terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Que 2014 seja um bom ano, para mim e para si!

"Muda, que quando a gente muda, o mundo muda também",

Porque a felicidade e o respeito pelos outros e pelo ambiente parte de dentro de cada um de nós, estes são os meus votos para 2014 - para mim e para vocês também:


Que eu saiba cuidar de mim, mas saia da minha zona de conforto para estender a mão a quem precisa.
Que eu aprenda com os meus erros e os perdoe a mim própria, para que possa também perdoar aos outros.
Que eu deixe a paz envolver o meu ser, para que a possa dar aos que me rodeiam.
E, sobretudo, que eu seja melhor em 2014, para que 2014 seja melhor.

Feliz ano novo

domingo, 29 de dezembro de 2013

Geoff Lawton - "Permacultura Urbana"

Pode ver mais um dos excelentes vídeos da coleção "Surviving Collapse" de Geoff Lawton, desta vez sobre agricultura urbana (em pequenos espaços), clicando no link (e eventualmente registando-se com um e-mail):

Imagem do quintal de Angelo Eliades, obtida aqui

Para além do vídeo, pode ainda descarregar um folheto sobre permacultura urbana, e onde consta a planta (abaixo) do quintal de 64 m2 que aparece na primeira metade do filme. 

Trata-se do quintal de Angelo Eliades (site Deep Green Permaculture), onde ele produziu, no primeiro ano, 133 kg de alimentos e no quarto ano 234 kg (ver aqui). 

É impressionante a abundância que a permacultura permite nos pequenos espaço, usando planeamento, diversidade (vejam aqui a lista das mais de 150 espécies que ali cultiva), e claro,  o conhecimento das espécies, da sua relação e do funcionamento da natureza (sol, solo, água, vento, ... ). Não percam o vídeo enquanto está on-line.

Conclusão de Angelo Eliades: "Considerando que leva uma média de 2 horas por semana para manter tal sistema, e que o mesmo é isento de químicos e ervas daninhas e quase completamente livre de pragas, esta é uma prova viva de que a Permacultura realmente funciona!"

Planta do quintal de Angelo Eliades, obtida aqui. Clique para aumentar.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Construir com fardos de palha

Casa em palha em construção na Quinta dos Melros
A construção em fardos de palha felizmente parece ganhar cada vez mais adeptos.  Não sendo uma técnica nova, as suas características de conforto térmico e acústico, aliadas à sustentabilidade dos materiais e custo abaixo da construção corrente, tornam-na uma opção muito atraente sobretudo para casas. 

Esperemos que as burocracias do licenciamento não se tornem uma barreira a este tipo de construção, que pode ser feita projetada e construída por empresas especializadas, mas que também pode ser realizada em auto-construção. Neste caso, será sempre aconselhável a orientação por técnicos especializados. 

Lanço aqui o desafio a quem já é especializado neste tipo de construção, que deixe, em comentário, o seu nome e contacto, e se se dedica ao projeto, construção ou acompanhamento de obra.

Em relação a este tema, neste blogue já  se falou antes na construção em palha e de uma casa de palha com 93 anos (em França). E no blogue irmão, EcoConstruir, também pode encontrar: 
- o caso de uma oficina de construção de casa em fardos de palha em Turtle Rock Farm (EUA)
- uma tradução do artigo  How to Build With Straw Balesque mais abaixo se reproduz. (Esta tradução pode ter algumas lacunas, pois para além de eventuais desconhecimentos da língua original, também não tenho, ainda, qualquer prática em construção em palha; por isso, agradeço a correção de eventuais lapsos). 

Já a seguir, um vídeo de Chris Ripley sobre a construção de uma casa com fardos de palha na Quinta dos Melros, Tábua, Portugal (a da imagem de cima). 




Como construir com fardos de palha


«Aqui estão instruções básicas para a montagem de uma parede de fardos de palha numa estrutura de pilares e vigas (postes e traves). Nada aqui deve impedir o uso das melhores práticas de construção.

Avaliando os fardos

A palha deve ser cortada à foice com enfardadeira de corte não rotativo,  de modo a que o fardo seja feito dobrando as palhas longas a meio. O fardo terá um lado cortado e um lado dobrado. Estes fardos serão facilmente  redimensionados . Fardos de duas cordas são 35-36 cm de altura por 45-46 cm de profundidade por 86-107 cm de comprimento.

Os fardos devem estar secos. Use um medidor de humidade para testar o seu teor. Idealmente os fardos serão executados na faixa de 9-14 % , mas até 18% é utilizável. Se ele tiver aparência de humidade, ver se há sinais de mofo (bolores), se for o caso, não usar em paredes.

Os fardos devem ser apertados o suficiente para que os dedos se sintam firmes e confortáveis entre o fio e a palha ao levantar o fardo. Ao levantar pegando por uma corda,  deve sentir-se o fardo seguro e não como que prestes a desmoronar-se. Os fardos não precisam de ser recém-cortados , mas estes serão menos empoeirados  do que os que foram armazenados por algum tempo.


Empilhamento de fardos

Os fardos são colocados num canteiro elevado de cascalho. A partir de um canto, colocar os fardos topo a topo em cada sentido. Coloque os fardos com o lado da corda para cima , esta é a forma estrutural para assentar os fardos. Na fiada seguinte comece de novo no canto colocando o fardo de modo que  ele se sobreponha a metade de dois fardos com a junta dos dois fardos inferiores mais ou menos a meio do fardo superior. Da mesma forma que se colocam tijolos ou blocos. Quando chegar ao fim de uma fiada, pode não ter espaço suficiente para um fardo inteiro. É quando ocorre o redimensionamento . Continue  a empilhar  as fiadas dessa maneira.

