sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Melhorar o Mundo na Escola - Vencedor do concurso

Finalizada que está a votação no concurso Melhorar o Mundo na Escola,  anuncio aqui a vencedora, que foi a Sónia Da Veiga, com o texto que a seguir transcrevo novamente:



Existe a necessidade de fazer as coisas de maneira diferente”, “à século XXI”, de questionar todos os dogmas, tudo o que é “dado adquirido”, e esta deve ser enfatizada, seja através do uso de exemplos globais (como o aquecimento global e a crise económica e social), seja de exemplos locais, que apelem ao sentimento de pertença na sociedade e à comunidade onde se inserem em particular. 

Assim, com a orientação do professor, poderão ser abordados temas como Sustentabilidade/Transição, Cidadania/Solidariedade e Poder Individual/Comunitário. Os alunos deverão escolher um tema que lhes interesse particularmente, ou seja, uma situação que os preocupe ou iniciativa que queiram divulgar baseando-se nas suas aptidões/dons e na sua experiência pessoal (p.e.: barreiras arquitectónicas por próprio/familiar deficiente, divulgação da arte como forma de expressão se pratica “ballet”, ensino de técnicas de sobrevivência se escuteiro/guia, divulgação de iniciativa de solidariedade se próprio/familiar voluntário, etc.) e, na aula que lhe corresponda, explicar o seu ponto de vista e propor uma estratégia para a sua resolução. Após isso, como um grupo (que inclua e não seja “liderado por” o professor), deverão estabelecer um plano de acção que será levado a cabo por todos numa aula prática na escola ou fora dela. O colocar em prática os seus planos, a interacção com a comunidade (escolar ou não) e a, divulgação das suas iniciativas (na escola, a nível local, nacional ou mesmo internacional - aproveitando o uso da internet, incluindo as redes sociais), leva-os, não só a conhecer e a respeitar pontos de vista diferentes, mas também a compreenderem que cada um detém o poder da mudança positiva em si. 

Apenas sentindo-se cidadãos, os adolescentes poderão vir a ser mais interventivos na sociedade."
Sónia Da Veiga

Parabéns Sónia, enviarei em breve pelo correio o merecido livro "Desenvolvimento Sustentável - Uma Introdução Crítica", de Valdemar Rodrigues, que sei que gostarás. Espero que esta tua ideia chegue onde possa ser posta em acção. Não há dúvida de que a responsabilização dos alunos é uma maneira forte de mudar o mundo na escola. E o melhor exemplo é o de Kiran Bir Sethi, cujo vídeo  no TED deixei no post original do concurso (aqui), e que volto a incorporar para quem não viu.



Agradeço também a colaboração da Maria Letra, da Elisabeth Oliveira, e do Diogo Rocha , cujos textos, assim como o da Sónia Da Veiga, foram um importante e válido contributo para a discussão sobre o mundo das nossas escolas. Obrigada a todos os que participaram através do seus comentários, votos e divulgação do concurso.

E para finalizar, transcrevo parte do comentário da Maria Letra, para que reflictamos no novo ano que bate à porta:

"ENQUANTO NÃO PERCEBERMOS QUE OS NOSSOS PROBLEMAS ESTÃO NA BASE, VÍTIMA DE CERTAS RAIZES APODRECIDAS, NÃO VAMOS LONGE. REMENDAR, NÃO RESOLVERÁ, ABSOLUTAMENTE, NADA. TEREMOS DE ESCAVAR PARA CURARMOS RAIZES PODRES.... E, PARALELAMENTE, EVITARMOS QUE OS NOSSOS MALES ALASTREM, ENQUANTO APLICAMOS NOVOS SISTEMAS DE EDUCAÇÃO E DE VIDA. TUDO O QUE POSSAMOS FAZER PARA REMEDIAR CONSEQUÊNCIAS, SÓ RESULTA SE FORMOS À BASE."

terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Sobre o ano da Biodiversidade

Este ano que está a findar foi declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional da Biodiversidade. Houve passos positivos: houve consciencialização, falou-se do tema, e foi assinado o protocolo de Nagoya, no final de Outubro passado,  onde se prevê, de 2011 até 2020, o aumento das áreas terrestres protegidas dos 12% actuais para 17%, e o aumento das áreas protegidas nos ecossistemas marinhos de 1% para 10%. "É menos do que a meta de 20%, para áreas terrestres e marinhas, defendida por organizações de defesa do meio ambiente, mas é um avanço." (daqui)

Esperemos que este protocolo permita a inversão da curva descendente da biodiversidade, já que esta tem vindo a diminuir há 30 anos, como já falei aqui, e como mostra o Relatório Planeta Vivo 2010  da WWF, do qual foram extraídos os textos e imagens que se seguem:

"Este ano, a biodiversidade está no centro das atenções como nunca antes esteve assim como o desenvolvimento humano, com uma importante revisão para breve dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.
Uma das medidas temporalmente mais prolongadas das tendências no estado da biodiversidade global, medida pelo Índice Planeta Vivo (LPI), mostra uma tendência geral consistente desde que o primeiro Relatório Planeta Vivo foi publicado em 1998: ou seja, um declínio global de cerca de 30% entre 1970 e 2007.

 A variedade magnífica da vida na Terra é uma verdadeira maravilha. Esta biodiversidade também permite que as pessoas vivam, e vivam bem. Plantas, animais e microorganismos formam complexas, interconectadas redes de ecossistemas e habitat, que por sua vez, fornecem uma grande variedade de serviços do ecossistema em que a vida de todos depende. Embora a tecnologia possa substituir alguns destes serviços e proteger contra a sua degradação, muitos não podem ser substituídos.

As 5 principais ameaças à biodiversidade
Todas as atividades humanas fazem uso dos serviços dos ecossistemas - mas também podem exercer pressão sobre a biodiversidade que apoia esses serviços. As cinco maiores pressões diretas são:

- A perda do habitat, alteração e fragmentação: principalmente através da conversão de terras para o cultivo, aquacultura, uso industrial ou urbano; a construção de barragens e outras alterações nos sistemas fluviais para irrigação, energia hidroeléctrica ou regulação de correntes e as  actividades pesqueiras prejudiciais.
- Sobre-exploração das populações de espécies selvagens: a colheita ou matança de animais ou plantas para alimentação, materiais ou remédios, a um ritmo superior à capacidade reprodutora dessas populações.
- Poluição: principalmente da excessiva utilização de pesticidas na agricultura e aquacultura; efluentes urbanos e industriais e resíduos de mineração.
- Alterações climáticas: devido ao aumento dos níveis de gases estufa na atmosfera, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e processos Industriais.
- Espécies invasoras: introdução de propósito ou inadvertidamente a partir de uma parte do mundo para outra e que se tornam espécies concorrentes, predadores ou parasitas de espécies nativas.

