelhas).

Quais são as soluções que defendemos?
  • Votar com a moeda, comprando produtos biológicos e boicotando as empresas propriedade da Monsanto que usam transgénicos em seus produtos.
  • A rotulagem de transgénicos para que os consumidores possa facilmente tomar essas decisões informadas.
  • A revogação das disposições relevantes da "Lei de Proteção Monsanto"
  • Apelar para a pesquisa científica sobre os efeitos na saúde dos OGM.
  • Responsabilizar os executivos da Monsanto e políticos que apoiam a Monsanto, através da comunicação direta, do jornalismo de bases, meios de comunicação social, etc.
  • Continuar a informar o público sobre os segredos de Monsanto.
  • Ir para as ruas para mostrar ao mundo e à Monsanto que não vamos aceitar essas injustiças pacificamente.

Nós não queremos o clientelismo. Nós não queremos o veneno. É por isso que vamos na Marcha Contra a Monsanto.»



Veja neste site os locais onde estão organizadas as marchas pelo mundo fora no próximo sábado; ou neste calendáriohttp://bit.ly/16W7tAO

Em Portugal e no Brasil estão agendadas:

Portugal
Brasil
Para saber mais sobre a Monsanto, pode começar por aqui. A ética é algo que esta empresa desconhece de todo. Precisa urgentemente de ser travada na sua ambição de controlar todos os alimentos do mundo!


terça-feira, 14 de maio de 2013

Leonardo Boff: "Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana"

Mais um excelente texto de Leonardo Boff  (de 10/5/2013), que não podia deixar de trazer até aqui:

«Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana

GAIA, por Frida Kahlo (obtida aqui)
Numa votação unânime de 22 de abril de 2009 a ONU acolheu a idéia, durante muito tempo proposta pelas nações indígenas e sempre relegada, de que a Terra é Mãe. Por isso a ela se deve o mesmo respeito, a mesma veneração e o mesmo cuidado que devotamos às nossas mães. A partir de agora, todo dia 22 de abril não será apenas o dia da Terra mas o dia da Mãe Terra.

Esse reconhecimento comporta consequências importantes. A mais imediata delas é que a Terra viva é titular de direitos. Mas não só ela, mas também todos os seres orgânicos e inorgânicos que a compõem; são, cada um a seu modo, também portadores de direitos. Vale dizer, cada ser possui valor intrínseco, como enfatiza a Carta da Terra, independentemente do uso ou não que fizermos dele. Ele tem direito de existir e de continuar a existir nesse planeta e de não ser maltratado nem eliminado.

Essa aceitação do conceito da Mãe Terra vem ao encontro daquilo que já nos anos 20 do século passado o geoquímico russo Wladimir Vernadsky (1983-1945), criador do conceito de biosfera (o nome foi cunhado do geólogo austríaco Eduard Suess (1831-1914) chamava de ecologia global no sentido de ecologia do globo terrestre como um todo. Conhecemos a ecologia ambiental, a politico-social e a mental. Faltava uma ecologia global da Terra tomada como uma complexa unidade total. Na esteira do geoquímico russo, recentemente James Lovelock, com dados empíricos novos, apresentou a hipótese Gaia, hoje já aceita como teoria científica: a Terra efetivamente comparece como um superorganismo vivo que se autoregula, tese apoiada pela teoria dos sistemas, da cibernética e pelos biólogos chilenos Maturana e Varela e pelo físico quântico Fritjof Capra.

Vernadsky entendia a biosfera como aquela camada finíssima que cerca a Terra, uma espécie de sutil tecido indivisível que capta as irradiações do cosmos e da própria Terra e as transforma em energia terrestre altamente ativa. A vida se realiza aqui.

Nesse todo se encontra a multiplicidade dos seres em simbiose entre si, sempre interdependentes de forma que todos se autoajudam para existir, persistir e coevoluir. A espécie humana é parte deste todo terrestre, aquela porção da Terra que pensa, ama, intervem e constrói civilizações.

A espécie humana possui uma singularidade no conjunto dos seres: cabe-lhe a responsabilidade ética de cuidar, manter a condições que garantam a sustentabilidade do todo.