Trabalhe  a parede de forma a para mantê-la no prumo. Uma marreta de madeira grande pode ser usada para " persuadir " a parede a se manter na vertical.  Pode fazer paredes curvas com fardos de palha , as paredes não precisam ser retas, mas devem ser verticais (no prumo).

Redimensionamento de fardos

Os fardos podem ser redimensionados para criar um invólucro sólido a fiada. Se o espaço que precisa ser preenchido tem 23 cm ou menos, encha o espaço com camadas de palha em vez de tentar fazer um fardo que se adeqúe.  Os fardos são constituídos por uma série de camadas que se separam facilmente umas das outras. Depois da parede estar construída, camadas de palha  são também usadas para encher orifícios nas juntas entre fardos. Pode redimensionar sozinho, mas é melhor  fazê-lo com ajuda. Determine o comprimento do fardo que você precisa.

Marque o fardo e corte fio de enfardamento  suficiente para dar a volta ao fardo “novo” mais  23 cm. Faça dois fardos em simultâneo de modo a não perder a palha, pois provavelmente vai precisar de um fardo desse tamanho em alguma parte do edifício. Meça e corte uma corda que rodeie a outra metade do fardo , mais 23 cm. Vai precisar de substituir ambas as cordas do fardo, por isso corte um outro conjunto de cordas para coincidir com os fardos cortados e coloque-as de lado. Pegue as duas cordas e enfie a agulha de fardo com elas. Puxe as duas cordas na agulha para que o meio do cordel esteja no buraco da agulha . Ao inserir a agulha no fardo deve ter cuidado para não cruzar as cordas no interior do fardo . Faça isto mantendo as extremidades de cada corda em mãos separadas . Coloque a agulha junto à parte de dentro da corda existente, no comprimento que precisa.

Mantendo a agulha perpendicular ao fardo empurre-a através dele. Seu parceiro vai remover o fio da agulha, sabendo que corda veio de que buraco e para que lado vai dar a volta ao fardo. Virando o fardo de lado faça um nó e aperte bem, fazendo um fardo firme. Agora, " re-costure " a outra corda no fardo. Depois de ambos os lados redefinidos,  corte o fio original no nó e remova-o. Guarde a corda para futuros fardos redimensionados .


Fixação (pinning) (ver também: http://youtu.be/FKxZd5P2z_A

Após o empilhamento da palha, é reforçada lateralmente. Coloque duas estacas de bambu em ambos os lados da parede a cada 45-46 cm. Ligue-os uns aos outros utilizando a agulha de fardos e arame 16.

Insira a agulha enfiada com fio através do meio do fardo em cada fiada. Isso é chamado de fixação (pinning). Aperte o arame com um alicate para puxar as estacas de bambu contra os fardos submergindo-as ligeiramente na palha. Este aperto vai ajudar a endireitar a parede. Em seguida, empurre as extremidades dos fios bem para dentro da palha de modo a que não interfiram no reboco.

As estacas devem ligar a ambas as placas superior e inferior por aparafusamento, ou com uma cinta de 2 furos, ou com agrado de cerca.


Janelas e portas

Janelas e portas são pré- construídas . Coloque-as bem para mantê-las em prumo e esquadria. Peitoris fundos são criados quando as janelas são colocados na borda externa dos fardos (recomendado) . Na cozinha, janelas de balcão podem ser não operáveis, ou ser definidas no interior do fardo para facilitar a abertura. Se assim for, não se esqueça dos detalhes para uma boa drenagem do peitoril.

Canalizações e fios

Os fios são colocados sobre a superfície da palha. Ele pode ser colocado no tubo (recomendado ), ou simples. Pode usar um anel de gesso nas suas caixas , que permite que você defina a caixa, por isso deve ser nivelado com a última camada de gesso. Os canos mantemos fora das paredes de palha. Onde os canos sobem a partir do chão,  pode colocar instalações na parede de palha, mas onde o cano precisa vir através da parede de palha, coloque as instalações numa parede interior (não de palha).

Armários de montagem

Armários de cozinha pode ser montados em paredes de palha por aparafusamento 2 × 4 na parede usando pernos de 1/2 " (1,27 cm) enfiados  na parede de palha, prendendo  a um compensador de madeira de 30 cm (12”). Aperte as porcas novamente antes do reboco.


Revestimento / acabamentos

Uma casa saudável precisa "respirar" . O melhor revestimento para a palha é o reboco natural de argila e cal, aplicado dentro e por fora . Esta argamassa tem sido utilizada com sucesso em todo o mundo por milhares de anos . É não tóxico, fácil de misturar e aplicar,  e limpa-se com água . É feito com cal , argila e areia.  A cal dissuade roedores e insetos de entrar na casa.

Pulverizadores de estuque

Se você quiser aprender a estucar, ou deseja aplicar estuque ou argamassa numa parede ou fardos de palha , vai gostar deste pulverizador Stucco para rebocar com argamassas naturais  e misturas de gesso terra e cal.


Fardos de palha oferecem uma casa energeticamente eficiente usando um material que seria queimado libertando carbono e outros poluentes. Ao construir com fardos de palha o carbono sequestrado na palha permanece lá, e os fardos são classificados  um material resistente ao fogo classe A, fazendo uma casa segura, saudável e bela.»

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um Natal em paz

Que neste Natal encontre em si a paz, e a dê de presente aos que o rodeiam.

Um Natal em paz consigo e com os outros, e que essa paz se prolongue por todo o novo ano de 2014.

São estes os meus votos para todos os visitantes deste espaço.

E mais uma vez vos deixo com uma curta-metragem realizada pela minha filha, não me perguntem porquê :o)

Feliz Natal

domingo, 22 de dezembro de 2013

É preciso travar a contaminação com transgénicos


O uso de organismos geneticamente modificados (OGM ou transgénicos) coloca em sério risco a biodiversidade agrícola, para além de todos os problemas na saúde que começam finalmente a sair à luz do dia. Isto porque, além de os agricultores que optam por essa via deixarem de cultivar as variedades alimentares tradicionais adaptadas, a polinização pelo vento ou pelos agentes polinizadores faz-se a grandes distâncias, contaminando as culturas daquele que cultivam variedades não transgénicas. Trata-se de um verdadeiro ecocídio.


O caso do agricultor australiano Steve Marsh, que devido à contaminação com OGM, perdeu a certificação biológica, é apenas um entre muitos. Esta contaminação teve um impacto dramático sobre Steve e seus meios de subsistência, enquanto a Monsanto, por causa dos acordos firmados com cada agricultor GM, fica livre de qualquer responsabilidade, apenas ganha o lucro. Em vez de aceitar passivamente esta invasão, Steve decidiu tomar uma posição. Como o único caminho disponível,  ele  processou o seu vizinho por prejuízos e danos.

Como o processo judicial será muito caro, a "Safe Food Foundation", lançou uma campanha de angariação de fundos para ajudar nesta batalha, pois pretendem que este seja um caso "bandeira" para alertar o mundo dos perigos da contaminação com transgénico.  A primeira audiência no tribunal está marcada para fevereiro de 2014.

Este não é apenas o caso de Steve Marsh, é o caso de nós todos, que vemos ameaçada a nossa alimentação; por isso, a palavra-chave (hashtag) #IamSteveMarsh.

Veja o vídeo abaixo (tem legendas em espanhol e francês) e saiba como pode apoiar a causa de Steve Marsh aqui.



«Steve Marsh é agricultor e vive em Kojonup na Austrália Ocidental. Em 2010, ele perdeu a certificação biloógica (orgânica) quando a canola geneticamente modificada (OGM) do seu vizinho contaminou 70% da sua quinta. Numa estreia mundial, ele processou o seu vizinho por prejuízos, e se ele ganhar ele não só protege o seu direito de cultivar alimentos biológicos livres de OGM, como também protege os nossos direitos de comer alimentos livres de transgénicos.»

Fontes: Safe Food Foundation,  Steve Marsh Benefit Fund,  Help this farmer (facebook)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"Seeds of Love" - mensagem de Vandana Shiva

Imagem obtida aqui
No vídeo abaixo, uma mensagem de Vandana Shiva no final de um ano de guerra contra a Monsanto e contra as novas e criminosas "leis das sementes". Uma luta que Vandana Shiva  empreendeu com a ajuda de muitas organizações e agricultores, a favor das sementes livres, da biodiversidade, da soberania alimentar dos agricultores e das populações, da democracia alimentar.


Ajudemos nesta luta contra a ditadura das grandes corporações, continuemos a semear, dar e trocar as variedades tradicionais, pois uma lei que proíbe isso, não é uma lei legítima. Apoiemos a agricultura ecológica e biológica, contra os transgénicos e o uso de venenos. E não nos deixemos enganar pelos estratagemas das grandes corporações que até controlam e compram as revistas científicas para que estas não publiquem (ou retirem) os artigos que denunciam os malefícios dos seus produtos, para a saúde (e para o ambiente); esses sim, verdadeiros atos terroristas. Como ela já disse numa das muitas vezes que aqui a trouxe, "Qualquer lei que se interponha no caminho do dever ecológico, social e ético de guardar sementes, nós temos de desobedecer! »

Vandana acaba a sua mensagem pedindo força nesta luta em 2014, e citando Rumi: 

"Nesta terra, neste campo imaculado, não plantaremos nenhumas sementes que não sejam as da compaixão e do amor".

domingo, 15 de dezembro de 2013

Governo do Equador "fecha" ONG Fundación Pachamama

Imagem obtida aqui
Em 1997, e a partir de um pequeno grupo de especialistas em conservação, ecoturismo e desenvolvimento sustentável, nasce a Fundación Pachamama no Equador, como organização irmã da The Pachamama Alliance*.

A Fundação Pachamama desenvolve o seu trabalho no centro-sul da Amazónia equatoriana, tendo como objetivo promover um modelo alternativo e inovador de desenvolvimento, baseado no bem viver e com enfoque no reconhecimento e respeito dos direitos humanos e dos direitos da natureza.

Imagem obtida aqui
Durante 16 anos, a Fundación Pachamama tem trabalhado solidariamente com as organizações indígenas da Amazónia do Equador, na defesa dos seus direitos e das suas terras, tendo desempenhado um papel fundamental no estabelecimento dos Direitos da Natureza na Constituição do Equador.

Esta fundação apoiou a iniciativa Yasuni-ITT para manter inexplorado o petróleo debaixo da terra mais biodiversa do planeta, o campo ITT no Parque Nacional Yasuní, e apoiou a ação judicial da Frente de Defesa da Amazónia no caso Chevron-Texaco.



