quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Em dívida com a Terra e com as futuras gerações

Ontem, dia 27 de Setembro, foi o dia em que ocorreu o "Earth Overshoot Day" de 2011. O "Earth Overshoot Day" é calculado dividindo a biocapacidade do planeta pela pegada ecológica mundial, e multiplicando por 365. 

Chegar ao "Earth Overshoot Day" a 27 de Setembro significa que em menos de 9 meses (270 dias) esgotamos os recursos que deviam durar pelo menos um ano. Significa que consumimos 35% mais do que a Terra pode produzir, do que a natureza pode repor. A partir de hoje, e até ao fim do ano, estamos em saldo negativo, a consumir por conta de uma dívida para com o Planeta e com as futuras gerações.

Calcule a sua pegada ecológica aproximada aqui (através deste ficheiro) e saiba que se for superior a cerca de 2 hectares, está a contribuir para essa dívida.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Wangari Maathai - Sejamos como o beija-flor!



Wangari Maathai morreu ontem (dia 25 de Setembro de 2011), aos 71 anos, mas continuará viva em cada folha, cada ramo e cada raiz de cada uma das mais de 40 milhões de árvores plantadas no Quénia com a ajuda do movimento que criou - o Movimento Cinturão Verde (Green Belt Movement). 

Prestei-lhe homenagem no passado Dia Mundial do Ambiente, mas não poderia deixar de voltar a fazê-lo no dia em que tive a triste notícia da sua partida. 

Assim, aqui fica a história animada do beija-flor contada por Wangari Maathai: "Eu serei um beija-flor" (do filme DIRT!), e um pequeno extracto da sua autobiografia "Plantio de Ideias", obtido no site Planeta Sustentável.

Sigamos o conselho de Wangari, sejamos todos como o beija-flor, fazendo o melhor que pudermos! Será essa a melhor homenagem que lhe poderíamos prestar!

"PLANTIO DE IDÉIAS
 
Graças a esses recursos, a visão que tive, no início dos anos 1970, se transformou, passando de algumas conversas e uns poucos viveiros de árvores ao plantio de literalmente milhões de mudas e à mobilização de milhares de mulheres. (...). Para restaurar terrenos degradados, tínhamos que cuidar das mudas. Disse então às mulheres:

- Vocês precisam verificar se as pessoas a quem deram suas mudas realmente as plantaram e também se essas mudas sobreviveram por pelo menos seis meses. Só então receberão sua compensação financeira.

É assim que o Movimento Cinturão Verde funciona até hoje. (...) À medida que ele se desenvolvia, fui me convencendo de que precisávamos identificar as raízes do depauperamento. Tínhamos que entender (...) por que havia desnutrição, escassez de água potável, perda de solo arável e chuvas irregulares (...).

Por que estávamos atentando contra o nosso próprio futuro? Aos poucos, o Movimento Cinturão Verde foi se transformando: de um programa de plantio de árvores passou a ser também um programa de plantio de idéias. (...)
"


domingo, 25 de setembro de 2011

Sobre o caminho das novas gerações

O texto que se segue  é de Benedicto Ismael Camargo Dutra* e foi publicado no EcoDebate  no passado dia 20 de Setembro.Para reflexão.

"Recomendações às novas gerações

A vida está difícil. As novas gerações estão chegando ao planeta terra. Muitas coisas, porém, já estão estragadas e piorando. A população atinge níveis elevados. Os conflitos se avolumam. As oportunidades de emprego se reduzem dramaticamente. Restaurantes cheios. Filas nos aeroportos. Pouca consideração humana. Todos com muita pressa. Falta de propósitos. Diante de tantas dificuldades estão se deixando moldar pelas superficialidades, sem maiores interesses por tentar descobrir o sentido da vida.

Esse é o cenário para as novas gerações que precisa ser reconhecido e enfrentado para que sejam buscadas as soluções que levem ao aprimoramento. Não basta dar merenda e transporte gratuito para a escola. Para auxiliar as novas gerações precisamos alimentar a alma, pondo em destaque a essência humana e a necessidade de convivência pacífica entre os humanos e a natureza. É preciso despertar a curiosidade sobre o significado da vida, que deve ser pesquisado, prioritariamente, para que as novas gerações possam alcançar o lugar que lhes cabe. Por que estamos aqui? O que é esperado de nós? Qual o sentido da vida? São perguntas que não podem ser relegadas para segundo plano.

