domingo, 29 de Abril de 2012

O hamster impossível - Por que as economias crescem?



«Por que as economias crescem?

Devemos fazer a simples pergunta, por que as economias crescem? E, por que as pessoas acham que será desastroso se elas pararem de crescer? As respostas podem ser também dadas de modo razoavelmente simples.


Para a maioria dos países em grande parte da história humana, ter mais coisas deu aos seres humanos uma vida mais confortável. Além disso, à medida que as populações têm crescido, assim cresceram as economias que os alojaram, alimentaram, vestiram e mantiveram.

No entanto, há muito que foi compreendido, nos cantos silenciosos da economia, bem como protestos mais sonantes de outras disciplinas, que o crescimento não pode e não precisa de continuar indefinidamente. Como John Stuart Mill disse em 1848, "o aumento da riqueza não é ilimitado: no final do caminho a que chamam o estado progressivo encontra-se o estado estacionário".

As razões para o crescimento não ser "ilimitado" também há muito são conhecidas. Mesmo que o leitor moderno dê os descontos face à época em que Mill escreveu, o seu significado permanece claro: "É só nos países atrasados ​​do mundo que o aumento de produção ainda é um objeto importante: nos países mais avançados, o que é economicamente necessário é uma melhor distribuição".»

Tradução de extrato da publicação do Schumacher College (2010) "Growth isn’t possible - Why we need a new economic direction", de Andrew Simms, Victoria Johnson e Peter Chowla (disponível online em New Economics Foundation)

sábado, 28 de Abril de 2012

Economia Sagrada

"Economia sagrada traça a história do dinheiro desde as antigas economias ao capitalismo moderno, revelando como o sistema monetário contribuiu para a alienação, competição e escassez, destruiu comunidades e exigiu um crescimento sem fim.

Hoje, essas tendências chegaram ao seu extremo — mas no despertar do seu colapso, podemos encontrar uma grande oportunidade de transição para uma maneira de ser mais conectada, ecológica e sustentável."

Fonte:  Sacred Economics   

Charles Eisenstein é filósofo, professor, palestrante e escritor, focado em temas de civilização, consciência, dinheiro e evolução cultural humana.  Economia sagrada é um dos seus livros (aqui on line), que deu origem à seguinte curta metragem, de Ian MacKenzie:

quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Donos de Portugal

"Donos de Portugal é um documentário de Jorge Costa sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as fortunas cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base.
No momento em que a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.
Produzido para a RTP 2 no âmbito do Instituto de História Contemporânea, o filme tem montagem de Edgar Feldman e locução de Fernando Alves.
A estreia televisiva teve lugar na RTP2 a 25 de Abril de 2012. Desde esse momento, o documentário está disponível na íntegra em donosdeportugal.net."

quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Democracia? (Miguel Portas)

"Isto não é sério, meus amigos, isto é indecente e muito triste" Miguel Portas

Há cerca de um ano publiquei aqui uma intervenção de Miguel Portas no Parlamento Europeu sobre as regalias dos deputados, em Fevereiro de 2010. Hoje, no dia seguinte ao da sua partida, que muito lamento, recordo mais uma das suas batalhas nessa sua luta incessante pela verdadeira democracia.

Democracia? (José Saramago)



Publicado aqui inicialmente em 19/06/2010, republicado hoje, 25 de Abril de 2012. Para relembrar!

terça-feira, 24 de Abril de 2012

O Poder da Comunidade

«Quando a União Soviética colapsou em 1990, a economia de Cuba entrou em parafuso. Com as importações de petróleo cortadas em mais de metade - e de alimentos em 80% - as pessoas estavam desesperadas. Este filme narra as dificuldades e lutas, bem como o espírito de comunidade e a criatividade, do povo cubano durante este período difícil. Os cubanos explicam como fizeram a transição de um sistema agrícola industrial altamente mecanizado para umoutros baseado na agricultura biológica, local, e em hortas urbanas.

É um olhar incomum sobre a cultura cubana durante esta crise económica, a que eles chamam "O Período Especial". O filme começa com uma breve história do Pico do Petróleo, um momento da nossa história em que a produção mundial de petróleo atinge o máximo e começa a declinar. Cuba, o único país que enfrentou uma crise dessas - a redução massiva de combustíveis fósseis - é um exemplo de opções e esperança.