Como descrevemos no artigo anterior vivemos gravíssimo risco de destruir a espécie humana e todo o projeto planetário. Fundamos, como afirmam alguns cientistas, o antropoceno: uma nova era geológica com altissimo poder de destruição, fruto dos últimos séculos que significaram um transtorno perverso do equilíbrio do sistema-Terra. Como enfrentar esta nova situação nunca ocorrida antes de forma globalizada e profunda?

Temos pessoalmente trabalhado os paradigmas da sustentabilidade e do cuidado como relação amigável e cooperativa para com a natureza. Queremos agora, brevemente, apresentar um complemento necessário: a ética da responsabilidade do filósofo alemão Hans Jonas (1903-1993) com o seu conhecido Princípio Responsabilidade, seguido pelo Princípio Vida.

Jonas parte da triste verificação de que o projeto da tecno-ciência tornou a natureza extremamente vulnerável a ponto de não ser impossível o desaparecimento a espécie humana. Dai emerge a responsabilidade coletiva, formulada nesse imperativo: aja de tal maneira que os efeitos de tuas ações não destruam a possibilidade futura da vida.

Jonas trabalha ainda com outra categoria que deve ser bem entendida para não provocar uma paralização: o temor e o medo (Furcht). O medo aqui possui um significado elementar, um medo que nos leva instintivamente a preservar a vida e toda a espécie. Há efetivamente o temor de que se deslanche um processo irrefreável de destruição em massa, com os meios diante dos quais não tínhamos temor em construir e que agora, temos fundado temor de que nos podem realmente destruir a todos. Dai nasce a responsabilidade face às novas tecnociências como a biotecnologia e a nanotecnologia, cuja capacidade de destruição é inconcebível. Temos que realmente nos responsabilizar pelo futuro da espécie humana por temor e muito mais por amor à nossa propria vida.

Leonardo Boff é autor Do Iceberg à Arca de Noé, Mar de Idéias 2012.»

Fonte:  Blogue de Leonardo Boff, http://leonardoboff.wordpress.com/

sábado, 11 de maio de 2013

ISMAEL - "como as coisas vieram a ser o que são"

ISMAEL (ISHMAEL - An Adventure of the Mind and Spirit) é um pequeno grande livro do escritor norte-americano Daniel Quinn, de 1990. Em Portugal o título é "Ismael - Como o mundo veio a ser o que é", e no Brasil, adotou o nome "Ismael - Um romance da condição humana". Só posso aconselhar todos aqueles que se preocupam com a situação global a lê-lo. Eu li-o em poucas horas, e de seguida, pois não consegui parar. De algum modo, fez-me lembrar a Alegoria da Caverna, de Platão. O texto que se segue define-o melhor do que eu poderia definir.

«Esta é uma leitura necessária e urgente para todos aqueles, jovens e adultos, que têm um desejo sincero de salvar o mundo. O que sabemos da humanidade e de seu comportamento? A história oficial, vista por olhos humanos, é um desfilar de nossas grandes conquistas e, ao mesmo tempo, contraditoriamente, a angústia de reconhecer a ameaça de uma iminente extinção da espécie.

Todos compartilhamos dessa angústia e procuramos meios de interferir que esse futuro sombrio não se concretize. Todos temos um desejo sincero de salvar o mundo! E gostaríamos de encontrar um professor disposto a nos acolher como discípulos para nos ensinar a satisfazer esse desejo. O narrador dessa belíssima fábula teve a oportunidade.»


Se ainda não leu o livro e não o tem, aproveite para descarregar a versão brasileira, disponível em português (brasileiro) em Camino Sustenible (aqui).  Abaixo, dois pequenos extractos:

