quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Um milhão de assinaturas pela informação sobre OGM

Já há mais de um milhão de assinaturas da petição conjunta da Avaaz e da Greenpeace para a suspensão da introdução de culturas de alimentos geneticamente modificados na Europa, de modo que já é possível fazer um pedido legal oficial à Comissão Europeia.

Obrigada a todos quantos assinaram (já tinha apelado aqui e aqui). Mas se ainda não assinou, torne a petição ainda mais forte juntando o seu nome (clique nas ligações). Nesta difícil batalha em que a informação escasseia, quantas mais vozes, melhor! 

São o ambiente, a biodiversidade, a liberdade dos agricultores e a nossa saúde que estão em jogo contra os interesses de lucro das indústrias produtoras de sementes transgénicos e dos respectivos e potentes herbicidas!

terça-feira, 28 de Setembro de 2010

Dia 15 de Outubro fale no seu blogue sobre a ÁGUA

O Blog Action Day é um evento anual que une os bloggers do mundo na abordagem de um mesmo assunto no mesmo dia  (15 de Outubro) com o objectivo de difundir a discussão em volta de uma questão da importância global. Um dia. Um tema. Milhares de vozes.

Em 2010, o Blog Action Day  tem como tema a Água, tema este escolhido por votação na blogosfera.

Actualmente,  quase 900 milhões  de pessoas no planeta não têm acesso à água limpa e potável,  estando sujeitos a doenças evitáveis e à morte. Quase 40% da população mundial, 2,6 mil milhões de pessoas, não têm acesso a condições sanitárias adequadas. A cada ano, a falta de higiene e acesso a água potável mata cerca de 1,5 milhão de crianças com menos de cinco anos de idade.
O acesso a água potável não é apenas uma questão de direitos humanos. É uma questão ambiental. Uma questão de bem-estar animal.  Uma questão de sustentabilidade. A água é um tema  global e afecta-nos a todos. (Fontes: Blog Action Day, Radio ONU)

Dia 15 de Outubro, se tem um blogue, seja dedicado a que tema for, fale da água. Registe-se aqui para o evento.


Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

domingo, 26 de Setembro de 2010

Cidadania Activa no Brasil - FICHA LIMPA

Pergunta de retórica: porque é que os deputados da Assembleia da República em Portugal têm mais direitos e menos obrigações do que os que autarcas (por exemplo, regime de incompatibilidades, número máximo de mandatos, reformas, etc.)?

Quando os políticos se esquecem, não querem ou não lhes convém legislar sobre assuntos em que sentem que poderão ser "prejudicados", nada como a acção popular para desencadear uma onda de cidadania que os ponha em sentido. Como exemplo, veja-se o caso Ficha Limpa no Brasil, que acabou, finalmente,  com a possibilidade de qualquer criminoso condenado se candidatar a cargos políticos. Parabéns aos mais de 1.3 milhões de brasileiros que assinaram pelo Ficha Limpa.

"O QUE É FICHA LIMPA

O projeto Ficha Limpa é uma campanha da sociedade civil brasileira com o objetivo de melhorar o perfil dos candidatos e candidatas a cargos eletivos do país. Para isso, foi elaborado um Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a vida pregressa dos candidatos com o objetivo de tornar mais rígidos os critérios de quem não pode se candidatar - critérios de inelegibilidades.

A iniciativa popular é um instrumento previsto em nossa Constituição que permite que um projeto de lei seja apresentado ao Congresso Nacional desde que, entre outras condições, apresente as assinaturas de 1% de todos os eleitores do Brasil.

O projeto Ficha Limpa circulou por todo o país, e foram coletadas mais de 1,3 milhões de assinaturas em seu favor – o que corresponde a 1% dos eleitores brasileiros. No dia 29 de setembro de 2009 foi entregue ao Congresso Nacional junto às assinaturas coletadas.

O MCCE, a ABRACCI e cidadãos de todo o país acompanharam a votação do projeto de lei na Câmara dos Deputados e no Senado e, no dia 4 de junho de 2010, foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Lei Complementar nº. 135/2010, que prevê a lei da Ficha Limpa."  (Fonte: Ficha Limpa)

Em questão e em "suspenso" no Supremo Tribunal está agora a aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa às próximas eleições de Outubro

A ver a reportagem para televisão de André Trigueiro sobre o Ficha Limpa e a acção que tem vindo a ser desencadeada a favor da transparência e voto consciente no Brasil, que pesquei no blogue "Cidades e Soluções".

quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

Atrazina

A atrazina é um herbicida usado desde há cerca de 5 décadas em culturas como milho e cana de açúcar, entre outras. Segundo a PAN Pesticide Database, além de ser um produto tóxico, é um contaminante das águas subterrâneas (logo, da água potável) e é carcinogénico. Novos estudos apontam também para  a sua responsabilidade em defeitos congénitos.