Em grande parte, estas ameaças advêm da procura humana de alimentos, água, energia e materiais, bem como a necessidade de espaço para vilas, cidades e infra-estruturas. Essas exigências correspondem com alguns setores determinantes: agricultura, silvicultura, pesca, mineração, indústria, água e energia. Juntos, esses setores constituem os dirigentes indiretos da perda de biodiversidade. "

Como vemos, também a biodiversidade, precisa de ser recuperada através do caminho que leva à sustentabilidade, e que terá de passar necessariamente pela redução do consumo.

domingo, 26 de Dezembro de 2010

"O carvão estará connosco"... ou com eles ...

Crédito da imagem: Bryan Christie
Numa altura em que as alterações climáticas já dão mostras visíveis do que nos espera, com as calotes polares e os glaciares a derreter mais depressa do que qualquer previsão pessimista, com as secas, incêndios e inundações e a fome e doença que implicam;

Numa altura em que o petróleo atingiu o pico de produção e está já a entrar em decadência, e que face a uma procura a aumentar exponencialmente, não terá outro destino que se tornar cada vez mais e mais caro, que por sua vez tornará todos os bens essenciais mais caros;
Numa altura em que muitas pessoas já perceberam que se está a consumir recursos 45% acima do que a terra pode regenerar;
Numa altura em que era urgente tomar medidas universais que limitassem as emissões de dióxido de carbono;

Eis que, há uma falta de visão, de altruísmo, de responsabilidade e de vontade dos políticos mundiais para tentar alterar o rumo; sabemos que não é fácil, mas por alguma razão seria suposto lhes chamarem "líderes"...

Eis que, sabendo, mas não dizendo, que o petróleo é "sol de pouca dura", os países mais poderosos do mundo se agarram com unhas e dentes ao CARVÃO. Sim, ao carvão, aquele combustível de origem fóssil que é o mais poluente; aquele que mais liberta CO2 para a atmosfera. Sim, aquele que ainda é pior que o petróleo.

A China está num frenesim económico, e constrói centrais térmicas a carvão a velocidades espantosas. Os Estados Unidos, já as têm e continuam a querer mais.

Um jornalista americano, James Fallows estudou, andou pela China e debruçou-se no assunto. E publicou um artigo na revista The ATLANTIC, de Dezembro 2010, que está disponível online - Dirty Coal, Clean Future - onde dá conta da evolução do "carvão" na China por comparação com os Estados Unidos.

O artigo tenta criar a ideia de que é possível haver carvão limpo: através da melhoria da eficiência na combustão, ou através da captura de dióxido de carbono após a queima. Um caso e outro poderá "minorar" as emissões; Nenhum dos casos é uma alternativa limpa. Mas, mesmo assim, como não há imposição aos limites de emissões, nem isso fazem.

Leiam o artigo original em The ATLANTIC, ou então a tradução  (possível) que fiz da maior parte do mesmo (aqui). 

Independentemente do que se ache das soluções para tornar o sujo carvão mais" limpo", vale a pena ler o artigo, quer pelas declarações de muitos peritos que deram o seu contributo, quer para que se saiba em que "pé" estamos! Aqui abaixo fica a tradução de dois extractos do artigo de James Fallows:

"Toda a actividade humana em conjunto emite cerca de 37 gigatoneladas de dióxido de carbono por ano para a atmosfera. Esse número continua a aumentar, à medida que cresce a população mundial e à medida que aumenta o número de carros, de fábricas e de centrais eléctricas.
(...)
Antes de James Watt inventar a máquina a vapor no final do século XVIII, isto é, antes de as sociedades humanas terem incentivo para queimar carvão e mais tarde petróleo, em grandes quantidades, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era de cerca de 280 partes por milhão, ou ppm (...). Pensa-se que essa concentração oscilou entre cerca de 180 e 280 ppm nos 800 mil anos anteriores. Em 1900, com a Europa e América do Norte em industrialização, esse valor chegou a cerca de 300 ppm.
Agora, a concentração de dióxido de carbono é igual ou superior a 390 ppm, o que é provavelmente o maior nível em muitos milhões de anos. "Nós sabemos que a última vez que o CO2 esteve neste nível, a maior parte dos mantos de gelo da Gronelândia e da Antárctida Ocidental não existiam", disse Michael Mann, um cientista do clima na Penn State. Por causa das 37 gigatoneladas anuais de emissões de dióxido de carbono, o nível de dióxido de carbono atmosférico continua a subir cerca de dois ppm por ano. O panorama é este: na época em que os alunos que estão hoje no sexto ano terminarem o ensino secundário, o nível mundial de dióxido de carbono provavelmente terá ultrapassado 400 ppm, e na altura em que a maioria deles estiver a iniciar família, terá passado os 420."
 (...)
"O carvão estará connosco, porque é abundante: qualquer estágio projectado de "pico do carvão" viria muitas décadas depois de o mundo atingir o "pico do petróleo."
O carvão estará connosco, por causa dos locais onde existe: os quatro países  no top das reservas de carvão são os Estados Unidos, Rússia, China e Índia, que, juntos, têm cerca de 40% da população mundial e mais de 60% do carvão.
O carvão estará connosco, porque seus custos directos são, na maioria dos casos, muito inferiores aos das alternativas - e é por isso que é tanto usado.
O carvão estará connosco, porque os seus custos indirectos, em mortes de mineiros, destruição ambiental, e da carga de carbono na atmosfera não são regulamentados e "externalizados". As empresas de energia que respondem perante accionistas ou contribuintes, têm dificuldade em justificar uma escolha mais cara. "O carvão é tão barato, porque a sua “sujidade” ainda não é contabilizada", disse um especialista em poluição do ar do Natural Resources Defense Council ao The Wall Street Journal, há 10 anos. Na ausência de legislação sobre o clima nos Estados Unidos e de acordos internacionais para reduzir as emissões, a sujidade ainda não conta. 
O carvão estará connosco, pois mudar uma infra-estrutura de energia - como a construção de um novo sistema de transporte ou uma rede de cabo ou de conexões de fibra óptica através de todo um país é exactamente o oposto de um processo de "virtual", e leva muitos anos para ser concluído."

sábado, 25 de Dezembro de 2010

Salvando árvores com "save as WWF"

Lembram-se de aqui termos falado, em Fevereiro passado, do ECOSIA, o motor de busca ecológico, que contribui para a preservação das florestas? Pois bem, se na altura ainda estava pouco desenvolvido, está agora muito melhor, já permitindo, para além das buscas gerais, pesquisas por imagens, vídeos, mapas... Desde essa altura que o uso, e dada vez  preciso menos de pesquisas suplementares para encontrar o que procuro.

Agora, para continuar a salvar árvores, a WWF criou um formato de ficheiro que não permite impressão - o "wwf". Funciona como um "pdf" e é aberto pela maior parte dos programas que lêem os ficheiros em formato pdf.

Sei que você, que visita este blogue, pensa no abate de árvores que implica gastar papel, e não imprime senão o que necessita mesmo. Mas quando envia ficheiros, se acha que eles não precisam de ir parar ao papel, converta-os no formato wwf . Basta instalar o programa (gratuito) e mandar "imprimir" os seus documentos na "impressora virtual" SAVE AS WWF. Já está disponível para Mac e para Windows.

Mais uma maneira fácil de ajudar a poupar papel e salvar árvores Adira.

sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010

Feliz Natal

Feliz Natal e um ano novo de 2011 cheio de saúde, alegria, amizade e solidariedade para todos os visitantes deste blogue!

Que não sejam as prendas os motivos de um feliz Natal, mas os bons sentimentos e a presença de quem é importante.

E que o Natal possa também servir para uma reflexão no sentido de uma mudança em 2011, para que nos tornemos progressivamente mais sustentáveis no nosso dia a dia, para com a natureza e para com os outros.

quarta-feira, 22 de Dezembro de 2010

Recomendações da Quercus para o Natal

Transponho para aqui as recomendações da Quercus (daqui) para o Natal. Para algumas, já é um pouco tarde, mas não é demais relembrar, pois cuidar do planeta deve ser todos os dias, e o Natal não é excepção:


"Vem aí o Natal…
    •    Para a ceia de Natal comece a habituar-se a substituir o bacalhau por outra iguaria; se não consegue mesmo resistir, adquira bacalhau de média/grande dimensão; faça o mesmo em relação ao polvo (deverá ter sempre mais de 800 ou 900 gr.). Prefira o bacalhau seco a bacalhau demolhado congelado.
    •    Adquira uma árvore de Natal natural em vaso, caso possa mantê-la durante o ano; uma outra hipótese é comprar uma árvore artificial (que pode ser reutilizada durante muitos anos) ou então recorra apenas a árvores vendidas com autorização (bombeiros, serviços municipais), como garantia da sustentabilidade do corte.
    •    Não vá em modas e tenha cuidado na aquisição dos enfeites de Natal, para que os possa reutilizar por muitos e longos anos. Pode optar por criar os seus próprios enfeites a partir da reciclagem e reutilização de materiais.
    •    Adquira lâmpadas energeticamente eficientes para reduzir a sua factura energética e ambiental. No caso da iluminação específica de Natal, sempre que possível prefira os leds e apague-a durante a noite.
    •    Pense naqueles que não têm possibilidade de oferecer prendas e mesmo de ter uma ceia de Natal; seja solidário com as várias campanhas que habitualmente se desenrolam nesta época.
    •    Esta é uma época tendencialmente fria; isole bem a sua casa (por exemplo calafetando portas e janelas) de modo a reduzir os gastos com o aquecimento e também, para poupar recursos.
    •    Lembre-se que certas espécies animais e vegetais estão em vias de extinção. O azevinho é uma dessas espécies. Não compre azevinho verdadeiro. Adquira uma imitação artificial ou use a sua própria criatividade para criar uma coroa de azevinho através da reutilização de materiais.
    •    Às refeições utilize loiça normal evitando todo e qualquer material descartável (como copos ou pratos). Opte por produtos locais, ou pelo menos nacionais, e de preferência de origem biológica. Tenha sempre em atenção as quantidades, pois o risco de desperdício nesta altura é enorme. Para beber prefira o vinho nacional (vedado com rolhas de cortiça) e prepare infusões ou limonada em substituição dos habituais refrigerantes.

O Natal e os presentes…
    •    Reflicta bem sobre as prendas que vai oferecer, a quem vai oferecer e qual a sua utilidade. Privilegie produtos:
         a) Duráveis e reparáveis;
         b) Educativos, principalmente se estivermos a falar de prendas para os mais pequenos; ofereça produtos que estimulem a inteligência, a criatividade, o respeito entre os povos e pelo ambiente;
         c) Inócuos, em termos de substâncias perigosas; por exemplo, se vai oferecer equipamentos eléctricos e electrónicos, informe-se sobre quais as marcas mais seguras aqui
         d) Que não estejam embalados em excesso ou em embalagens complexas (são mais caros, misturam vários materiais e dificultam a reciclagem);
         e) Úteis: é importante privilegiar a oferta de prendas que não sejam colocadas imediatamente na prateleira ou em qualquer baú esquecido no sótão.

    •    Ofereça a inscrição em associações cívicas (como por exemplo associações de defesa do ambiente) ou a adopção de um animal selvagem.
    •    Em caso de dúvida sobre a prenda a oferecer, opte pelos cheque-prenda já disponíveis em inúmeras lojas (livrarias, teatros; lojas de roupas ou de outros bens), pois são uma garantia de que a sua prenda irá ao encontro das expectativas de quem a recebe.
    •    Gaste apenas na medida das suas possibilidades. Respeitar os seus limites de endividamento irá permitir-lhe ser mais criterioso nas suas escolhas e, logo, mais sustentável.
    •    Utilize os transportes públicos nas suas deslocações às compras, ou então, junte-se com amigos ou familiares num mesmo veículo e vão às compras conjuntamente; fica mais barato e sempre pode pedir opiniões quando estiver indeciso.
    •    Procure levar sacos seus para as compras ou tente utilizar o número mínimo de sacos possível (uma sugestão: ofereça sacos de pano para as compras).
    •    Ofereça prendas produzidas em Portugal (como por exemplo vinhos, azeite, artesanato, doçaria tradicional, frutos secos, etc.), pois promove a economia portuguesa e reduz o impacte ambiental associado ao transporte dos produtos.
    •    Se o seu Natal implica uma reunião alargada da família, organize um jogo como o “amigo secreto”, em que se estabelece um valor máximo e os nomes de todos são colocados num saco para que cada pessoa retire um. Assim ficará responsável por oferecer apenas um presente. Também pode optar por um sistema em que se estabelece um valor máximo para a prenda, cada um compra uma, sendo que no dia do encontro as prendas são todas numeradas e o número (e logo a prenda) que calha a cada um tirado à sorte.
    •    Se pensar em oferecer um animal de estimação tenha em conta se há condições para ele viver bem e não compre animais selvagens ou em vias de extinção (opte pela adopção de um animal).
    •    Se optar por oferecer produtos de perfumaria, cosmética ou higiene pessoal tenha o cuidado de escolher aqueles que não fazem testes em animais (procure a lista em http://www.lpda.pt/).
    •    Muitas vezes temos objectos que já não utilizamos, mas que estão em bom estado. Não os deite fora. Seleccione os que pode oferecer a instituições ou a vendas de Natal ou opte por usara a sua criatividade e criar objectos para oferecer.

Depois do Natal…
    •    Guarde os laços e o papel de embrulho para que os possa utilizar noutras ocasiões; muitas embalagens, caixas de prendas, papéis de embrulho podem ser utilizados pelas crianças para fazer divertidos objectos, como máscaras, porta canetas, etc.
    •    Separe todas as embalagens – papel/cartão; plástico; metal – e coloque-as no ecoponto mais próximo, evitando assim os amontoados de lixo que marcam o dia de Natal; este é um bom momento para verificar se foi um cidadão ambientalmente consciente nas suas compras.
    •    Depois das festas, vêm as limpezas. Procure reduzir a quantidade e perigosidade dos produtos de limpeza que utiliza. Prefira os biodegradáveis e/ou em recargas.
    •    Não deite as pilhas para o lixo, coloque sempre no pilhão. As pilhas recarregáveis são uma alternativa económica e ecológica.
    •    Reflicta ao longo do ano sobre a utilidade que foi dada às prendas que ofereceu.
    •    Mantenha-se solidário com as diversas campanhas que se vão desenrolando ao longo do ano.

Tenha sempre presente muitos destes conselhos ambientais ao longo do novo ano que se aproxima. Não só poupará muito dinheiro, como terá uma vida mais sustentável a nível ambiental, social e também económico. "

terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Concurso Melhorar o mundo na escola - Votação

Estão publicados a seguir, os quatro textos que me foram enviados para o concurso Melhorar o mundo na escola, que esteve aberto à participação de 1 a 20 de Dezembro. 

São textos de âmbito diferente, todos com ideias excelentes para reflexão ou para colocar em prática.  Agora peço-vos que votem num deles, dizendo qual o que mais gostaram através de comentários neste post, já que, para evitar a dispersão, não estão disponíveis os comentários nos textos a concurso. Identifiquem, no vosso comentário, o n.º ou o autor do texto preferido, e entre os seguintes:


Não serão contados votos repetidos pelo mesmo utilizador, e como é habitual no blogue, não são permitidos comentários anónimo. A votação está aberta até ao dia 30/12, inclusive. O prémio para o texto mais votado, a anunciar no dia 31/12/2010, será o livro "Desenvolvimento Sustentável - Uma Introdução Crítica", de Valdemar Rodrigues

Agradeço do fundo do coração a participação da Maria Letra, da Elisabeth Oliveira, do Diogo Rocha e da Sónia Da Veiga - obrigada por ajudarem a um mundo melhor, partilhando as vossas ideias Por mim, gostaria que ganhassem todos, mas só tenho um livro para oferecer (além do meu, que muito estimo).

CONCURSO - Melhorar o mundo na escola - 1 - por Maria Letra

UM NOVO ENSINO, GERARÁ UM NOVO MUNDO!

De Pavlov a Skineer, inúmeras propostas de orientação pedagógica foram sugeridas sem que tivesse sido encontrado o modelo ideal para a correta formação dum novo cidadão. Esse modelo deveria, contudo, contemplar em primeiro lugar a preparação adequada de elementos escolhidos a dedo para participar na desejada restruturação escolar, completamente inovadora . Muitos dos mais velhos responsáveis escolares e encarregados de educação, continuam vítimas de vícios enraizados neles, em consequência, segundo a teoria comportamentalista, do que herdaram dos seus antepassados, durante o período Salazarista. Não sei mesmo quantas gerações serão necessárias para ‘limpar’, totalmente, os efeitos dessa mesma política, que tantos danos psicológicos causou. Eles manifestam-se, muitas vezes, duma forma quase indelével, mas são uma realidade a considerar. Embora preocupada com este facto, acredito na grande capacidade de muitos elementos e na sua boa formação para ser estudado um método eficaz de construção dum indivíduo de "Mens Sana in Corporeo Sano".
Considero sejam três os principais pontos a considerar:

EXEMPLAR ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Criação de normas de ensino e de acompanhamento dos alunos, completamente inovadoras, a serem postas em prática por elementos de reconhecida capacidade humana e adequada formação pessoal e académica. Seria muito importante, por exemplo, que todo e qualquer aluno fosse acompanhado pelo mesmo orientador pessoal, desde o início da sua frequência escolar, até ao seu términus. O problema de muitos alunos começa, exatamente, no seio familiar. Seria aconselhável começar a olhar-se a sua educação num sentido mais lato, uma vez que dependerá da sua boa formação a responsabilidade de criar e manter a conservação dum mundo completamente renovado.

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
Embora não lhe seja atribuída a importância que merecia ser-lhe dada, sem uma adequada alimentação, não poderá haver um bom aproveitamento a todos os níveis. 

CONVENIENTE OCUPAÇÃO DOS TEMPOS LIVRES

UM NOVO ENSINO, GERARÁ UM NOVO MUNDO!

Maria Letra

CONCURSO - Melhorar o mundo na escola - 2 - por Elisabeth Oliveira


Antes de tudo para poder formar os alunos a sustentabilidade existe a responsabilidade familiar mais também escolar e civil. A minha sugestão não é nova em vários países e acaba por trazer os seus lados positivos. A principal diferença que notei quando cheguei a Portugal com a minha filha há 7 anos é que não havia ninguém responsável pelo recreio: as professoras têm o direito a beber café e descansar um pouco, as auxiliares estão atarefadas a limpar, esfregar ou ralhar com as crianças. Não existe nenhuma pessoa adulta que só tenha a tarefa, não só de vigiar o recreio (bullying) mas também de se tornar amigos deles e incutir regras de respeito pelas pessoas, planeta sem julgar, nem humilhar a criança mas sim explicando. Em França esse papel é assumido por estudantes que reprovaram ou que estão na faculdade e têm muito tempo livre. Mas atenção, tem de haver um contrato para a pessoa saber até onde pode ir: se pode castigar (sem um pai lhe vir encher a cabeça), que tipo de castigo, se pode escrever recados na caderneta, se pode levar a criança ao director se a asneira for grande etc... Não é como nas juntas de freguesia onde chamam os "POCS" porque são baratos mas são largados na escola sem nenhuma formação nem pedagogia. Acho que o que falta verdadeiramente é um trabalho de vigilante amigo e pedagogo durante o recreio... Eles aprendem sem se aperceber e são controlados.
Elisabeth Oliveira
Pombal

CONCURSO - Melhorar o mundo na escola - 3 - por Diogo Rocha

A água: será possível que ninguém perceba que ela está a acabar?

Muitos flagelos têm afectado a nossa sociedade e modificado os seus estilos de vida.

Um deles, é a falta de água (ou a pouca presença desta), e que tem vindo a ser provocada, essencialmente, pela utilização excessiva da mesma nos países mais desenvolvidos, bem como pela ignorância da importância desta pela maior parte da população aí residente.

Ora, claro está que este bem tão precioso, fundador da vida e anfitrião da mesma, necessita de ser preservado, por irónico que seja, pela vida que quer acabar com a mesma à face do planeta Terra. Essa vida, que só se importa com as suas necessidades e luxúrias, essa vida que não tem a “inteligência” necessária para perceber que pode estar a provocar a sua própria morte…

Assim, cabe a nós seres humanos, preservar este elemento tão raro, este elemento que permitiu, sem qualquer sombra de dúvidas a existência da nossa vida.

Mas como é que se pode convencer estes seres humanos egoístas e ambiciosos de que a falta de água pode matar?

Esta questão só pode ser entendida pelas pessoas traduzindo as coisas, infelizmente, em questões monetárias, ou seja, fazendo mostrar às pessoas que os seus maus hábitos estão não só a prejudicar o planeta Terra, mas também a sua própria economia financeira. Partindo então de um projecto bem sucedido em televisão, o Desafio Verde, a minha ideia seria, através da identificação em campo de problemas relacionados com o desperdício de água, alertar as populações para formas de poupar água e ao mesmo tempo o seu dinheiro. Nessa lógica, e partindo de grupos formados em contexto de sala de aula, estes iriam identificar e resolver primeiramente problemas em suas casas, de familiares, amigos ou mesmo vizinhos, tentando ao longo do tempo, abranger a maior zona populacional possível.

Assim, além de incutir nos jovens o sentido de responsabilidade social e ambiental, ajudariam a proteger a água e o nosso sempre querido planeta.

Diogo Miguel Fernandes da Rocha

CONCURSO - Melhorar o mundo na escola - 4 - por Sónia Da Veiga

Educação para a Responsabilidade e Poder

Existe a necessidade de fazer as coisas de maneira diferente”, “à século XXI”, de questionar todos os dogmas, tudo o que é “dado adquirido”, e esta deve ser enfatizada, seja através do uso de exemplos globais (como o aquecimento global e a crise económica e social), seja de exemplos locais, que apelem ao sentimento de pertença na sociedade e à comunidade onde se inserem em particular. 

Assim, com a orientação do professor, poderão ser abordados temas como Sustentabilidade/Transição, Cidadania/Solidariedade e Poder Individual/Comunitário. Os alunos deverão escolher um tema que lhes interesse particularmente, ou seja, uma situação que os preocupe ou iniciativa que queiram divulgar baseando-se nas suas aptidões/dons e na sua experiência pessoal (p.e.: barreiras arquitectónicas por próprio/familiar deficiente, divulgação da arte como forma de expressão se pratica “ballet”, ensino de técnicas de sobrevivência se escuteiro/guia, divulgação de iniciativa de solidariedade se próprio/familiar voluntário, etc.) e, na aula que lhe corresponda, explicar o seu ponto de vista e propor uma estratégia para a sua resolução. Após isso, como um grupo (que inclua e não seja “liderado por” o professor), deverão estabelecer um plano de acção que será levado a cabo por todos numa aula prática na escola ou fora dela. O colocar em prática os seus planos, a interacção com a comunidade (escolar ou não) e a, divulgação das suas iniciativas (na escola, a nível local, nacional ou mesmo internacional - aproveitando o uso da internet, incluindo as redes sociais), leva-os, não só a conhecer e a respeitar pontos de vista diferentes, mas também a compreenderem que cada um detém o poder da mudança positiva em si. 

Apenas sentindo-se cidadãos, os adolescentes poderão vir a ser mais interventivos na sociedade.

Sónia Da Veiga

segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

Inspire-se para melhorar o mundo em 2011

A revista online IM magazine, com a missão de divulgar o melhor que se faz no mundo por um mundo melhor, e com uma abordagem positiva e optimista, tem ajudado a inspirar pessoas a melhorarem e a ajudar outros a melhorar. Por isso, e porque o vídeo que fizeram para esta quadra é realmente inspirador, partilho-o consigo, fazendo meus os votos de IM para 2011, para si.



Aproveito para lembrar que ´hoje é o último dia para participar no primeiro concurso lançado neste blogue: Melhorar o Mundo na Escola. Inspire-se e participe! 

sábado, 18 de Dezembro de 2010

"A sociedade de consumo não é sustentável"

André Trigueiro é um jornalista brasileiro com pós-graduação em Gestão Ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC/RJ, e autor  de livros dedicados à sustentabilidade. Actualmente é também editor-chefe do programa semanal Cidades e Soluções, exibido na Globo News desde Outubro de 2006.

Os seguintes parágrafos são extraídos da entrevista que deu para a Greenvana Style


«Nenhum desenvolvimento é possível se não for sustentável
(...)
GS – Qual é a importância de adotarmos novas atitudes de consumo mais conscientes?
AT – Sobrevivência. Estamos falando de um mundo onde os recursos naturais não renováveis estão sendo depredados, onde a população cresce a uma taxa de 200 mil novos habitantes por dia, onde as pessoas que se declaram consumistas não percebem o equívoco que é acumular bens, achando que a felicidade se resume em possuir. Cada bem que você adquire, é um pedacinho da natureza que você leva para sua casa.
E o planeta é um só, os recursos são finitos. Quem coleciona bens, coleciona meio ambiente dentro de casa. E isso é grave porque quando se acumula há a geração de escassez. É um mundo onde todos nós estamos instigados a achar que, para sermos bem sucedidos, precisamos ter o estilo de vida americano. A sociedade de consumo não é sustentável. Ela não gera prosperidade para todos. Ela gera opulência para poucos, pobreza e exclusão para muitos e o esgotamento da Terra, o esgotamento dos recursos naturais não renováveis.

GS – É possível haver uma harmonia entre economia e ecologia?
AT – Não é possível haver harmonia de uma forma geral e ampla sem o empreendimento da economia com a ecologia. Nenhum desenvolvimento é possível se não for sustentável. Não é possível imaginar um modelo de desenvolvimento que não tenha na sustentabilidade o seu eixo principal. (...)
Porque não é possível imaginar uma agricultura forte sem o meio ambiente saudável. E o meio ambiente saudável propicia as melhores condições de produtividade no campo. Então, é falsa a tese de que o desenvolvimento atrapalha o meio ambiente e que o meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. Essa discussão está superada. Não tem como gerar economia, ou seja, geração de emprego e renda e produção de riqueza, sem se preocupar com sustentabilidade. 
(...)»

quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

"Pode a Permacultura Mudar o Mundo?"

Dia 16 de Dezembro, 5ªfeira, às 21h30, a  Casa da Horta apresenta, no Porto, a sessão:


Com Peter Bampton e Laura Williams (com tradução para português)

"O que estamos a ver no futuro? É o medo de um desastre ou é uma motivação espiritualmente inspirada para criar um mundo melhor? Para aqueles de nós que se sentem responsáveis, esta é uma questão pendente. Se queremos trabalhar juntos para criar os próximos passos que tão urgentemente precisam ser dados, é fundamental que comecem a se articular e concordar com os valores e princípios que nos guiam. Então o que é Permacultura no contexto maior de nossa evolução cultural?

Permacultura é a concepção de sistemas que criam ambientes humanos sustentáveis.

