quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Ser Ecológico É Ser Bem Educado

O texto que se segue foi publicado no caderno P2 do jornal Público do passado dia 18 de Dezembro, e, apesar de eu ter sido uma das quatro pessoas inquiridas vale a pena ler, pois o jornalista Nicolau Ferreira fez uma excelente síntese de um assunto que dá pano para mangas:

«Etiqueta Verde

Perguntámos a quatro portugueses o que é necessário fazer para se ter um comportamento verde. Reciclar é indiscutível, mas ter uma horta caseira também vem na lista. Afinal, diminuir o impacto das nossas vidas no planeta já passou a questão da cidadania, é boa-educação.

Por Nicolau Ferreira

Acabou-se. Se ainda existe um lado glamoroso no discurso ecológico, atraente para jovens rebeldes que querem fazer parte das expedições mais ou menos heróicas da Greenpeace e irritante para os que olham com cinismo para a maior movida ambiental que alguma vez a humanidade viveu, Manuela Araújo afasta-o de uma vez por todas antes de começar a responder às perguntas do P2. "Todas as acções a que me refiro não se destinam a ter um impacto positivo no ambiente, apenas a reduzir o impacto negativo", explica a arquitecta de 47 anos por e-mail, antes de começar a enumerar as acções. Não há portanto uma pretensão ao heroísmo, nem ao salvamento de nada, há apenas uma tentativa de arrumar o máximo que se desarruma por termos o estilo de vida que temos.

E a desarrumação individual é significativa, basta fazer o teste da pegada ecológica para percebê-lo. Tentámos recriar o nosso quotidiano e medir esta pegada para compreender o impacto das nossas acções e perceber que efeito tem uma mudança de hábitos. Com um avatar suíço e os Alpes em pano de fundo, a situação mais próxima de Portugal que oferecia o site que escolhemos para o questionário, respondemos a perguntas sobre alimentação, o consumo de casa ou os meios de transporte que utilizamos.

O resultado está longe de ser brilhante. Mesmo com lâmpadas de poupança, reciclagem e poucos quilómetros percorridos de carro, seria necessária mais uma Terra inteira para comportar um modo de vida que não dispensa algumas horas anuais de voo, refeições com carne, alimentação importada e uma casa mal calafetada (mas sem aquecimento central). Se as perto de 6,8 mil milhões de pessoas que existem vivessem com luxos idênticos, um planeta Marte habitável não chegaria para todos, e ninguém sabe quando é que a população humana vai deixar de crescer. Mas existem alternativas para a maioria dos problemas e optar por essas alternativas pode, ao fim do dia, tornar-nos portadores de uma etiqueta verde.

Três frentes de batalha

Há um objectivo geral por trás de cada comportamento verde, por mais que o "ecológico" irrite os familiares, amigos e colegas que ainda não aderiram. "Para mim o importante é reduzir o consumo ao essencial e excluir o supérfluo, englobando aqui o consumo de água, de energia e de "coisas"", sumariza Manuela, que vive em Vila Nova de Famalicão. O consumo alimentar, a energia gasta em casa e o modo como cada um se movimenta todos os dias de um lado para o outro são as principais frentes de batalha que podem ser escrutinadas do ponto de vista ambiental.

No supermercado a primeira regra é comprar alimentos produzidos na região. Quanto mais perto for a origem do alimento, menos energia foi consumida para o fazer chegar aos pontos de venda. Depois, sempre que se puder, deve-se optar por alimentos de origem biológica, cujo certificado garante práticas naturais de crescimento, menos fertilizantes químicos e antibióticos. Também é importante a diminuição na procura de carnes, principalmente a vermelha, já que a produção animal exige grandes quantidades de cereal e feno (lembra-se da crise de alimentos durante a Primavera de 2008, em que parte do problema foi causada pelo número de famílias chinesas que passaram a consumir carne?). Para quem tenha a sorte de ter um pouco de terra sugere-se uma aventura pela horticultura para alimentação própria.

Em casa, uma das medidas mais unânimes é a separação do lixo e reciclagem. Uma actividade que pode abarcar mais do que o plástico, o papel ou o vidro e passar a incluir as pilhas, os óleos. Os restos orgânicos são grandes candidatos para a fertilização da horta. Nuno Pinheiro é um adepto. "Fazemos compostagem com cascas e restos das plantas do jardim e do olival. O olival é fertilizado com o mato da limpeza da mata da qual somos proprietários, onde plantamos de tudo um pouco e temos árvores das mais variadas espécies", explica o bancário de 39 anos que vive numa aldeia perto de Seia.

Em relação à energia e à água, Daniela Ambrósio, de 27 anos, tem uma lista longa de regras que ajudam a optimizar os recursos. Para poupar electricidade no aquecimento sugere proteger portas e janelas de fugas de ar, ter as persianas abertas durante o dia para entrar calor e manter as portas fechadas. Relativamente à luz, opta por lâmpadas economizadoras, prefere electrodomésticos de Classe A de energia, portáteis a computadores fixos, que obrigam a ter ecrã, desliga os electrodomésticos da ficha, só põe máquinas (da roupa e loiça) a trabalhar quando estão cheias, cozinha em grandes quantidades para economizar energia e defende a utilização de painéis fotovoltaicos. Para poupar água sugere a utilização de um copo sempre que se lava os dentes, armazenar a água do banho num balde para outros fins e utilizar a água da cozedura de alimentos para fazer sopa.

De tudo isto só falha uma coisa. "Não tenho painéis fotovoltaicos e solares porque o prédio onde moro não tem, mas quando tiver casa própria essa será uma prioridade", afirma a gestora cultural de Aveiro, que prefere roupas de fibra natural a fibra sintética e substitui o limpa-vidros por uma solução de água e vinagre menos nociva para o ambiente.

Nas viagens diárias não há muito a saber, trocar o automóvel com um passageiro por transportes públicos, uma bicicleta ou as pernas é a atitude mais ecológica. Mas há detalhes a ter em conta para os utilizadores de carro, como baixar o consumo de combustível reduzindo a velocidade, desligar o motor sempre que se pára em algum sítio, e abandonar o hábito de trocar o veículo de dois em dois anos.

Limitações externas

César Marques é um dos que optam por ter uma condução mais cuidada já que não consegue livrar-se do carro. "Não posso fugir a determinadas obrigações e responsabilidades, como ir para o trabalho todos os dias, que fica a 18 quilómetros de casa, num trajecto que não é servido por transportes públicos competitivos com o automóvel particular", explica o informático de 37 anos que vive em Lisboa. Se pudesse, admite que andaria só de bicicleta, pois é o seu transporte de eleição.

De resto recicla, sempre que pode vai a pé até aos locais, tem em casa um contador de electricidade bi-horário, que permite poupar dinheiro utilizando mais electricidade durante a noite, o que acarreta menos custos para a rede eléctrica. Se pudesse, faria mais: "Gostaria de produzir energia limpa de uma forma simples e sem grandes burocracias. Na Alemanha entra-se numa loja da especialidade, adquirem-se os painéis, faz-se a instalação e em meia dúzia de dias já se produz e vende energia para a rede eléctrica."

Há mais reparos a fazer ao sistema português. Como os preços altos dos produtos biológicos, das lâmpadas economizadoras, dos electrodomésticos de Classe A ou dos painéis fotovoltaicos que, segundo Daniela Ambrósio, nem todas as pessoas podem pagar. Manuela Araújo queixa-se da falta de incentivo à agricultura portuguesa, que impede termos um mercado interno maior, e sugere a implementação da certificação energética dos edifícios, não só dos que estão a ser construídos mas também dos antigos.

Nuno Pinheiro, apesar de pagar o saneamento, denuncia uma situação constrangedora para qualquer país que se diz civilizado. "A pegada ecológica da minha família poderia ser menor se os esgotos da minha aldeia fossem tratados. A agravar tudo isto, estão a ir directos para a única fonte de água que existia e abastecia a aldeia antes de haver água canalizada", explica, desabafando que "paga para poluir".

As limitações portuguesas não são uma justificação para não se fazer nada, considera César Marques, defendendo que "há ainda possibilidade de reduzir muito a pegada ecológica". O facto é que muitas pessoas não alteram os seus hábitos diários. Daniela Ambrósio acredita que para se alterar o comportamento é necessário ter-se, antes de tudo, uma "consciência do que é o ambiente, do quanto necessitamos dele para viver, e depois perceber o mal que lhe fazemos". Até porque outra opinião unânime é a de que a acção individual conta.

Ser ecológico

"Já imaginou a redução na área necessária para produção de alimentos para gado bovino se todos, ou a maioria dos habitantes dos países ditos desenvolvidos, passassem a comer apenas a quantidade de carne recomendada pelos nutricionistas?", questiona Manuela Araújo, que diz sentir-se tentada a criticar pessoas que têm um grande nível de instrução e ignoram este assunto. Nuno Pinheiro defende que a educação começa em casa, "e não na escola, como muitos pais pensam".

A forma mais fácil de educar é o exemplo pessoal, diz César Marques. "As pessoas são sensíveis aos casos particulares e projectam com maior facilidade essa experiência em si mesmas", acrescenta. E quando existem benefícios económicos, as mudanças ainda são mais rápidas, garante o informático.

Talvez não seja necessária uma etiqueta verde, uma lista que será sempre artificial e que poderá não se ajustar à realidade de cada um. Talvez as pessoas ganhem novos hábitos à medida que sintam os exemplos dos outros crescerem como uma coisa fácil, como parece ser para Manuela Araújo: "Faço de tudo um pouco e gradualmente, sem fundamentalismos, de modo a que não prejudique a vida familiar." César Marques olha para a ecologia como algo que deve estar enraizado, que faz parte de qualquer acto. "Ser ecológico é algo natural, tal como os bons modos para uma pessoa bem formada. Quem é bem-educado não tem uma lista de acções." Limpa o que suja, não cospe no chão, fecha a porta quando sai. Deixa as coisas como as encontrou, prontas para serem utilizadas pelo próximo. E a Terra é uma daquelas coisas que estão sempre a ser utilizadas pelo próximo. »

(F
onte: Público, Etiqueta Verde folha 1, Etiqueta Verde folha 2
)
(Blogues de outros inquiridos: Sportblog, Blog do Pinhas)
Devo apenas fazer uma observação, ou aliás correcção, em relação à frase "Manuela Araújo (...) sugere a implementação da certificação energética dos edifícios, não só dos que estão a ser construídos mas também dos antigos". Na realidade, a certificação energética é obrigatória também para os edifícios existentes, pois não é possível arrendá-los ou transaccioná-los sem o certificado energético. No entanto, os tais certificados energéticos podem ter classe de eficiência energética A, B, C, D, E, F ou G, ao contrário dos edifícios novos que só podem ser classe A ou B. O que é preciso é fortes incentivos para a melhoria da eficiência, não só energética, mas ambiental nas suas várias vertentes, para a conversão dos edifícios existentes.

(Nota: fui inquirida na sequência da participação no blogue O que faço pelo ambiente? do Ecosfera - Público)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Edificios sustentáveis - o exemplo da Alemanha

(Foto: Vila Solar em Friburgo)

É fundamental para o futuro do planeta que todos estejamos empenhados em contribuir com a nossa parte no respeito pelo ambiente. Nós, os indivíduos, as comunidades e o poder político. As comunidades, desde os edifícios até às cidades, passando por aldeias e vilas, precisam de também de traçar um caminho e evoluir pelo caminho da sustentabilidade. Já aqui falei no bom exemplo da comunidade BedZED, no Reino Unido.

Hoje deixo aqui um pequeno vídeo sobre casos de sustentabilidade em comunidades e em edifícios na Alemanha: o caso do "Condomínio Solar" ou "Vila Solar", projectado pelo arquitecto Rolf Disch, em Friburgo e os edifícios "Triple Zero": zero energia, zero emissões e zero lixo ("marca" registada pelo arquitecto Werner Sobeck).

sábado, 26 de dezembro de 2009

Mudar a Educação para mudar o Mundo

É brilhante esta conferência de Sir Ken Robinson sobre o Ensino Público nas escolas de todo o mundo que a Fada do Bosque sugeriu e que muito agradeço.
Se ainda não viram, não percam o discurso de 20 minutos do princípio ao fim, vale mesmo a pena.



Vivemos numa sociedade cujo objectivo é produzir cada vez mais coisas, extrair cada vez mais coisas do nosso planeta, transformar coisas noutras coisas que usamos mesmo sem precisar e deitamos fora produzindo lixo e estragando o planeta. Mas não vamos continuar a poder sempre a usar e estragar. Não vamos poder continuar sempre a produzir coisas que só achamos úteis porque nos criaram essa necessidade artificialmente.

A sociedade do futuro tem de ser repensada, a economia e a distribuição dos empregos tem de ser diferente. Terá haver menos gente dedicada a fazer "coisas" e a extrair "coisas" da Terra, e mais gente dedicada às artes e à cultura. Por isso, os sistemas de ensino público têm de ser os primeiros a seguir esse caminho.

Como diz Ken Robinson a educação não deve minar a criatividade das crianças, mas antes acarinhá-la. Eu acrescento apenas que as crianças devem ser também educadas para não serem tão dependentes de objectos, e a dar mais valor ao ser do que ao ter.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A magia de uma caixa de sapatos


A iniciativa "Operation Christmas Child" da organização cristã "Samaritan's Purse" demonstra a alegria e a magia que pode gerar um simples presente numa simples caixa de sapatos, quando oferecida a crianças que não têm quase nada.

Tem havido polémica com esta campanha devido aos objectivos evangelizadores que estão subjacentes à iniciativa. Mas não é disso que vim falar. Só vos quis mostrar a alegria estampada na cara das crianças!


FELIZ NATAL

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um Presente de Esperança

A propósito do Dia Internacional da Solidariedade, deixo aqui a minha frase preferida, que é de Gandhi:

"No mundo há riqueza suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas não para alimentar a ganância de cada um"



"Vivemos num mundo em mudança.
Vivemos num mundo incerto.
Vivemos num mundo faminto.
Ajudando as pessoas a ajudarem-se a si próprias.
Tornando a fome em esperança.
Porque o futuro é agora!"


Estamos na época de Natal, em que o mundo cristão celebra o nascimento de Jesus, e que representa o enaltecimento dos bons sentimentos como o amor, a amizade e a compaixão. Fruto de uma determinada economia, há mais de meio século que o Natal se vem transformando numa época de comprar e dar presentes, cuja febre e azáfama crescente levou a que muitas pessoas se tenham esquecido do seu verdadeiro sentido.
No entanto, nesta mesma época de Natal, mais de mil milhões de pessoas sofrem de fome crónica. E só no dia de Natal, mais de 14 mil crianças estão condenadas a morrer de fome.