Razões mais do que suficientes para ser banido. Na Europa, foi proibido em 2004 (Directiva 2004/248/CE), sendo que em Portugal a proibição foi "atrasada" até 2007. No entanto, ainda no princípio deste ano, e apesar de proibidos, estavam por cá  à venda dois herbicidas à base de atrazina: o Graminex A da Bayer e o Lasso MT da Monsanto. Desconheço se tal situação se mantém, mas pelo menos os respectivos links indicados pelos sites onde encontrei esta informação, foram removidos. 

Pior é o que se passa em outros países, como o Brasil e os Estados Unidos, onde continua a ser comercializado livremente. INADMISSÍVEL. 

Apelo pois, a que ajudem os americanos a libertarem-se deste veneno: assinem a petição da iniciativa do  Breast Cancer Site à EPA (US Environmental Protection Agency), para PROIBIR O USO DE ATRAZINA.



Já agora, um desabafo: não sei bem a quem serve a EPA, mas desconfio...

terça-feira, 21 de Setembro de 2010

Sobre Biodiversidade - mensagem de Edward Norton


"A ideia de que o crescimento económico é independente da saúde ambiental e de que a humanidade pode expandir indefinidamente sua economia é uma falsa e perigosa ilusão"

Esta é uma frase de biólogos da Universidade de Stanford na Califórnia, citada por Edward Norton, Embaixador de Boa Vontade das Nações Unidas para a Biodiversidade, num artigo produzido para o Terramérica intitulado "A teia da vida está-se desfazendo" que encontrei no blogue da Liete Alves "Minha Casa Meu Mundo", do qual transcrevo uma parte e que aconselho a ler na íntegra:

"Se para algo serviu a tragédia do vazamento de petróleo no Golfo do México foi para recordar ao mundo que a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas não são abstratos conceitos científicos. A diversidade biológica e o bom estado dos ecossistemas são a base vital da sociedade humana e devemos defendê-los já dos muitos perigos que os cercam.
A produção de alimentos e energia na terra e no mar, o turismo, a construção e muitas outras indústrias e atividades mostram ser muito destrutivas dos hábitats marinhos e terrestres. E, embora o estreito vínculo entre a variedade de formas de vida vegetal e animal e o bem-estar humano se compreenda melhor agora do que nunca, são sombrias as notícias sobre o insuficiente esforço mundial para preservar a biodiversidade do planeta.
...
O compromisso e a educação são aliados para lutar contra estas ameaças. Mas somente uma dedicação mundial mais profunda e uma ação concertada de todos os Estados servirão para deter e provavelmente reverter essas intimidantes tendências."



Ligações sugeridas por Edward Norton: http://www.crowdrise.com/, http://www.cbd.int/

domingo, 19 de Setembro de 2010

Levantando a voz contra a fome




É intolerável que existam ainda cerca de mil milhões de pessoas no mundo a passar fome crónica, quando se desperdiça tanto, e quando as nações gastam tanto dinheiro mal gasto, como por exemplo, em armamento.

Por isso apelo mais uma vez a que "Faça pressão sobre os políticos para acabar com a fome. Assine a petição, e reivindique acção onde quer que esteja".

Assine esta petição global, e também a petição nacional para que o Governo Português "cumpra as promessas que fez e que influencie positivamente os outros Governos para fazer o mesmo"

sábado, 18 de Setembro de 2010

Hoje o Porto levanta-se contra a pobreza

LEVANTA-TE! PORTO
Marcha pela cidade do Porto a convergir na Avenida dos Aliados (Saída do ISEP.IPP, 14 horas)

Organizada em conjunto pelas entidades associadas ao Levanta-te Porto e as associações académicas do Porto, será realizada uma marcha a partir de pontos diferentes da cidade que culminará na Avenida dos Aliados, com uma marcha conjunta até à Cordoaria. Nesta marcha os/as participantes levarão uma t-shirt com 8 cores diferentes estampadas com os 8 ODMs. Resto do programa aqui.

sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Lâmpadas economizadoras - campanha de troca e cuidados a ter

A EDP, em parceria com a Sonae, está a promover uma campanha de troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo. Por cada lâmpada incandescente, a EDP dá duas eficientes. A campanha decorre até 4 de Outubro nos supermercados e hipermercados Modelo e Continente e nas lojas da EDP. De acordo com a EDP, as lâmpadas economizadoras gastam s cinco vezes menos do que as lâmpadas incandescentes e duram, em média oito vezes mais.  (Fontes: Expresso, EDP)

É urgente baixar os consumos energéticos, pois uma grande parte da electricidade que consumimos vem, infelizmente, de centrais térmicas com elevados níveis de emissões de gases com efeito de estufa, e trocar lâmpadas incandescentes por economizadoras, é uma forma de reduzir os consumos de electricidade. 

No entanto, há que estar atento: as lâmpadas economizadoras em causa, fluorescentes, contém pequenas quantidades de vapor de mercúrio, um metal tóxico. No caso de partirem, são perigosas e devem ser tratadas com muito cuidado (ver aqui o vídeo com os cuidados a ter). 

São estes os conselhos da Agência do Ambiente Britânica (através da BBC) para o caso de uma lâmpada fluorescente partir:
  • abra a janela e abandone o local pelo menos 15 minutos
  • não use o aspirador, mas uma vassoura, com cuidado para não inalar as poeiras
  • use luvas de borracha
  • deite os restos num saco de plástico e feche-o bem
  • leve a um local próprio para a sua deposição: informe-se na sua autarquia onde. NÃO as deite no lixo comum.
Pela mesma razão, as lâmpadas que já não funcionam não devem ser deitadas ao lixo comum, mas levadas para um local próprio, para reciclagem

No Município de Vila Nova de Famalicão, a gestão deste tipo de resíduos cabe à AMAVE (Associação de Municípios do Vale do Ave), através do SIRVA (Sistema Intermunicipal de Resíduos do Vale do Ave).  As lâmpadas fluorescentes, de baixo consumo ou não, devem ser depositadas, no fim de vida, no Ecocentro de Esmeriz.

Na sequência de um comentário de Voz a 0db, que agradeço, acrescento ao post o site da Amd3E que indica os locais de deposição de lâmpadas fluorescentes: aqui.

segunda-feira, 13 de Setembro de 2010

HPI - O Índice de Felicidade do Planeta (Happy Planet Index)

Há um país, o Butão, que desde 1972 prefere medir o seu grau de desenvolvimento, não com o PIB, mas com o FIB - Felicidade Interna Bruta, uma nova maneira de avaliar a riqueza de um país que tem em consideração não só os aspectos económicos, mas também os ambientais, culturais, psicológicos e espirituais. Não parece muito mais justo e sério que o PIB?

Entretanto, surge o HPI (Happy Planet Index ou Índice de Felicidade do Planeta), uma medida do desenvolvimento das comunidades ou países que leva em linha de conta três factores fundamentais: a esperança de vida (saúde), a satisfação com a vida (felicidade), e a pegada ecológica (ambiente).

Não percam a excelente palestra de Nic Marks no TED, sobre o Happy Planet Index - um novo modo de avaliar o desenvolvimento (legendas em inglês, francês, italiano e espanhol). Temos de saber e divulgar para exigir esta mudança aos políticos.



Os resultados estão tão longe de se relacionar com o PIB, que não podemos deixar de concordar com o professor Valdemar Rodrigues quando diz que o PIB é uma falácia. Com base no relatório Happy Planet Index 2.0, a Costa Rica é o país mais feliz do mundo. No entanto, consome apenas 1/5 dos recursos  per capita) em relação aos Estados Unidos ou à Europa Ocidental.