A própria palavra é uma contração de agricultura permanente, bem como cultura permanente, uma vez que as culturas não podem sobreviver por muito tempo sem uma base agrícola sustentável e um uso ético da terra. Em um nível, trata permacultura com plantas, animais, construções e infra-estruturas (água, energia, comunicações, etc.) No entanto, não é apenas sobre esses elementos em si, mas também sobre as relações que podemos estabelecer entre eles, devido à maneira em que colocá-los dentro da paisagem.

O objetivo é criar sistemas que sejam ecologicamente compatível e financeiramente viáveis, que podem fornecer para suas próprias necessidades, não exploram nem contaminar, e são sustentáveis a longo prazo. Permacultura utiliza plantas e animais qualidades “inerentes, combinado com as características naturais dos terrenos e construções, para produzir um sistema que pode suportar a vida, tanto na cidade e no campo, utilizando o espaço físico mínimo possível.
Esta filosofia de vida é construída em torno de três princípios éticos: o cuidar da terra, cuidar do povo, e da justa distribuição dos lucros. Neste sistema, o tempo, o excesso, a riqueza ea energia são reinvestidos na terra e do povo, para continuar a beneficiar a comunidade e ao mesmo tempo, considerando o quadro global.
É baseado na observação dos ecossistemas naturais, a sabedoria contida em práticas agrícolas tradicionais, bem como o conhecimento científico ea tecnologia modernas. Na sequência de modelos ecológicos, permacultura cria uma ecologia cultivada, que é projetada para produzir mais alimentos para os seres humanos do que normalmente é encontrado no mundo natural.

Retirado do sítio do Awakened Life Project

ENTRADA LIVRE (sugere-se uma contribuição simbólica, donativo, para poder contribuir para as despesas de deslocação dos convidados)"

CONTACTOS: Casa da Horta, Associação Cultural, Rua de São Francisco, 12A, 4050-548 Porto - Perto da Igreja de São Francisco e Mercado Ferreira Borges. Tel: 222024123/ 965545519, Email: casadahorta@pegada.net

segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Sobre a COP16

De  29 de Novembro a 10 de Dezembro, ocorreu, em Cancún, no México, a COP16 -16ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas

Como resumo do que se lá passou, pode-se ver/ouvir os primeiros 5 minutos do vídeo disponível no site brasileiro Cidades e Soluções.

O resumo da Quercus encara o resultado da cimeira com algum optimismo:
"Negociações climáticas retomam o caminho depois do desaire em Copenhaga. Os líderes deixaram Copenhaga para trás e colocaram as negociações do clima novamente nos eixos. Devolveram alguma confiança e começaram a construir um espírito de colaboração em varias áreas. Os países avançaram alguns passos em direcção a um verdadeiro acordo climático, e há novos países a emergir como lideres."

Por outro lado, o resumo da Greenpeace Brasil dá conta de alguns avanços, mas muito insuficientes:
"Os mais de 190 países reunidos em Cancún na COP16, deram alguns passos importantes mas insuficientes para se recuperar do fracasso da conferência anterior e avançar na negociação de um acordo global de redução das emissões de gases de efeito estufa. Os avanços conquistados – a criação de um “fundo verde”, voltado para os países em desenvolvimento, e a manutenção do processo multilateral de negociação – não respondem ao desafio maior: reduzir consideravelmente, e de forma consistente, as emissões."
E a conclusão, deixa mesmo qualquer réstia de optimismo afogada em Cancún:
"O fato de o Protocolo de Kyoto não ter morrido, a despeito do esforço de alguns países para fazê-lo, é uma vitória vazia enquanto números audaciosos, que respondam ao desafio, não forem colocados na mesa.
Nessa conferência, quando o que está em jogo é o futuro do mundo, prevaleceram a falta de liderança e vontade política necessárias para que os países deem um passo além de Kyoto e equacionem um acordo global. Sem ele, cada nação continuará a olhar para seu próprio umbigo, emitindo gases-estufa sem controle, a seu bel prazer.
Cada ano que passa sem definição é um passo mais próximo das mudanças climáticas perigosas. O trabalho dos negociadores, portanto, se perde no mar de Cancún.
Fica claro que o destino do planeta está cada vez mais nas mãos da sociedade. A ela foi jogada a responsabilidade de construir um futuro sem desmatamento, com energias limpas, mais justiça e com uma economia verde. A bola está conosco."

Nem a propósito, o seguinte texto, extraído do livro "O Sétimo Selo", de  José Rodrigues dos Santos, que se refere à Conferência de Quioto, em 1997, até parece que se poderia aplicar à COP15, à COP16,...:
«"Mas houve alguns peritos que participaram nessa conferência e que se aperceberam de que tudo aquilo não passava de fachada. Por pequenos pormenores de conversas entre delegações e pela forma como cada delegação enunciava generosas intenções gerais, mas evitava comprometer-se em medidas específicas que envolvessem custos, esses especialistas chegaram à conclusão de que, na hora da verdade, os políticos iriam roer a corda e adiar o problema, atirá-lo para os seus sucessores."»

Assim, e não desprezando o importante  trabalho das ONGA's e de alguns políticos verdadeiramente empenhados, uma coisa é certa: não podemos esperar que sejam os líderes mundiais a tratar das reduções de emissões, pois a bola está mesmo do nosso lado, já que a maioria deles, nem à defesa sabe jogar este jogo decisivo para o futuro. O jogo deles é outro, e joga-se com dólares, armas e petróleo.

sábado, 11 de Dezembro de 2010

"Não é o fim do mundo, apenas o fim do consumismo"

"A sociedade está prestes a sofrer uma mudança forçada, a curto prazo, porque o consumo de energia e economia são quase a mesma coisa. E estamos prestes a deixar de ter a energia barata que permitiu a expansão económica descontrolada do século passado.

Existe por aí um mito, diz Krumdieck, que em cada década, tem havido crescimento económico porque nos tornamos colectivamente mais inteligentes e mais produtivos. Se tudo é maior, melhor e mais brilhante, então, foi merecido.

No entanto, na verdade, o que fizemos foi desenterrar e queimar cada vez mais combustíveis fósseis. O gráfico de consumo de energia do mundo e o seu produto interno bruto (PIB) são duas linhas paralelas. Então, desça ao âmago da questão, à razão de tudo. Conversão do petróleo ou do carvão em sapatos, hambúrgueres, telemóveis e SUV’s.

No entanto, está a chegar o ajuste de contas. Os limites ecológicos do crescimento estão à vista. As alterações climáticas e a sobre-população.  E, de forma mais imediata, o pico do petróleo."

Tradução (livre) de parte do artigo "End of Consumerism", obtido em The Oil Drum . Negrito e sublinhado meu

Não vai ser o fim do mundo, mas vai ser o fim da civilização como a conhecemos. E não vai ser fácil, nada fácil, sobretudo para as comunidades e países que não fizerem a Transição para um modo de vida menos dependente do petróleo...

sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010

Carros eléctricos em Portugal

Embora pouco se note, este ano de 2010 a rede de mobilidade eléctrica em Portugal começou a dar os primeiros passos.