«“ Somente uma coisa pode nos salvar”, continuei. “Temos de aumentar nosso domínio sobre o mundo. Todo esse estrago foi causado por nossa conquista do mundo, mas temos de continuar a conquistá-lo até que nosso governo seja absoluto. Então, quando nosso controle for completo, tudo ficará bem. Teremos poder de fusão. Não haverá mais poluição. Ligaremos e desligaremos a chuva. Plantaremos um alqueire de trigo num centímetro quadrado. Transformaremos os oceanos em fazendas. Controlaremos o clima, e não haverá mais furacões, tornados, secas e geadas inoportunas. Faremos as nuvens soltarem sua água sobre a terra em vez de despejá-la inutilmente no oceano. Todos os processos vitais deste planeta estarão em seu lugar, onde os deuses querem que estejam: em nossas mãos. E nós os manipularemos assim como um programador manipula um computador. É a situação do momento. Precisamos aprofundar a conquista. E, ao aprofundá-la, destruiremos o mundo ou o transformaremos num paraíso; o paraíso que era destino do homem criar com seu governo. E se conseguirmos isso, se finalmente nos tornarmos os senhores absolutos do mundo, então mais nada nos deterá. Entraremos na era de Jornada nas estrelas. O homem se lançará no espaço para conquistar e governar todo o universo. E este pode ser seu destino último: conquistar e governar todo o universo. Que ser maravilhoso é o homem!”»

«As pessoas de sua cultura se agarram com uma tenacidade fanática à idéia de que o homem é especial. Querem desesperadamente perceber um imenso abismo entre o homem e o resto da criação. Essa mitologia da superioridade humana justifica que façam o que bem quiserem com o mundo, assim como a mitologia de Hitler sobre a superioridade ariana justificou que fizesse o que bem quisesse com a Europa. Mas essa mitologia não é muito satisfatória, afinal.»


segunda-feira, 6 de maio de 2013

Sementes da liberdade (Seeds of Freedom - em português)

"A agricultura global tem mudado mais na nossa vida atual do que nos dez mil anos anteriores. Mas, como toda a mudança, fez surgir conflitos de interesses. Em nenhum outro lugar esse conflito é mais pungente do que na história da semente.

Neste filme iremos olhar como a semente tem mudado na agricultura e na nossa cultura. De um alimento sagrado e criador de vida para uma mercadoria poderosa, usada para monopolizar a produção global de alimentos. Este conflito entre agricultores e empresários, entre conhecimento e controle, entre a verdade e a propaganda, encontra-se no coração da história da semente.
(fonte: extraído do filme)

Não perca este documentário, agora em português do Brasil, e que já aqui foi publicado na sua versão original, narrada por Jeremy Irons. Um filme de Jess Philimore produzido por The Gaia Foundation  African Biodiversity Network (ABN), em colaboração com  MELCA Ethiopia, GRAIN International & Navdanya International.


Sementes da Liberdade (Seeds of Freedom - Portuguese) from The ABN and The Gaia Foundation on Vimeo.

"Lembre-se, você vota no sistema alimentar cada vez que faz compras. Compre alimentos locais, biológicos e da época. Apoie os mercados de produtores locais e as lojas independentes
(fonte: extraído do filme)

Saiba mais sobre soberania alimentar em www.seedsoffreedom.info

domingo, 5 de maio de 2013

Permacultura - princípios de design

No dia internacional da permacultura 2013, falamos sobre os princípios de design em permacultura.  Com o centro nos 3 princípios éticos (cuidar da terra, cuidar das pessoas, e partilha justa), os 12 princípios de design em permacultura, baseiam-se na ecologia, a ciência que estuda as interações entre os seres vivos e entre estes e o seu ambiente, e mais especificamente da ecologia de sistemas. São eles:

1 - Observe e interaja
2 - Capte e armazene energia
3 - Obtenha rendimento
4 - Pratique a autoregulação e aceite feedback
5 - Use e valorize os serviços e recursos renováveis
6 - Não produza desperdícios
7 - Design partindo de padrões para chegar aos detalhes
8 - Integrar ao invés de segregar
9 - Use soluções pequenas e lentas
10 - Use e valorize a diversidades
11 - Use as bordas e elementos marginais
12 - Use criativamente e responda às mudanças

Imagem obtida em http://permacultureprinciples.com/pt/pc_principles_poster_pt.pdf

A explicação sobre cada um destes princípios pode ser lida no site PermaculturePrinciples.com e, de forma mais completa, em "Os Fundamentos da Permacultura", um resumo traduzido dos conceitos e princípios apresentados no livro "Permaculture: Principles & Pathways Beyond Sustainability", da autoria de David Holmgren.

No ano passado, tivemos aqui a mensagem de Geoff Lawton, hoje ficamos com a mensagem de David Holmgren, co-criador do conceito da Permacultura: