terça-feira, 31 de julho de 2012

Você vê?



"Você pode ignorar a realidade, mas não pode ignorar as consequências de ignorar a realidade" Ayn Rand

Versão em inglês aqui

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Sementes de liberdade (Seeds of Freedom)

"A história das sementes tornou-se uma história de perdas, de controle, de dependência e de dívida. Tem sido escrita por aqueles que querem fazer grandes lucros com o nosso sistema alimentar, sem se importarem com o seu verdadeiro custo. É hora de mudar a história."

«Sementes de liberdade (Seeds of freedom) mostra como apenas cinco empresas (Monsanto, Du Pont, Syngenta, Bayer e BASF) estão a tentar – e a conseguir – controlar o mercado mundial de sementes, com consequências dramáticas na diversidade e qualidade dos alimentos.

Não tem a ver com alimentar o mundo. Não tem a ver com resolver alguns dos assuntos mais prementes que enfrentamos na actualidade. Tem a ver com controlo económico do sector alimentar”, afirma Zac Goldsmith, ex-conselheiro para o ambiente do primeiro ministro britânico, sobre a proliferação de sementes geneticamente modificadas (GM). Lançado em Maio deste ano, o filme resulta de uma colaboração entre a Fundação Gaia e a Rede Africana de Biodiversidade (ABN – African Biodiversity Network), e é narrado pelo actor Jeremy Irons, Embaixador da Boa Vontade das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura.

A substituição das sementes tradicionais por sementes GM envolve vários aspectos perversos, como o surgimento de super-pragas que obrigam a recorrer aos pesticidas que os GM prometiam dispensar. Mas há mais. Muito mais. Do empobrecimento dos solos ao endividamento dos agricultores (que todos os anos têm de comprar sementes novas e que não produzem colheitas de que se possam alimentar), às escandalosas decisões de juízes (segunda notícia aqui)com estreitas ligações às empresas produtoras de sementes GM.

O filme relata como o agricultor canadiano Percy Schmeiser perdeu tudo o que tinha quando, após mais de 50 anos a reproduzir e seleccionar as próprias sementes, os seus campos foram contaminadas por sementes GM patenteadas, provenientes de colheitas adjacentes. Nesta situação, sobre a lei de patentes, a colheita torna-se propriedade de quem produz a semente GM.

Como é que chegámos a toda esta situação?

Sementes de Liberdade recua ao final da Segunda Guerra Mundial, quando as empresas de produtos químicos precisaram de encontrar novas funções para as suas matérias. Assim, explosivos e agentes de substâncias que actuam sobre o sistema nervoso foram reformulados e originaram fertilizantes e pesticidas. Em 1995 a Organização Mundial do comércio, sob pressão de poderosas empresas, determinou que microorganismos e processos microbiológicos eram patenteáveis. Estava aberto caminho para as sementes GM controlarem o mercado. Actualmente estas sementes encontram-se dessiminadas na América do Norte e na América do Sul, em África e na Índia.»

Fonte: docspt.com


Seeds of Freedom from The ABN and The Gaia Foundation on Vimeo.

domingo, 22 de julho de 2012

O Veneno Está na Mesa

Depois do Veneno na Mesa dos portugueses, O Veneno Está na Mesa dos brasileiros... e de que maneira! Um documentário de Sílvio Tendler, muito bom, e não só para brasileiros. Com depoimentos de Eduardo Galeano e  Ana Primavesi, entre muitos outros.

«SinopseO filme-documentário aborda como a chamada Revolução Verde do pós-guerra acabou com a herança da agricultura tradicional. No lugar, implantou um modelo que ameaça a fertilidade do solo, os mananciais de água e a biodiversidade, contaminando pessoas e o ar. Nós somos as grandes vítimas dessa triste realidade, já que o Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante. Apesar do quadro negativo, o filme aponta pequenas iniciativas em defesa de um outro modelo de produção agrícola. Este é o caso de Adonai, um jovem agricultor que individualmente faz questão de plantar o milho sem veneno, enfrentando inclusive programas de financiamento do governo que tem como condição o uso desses agrotóxicos. No Brasil, há incentivo fiscal para quem utiliza agrotóxicos, gerando uma contradição entre a saúde da população e a economia do país, com privilégio da segunda.»


«Este documentário lançado em 2011 e dirigido pelo premiado cineasta brasileiro Silvio Tendler alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura brasileira, que atualmente é a recordista mundial no uso desses agentes químicos fornecidos por empresas como BASF, Bayer, Dupont, Monsanto, entre outras. Muitos dos venenos produzidos por estas empresas foram banidos em vários países de todos os continentes, mas no Brasil continuam em uso, inclusive pelos pequenos agricultores, que são obrigados a usar sementes transgênicas e pesticidas para conseguir crédito junto aos bancos.»

"Desde 2008, e Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos:  5,2 litros/ano por habitante"


O Veneno Está na Mesa from MST on Vimeo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A História da Mudança - "The Story of Change"

Há mais de 3 anos (mais propriamente, há 40 meses), criei este blogue com o intuito de divulgar a necessidade de cada um de nós mudar os comportamentos no sentido de uma vida mais sustentável e de um maior respeito pelo ambiente. Isto com base, sobretudo, na compreensão de que o consumismo exagerado que nos é (quase) imposto pela comunicação social e pela civilização atual, nos leva, inevitavelmente, a uma situação caótica e impossível de continuar! Impossível porque consumimos mais recursos do que aqueles que o planeta pode regenerar. E quantas vezes, se pensarmos bem, desnecessariamente.

Continuo convencida que as nossas atitudes e mudanças graduais no dia a dia, o nosso exemplo e a nossa criação de uma realidade diferente e mais justa (como é o caso da permacultura e da transição), são absolutamente necessários e fundamentais para a mudança.

Mas não são suficientes, pois na realidade não somos os principais culpados. Não num mundo tão injusto em que o lucro vem à frente de tudo, com o impulso de poderosas empresas multinacionais (corporações) e com a conivência da maioria dos governos. O capitalismo predatório em que se transformou a economia "de mercado", assente num mercado cada vez mais desregulado, em monopólios e oligopólios, é uma gravíssima doença da civilização que precisa ser combatida! Em nome da proteção de uma sociedade sã, dos mais desfavorecidos, do ambiente, do planeta, e sobretudo, das próximas gerações.

Se como consumidores temos o poder da escolha (nem sempre), isto é, podemos escolher comprar produtos mais amigos do ambiente ou mais éticos, ou rejeitar produtos de empresas nocivas, a verdade é que, por um lado, precisamos de muita informação, e a maioria não consegue aceder a ela; por outro lado, nós somos muito mais do que meros "consumidores"!

Nós somos cidadãos com direitos e deveres, e é nosso dever denunciar e não aceitar esse jogo que nos retira direitos, e que nos querem impor como se outra via não houvesse.  Mas essa atitude exige que nos unamos e que sejamos interventivos e participativos, de diversas formas. 

No fundo, acho que é essa também a mensagem de Annie Leonard no seu novo vídeo "História da Mudança" (The Story of Change), que vale a pena ver, aliás, como todos os outros

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Como transformar Portugal num imenso eucaliptal

Em Maio passado, saiu esta notícia no ionline: "Portucel. 15 mil novos empregos dependem de 40 mil hectares de eucaliptos", onde se diz, entre outras coisas que: 
Imagem obtida aqui
"Para se tornar auto-suficiente, a empresa precisaria de produzir, actualmente, cerca de 40 mil hectares de eucaliptos. Para alimentar uma nova fábrica seria necessário mais ainda. Neste caso o governo teria, muito provavelmente, de levantar algumas limitações que existem em termos ambientais."

No mesmo mês, e com certeza por mera coincidência, o Governo (MAMAOT) apresenta, para discussão pública a Alteração Legislativa sobre Ações de Arborização e Rearborização, proposta que remove, sem dúvida, muitos entraves à plantação de eucalipto. Sobre esta intenção de alteração à lei, ficam aqui ligações e extratos de algumas das críticas:

Extraído do comunicado da LPN - Liga para a Protecção da Natureza (18 de Julho 2012):

«A recente proposta da ex-Autoridade Florestal Nacional de alteração da legislação sobre Arborização e Rearborização abre a porta à liberalização das plantações de eucalipto, ignorando que estes péssimos investimentos têm contribuído para as piores estatísticas de incêndios da Europa e para a degradação generalizada da paisagem florestal em Portugal. É uma proposta indigna para um país desenvolvido, que submete os interesses da sociedade aos interesses privados de alguns proprietários e das empresas de celulose.

Sob a égide da simplificação dos processos de autorização e da eliminação de redundâncias legais e institucionais, a proposta da ex-AFN, inédita em qualquer país civilizado, propõe a desregulação e desordenamento da actividade florestal. Os impactes irreversíveis da implementação de tal legislação não são tidos em conta, nomeadamente alguns já observáveis que contribuíram para os piores índices de fogos florestais da Europa, a perda de áreas naturais de conservação reservatórios de biodiversidade, a degradação dos solos e a desertificação do país.

Imagem obtida aqui
A utilização extensiva e desordenada de espécies exóticas de produção industrial como o eucalipto, tem consequências absolutamente gravosas, como está documentado não só em Portugal como um pouco por todo o Mundo, reduzindo biodiversidade, degradando física e biologicamente os solos e contribuindo para um aumento brutal dos incêndios florestais. Não obstante a proposta da ex-AFN prevê, por exemplo, deferimentos tácitos dos pedidos de autorização sempre que não haja uma resposta em 30 dias. Numa altura de cortes e reestruturações em todas as estruturas do Estado, nomeadamente aquelas responsáveis pela emissão destas autorizações, o Governo propõe permissões automáticas, fazendo tábua rasa do princípio da precaução, que aconselha o contrário.

(...)
A Liga para a Protecção da Natureza considera que esta proposta é completamente inaceitável,
submetendo os interesses da sociedade aos  interesses  de alguns proprietários individuais e das
empresas de celulose.  Ao contrário do que  se  anuncia no preâmbulo,  não há na mesma qualquer
preocupação em salvaguardar as já raras formações de floresta nativa, em conservar a paisagem, em prevenir os  fogos florestais nem em contribuir para um  ordenamento florestal correcto. Apelamos a todos os cidadãos preocupados com esta questão, a manifestarem o seu desagrado enviando um email até ao próximo dia 25 para regimearboriz@afn.min-agricultura.pt.»

Leia o comunicado integral da LPN aqui

Extraído do artigo de Daniel Oliveira "Eucaliptar Portugal" no Expresso (18 de Julho 2012):

«Conhecendo-se o impacto ambiental do eucalipto - consumo de água, maior facilidade de propagação de incêndios e efeitos nas espécies autóctones - as leis portuguesas exigiam algumas regas para a sua plantação. E, para impedir o recurso a atividades criminosas que beneficiavam o infrator, determinava-se que nas zonas atingidas por incêndios só se poderia replantar árvores da mesma espécie.

Segundo nova legislação que o governo apresenta agora, inédita na Europa, a arborização até cinco hectares e a rearborização até dez hectares poderá ser feita com qualquer espécie, sem necessidade de qualquer autorização. Volta-se à regra do deferimento tácito, um convite descarado à corrupção sem rasto. (...)»
Leia o artigo integral de Daniel Oliveira aqui


Comunicado da Quercus (14 de Junho 2012): ver aqui

E para finalizar, um extracto do texto do Professor Jorge Paiva, biólogo e uma das pessoas mais credenciadas em Portugal sobre floresta (que não se cansa de dizer que um "eucaliptal  é uma monocultura, não é uma floresta") intitulado:



«(...) A partir de meados do século passado (XX) os pinhais têm vindo a ser substituído por eucaliptais, particularmente de  Eucalyptus globulus. Os eucaliptos interessam mais às celuloses por serem árvores de crescimento mais rápido do que os pinheiros. Nas últimas décadas incrementaram-se tão desenfreadamente as plantações de eucaliptos que se criou em Portugal a maior área de eucaliptal contínuo da Europa.  

Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento, sem  ter mais nada que fazer. Isto porque os eucaliptais não dão para mais nada a não ser madeira para as celuloses, pois além de não terem praticamente mato útil, não podem ser cortados para lenha nem fornecem boa madeira para construção ou mobiliário. Assim, o povo além do abandono rural a que foi “forçado”, ficou ainda numa dependência económica monopolista, um risco para o qual não é, nem nunca foi, alertado.   

Como é do conhecimento geral, a partir de 1975 aumentaram espectacularmente os fogos florestais em Portugal, constituindo um verdadeiro escândalo nacional a destruição não só da nossa vasta área de pinhal, como de algumas relíquias florestais  e até de zonas agrícolas. Na nossa opinião, a delapidação técnica e humana dos Serviços Florestais, operada pelos sucessivos governos após a “Revolução dos cravos” (25. IV. 1974) e a impreparação democrática da maior parte da população que, inicialmente, entendeu que liberdade era libertinagem são  as principais causas desta situação. Por outro lado, como já foi referido, deu-se  a desumanização do meio rural, além do abandono a que foram votadas as montanhas pela diminuição de técnicos florestais. Concomitantemente, as casas florestais são abandonadas e, consequentemente, degradadas.   

Como consequência da devastação do pinhal, como também foi referido, tem-se vindo a assistir a um aumento sistemático da área ocupada por eucaliptos e acácias ou mimosas, estas últimas por serem invasoras bem adaptadas a zonas incendiadas e os eucaliptos por serem plantados indiscriminadamente devido ao seu presente valor económico.  

O declínio da riqueza florística implica empobrecimento faunístico, constituindo os eucaliptais, por vezes com  um coberto arbustivo e herbáceo exíguo, as plantações industriais mais pobres sob o ponto de vista faunístico e florístico.  

Imagem obtida aqui
Apesar disso, os carvalhais e os montados de sobro e de azinho ocupam ainda quase um milhão de hectares em Portugal, sendo necessário, no entanto, para a defesa, manutenção e aumento dessa área, que haja uma radical modificação nas políticas agrícola e agroflorestal do nosso país.  

Não se pode continuar apenas com explorações agroflorestais e agrícolas monoespecíficas. Não só porque são explorações que provocam baixas drásticas na Biodiversidade, como também são formações de elevada homogeneidade genética. Tal homogeneidade conduz a um empobrecimento dos genes disponíveis e não permite o melhoramento e selecção das espécies que  ficam, assim, com menor aptidão para a sobrevivência. Isso implica maiores riscos de catástrofes, como incêndios mais devastadores e maior facilidade de propagação de epidemias. (...) »


Leia o texto completo do Prof. Jorge Paiva aqui

terça-feira, 17 de julho de 2012

Pelo direito à água

Imagem obtida aqui
Histórias dramáticas consequência da privatização da água levaram a uma revolta da população e a água na Colômbia voltou a ser de gestão pública. Em Paris, a água foi remunicipalizada e os preços e custos baixaram significativamente. Na Holanda através da Constituição, é ilegal privatizar a água. Em Itália, a população votou, num referendo, contra a privatização da água.

Por cá, é este atraso que se vê, nem com um referendo querem avançar. Mas não desistamos da luta e façamos ao menos a nossa parte, assinando a

Petição por um referendo sobre a privatização da água 

e também a Iniciativa Legislativa de Cidadãos (aqui explica como),  inserida na campanha Água é de todos:


A seguir, a intervenção da deputada Heloísa Apolónia na Assembleia da República, em 31 de Maio de 2012. Como era de esperar, a proposta foi chumbada, pois todos sabemos da teimosia do governo em dar continuidade ao processo de privatização da água que herdou do governo anterior.