Em 26 de Abril foi publicado Decreto-Lei n.º 39/2010, que "regula a organização, o acesso e o exercício das actividades de mobilidade eléctrica e procede ao estabelecimento de uma rede piloto de mobilidade eléctrica e à regulação de incentivos à utilização de veículos eléctricos". A rede de mobilidade eléctrica é definida como "o conjunto integrado de pontos de carregamento e demais infra-estruturas, de acesso público e privativo, relacionadas com o carregamento de baterias de veículos eléctricos". Este decreto-lei estabelece o "regime de exercício da comercialização de electricidade", bem como o "regime de exercício da operação de pontos de carregamento para a mobilidade eléctrica", e estabelece a obrigatoriedade de inclusão de pontos de carregamento nos lugares de estacionamento em edifícios novos. Prevê também um incentivo "de € 5000 à aquisição, por pessoas singulares, dos primeiros 5000 veículos eléctricos automóveis ligeiros novos".

A rede piloto de pontos de carregamento (a implementar até 2012) está em expansão, e pode ser consultada no site da Mobi.e.

Enquanto decidem e não decidem quais os veículos eléctricos  que serão "importados" e que na realidade terão incentivos, uma empresa em Fafe, a InCharge - Soluções de Mobilidade Sustentáveis, está a fabricar o primeiro carro eléctrico produzido em série em Portugal, o Little 4.  
Este carro, de tecnologia francesa,  incorpora 65% de componentes de fabrico nacional, e não teve apoios na implementação do projecto. Em Portugal, não há nenhum incentivo à sua compra. No entanto, em Espanha tem um incentivo de 2935€ a 3135€, em função do modelo, e em França com 2000€.

O Little 4 foi homologado como quadriciclo pesado (e como tal, não pode circular em auto-estradas),  tem uma autonomia de 100 quilómetros, gasta 0,80€ por 100 km (e pode ser carregado numa tomada normal), custa cerca de 15.000€ e é comercializado pela JCI- Ecoveículos (Porto).
 

Dia Internacional dos Direitos Humanos

Hoje, dia 10 de Dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. Apesar de Liu Xaobo não ter ido a Oslo receber o Prémio Nobel da Paz, por se encontrar prisioneiro na China (ver A Nossa Candeia: aqui, aqui e aqui), deixo aqui este vídeo da Amnistia Internacional para comemorar com esperança.

quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Uma num milhão contra os OGM

"Um milhão de cidadãos europeus contra os Organismos Geneticamente Modificados (OGM). Foram necessários nove meses para que a Greenpeace e o movimento Avaaz recolhessem as assinaturas e entregassem a primeira Iniciativa de Cidadania Europeia, criada pelo Tratado de Lisboa.
A petição foi entregue a John Dalli, comissário europeu para a Saúde, depois de Durão Barroso ter recusado recebê-la em mão própria."
Veja o resto da notícia e a reportagem na Euronews, o blogue Zona Livre de OGM e o site da Greenpeace

quarta-feira, 8 de Dezembro de 2010

Só Energia na TV Energia

No passado mês de Julho, a RTP2 exibiu a primeira série do "SÓ ENERGIA", um programa que "tem como objectivo promover a eficiência no consumo de energia, através da sensibilização da sociedade portuguesa para novos comportamentos e estilos de vida mais sustentáveis. Pretende igualmente acelerar a introdução de tecnologias energéticas mais eficientes nas empresas. Só Energia resulta de uma parceria entre a RTP e o IdMec do Instituto Superior Técnico. É produzido pela Tools To Change. A apresentação é de Vasco Matos Trigo e Sónia Borges. A coordenação é de Vasco Matos Trigo e Vasco Guedes Ferreira." O programa "SÓ ENERGIA" foi exibido de segunda a sexta, às 19 horas. 

Infelizmente, por causa da hora, não vi na altura nenhum episódio. Felizmente, todos os 13 episódios estão disponíveis na TV ENERGIA. A TV Energia é o primeiro canal português transmitido em full screen e em formato HD na Internet. Já vi alguns episódios e gostei muito do programa.  Embora o enfoque principal do programa esteja na redução do consumo de energia, os temas abrangem muitas e diversas áreas do desenvolvimento sustentável. Para ver os programas Só Energia clique no link ou na imagem, e vá ao separador, em baixo, "SO ENERGIA".
 
Programas como este Só Energia, ou como o Biosfera, não só mereciam ser passados em horário nobre, como é essencial que assim seja. E não era assim difícil  - por quê e para quê gastar tanto tempo, no telejornal, com o futebol? Quem lucra com isso? Que critério de qualidade é esse?  No caso da televisão pública, se a RTP quer mesmo contribuir para a sustentabilidade e consumo eficiente de energia, porque privelgia o futebol e a repetição de notícias até à exaustão, em vez de colocar programas como o Biosfera ou o Só Energia em horário de maior audiência?

domingo, 5 de Dezembro de 2010

Sepp Holzer na Maia, e os OGM's

"Os políticos que querem impor culturas de organismos geneticamente modificados, não deviam estar nos governos, mas na cadeia, porque isso é crime"

Esta é a frase que destaco, dita hoje na Maia, pelo austríaco Sepp Holzer, talvez o permacultor mais famoso do mundo, ou pelo menos, do hemisfério norte, e que foi estrondosamente aplaudida, num excelente seminário organizado pela Quercus e por Tamera.
Sepp Holzer e a sua "quinta" na montanha são a  demonstração prática de que a agricultura com a natureza é muito mais produtiva  do que a agricultura contra a natureza que se vem praticado nos últimas décadas (para além de ser saudável para nós e para o ambiente).

O auditório, para 150 pessoas, estava cheio, e pelas reacções, que presenciei, não fui a única a gostar da palestra - foi esclarecedora, e foi excelente.  Gostaria muito de conseguir resumir o que ele disse, mas é me impossível, por isso deixo o resumo feito pelo próprio:
  
"É possível a criação de paraísos na terra, sob quaisquer condições. Não existem catástrofes naturais, apenas catástrofes humanas. A seca, as inundações e os fogos são causados por gerações de pessoas que foram perdendo o seu contacto com a natureza. No sentido de corrigir os erros do passado grandes passos têm de ser dados e temos de aprender a comunicar novamente com a natureza.  
(…) A permacultura holzeriana pressupõe um arranjo paisagístico em sentido amplo: corrigir os erros do passado, possibilitar as simbioses criadas pelas acções recíprocas, deixar a natureza trabalhar, recuperar os ciclos naturais. Nesta palestra mostrarei como esta dinâmica é possível e como e onde já acontece “   Sepp Holzer

sábado, 4 de Dezembro de 2010

Agricultura Biológica: "O cluster da terra" - por Luísa Schmidt

Os seguintes parágrafos são extraídos do artigo de Luísa Schmidt publicado no semanário Expresso de 27 de Novembro de 2010, e  disponível na página do Expresso. Aconselho à leitura integral do texto.