Imagem do "fecho" obtida aqui
«O Ministério do Ambiente do Equador ordenou, no dia 04 de dezembro, a dissolução da organização ambiental Fundação Pachamama, acusada de interferência nas políticas públicas e de atentar contra a segurança nacional. A cassação da licença da fundação foi baseada na acusação de agressão a autoridades internacionais que assistiram à XI Rodada de Licitações de Petróleo, em Quito, no dia 28 de novembro
                         (Fonte e notícia completa em O Eco:

Imagem obtida aqui
A Fundación Pachamama diz que nenhum dos seus ativistas atuou de forma violenta, mas não teve sequer o direito ao contraditório, pois, pelos vistos o que interessava ao governo do Equador era um motivo para tirar essa ONG do caminho dos exploradores de petróleo na Amazónia.

São muitas as multinacionais a destruir o nosso planeta (e muitos os governos cúmplices), e as do negócio do petróleo parecem ter tudo comprado! Ou quase!

Por isso, acedamos ao pedido de solidariedade internacional da Fundación Pachamama, assinando esta petição Avaaz e difundindo esta mensagem.
#SolidaridadPachamama  


Our Moment In Time from The Pachamama Alliance on Vimeo.

* A The Pachamama Alliance é uma organização que nasceu na sequência de uma visita de um grupo de americanos de São Francisco ao território Achuar, no Equador, em 1995. Os Achuar são um povo indígena que manteve o seu modo de vida tradicional numa região remota da floresta amzónica equatoriana. Durante essa visita, os líderes indígenas propuseram uma aliança aos visitantes, face à sua profunda preocupação com as crescentes ameaças ao seu território e cultura. Assim, depois de voltarem para casa, Bill e Lynne Twist, dois dos membros do grupo, fundaram a "The Pachamama Alliance", uma ONG cuja missão é capacitar os povos indígenas da Amazónia para proteger as suas terras e culturas, e, usando conhecimentos adquiridos nesse trabalho, educar e inspirar as pessoas de todos os lugares a construirem um mundo justo, sustentável e próspero.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Até a chuva!

Imagem obtida aqui
"Também a Chuva" (También la lluvia) é um filme de 2010 dirigido pela realizadora espanhola Icíar Bollaínde, e conta três histórias em simultâneo: a história da rodagem de um filme, a história da guerra da água em Cochabamba, e uma história da invasão da América pelos espanhóis (os descobrimentos  e Cristóvão Colombo).

Vi este filme recentemente na televisão e recomendo! A próxima sessão vai passar na TVCine2  na próxima quarta-feira dia 18/12/2013 às 12:50. Mas estão previstas mais sessões até ao dia 9/1/2014 (ver aqui: http://www.tvcine.pt/detalhe.php?id=68282)
Imagem obtida aqui

Para quem não sabe o que aconteceu em Cochabamba na Bolívia em 2000 por causa da privatização da água (a Guerra da Água), fica com uma ideia do que pode ocorrer com tal opção - a empresa que detinha "o direito à água" conseguiu até proibir a recolha da água da chuva! O povo revoltou-se e conseguiu reverter a situação, mas não sem o custo de vidas e sofrimento!




Filme completo (sem legendas e qualidade não muito boa) em https://vimeo.com/43191063

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Alquimia


Alchemy from Henry Jun Wah Lee / Evosia on Vimeo.

«Alchemy é um curta-metragem sobre a transformação. Na natureza, tudo está em constante mutação: a terra, o céu, as estrelas, e todas as coisas vivas. A primavera é seguida pelo verão, outono e inverno. A água transforma-se em nuvens, chuva e gelo. Ao longo do tempo, rios são criados, desfiladeiros esculpidos, e montanhas formadas. Todos estes elementos, juntos, criam a magia da alquimia da natureza.

Filmada em 4K ao longo de um ano, Alchemy transporta-nos através das mudanças de paisagens, estações, condições meteorológicas e de luminosidade ... primavera, verão, outono e inverno. Amanhecer e entardecer, dia e noite. Chuva, neve, gelo e nevoeiro. Montanhas, rios, lagos, vales e desfiladeiros. Sol, lua, estrelas e céu.»

domingo, 8 de dezembro de 2013

Agricultura biológica versus convencional - produtividade?

A discussão sobre a produtividade dos sistemas agrícolas, comparando a agricultura dita convencional com a agricultura biológica, já pouco tem de novo. Os estudos e argumentos que pendem para ambos os lados são muitos, mas mesmo que a agricultura convencional fosse "mais produtiva", a que graves custos isso é feito? 

Este é o assunto do artigo de Cyril Dion publicado há dias no Magazine Kaizen, do qual se apresenta abaixo a tradução de alguns parágrafos (ver também o post "Agroecologia: o futuro da agricultura")

O biológico é realmente menos produtivo do que o convencional?

Imagem obtida no artigo referido
«O argumento está muito bem estabelecido e enraizado nas mentes de todos. Se não mudamos maciçamente para a agricultura biológica na França e em todo o mundo é porque "nós não poderíamos alimentar o mundo."

Nos últimos anos, estudos, contra-estudos, proclamações e desmentidos sucedem-se. A tal ponto que se torna difícil ter uma ideia clara e suster uma posição. Para além de capelas e ideologias, vejamos concretamente o que se passa.
...

