sexta-feira, 28 de maio de 2010

O preço do coltan

O coltan é a abreviatura de um minério composto por Columbita (COL) e Tantalita (TAN),. É usado em aparelhos electrónicos, como telemóveis e computadores portáteis, e é conhecido como o "ouro azul" pela elevada procura que tem tido devido às suas propriedades físico-químicas, eléctricas e térmicas. Cerca de 64% das reservas mundiais de coltan estão na República Democrática do Congo (antigo Congo Belga).
A cobiça de alguns domina um país pobre, e o negócio do coltan tem servido para alimentar guerras entre grupos armados pela posse das minas, para explorar os trabalhadores que extraem o minério em condições primitivas e perigosíssimas, quase escravidão, e como mote para assassinatos e para as atrocidades mais inimagináveis.

Na reportagem que passou no canal Odisseia no passado dia 5, dá-se conta de um negócio sangrento em que o minério é pago a um preço ridículo aos que o extraem, é vendido pelos intermediários, a preços bem mais elevados, a comerciantes muitas vezes obscuros, que por sua vez os vendem aos fabricantes de aparelhos electrónicos. Muitos destes comerciantes são empresários belgas que vendem para a China aos que fabricam aparelhos para empresas como a Nokia e a Motorola, entre outras.

Veja abaixo o programa Falar Global sobre o assunto, com entrevista ao Dr. Fernando Nobre, em Fevereiro de 2009. Pode saber mais sobre este assunto na página de Friends of the Congo (inglês), no blogue ecopypaste (português), ou no relatório da Global Witness (francês e inglês).

Lembre-se que o custo do seu telemóvel ou do seu computador provavelmente é muitíssimo superior ao que pagou por eles, pois custaram vidas, torturas e escravidão. Por isso, tente usá-los durante a sua vida útil não comprando já um novo só porque é moda ou tem umas funcionalidades extra de que na realidade não precisa. Até porque o lixo electrónico produzido tem outros custos muito elevados.

4 comentários:

  1. Mais uma situação que eu desconhecia. Lamentável de facto.
    E a guerra pelo litio para as baterias também está prestes a rebentar. Esta gente só vai parar de esventrar a Terra quando chegarem ao magma !

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  2. Olá Eduardo

    Esventram a Terra e matam-se uns ao outros. Mas todos nós, confortavelmente (e na maioria dos casos sem saber ou sem querer saber), lá usamos os frutos desses trabalhos tão perigosos e mal pagos.

    A "globalização" tornou-se um monstro sem rosto que esmaga os mais indefesos e "cega" aqueles que não querem ver esse esmagamento.

    E a sociedade de consumo é o maior aliado desse monstro e dessa cegueira.

    É impressionante como uma grande parte das pessoas com quem convivo diariamente não sabe, nem quer saber, pois é muito mais cómodo que tudo "role" como tem rolado. E como no fundo, até não são más pessoas, intuitivamente "sentem" que se estiverem atentas, se virem, se pensarem, vão chegar à conclusão de que devem mudar. "Mas o novo telemóvel é tão giro..."

    É difícil, mesmo. Mas há sinais de esperança, porque pelo maio há sempre alguns que vão limpando as remelas e começando a enxergar, aos poucos. Lentamente.

    Como dizia alguém num comentário, no post "Da Democracia à Sustentabilidade", à velocidade lenta com que as mudanças (para melhor) ocorrem, é inevitável o colapso desta civilização.

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  3. Para mim isto é tudo menos novidade!
    Em 17Out09 escrevi sobre isto no "Tempo"... mas como poucos seguem... poucos sabem...

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  4. Olá Voz

    Claro que eu sei que para si não é novidade, acho que a primeira vez que "ouvi" falar do assunto foi lá no seu blogue, do qual sou uma das primeiras seguidoras. Mas confesso que não apanho tudo o que por lá passa, pois o seu ritmo é bastante grande - o blogue ainda não tem um ano e já tem para aí 350 "posts", quase todos com muita informação.
    Está quase a chegar a data do 1º aniversário, não?

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