Neste Natal, reserve uma parte do dinheiro que destina a presentes para dar o presente com mais significado, dar a uma pessoa que nunca conheceu. E não precisa de sair, pode dar on-line. Dando 50 dólares (35 euros), está a dar o almoço escolar a uma criança durante um ano. Mas há outros presentes de esperança que pode dar.

Ajude o Programa Alimentar Mundial (WFP). "Give the Gift of Hope".
Dê o Presente da Esperança.

sábado, 19 de dezembro de 2009

COP15 acaba sem acordo global

Transcrevendo parte de um artigo do Estadão de hoje:

«COP acaba sem acordo e negociação fica para novembro de 2010
COPENHAGUE - A 15ª Conferência das Nações Unidas (COP-15), que terminou oficialmente neste sábado em Copenhague, ficou sem um texto final depois de o plenário recusar o acordo costurado na noite anterior entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul. O documento já era considerado pífio porque não previa metas para os países reduzirem as emissões de gases-estufa até 2020. Trazia só um compromisso de impedir a elevação da temperatura em 2°C, sem dizer como seria atingido.
Com isso, a tentativa de fechar um texto que permitisse que os países, principalmente os desenvolvidos, fossem cobrados internacionalmente pelo cumprimento das metas ficará para 2010, quando está marcada nova reunião no México.
O “acordo de Copenhague”, documento firmado por EUA, China, Brasil, Índia e África do Sul, cristalizou o fracasso de duas semanas de negociações diplomáticas e foi recusado ontem pela manhã. Mesmo com 24 horas de debates além do previsto, o documento, permeado de críticas de delegados, foi denunciado por países em desenvolvimento e acabou rebaixado a um adendo da edição de 2009 da Convenção do Clima (UNFCCC).
(...)
Ao longo da manhã, autoridades internacionais tentaram minimizar o fracasso. Ban Ki-moon, secretário-geral das ONU, afirmou em pronunciamento que “a estrada ainda será muito longa”, mas elogiou o documento.
Yvo de Boer, secretário-geral da UNFCCC, disse não concordar que o “acordo de Copenhague” seja uma ruína e chegou a classificá-lo como “forte”. Ao final, entretanto, cedeu, ao responder a um jornalista britânico sobre as ambições da COP-16, em novembro de 2010: “O que temos de tentar alcançar no México é tudo o que deveríamos ter alcançado aqui.”»

Queríamos um acordo global, justo, ambicioso e vinculativo. Queríamos estabelecer a meta de 350 ppm de CO2 para 2100. Em Copenhaga não obtivemos nada disso. Mas não desistiremos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

As opiniões e as crenças sobre o clima...

As opiniões valem o que nós quisermos que elas valham. Na edição do passado fim de semana, do semanário Expresso, devido ao tema do momento a que se dedica a Conferência de Copenhaga, um dos assuntos sobre o qual são emitidos artigos de opinião é o ambiente (e as alterações climáticas).

Alguns jornalistas estão muito incomodados com o impacto que as organizações ambientalistas estão a ter na opinião pública, acusando o ambientalismo de "religião", de crença.

É o caso de Henrique Monteiro (É o Clima uma Ideia Religiosa?), que afirma "que me parece existir no discurso ambientalista uma espécie de religião travestida de ciência". Diz ainda que quando vê toda a gente do mesmo lado da amurada, tende a ir para o outro lado. Não será isto também uma crença nas minorias? No entanto, diga-se que Henrique Monteiro julga que toda a gente tem direito a praticar livremente uma religião, ainda que pareça absurda, e não põe em causa o trabalho a favor do ambiente, apenas pretende é mais provas do que nos é dito como inevitável. É possível que ele não chegue a ver essas provas. Também é possível que nunca, como em muitas outras teorias, se chegue a apurar a verdade da correlação entre a concentração dos gases de estufa e as alterações climáticas.

Há também a opinião de Henrique Raposo (Duendes e Bagas), que afirma que "O ambientalismo é mesmo uma religião oficial, e até já tem personalidade jurídica". Além disso, diz que sabe do que fala ao afirmar que o ambientalismo é uma crendice retrógrada. Está muito preocupado com as questões alimentares, pois os ambientalistas querem que vivamos numa Quaresma de 12 meses. E parece ainda mais preocupado que os "religiosos" tomem decisões políticas, pois acha que "devemos desconfiar sempre das intenções dos monoteístas, venham elas com anjos ou duendes, venham elas com freiras ou com a Quercus". Parece-me que este senhor é um fervoroso crente na "religião" do consumismo, mas como para além do deus do consumo também parece adorar o deus da boa mesa, então não será uma religião monoteísta, o que dá lhe alguma coerência...

Uma opinião diferente é a de Daniel Oliveira (A Dúvida), que transcrevo a seguir:

"Seria necessário imaginar uma cabala sem precedentes para explicar porque quase toda a comunidade científica que estuda o fenómeno entrega a sua credibilidade à tese da influência humana no aquecimento global. Perante isto, a estratégia negacionista passa por instalar a dúvida. E a dúvida faz todo o sentido em relação a qualquer tese científica. Só há um pequeno problema: a dúvida, neste caso, tem a perna demasiado curta e não podemos esperar para ver. Só nos calhou este planeta em sorte. Não teremos outro para corrigir os nossos erros.
No entanto, a dúvida funciona aqui como uma extraordinária eficácia. O que temos de fazer implica um esforço descomunal. Mudar estilos de vida, mudar de formas de produção, perder dinheiro. E se isto não for verdade? Na dúvida, talvez seja melhor não fazer nada. Tentador, não é?
Claro que entre os negacionistas haverá de tudo. Desde os que acreditam genuinamente que estamos perante a patranha do século até aos que olham para a bolsa e acham que o planeta pode esperar pela sua vez. Mas estou convencido que o que move a maioria, como tantas vezes acontece na resistência às evidências científicas, é a ideologia. A ideia de que o mercado, acima de todas as outras coisas, comanda a vida. Que tudo - as pessoas, o tempo, a cultura - é um bem consumível. E se assim é com tudo seria uma maçada se assim não fosse com o primeiro de todos os bens: o planeta. Não são apenas as consequências económicas e políticas que os preocupam. São as consequências morais e filosóficas. E se antes de vender e comprar, de consumir e gastar, fossemos mesmo obrigados a cuidar?"

Sabemos que há outros efeitos naturais a interagir com o clima, muitos deles exteriores à própria Terra. Mas se os gases de estufa são responsáveis pelo ameno clima actual (se não existissem, a temperatura média da Terra seria muito negativa e a maioria das espécies actuais não existiria), por que é que o aumento da sua concentração não provocaria um aumento da temperatura média global? Há também umas leis da física que me parece estarem a ser desafiadas: alguém achará que a Terra, sendo finita, aguentará muito tempo com o crescimento exponencial que a população humana e o consumo dos seus recursos estáo a ter? É de esperar que a natureza reaja à acção predatória que a espécie humana tem tido.

Numa das conferências que assisti num congresso, o biólogo David Avelar da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, perguntou: em que casos, na natureza, se dá um crescimento exponencial como o que se tem verificado no aumento da população humana e respectivo consumo de recursos? E respondeu: apenas nas pragas e nas infecções; e o que acontece a seguir? o decaimento abrupto da população invasora...

Alguns dizem que é preciso sermos muito convencidos para podermos achar que conseguimos interferir com o clima! Mas, bactérias e minhocas interferiram...

Se é verdade que todos têm o direito a uma religião, por mais absurda que seja, o mesmo se passa com a opinião. E a minha opinião é muito próxima da de Daniel Oliveira. É bem possível e provável que o aumento da concentração de gases de estufa interfira na temperatura média da Terra e por conseguinte, no clima. Não, não se trata de religião, mas se isto ou o ambientalismo (que são coisas bem diferentes) fossem religiões, então o consumismo e o capitalismo também o seriam.

Isto é apenas uma opinião, e por isso, vale o que vale!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Amazónia a saque

O seguinte texto refere-se a um projecto lei chamado 6424 que querem levar a votação enquanto o Brasil e o mundo estão distraídos com Copenhaga, que prevê amnistia a atentados ambientais na Amazónia e a redução da área da Amazónia Legal em mais de 20%.

O alerta aqui ao Sustentabilidade é Acção foi dado pela Liete Alves do blogue brasileiro Minha Casa Meu Mundo, e o texto foi extraído do site da Greenpeace Brasil.

"O que diz o projeto de lei – O texto redigido por Marcos Montes anistia os desmatadores de todos os crimes ambientais até 2001. Ou seja, revoga a legislação florestal, livrando os desmatadores das multas e das obrigações legais de recuperação, compensação ou regeneração das áreas desmatadas.
O projeto de lei também quer reduzir a Amazônia Legal em 1 milhão de quilômetros quadrados. Hoje ela corresponde a 5,2 milhões de quilômetros quadrados. Se o projeto de lei for aprovado, essa área cai para 4,1 milhões de quilômetros quadrados. O que implica dizer que os proprietários que hoje têm de manter uma reserva legal em 35%, com a manobra terão de manter apenas 20%.
Só com essa cartada uma área equivalente a 150 mil quilômetros quadrados – mais de 3 vezes a área do Estado do Rio de Janeiro - fica liberada para desmatamento. O PL prevê também a redução da área de reserva legal na Amazônia de 80% para 50% e libera a plantação de exótica na metade da área a ser recuperada."

Leia mais e veja como pode ajudar no site da Greenpeace Brasil .

Abaixo fica uma curta notícia de 01/10/2008 na RTP1, só para dar uma noção da dimensão da desflorestação da Amazónia que vem ocorrendo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Congresso dos Arquitectos e Sustentabilidade

Decorreu em Vila Nova de Famalicão, nos passados dias 10 a 12 de Dezembro, o 12º Congresso dos Arquitectos. O tema foi "Arquitectura para todos: por uma Política Pública de Arquitectura para Portugal".

Um dos subtemas em discussão foi o "Combate às Alterações Climáticas e Sustentabilidade de Cidades e Edifícios". O arquitecto catalão Ignazi Pérez Arnal, um dos oradores convidados, fez uma excelente abordagem da relação da arquitectura com a sustentabilidade, tendo referido a carência de investigação científica nesta área e tendo afirmado que em Espanha, com 28 escolas de arquitectura, entre públicas e privadas, apenas uma tem uma disciplina de sustentabilidade como obrigatória. Neste aspecto, não sei como está o panorama dos cursos portugueses de arquitectura em Portugal, mas desconfio que não seja melhor. Assim, acho que merecem destaques as conclusões do congresso no que se refere a este subtema, e que a seguir transcrevo:

"A sociedade contemporânea enfrenta uma clara mudança de paradigma comparável à resultante das alterações introduzidas pela revolução industrial e, assim sendo, a arquitectura, o seu ensino e a sua prática têm que enfrentar esta mudança. Para isso deverá:
* Implementar formação obrigatória e contínua na área das novas tecnologias no combate às alterações climáticas a ser concluída até 2012;
* Criar uma agência de ecologia urbana que promova bons exemplos de construção sustentável, a elaboração de documentação de apoio de fácil compreensão para o público em geral, a transmissão de conhecimento aos futuros utilizadores, a certificação ambiental de planos e projectos enquadrada em novos âmbitos legais, e o apoio a investigação;
* Incluir arquitectos com formação e prática comprovadas em sustentabilidade ambiental em todos os processos de criação ou revisão de legislação sobre urbanismo e construção."

Não posso também deixar de referir a excelente conferência "Bogotá Y Medellín: Una Década de Transformaciones Urbanas Y Arquitectónicas", em que foi orador o arquitecto colombiano Alberto Escovar Wilson-White: uma apresentação de factos e imagens da história de duas cidades da Colômbia com índices de criminalidade verdadeiramente assustadores para um europeu, e como foi possível a sua forte redução no espaço de uma década, com a ajuda da arquitectura e do urbanismo, com a participação dos cidadãos e com vontade política. O tema desta conferência, no que se refere a Bogotá, ganhou o Leão de Ouro na categoria Cidades: Arquitectura e Sociedade na 10ª Bienal de Arquitectura de Veneza, em 2006.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Este Natal não mate o ... Natal!

Ouvia o papel dos embrulhos a ceder ante as investidas dos pequenos. Cada rasgão era seguido dum ponto de exclamação … "olha, olha … um jogo para a WI!", "e eu, e eu … três jogos para a Portable!". E ainda lhes faltava descobrir as sapatilhas da VANS mais as NIKE, um telemóvel para cada um prenda dos avós, a colecção inteira dos DVD’s do Naruto, mais o CD da Rihana, a camisola da DESIGUAL, e bem lá no fundo a Playstation 3 mais o GUITAR HERO, o jogo do DJ … e depois as prendas da mulher, dos sogros, dos pais, dos sobrinhos. E certamente que alguém lhe tinha comprado alguma para ele.
Tudo graças à secreta parceria que ele fizera com a MASTERCARD, embora suspeitasse que a mulher tinha feito outra com o VISA.
Mas como festa é festa, na véspera trataram-se como marajás. Bacalhau (imposição da sogra), peru assado, marisco, polvo e doces em cascata. Só de doces havia gasto para cima de 200,00€ na pastelaria do Senhor Manuel, mais o champanhe da MUM e o vinho tinto. Como não conseguira decidir entre CARTUXA e o DUAS QUINTAS, encomendara seis garrafas de cada. Era um pragmático
Já ao fim das escadas ouviu um berreiro monumental. "Que se passará?", pensou acelerando o passo. A sala era uma Amazónia de papel amarrotado, fitas desfeitas, prendas espalhadas e a miudagem toda em alvoroço. Uns de lágrima no canto do olho, o mais pequeno confirmado como o autor do berreiro, todos em bolandas à procura dos bonecos do Presépio. Neste não só faltava o Menino, como toda a Família, mais um burro, dois anjos e um camelo. No meio, um papel.
Baixou-se, pegou nele, desdobrou-o e … tinha lá escrito:
"Fomos embora. Pediremos asilo provavelmente junto dos sem-abrigo ali do fim da rua. Nesta casa já não mora o Espírito de Natal, antes o da OSTENTAÇÂO. Antes, ninguém nos tapava com prendas, agora ficamos cercados como presos num campo de concentração. Todos rivalizam com todos a ver quem mais prendas dá, mas se olharem bem fundo verão que muitas vezes é uma forma de CALAR A CONSCIÊNCIA. Adeus!"
Ficou ali junto à árvore em silêncio. Era verdade. Tudo.
Reprimiu uma lágrima, porque um homem não chora, mas lembrou-se que noutros tempos corria jardim fora atrás dos filhos. Agora corria à frente deles, fugindo e tapando o vazio com prendas!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sábado dia 12 - vigília à luz das velas

No sábado dia 12 de Dezembro (amanhã), pessoas de todo o mundo irão unir-se em mais de 3.000 vigílias à luz das velas em cerca de 130 países, por um verdadeiro tratado na cimeira de Copenhaga. É o movimento “The World Wants a Real Deal”, coordenado pela campanha TckTckTck com a colaboração da Avaaz.org. De acordo com a página da Avaaz, em Portugal estão inscritos 51 eventos em 32 cidades. Vou referir-me, no entanto, aos eventos de que tomei conhecimento noutras páginas (o link está no nome da cidade):

Em Braga - Às 18.30 na Avenida Central, junto à fonte luminosa

Em Lisboa -As 17.30 na Praça do Rossio, que tem a colaboração da Quercus

Em Faro - Às 18.00, a pé na Doca de Faro, ou de canoa na Ria Formosa (neste caso comparecer às 17h30 no Sport Faro e Benfica, também na zona ribeirinha da cidade)

As negociações em Copenhaga estão difíceis e longe do desejável, vamos lembrar aos líderes que estão em Copenhaga que estamos atentos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Dia dos Direitos Humanos

Foi em 10 de Dezembro de 1948 que a Assembleia das Nações Unidas proclamou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. São 30 artigos onde são enunciados os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais. Pode ver aqui um interessante vídeo com os princípios dos direitos humanos.
O Dia dos Direitos Humanos 2009 tem como tema a discriminação, e como lema "Embrace Diversity, End Discrimination".

Para relembrar, fica aqui o artigo 2º que continua, tal como outros, sistematicamente a não ser respeitado em tantas partes do mundo, hoje, 61 anos depois.

"Artigo 2.º
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autónomo ou sujeito a alguma limitação de soberania."




Este é o discurso de Ban Ki-moon, Secretário Geral das Nações Unidas, no vídeo acima (tradução livre):

"Nenhum país está livre de discriminação. Vemo-lo em toda a parte, em muitas formas. Lutas étnicas. Discursos de ódio. Xenofobia. Os seus alvos incluem mulheres, crianças e pobres. Migrantes. Minorias de todos os tipos. Eles são vistos como "diferentes" e excluídos da sociedade dominante. Mas eles não estão sozinhos. A ONU está com eles. As Nações Unidas estão comprometidos com a defesa dos direitos de todos, e particularmente os mais vulneráveis. Essa é a nossa identidade e nossa missão. Discriminação é proibida por tratados internacionais. Mas compromissos abstractos não são suficientes. Precisamos enfrentar a desigualdade e a intolerância, onde quer que elas se encontram. No dia dos Direitos Humanos, apelo às pessoas de todo o mundo para aderirem à luta contra a discriminação."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Vamos mudar de rumo


Vale a pena ler o texto de Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor universitário brasileiro, que, estando já divulgado em tantos sites, me vou atrever a transcrever por inteiro para aqui:

"O que está em jogo em Copenhague?

Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptarmo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos.
O normal seria que a humanidade se pergunta, tal como um médico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.
É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas, mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os países industrializados; e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os países pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.
Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas, não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.

Tem razão a Carta da Terra quando reza: "Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo... Isto requer uma mudança na mente e no coração". É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.
De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.
Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.
Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.
Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.
Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho, comprometeremos nosso futuro.
Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra. No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir."

Pergunte à COP15

No próximo dia 15 de Dezembro, na Conferência de Copenhaga sobre Alterações Climáticas, um painel de líderes e activistas irá responder a perguntas de cidadãos do mundo. O debate está a ser preparado e será transmitido pela CNN e pelo Youtube. Uma das perguntas pode ser a sua. Para submeter uma pergunta (em texto ou vídeo), ou para votar numa pergunta já formulada, vá a http://www.youtube.com/cop15. Até ao dia 14 de Dezembro.


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vídeos de alerta para o clima

Dois vídeos dirigidos pelo realizador belga Nic Balthazar, gravados na praia de Ostende, Bélgica, alertando para a necessidade de acção em relação às alterações climáticas. Na filmagem do vídeo para a campanha "Dance For The Climate", que ocorreu no passado dia 29 de Agosto, 100 dias antes do início da Cimeira de Copenhaga, participaram mais de 11.000 pessoas. O filme para a campanha "The Big Ask" foi gravado a 10 de Agosto de 2008 e nele colaboraram mais de 6000 pessoas.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Marcha pela Erradicação da Pobreza e Exclusão Social

Do blogue Marcha pela Erradicação da Pobreza e Exclusão Social, onde pode consultar o itinerário e mais informações sobre esta marcha:

"2010 é o Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social. Embora o ano só comece no dia 1 de Janeiro, um conjunto de Associações de Solidariedade Social está a organizar uma marcha solidária para antecipar a sua divulgação. Porque a Pobreza é uma violação dos Direitos Fundamentais, dia 17 de Dezembro, pelas 19h30 vamos encontrar-nos na Praça Luís de Camões e desfilar em direcção à Rua Augusta, onde se encontra uma réplica de um monumento em honra das vítimas da fome, da ignorância e da violência. Dia 17 de Dezembro, junte-se a Nós! Traga uma vela e faça parte desta marcha!"