Vejamos então como ficam ordenados alguns dos 143 países analisados em termos de HPI:
  • 1º - Costa Rica
  • 2º - República Dominicana
  • 3º - Jamaica.
  • 9º - Brasil
  • 20º - China
  • 43º - Holanda (o país mais feliz da Europa)
  • 74º - Reino Unido
  • 75º - Japão
  • 76º - Espanha
  • 89º - Canadá
  • 98º - Portugal
  • 102º - Austrália
  • 114º - Estados Unidos da América
  • 130º - Angola
  • 133º - Moçambique
  • 141º - Botswana
  • 142º - Tanzânia
  • 143º - Zimbábue
Não concordam que está mais que na hora de o desenvolvimento dos países ser feito com o HPI  e não com o enganador PIB?  Não concordam que está mais que na hora de acabar com a supremacia da economia?

domingo, 12 de Setembro de 2010

ODM - Objectivos de Desenvolvimento do Milénio

10 anos depois de estabelecidos os objectivos do milénio, e a apenas 5 anos da  data prevista para os atingir, em 2015, a perspectiva de um grande falhanço é muito real, e isto nas palavras do Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon.

Esperemos que a cimeira mundial sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM ), nos próximos dias 20 a 22 de Setembro, em Nova Iorque,  para além de analisarem o  diagnóstico da situação, proponham novas medidas e esforços eficazes para reverter a situação, não se escudando mais na crise económica.

Não nos esqueçamos, no entanto, que nesta missão não há espectadores, todos somos jogadores.



"Em Setembro de 2000, os dirigentes mundiais reunidos na Cimeira do Milénio reafirmaram as suas obrigações comuns para com todas as pessoas do mundo, especialmente as mais vulneráveis e, em particular, as crianças do mundo a quem pertence o futuro. Comprometeram-se então a atingir um conjunto de objectivos específicos, os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, que irão guiar os seus esforços colectivos nos próximos anos no que diz respeito ao combate à pobreza e ao desenvolvimento sustentável."

OS OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÉNIO
Até 2015, os 189 Estados Membros das Nações Unidas comprometeram-se a:

1. Erradicar a pobreza extrema e a fome
• Reduzir para metade a percentagem de pessoas cujo rendimento é inferior a 1 dólar por dia.
• Reduzir para metade a percentagem da população que sofre de fome.
2. Alcançar o ensino primário universal
• Garantir que todos os rapazes e raparigas terminem o ciclo completo do ensino primário.
3. Promover a igualdade de género e a autonomização da mulher
• Eliminar as disparidades de género no ensino primário e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis, até 2015.
4. Reduzir a mortalidade de crianças
• Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade de menores de cinco anos.
5. Melhorar a saúde materna
• Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna.
6. Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças
• Deter e começar a reduzir a propagação do VIH/SIDA.
• Deter e começar a reduzir a incidência de malária e outras doenças graves.
7. Garantir a sustentabilidade ambiental
• Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas nacionais; inverter a actual tendência para a perda de recursos ambientais.
• Reduzir para metade a percentagem da população sem acesso permanente a água potável.
• Melhorar consideravelmente a vida de pelo menos 100 000 habitantes de bairros degradados, até 2020.
8. Criar uma parceria global para o desenvolvimento
• Continuar a desenvolver um sistema comercial e financeiro multilateral aberto, baseado em regras, previsível e não discriminatório. Inclui um compromisso em relação a uma boa governação, ao desenvolvimento e à redução da pobreza,tanto a nível nacional como internacional.
• Satisfazer as necessidades especiais dos países menos avançados. Inclui o acesso a um regime isento de direitos e não sujeito a quotas para as exportações dos países menos avançados, um programa melhorado de redução da dívida dos países muito endividados, o cancelamento da dívida bilateral oficial e a concessão de
uma ajuda pública ao desenvolvimento mais generosa aos países empenhados em reduzir a pobreza.
• Satisfazer as necessidades especiais dos países em desenvolvimento sem litoral e dos pequenos estados insulares.
• Tratar de uma maneira global os problemas da dívida dos países em desenvolvimento através de medidas nacionais e internacionais, a fim de tornar a sua dívida sustentável a alongo prazo.
• Em cooperação com os países em desenvolvimento, formular e aplicar estratégias que proporcionem aos jovens um trabalho digno e produtivo.
• Em cooperação com as empresas farmacêuticas, proporcionar acesso a medicamentos essenciais, a preços acessíveis, nos países em desenvolvimento.
• Em cooperação com o sector privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em particular os das tecnologias da informação e comunicação.