O Poder da Comunidade: Como Cuba Sobreviveu Pico do Petróleo é um projeto do Instituto de Soluções Comunitárias Arthur Morgan, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e ensina alternativas de baixa energia ao atual modo de vida insustentável, industrializado, centralizad e dependente de combustíveis fósseis. Visite www.communitysolution.org para mais informações.»

Fonte: http://www.powerofcommunity.org/cm/index.php (tradução minha)

domingo, 22 de Abril de 2012

Permacultura e beleza no Dia da Terra


Hoje é o Dia da Terra, que se comemora a 22 de Abril desde 1970. Para mim, todos são dias da Terra, mas é bom que haja um dia simbólico para lembrar aqueles que se esquecem de respeitar e cuidar da nossa Mãe Terra, onde toda a vida é gerada e cresce com a  magia do Pai Sol. Sugiro os conselhos e alertas da Quercus

Para comemorar o Dia da Terra trago-vos um belíssimo exemplo de cuidado com a Terra, "La Ferme biologique du Bec Hellouin", uma quinta em permacultura, em Le Bec Hellouin, Normandia, norte de França. Vejam a reportagem no vídeo abaixo e as imagens fabulosas aqui!

"A quinta biológica em Bec Hellouin, criada por um casal de apaixonados pela natureza no cenário encantador de um vale preservado, é um espaço experimental onde são colocadas em prática as técnicas mais inovadoras do ponto de vista agro-ecológico.

Premiada com o Troféu de Eco-turismo da Alta Normandia, a quinta rege-se sob o signo da biodiversidade. Nos seus jardins e pomares crescem mais de 800 variedades de frutas, legumes, plantas aromáticas e medicinais. Um eco-centro de formação foi construído no coração deste lugar privilegiado, um lugar de encontro e intercâmbio entre pesquisadores, agricultores e estudantes que querem inventar uma agricultura capaz de alimentar a humanidade sem destruir o planeta.
Este é o lugar ideal para abrigar a formação organizado pela quinta, centrada na permacultura e na agricultura natural."

Fonte: http://www.fermedubec.com/ (tradução minha)

sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Uma rede a convergir para a sustentabilidade

REDE CONVERGIR

Fonte: http://www.redeconvergir.net/?info=convergir

«A Rede CONVERGIR pretende mapear todos os projectos sustentáveis e inspiradores para que em rede possamos cooperar, potenciar as nossas sinergias e contribuir para uma sociedade equilibrada e uma vida humana em harmonia com o meio envolvente.
Procuramos interligar projectos que nas suas actividades promovam a reflexão e tomada de consciência por parte de cada ser humano do seu papel na sociedade e na natureza, estimulando uma atitude crítica, construtiva, activa e emancipada.

PORQUÊ?

É um juntar de esforços de pessoas que pretendem contribuir para dois objectivos:
- dar a conhecer, às pessoas que já estão envolvidas, o movimento silencioso que tem vindo a acontecer em Portugal de inúmeras iniciativas e projectos de diversas identidades, no sentido de criar uma rede de cooperação.
- integrar novas pessoas que se sintam motivadas a contribuir para uma convergência global e que, para isso, precisem de conhecer iniciativas e projectos concretos a acontecer ao seu redor.




COMO?

O mapeamento de projectos é feito através do preenchimento e envio de um inquérito on-line, projectos esses que ficarão georreferenciados num mapa.
As actividades e iniciativas aparecerão num calendário comum também através do preenchimento de um inquérito on-line.

QUAIS OS PROJECTOS E INICIATIVAS QUE ESTÃO NA REDE?

A rede CONVERGIR integra projectos cuja actividade procure contribuir para um maior equilíbrio, diversidade e interdependência dos indivíduos, promovendo uma maior harmonia entre os seres humanos (e suas gerações) e entre estes e o seu meio ambiente.

QUAIS OS PRINCÍPIOS DA INICIATIVA?

Cooperação – o contributo de cada pessoa objectiva o bem comum e promove as relações baseadas na colaboração entre indivíduos e projectos.

Transparência – desde o seu início a ideia foi partilhada, integrando o contributo de quem dela teve conhecimento e assim entendeu por bem fazer. Os seus resultados são de acesso comum.

Auto-regulação e organização – a informação de entrada é gerida por um grupo de voluntários que é rotativo consoante as dinâmicas de motivações e desmotivações pessoais.

Abrangência e proximidade geográfica – o projecto procura ter colaboradoras/es que cubram a generalidade do território de Portugal e estejam próximos dos projectos.»

quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Cultivar cogumelos em casa

Produzir cogumelos em casa é muito simples, como diz Luís Alves (do Cantinho das Aromáticas) no vídeo abaixo, especialmente se comprar o saco de palha já inoculado com o fungo. No entanto, se quiser reproduzir os cogumelos em casa desde a fase inicial,  é preciso aprender o básico sobre fungos e ter especiais cuidados de limpeza e esterilização; e se ainda pouco ou nada sabe de fungos e cogumelos, é aconselhada uma formação com alguém que entenda do assunto. Eu frequentei uma formação de um dia na Quadrante Natural, mas ainda não me atrevi a empreender o processo completo. Para começar, comprei desses sacos de substrato  inoculados com repolga (pleurotus ostreatus) e os resultados vêem-se nas fotos. Posso também dizer que eram deliciosos. Mas há que estar atento, pois mal aparecem os cogumelos, crescem bem rápido (em 2 ou 3 dias), e se colhidos no ponto - logo que começam a produzir esporos (largar um pó branco) e antes de revirar os bordos para cima, são mais tenros e saborosos.

Início: 1º dia
1ª frutificação no início, menos de 3 semanas depois:

 no dia seguinte:
  no dia seguinte:

2ª frutificação no início: 3 semanas depois da 1ª colheita (distraí-me e quando dei por eles já estavam a passar do ponto ideal):
3ª frutificação no início: 3 semanas depois da 2ª colheita:
3 dias depois:




Para mais informações, veja no Cantinho das Aromáticas. Ou no manual "O cultivo de cogumelos  em pequena escala".

Para a próxima talvez me aventure a crescer cogumelos em troncos.

quarta-feira, 18 de Abril de 2012

"O Poder da Comunidade" - Dia 21 de Abril, em Famalicão

O Grupo Famalicão em Transição convida para a  3ª sessão de documentários de transição no próximo dia  21 de Abril, sábado, às 14:15 horas, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, em Vila Nova de Famalicão.


Nesta última sessão do ciclo será exibido o filme "O Poder da Comunidade: Como Cuba sobreviveu ao pico do petróleo", seguido de debate/tertúlia com o convidado Nuno Oliveira,  arquiteto vimaranense que tem colaborado com várias ONG da área do ambiente e transportes ao longo do seu percurso profissional e pessoal.


Inscrição através do mail famalicaom@gmail.com.  Inclui um pequeno lanche. Pede-se aos participantes 1 euro para contribuição nas despesas. 


sexta-feira, 13 de Abril de 2012

"Um Dia na Terra" no Dia da Terra

No dia 22 de Abril, Dia da Terra, será a estreia e exibição gratuita global do filme "Um Dia na Terra". Filmado em 10 de outubro de 2010 com o contributo de milhares de pessoas em todo o mundo, foi produzido por Brandon Litman, foi montado (104 min) a partir de mais de 3000 horas de filmagens.  Em Portugal, o filme poderá ser visto, nesse dia, em Lisboa e Coimbra:

Plataforma Portuguesa das ONGD - Lisboa  - Às 17 horas no auditório do Diário de Notícias na Av. da Liberdade, nº 266, Lisboa  e será seguido de um debate. A entrada é gratuita (mediante inscrição para o endereço de e-mail: conferencias@controlinveste.pt)

Livraria Barata - Lisboa (de acordo com a página oficial) - Às 13 horas na Av. de Roma, 11-A. Contacto: Bruno Silva (bruno_b_silva@hotmail.com)

Tarrafo, Associação Cultural - Coimbra - Às 18 horas, no Auditório do Hospital Pediátrico de Coimbra, Av. Afonso Romão. Contactos: http://tarrafo.pt/odoe.html 


One Day on Earth - Global Screening Trailer from One Day on Earth on Vimeo.

quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Pela liberdade das sementes!

O texto que se segue, de Daniel Deusdado, foi publicado no Jornal de Notícias online, e, felizmente, está a ser amplamente divulgado através do Facebook. Mas a importância do tema (sementes, patentes e transgénicos) e a clareza do texto exigem que também aqui seja divulgado (os links são da minha responsabilidade). Veja aqui o programa Biosfera sobre as sementes livres. E ajude a salvar as variedades tradicionais e locais de produtos agrícolas, guardando e trocando sementes e cultivando-as. 


A ditadura chegou ao campo
por Daniel Deusdado

«Sei que é difícil atrair a atenção dos leitores para um assunto como este: "sementes". Mas das sementes e da liberdade de as plantar depende uma boa parte do nosso futuro porque 75% da biodiversidade agrícola foi extinta no século XX e as coisas não vão ficar por aqui. O esmagador poder financeiro da indústria química quer multiplicar leis, por todo o Mundo, para impedir os agricultores de serem livres de usar as sementes não certificadas nas colheitas seguintes. A espiral é terrível: quanto menor produção agrícola com sementes ancestrais, pior comeremos.

Num filme notável chamado "Food Inc." (Comida, Lda.) os autores mostram, por exemplo, como a multinacional Monsanto consegue perseguir e levar à falência vários produtores rurais. O argumento é simples: se no campo deste agricultor houver plantas cultivadas com sementes Monsanto e ele não for cliente da empresa, é processado por estar a usar sementes patenteadas, mesmo que elas tenham sido propagadas pelo vento e estejam misturadas com as suas. A natureza passou a ter 'dono'.

A Monsanto é a mais importante empresa mundial produtora de transgénicos. Atrai os agricultores através de um marketing aliciador de melhores colheitas. Mas os alimentos obtidos a partir de sementes alteradas laboratorialmente, cujo ADN não é compreendido pelos organismos humano ou animal, arrastam interrogações que não compreendemos antecipadamente. Foi assim que se alimentaram herbívoros com rações à base de carne e se rompeu uma lei da natureza. Esta experiência foi um dos motivos apontados para o surto da doença das vacas loucas.

As culturas transgénicas estão já na mesa de pessoas de todo o Mundo. Surgem em coisas tão importantes como a alimentação dos bovinos (por exemplo, na carne importada do Brasil ou da Argentina), na soja, arroz, milho ou em algo tão simples como o mel produzido por abelhas próximas de campos transgénicos. Um relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) dizia recentemente que a maioria dos alimentos consumidos no mundo ocidental provém apenas de 12 espécies de plantas e cinco espécies de animais, apesar de terem sido catalogadas milhares de espécies comestíveis. Pior: arroz, trigo e milho constituem 60 por cento da alimentação humana, sendo estes, na sua esmagadora maioria, provenientes de sementes tão apuradas que o nosso corpo já não 'lê' estes alimentos como "arroz", "trigo" ou "milho". Obviamente nem vale a pena falar da 'fast-food' ou da comida industrial.

Cristina Sales, uma médica que o Porto tem a sorte de ter por perto, escreve há vários anos sobre o caos da alimentação moderna e percorre o Mundo como oradora em conferências com este tema. E o que diz? "O nosso corpo tem um histórico de milhões de anos na absorção dos alimentos e está cada vez mais incapaz de reconhecer o que come. Não tem as enzimas necessárias à sua digestão e metabolismo. Por isso gera uma reação inflamatória contra os alimentos porque os considera 'elementos estranhos', como se fossem tóxicos. Essa é uma das razões porque tanta gente aumenta de peso ou de volume: porque retém líquidos nesse processo inflamatório. E isso afeta todas as pessoas, incluindo as magras".

Jude Fanton, da organização "Seed saver (Salvar as Sementes)" disse há meses ao programa Biosfera, da RTP2 (com o qual trabalho) uma coisa simples: "Se nos recordarmos do sabor da comida dos nossos avós - as maçãs, os vegetais, etc. - eles tinham um sabor verdadeiramente forte e intenso. Isso significa mais nutrição. Essa é talvez a razão pela qual estamos a engordar. Temos de comer cada vez mais para conseguir os nutrientes de que precisamos".

A ditadura agrícola e alimentar é este louco processo de quebrar as regras da natureza em busca de mais rentabilidade. Se fecharmos os olhos à origem dos alimentos, contribuímos gradualmente para uma vida cada vez mais tóxica. Essa perda de 'liberdade de escolha' e 'biodiversidade essencial' afeta o ADN humano que não deveríamos alienar numa só geração. Além disso, replica o modelo económico que supostamente queremos combater: os lucros ficam com as grandes multinacionais e as doenças em cada um de nós.»


Banco Português de Germoplasma Vegetal, em Braga, que visitei ainda esta semana, dedica-se à recolha, conservação e cultivo para reprodução, de variedades agrícolas tradicionais e locais, abrangendo todo o país. Também a COLHER PARA SEMEAR - Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais, se dedica à mesma causa. E ambos fornecem sementes em quantidades limitadas. Mas todo o esforço é pouco, precisamos de ser muitos e muitos nesta luta contra a perda de biodiversidade agrícola que as grandes corporações têm causado!

terça-feira, 10 de Abril de 2012

Troca-te! - Dia 14 de Abril, Lisboa

Divulgação da 3ª edição do "Troca-te!", com o tema "Do som à imagem", no próximo sãbado, dia 14 de Abril, em Lisboa, na SOU - Associação Cultural - Rua Maria nº 73 (à Forno do Tijolo), Zona: Anjos. Trata-se de uma iniciativa de Teresa Simões e Adriana Fernandes (de quem transcrevo o e-mail abaixo) para um estilo de vida sustentável, e que nesta edição consta de troca de música, filmes e jogos.

"Após o sucesso do último evento, "Troca-te! Da primeira à última página" onde contámos com cerca de 60 pessoas e onde cerca de 700 livros passaram pelas nossas mãos pretendemos divulgar a nossa terceira edição. Podes ver aqui o vídeo do nosso último evento: Troca-te!Da primeira à última página!

Assim passamos a divulgar a 3ª edição: Troca-te! Do som à imagem! O objectivo será trocar filmes, música e jogos em todos os formatos (cd's, dvd's, cassetes, vinil...). Sempre com o intuito de promover um estilo de vida sustentável e economizar uns trocos! Haverá ainda a exibição pela primeira vez em Portugal do documentário "Living Without Money".

Esta edição do Troca-te! promete ser mais uma “loja” de troca imediata onde poderás também ouvir e ver antes de trocares e renovares a tua mediateca. As cassetes de vídeo e de música, os minidisc e tudo o que já nem sabíamos que alguma vez existiu e ainda tens por casa poderá aqui ser trocado.
Como sempre, tudo o que não for trocado será doado, desta vez a hospitais ou outras instituições sociais, para o entretenimento daqueles que, infelizmente não podem vir trocar.
Como trocar?

O Troca-te! terá início às 15 horas, hora em que os participantes começarão a chegar e entregam os seus artigos. Ser-lhe-á dado o número de senhas correspondente ao número de artigos trazidos, até um máximo de 7 para troca (contudo, poderão trazer mais como donativo).
Depois de se dar início à troca, estarão à disposição leitores/reprodutores para experimentar cd’s, dvd’s, discos de vinil e um computador portátil para jogos desta natureza.

Às 18 horas haverá a exibição do documentário "Living Without Money" (apresentado pela primeira vez em Portugal) que conta a história da alemã Heidemarie Schwermer que vive há 16 anos apenas de trocas.

Durante todo o evento o café do Sou estará mais uma vez disponível para nos acompanhar a chá, tostas e vinho quente!  O Troca-te! terminará por volta das 19 horas.

Regras
- Não são necessárias inscrições mas qualquer esclarecimento poderá ser feito através de info.trocate@gmail.com.
- Não existe limite máximo ou mínimo de artigos para entrega mas o número máximo de artigos que poderão ser trocados será 7.
- São aceites todo o tipo de música, filmes ou jogos nos formatos: cassete de áudio, discos de vinil, cassete VHS, minidisc, CD, DVD, jogos de computador, jogos de consolas (PS, Nintendo...).
- Todos os artigos devem ser originais e não cópias.
- Apelamos para que tudo o que é entregue esteja 100% funcional. Contudo, pelo carácter dos artigos entregues, não podemos garantir a total funcionalidade dos mesmos, uma vez que são artigos usados e não testados previamente pela equipa Troca-te!
...
Cumprimentos,

Adriana e Teresa"

domingo, 8 de Abril de 2012

Vandana Shiva: Redefinir protecionismo e centrá-lo nas pessoas e na Terra

Vandana Shiva é doutorada em física, escritora e uma destacadíssima  ativista ambiental, sobretudo em defesa da soberania alimentar, da terra, das sementes e da biodiversidade, contra o oligopólio ou mesmo monopólio das grandes corporações, como a Monsanto. Em 1993, venceu o Right Livelihood Award, considerado como a versão alternativa do  Prémio Nobel da Paz. 

A entrevista que se segue foi feita por Agnès Rousseaux e Nadia Djabali, da BASTA!, em Julho de 2011. A tradução é de Mario S. Mieli, para a IMEDIATA. Vídeo da entrevista aqui. As imagens foram obtidas a partir do vídeo.

Vale a pena ler ou ouvir! Os temas tratados são dos mais importantes dos dias de hoje, mas não chegam às televisões, rádios ou jornais... porque será? (pergunta retórica...)

«Cinco minutos com Vandana Shiva – “Não há limites para o que podemos criar.

Q: Por que a soberania alimentar, a soberania da terra, da água e das sementes é o principal desafio atualmente?

VS: Os gregos estão dizendo: “nossa terra não está à venda, nossos bens não estão à venda, nossas vidas não estão à venda”. Na Índia, temos movimentos que dizem: “Nossa terra não está à venda, o Ganges não está à venda, nossas sementes não estão à venda.”
Então, quem está falando?
O POVO.
A soberania da terra, a soberania das sementes, a soberania dos rios se juntam à soberania dos povos, tanto com relação à responsabilidade de proteger estas dádivas da Terra, quanto de compartilhá-las equitativamente.

Q: É preciso regular as trocas comerciais para garantir essa soberania?

VS: Nossa reivindicação, ao lidar com a globalização, não é dizer não ao comércio. É dizer não ao comércio desregulamentado, no qual os termos do comércio são estipulados pela ganância das corporações, que se apropriam dos nossos impostos para criar preços artificiais, criando o dumping e destruindo a soberania alimentar. Esse tipo de sistema é nocivo aos agricultores indianos e aos agricultores europeus, mas esses agricultores são sempre um pretexto para as corporações. É preciso colocar o agrobusiness no centro da equação, das subvenções, do dumping, do monopólio dos mercados, da matança de nossos agricultores, da destruição da terra, da matança das populações, com uma alimentação envenenada.

Q: O protecionismo seria um instrumento para lutar contra as multinacionais?

VS: O protecionismo é descrito como um pecado porque a desregulamentação é estabelecida como a norma. Em 1993, organizamos uma manifestação de meio milhão de pessoas para alertar o governo indiano: “Se vocês assinarem os acordos do GATT, nossos cultivadores vão morrer”. Hoje, 250.000 agricultores já cometeram suicídio na Índia. Nós queremos que o governo associe a dívida de nossos camponeses com as políticas específicas de desregulamentação do mercado de sementes, o que permitiu à Monsanto de se tornar a única vendedora de sementes no mercado do algodão. 95% do mercado de sementes de algodão foi capturado.  Precisamos redefinir protecionismo para centrá-lo na população e na Terra. Um protecionismo voltado aos ecossistemas do planeta é um imperativo ecológico. Trata-se de um dever social e ecológico, e a ganância das multinacionais não é um direito.

Q: Você descreve o livre comércio como o protecionismo para os poderosos…

VS: O que se chama de livre comércio não tem absolutamente nada de livre. Ele não é livre pelo modo como foi concebido. Ele não é democrático. Cinco multinacionais se reuniram e redigiram um acordo sobre a propriedade intelectual. Isso permite a empresas como a Novartis, de roubar os medicamentos dos pobres e cobrar dez vezes mais caro. Um tratamento contra o câncer custa 10.000 rúpias por mês, com os medicamentos genéricos disponíveis na Índia. E a Novartis quer vendê-los por 175.000 rúpias por mês. E quando o tribunal julga que o medicamento não é uma invenção da empresa, porque o tratamento já existia, e que a Novartis não podia reivindicar uma patente, a empresa desafia as leis do país. Um sistema em que 85% da população pode morrer por falta de tratamento é um sistema criminoso.

Q: A energia nuclear é um exemplo da guerra do ser humano contra si mesmo e contra a natureza?

VS: A maior usina nuclear do mundo está sendo construída na Índia, em Jaitapur, pela empresa francesa Areva, O projeto está todo baseado em subsídios, inclusive, a desapropriação das terras mais férteis, e quando a população diz Não, leva tiros. Os manifestantes que protestaram contra este projeto foram assassinados. Hoje, Jaitapur é uma zona de guerra. Espero que o povo da França apoie a população de Jaitapur, para exigir que a Areva desista do projeto e que nós possamos viver em paz.