"O cluster da terra" - por Luísa Schmidt

"Um velho arcaísmo mental, tantas vezes mal-intencionado, lançou uma estranha aura sobre a chamada agricultura biológica. À volta dela não faltam as ironias. Há sempre uns espertos enérgicos a sacudi-la como se ela não passasse de um obscurantismo hippie dos anos 60.

A agricultura biológica, ou seja, produzida sem pesticidas de síntese, sem fitofármacos, e praticada em solos não contaminados, é não só saudável como não polui águas e terras. Muitas vezes os seus produtos enquadram-se mal na normalização que desgraçadamente nos foi imposta durante anos na pós-adesão à UE. Como se o destino de toda a produção agrícola fosse uma linha de montagem e a automação do mercado. Foi assim, por exemplo, que se arrancaram milhares de pomares de macieiras autóctones (camoesa, bravo-de-esmolfo, etc.) para nos porem a comer insípidas maçãs golden todas calibradas por igual. 
...
Comparem-se apenas as políticas de promoção da agricultura biológica e das respetivas fileiras de transformação num país como a Áustria e num país como Portugal. O abismo é imenso. Os governos austríacos têm promovido uma verdadeira ofensiva estratégica a este nível - informação, promoção, incentivos de vária ordem, apoio na ligação ao mercado, etc. Por cá, nada, ou quase... 

E não se diga que o problema é não haver em Portugal quem se dedique à agricultura biológica. Passa-se exatamente o contrário: há cada vez mais produtores de sucesso nesta área, e cada vez mais gente a querer dedicar-se a ela. Mesmo com dificuldades, já se exporta.
...
O Estado, nos tempos que correm, não pode desperdiçar o próprio país. E todos os horizontes viáveis são igualmente importantes: temos (finalmente!) o cluster do mar. Precisamos do cluster da terra. Uma terra que ficará duplamente grata: pela excelência do uso que lhe é dado através da agricultura biológica e pelo inestimável benefício que traz a qualquer território o cultivo e o cuidado das suas paisagens."

sexta-feira, 3 de Dezembro de 2010

Hortas na escola

Sem mais palavras: o melhor é ver estes dois exemplos que juntam aproveitamento de espaço, educação, alimentação saudável, hortas, criatividade, ....





Só é preciso vontade, criatividade, curiosidade, ... e podemos ter hortas no quintal, na varanda, no telhado, no terraço, na janela, na parede... (imagens pescadas na internet)


 
 

 
 
  

quarta-feira, 1 de Dezembro de 2010

Melhorar o mundo na escola - CONCURSO

Hoje em dia, as escolas, através das matérias de ciências da natureza e geografia, vão transmitindo conceitos de ecologia e dos limites do planeta às crianças e adolescentes. Nas disciplinas não curriculares, como Área Projecto, por vezes são também abordados temas relacionados com o ambiente e com a sustentabilidade. Pontualmente, actividades ajudam alguns alunos a compreender os limites do planeta. No entanto, se bem que nos primeiros anos de escolaridade a escola têm tido um impacto positivo, sendo as próprias crianças a induzirem os pais a um maior respeito pelo ambiente, na adolescência, a maioria dos jovens desinteressa-se. Talvez fruto da idade. Ou talvez fruto do exemplo que vêem em casa e à sua volta - os maus exemplos são sempre mais aliciantes...

E não se trata apenas do respeito pelo planeta e do entendimento dos seus limites. Trata-se também do respeito pelas outras pessoas, da compreensão dos males da sociedade, do sentir que fazem parte importante da mesma e nela devem participar, contribuindo para a sua mudança para melhor. Mas a acelerada vida moderna não dá espaço para reflexão. E o ensino está longe de colocar os jovens a pensar com a sua cabeça, com a sua alma - mecanizou-se.

Para piorar a situação, o Ministério da Educação pretende acabar com a Área Projecto, praticamente a única disciplina que promove a criatividade e a participação activa das crianças e adolescentes. Um erro crasso, na minha opinião. Se a disciplina está a funcionar mal, ponham-na a funcionar bem, não a sacrifiquem a favor das "disciplinas de estudo".

Está difícil compreender que a escola são os alunos, são os professores, são as pessoas, não os edifícios nem os computadores, nem sequer os livros.  A escola deve servir para mudar o mundo no bom sentido, não para perpetuar os erros. A escola precisa de inspiração e de inspirar.

Por isso, o primeiro concurso, lançado hoje neste blogue, em simultâneo com o blogue parceiro Famalicão por um Mundo Melhor, tem como tema “Melhorar o mundo na escola”. Sugiro, como inspiração, três excelentes vídeos relacionados com o tema. Dois deles são as palestras de Ken Robinson no TED (aqui e aqui), e o terceiro é o inspirador exemplo prático que vem da Índia, de Kiran Bir Sethi, cujo testemunho também no TED  fica aqui incorporado (também tem a opção de legendas em português):



O concurso tem como alvo preferencial a comunidade escolar (alunos e professores), embora esteja aberto a quem quiser participar, e consiste no seguinte:

1. Elaboração de um texto subordinado ao tema “Melhorar o mundo na escola”. O objectivo é que surjam ideias novas que sejam exequíveis nas escolas e que permitam aos alunos estarem preparados para ajudar a mudar a sociedade para melhor, conscientes dos valores éticos de respeito pelos outros e pelos limites do planeta, de forma a que a escola os ajude a crescer com responsabilidade ambiental e social. Não será obrigatório que se trate de ideias inéditas, podem ser apontados bons exemplos que já se apliquem em algum lugar com sucesso.

2. O texto deve ter um máximo de 300 palavras, deve ser escrito em língua portuguesa e em linguagem clara e acessível, e deve ser enviado para famalicaom@gmail.com até ao dia 20/12/2010.

3. Procederei a uma pre-selecção de 5 textos, que serão publicados aqui no blogue ficando a concurso. Dependendo da adesão e da qualidade/inovação dos textos, poderei diminuir ou aumentar o número de textos a publicar e a concorrer.
4. Os textos seleccionados serão publicados, pela ordem de chegada,  a partir do dia 21 até ao dia 23/12/2010, e serão sujeitos a votação através de comentários, até ao dia 30 (será melhor explicado na altura própria).

5. O prémio para o texto mais votado, a anunciar no dia 31/12/2010, será o livro "Desenvolvimento Sustentável - Uma Introdução Crítica", de Valdemar Rodrigues, excelente livro que este blogue recomenda, e que será enviado por correio em Janeiro de 2011.

6. O autor do texto deverá identificar-se no e-mail. No entanto, se assim o solicitar, poderá usar pseudónimo para publicação. Ao vencedor será solicitada a morada para envio do prémio. Caso não indique, será enviado ao segundo mais votado.