Massacradas com teorias ilógicas e antinaturais as novas gerações têm permanecido na ignorância quanto ao funcionamento da própria intuição. Os intuitivos e sua lucidez sempre foram tidos pelos poderosos, como perigosos ao seu domínio, por isso não se cansaram de persegui-los, fazendo crer que a intuição não é boa. Por não mais disporem dessa capacitação, queriam anulá-la nos outros, transformando os humanos em obedientes robôs sem vontade. Temos de permitir que, sem influência, as novas gerações se tornem aquilo a que estavam destinadas, sem estragá-las desde a infância.

As novas gerações, desde cedo, são impactadas pela percepção da existência de uma crise que se evidencia na continuada decadência humana a qual é, diuturnamente, explorada pela mídia de forma exaustiva mostrando os mais absurdos comportamentos. No entanto, elas também percebem que nada é feito para a compreensão e a reversão desse lamentável estado de coisas, fazendo-as crer que a vida é assim mesmo e que não há esperança de melhoras. Que espécie de seres humanos estamos gerando mostrando-lhes um mundo de falsidades e mentiras? As crianças nascidas no final no século 20 e início do século 21 só viram ataques terroristas, aumento das guerras, misérias, dificuldades, e redução da esperança. Enfim, a deterioração da realidade social, agravada pelas catástrofes naturais. É tempo de examinarmos atentamente os efeitos do processo de alienação ao qual os humanos têm sido submetidos há séculos e pensarmos, construtivamente, nas atitudes que poderão impulsionar a humanidade para suas finalidades essenciais.

O ser humano desenvolvido pode produzir obras dez vezes melhores e mais benéficas. Chega de caminhar para o abismo. Chega de induzir as novas gerações para a decadência. Mais do que assegurar a continuidade do consumismo supérfluo e de um sistema de vida falido, devemos buscar o saber do fenômeno da Criação, da origem do planeta e do ser humano, pois isso é um dever e um direito de todos. Para não deixarmos para a próxima geração um mundo ainda mais caótico, não podemos continuar desviando ou impedindo a busca do saber real, livre de teorias inverossímeis e dos artifícios que moldam os desejos humanos para atender egoísticos interesses, acelerando a queda.

* Benedicto Ismael Camargo Dutra, graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, é articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. Atualmente, é um dos coordenadores do www.library.com.br, site sem fins lucrativos, e autor dos livros Encontro com o Homem Sábio , Reencontro com o Homem Sábio, A Trajetória do Ser Humano na Terra e Nola – o manuscrito que abalou o mundo, editados pela Editora Nobel com o selo Marco Zero. E-mail: bidutra@attglobal.net "

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Amanhã temos encontro com o Planeta em Famalicão!

No âmbito da campanha internacional Moving Planet, marcamos Encontro com o Planeta  em Famalicão com a exibição do filme "HOME - O Mundo é a nossa casa", no Sábado, dia 24 de Setembro às 14:00h, na Fundação Cupertino de Miranda.

A entrada será gratuita, sujeita apenas a inscrição devido à capacidade do auditório, e inclui lanche com produtos locais, apresentação da iniciativa  Famalicão em Transição e visita à exposição "o abstracto, colecção fcm" patente no Museu da Fundação.


 Programa

14:00 Recepção
14:15 Exibição do Filme "Home - O mundo é a nossa casa"
16:30 Apresentação da iniciativa "Famalicão em Transição"
16:45 Lanche com produtos locais
17:15 Visita à exposição "o abstracto, colecção fcm"
17:45 Encerramento

Reserve a sua entrada em "Inscrever-se para esta ação", na página do evento. Deverá receber um e-mail de confirmação.

Em caso de dificuldade na inscrição, envie e-mail para famalicaom@gmail.com

A reserva de lugar será garantida apenas quem comparecer até às 14:15h,  hora prevista para início do filme.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Aula de compostagem caseira

"O que é a compostagem?

A compostagem é um processo de valorização da matéria orgânica. Consiste na decomposição dos resíduos domésticos por acção de microrganismos que na presença de oxigénio (processo aeróbio), originam uma substância designada composto.

O composto que se obtém no fim do processo poderá ser utilizado como adubo, uma vez que melhora substancialmente a estrutura do solo. O composto possui fungicidas naturais e organismos benéficos que ajudam a eliminar os organismos patogénicos que perturbam o solo e as plantas.

A compostagem doméstica é um processo que não requer conhecimentos técnicos, é simples, é economicamente e ecologicamente sustentável, uma vez que implica a redução dos resíduos domésticos a enviar para o aterro sanitário, através da sua transformação num composto fertilizante que pode ser usado como nutriente e correctivo do solo nos jardins, hortas e quintais, bem como, em vasos e floreiras, não estando este processo confinado a todas as pessoas que têm a sua vida compartimentada em espaços urbanos, com o jardim reduzido a uns vasos e a umas floreiras na varanda ou mesmo em casa. " (Fonte: Guia Prático de Compostagem Doméstica da APASADO)

Na compostagem industrial entram praticamente todos os resíduos orgânicos, mas na compostagem caseira há que evitar certos restos para não causar maus cheiros ou chamar insectos indesejáveis ou ratos. Há também que ter cuidados com o arejamento e a humidade, alternar secos com verdes. Os tipos de compostores são os mais variados, e até se pode fazer compostagem sem contentor.

Para saber mais sobre compostagem e compostores, consulte o manual Compostagem Doméstica - Na Natureza tudo se transforma ou o Guia Prático de Compostagem Doméstica  e veja a seguinte aula de compostagem caseira na Horta da Formiga da Lipor. (imagens obtidas na net)
 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Respeito aos animais


Na última mensagem, denominada Meatrix, a analogia da trilogia de animação com o filme Matrix está muito bem pensada para explicar aquilo que muitos não querem ver: as condições inadmissíveis em que vivem os animais que servem para alimentar a espécie humana.
 Para quê? para aumentar os lucros das grandes multinacionais (as tais corporações) que vendem as sementes, os herbicidas para a produção dos alimentos para esses animais, bem como hormonas e outros medicamentos, e até a "tecnologia".
 

Mas os pequenos e médios produtores podem, se quiserem, abrir os olhos (ou tomar o comprimido vermelho do Meatrix), mudar de sistema, reaprender os modos antigos e respeitar os animais, a natureza e a saúde. E nós todos também: o nosso voto num sistema de "produção industrial" ou criação natural é feito de cada vez que compramos carne ou os seus derivados. Os preços são mais altos, e muitos não conseguem lá chegar; no entanto, muitos outros conseguem, se quiserem - terão é de prescindir de inutilidades e de modas que não servem rigorosamente para mais nada que satisfazer o ego por um breve tempo.

E quando muitos procurarem a carne e os produtos de animais criados ao ar livre , a pecuária em modo natural crescerá, os preços baixarão, e nessa altura, os que têm mais dificuldade já poderão a eles aceder. 

No caso dos ovos, a marcação identifica, logo no 1º algarismo, o tipo de produção; ver aqui, com a ressalva de que esta marcação não é obrigatória para todos, como o caso dos ovos fornecidos directamente do pequeno produtor ao consumidor final, e outros casos. 

Ajude a quebrar este ciclo vicioso: se não é vegetariano ou vegan, prefira consumir carne e produtos de origem animal de explorações que respeitem os animais! 

domingo, 4 de setembro de 2011

De que lado está nesta partida?

Imagem obtida em Fiojovem
O texto que se segue é de Março 2009, da autoria de um escritor brasileiro, António Brás Constante, e foi-me enviado pela Emília Pinto, do blogue conterrâneo Começar de Novo, onde também já o publicou. 



Desde o tempo em que os misteriosos mecanismos evolutivos permitiram a existência da raça humana neste mundo, sem perceber começamos a participar de uma partida pelo futuro da Terra, pelo nosso futuro, e pelo futuro daqueles que amamos.

Nesta disputa o nome “partida” define bem o que está acontecendo ao nosso redor, pois vários animais estão partindo rumo a derradeira extinção. Troncos de árvores vão sendo partidos em nome da ambição. O solo está se partindo sob nossos pés, vítima da implacável erosão, causada por nossos atos insensatos. Mas principalmente, estamos partindo para um caminho sem volta no que diz respeito à salvação do meio ambiente e, conseqüentemente, de nossas vidas.

Realmente parece que não estamos entendendo (ou querendo entender) o jeito correto de se participar desta competição, e isso é péssimo, pois para se competir, é desejável que os participantes demonstrem um mínimo de aptidão e competência (algo que parece estar nos faltando). Se alguém dúvida, basta olhar para o nosso comportamento, como por exemplo: mesmo sabendo dos recursos finitos em nosso planeta, estamos sempre jogando fora tudo o que aparentemente já não serve aos nossos caprichos superficiais, demonstrando muito pouco interesse em elaborar, aperfeiçoar ou mesmo praticar formas de reciclagem, que tentem aproveitar o que já tiramos da natureza através da reutilização de materiais.

Estamos competindo por nossa sobrevivência de forma individual, ignorando regras essenciais ao bem-estar geral, talvez por acharmos que não exista uma punição para estes tolos atos irresponsáveis. Quantos rios terão que morrer para criarmos consciência da importância de mudar nosso comportamento frente à utilização dos recursos naturais? Quantas florestas necessitarão ser devastadas para percebermos o quanto estamos errados? Quanto tempo ainda irá demorar até conseguirmos escutar os apelos de socorro da natureza?

Somos Bilhões de indivíduos vivendo em uma sociedade consumista, pensando de forma egoísta coisas do tipo: “eu posso deixar a luz acesa”, “eu posso deixar a torneira aberta”, “eu posso jogar lixo na rua”, etc. E assim o ser humano vai poluindo, esbanjando e destruindo os recursos que estão a sua disposição, por achar que não precisa fazer a sua parte para evitar o desperdício. E com isso contribui para agravar cada vez mais a derrocada de todos, empurrando-nos diretamente ao precipício.

Para piorar a situação, a cada dia aumentamos o número de jogadores em campo, sem perceber que quanto mais jogadores nascem pior o jogo fica para todos, pois os recursos são limitados frente a um consumo cada vez mais desenfreado.

Muitos chamam a natureza de mãe, mas agem com ela como verdadeiros filhos da mãe. Atuando como seres ingratos, que não sabem retribuir tudo que recebem de seu ventre de terra no qual pisamos, e por onde a vida corre em forma de água cristalina, bem como se renova de tantas maneiras milagrosas o ar que se respira, isso entre tantos outros presentes que destruímos tal qual crianças mimadas, que não sabem dar o devido valor ao que tem.

Gastamos tempo e dinheiro construindo piscinas para diversão, mas somos incapazes de construir reservatórios que captem a chuva, visando a preservação. Nos calamos frente à ganância mundial que impede a criação de fontes alternativas de combustível, obrigando-nos a continuar envenenando o meio ambiente para que eles possam continuar lucrando com seus gigantescos poços de petróleo inglório.

Enfim, neste campeonato com trejeitos de guerra, onde o inimigo utiliza alcunhas como “desmatamento” e “poluição”, devemos rever nossas ações e atitudes, deixando de agir como atacantes vendidos, que ficam ajudando o time adversário, passando a atuar na defesa e preservação da natureza, pois somente assim poderemos ganhar uma chance de futuro. Caso contrário, ao invés de desenvolvimento, seremos a primeira espécie a ser algoz de sua própria extinção."

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Agrofloresta com Ernst Gotsch

 
O texto que se segue provém de um e-mail do Sítio, e refere-se a duas formações essencialmente práticas sobre Agrofloresta no próximo mês de Outubro, com Ernst Gotsch:
 
"O Sítio está a organizar dois workshops de Agrofloresta com Ernst Gotsch em Portugal (Mangualde, Viseu).

A Agrofloresta (ou floresta de alimentos) é um método agrícola que procura imitar a sucessão natural de espécies que ocorre nas florestas. Combina culturas alimentares com culturas florestais que não enriquecem apenas quem produz mas, também, todo o ecossistema. A ideia é que o homem deixe de lutar contra a Natureza, recorrendo a químicos e maquinaria pesada, passando a participar de forma harmoniosa nos processos naturais que têm sempre como objectivo o aumento da quantidade e qualidade de vida em todas as suas formas. A agricultura transforma-se numa actividade extremamente produtiva e variada, fonte de prazer e bem estar que para além de exigir pouco esforço de quem trabalha, é uma ferramenta de regeneração dos solos e do meio ambiente. É uma prática ideal para pequenos produtores e para soluções de auto-sustentabilidade. Nestes workshops orientados por Ernst vamos arregaçar as mangas e pôr as mãos na terra, vamos atrás do que funciona, do que gera recursos e vida. Não vamos falar de escassez, mas agir no caminho da abundância!
Vamos plantar uma Agrofloresta!

Os workshops de carácter essencialmente prático vão ser realizados na Quinta de Darei em Mangualde que dispõe de 150ha de reserva ecológica junto ao rio Dão e instalações de alojamento convertidas de um turismo rural.

Ernst Gotsch é um agricultor e pesquisador suíço que começou por trabalhar,nos anos 70, com melhoramento genético de plantas forrageiras. Esta pesquisa permitiu que concluísse que poderia obter melhores resultados na agricultura criando agro-ecosistemas que promovam uma lógica de cooperação entre as várias espécies vegetais. Em 1982 fixou-se no Brasil onde iniciou um projecto de recuperação de uma área de 500ha extremamente degradada. Desde 1993, depois de alcançar resultados extraordinários, tem-se dedicado ao ensino e transmissão dos seus métodos em todo o mundo.
Para mais informações sobre Ernst Gotsch e Agrofloresta veja: TEXTOS e VÍDEOS."

Para inscrições e mais informações : www.sitiocoop.com  / http://www.sitiocoop.com/workshops/agrofloresta/