Assim, num relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 8 de março de 2011, Olivier De Schutter, relator especial da ONU para o direito à alimentação , explicou: "As evidências científicas atuais demonstram que métodos os agroecológicos são mais eficazes do que o uso de fertilizantes químicos para estimular a produção alimentar em regiões difíceis onde se concentra a fome. Até ao momento , os projetos agroecológicos em 57 países em desenvolvimento levaram a um aumento no rendimento médio de 80% das colheitas, e com um ganho médio de 116% nos projectos em África. " Isso o leva a concluir que: "A agroecologia pode duplicar a produção de alimentos em regiões inteiras dentro de 10 anos, reduzindo a pobreza rural e contribuindo com soluções para as alterações climáticas." Números que podem surpreender à luz do primeiro estudo citado .

Mas Olivier De Schutter está focado em áreas onde frassa a fome (apesar de experiências citadas na França e na Alemanha) e onde o nível de mecanização é bastante reduzido. No mundo inteiro, 28 milhões de agricultores possuem um trator, 25 milhões usam a tração animal e 1250 milhões de agricultores umsam apenas as suas mãos para trabalhar a terra. No entanto, para obter rendimentos tão elevados, a agricultura convencional baseia-se no desempenho tecnológico e energético (combustíveis fósseis maioritariamente), e também agronómicos. A agroecologia, tal como a permacultura, baseiam-se nos serviços prestados pelos ecossistemas, e são muito mais eficazes em contextos onde a mecanização é limitado. E são bem mais pertinentes para lutar contra as alterações climáticas, erosão, poluição da água, dos solos e dos alimentos, e, claro, contra a fome. Num contexto de escassez de petróleo barato, crescimento das dívidas dos agricultores, de fortes constrangimentos ecológicos e de crise económica global, é muito mais realista apostar nestas técnicas, tanto no Norte como no Sul, ao invés de imaginar equipar a totalidade dos agricultores do mundo com tratores, máquinas para a colheita, OGM, fertilizantes e produtos fitofarmacêuticos de todos os tipos ...»
...

E depois?

Em resumo, a agroecologia e a permacultura já são mais eficientes em pequenas áreas e particularmente relevantes em países pouco mecanizados e onde a segurança alimentar não é garantida. Como agricultura biológica no seu conjunto, elas fornecem uma maior garantia de sustentabilidade e de resiliência a longo prazo. Dadas as limitações que enfrentamos, seria benéfica a difusão destes métodos no nosso país, acompanhada por mudanças estruturais nos circuitos de produção, distribuição e consumo. Poderia perguntar-se por que não fazemos esta mudança de rumo. Talvez porque, como disse Olivier De Schutter "apesar do seu incrível potencial na realização do direito à alimentação, a agroecologia é ainda insuficientemente apoiada por políticas públicas ambiciosas e, portanto, ainda mal ainda ultrapassou a fase experimental". Então, cidadãos, aos jardins!»

sábado, 7 de dezembro de 2013

"Tudo parece impossível até que seja feito"


"Tudo parece impossível até que seja feito."
Nelson Mandela

O pequeno vídeo que se segue foi realizado em junho passado com a ajuda de ativistas de todo o mundo, durante a convergência "Global Power Shift" organizada pelo movimento 350.org,  inspirado na coragem, determinação e generosidade de Nelson Mandela.


Imagem obtida aqui
Também em homenagem a Nelson Mandela, recomendo a leitura do artigo de Leonardo Boff intitulado "O significado de Mandela para o futuro ameaçado da humanidade", de 7/12/2013. Desse texto, fica aqui um pequeno extrato, que refere a um sentimento ou estado de alma chamado "ubuntu", uma palavra africana estranha para nós, cujo significado precisa urgentemente de deixar de ser estranho.

«Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar, reconciliar pólos antagônicos e nos transmitir uma inarredável esperança de que o ser humano ainda pode ter jeito.
...
Imagem obtida aqui
Uma solução dessas, seguramente originalíssima, pressupõe um conceio alheio à nossa cultura individualista: o ubuntu que quer dizer: “eu só posso ser eu através de você e com você”. Portanto, sem um laço permanente que liga todos com todos, a sociedade estará, como na nossa, sob risco de dilaceração e de conflitos sem fim.
....
Essa lição de esperança nos deixa Mandela: nós ainda viveremos se sem discriminações pusermos em prática de fato o Ubuntu.»

Leonardo Boff (texto completo aqui)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Rolihlahla Mandela, até sempre, Madiba

Foto obtida aqui
"Sonho com o dia em que todo se irão erguer e compreender que fomos feitos para viver como irmãos"

I dream of the day when everyone will rise up and understand that we were made to live as brothers.” 

Nelson Rolihlahla Mandela 
(18 julho 1918 - 5 dezembro 2013)

A Terra perdeu um grande Homem, que a Humanidade não perca nunca os seus ensinamentos e aprenda a seguir o seu exemplo.  Até sempre, Madiba!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O Futuro