Para mais informações sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, pode consultar as páginas na Internet com os seguintes endereços:www.un.org/millenniumgoals, • www.undg.org/login.cf, • www.undp.org/mdg/" 
    O texto que antecede, a azul, foi obtido na página da UNICEF 

    quarta-feira, 8 de Setembro de 2010

    A falácia do PIB, por Valdemar Rodrigues

     


    Valdemar J. Rodrigues
    Prof. Universitário

    O conceito vigorante de PIB, ou produto interno bruto, usado por políticos e instituições como indicador do bem-estar económico de um país ou região, é uma daquelas falácias com que todos vivemos habitualmente mas que, na perspectiva social e ambiental, não significa necessariamente nada de bom ou de positivo. O crescimento do PIB, tão desejado pelos economistas e líderes políticos, ou o seu decréscimo, tão temido, não têm qualquer relação objectiva com o bem-estar individual das pessoas ou com a correspondente “saúde” das economias. Desde logo porque o PIB pode perfeitamente subir pelas piores razões (por exemplo à custa da desgraça humana, do desperdício de recursos ambientais e energéticos, ou do aumento dos negócios nas grandes empresas e grupos económicos, em detrimento dos negócios das pequenas e médias empresas). E pode também descer pelas melhores razões: melhor distribuição da riqueza (por exemplo através de uma maior justiça fiscal), melhor racionalidade na utilização dos recursos (por exemplo, o aumento das vendas de bens usados é algo que não contribui para o aumento do PIB, podendo pelo contrário diminui-lo, embora seja algo de bom e desejável numa sociedade consumista). Falar do PIB como persistem em fazê-lo os estados e as agências internacionais é algo que não é seguramente inocente.

    Há várias décadas que as escolas da Economia vêm investigando e propondo sem sucesso fórmulas de correcção do PIB, de modo a torná-lo mais realista. Fórmulas que tenham nomeadamente em conta os custos e benefícios sociais e ambientais do crescimento económico, algo que consensualmente não significa desenvolvimento, e muito menos o tão apregoado desenvolvimento sustentável. Embora nas mais diversas áreas esteja há muito a ser aplicado o princípio do utilizador-pagador, com todos os problemas e limitações que são conhecidos (o caso do mercado do Carbono é um bom exemplo), e de forma muito diferencial e heterogénea, o facto é que, concordemos ou não com os métodos propostos para aumentar a “eficiência económica”, continua a não haver uma valorização económica apropriada de muitos elementos ambientais e sociais de que as sociedades actualmente dispõem, ou para os quais contribuem. Duvido aliás que tal esforço seja possível de realizar com sucesso, visto a questão ser sobretudo de índole ética ou moral, e não puramente económica. Quanto vale uma vida humana? Qual o valor monetário da natureza ou dos bens que ela nos proporciona? Estas questões não podem ser tratadas exclusivamente pela ciência económica usando os seus métodos de valorização monetária, como actualmente se pretende fazer crer e impor como regra. Acresce a persistente dificuldade na valorização monetária de males sociais como o desemprego, a guerra, o terrorismo, a corrupção, ou toda a espécie de tráficos que actualmente afligem as sociedades humanas, e para os quais não existem sequer metodologias rigorosas de avaliação, quanto mais valorizações monetárias. Se uma sociedade é corrupta e o seu PIB cresce vertiginosamente, será isso bom ou mau? Ora, para o sistema actual isso é reconhecidamente uma coisa boa.

    É no mínimo estranho que continuem a ser publicadas periodicamente estatísticas económicas que pura e simplesmente ignoram os custos sociais e ambientais do crescimento económico. Isto ao mesmo tempo que um sistema económico-financeiro rapace desvia as suas atenções para o mercado emergente (e gigantesco) do Carbono, e saliva perante a possibilidade de “monetarizar” os bens e os “serviços do ecossistema” que a natureza ainda oferece “graciosamente” ao homem. Quantas bolhas de Carbono virão daqui a alguns anos por aí, com os inevitáveis prejuízos para a humanidade e para o ambiente quando rebentarem? Talvez já não estejamos cá para ver o dia em que a natureza passe a ser propriedade privada e exclusiva de grandes empresários e banqueiros, connosco a ter de pagar mensalmente pelos metros cúbicos de ar respirado ou pelos milímetros de precipitação chovidos no nosso quintal, se ainda for possível haver quintal (nesse caso teremos de pagar um adicional pela passagem das aves migratórias, dado o contributo para o valor da paisagem que isso representa) – este seria o sonho económico de muita gente. Alguns pensarão sobre isto: «mas que tamanha estupidez!». Só que a estupidez humana, contrariamente à inteligência, é infinita. E tende a crescer, exactamente pela mesma ordem de razões que fazem com que o PIB actualmente ainda cresça.