Q: Você vê sinais de esperança?

VS: Vejo sinais de esperança onde quer que haja resistência. Cada comunidade na Índia que luta contra o roubo de terras, que participa do nosso movimento Navdanya, para que as sementes continuem sendo um bem de todos. Todos os que rejeitam a economia suicida da Monsanto, praticando uma agricultura biológica, ou todas as comunidades que lutam contra a privatização da água. Tudo o que se passa nas ruas de Madri, da Irlanda, da Islândia, na Grécia, os resultados do referendum nuclear na Itália… Esses são todos sinais extraordinários de esperança.

Tudo o que precisamos é de uma nova convergência. Uma convergência global de todas as lutas. Assim como a liberação de nossa imaginação. Não há limites para o que podemos criar.»

sexta-feira, 6 de Abril de 2012

2012 - Tempo de Mudança


"Imagine um carro sem travões e com o volante quebrado. Quando bater, vão dizer que a culpa é do motorista. Ninguém questiona se o problema era a máquina. Não importa o quão astuto seja o motorista, ele vai bater. É isso que está a acontecer ao sistema financeiro."

Estas são palavras de  Bernard Lietaer, um dos muitos entrevistados ao longo do documentário "2012 - Tempo de Mudança". Realizado por João Amorim, o filme acompanha o jornalista Daniel Pinchbeck  na busca de um novo paradigma para a sociedade.

Um largo espectro de temas são abordados, começando com os impactos negativos das monoculturas,  desflorestação, perda de biodiversidade, alterações climáticas,  contaminação do solo, escassez e privatização da água, consumismo desenfreado, aumento populacional etc. , passando por profecias antigas, experiências psicadélicas, ioga, meditação etc., até à permacultura, bioconstrução, energia renovável, diversidade de moedas, e bancos de tempo. De seguida, ficam mais algumas frases extraídas do documentário:

"Somos parte da natureza e precisamos de escutar as mensagens que ela nos traz. Elas estão por toda a parte só precisamos de estar atentos."

"A transformação de consciência de que somos capazes como indivíduos e como espécie vem das acções que praticamos no tempo que dispomos para causar uma enorme transformação no planeta"

"Você vai fazer alguma coisa?"

"Acorde!"



«Sinopse

O filme "2012: Tempo de Mudança" apresenta uma visão otimista e alternativa para o apocalítico ano de 2012. Dirigido por João Amorim, diretor indicado ao Emmy Awards 2010 o filme acompanha o jornalista americano Daniel Pinchbeck, autor do bestseller "2012: The Return of Quetzalcoatl", em busca de um novo paradigma entre a sabedoria arcaica de culturas tribais e o método científico. Segundo o povo maia, o ano de 2012 marcaria o nascimento de uma cultura de regeneração do planeta, onde a colaboração substitui a competição, onde a exploração da psiquê e do espírito torna-se o novo conceito da era, substituindo o materialismo estéril que tem conduzido o mundo que todos conhecem hoje. O documentário mistura animações com depoimentos especialistas de diferentes áreas, que chamam a atenção para a ação do homem sobre seu ambiente. O filme conta ainda com participações de cientistas, antropólogos e artistas engajados em diferentes causas, como a atriz Ellen Page, o músico Sting, o diretor David Lynch e o músico brasileiro Gilberto Gil. » (fonte: site oficial)

Post publicado inicialmente em 06/09/2011, republicado em  06/04/2012

quarta-feira, 4 de Abril de 2012

Andar de bicicleta



Consumir conscientemente



Escolha uma causa e lute por ela!





Poupar tempo


Reutilizar o plástico


segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Permacultura, princípios éticos

A permacultura baseia-se em três princípios éticos:   

    Cuidar da Terra
    Cuidar das pessoas
    Partilhar os excedentes

Para além dos fundamentais princípios éticos, a permacultura assenta também em princípios de planeamento (ou design). 

Convido-vos a visitar a brochura em português "Os Fundamentos da Permacultura", um resumo dos conceitos e princípios apresentados no livro "Princípios e Caminhos da Permacultura Além da Sustentabilidade", da autoria de David Holmgreen, e a ver a explicação do permacultor brasileiro Cláudio Jacintho, no vídeo abaixo.