Existe um claro consenso de que o futuro que hoje começa a emergir será extremamente diferente de tudo o que alguma vez conhecemos no passado. É uma diferença não de grau, mas de género. Não existe qualquer período de mudanças anterior que se assemelhe sequer ao que a humanidade está prestes a conhecer. Já passamos por períodos de mudanças revolucionárias, mas nenhum tão intenso nem tão prenhe de perigo e oportunidade como os tempos que se avizinham. Também nunca passamos antes por um período de tantas mudanças revolucionárias e convergentes
... 
Imagem do livro obtida aqui
Existem já várias práticas imprudentes que deviam ser imediatamente interrompidas: a venda de armas mortíferas a grupos em todo o mundo; o uso de antibióticos como estimulante de crescimento para animais; a exploração de petróleo no vulnerável oceano Ártico; o domínio das transacções bolsistas por supercomputadores com algoritmos optimizados para transações de alta velocidade e frequência que criam volatilidade e riscos de perturbações no mercado; e propostas completamente loucas para impedir que o a luz do Sol chegue à Terra como estratégia para diminuir a retenção de calor provocada por níveis crescentes de poluição. Todas estas práticas e propostas constituem exemplos de ideias confusas e perigosas. Deviam ser encaradas como «casos padrão» para perceber se temos ou não a vontade, a determinação e a energia para criar um futuro digno das gerações vindouras.
...
A civilização humana chegou a uma bifurcação na estrada que percorremos há muito. Há que escolher um de dois caminhos. Ambos nos conduzem ao desconhecido. Mas um conduz à destruição do equilíbrio climático de que dependemos, à destruição de recursos insubstituíveis que nos sustentam, à degradação de valores unicamente humanos e ao possível fim da civilização como a conhecemos. O outro conduz ao futuro.

Al Gore, em “O FUTURO – Seis forças que irão mudar o mundo”, 2013, Actual Editora (extratos)

Sinopse do livro (extrato obtido aqui):  
«Fruto de uma investigação exaustiva e da análise de casos paradigmáticos, O Futuro identifica as principais forças emergentes que irão moldar os tempos vindouros: as mudanças em curso na economia global, a alteração no equilíbrio de poder geostratégico e o papel dos Estados e nações; as revoluções digital e biotecnológica, a crise climática e a transição energética para as renováveis; o desafio demográfico, o consumo dos recursos do planeta, a medicina e a saúde; e, por fim, a emergência de uma consciência global que transcende fronteiras.»

domingo, 1 de dezembro de 2013

10 estratégias de manipulação mediática (Noam Chomsky)

Vejam se reconhecem alguma... das 10 estratégias de manipulação mediática segundo Noam Chomsky:


«Noam Chomsky: As 10 estratégias de manipulação mediática

1. A estratégia da distracção. 
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

2. Criar problemas e depois oferecer soluções.
Esse método também é denominado "problema - reacção - solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que se desejam fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade.
Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram rendimentos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir. 
Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade.
A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. 
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto-circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. 
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar pelas classes inferiores (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade.
Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade. 
Fazer as pessoas acreditar que são culpadas pela sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema económico, o indivíduo auto-desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua acção. E sem acção, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. 
Noam Chomsky, Wikipedia
Ao longo dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência geraram uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

Noam Chomsky - Linguista, filósofo e activista político americano. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts»

Fonte: http://revoltatotalglobal.blogspot.pt/2011/05/noam-chomsky-top10-estrategias-de.html


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Manifesto de Suzuki

Depois do "julgamento" público de David Suzuki, no Canadá, em que foi considerado inocente, chegou a vez de aqui deixar o seu Manifesto do Carbono, em vídeo legendado e em texto (traduzido daqui).

Neste manifesto, David Suzuki acusa as corporações, o governo e os cidadãos do Canadá de crimes contra as futuras gerações.



Manifesto do Carbono de David Suzuki 

«Sou David Suzuki. Estou aqui hoje como um ancião, para além das tentações do dinheiro, fama ou poder! Não tenho uma agenda escondida, venho falar a verdade!

Os seres humanos no mundo natural são muitas vezes demasiado belos para palavras! Passei a maior parte da minha carreira a filmar as maravilhas da natureza e nosso lugar nela. E muitas vezes, as palavras faltaram-me! Aproximando-me do fim da minha vida, espanto-me com o poder, a tecnologia, a riqueza e o consumo que a humanidade adquiriu! E que transformou as nossas vidas, mas ao mesmo tempo, destruindo os sistemas de suporte da vida em que a nossa existência e bem estar dependem: o ar, a água, o solo e os alimentos, atividade fotossintética e biodiversidade.

Agora, os meus netos são a alegria da minha vida, mas eu sei como é incerto o seu futuro, e que todas as ninharias da nossa sociedade de consumo não podem compensar as maravilhosas riquezas e a generosidade da natureza! Mas não é preciso ficar comovido com a beleza do mundo para compreender que dependemos dele completamente para a nossa própria existência. A minha geração pós-guerra e os 'boomers´(geração de 60) que se seguiram viveram como reis e rainhas, numa festa, como se não houvesse amanhã, sem preocupações com o tipo de mundo que iríamos deixar para as crianças. Bem, a festa acabou!

“Seres humanos e o mundo natural estão em rota de colisão… Se não forem controladas, muitas das nossas práticas correntes colocam em sério risco o futuro que queremos para a sociedade humana… Não restam mais do que uma ou poucas décadas antes que as hipóteses de reverter as ameaças que agora enfrentamos desapareçam, e as perspetivas para a humanidade, diminuam drasticamente… É necessária uma grande mudança na nossa administração da terra e da vida na terra, se se quer evitar um enorme sofrimento humano, a nossa casa comum neste planeta não pode ser irremediavelmente mutilado.”

Essas palavras são de um Aviso de Cientistas do Mundo à Humanidade, de novembro de 1992, há mais de duas décadas. Foi assinado por mais de 1700 cientistas seniores, de 71 países, e incluiu mais de metade de todos os vencedores de prémios Nobel.