    Lisboa, 8 de Setembro de 2010

    Campanha "Pense na Amazónia"

    Todos sabemos desde a escola primária que a Amazónia é o pulmão do mundo. Imensa área de floresta tropical, riquíssima em biodiversidade, fonte de oxigénio e de captura de carbono, berço de tantas comunidades nativas, a Amazónia é uma riqueza de todos nós que cada dia fica mais pobre com a enorme desflorestação que ocorre todos os dias. O chamado "desmatamento", que só em Julho de 2010 foi de 485 km2, apesar de estar a "diminuir" de velocidade, continua a destruir a floresta Amazónica a um ritmo alucinante.

    Por isso, junto a minha voz ao Grupo de Blogueiros Ambientais e aqui divulgo a campanha Pense na Amazónia que lançaram no passado dia 5 de Setembro, dia da Amazónia, para a qual fizeram o seguinte vídeo:




    O texto que se segue é de Diêgo Lobo, do blogue "E esse tal Meio Ambiente?"

    "Hoje, 5 de Setembro, é o Dia da Amazônia. Apesar da redução do desmatamento, ainda é cedo para comemorar. Ainda temos um longo caminho de mobilização para percorrer. Pensando nisso, criamos uma Campanha que pudesse chamar a atenção das pessoas, dos brasileiros, sobre o que ainda vem acontecendo e o que pode acontecer se continuarmos tratanto este Bioma desta forma.
    Uma iniciativa do Grupo de Blogueiros Ambientais, grupo de discussão que criei com o intuito de reunir aqueles que escrevem sobre a temática ambiental. A ideia foi criar um vídeo e, a partir dele, divulgar a Campanha Pense na Amazônia. Além disso, estaremos, durante o decorrer da semana, usando no Twitter a hashtag #pensenaamazonia. Acompanhe os blogs participantes. Vamos lá, ajude a divulgar esta iniciativa. Pois queremos, juntamente com você, fazer a diferença"

    segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

    Colóquio da Transição 5 - Permacultura

    Este é o quinto vídeo do colóquio ""Transição para uma economia e cultura pós-carbono", que ocorreu no passado dia 10 de Abril de 2010 em Pombal. A apresentação é do biólogo David Avelar.

    Retendo dois pontos chave da apresentação:
    • "Permacultura  - sistema de planificação e criação de habitats humanos que mimetizam as relações encontradas na natureza." 
    • "Objectivos: Cuidar da Terra, cuidar das pessoas, estabelecer limites de consumo, de população, e equidade inter e intrageracional."



    Colóquio da Transição 5 Permacultura from João on Vimeo.

    sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

    Conferência GLOCAL 2010 – Pensar Global, Agir Local

     
    Conferência Internacional de Agenda 21
    e Sustentabilidade Local

    "A GLOCAL 2010Pensar Global, Agir Local será, à semelhança da GLOCAL 2009, uma conferência internacional de Agenda 21 Local e outros modelos e instrumentos de sustentabilidade local e cidadania activa, com o objectivo de actualizar conhecimentos, trocar experiências e divulgar resultados. A organização cabe à Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e à Câmara Municipal de Cascais, convidando-se a LIPOR e a maismomentos para serem parceiras nesta edição.
     
    Destina-se a todos o que sabem o que é uma A21L e para todos os que querem saber, sejam decisores políticos, técnicos, educadores, investigadores, activistas ou empresários, desde que empenhados em construir um mundo melhor.

    A GLOCAL 2010 terá lugar na Área Metropolitana do Porto, nos dias 21 e 22 de Outubro. No dia 20 irá decorrer uma sessão restrita a decisores políticos. Na conferência serão apresentados os melhores exemplos nacionais e estrangeiros de planeamento participado, discutidas as estratégias para comunicar e educar para a sustentabilidade, sem esquecer o speed networking para alargar contactos e as visitas para sentir a cidadania activa.

    A GLOCAL 2010 irá centrar-se no futuro da Agenda 21 Local num mundo em rápida mudança, preparando a Conferência da Terra 2012 (Rio+20) e assinalando o nascimento da Rede Nacional de Agenda 21 Local."

    Programa (provisório) aqui, inscrição aqui. Fonte: GLOCAL2010

    quinta-feira, 2 de Setembro de 2010