E mais abaixo, uma curta intervenção da eurodeputada Marisa Matias no Parlamento Europeu em 12 de Março de 2012.



domingo, 15 de julho de 2012

A Bela Verde

Simples, divertido, e com uma importante mensagem, "A Bela Verde" (La Belle Verte) é um filme francês de 1996, escrito, realizado e protagonizado por Coline Serreau

«Apesar de feito com orçamento modesto, é uma divertida e criativa crítica ao estado atual da "civilização" sob a ótica de uma suposta visitante vinda de um "outro planeta", que poderia ser uma versão otimista futura da Terra, após a decadência do presente paradigma de degradação ecológica, consumismo, poluição industrial, moral e ética que está culminando com o presente patético dramático que vivemos.» 
Fonte: Canal de ECOmantiqueira no Youtube





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Crise, corrupção e bancos

«"Temos situações tão absurdas como pessoas da banca privada a controlar o Banco de Portugal e pessoas ligadas ao setor financeiro e ao setor das empresas que vão ser privatizadas a controlar no Parlamento as empresas que vão ser privatizadas e o próprio setor financeiro." 
(...)
"se é verdade que a crise gera corrupção também é verdade que foi a corrupção que gerou a crise"»

Paulo Morais, em JN (14/06/2012)


A fonte... from voz zerobel on Vimeo.
Através do blogue O Tempo Chegou

«Paulo Morais, vice-presidente da ONG "Transparência e Integridade" diz que o parlamento é o grande centro da corrupção em Portugal e que a corrupção é a verdadeira causa da crise. Entrevista de Luís Gouveia Monteiro.»  
Fonte: Vídeos SAPO

E a propósito, se concordar, assine a


«Os grandes bancos foram surpreendidos em um enorme escândalo de manipulação das taxas de juros globais, surrupiando milhões de pessoas em hipotecas, empréstimos estudantis, entre outros. Se fosse conosco, iríamos para a cadeia por conta disso, mas o banco Barclays apenas teve de pagar uma multa, uma pequena fração de seus lucros! A indignação está crescendo e essa é nossa chance de finalmente virar a mesa contra o reinado dos banqueiros sobre nossas democracias. 

O regulador de finanças da UE, Michel Barnier, está enfrentando o lobby de poderosos bancos e defendendo uma reforma que iria colocar os banqueiros atrás das grades por fraudes como esta. Se a UE tomar a iniciativa, esse tipo de responsabilização pode rapidamente se espalhar pelo globo. Mas os bancos estão fazendo lobby contra essa medida e precisamos de um gigante apoio popular para conduzir essas reformas. 

Se conseguirmos 1 milhão de assinaturas em apoio a Barnier nos próximos 3 dias, isso lhe dará forças para enfrentar a lobby bancário e para pressionar os governos em prol de uma reforma bancária. Assine a petição ao lado. O número de assinaturas será representado por atores fantasiados de banqueiros em uma prisão em frente ao Parlamento da UE.


Fonte (texto e imagem): Avaaz 10 Julho 2012, em http://www.avaaz.org/po/bankers_behind_bars_f/

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Curso de Design de Permacultura em Paredes


Entre os dias 1 e 14 de Setembro irá decorrer um Curso de Design de Permacultura em Paredes, na quinta do Projecto Terra Verde, organizado pela Associação Paredes em Transição


Os monitores serão André Vizinho (co-criador do Centro de Convergência e do movimento de Transição na Aldeia das Amoreiras), Tiago Silva (co-fundador do movimento de Transição na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do projecto Biovilla),  Annelieke van der Sluijs (iniciadora do "Espaço no Botânico" integrado nas actividades do Grupo Transição Coimbra e membro do Projecto Vida Desperta), Capitão Luís (permacultor e fundador do movimento de Transição em Rio Tinto) e Carlos Costa (da Quinta do Penedo que Fala, engenheiro electrotécnico e especialista em auto-suficiência).


Este será um curso com uma fortíssima componente prática e de design. Para além das 72 horas que normalmente orientam um curso deste tipo, o Curso de Design de Permacultura de Paredes será recheado de workshops práticos, palestras e filmes nocturnos (as palestras e filmes nocturnos serão abertos à comunidade).

Saiba mais detalhes sobre o curso no blogue Paredes em Transição (de onde vem o texto e as imagens) e sobre o programa aqui.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Apelo pela saúde

Na sequência da entrevista ao laureado com o prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts, publicada na mensagem "Curar não dá lucro",  vem agora o apelo do médico e investigador alemão Matthias Rath, que vale a pena escutar no vídeo abaixo.

Imagem obtida em Activist Post
«Na conferência “Cancer Free World” em Berlim, Alemanha, em 13 de março de 2012, Dr. Rath apelou ao povo da Alemanha e da Europa para assumir a responsabilidade pela construção de uma Europa democrática para o Povo e pelo Povo. Descrevendo como a investigação científica sobre os remédios naturais está já amplamente disponível, tornando claro que a incidência de doenças comuns pode agora ser reduzida a uma fração da sua ocorrência atual, afirmou que é agora possível a construção de um novo sistema global de saúde baseado na prevenção e eliminação de doenças. Dr. Rath sublinhou, contudo, que este impressionante "mundo sem doença" não nos será entregue numa bandeja, porque cada doença representa um mercado de biliões de dólares para o cartel farmacêutico e os seus atores políticos os escritórios da União Europeia em Bruxelas.

Como tal, se quisermos criar um mundo sem doenças para nós e nossos filhos, todos nós devemos agir agora.»
Fonte: Dr Rath Health Foundation (tradução minha)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

domingo, 8 de julho de 2012

O Triunfo dos Porcos

A animação "Animal Farm", 1954 (em Portugal: "O Triunfo dos Porcos", no Brasil: "A Revolução dos Bichos") é uma adaptação do livro com o mesmo nome de George Orwell  (1945), e foi a primeira longa-metragem animada produzida no Reino Unido (realizado por John Halas e Joy Batchelor).

Uma fábula que, à época, criticava o que se passou na União Soviética, mas que retrata tanto do que aconteceu e acontece por esse mundo fora!

sábado, 7 de julho de 2012

"Belo Monte, Anúncio de uma Guerra" - o filme

Sobre o crime contra a Amazónia e seus povos indígenas chamado Belo Monte, a mega barragem no Rio Xingu, já aqui falei algumas vezes. As obras já começaram, e não adiantaram manifestações, petições, famosos pedindo, nem adiantou James Cameron recorrer a uma curta metragem onde estabelece o paralelo da situação com a trama de Avatar - Uma Mensagem de Pandora. Dilma manteve-se firme na defesa dos interesses dos grupos económicos.

No filme Avatar, os predadores de recursos alheios perdem a guerra final e os locais vencem. No Xingu, embora a guerra contra o poder económico não tenha acabado, está muito difícil para os locais, e as batalhas perdidas sucedem-se. Infelizmente!

Imagem de Mario Tama/Getty Images obtida em NYT
«As manifestações contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte continuam no estado do Pará. Ativistas, indígenas e organizações não governamentais (ONGs) travam duelos com o governo e empreiteiras em campo e na lei para impedir o andamento das obras. A polêmica expõe o Brasil no exterior, como no exemplo de mais uma notícia publicada no jornal norte-americano New York Times»

Mas a guerra ainda não acabou. Assim o mostra o filme que foi recentemente divulgado:

«O documentário Belo Monte, anúncio de uma guerra é um projeto independente que foi filmado durante três expedições à região do rio Xingu. O projeto teve financiamento popular via site Catarse. O filme foi lançado dia 17 de junho na internet.»

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Agricultura biológica versus agricultura química

Depoimento do engenheiro agrícola Luís Mendes sobre agricultura biológica versus agricultura química (dita "tradicional"). O texto que acompanharia este vídeo foi já publicado anteriormente, em Agricultura saudável.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Uma flor nasceu na rua!

Numa rua de V.N. Famalicão, 25 Maio 2012
Um poema de Carlos Drummond de Andrade serviu de mote ao texto de Marina Silva,  ex-ministra do meio ambiente e ex-candidata à presidência do Brasil,  publicado no jornal Folha de S. Paulo no dia29/06/2012, que abaixo se transcreve.


Todas as vozes que aqui trouxe sobre o tema Cimeira Rio+20 apontam em uníssono:

Não há qualquer esperança de mudança para um mundo mais sustentável e justo que se possa depositar nos governos e naqueles que governam os governos e se governam com eles.

Mas a esperança está vós e em nós, simples cidadãos que acordámos e não aceitamos as regras viciadas deste jogo que não escolhemos e que escolhemos não jogar, porque,   nas nossas ações individuais e coletivas, escolhemos ser a mudança que queremos ver. 
«Falando de Flor
por Marina Silva

"Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios, garanto que uma flor nasceu."


Após o paralisante "nada a declarar" de líderes mundiais na Rio+20, é preciso muita poesia para manter a persistência que --como diz o apóstolo-- produz a esperança. E então a acidez singela da poesia de Drummond veio em socorro de minha fome poética. O genial poeta itabirano celebra o nascimento de uma flor na fresta do asfalto, superando a indiferença humana e o pesado invólucro da civilização.

Assim me sinto ao lembrar os intensos dias em que organizações civis e milhares de pessoas manifestaram, no Rio, sua indignada exigência de atenção perante os dirigentes de Estado reunidos na conferência da ONU. Gente de todos os continentes, de jovens ativistas de grandes cidades a líderes de pequenas comunidades indígenas, dando demonstrações criativas, como a "Marcha a Ré" que parou o Rio, de que o mundo quer viver.

Infelizmente, a conferência oficial não ouviu isso. E o poema de Drummond me revela sua dimensão profética, que, feitas as contas, pode ser válida até a Rio+40 se predominar a desdita ambiental das necessidades presentes: "Depois de quarenta anos,/e nenhum problema resolvido, sequer colocado./Nenhuma carta escrita nem recebida./Todos os homens voltam pra casa".

Mas o desafio dos que voltam para casa, décadas após décadas de "Rio+" que se somam sem subtrair os problemas, é extrair a "esperança mínima" de que fala o poeta, para não cair no vazio da queixa que paralisa até os jovens, cuja natureza é andar: Andar à frente,/andar ao lado,/de marcha a ré e atravessado,/enveredando pelo futuro,/no chão dos rastros deixados.
Foto minha, de telemóvel, Maio 2012
Desde a retomada da democracia vemos o florescimento de movimentos sociais antes abafados pelo autoritarismo, com um ideário amplo que antecipava o novo milênio. Essa é a flor que agora irrompe no asfalto. Sua delicadeza denuncia as rachaduras do sistema que já não consegue impedi-la de brotar.

Chegou a hora de a sociedade tomar iniciativas próprias, buscar autonomia e independência. Sem recusar nem desconhecer a política e o Estado, ir além deles e fazer mudanças na vida com a noção ampla de um novo contrato natural --pois inclui os demais seres vivos e ecossistemas--, não só um contrato social. Conseguiremos? Estamos maduros para o que o tempo nos exige?

Aqui se revela a necessidade da utopia, que ultrapassa as ilusões limitantes do pragmatismo e reafirma a força da esperança, sem a qual não há futuro. No fim das contas --Drummond sabia--, é a poesia que faz brotar a flor.»

terça-feira, 3 de julho de 2012

Cegueira ingénua ou propositada?

Texto extraído do artigo de Leonardo Boff:  Insuficiências conceptuais da Rio+20

«Não corresponde à realidade dizer que a Rio+20 foi um sucesso. Pois não se chegou a nenhuma medida vinculante nem se criaram fundos para a erradicação da pobreza nem mecanismos para o controle do aquecimento global. Não se tomaram decisões para a efetivação do propósito da Conferência que era criar as condições para o “futuro que queremos”. É da lógica dos governos não admitirem fracassos. Mas nem por isso deixam de sê-lo. Dada a degradação geral de todos os serviços ecossistêmicos, não progredir significa regredir.