Desde esse aviso dos cientistas, estudos científicos atrás de estudos científicos, documentaram o estado perigoso da atmosfera, dos oceanos, das florestas, da extinção de espécies, poluição tóxica, e consequências imprevistas de novas e poderosas tecnologias.

Agora, estamos à beira de um precipício, que nós próprios cavamos. Em menos de cem anos, conseguimos perder de vista a nossa dependência absoluta da natureza, e a responsabilidade de não deixar desmoronar a nossa casa. Congratulamo-nos com o crescimento, a expansão, os avanços tecnológicos e os lucros, e vivemos na ilusão de que a nossa criatividade nos permitirá manter a economia a crescer sem limite.

O Canadá anda perto da linha da frente quando se trata de crescimento e lucro no mundo. E a tirania da crença de que a economia é o que mais importa para o país transformou-nos até um ponto em que dificilmente nos conseguimos reconhecer. George Monbiot escreveu: "O Canadá, um país decente, culto e liberal, foi transformado num petro-estado delinquente." Eu acredito que isto é o que somos, um país que, apesar de tudo o que a ciência nos diz, e apesar do que as mudanças no clima nos dizem, está determinado a espremer todas as gotas de petróleo do solo, para agarrar o último dos lucros, para alimentar um vício que sabemos que está a destruir o futuro das novas gerações.

Governos e corporações (empresas multinacionais) não estão apenas a falhar-nos, eles são as forças motrizes que nos estão a levar ao limite, ignorando deliberadamente as consequências e cometendo, assim, o que só pode ser chamado de crime intergeracional. As consequências das suas ações - e inações - vão-se repercutir por gerações. A cegueira voluntária é uma ofensa condenável, assim como a negligência criminosa, mas um crime intergeracional é um conceito tão recente que ainda temos de desenvolver os mecanismos legais para agir. Aqueles a quem chamam os nossos líderes, devem ser responsabilizados.

E esta responsabilidade deve-se estender a todos os cidadãos do Canadá. Nós falhamos às nossas crianças e ao nosso planeta, por causa do nosso medo da mudança e do nosso medo do futuro.
Eu acuso as corporações, incluindo os sectores automóvel, energia, farmacêutica, química e agrícola: de colocarem o lucro e o crescimento antes de tudo o resto, incluindo da sobrevivência e saúde da sociedade. De que o seu lobbyng corporativo está a tornar a agenda do país vergonhosa.
Eu acuso os políticos canadianos de crimes intergeracionais. As suas ações afetarão os nossos netos e os netos deles.

Eu acuso as corporações canadianas e o governo de atividades imorais, com consequências devastadoras para as nações mais pobres e vulneráveis do globo.

Eu acuso os políticos do Canadá e os seus cidadãos de cegueira voluntária, de falharem em estar informados de assuntos críticos que têm o poder de influenciar, e de falharem em agir quando estão conscientes de crises ecológicas evitáveis.

Se o meu país se recusa a me exonerar, então ele é culpado por não conseguir defender a acusação alegada, de liberdade de expressão. Se as minhas palavras forem consideradas traição, então que seja!

Com o meu Manifesto do Carbono, eu pretendo parar estes crimes

1 - Acabar com os combustíveis fósseis como a principal fonte de energia. Durante uma geração, devem ser mantidos no solo. Isso significa que a exploração e os subsídios para a indústria de combustíveis fósseis acaba agora.

2 - Salvar os maiores sumidouros de carbono da terra: a floresta boreal do Canadá e os nossos oceanos devem ser protegidos.

3 - 70% da nossa energia tem de ser de origem renovável no prazo de uma geração.

4 - Um imposto sobre o carbono de 150 dólares por tonelada, começa agora.

5 - Os cientistas do clima do Canadá devem poder partilhar as suas descobertas sem censura e sem interferência de interesses políticos e corporativos.

Ofereço-vos este manifesto - compromisso

Os seres humanos tornaram-se tão poderosos que estão a alterar as propriedades biológicas, químicas e físicas do planeta numa escala geológica. Devemos olhar para o futuro, e a ciência, em vez da política ou da economia, deve ser o nosso guia.

Eu sei que a nossa dependência dos combustíveis fósseis tem de acabar.

Eu sei que serão necessárias enormes mudanças para nós sobrevivermos como espécie, ainda mais para prosperar numa crise global convergente em torno do clima, alimentação, água, combustível e economia.

Comprometo-me a parar a epidemia de culpa à volta da crise climática e a reconhecer a minha própria responsabilidade.

A maneira como vivo a minha vida é parte do problema.

Acredito que precisamos de uma nova visão para o futuro como canadianos e como seres humanos
Eu declaro que estou pronto para implementar a mudança.

Quero ser parte da solução, não parte do problema.

Eu estou com o Manifesto do Carbono.

Este é o nosso caminho para a frente!»

Fonte: Tradução do "Suzuki´s Manifesto", Canadá, outubro de 2013

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

"A lei do eucaplito livre"

Imagem obtida aqui
Sobre a eucaliptização de Portugal já aqui falamos há mais de um ano, quando a lei que agora liberaliza o eucalipto era apenas uma proposta. De lá para cá, a proposta teve uma ligeira operação de cosmética, tendo resultado no Decreto-lei 96/2013, publicado em 19 de julho e que "Estabelece o regime jurídico a que estão sujeitas, no território continental, as ações de arborização e rearborização com recurso a espécies florestais".