Filme de abertura da Cimeira de Copenhaga

domingo, 6 de dezembro de 2009

A Pegada Humana USA

Na quinta-feira dia 4 à noite, passou na RTP2 o documentário "National Geographic: The Human Footprint USA" . Vendo-o, fica-se com a ideia bastante real do que um americano médio consome ao longo de uma vida - assustador! Se todos os habitantes da terra consumissem como os americanos, precisaríamos de 5 planetas. Os europeus, apesar de serem, também muito consumidores de recursos, têm uma pegada ecológica média de cerca de metade dos americanos, ou seja o seu consumo é também insustentável. Enquanto uns consomem em demasia, desperdiçam, fazem lixo, usam luxo, noutras partes do planeta vive-se com o mínimo ou morre-se de fome. Dá que pensar!

De acordo com a informação do site da RTP2, este documentário será exibido amanhã, dia 7/12, às 16.02 horas. Ficam aqui os vídeos que encontrei no Youtube.











sábado, 5 de dezembro de 2009

A 11ª Hora

Hoje passou mais uma vez na RTP2 o fabuloso filme documentário HOME, lançado no passado dia 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, e de que já falamos aqui mais do que uma vez.

Amanhã, dia 6 de Dezembro, às 20.30 será transmitido também na RTP2 o filme documentário A 11ª Hora, "produzido e narrado por Leonardo Di Caprio, conta com a participação e o testemunho de dezenas de conceituados cientistas nesta luta pelo restabelecimento do equilíbrio da relação entre a humanidade e os ecossistemas".


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

The Story of Cap & Trade" - o negócio do carbono

Com a aproximação da Cimeira de Copenhaga sobre as Alterações Climáticas, tem crescendo também a minha preocupação com o que lá se passará e o "negócio" com as emissões de carbono.

Ontem, James Hansen, climatologista americano e um dos primeiros cientistas a alertar para o aquecimento global nos anos 80, lançou a polémica (AFP, Público), ao afirmar que mais vale a Cimeira de Copenhaga fracassar do que seguir pelo caminho que leva, pois a abordagem está completamente errada.

Neste vídeo, Annie Leonard (que já conhecemos de A História das Coisas), faz uma crítica ao actual estado das negociações sobre o mercado internacional de carbono, alertando para os perigos que os negócios com as compensações podem acarretar para os países menos desenvolvidos e para as empresas mais pequenas.

The Story of Cap and Trade foi realizado por The Story of Stuff Project e por Free Range Studios, em parceria com Climate Justice Now! e com Durban Group for Climate Justice.

Como diz Annie Leonard, o diabo, está nos detalhes. Veja no filme quais são.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Que temos a ver com a corrupção?

Corrupção = Abuso do poder em proveito próprio

Acabar de vez com a corrupção é tarefa impossível, tal como o é acabar definitivamente com a violência. Mas reduzi-la à expressão mínima, deixando de a considerar "aceitável" na nossa esfera de acção é o primeiro passo para uma democracia saudável, e fundamental para a sustentabilidade económica e justiça social. Porque acima de tudo, corrupção é falta de honestidade.



Sobre este assunto, recomendo a leitura do artigo do Professor Germano Marques da Silva no ionline: "O combate à corrupção passa por todos e cada um de nós", do passado dia 9 de Novembro, e do qual transcrevo dois parágrafos (destacado meu):

"(...) A democracia, sendo tolerante, não é permissiva, é exigente no respeito dos valores que a sustentam, é intolerante com a violação da legalidade. Por isso, costuma-se dizer que a corrupção é o cancro da democracia porque, desprezando as leis e as instituições, violando a ética e a justiça, corrompe o ideal democrático da subordinação do egoísmo individual ao bem comum. (...)
Denunciar os corruptos não é bufonaria, é civismo, mas o melhor combate, a prevenção mais eficaz, passa simplesmente por cada um cumprir o seu dever e não tolerar na sua esfera de acção que outros o não façam. Comecemos, pois, por fazer com que o nosso pequeno espaço seja livre de qualquer tipo de corrupção porque, se muitos o fizerem, as autoridades democráticas, as polícias, o Ministério Público e os tribunais chegam para o resto.
"

O seguinte vídeo fez parte da campanha conjunta promovida pelo Ministério Público e o Tribunal de Contas de Santa Catarina, Brasil, tendo como alvo principal as crianças e os jovens. Uma boa ideia a seguir. Tal como Germano Marques da Silva acaba o seu artigo: "Tudo começa pela educação dos pequeninos..."



Todos sabemos que o problema da corrupção não afecta só o Brasil, por isso, como costumo dizer e como diz Germano Marques da Silva: façamos cada um a nossa parte.