Imagem obtida em Oxfam
No fundo, afirma-se: se a crise se encontra no crescimento, então a solução se dá com mais crescimento ainda. Isso concretamente significa: mais uso dos bens e serviços da natureza o que acelera sua exaustão e mais pressão sobre os ecossistemas, já nos seus limites. Dados dos próprios organismos da ONU dão conta que de desde a Rio 92 houve uma perda de 12% da biodiversidade, 3 milhões de metros quadrados de florestas foram desmatados, 40% mais gases de efeito estufa foram emitidos e cerca da metade das reservas de pesca mundiais foram exauridas.

O que espanta é que o documento final e o borrador não mostram nenhum sentido de autocrítica. Não se perguntam por quê chegamos à atual situação, nem percebem, claramente, o caráter sistêmico da crise. Aqui reside a fraqueza teórica e a insuficiência conceptual deste e, em geral, de outros documentos oficiais da ONU. 
Imagem obtida em Planeta
(...)

Por considerar tudo pela ótica do econômico que se rege pela competição e não pela cooperação, aboliram a ética e a dimensão espiritual na reflexão sobre o estilo de vida, de produção e de consumo das sociedades. Sem ética e espiritualidade, nos fizemos bárbaros, insensíveis à paixão de milhões de famintos e miseráveis. Por isso impera radical individualismo, cada país buscando o seu bem particular por em cima do bem comum global, o que impede, nas Conferências da ONU, consensos e convergências na diversidade. E assim, hilariantes e alienados, rumamos ao encontro de um abismo, cavado por nossa falta de razão sensível, de sabedoria e de sentido transcendente da existência.

Com estas insuficiências conceptuais, jamais sairemos bem das crises que nos assolam. Este era o clamor da Cúpula dos Povos que apresentava alternativas de esperança. Na pior das hipóteses, a Terra poderá continuar mas sem nós. (...)»

Leia o artigo completo de Leonardo Boff  na fonte: leonardoBOFF.com

domingo, 1 de julho de 2012

Vandana Shiva em "O Tempo e o Modo"

{O programa completo foi disponibilizado pela RTP aqui (9 Julho 2012)}

{A pedido da produtora, o vídeo abaixo referido foi retirado deste blogue (e também do Youtube). Em sua substituição, coloquei aqui o trailer. Esperemos que o programa seja emitido mais vezes, porque o depoimento de Vandana Shiva é demasiado sério e importante para ficar na gaveta. (3 Julho 2012)}

Quem não pôde assistir ao programa "O Tempo e o Modo" na RTP2 com Vandana Shiva, na passada quarta-feira dia 28 de Junho de 2012, não deixe de o ver enquanto está disponível no Youtube.

Um depoimento vital e indispensável duma Senhora incrível, com uma cultura vasta, uma inteligência brilhante e uma simplicidade desarmante

"Um povo ignorante é um instrumento cego da sua própria destruição." Simón Bolivar



«Vandana Shiva alia a física quântica ao ativismo social para resistir pacificamente a um sistema que considera ter colonizado a terra, a vida e o espírito. Conta-nos como começou a defender a floresta, as sementes e os modos de vida e produção locais contra o controlo e o registo de patentes feitos pelas multinacionais.
A análise de Shiva vai mais além: remete-nos para as profundas implicações que o sistema capitalista patriarcal tem na construção de um mundo desigual, com consequências dramáticas, como a fome ou as alterações climáticas, que, para Shiva, são sintomas de implosão de uma civilização que falha material e espiritualmente. A nossa civilização, para sobreviver, terá de rever o seu modelo de compreensão e de interação com o mundo, tendo como exemplo o conhecimento holístico das civilizações chinesa e indiana, que, para Shiva, sobreviveram à História essencialmente porque diferem do Ocidente na relação que estabeleceram com a natureza.»

Fonte: RTP (O Tempo e o Modo)