Já há uns tempos que pretendia voltar ao assunto, mas a publicação de hoje, de João Camargo, na Visão, não me deixa adiar mais. Por isso, recomendo vivamente a sua leitura (link no título abaixo), não podendo deixar de trazer para aqui alguns parágrafos do brilhante texto intitulado

 O nome das coisas: o Decreto-Lei nº 96/2013 é a "Lei do Eucalipto Livre"
por João Camargo, em Visão Verde, 27/11/2013 (extrato):

«... Mas a "Lei do Eucalipto Livre" tem exclusivamente que ver com eucaliptos e com a liberalização da sua plantação. Senão vejamos: esta lei simplifica plantações de eucaliptos, mas complica a plantação de espécies florestais autóctones como o sobreiro, o castanheiro, o carvalho ou a azinheira, que passa a ter que ser comunicada. Que simplificação da burocracia é esta, quando passa a ter que ser comunicada, por exemplo, a plantação de sobreiros no meio do montado alentejano ou de carvalhos no Douro?
...
Se esta lei for revogada, não será a garantia de que no futuro tudo correrá melhor. Se esta lei não for revogada, temos a garantia de que no futuro, na nossa floresta e no nosso território as coisas correrão bastante pior.
 ...
Revogar é a única palavra que temos de associar a este decreto-lei.»

Ler  o texto completo em: http://visao.sapo.pt/o-nome-das-coisas-o-decreto-lei-n-962013-e-a-lei-do-eucalipto-livre=f759210#ixzz2lslNh4bm

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O problema da obediência civil

oward Zinn and Matt Damon | Foto: Scott Wintrow/ Getty Images
Matt Damon lê um texto do norte-americano Howard Zinn, de 1970.

Howard Zinn (1922-2010) foi um historiador, autor, professor de ciência político e ativista social.

O texto intitula-se "O problema é a obediência civil".

Embora em inglês e sem legendas, vale a pena ouvir e refletir.


Matt Damon reads from Howard Zinn's speech "The Problem is Civil Obedience" (November 1970) from Voices of a People's History on Vimeo.

sábado, 23 de novembro de 2013

"A espiral da morte do Ártico e a bomba-relógio do metano"

"Arctic Death Spiral and the Methane Time Bomb" é um recente documentário sobre as consequências do rápido derretimento do gelo no Ártico.  Um cenário bem pior do que o tão falado em 2007!

Imagem obtida aqui
O filme começa com o discurso hipócrita dos presidentes dos Estados Unidos desde os anos 60, continua com o testemunho deveras preocupante de vários cientistas, e acaba com o desmascarar da hipocrisia feito por Severn Suzuki na Cimeira do Rio em 1992. 

"O gelo está a derrer no Ártico a uma das taxas mais rápidas da história humana. Pesquisadores e cientistas do clima que monitorizam o derretimento do gelo no Ártico começaram a usar o termo sinistro "espiral da morte" para descrever o que está a acontecer no topo do mundo." (daqui).



(Para ver legendas em português, selecione a caixa de legendas em baixo, aparece "inglês", escolha acima "Traduzir legendas" e então escolha "português" ou a língua que pretender)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

James Hansen: "Porque devo falar sobre alterações climáticas"

«Foi detetada influência humana no aquecimento da atmosfera e do oceano, nas mudanças no ciclo hidrológico global, nas reduções da neve e do gelo, no aumento do nível do mar, e nas mudanças ocorridas em alguns eventos climáticos extremos. Esta evidência de influência humana tem crescido desde o AR4 (IPCC Fourth Assessment Report: Climate Change 2007). É extremamente provável que a influência humana tenha sido a causa dominante do aquecimento observado desde meados do século 20.»

Imagem obtida em National Geographic
Esta é uma das frases do resumo do relatório do Painel Intergovernamental para as alterações climáticas de 2013 (Climate Change 2013: The Physical Science Basis).

A seguir, uma palestra de James Hansen, um cientista da NASA que desde os anos 80 vem alertando para a influência humana nas alterações climáticas e para o perigo que estas representam, onde explicou, em 2012, porque razão deve falar sobre as alterações climáticas.



sábado, 16 de novembro de 2013

Ajude a libertar os 30 do Ártico

Trinta pessoas estão prisioneiras na Rússia há quase dois meses, após um protesto pacífico contra a exploração de petróleo no Ártico. 

Os 28 ativistas da Greenpeace, entre os quais está a brasileira Ana Paula Maciel, e 2 jornalistas, foram acusados de pirataria e vandalismo, e enfrentam penas até 15 anos de prisão.

Ajude a libertá-los, pois protestar pacificamente não é crime. Crime  é o que as petrolíferas estão a fazer no Ártico (ecocídio).

Um simples e-mail ou um telefonema para a embaixada russa no seu país é a ajuda que lhe pedem contra esta injustiça.

Veja como ajudar aqui (Portugal), aqui (Brasil), ou aqui (Internacional). 



O governo holandês pediu a libertação imediata do navio Arctic Sunrise e de seus tripulantes ao Tribunal Internacional de Direito do Mar (ITLOS), um órgão independente criado para resolver disputas sobre interpretação e aplicação da Convenção de Direito Marítimo da ONU. No próximo dia 22, o ITLOS deve anunciar uma posição sobre o caso. (Fonte: Zero Hora)



(Publicado em 11/11/2013, republicado em 16/11/2013 com a inclusão do vídeo Save the Arctic and Free the Arctic 30)